Muito estimado Padre, obrigado.
Seu editorial sul-americano, publicado no site oficial do distrito da França, tem numerosas qualidades. A primeira é que está assinado por sua mão, mesmo se inspira-se em grande parte, seja no plano e no fraseado, num panfleto corajosamente anônimo aparecido nesses últimos dias na internet. Quando o intrépido cura que o assinou terá a coragem de sair do anonimato… pelo momento não tenho tempo a perder com os covardes.
Porque também você deplora realmente a sorte que se dá ao IBP. E neste tempo de ditadura de pensamento, é valoroso de sua parte. É, por outra parte, a única justificativa de suas linhas pessimistas que encontra na internet porta-vozes oficiosos da Fraternidade, incomodados.
Por fim, e vendo-o bem, você nos faz o mais precioso cumprimento: é nossa posição inicial, sua coerência como seu rigor, o que motiva a hostilidade dos bispos e mesmo (é você quem o diz) o apoio parcimonioso de Roma. Obrigado, querido padre; era necessário que isso fosse dito, se possível, por outro que não nós.
Suas linhas transbordam de amizade para com o Bom Pastor, em seus começos sempre atuais. Sei, por termos nos encontrado na época, que essas não são palavras ocas ou vazias.
As reprovações que você parece nos fazer não o são em absoluto: as bravatas dos bispos de Bogotá e Santiago deveriam atrair, na boca de um sacerdote da Fraternidade São Pio X, ainda por cima superior de distrito, outros tantos elogios, não é verdade? Ou então, há de se temer, a Fraternidade teria mudado tanto em quatro anos e deveria assinar rapidamente os acordos! Felizmente que Mons. Lefebvre não se deteve por tão pouco, nem você e nem eu seríamos sacerdotes! Nosso seminário de Ecône em 1973, portanto em perfeita regra canônica, foi tratado de ‘salvaje’ por todos os bispos franceses reunidos em Lourdes.
Tampouco há de se misturar tudo. O bispo de São Paulo nos deu uma recepção muito simpática (como alguns na França), e você é um dos melhores colocados para saber que nossa saída deste país se deve à TFP disfarçada em Montfort! Vamos, padre…!
Último de seus argumentos, que não o são e graças a Deus, é o caso do Padre G. que deixa o Instituto para incorporar-se à Fraternidade. É a única manipulação em seu texto. Da passagem poderia, apesar de tudo, agradecer. Ele celebrava a forma ordinária há dois anos. O ensinamos, regularizamos tudo em Roma, bom trabalho. Por razão de comodidade (vocês são ricos e nós somos pobres; perseguem-nos, a vocês não mais; vossa casa na Argentina é confortável e lá está a família dele, nossa casa em Santiago é miserável e o Padre Navas está enfermo), ele decide unir-se a vocês. Vá! Não vou a gritar o cisma e espero que não vá pagar muito caro suas origens. É inútil reordená-lo sob condições e não o mandem para uma ilha perdida no oceano: vocês têm tantas casas bem quentes onde se é bom viver.
Verdadeiramente, até aqui, nada a dizer de novo sobre sua prosa. Queria, apesar de tudo, dizer-lhe, querido Padre, que se houvesse conhecido os inícios de sua Fraternidade e as provas que atravessou, se alarmaria menos rapidamente pelas pequenas misérias do começo do IBP. E já que sua solicitude me afeta profundamente, a creio excessivamente preocupada; peça aos antigos que lhe contem as “horas mais obscuras de nossa história”. Sabia, por exemplo, que Mons. Lefebvre várias vezes quis parar tudo e que assim decidiu e anunciou uma vez. Sem a valentia de nosso querido Padre Aulagnier não haveria Fraternidade! Veja, não estou ali. Vocês se dão ao luxo, hoje em dia, de despedir um bom número de seminaristas porque então se guardava assustadores! Quanto aos favores episcopais, seu fundador teve que prescindir deles.
