Atualização [11/03/2009, às 13:34] Circulam pela internet versões não oficiais que não publicaremos, já que a tradução portuguesa oficial será publicada amanhã pela Santa Sé. Apenas uma nota: o propósito do Papa de unir a Comissão Ecclesia Dei à Congregação para a Doutrina da Fé vem confirmar notícias sobre a aposentadoria do Cardeal Dario Castrillón Hoyos. Já noticiamos anteriormente rumores de que o Arcebispo Raymond Burke assumiria o comando da Comissão. Entretanto, pode-se cogitar a própria dissolução da Ecclesia Dei, dividindo-se em dois órgãos internos de duas congregações: a do Culto Divino e a da Doutrina da Fé. Afinal, a missa tradicional foi reconhecida como uma forma do Rito Romano e, consequentemente, está em vigor em toda a Igreja; portanto, nada mais apropriado que ficar sob tutela da Congregação para o Culto Divino (cujo Prefeito lhe é muito favorável). E reconhecidas as “questões abertas” com a Fraternidade, é evidente que as conversações devem se dar com a Congregação para a Doutrina da Fé.
Estando as normas do motu proprio Ecclesia Dei quanto à celebração do Rito de São Pio V ab-rogadas por Summorum Pontificum; tendo vários institutos já sido reconhecidos canonicamente pela Santa Sé (e alguns deles não pela Ecclesia Dei, mas pela Congregação para os Institutos de Vida Consagrada); as excomunhões dos bispos da FSSPX tendo sido levantadas pelo Papa e restando apenas as discussões doutrinais, a Comissão Ecclesia Dei praticamente perderia sua razão de ser. Ainda mais considerando a ineficiência da Comissão em impor-se ante as afrontas do episcopado — causado fundamentalmente por seu pequeno “porte”, já que o motu proprio “Ecclesia Dei” não lhe concede poderes para se sobrepor aos caprichos dos bispos –, coisa que só poderia ser combatida pelas Congregações “ordinárias” como uma matéria comum na vida da Igreja.
O art. 11 de Summorum Pontificum diz que a “Pontifícia Comissão ‘Ecclesia Dei’, erigida por João Paulo II em 1988, segue exercitando sua missão. Esta Comissão deve ter a forma, e cumprir as tarefas e as normas que o Romano Pontífice queira atribuir-lhe“. Veremos num futuro próximo quais serão estas disposições do Santo Padre.
Outro pequeno detalhe: amanhã é dia de São Gregório Magno.
Atualização [11/03/2009, às 09:34] - Mais detalhes via Andrea Tornielli:
O Papa lamenta, em seguida, o fato de que o mesmo levantamento da excomunhão, “o alcance e os limites da medida”, não foram “elucidados de modo suficientemente claro no momento da sua publicação”. E precisa que a excomunhão afeta pessoas, não instituições: a revogação é um ato disciplinar, que permanece bem distinto do âmbito doutrinal: “O fato de que a Fraternidade São Pio X não possui uma posição canônica na Igreja não se baseia em última instância sobre razões disciplinares, mas doutrinais” e seus ministros, mesmo que ” tenham sido liberados da punição eclesiástica, não exercem de modo legítimo qualquer ministério na Igreja”.
Continuando sobre este tema, o Papa anuncia a intenção de unir a comissão Ecclesia Dei, que lida com os lefebvrianos, à Congregação para a Doutrina da Fé. E falando do propósito disse: “Não se pode congelar a autoridade magisterial da Igreja no ano de 1962 – isso deve ser bem claro para a Fraternidade. Mas alguns daqueles que se mostram como defensores do Concílio também devem ser recordar à memória que o Vaticano II traz consigo toda a história da doutrina da Igreja. Quem quer ser obediente ao Concílio deve aceitar a fé professada no decurso dos séculos e não pode cortar as raízes das quais a árvore vive”.
Bento XVI – e é a parte mais comovente da carta – em seguida responde à pergunta crítica que muitos lhe reviraram nestas semanas: o levantamento da excomunhão era necessário? Era realmente uma prioridade? O Papa respondeu que a sua prioridade como pastor universal “é tornar Deus presente neste mundo e de abrir aos homens o acesso a Deus. Não a um deus qualquer, mas àquele Deus que falou no Sinai; àquele Deus cujo rosto reconhecemos …em Jesus crucificado e ressuscitado”. No momento em que Deus desaparece do horizonte dos homens, é necessário “ter ao coração a unidade dos crentes”, porque a sua discórdia e confronto “põe em dúvida a credibilidade do seu falar sobre Deus”. Mesmo “reconciliações pequenas e médias” fazem, portanto, parte da prioridade para a Igreja. O “calmo gesto de uma mão estendida”, em vez, deu origem a um grande barulho, transformando-se assim “no contrário de uma reconciliação.”
