Arquivo para maio, 2009

maio 31, 2009

Novo livro com prefácio de Monsenhor Camille Perl rejeita inovações na Missa Tradicional.

Há muito tempo existe a tentativa insidiosa de contaminar o Rito Antigo com os abusos da Missa Nova.

Link para o original

A utilização de mulheres como acólitos e a recepção da Comunhão na mão são inadmissíveis na Missa Antiga, esclareceu o canonista Pe. Wolfgang F. Rothe, em seu livro “Liturgische Versöhnung” [Reconciliação Litúrgica].

Capa do livro "Liturgische Versöhnung", do Padre Wolfgang F. RotheA obra é um comentário canônico ao Motu Proprio ‘Summorum Pontificum’ para estudo e prática. No passado, teólogos e canonistas famosos – entre outros o especialista em Teologia Dogmática de Munique, Pe. Bertram Stubenrauch, analogamente postularam que determinadas “conquistas” litúrgicas como acólitas e Comunhão na mão deveriam ser introduzidas na liturgia tradicional.

O autor do novo livro demonstra apenas que em geral os fiéis se voltaram para o Rito Antigo justamente “porque eles rejeitavam práticas litúrgicas como acólitas e Comunhão na mão – esta particularmente introduzida de maneira ilegal e posteriormente legitimada”.

Consequentemente, daí se depreende que desde o início não havia a presença de acólitas e a Comunhão na mão não era praticada na celebração da Missa segundo o Missal de 1962. O autor declarou que a utilização de acólitas e da Comunhão na mão na Liturgia Antiga são proibidos com fundamento nos costumes.

O livro apareceu com prefácio do Vice-Presidente da Comissão Pontifícia ‘Ecclesia Dei’, Monsenhor Camille Perl. O monsenhor diz que o livro é um “comentário notável”. Ele seria especialmente útil para os pastores da Igreja, “em primeiro lugar os párocos, em seguida, também os bispos”.

maio 30, 2009

Na festa de Santa Joana d’Arc.

Santa Joana Darc

Infelizmente, os admiradores de Joana, fascinados pelo extraordinário éclat de sua vida ativa, enfatizaram tanto, quase que exclusivamente, o aspecto militar de sua missão, vendo nela uma espécie de menina-levada santa. Seu lado mais profundo, vislumbrado em suas longas horas de oração, seus jejuns, seus milagres, sua caridade para com os pobres e suas copiosas lágrimas, sempre prontas, raramente vêm à luz. Pouco ou nenhum conhecimento é tirado de suas profecias. O fato de se ter demorado 500 anos para canonizá-la deve nos levar a suspeitar, entretanto, que ela possa ser uma santa reservada de alguma maneira especial aos nossos últimos dias. Quando ela foi queimada na fogueira em Rouen, sua missão pode ter apenas começado. Talvez por outra razão, Joana-com-roupas-de-homem estava para mostrar ao mundo, o mais graficamente possível, exatamente o que significava ser uma mulher. Montando seu cavalo branco de guerra, toda coberta por armaduras, ela poderia ser a resposta final ao feminismo – uma heresia que começou com Eva e que está agora destruindo a sociedade ao desvirtuar a família para além do irreconhecível. [...] “Não estaria ela, que recebeu do céu a virgindade como seu próprio nome, através disso destinada a uma missão de primeira ordem?” Pergunta o Cardeal Pie. Tomando a linguagem de Santo Agostinho, ele registrou: “Deus estava vindo a nós novamente através de um caminho virginal. Ele veio em Joana e por Joana, não mais, é claro, para nos dar o Salvador, mas para nos dizer o que o Divino Salvador deve ser entre nós: o Rei dos reis e o Senhor dos senhores… A Santa Pucelle, vinda à Terra para restaurar a noção da realeza do Filho de Maria, o Filho de Deus, teve de morrer, teve de oferecer o sacrifício de sua vida para assegurar a aparência dessa noção no pleno esplendor de sua verdade, na hora marcada pela Divina Providência, pois assim ela poderia se gravar nas mentes e penetrar dentro de toda a sociedade.