E você passa logicamente à questão romana. Todos esses pequenos avatares são bem a prova de que Roma não mudou; que o IBP era só um obstáculo levantado por Roma contra a Fraternidade; que se fizéssemos hoje o que fizeram ontem, nos aconteceria amanhã o que os acontece hoje. “Liberdade vigiada”, etc…
Ali mesmo (definitivamente!) estou de acordo contigo. Vê bem que o importante é a qualidade de um acordo prático e que a Fraternidade deveria estar contente com o Instituto por lhe ter mostrado isso e limpar os gessos. Você diz muito justamente que a salvação da Igreja não pode vir senão de Roma e não de sei lá qual último cartucho, porque sairá do bom lugar e no bom momento por não sei qual Robin Hood. Você não é daqueles que, apesar de tudo, sonha que a noite de Vaticano II nunca se deu: é o despertador que é de pesadelo. Você está bem longe da Europa, se não saberia que o único a ter deplorado a visita do Papa à mesquita foi o Padre de Tanouarn, do Bom Pastor. Quando fala do “abandono” do IBP, não se dá conta até que ponto você nos felicita! Se é responsável de ter sido abandonado? Isso pediria matizes, sem dúvida, mas tudo em sua argumentação tende a equiparar nossos dois institutos, e sem que eu compartilhe totalmente este ponto de vista, o tomo de seus lábios como um belo estímulo. E por fim, se é que o Papa é quem não é obedecido, não é dever de todos apoiá-lo? O Cardeal Castrillón Hoyos, que encontrei na semana passada, me disse e repetiu: “sobretudo, não mudem, permanecem o que são”. Quando o Sr. Christophe Geffroy de la Nef, precisamente aferroado por Jean Madiran em Présent (20 de setembro) fala do Instituto como uma “ambigüidade detestável”, que “não poderia ter senão um tempo”, ele se volta resolutamente ao passado, deserta em pleno campo e abandona o Papa. Por outra parte: por que se mete?
Em 2006, alguns de vocês se limitavam sabiamente a dizer que o jovem instituto deveria demonstrar validez com o tempo. Parece-me que este frenesi dos balanços que atualmente molesta muitos sonhos é um tanto prematuro. Salomão era mais sábio, não é certo?: “um tempo para plantar, outro para colher; um tempo para construir, outro para habitar”? Será que a permanência e o tranqüilo desenvolvimento do Instituto preocupam as noites de alguns? Não creio absolutamente que você seja um deles: seu texto é magnífico e supõe um profundo apreço pelo Bom Pastor. Muito obrigado: o convido para as ordenações de 11 de outubro próximo, que levará o número de nossos sacerdotes de 18 a 22 e faço uma piscada de olho fraternal e calorosa ao velho cura de Saint- Nicolas du Chardonnet. Com minha amizade em Nosso Senhor.
Padre Philippe Laguérie.
Simples carta ao Padre Bouchacourt – Pe. Laguerie
7 Comentários para “Simples carta ao Padre Bouchacourt – Pe. Laguerie”
-
Lamentável esse tom irônico do Padre Laguerie..o que ele conseguiu provar contra o Padre Bouchacourt? Nada, só fez mais uma “crítica construtiva”. E ainda o convida com um certo cinismo para ordenações no IBP. Melhor seria não ter escrito, pois conservaria o resto da fragmentada imagem tradicionalista do IBP.
-
Deste quando tinha um blog e escrevia, com pesar, o que acontecia com o I.B.P – que acompanhei, embora vitualmente, deste 2006, com esperança e alegria – nunca poderia imaginar que até que ponto chegaria o Padre Laguerie hoje com seu tom ironico.
Nunca críticou alguns padres do seu instituto, doidos para rezar a Missa nova, como outras coisas absurdas que nem vale a pena mencionar por tais comfrades, pois é triste.
Só demonstra que o I.B.P. está mais perdido do que nunca, embora regulamentada. E, deste modo, repito de modo infeliz, fica assim o seu I.B.P. a qual é superior: regulamentamente perdida…
-
Do falar (e também do escrever) vem o arrependimento.
O que tenho lido ultimamente dos membros do IBP mostra que a FSSPX não perdeu nada com a saída deles. O Pe. Laguerie destila ódio, …
Esse IBP está condenado ao fracasso … -
Não consigo ver esse ódio no texto do Padre Laguerie. Pelo contrário, as cartas de ambos me pareceram amistosas…
Quanto aos resultados do IBP, é infatildiade imaginar que não encontrariam dificuldades com os bispos… o que não dá pra entender é o Padre Aulagnier dizer, como fez o Tanouarn, que a missa nova favorece ao protestantismo, é equivoca, etc, e assistí-la só por diplomacia!!! A fé pode ser objeto de barganha?
-
Longe de me entristecer com as duas sequências de cartas, do Superior da FSSPX para a América do Sul e do Superior do IBP, tenho que confessar que os contras apresentados pelo primeiro, e os “prós” do segundo não me estimulam a tomar partido de nenhum campo EM DETRIMENTO DO OUTRO.
O que noto são dois padres, mas no fundo, duas sociedades com a mesma fé católica e apostólica, sem nenhum relativismo, divergindo sobre a forma de lutar contra o modernismo.
Ambos têm prós e contras, por manterem-se como estão.
O IBP na prática é “amordaçado”, em virtude do acordo. Não tem condições de disparar livremente, como a FSSPX, que chamuscada por um pseudo-cisma, nada tem a perder… Por outro lado, na posição marginalizada em que se encontra, jamais conseguirá pôr em prática dentro da Cúria e das dioceses o que ela prega como certo teoricamente.
