Os Filhos dos Santíssimo Redentor publicaram em seu blog a continuação de uma entrevista do seu vigário geral, Pe. Michael Mary (que já comentamos aqui). Abaixo, traduzimos alguns excertos:
Jurisdição de suplência ou o Pão fresco pela janela de trás.
Perguntado sobre o conselho que ele supostamente havia recebido da SSPX (de que não existiria suplência para a jurisdição de um superior religioso ao receber votos) que foi negado veementemente por Dom Fellay, Pe. Michael Mary responde:
Eu retornei à pessoa que consultamos primeiramente sobre jurisdição. Ele agora diz que ele considerou que conversar conosco sobre essa matéria seria inútil e iniciaria uma discussão infrutífera interminável. E que ele lamentava que nós tivéssemos interpretado seu silêncio como uma aprovação.
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Absolutamente nada mudou em nosso pensamento até 7 de julho de 2007 quando o Papa Bento XVI publicou o Motu Proprio pelo qual ele provou, sem dúvidas, que ele estava intencionado em “re-sacralizar” a Igreja. Foi como um milagre. Talvez, como na visão de São João Bosco, ele é o Papa que está atracando a Barca de Pedro entre os dois pilares do Santíssimo Sacramento e de Maria Imaculada. Conseqüentemente, logo que se reconhece que Bento XVI é, sem dúvida, verdadeiramente o Papa; uma nova dinâmica de vida Católica vem à tona.
Martin: O que é isso?
Padre Michael Mary: Desde o momento que se reconhece Bento XVI como verdadeiramente o Papa, o ‘Catolicismo sedevacantista prático’ dá lugar ao “Catolicismo Papal prático”; é inevitável. Mesmo que exista uma guerra nos cercando na Igreja, nós ainda temos que fazer o movimento em direção à Barca de Pedro ao abandonar o ‘catolicismo sedevacantista prático’ pelo ‘catolicismo Papal prático’, onde o Papa tem a primazia de jurisdição sobre cada um de nós. Nós enfileiraremos trincheiras com ele para nossa própria salvação; e após isso, nós enfileiraremos trincheiras com ele na batalha pela vida da Igreja. Mas eu repito, o que está acima é meu entendimento pessoal sobre os últimos 20 anos. Pode não ser o entendimento de outros. Mas eu sei que independente de como seja o entendimento sobre os últimos 20 anos, algo novo começou com Bento XVI e a maré virou.
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Eu me lembro de algumas questões morais sobre “roubar” em casos de necessidades. A Segunda Guerra Mundial: alguns soldados ingleses estão escondidos numa cidade Francesa. Eles estão em terrível necessidade de comida e descobrem que a janela de trás da padaria pode ser aberta para dar-lhes acesso ao pão que acabou de ser assado. Eles podem pegar o pão sem isso ser o pecado de roubo?
Martin: Sim, eles podem. Existe necessidade e tomar o pão pela janela de trás é a única forma para que eles possam sobreviver
Padre Michael Mary: Exatamente. Mas então, depois de um período de tempo, o povo da cidade os nota. A guerra ainda não acabou, existem ainda muitos riscos, mas a França está lentamente sendo libertada. O padeiro anuncia que ele dará a eles todos os pães que eles precisam e então não existe mais necessidade de tomá-los pela janela de trás. Ele mesmo traria os pães até eles. Agora tudo mudou, e se não hoje, mas bem logo, tomar o pão pela janela de trás será chamado e será roubo.
Martin: O que significa?
Padre Michael Mary: Por 20 anos estávamos vivendo num estado de necessidade onde nós não tínhamos autorização para aquilo que precisávamos, particularmente o Pão Celestial, confissões, casamentos e profissões religiosas. Nós fazíamos como podíamos. Nós presumíamos autorização para tudo que precisávamos. Não era a melhor situação, mas fizemos o que fizemos porque nós não podíamos ver nenhuma outra forma de sobreviver.
Então o Papa Bento XVI nos notou e em clara voz anunciou pelo Motu Proprio que a missa antiga estava autorizada e que ele nos daria tudo que precisávamos e mais: Missa, ritual, jurisdição para confissões, casamentos, profissões religiosas e o uso exclusivo do Missal de 1962 em nossas comunidades. É claro que ele sabe que a guerra não está acabada já que ele mesmo está trabalhando para restaurar todas as coisas em Cristo. Ele nos chama a responder seu apelo e aceitar o pão que ele nos oferece em abundância de seus braços abertos.
