Arquivo para junho, 2009

junho 30, 2009

Dom Fellay: “Há uma tolerância tácita de Roma”.

Link para o originalDom Bernard Fellay foi e fez. Na manhã de 29 de junho, perante uma multidão de fiéis reunida num grande prado fora do seminário São Pio X em Ecône, Suíça, o superior geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) ordenou oito novos padres. [...]

Foi uma provocação da SSPX contra o Papa Bento, cuja bandeira tremula sobre o seminário? Absolutamente não, respondeu aos jornalistas um muito auto-confiante Dom Fellay, que viajou à alpina cidade suíça para a cerimônia. “Há uma tolerância tácita de Roma”, [...] “nós não temos uma ordem explícita de não fazer isso. Tenho contatos com Roma, não estou fazendo isso surgir do nada. Roma sabe que não é uma provocação de nossa parte”.

Neo-sacerdotes durante ordenação em Ecône – 29 de junho de 2009 (Fabrice Coffrini/Agence France-Presse/Getty Images)

Em todo caso, para Dom Fellay, a SSPX está no “estado de necessidade” que o direito canônico menciona quando permite dispensas das leis da Igreja. “Se tudo estivesse bem na Igreja, nosso gesto seria de desobediência. Mas tudo não está bem na Igreja”, disse calmamente. “Vemos aquelas missas escandalosas, ouvimos sermões tão contrários à fé!”.

[...] “O maior problema é filosófico”, observou Dom Fellay. “Duas filosofias se encontram: a clássica filosofia escolástica e a filosofia moderna. O Papa é muito eclético e sentimos que ele foi marcado por uma filosofia subjetiva — menos quando ele fala sobre moralidade do que quando fala em abstrato. Nossa filosofia escolástica é mais objetiva”.

Assim, Dom Fellay pensa que Roma e Ecône podem falar “sobre a mesma coisa, mas de maneiras diferentes”. É uma tímida abertura, mas deve ser apreciada pelo que é. [...] “Há diferenças de posições dentro da Igreja Católica que são maiores e mais sérias do que as que temos com Roma”, disse. “Os textos do Concílio abriram a porta para interpretações. Pode ser necessário que o Papa as esclareça, como Paulo VI fez com a colegialidade. Mas quando o Papa condenou a hermenêutica da descontinuidade, ele condenou 80% do que está acontecendo na Igreja!”.

Padre atende confissão durante ordenações em Ecône, 29 de junho de 2009. REUTERS/Denis Balibouse (SWITZERLAND RELIGION)

Confissão durante ordenações em Ecône. REUTERS/Denis Balibouse (SWITZERLAND RELIGION)

junho 29, 2009

Na festa dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo: Vigário de Cristo.

Tu es Petrus

É como identificamos o Papa. Assim o definem os concílios, como o de Florença e o primeiro do Vaticano.

Como  Vigário de Jesus Cristo, o Papa é o chefe da Igreja. Jesus edificou sua Igreja sobre a rocha de Pedro, e o Papa é sucessor de S. Pedro no cargo de chefe. Daí a frase, “ubi Petrus ibi Ecclesia”, para dizer que onde está o Papa aí está a Igreja. Eis que o primeiro Concílio do Vaticano destaca que ao Papa se deve obediência não somente nas questões de Fé e Costumes, mas também nas relativas à disciplina e ao governo da Igreja, e declara que na comunhão com o Papa conservamos a união com a Igreja.

Com efeito, o Papa é essencialmente o Vigário de Jesus Cristo. Em outras palavras, ele assume a Pessoa de Jesus Cristo. Ele faz suas vezes. Deve-se-lhe o acatamento e a obediência que se presta a Jesus Cristo, a quem ele representa. Seu poder, porém, sua jurisdição é vicária. De si, ele é de Jesus Cristo, pois, como escrevia o Papa Inocêncio III ao Patriarca de Constantinopla em 12 de novembro de 1199, “o primeiro e precípuo fundamento da Igreja é Jesus Cristo”. O Divino Salvador, no entanto, confiou seu poder ao Papa: “Como meu Pai me enviou, Eu vos envio” – disse Ele aos seus Apóstolos, especialmente ao chefe deles, S. Pedro. Esta outorga foi de modo permanente, e para sempre, para que o Papa o exerça em seu lugar, fazendo-lhe as vezes, “vices eius gerens”.