A Virgem Joana, Mãe do Estado Cristão – E flagelo das feministas!

maio 28, 2009

Inquietação entre os tradicionalistas.

O destino dos tradicionalistas está por um fio na Cúria romana, porque lá os prelados sem convicção flertam de bom grado com o liberalismo dos últimos séculos.

Link para o originalO semanário liberal francês ‘Golias’ informa em seu sítio na Internet que se agrava a discordância entre o Papa Bento XVI e o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé nomeado pelo mesmo, Cardeal William Levada (72). O motivo: a questão dos tradicionalistas.

Em maio de 2005 o Cardeal Levada foi nomeado Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé pelo Papa. Anteriormente, ele havia atuado como arcebispo liberal de São Francisco, no estado da Califórnia.

Sem reconhecimento de desempenho considerável

O Prelado é um velho amigo do Santo Padre. O Papa deve tê-lo escolhido devido a sua discrição, sua diligência e seu pragmatismo.

Contudo, o Cardeal Levada era notório em sua arquidiocese devido a sua administração liberal e sua postura simpática aos homossexuais. Ele não interveio contra a atividade de uma paróquia envolvida em escândalo homossexual na Arquidiocese.

Por outro lado, no tempo do Arcebispo Levada em São Francisco era muito difícil obter uma autorização para a celebração do Missa Antiga.

Depois de sua nomeação para a Cúria romana ele desejou ser como o liberal Arcebispo George Niederauer, que continuou a obra de destruição em São Francisco.

Futuro incerto

Cardeal LevadaSegundo o ‘Golias’, o Cardeal Levada permaneceu fiel à sua antiga postura liberal como Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

Para os tradicionalistas isso é motivo para uma profunda inquietação, pois recentemente tornou-se fato conhecido que futuramente a Comissão ‘Ecclesia Dei’deverá se unir à Congregação para a Doutrina da Fé. A Comissão ocupa-se dos tradicionalistas.

Nas discussões internas da Cúria, o Cardinal sempre se expressou de maneira contrária à benevolência em relação aos tradicionalistas.

Sem dúvida correm boatos em Roma que o Cardeal não ficará por muito tempo no cargo e que devido a “um problema real de saúde”– conforme se expressa o ‘Golias’ – poderia se tornar emérito prematuramente.

De acordo com informações do ‘Golias’, essa perspectiva consola os tradicionalistas apenas pela metade.

Assim, até mesmo o Secretário da Congregação para a Doutrina da Fé, o Arcebispo Luis Ladaria (65), é polêmico do ponto de vista teológico.

Mons. Ladaria é um jesuíta, que, segundo o ‘Golias’, não abriu mão da linha teológica do Teólogo liberal Padre Karl Rahner († 1984). Padre Rahner tornou-se conhecido por reduzir a mensagem cristã à sua dimensão humana.

Agora alguns tradicionalistas temem que anos difíceis estão por vir aos tradicionalistas dentro do Vaticano.

maio 27, 2009

Cardeal Castrillón Hoyos em Ecône em 29 de junho?

Excertos do artigo publicado pelo Abbé Claude Barthe em Présent de 28 de maio:

Audiência concedida pelo Papa Bento XVI a Dom Fellay - Agosto de 2005O Cardeal Dario Castrillón, que mostrou ao longo de toda a sua existência pastoral na América e em Roma que não hesitou a ter certos gestos fortes, poderia muito bem responder positivamente à questão que serve de título a este artigo e que ele realmente examinou. Ele assim encerraria de maneira espetacular a sua missão no comando da Comissão Ecclesia Dei antes de se aposentar (atingirá a idade de 80 anos em 4 de julho).

Se eu evoco esta hipótese, é para sublinhar as preocupações de ‹‹ restauração ››  dos elevados personagens romanos concernentes à vida eclesial, sacramental, pastoral, missionária, de uma porção da Igreja que “pesa” quase mil clérigos, religiosos e religiosas.

