Os muçulmanos precisam aceitar os avanços trazidos pelos iluminismo, os famigerados direitos humanos: é o que pediu o Papa Bento XVI, ao constatar que o mundo muçulmano se vê diante da escolha que foi imposta ao mundo cristão.
Intra muros: tal ultimato foi dado já a Pio XII no pós-guerra e concretizou-se no Concílio Vaticano II, segundo alguns o “1789 na Igreja” ou a sua “Revolução de Outubro”. Imposição que determinou o arquivamento completo, ou — para algumas mentes mais temerosas — uma pequena “correção histórica” ao radicalismo do Beato Pio IX diante do também radical anticlericalismo revolucionário de sua época. Ratificou-se um acordo, ou mais precisamente uma “espécie de Anti-Syllabus”: O Romano Pontífice Romano pode e deve conciliar-se e transigir com o progresso, com o Liberalismo e com a Civilização moderna. A Igreja toma, daí por diante, uma nova postura diante do mundo moderno, não mais de repreensão, mas sim de acolhimento e incorpora aos documentos deste Concílio algumas das idéias do naturalismo iluminista dos livre-pensadores, notadamente a Liberdade de Religião (que afirmam ser uma volta às origens cristãs e direito inato do ser humano).
Divisão diante da revolução entre os que a aceitam. A Revolução Francesa teria sido radical demais e justificado os anátemas dos Papas Anti-Modernos, de Gregório XVI a Pio XII. Já a Revolução Americana sim teria sido o modelo de laicismo que não exclui Deus da vida pública. Deveria se perguntar: qual Deus, se o Estado não reconhece a verdadeira religião?
Disso tudo se depreende que é possível, de maneira análoga, ver nos partidários da “Hermenêutica da Ruptura” — defensores do Concílio Vaticano II como um super-dogma ou o início de uma Nova Igreja — situação análoga à dos Revolucionários Franceses. Por outro lado, pode-se dizer que a Revolução Americana é muito bem representada nos que hoje procuram impôr a “Hermenêutica da Continuidade”.
Diferenças de graus apenas. Ambas as correntes são Revolucionárias, pois bebem da mesma fonte e adotam os mesmos princípios.
Portanto, convencer os “tradicionalistas” a aceitarem a Revolução será tão problemático quanto pedir o mesmo aos muçulmanos…









"... muitos dos que se dizem católicos ajudam os «revolucionários» . São esses, sempre «moderados», que estimam a «tranquilidade pública» como o bem supremo. Esses católicos tolerantes, condescendentes, brandos, doces, amáveis ao extremo com os maçons e furiosos inimigos de Jesus Cristo, guardam todo seu mal humor para os que gritam «Viva a Religião!» e a defendem sofrendo contínuas penalidades e expondo suas vidas. Para eles, esses últimos são «exagerados e imprudentes, que tudo comprometem com prejuízo dos interesses da Igreja» ".
Que tenho eu, Senhor Jesus, que não me tenhais dado?… Que sei eu que Vós não me tenhais ensinado?… Que valho eu se não estou ao vosso lado? Que mereço eu, se a Vós não estou unido?… Perdoai-me os erros que contra Vós tenho cometido. Pois me criastes sem que o merecesse… E me redimistes sem que Vo-lo pedisse… Muito fizestes ao me criar, muito em me redimir, e não sereis menos generoso em perdoar-me. Pois o muito sangue que derramastes e a acerba morte que padecestes não foram pelos anjos que Vos louvam, senão por mim e demais pecadores que Vos ofendem… Se Vos tenho negado, deixai-me reconhecer-Vos; Se Vos tenho injuriado, deixai-me louvar-Vos; Se Vos tenho ofendido, deixai-me servir-Vos. Porque é mais morte que vida, a que não empregada em vosso santo serviço… - Padre Mateo Crawley-Boevey