Este aspecto é essencial ao Papado. Não pode ser olvidado. Seu esquecimento pode ter nefastas conseqüências. Pode levar a pessoa a pensar que o Papa é o dono da Igreja, que pode fazer o que quiser, mandar e desmandar o que melhor lhe pareça, estando os fiéis obrigados sempre a simplesmente obedecer. Refletindo um pouco, vê-se que esta concepção atribui ao Papa a onisciência e a onipotência que são atributos exclusivos de Deus. Outra coisa não faz a idolatria que transfere à criatura o que é peculiar à divindade.

Por esse motivo, o primeiro Concílio do Vaticano ao definir os poderes do Papa, tomou o cuidado de definir também sua finalidade e seus limites. Deve o Papa conservar intacta a Igreja de Cristo, através da qual o Divino Salvador torna perene sua obra de salvação. Manterá, pois, a estrutura da Santa Igreja como o Senhor a constituiu, e velará para conservar e transmitir intacta a Fé e a Moral recebida da Tradição Apostólica. Para este fim e dentro destes limites, goza o Papa da assistência divina que lhe assegura a impossibilidade de errar e desorientar os fiéis sempre que definir um ponto de Fé e Moral.

Não é despropósito pensar que, precisamente para fixar bem o poder vigário do Papa, tenha a Providência permitido que, no trono de S. Pedro, se tenham assentado indivíduos, em cuja doutrina e/ou procedimento, encontram-se pontos gravemente prejudiciais à Fé e/ou à moral. Não ensinavam com sua autoridade suprema e definindo matéria de Fé, ou davam mau exemplo com seu modo de proceder. Explica-se assim o julgamento emitido sobre Honório I quer pelo 3º Conc. De Const., quer por S. Leão II, ou seja, que ele (Honório I) “com profana traição permitiu que se maculasse a imaculada Fé desta Igreja Apostólica”. E de modo semelhante, verificaram-se fatos dolorosos na História da Igreja (…)

Dom Antonio de Castro Mayer
Monitor Campista, 1986

junho 29, 2009

Mistério: quem é?

O blog do padre John Zuhlsdorf publicou uma foto intrigante de um bispo presente nas ordenações sacerdotais realizadas em Zaitzkofen, Alemanha, no último dia 27.

Zaitzkofen01

O próprio padre e alguns leitores sugeriram se tratar de Mons. Kurt Koch, bispo de Basel. Outros, segundo fontes alemãs, dizem ser o Cônego da Catedral da Diocese (Bizantina) de Križevci.

Mons. Koch

Se realmente for um bispo, seria ingenuidade acreditar que um prelado pudesse assistir às tão controversas ordenações na Alemanha sem o aval da Santa Sé!

[Atualização - 29/06/09, às 13:08]: Do forum AngelQueen: ‹‹ Acabei de ter uma palavra de um superior de distrito de que ele não é um bispo, mas um monsenhor que “nos visitou em outras ocasiões” ›› .

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junho 26, 2009

Não saiu. Por quê?

Link para o original.

Carta de Roma, #6

Outra conversa com um oficial do Vaticano… Mais, ainda mais sobre a próxima encíclica… E, verdadeira alegria…

Por Dr. Robert Moynihan, reportando de Roma.

Um importantíssimo documento deveria sair na última sexta-feira, 19 de junho.

Não veio na sexta. Nem sábado, nem domingo, nem segunda, nem terça, nem quarta, nem hoje.

E por detrás deste atraso há uma história.

De que documento estou falando?

Não da muito esperada encíclica social! Ela ainda está vindo, rolando adiante, devendo ser assinada em 29 de junho, a festa de São Pedro e São Paulo.

[...]

Não, estou falando completamente sobre outro documento: aquele regulamentando o futuro da comissão Ecclesia Dei (a Comissão fundada em 1988 para focar nas questões relacionadas à missa antiga e para prover cuidado pastoral para aqueles católicos ligados à antiga liturgia)

É um documento muito curto, talvez apenas três páginas. Circulam boatos de que está pronto já há algum tempo. E me contaram hoje que estava definitivamente agendado na última semana para publicação na sexta-feira, 19 de junho

Mas não saiu. Por quê?

[...]

Segundo um amigo aqui, “atrás do pretexto de mudar a Ecclesia Dei, e absorvê-la dentro da Congregação para a Doutrina da Fé, o Papa quer reabrir o diálogo teológico a respeito do Vaticano II”.