Não viso aqui o problema de um estatuto oficial definitivo da Fraternidade São Pio X, do qual o Papa, em sua carta de 13 de março de 2009, coloca como condição para obtenção o esclarecimento das posições doutrinais desta Fraternidade (‹‹ Enquanto as questões relativas à doutrina não forem esclarecidas, a Fraternidade não tem nenhum estatuto canônico na Igreja [...]. Os problemas que devem ser tratados atualmente são de natureza essencialmente doutrinal e dizem respeito sobretudo à aceitação do concílio Vaticano II e do magistério pós-conciliar dos papas ››).  Aqui, portanto, deixo de lado a questão doutrinal, que é, em suma, de duas etapas:

– desativar o problema da “aceitação do Vaticano II”, a saber, no meu humilde parecer, afastar uma cortina de fumaça;

– mas sobretudo pôr em ação o estudo dos pontos do Vaticano II que geram dificuldade, no fundo e/ou em sua formulação, que necessitará à evidência um tempo muito longo, um exame calmo, e bem de outros atores.

Mas parece que, desde o decreto de 21 de janeiro que libera da excomunhão os quatro bispos da Fraternidade São Pio X, é mais urgente ainda reunir o que resta de forças vivas na Igreja, que reunidas, especialmente na França, infelizmente não representam mais que batalhões muito magros. Em outros termos, parece conforme o bom senso agir de modo que esta Fraternidade, antes de mesmo de ascender a um pleno reconhecimento oficial, possa doravante viver e fazer viver espiritualmente de maneira “normal” para o bem de todos (e para o seu próprio desenvolvimento). De onde a questão que se foi posta ao cardeal Castrillón.

Pois à primeira fila desta vida estão as ordenações sacerdotais: Mons. Fellay procederá em 29 de junho próximo, em Ecône, tais ordenações. Certamente, entre 21 de janeiro e esta data, ele já terá ordenado outros padres na França, mas a cerimônia de Ecône, em 29 de junho, terá um valor particularmente marcante.

[...]

Com efeito, o decreto de 21 de janeiro passado instalou a Fraternidade Sacerdotal São Pio X numa situação jurídica completamente atípica e por essência provisória: embora a catolicidade dos seus membros bispos, e especialmente de seu superior geral, seja doravante atestado pelo menos negativamente (não há censura), ela não tem estatuto oficial e os seus padres, como explicava o Papa em sua carta do 13 de março de 2009, não têm mandato pastoral (‹‹Enquanto a Fraternidade não tiver uma posição canônica na Igreja, os seus ministros também não exercem ministérios legítimos ››).

[...]

Em contrapartida, a presença do Cardeal Castrillón em Ecône teria o benefício de um precedente de peso. Com efeito, terminando a visita canônica das casas da Fraternidade São Pio X, para a qual tinha sido mandado pela Santa Sé (embora esta sociedade fosse vista como canonicamente dissolvida), o cardeal Edouard Gagnon presidiu (nota: assistiu do trono), acompanhado por Mons. Perl e pelo abbé du Chalard, na capela do seminário de Ecône, em 8 de dezembro de 1987, uma missa pontifical celebrada por Mons. Marcel Lefebvre. Ora, nessa época, Mons. Lefebvre era considerado oficialmente como suspenso a divinis. (…)  Não seria, portanto, absurdo que um ‹‹ passo ›› deste tipo possa ser projetado para 29 de junho de 2009. Para dizer a verdade, este gesto público serviria para concretizar uma convalidação pedida por Mons. Fellay, como previamente pediu o levantamento das excomunhões, convalidação concedida pela Santa Sé de modo que as ordenações nesta sociedade se beneficiem de uma regularidade mínima, no aguardo de um regulamento definitivo.

maio 25, 2009

Arcebispo suspende movimento da Renovação Carismática. Professor Felipe Aquino comenta.

