Para melhor compreensão, leia também os artigos anteriores da série sobre a Igreja de Saint Nicholas du Chardonnet.
Fatos e a Verdade
O relato dos eventos em St. Nicholas que apareceu em The Times foi, de maneira geral, justo e factual, e é evidente que seu repórter, Charles Hargrove, estava fazendo todos os esforços para ser objetivo. Mas a matéria abaixo indica a extensão em que uma matéria factual não transparece necessariamente a verdade de uma situação. O porquê disso será explicado depois de reproduzirmos a matéria que apareceu na edição de 24 de abril de 1977.
Oferta a ocupantes de Igreja é rejeitada
De Charles Hargrove – Paris, 22 de abril de 1977.
O
Cardeal Marty, Arcebispo de Paris, fez um gesto de conciliação aos tradicionalistas que ocupam a igreja de Saint Nicholas du Chardonnet desde o fim de Março.
Ele ofereceu-lhes outro lugar para rezar até 4 de julho, quando o senhor Jean Guitton, o filósofo Católico Romano indicado como mediador por uma corte em 1º de abril, apresentará seu relatório. Acrescentou que essa oferta de maneira alguma implicava num reconhecimento de suas reivindicações.
A igreja, mais exatamente St. Marie-Médiatrice, fica na periferia, próximo à Porte dês Lilas, norte de Paris. Esteve sem ser usada por mais de cinco anos, desde a construção do anel viário de Paris. Foi construída pelo Cardeal Suhard, arcebispo da época da ocupação Alemã, como resultado de um voto de erigir um local de culto se Paris fosse poupada da destruição.
O Cardeal Marty anunciou a concessão desta igreja aos tradicionalistas depois de chegar a um acordo com o Sr. Guitton, que relembrou numa declaração na última noite que a data limite estipulada pela corte para a evacuação de St. Nicholas foi prolongada por uma semana até ontem, a seu pedido.
Mas a oferta foi rejeitada na noite de ontem por Mons. Ducard-Bourget, um dos líderes dos tradicionalistas, que disse que processaria o Cardeal perante as autoridades eclesiásticas.
“Por 10 anos somos tratados com desprezo”, disse. “Os fiéis de ao menos cinco paróquias vêm às nossas celebrações. Está fora de questão a nossa transferência para uma das mais distantes igrejas de Paris. Que as forças da lei e da ordem venham e nos ponha para fora”.
Numa conferência de imprensa nesta manhã nos escritórios do arcebispo, Mons. Georges Gilson, um bispo auxiliar, expressou seu lamento por esta “oferta generosa” ter sido rejeitada. O Cardeal a fez em “espírito de paz”.
Além do problema jurídico criado pela ocupação de St. Nicholas, o Cardeal estava muito mais preocupado com o conflito religioso no qual os líderes tradicionalistas se opunham à hierarquia Católica, ao Papa e ao Concílio.
Se Mons. Ducaud-Bourget persistisse em sua recusa de deixar a igreja, a justiça tomaria seu curso. Um oficial viria relatar o fato e o braço secular então atuaria como julgasse necessário. Mas parece muito improvável que a força seja usada para expulsar os tradicionalistas.
Mons. Gilson disse que os líderes dos tradicionalistas terão que arcar com suas responsabilidades.
A verdade por detrás dos fatos
A razão pela qual os tradicionalistas rejeitaram a “oferta generosa” do Cardeal Marty é que ela não era em nada uma oferta generosa, e que ele [o Cardeal] deve ter percebido, antes de fazê-la, que eles a julgariam totalmente inaceitável.
A igreja, como nota a reportagem, esteve desativada por cinco anos desde a construção do anel viário de Paris. Se poderia chegar até ela apenas cruzando uma via (freeway) a pé. A área em torno da igreja também é uma das menos salubres em Paris, onde assaltos são predominantes. Também está numa das localizações mais inconvenientes, bem ao norte de Paris, em vez de ser central como é St. Nicholas. Um bom número de Católicos idosos agora reza em St. Nicholas, e ter que pedir a eles que mudem para St. Marie-Médiatrice era uma proposta totalmente impraticável, tão fora da realidade que não se poderia tê-la feito com qualquer expectativa de ser aceita.
Esta é a verdade que os fatos citados na matéria não revelam.
Continua.








"... muitos dos que se dizem católicos ajudam os «revolucionários» . São esses, sempre «moderados», que estimam a «tranquilidade pública» como o bem supremo. Esses católicos tolerantes, condescendentes, brandos, doces, amáveis ao extremo com os maçons e furiosos inimigos de Jesus Cristo, guardam todo seu mal humor para os que gritam «Viva a Religião!» e a defendem sofrendo contínuas penalidades e expondo suas vidas. Para eles, esses últimos são «exagerados e imprudentes, que tudo comprometem com prejuízo dos interesses da Igreja» ".
Que tenho eu, Senhor Jesus, que não me tenhais dado?… Que sei eu que Vós não me tenhais ensinado?… Que valho eu se não estou ao vosso lado? Que mereço eu, se a Vós não estou unido?… Perdoai-me os erros que contra Vós tenho cometido. Pois me criastes sem que o merecesse… E me redimistes sem que Vo-lo pedisse… Muito fizestes ao me criar, muito em me redimir, e não sereis menos generoso em perdoar-me. Pois o muito sangue que derramastes e a acerba morte que padecestes não foram pelos anjos que Vos louvam, senão por mim e demais pecadores que Vos ofendem… Se Vos tenho negado, deixai-me reconhecer-Vos; Se Vos tenho injuriado, deixai-me louvar-Vos; Se Vos tenho ofendido, deixai-me servir-Vos. Porque é mais morte que vida, a que não empregada em vosso santo serviço… - Padre Mateo Crawley-Boevey