“O que você quer dizer?” perguntei.

“O Concílio Vaticano Segundo provocou um terremoto na Igreja”, disse meu amigo. “O clero, os leigos, o próprio Vaticano — tudo foi abalado. E agora, 45 anos depois, há apenas um grupo que quer um debate completo sobre o significado dos documentos conciliares: a Sociedade de São Pio X. E o própósito de mover a Ecclesia Dei debaixo da CDF é preparar o caminho para um debate completo sobre os documentos conciliares”.

“E então, qual o problema disso?”, perguntei.

“Veja”, disse meu amigo. “O documento regulamentando o papel da Ecclesia Dei está todo escrito. Tem três partes: 1) alguns pontos técnicos sobre como funcionará; 2) algumas medidas quanto a seu relacionamento com a CDF, dentro da CDF; e 3) um esboço de um programada para discutir o Vaticano II e como o Concílio deve ser interpretado em harmonia com a perene tradição da Igreja”.

“E?”, questionei.

“Esse é o problema”.

“Qual é o problema?” perguntei.

“Algumas pessoas não querem essas questões abertas novamente”.

O que está realmente acontecendo aqui?

Bento, sabendo que o Concílio Vaticano Segundo foi um divisor de águas na história da Igreja, e conhecendo também que a interpretação do Concílio levou a algumas direções inesperadas e errôneas, decidiu encarar o problema fundamental — o problema da interpretação do Vaticano II — ao colocar a comissão Ecclesia Dei no coração do departamento doutrinal mais importante na Igreja, na CDF.

E todavia, por alguma razão, a implementação dessa decisão está sendo atrasada.

Outro amigo hoje me contou que ele acredita que a visita dos bispos austríacos a Roma na última semana não foi compreendida.

“Os bispos austríacos, quem eles são?”, afirmou meu amigo. “Eles são Schonborn…”

Estava se referindo a Christoph Schonborn, o cardeal de 64 anos arcebispo de Viena, Áustria, e antigo aluno de Joseph Ratzinger.

“É significante que o Papa concorde em tirar dois dias falando com Schonborn”, disse meu amigo. “Creio que possa haver desenvolvimentos posteriores. Por exemplo, o Cardeal Levada acabou de fazer 73 anos em 15 de junho. O Papa poderia estar pensando em trazer Schonborn de volta a Roma, para tomar o lugar de Levada quando completar 75…”

junho 25, 2009

Pe. Franz Schmidberger: “queremos viver juntos pacificamente”.

Apresentamos os pontos mais importantes da entrevista do Superior do Distrito Alemão da Fraternidade São Pio X, publicada em Rorate-Caeli:

Padre Franz Schmidberger

KNA: Em conexão ao escândalo Williansom, o Papa Bento XVI acusou a SSPX de arrogância e insistiu para que se abstivessem de provações. Mas o oposto aconteceu. Como vocês podem ajudar a colocar as peças juntas novamente?

Schmidberger: Naturalmente, todo homem tem suas fraquezas e coisas infelizes foram ditas. Mas queremos viver juntos pacificamente. Escrevi uma carta pessoal privada ao presidente da conferência dos bispos, o Arcebispo Zollitsch, mas os bipos não estão desejosos de se engajar em discussões. Eles rejeitam qualquer diálogo conosco. Por que pedem que nós obedeçamos o direito canônico à letra enquanto ao mesmo tempo afirmam que nós estamos fora da Igreja?

KNA: Em 2005 houve uma conversa em Castel Gandolfo na qual, além do Papa, o Cardeal da cúria Dario Castrillon Hoyos, o bispo tradicionalista Bernard FEllau e você tomaram parte. O que ficou combinado na época?

Schmidberger: Discutimos a inteira situação com a Sociedade e concordamos com o caminho que agora estamos seguindo. O Motu Proprio de 2007 e o levantamento das pseudo-excomunhões eram os primeiros passos. Agora vem o diálogo teológico. Após teremos que encontrar uma estrutura canônica para a Sociedade com seus 500 padres. Estamos satisfeitos com a solução que Roma está considerando.

KNA: Qual é?

Schmidberger: Na direção de uma prelazia pessoal.

KNA: Parecido com o Opus Dei?

Schmidberger: De certa forma.

junho 25, 2009

Um Papa persistente!