Martin: Então você está dizendo: o padeiro é o Papa, certo? Ele sabe que existe uma guerra em curso e ele está liderando o caminho? Ele agora nos oferece o que antes de 7 de julho de 2007 nós simplesmente pegávamos? Ignorá-lo agora e continuar a pegar o pão pela janela de trás não é mais aceitável, já que não pode ser certo pegar por suas costas o que ele quer nos dar face a face?
Padre Michael Mary: Essa é uma maneira de colocar isso. E permita-me acrescentar, existem razões para acertar as coisas com a Igreja. Esse problema da jurisdição é um problema muito sério. Eu me lembro de um Doutor em Direito Canônico num seminário, citando um caso de uma anulação matrimonial pré-Vaticano II. Era algo assim:
A sobrinha de um bispo estava se casando numa diocese vizinha. A noiva convidou seu tio, o bispo, para celebrar a cerimônia. Foi acordado. O tio-bispo celebrou o casamento na catedral da diocese vizinha onde até o bispo local assistiu para dar solenidade à ocasião. Alguns anos depois o casamento acabou. O tribunal de casamento investigando o caso descobriu que o tio-bispo não pediu ou recebeu jurisdição do bispo vizinho (o Ordinário local) para celebrar o casamento; (ele presumia isso). E apesar do bispo local estar fisicamente presente, a Igreja declarou o casamento nulo por falta de jurisdição.
Certamente esse seria um caso de ‘erro humano e falha’? Certamente a Igreja teria declarado esse como um caso de ‘jurisdição suprida’. Não, foi julgado como um caso ‘sem jurisdição’. O casamento foi anulado. Deram-nos esse caso como um exemplo da seriedade e necessidade de ter jurisdição válida para executar atos válidos. Talvez alguns dirão que isso é legalista, e eu não argumento. Eu digo que isso é um exemplo que dá causa à preocupação de agir sem válida jurisdição quando ela pode ser tida ao pedir.
Confiteor: Por que agora o Pe. Michael Mary ‘aceita’ a possibilidade dos padres dos F.SS.R. celebrarem a Missa Nova fora do mosteiro, presumidamente quando eles estão em missão?
Padre Michael Mary: Não, não, não! Em minha resposta a Brendan, eu disse que fomos assegurados que não precisaríamos celebrar o Novus ordo e nem concelebrar. Essa segurança nos deu coragem para fazer o que consideramos a coisa certa e procurar reconciliação com a Santa Sé. Então, claramente nós não estamos querendo dizer a Missa Nova. Entretanto, se você aceita o Papa, você aceita o Direito Canônico e, portanto, nós devemos aceitar que o Direito Canônico não dá permissão para proibir um padre de rezar a Missa Nova. Isso não quer dizer que ele irá dizê-la. Nenhum de nossos padres quer dizê-la, nenhum de nossos seminaristas quer; e nem eles podem ser forçados a dizê-la, nunca! Nem mesmo nas missões! Mas a Igreja não permite aos superiores proibir seus padres de dizê-la. Eu fiquei desapontado ao ver essa afirmação dos fatos mal usada antes de se averiguar.








"... muitos dos que se dizem católicos ajudam os «revolucionários» . São esses, sempre «moderados», que estimam a «tranquilidade pública» como o bem supremo. Esses católicos tolerantes, condescendentes, brandos, doces, amáveis ao extremo com os maçons e furiosos inimigos de Jesus Cristo, guardam todo seu mal humor para os que gritam «Viva a Religião!» e a defendem sofrendo contínuas penalidades e expondo suas vidas. Para eles, esses últimos são «exagerados e imprudentes, que tudo comprometem com prejuízo dos interesses da Igreja» ".
Que tenho eu, Senhor Jesus, que não me tenhais dado?… Que sei eu que Vós não me tenhais ensinado?… Que valho eu se não estou ao vosso lado? Que mereço eu, se a Vós não estou unido?… Perdoai-me os erros que contra Vós tenho cometido. Pois me criastes sem que o merecesse… E me redimistes sem que Vo-lo pedisse… Muito fizestes ao me criar, muito em me redimir, e não sereis menos generoso em perdoar-me. Pois o muito sangue que derramastes e a acerba morte que padecestes não foram pelos anjos que Vos louvam, senão por mim e demais pecadores que Vos ofendem… Se Vos tenho negado, deixai-me reconhecer-Vos; Se Vos tenho injuriado, deixai-me louvar-Vos; Se Vos tenho ofendido, deixai-me servir-Vos. Porque é mais morte que vida, a que não empregada em vosso santo serviço… - Padre Mateo Crawley-Boevey