Link para o originalNairóbi, 25 mai – O cardeal-arcebispo de Nairóbi, Quênia, John Njue, suspendeu em todo o território arquidiocesano, as atividades do movimento católico de Renovação Carismática. A decisão do purpurado remonta a 20 de fevereiro, após um seu encontro com 200 expoentes do movimento. A Renovação Carismática está presente com as suas atividades em 50 paróquias de Nairóbi. O predecessor do Cardeal Njue, Dom Raphael Ndingi Mwana’a Nzeki, havia nomeado, quando estava à frente da arquidiocese, um capelão para o movimento. A suspensão das atividades é ditada pela necessidade de melhor conhecer as características do movimento. (SP)

Felipe Aquino[Atualização - 26 de maio de 2009, às 19:16] Recebemos do Professor Felipe Aquino o seguinte comentário:

“Autor: Felipe Aquino – Enviado em 26/05/2009 às 18:11: Não é porque um arcebispo suspendeu temporariamente a RCC em sua arquidiocese que o movimento está proibido pela Igreja. Ela [t]em cerca de 4000 bispos.”
maio 25, 2009

Curtas da semana.

Não tão súbito.

João Paulo II e CorãoInforma Andrea Tornielli (que nos chega via Secretum Meum Mihi) que o grupo de peritos da Congregação para a Causa dos Santos deu parecer favorável à beatificação de João Paulo II, mas não unânime. Alguns teriam manifestado “objeções e dificuldades”, entre elas aspectos do Papado cujas informações são insuficientes, assim como algumas contradições nos testemunhos. O Secretário de Estado de João Paulo II por quinze anos, Cardeal Angelo Sodano, e o substituto da mesma Secretaria, o hoje Cardeal Leonardo Sandri, teriam se negado a dar seus testemunhos. Um dos volumes “sub secreto” da Positio elenca como fatos “dignos de atenção” o caso de Marcinkus (o ‘banqueiro de Deus’), o financiamento do movimento polaco “Solidariedade” e a nomeação de alguns bispos de moralidade duvidosa. Outro caso de contradição nos testemunhos se referiria ao beijo dado por João Paulo II no Corão em maio de 1999; embora a foto seja clara, seu secretário e hoje Cardeal Dziwisz diz que o beijo nunca aconteceu.

Na contramão.

Surpreendeu a todos a notícia de que os monges da Ordem de Santa Cecília, de Caçapava do Sul, Diocese de Cachoeira do Sul, Rio Grande do Sul, deixaram a única Igreja de Cristo, a Igreja Católica Apostólica Romana, para se filiar ao ramo ‘tradicionalista’ da seita Anglicana. Os monges que eram “unidos a Santa Igreja Romana no seguimento de suas diretrizes a partir do Concilio Vaticano II” apostataram da Fé Católica: “por motivos de divergências jurídicas com o Bispo Diocesano na organização do Mosteiro passamos para a Igreja Católica Anglicana tradicional cognominada de IAB“. Enquanto esse próprio ramo do anglicanismo dá indícios de querer retornar à Santa Igreja, os monges fazem o caminho contrário; alguns dizem que esperam independência de sua diocese ao poder retornar futuramente com status de prelazia, que possivelmente seria concedido aos anglicanos quando de sua regularização . “Tornou-se mais fácil para nossa fundação pertencer ao Anglicanismo cuja semelhança com a Igreja de Roma condiz com o nosso carisma e propostas de espiritualidade e ação, além da tradição da Liturgia que permanece a mesma de São Pio V”.  Facilidade, péssimo critério, pois Nosso Senhor nos mostrou que “larga é a porta e espaçoso o caminho que conduzem à perdição e numerosos são os que por aí entram” (Mt 7, 13).

Perguntas que não querem calar.