Editorial de Golias, 25 de junho de 2009.

Link para o originalEspírito muito mais rigoroso e sistemático que o seu antecessor, consciente justa ou injustamente que seu pontificado deveria ser, de todo modo, de duração muito limitada, o Papa Ratzinger atribuiu para seu pontificado de transição, se poderia dizer de restauração, diversos objetivos.

Ele se propõe primeiro confirmar as aquisições positivas (a seu gosto!) herdadas de João Paulo II, livre às vezes para alterar a trajetória num sentido intransigente, por exemplo em matéria de ecumenismo e diálogo interreligioso. Propõe-se igualmente a voltar a dar toda importância e força aos aspectos mais tradicionais: daí sua preocupação com a sacralidade ao antigo da liturgia, mas igualmente com a dignidade do sacerdócio católico, exaltado pelo ano sacerdotal que se inicia. Enfim, considera igualmente como uma tarefa prioritária de seu pontificado a reconciliação com os integristas sobre os quais pensa, segundo a expressão do finado Cardeal Gagnon, “que não tem razão mas razões”, e sobretudo que não são demasiadas para edificar uma igreja tal como ele a deseja para amanhã.

É à luz deste projeto global, que é necessário, de maneira geral, avaliar cada uma das iniciativas de Bento XVI e a sua cúria. Incluído o segundo Motu proprio atualmente em preparação, visando explicar e favorecer a reintegração dos Lefebvristas e outros na plena e inteira comunhão católica. Se não é completamente exato dizer que Bento XVI é um “papa tradicionalista”, não é menos certo que sua ação visa uma restauração de uma Igreja intransigente e nostálgica. Sentindo-se idoso e cansado, passa atualmente a uma velocidade superior. Com efeito, a reintegração dos integristas não tem nada de uma concessão misericordiosa sobre o fundo de um pluralismo gentil. Inscreve-se numa verdadeira negação do espírito e do sentido do Vaticano II, retornando totalmente à sua letra para lhe dar uma leitura minimalista e mesmo revisionista. E se terá compreendido que, ainda que Roma declare hoje “ilícitas” as ordenações lefebvristas de 27 de junho, se trata de fato apenas de uma simples manobra para aplacar a ira dos bispos alemães.

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Na mesma edição, Golias se refere ao novo motu proprio que seria “consagrado desta vez não mais apenas à liturgia em latim, mas de maneira mais global à reintegração dos Lefebvristas na Igreja. Pondo certamente condições, mas igualmente comprometendo toda a Igreja neste processo. Gravíssimo! Noutros termos, os bispos não terão mais direito de exprimir reservas de maneira muito aberta e ainda menos de frear a reintegração dos traditionalistas. É necessário saber com efeito que os representantes destas correntes se queixam muito frequentemente ao papa dos obstáculos colocados à sua reintegração pelos bispos e seus círculos. Até então, Roma e a comissão Ecclesia Dei geravam um curto circuíto aos bispos sem, contudo, em geral, lhes desaprovar abertamente. [...] Bento XVI e seus conselheiros pretendem se aproveitar da calma do verão para avançar sobre o caminho da reconciliação”.

junho 25, 2009

Bispo consultor jurídico da CNBB discursa em loja maçônica.

Bispo Emérito e Consultor Jurídico da CNBB proferiu palestra para platéia de 200 pessoas, no Templo da Loja Maçônica União de Ipatinga

Bispo discursa em loja maçônicaJVA – DA REDAÇÃO – O Bispo Emérito da Diocese Itabira-Coronel Fabriciano, Dom Lelis Lara, foi o centro das atenções de um eclético e seleto público, na noite da última segunda-feira, 01, quando proferiu inédita palestra sobre as relações entre a Igreja Católica e a Maçonaria, no Templo da Loja Maçônica União de Ipatinga, no centro da cidade. O religioso palestrou a convite do Venerável Mestre da Loja União de Ipatinga, Ednaldo Amaral Pessoa, que tem como um dos pilares de sua gestão a realização de sessões públicas onde são realizadas palestras, abertas à comunidade, sobre temas diversos e de grande interesse de toda sociedade, não apenas dos maçons e seus familiares.

Segundo Dom Lara, o Concílio Vaticano II (1963-1965) escancarou as portas e janelas da Igreja para o mundo, e que depois do Concílio o propósito da Igreja Católica é se aproximar de todas as pessoas do mundo, sem preconceito, sejam elas cristãs ou não. E foi exatamente no espírito do Concílio Vaticano II que o Bispo se inspirou para falar da relação entre a Igreja Católica e a Maçonaria.

