Para melhor compreensão, leia também os artigos anteriores da série sobre a tomada da Igreja de Saint Nicholas du Chardonnet.
De maneira nada surpreendente, o Cardeal Marty não está contente em deixar a situação como está. Uma ordem judicial foi obtida dizendo que os tradicionalistas podiam ser expelidos por um oficial de justiça, pela polícia ou pelos militares, se necessário. Uma data foi dada, mas foi seguida por um prazo de execução até depois da Páscoa, para que toda a liturgia da Semana Santa pudesse ser mantida (talvez o próprio juiz desejasse assistí-la). Esse prazo expirava em 11 de abril, segunda-feira, e foi com alguma trepidação que eu fiz minha primeira visita à igreja por volta das 8:15 da manhã de 12 de abril, após uma viagem por toda a noite desde a Suíça. Ao entrar na igreja, pensei que o pior tivesse acontecido enquanto ouvia um padre falando em Francês – mas tudo estava bem, ele apenas estava lendo o Evangelho. Foi uma grande alegria assistir Missa numa bela igreja antiga exatamente como fora celebrada antes do Concílio.
Depois da Missa, tive uma conversa com o celebrante e alguns dos jovens que estavam guardando a igreja. Eles então me convidaram para compartilhar um lanche muito simples de pão com manteiga mergulhado no café. Seria difícil imaginar jovens mais agradáveis e corteses; descobrir tal fervor e dedicação pela fé tradicional entre pessoas jovens em plena “Igreja Conciliar” é certamente um sinal de grande esperança. Todas as portas da igreja, exceto uma, estavam trancadas, e ao menos dois ou três rapazes sempre lá permaneciam em guarda. Eles trabalham em turnos – alguns ficando em guarda a noite inteira enquanto outros dormem num dormitório provisório. É uma calúnia monstruosa sugerir, como alguns jornais liberais (católicos e seculares) fizeram, que esses são jovens com uma predileção pela violência. Se alguma tentativa é feita para expulsar-lhes da igreja pela força, eles resistirão – mas se eles não são atacados, não existirá violência. Aqueles com quem conversei também me asseguraram que eles não resistiriam à polícia – apenas um ataque corporal por leigos progressistas.
Continua








"... muitos dos que se dizem católicos ajudam os «revolucionários» . São esses, sempre «moderados», que estimam a «tranquilidade pública» como o bem supremo. Esses católicos tolerantes, condescendentes, brandos, doces, amáveis ao extremo com os maçons e furiosos inimigos de Jesus Cristo, guardam todo seu mal humor para os que gritam «Viva a Religião!» e a defendem sofrendo contínuas penalidades e expondo suas vidas. Para eles, esses últimos são «exagerados e imprudentes, que tudo comprometem com prejuízo dos interesses da Igreja» ".
Que tenho eu, Senhor Jesus, que não me tenhais dado?… Que sei eu que Vós não me tenhais ensinado?… Que valho eu se não estou ao vosso lado? Que mereço eu, se a Vós não estou unido?… Perdoai-me os erros que contra Vós tenho cometido. Pois me criastes sem que o merecesse… E me redimistes sem que Vo-lo pedisse… Muito fizestes ao me criar, muito em me redimir, e não sereis menos generoso em perdoar-me. Pois o muito sangue que derramastes e a acerba morte que padecestes não foram pelos anjos que Vos louvam, senão por mim e demais pecadores que Vos ofendem… Se Vos tenho negado, deixai-me reconhecer-Vos; Se Vos tenho injuriado, deixai-me louvar-Vos; Se Vos tenho ofendido, deixai-me servir-Vos. Porque é mais morte que vida, a que não empregada em vosso santo serviço… - Padre Mateo Crawley-Boevey