Abbé Ribeton‹‹ Para muitos católicos e homens da Igreja, depois das ilusões e do irenismo da segunda metade do século XX, marcado por um discurso resolutamente otimista sobre a modernidade, o despertar é brutal. O diálogo há muito tempo idealizado entre “a religião do Deus feito homem” e “a religião do homem feito Deus”, entre um cristianismo de progresso e um humanismo vagamente espiritual no âmbito ecumênico e tolerante de uma “laicidade positiva” e de uma sociedade “aberta” definitivamente atingiu seus limites. Pois afinal, este diálogo pôs em dificuldade a secularização sempre crescente da sociedade? Permitiu regenerar espiritualmente o nosso século? Permitiu construir uma sociedade respeitosa da lei natural? Permitiu à Igreja reagir de maneira eficaz face à cultura de morte, perante o genocídio físico do aborto, perante o genocídio espiritual de gerações inteiras pervertidas pela decadência moral do liberalismo imperante? Esse diálogo permitiu se evitar a complacência perante a ascensão do Islã? A ideologia do diálogo a todo custo não  custou caro à Igreja em termos de evangelização? Em termos de espírito missionário? Em termos de conquista das almas? E o que dizer do esquecimento e do sacrifício da doutrina de Cristo Rei… E tudo isso por quais frutos? Por qual progresso? A amizade com o mundo termina por converter ao espírito do mundo. E o espírito do evangelho jamais será conforme o espírito do mundo. ›› Excerto do editorial do abbé Vincent Ribeton, superior do distrito da França da Fraternidade São Pedro, Tu es Petrus, abril de 2009.

Faleceu Mons. Mario Marini.

Monsenhor Mario Marini, secretário da Comissão Ecclesia Dei (não confundir com Mons. Guido Marini, mestre de cerimônias do Papa), faleceu na manhã do último domingo. Requiescant in pace.

Novo site da Comissão Ecclesia Dei.

A Ecclesia Dei lançou um novo site com o histórico da Comissão,  documentos oficiais e subsídios litúrgicos. Aqui.

Um bispo na corda bamba.

Dom Marcelo Angiolo Melani, SDB, bispo de Neuquén, Argentina, teria sido admoestado pelo Cardeal Giovanni Battista Re a renunciar a seu cargo por problemas “teológicos, litúrgicos e pastorais”. O “Sindicato de Presbíteros” já está batendo panelas em favor do bispo. É uma pena a Congregação para os Bispos apenas aconselhar a renúncia, tal como fez outrora com o famoso bispo Dom Casaldáliga.

A solução para os judeus chama-se Jesus Cristo.

Vaticano (kreuz.net – 16 de maio). Ontem o Papa Bento XVI deixou a Terra Santa voando de volta para Roma. Antes, na parte da tarde, ele visitou a Igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém: “Aqui a História da humanidade mudou definitivamente” – explicou o Papa em sua alocução: “Como cristãos, sabemos que a paz pela qual anseia este país dilacerado por lutas tem um nome: Jesus Cristo”.

Cardeal Carlo Caffarra restringe comunhão na mão.

Cardeal CaffarraBolonha, 10 Mai. 09 / 11:27 pm (ACI).- O Arcebispo de Bolonha, Cardeal Carlo Caffarra, decidiu proibir a comunhão na mão em três igrejas de sua jurisdição e pediu aos sacerdotes muita cautela para evitar que se sigam cometendo abusos contra a Eucaristia. (…) Segundo uma carta do pró-vigário geral de Bolonha, Dom Gabriele Cavina, originaram-se “graves abusos”, porque “existem pessoas que levam as Sagradas Espécies para tê-las como ‘souvenires’”, “quem as vende”, ou pior “quem as leva para profaná-las em ritos satânicos”.

“O confronto entre as diferentes maneiras de ver as coisas é sempre útil”. Que isso valha também ao se debater os rumos tomados há quarenta anos.