Dom Lara disse que “quando se fala de Igreja e Maçonaria, muitas vezes se estabelece ou se imagina um confronto entre essas duas entidades, mas não  deveria ser assim, porque católicos são cristãos e os maçons também, senão todos, certamente grande parte. E Jesus, ao final de sua vida, deixou para os seus seguidores o testamento de que devemos amar uns aos outros. Mas, segundo o bispo, esta palavra de Jesus não foi sempre bem entendida, e que às vezes é entendida de acordo com a índole das pessoas, e as pessoas mais radicais muitas vezes ficam com o coração armado, na defensiva ou no ataque, quando, como filhos de Deus, deveriam viver como irmãos, com o coração desarmado, respeitando as diferenças.

junho 23, 2009

Nenhuma surpresa…

Ordenações em Winona - Festa do Sagrado Coração de Jesus, 2009causaram as ordenações sacerdotais da Fraternidade Sacerdotal São Pio X em Winona, Estados Unidos, aos que conhecem o mínimo de sua vida. As mesmas já estavam oficialmente previstas no calendário acadêmico 2008-2009 do seminário Saint Thomas Aquinas e seu convite estava disponível a qualquer um que se interessasse a diligentemente esclarecer notícias comumente imprecisas da blogosfera pouco inteirada. Também outros meios católicos noticiavam com razoável antecedência a realização das ordenações, de modo que não poderiam nunca ser consideradas “às escondidas” ou “por debaixo dos panos” [1, 2, 3].

As ordenações de Winona seguem a mesma política adotada pela Fraternidade em relação às ordenações de Zaitzkofen e Ecône: “Quando, em 21 de janeiro de 2009, Roma retirou o decreto de excomunhão de 1988 contra os quatro bispos da Fraternidade, o Santo Padre certamente tinha em vista uma medida de vida e não de morte”, explicou o reitor do seminário alemão, padre Stefan Frey. “Não podemos simplesmente dizer agora, ‘parem de respirar’. Nós precisamos respirar. E, definitivamente, se o Papa foi tão bom ao retirar as excomunhões, significa que ele não quer que agora morramos”, recentemente declarou Dom Bernard Fellay. Sua Excelência ainda afirmou que “o problema é apenas na Alemanha. Em Roma há simpatia por estas ordenações, mesmo se dizem que é ilegal e não está de acordo com o Direito Canônico. Disseram-nos que estamos em um estado intermediário no qual podemos falar de paz, no qual Roma pode também observar-nos”.

O que surgiu como surpresa a alguns se deve ao fato dos bispos americanos e suíços não terem se juntado ao episcopado alemão em seu “escândalo farisaico”, consequentemente, não atraindo os olhos da mídia anti-católica ávida em atacar a Igreja. Entretanto, o que surpreende na verdade são aqueles que inconscientemente acabam apoiando, por um suposto zelo, a postura de boicote sistemático dos bispos germânicos ao Papa Bento XVI.

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junho 22, 2009

Curtas da semana.

“Da nossa parte há abertura, mas de modo algum para mudar o nosso trabalho”.

D. Fellay nas ordenações em Winona, EUA, no último dia 19, festa do Sagrado Coração de Jesus. A FSSPX conta agora com mais de 500 padres.

D. Fellay nas ordenações em Winona, EUA, no último dia 19, festa do Sagrado Coração de Jesus. A Fraternidade São Pio X conta agora com mais de 500 padres.