[...] Bento XVI não esconde que da Fraternidade por um longo tempo chegaram “muitas coisas conflituosas – soberba, arrogância, unilateralismo, etc. Por amor à verdade devo acrescentar que também recebi uma série de depoimentos comoventes de gratidão, nos quais ficavam perceptíveis uma abertura do coração”.
De Rorate-Caeli:
Uma carta do Papa Bento XVI a todos os Bispos do mundo sobre o levantamento das excomunhões dos Bispos da Fraternidade Sacerdotal de São Pio X (FSSPX/SSPX) e sobre todos os aspectos envolvendo os problemas subsequentes relacionados ao Bispo Richard Williamson será publicada amanhã (quinta-feira). Várias fontes de notícias Italianas fornecem alguns excertos da carta esta manhã, e forneceremos uma tradução o mais rápido possível.
Excertos (Atualizado):
A carta anunciará que a Comissão Pontifícia “Ecclesia Dei” será colocada sob a autoridade da Congregação para a Doutrina da Fé (embora, por este momento, não seja claro se apenas em matérias doutrinais). O Papa deixa claro aos Tradicionalistas que não é possível “congelar” a autoridade Magisterial da Igreja em 1962 — mas ele também reprovará aqueles que se proclamam a si mesmos como “grandes defensores do Concílio” mas não querem compreender que o Vaticano II continua com a “história doutrinal inteira da Igreja”.
O Papa é franco com aqueles que proclamam o ecumenismo, mas não querem seguir através dele com a Fraternidade: “Podemos nós lançar à absoluta indiferença uma comunidade na qual existem 491 padres, 215 seminaristas,… 117 irmãos, 164 irmãs, e milhares de fiéis? Devemos nós verdadeiramente deixá-los se dispersarem da Igreja? Nos é permitido simplesmente excluí-los, como representantes de um grupo radical e marginal, da busca pela unidade e reconciliação?”
…
“Um contratempo imprevisível para mim foi o fato de que o caso Williamson foi colocado acima da remissão das excomunhões. O discreto gesto de misericórdia em direção dos quatro bispos, ordenados válida mas ilicitamente, apareceu inesperadamente como uma matéria completamente diferente: como uma negação da reconciliação de Cristãos e Judeus, e então como uma revogação daquilo que o Concílio esclareceu como o caminho da Igreja a respeito desta matéria”.
“Estou entristecido pelo fato de que mesmo os Católicos, que no final deveriam saber melhor como as coisas se colocam, consideraram ter de me atingir com uma hostilidade pronta para o ataque. Por isso, eu agradeço ainda mais os amigos Judeus que me ajudaram a prontamente remover o mal entendimento e reestabelecer uma atmosfera de amizade e confiança”.
Algumas das palavras conclusivas são fortes: “A impressão é comumente dada de que nossa sociedade sente a necessidade de ao menos um grupo ao qual nenhuma tolerância é concedida; que se possa perfeitamente abusar com ódio. E se alguém ousa aproximar-se deles, ele também perde seu direito à tolerância e também pode ser tratado com ódio, sem medo ou reservas”.








“Um contratempo imprevisível para mim foi o fato de que o caso Williamson foi colocado acima da remissão das excomunhões. O discreto gesto de misericórdia em direção dos quatro bispos, ordenados válida mas ilicitamente, apareceu inesperadamente como uma matéria completamente diferente: como uma negação da reconciliação de Cristãos e Judeus, e então como uma revogação daquilo que o Concílio esclareceu como o caminho da Igreja a respeito desta matéria”.
"... muitos dos que se dizem católicos ajudam os «revolucionários» . São esses, sempre «moderados», que estimam a «tranquilidade pública» como o bem supremo. Esses católicos tolerantes, condescendentes, brandos, doces, amáveis ao extremo com os maçons e furiosos inimigos de Jesus Cristo, guardam todo seu mal humor para os que gritam «Viva a Religião!» e a defendem sofrendo contínuas penalidades e expondo suas vidas. Para eles, esses últimos são «exagerados e imprudentes, que tudo comprometem com prejuízo dos interesses da Igreja» ".
Que tenho eu, Senhor Jesus, que não me tenhais dado?… Que sei eu que Vós não me tenhais ensinado?… Que valho eu se não estou ao vosso lado? Que mereço eu, se a Vós não estou unido?… Perdoai-me os erros que contra Vós tenho cometido. Pois me criastes sem que o merecesse… E me redimistes sem que Vo-lo pedisse… Muito fizestes ao me criar, muito em me redimir, e não sereis menos generoso em perdoar-me. Pois o muito sangue que derramastes e a acerba morte que padecestes não foram pelos anjos que Vos louvam, senão por mim e demais pecadores que Vos ofendem… Se Vos tenho negado, deixai-me reconhecer-Vos; Se Vos tenho injuriado, deixai-me louvar-Vos; Se Vos tenho ofendido, deixai-me servir-Vos. Porque é mais morte que vida, a que não empregada em vosso santo serviço… - Padre Mateo Crawley-Boevey