Cardeal Georges Cottier‹‹ Li num jornal francês que a remissão da excomunhão aos bispos lefebvrianos é a comprovação de que a Igreja Católica também não é infalível, pois o Papa atual revogou uma providência de seu predecessor. Uma banalidade, mas que dá a medida da confusão que circula a respeito dessas coisas. O carisma da infalibilidade, que é o da própria Igreja, reside individualmente no papa enquanto sucessor de Pedro quando o pontífice sanciona por meio de um ato definitivo uma doutrina a respeito da fé e da moral (cf. Lumen gentium, 25). No governo ordinário da Igreja, um papa pode errar, e isso não é um desastre, é humano. É preciso reconhecer que uma diferença de opiniões não deve ser temida e exorcizada. Mesmo na Cúria Vaticana, sobre muitas coisas, não pensamos todos da mesma forma. Ninguém na Igreja pode ter como ideal um sistema totalitário em que um pensa por todos e os outros se esforçam para encontrar um modo de não dizer nada. O confronto entre as diferentes maneiras de ver as coisas é sempre útil, é sinal de vitalidade. Se não reconhecemos isso, acabamos por subscrever declarações em apoio ou em conflito com o papa, ou começa o jogo de contrapor os “extremamente fiéis” aos adversários. Como se na Igreja pudesse haver os partidos “pró” ou “contra” o Papa. Nós não somos os “fãs” do Papa. Ele é o sucessor de Pedro, a divina Providência o quis assim como é. E nós o amamos assim como é, pois, por trás dele, vemos Jesus. É isso que significa ser católicos. ›› Da entrevista do Cardeal Georges Cottier, O.P à 30Giorni.

Alemanha: Negacionismo das verdades de Fé, isso pode.

Alemanha. (kreuz.net) A Ascensão de Cristo não deve ser pensada de maneira literal, conforme afirma o sítio da Conferência de Bispos Alemães ‘katholisch.de’ em um artigo não assinado. As nuvens aparecem na tradição do Antigo Testamento para significar a presença de Deus: “Não se tem em mente nenhum lugar físico ao utilizar expressão “ir para o Céu”, mas sim a proximidade de Deus.”

A chave para os problemas globais: Evangelho e Magistério da Igreja.

Vaticano. (kreuz.net) No sábado o Papa Bento XVI acolheu os formandos da Academia Pontifícia de Diplomatas. Em sua alocução ele descreveu o “Diálogo com a modernidade” como uma capacidade importante dos embaixadores. O ofício de diplomata seria um chamado especial para os sacerdotes – esclareceu o Santo Padre. Como chave importante para os problemas globais o Papa mencionou o Evangelho e o Magistério da Igreja.

maio 24, 2009

Auxilium Christianorum, ora pro nobis!

Lepanto

Acenamos, amados filhos, a algumas práticas, através das quais, procura-se instaurar na Igreja um cristianismo novo, destoante daquele que Jesus Cristo veio trazer à terra. (…) Recorramos, pois à oração, e especialmente à devoção a Maria Santíssima, Senhora nossa. A Tradição é unânime em apresentá-La como Medianeira de todas as graças, como Mãe terníssima dos cristãos, empenhada na salvação de seus filhos, como interessada na integridade da obra de seu Divino Filho. Nas situações difíceis, em que Se tem encontrado, a Igreja habituou-nos a suplicar o valioso e eficaz auxílio da Santa Mãe de Deus, seja para profligar heresias, seja para impedir que o jugo dos infiéis pesasse sobre os cristãos. Podemos dizer que a Igreja jamais Se achou em crise tão grave e tão radical, como a que hoje alui seus fundamentos desde os seus primeiros alicerces. É sinal de que a proteção de Maria Santíssima se torna mais necessária. A nós compete fazê-la real mediante nossas súplicas à Santa Mãe de Deus. Nesse sentido, renovamos a exortação que fizemos à reza cotidiana do terço do santo Rosário, cuja valia aumentaremos com a imitação das virtudes de que a Virgem Mãe nos dá particular exemplo: a modéstia, o recato, a pureza, a humildade, o espírito de mortificação na renúncia de nós mesmos, e a caridade com que, pelo bom exemplo, como discípulos de Cristo “impregnamos de seu espírito a mentalidade, os costumes, e a vida da cidade terrena”. Confiamos que a proteção da Santa Mãe de Deus nos conservará a fidelidade à Tradição na nossa profissão de fé e nas nossas práticas religiosas, como nos hábitos de nossa vida católica.