Excertos de entrevista concedida por Dom Bernard Fellay ao jornal austríaco Die Presse, via Oblatvs: ‹‹ A confusão atual vem em larga medida de uma crise cultural do mundo e não apenas da Igreja: uma crise de pensamento, da filosofia. Alguns aspectos da crise, de alguma maneira, tomaram forma concreta no Concílio. Nós vemos algumas causas da crise no Concílio. Roma deveria preparar-se para esclarecer, porque existem muitas interpretações do Concílio Vaticano. O que exatamente deveríamos reconhecer? Cada teólogo interpreta os documentos de modo diverso. O Santo Padre já condenou devidamente a interpretação do Concílio como descontinuidade ou ruptura com o passado. Mas 80% dos bispos e dos teólogos desejam esta fratura. Nesta matéria, não somos nós o problema.[...]  Não podemos ditar o que e como a Igreja pensa. Jamais foi esta nossa ideia. Nós dizemos: a Igreja até o momento ensinou assim, e agora surge algo que não é claro. Pedimos este esclarecimento ››. A respeito da sagrada liturgia, Dom Fellay afirmou estar ‹‹ certo de que se chegará a algo mais no futuro. Não por nós, mas pela própria Roma a situação litúrgica vai melhorar. Chegará ›› . Questionado se a Fraternidade poderá adotar a nova oração composta pelo Papa Bento XVI pelos judeus na liturgia da Sexta-feira Santa, D. Fellay indica que ‹‹ sim, seria possível. Como disse o Papa, não contradiz a fé. É mais um problema contra a história, também pela atitude do fiel. A oração de Sexta-feira Santa é uma das mais antigas orações que possuímos. ›› E sobre um possível acordo com a Santa Sé, declara:  ‹‹ se os princípios católicos forem esclarecidos, ainda que nem tudo seja resolvido, então é possível. Há uma questão muito prática, que aparece evidente: como seremos aceitos? Há uma restrição muito forte. No momento isto impede de avançarmos. Se virmos muita oposição diremos, então, simplesmente: esperemos um pouco mais.[...] Da nossa parte há abertura, mas de modo algum para mudar o nosso trabalho. ››

A fé se pode perder em qualquer idade e condição de vida. Até na condição de bispo na Áustria.

Vatican Bertone‹‹ Gostaria de destacar brevemente duas coisas, queridos irmãos. A primeira é o fato de que o Apóstolo diga: ao fim da vida, depois de tanto trabalho pelo Evangelho, “conservei a fé” (2 Tm. 4,7). Nos poderia surpreender, mas nos faz refletir: a fé é o dom mais precioso e nunca é adquirido de uma vez para sempre. A fé se pode perder em qualquer idade e condição de vida. Pelo contrário, se pode perder a verdade da fé adulterando-a, contaminando-a, confundindo-a — quase sem se dar conta — com outra coisa, com certezas — ou incertezas — humanas, que tomam o lugar da fé em Cristo e em sua Palavra. A segunda reflexão se referente à perspectiva escatológica: Paulo não poupou energias no trabalho pastoral, mas sua “carreira” sempre apontou mais além, em direção à meta última. O escreve aos Filipenses (3, 12-14), em termos muito similares, e o diz aqui, a Timóteo. O Apóstolo tem a clara consciência de que seu único verdadeiro juiz é o Senhor e que a Ele deverá prestar contas. Os tribunais humanos fazem sua parte, mas a instância decisiva é a de Cristo, que é justo e dará a cada um segundo suas obras. Também esta atitude espiritual de São Paulo é para nós uma saudável lembrete: a não perder nunca, nos acontecimentos e questões deste mundo, o horizonte supremo, o horizonte de Deus ›› . Palavras do Cardeal Tarcísio Bertone, secretário de Estado, pronunciadas ao íncio da reunião pastoral com os bispos da Áustria, realizada no Vaticano nos dias 15 e 16 de junho.

Dois pesos, duas medidas.

‹‹ Como o Papa Bento revelou em sua Carta Apostólica de maio de 2007 sobre a situação da Igreja Católica na China, “o Papa” (não é claro se isso quer dizer ele mesmo ou João Paulo II) concedeu a um número de bispos da APC (ndt: Associação Patriótica Católica, a “igreja” estatal do governo chinês) que solicitaram reconhecimento de Roma “pleno e legítimo exercício de jurisdição episcopal para favorecer o reestabelecimento da plena comunhão”, depois de considerar “a sinceridade de seus sentimentos e a complexidade da situação”… E todavia parece que os bispos controlados pelos comunistas tão favorecidos abusaram desta concessão ao se recusar a dar qualquer sinal externo de união com o Papa. [...] Pode-se perguntar por que aos quatro bispos da Sociedade [de São Pio X], dada sua “sinceridade” e a “complexidade” de sua situação, não foi concedido “pleno e legítimo exercício de jurisdição episcopal para favorecer o reestabelecimento da plena comunhão”. Talvez a Sociedade deva consagrar uma centena de bispos e se declarar membro da APC! ›› Do artigo de Christopher A. Ferrara publicado em The Remnant.