Situação inusitada: o primeiro tem a legitimidade jurídica que permite por em prática (a missa, a catequese tradicional, o anti-modernismo) o que não pode ser pregado (O modernismo), e o segundo pode pregar livremente, mas na prática não vai além da instalação de priorados ou instituições que jamais escalarão na hierarquia da Igreja, sem contar com o falso estigma de excomunhão e cisma…
Mas ao seu tempo, N. Senhor há de arrumar a Sua Casa! A quem vai para o IBP ou a FSSPX, eu dou graças a Deus, e não me entristeço com nenhuma destas duas escolhas. Me entristeceria se houvesse apostasia ou barganha com o liberalismo. -
Caro augusto,
Não consigo ver também ódio nenhum, mas ironia e um certo cinismo sim. Posso até estar errado acerca da “intenção maldosa” do Padre Laguere. No entanto, dizer que o IBP é pobre e a FSSPX é rica, para mim isso não tem nada a ver com o real problema exposto pelo o Padre Bouchacourt, é só mas uma justificativa boba para dizer que a FSSPX tem condições econômicas de fazer o que faz e o IBP não. Ora, e porque será que a FSSPX tem essas condições? Será porque fazem por onde? Cadê a confiança na Santa Providencia? É só surgir um probleminha, arruma as malas e vai embora?
Quem irá “salvar” a Igreja, por certo, não é o Robin Hood e nem a FSSPX, mas o próprio Cristo que disse que as portas do inferno não prevalecerão.
-
Só para realçar que a Verdade não há partidos, fundações católicos, ou, se acharem melhor, preferências.
É o amor a Verdade que todo católico doa-se e deve se jubilar; porém, entristeçe com razão diante de ações levadas por entusiasmo ou atitudes imaturas. Principalmente em época que exige prudência e muita cautela, mas um católico ou fundação católica torna-se alvo fácil a astúcia do Gênio da Maldade é de lamentar. Esse é nosso hoje pós-conciliar. Não é para tolos.
Assim, sem vê que seja fiel a Verdade ou buscar ser de fato, acho questão de justiça, além de tomar público isso que reconheço que a Fraternidade é prudente onde pisa, deste os anos 70, até hoje.
Assim futuramente, ela possa, definitivamente, coperar, como prefere muitos, com uma legitimidade jurídica urgente. Mas acho que é impossível. Só Deus sabe quando achar o momento que só Deus sabe quando.
Todavia, hoje, o importante é manter a Tradição, o rito, e, sobretudo, a Fé – católica, claro.
Isso é primordial, para o bem das almas.
E, nessa coerência com a Fé a levar esses questionamentos complexos que são poucos escritos acima a uma analise.
Rezo que o I.B.P. possa seguir com uma autocrítica sincera, ao deixar querelas; mas demonstra pelo seu superior geral que pouco importa se questionar a si mesmo.
Porque, mesmo com rito ortodoxo, os costumes cristãos, enfim, fica no vazio…
“Sem Fé é impossível agradar a Deus” – passagem evangelica.
E, repito, espero que eles, do I.B.P., saibam buscar o amor a Verdade, mesmo que custe a imcompreensão dos homens, pois, creio eu, não buscamos tal coisa…








"... muitos dos que se dizem católicos ajudam os «revolucionários» . São esses, sempre «moderados», que estimam a «tranquilidade pública» como o bem supremo. Esses católicos tolerantes, condescendentes, brandos, doces, amáveis ao extremo com os maçons e furiosos inimigos de Jesus Cristo, guardam todo seu mal humor para os que gritam «Viva a Religião!» e a defendem sofrendo contínuas penalidades e expondo suas vidas. Para eles, esses últimos são «exagerados e imprudentes, que tudo comprometem com prejuízo dos interesses da Igreja» ".
Que tenho eu, Senhor Jesus, que não me tenhais dado?… Que sei eu que Vós não me tenhais ensinado?… Que valho eu se não estou ao vosso lado? Que mereço eu, se a Vós não estou unido?… Perdoai-me os erros que contra Vós tenho cometido. Pois me criastes sem que o merecesse… E me redimistes sem que Vo-lo pedisse… Muito fizestes ao me criar, muito em me redimir, e não sereis menos generoso em perdoar-me. Pois o muito sangue que derramastes e a acerba morte que padecestes não foram pelos anjos que Vos louvam, senão por mim e demais pecadores que Vos ofendem… Se Vos tenho negado, deixai-me reconhecer-Vos; Se Vos tenho injuriado, deixai-me louvar-Vos; Se Vos tenho ofendido, deixai-me servir-Vos. Porque é mais morte que vida, a que não empregada em vosso santo serviço… - Padre Mateo Crawley-Boevey