Dom Antônio de Castro Mayer, Carta Pastoral ‘Aggionarmento’ e Tradição.

maio 22, 2009

“Desejávamos um Cristo que não estivesse sofrendo”.

Paróquia britânica apresenta Jesus vestindo jeans

Uma nova estátua no muro externo de uma igreja não encontra aprovação unânime

PD*28795882Uckfield (kath.net) Segundo a CathNews, uma paróquia católica britânica em Uckfield (Nossa Senhora Imaculada e São Felipe Neri) em East Sussex apresentou uma nova estátua de bronze: Cristo como homem contemporâneo vestindo jeans, camisa e corte de cabelo moderno. O pároco, David Buckley, afixou a estátua de cerca de dois metros de altura de Marcus Cornish na frente da igreja, como informa o UK Telegraph.

Os 50.000 dólares gastos na obra provêm do espólio de um paroquiano falecido no ano passado. “Desejávamos uma apresentação de Cristo que não estivesse sofrendo, mas sim dinâmico e convidativo”, disse o pároco fundamentando a iniciativa. Em um relato da BBC, residentes se manifestam em parte de maneira positiva e em parte de maneira negativa sobre a nova imagem.

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maio 22, 2009

Editor do jornal do Vaticano diz que “Obama não é pró-aborto”.

Barack Obama

Roma, Itália, 20 de maio de 2009 / 06:24 h (CNA).- O Editor chefe do jornal do Vaticano L’Osservatore Romano explicou hoje a Paulo Rodari, um analista do Vaticano para o diário “Il Riformista,” que o discurso do Presidente Barack Obama aos formandos de Notre Dame foi muito respeitoso e que ele “não é um presidente pró-aborto.”

Na entrevista com Rodari, o Editor chefe Gian Maria Vian discutiu seus pensamentos sobre o Presidente Obama na Universidade Notre Dame. “Obama não aborreceu o mundo,” disse ele. “Seu discurso em Notre Dame foi respeitoso com relação a todas as posições. Ele tentou se envolver no debate fugindo de toda posição ideológica e de toda “mentalidade de confronto.” É nesse sentido que seu discurso deve ser avaliado.”

Vian continuou, “Deixe-me esclarecer, o L’Osservatore se posiciona onde os bispos americanos estão posicionados: consideramos o aborto um desastre. Devemos promover sempre e em todos os níveis uma “cultura da vida”.

“O que eu quero enfatizar é que ontem, nessa questão precisa e muito delicada, o Presidente disse que a aprovação da nova lei sobre o aborto não é uma prioridade de sua administração. O fato de que ele disse isso é muito tranqüilizador para mim. Isso também ressalta minha própria e clara convicção: Obama não é um presidente pró-aborto,” disse ele a Rodari.

Continuando a entrevista, Rodari enfatizou que o L’ Osservatore Romano publicou duas estórias diferentes sobre a mesma questão, uma positiva sobre o discurso de Obama em Notre Dame, a outra extremamente crítica sobre a sua posição em relação à pesquisa com células tronco embrionárias que citou os receios da Conferência Nacional dos Bispos dos EUA.

Vian respondeu: “Esta é a nossa política, a maneira que utilizamos para informar. Se uma conferência nacional de bispos diz alguma coisa, nós a informamos.” Todavia, ele continuou, é “apropriado apresentar outras perspectivas” aos leitores para que eles possam julgar com exatidão “as informações internacionais.”

De acordo com Rodari, “as palavras de Vian são importantes, porque elas falam sobre um confronto entre Obama e a Igreja Católica que agora parece estar limitado principalmente entre parte do episcopado americano. Um confronto que a Santa Sé nem aprova nem desaprova. Simplesmente observa.”

maio 21, 2009

Considerações sobre a Reforma Litúrgica, por Roberto de Mattei.

Professor Roberto de MatteiApresentamos a intervenção do Professor Roberto de Mattei por ocasião do Congresso Litúrgico realizado no mosteiro beneditino de Notre Dame em Fontgombault, França, 22-24 de julho de 2001. Com o tema “Cristo é o sujeito da liturgia, não a comunidade”, o congresso reuniu bispos e autoridades eclesiásticas, tendo como seu principal conferencista o então Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Cardeal Joseph Ratzinger. Dentre os participantes do mundo “tradicionalista” podemos destacar Dom Gérard Calvet, abade de Le Barroux; Mons. Camille Perl, da Comissão Ecclesia Dei; e Padre Arnoud Devillers, então superior da Fraternidade São Pedro.

Roberto de Mattei, historiador italiano renomado, professor de História do Cristianismo na Universidade Européia de Roma, é autor de várias obras, com destaque para sua biografia do Beato Pio IX e seu último livro “La liturgia della chiesa nell’epoca della secolarizzazione”. Também discursou no congresso realizado em Roma, sob patrocínio da Comissão Ecclesia Dei, por ocasião do primeiro aniversário do motu proprio Summorum Pontificum; na oportunidade, Prof. De Mattei teve seu artigo “Il rito romano antico e la secolarizzazione” publicado no L’Osservatore Romano.


Considerações sobre a Reforma Litúrgica

por Roberto de Mattei

Tradução de Marcelo de Souza e Silva

Fonte: Revue Item

Eminência,

Reverendíssimos Padres Abades,

Reverendos Padres,

Minha intervenção como vós bem podeis imaginar, não será a de um liturgista nem de um teólogo, mas a de um homem de cultura, de um historiador, de um católico leigo que tenta situar os problemas da Igreja no horizonte de seu próprio tempo.

Nesta perspectiva, eu me proponho a desenvolver certas considerações sobre as raízes históricas e culturais da Reforma litúrgica pós-conciliar. Com efeito, eu estou convencido de que quanto mais este quadro for esclarecido, mais a compreensão e a solução de problemas complexos que temos diante de nós serão facilitadas.

Todo problema, e o da liturgia não é exceção, para ser tomado em sua essência, deve ser efetivamente situado num contexto mais vasto. Aquele que quereria estudar a arquitetura gótica, por exemplo, não poderia negligenciar sua relação com a Escolástica medieval tão bem ilustrada por Erwin Panofski, assim como para se compreender a arte figurativa dos séculos XIX e XX, seria necessário recorrer aos estudos de Hans Sedlmayr, que dela retém a dimensão ideológica profunda. Assim, um discurso sobre a arte deve ir além da arte, um julgamento técnico-estético não basta; assim também, um discurso sobre a liturgia deve ir além da própria liturgia, tentando encontrar o sentido derradeiro dela mesma. Porque a liturgia não é somente o conjunto de leis que regulamentam os ritos. Estes ritos, em sua variedade, remetem à unidade de uma fé. Sem este conteúdo, o culto cristão seria um ato exterior, vazio, desprovido de valor, uma ação não sagrada, mas “mágica”, típica de certas concepções gnósticas ou panteístas do mundo. Neste sentido, foi bem dito que: “o culto, compreendido em toda sua plenitude e profundidade, vai muito além da ação litúrgica”.

Em suas fórmulas, em seus ritos, em seus símbolos, deve refletir o dogma. O dogma, disse-se, é para a liturgia o que a alma é para o corpo, o pensamento para a palavra. É, pois, necessário tornar íntima e profunda a relação entre a liturgia e a fé, que foi tradicionalmente expressa na fórmula lex orandi, lex credendi. Neste axioma nós podemos encontrar uma chave para a leitura da crise atual.

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