Cardeal Rouco renova consagração de Espanha ao Sagrado Coração de Jesus.

Comunistas "fuzilam" o Coração de Jesus - Cerro de los AngelesSegundo Sector Catolico, ‹‹ O Cardeal de Madri e presidente da CEE (Conferência Episcopal Espanhola), monsenhor Antonio Maria Rouco, renovou ontem a consagração da Espanha ao Sagrado Coração de Jesus, realizada há 90 anos por S.M. o Rei Alfonso XIII. “Queira Nosso Senhor Jesus Cristo reinar hoje e sempre na Espanha, no coração de seus filhos e filhas, como havia prometido ao Servo de Deus, Bernardo de Hoyos! Que Cristo habite pela fé em nossos corações, que o amor seja nossa raiz e nosso fundamento. Só assim podemos ser testemunhas da esperança gozoza e eterna”, disse o prelado em sua homilia perante mais de 20.000 pessoas que chegaram de todos os rincões da geografia espanhola até o Cerro de los Angeles, na localidade madrilenha de Getafe. ›› O Rei Juan Carlos foi convidado, mas não compareceu.

Não ao ativismo e à secularização.

ITALY-POPE-PADRE PIO-BODY-RELIGION-BENEDICT XVI(Kreuz.net) Itália. No domingo o Papa Bento XVI visitou o local de atuação e o túmulo de São Padre Pio († 1968), em San Giovanni Rotondo, no sul da Itália. O Santo Padre rezou diante dos restos mortais do Santo e celebrou uma Missa no local de peregrinações. Em sua homilia, ele admoestou contra o ativismo e a secularização: “muitos de vocês, religiosos e leigos, estão de tal forma presos a mil afazeres de serviço aos peregrinos ou aos enfermos na clínica, que correm o perigo de esquecer o essencial: ouvir a Cristo e fazer a Vontade de Deus.”

Crise na África.

(DICI) Em 28 de maio, os padres da África Central suspenderam sua “greve indefinida” que convocaram no dia anterior em protesto contra a renúncia imposta pelo Vaticano do arcebispo de Bangui, Mons. Paulin Pomodimo. A imprensa da África Centra evocou “a questão crucial do celibato sacerdotal”. “Em quase todas as dioceses e na maioria das paróquias, o clero secular e regular mantêm uma casa com mulher e filhos [...]” Acerca do caso, os padres diocesanos da República da África Central condenaram “a influência que alguns missionários estrangeiros têm em todos os níveis de responsabilidade da Igreja da África Central”. Eles apontam que o Vaticano nomeou “sem prévio diálogo” o pe. Dieudonné Nzapa-La-Ayinga como administrador apostólico de Bangui. Os padres suspenderam sua “greve”, mas “nós ainda contestaremos a nomeação do pe. Nzapa-La-Ayinga”, disse Pe. Mathurin Pazé Lékissan à AFP. Mons. Paulin Pomodimo substituiu, em julho de 2003, a Mons. Joachim Ndayen, arcebispo de Bangui por 33 anos. O anúncio de sua demissão — seguida de uma investigação do Vaticano março passado realizada por Mons. Robert Sarah, secretário da Congregação para a Evangelização dos Povos, que também retirou muitos outros padres diocesanos de seus afarezes, que não estavam vivendo em conformidade aos votos de pobreza, castidade e obediência — provocou um tumulto dentro do clero local.

Bispo americano condenado porque seus sinos tocam!

(DICI) Uma sentença suspensa de prisão foi dada a um bispo por causa do repicar dos sinos de sua catedral. Num julgamento ocorrido em 3 de junho, o tribunal decidiu limitar a 60 a quantidade de decibéis que os sinos podem atingir, e apenas por dois minutos aos domingos e em determinados dias de festa. Até agora, eles badalavam as horas entre 8 da manhã e 8 da noite. Os vizinhos da Catedral de Cristo Rei processaram pedindo que não ouvissem mais o repicar dos sinos. Dom Richard Painter, de Phoenix, Arizona, disse que irá recorrer.

A missa antecipada, por Padre Christophe Legrier, FSSPX.

(Publicado em Fideliter – Maio-Junho de 2009 – Gentilmente traduzido e enviado por Adilson Asamar) Vinte séculos de história da Igreja acostumaram os cristãos a santificar o Dia do Senhor pela assistência à missa de domingo. E uma medida canônica é que veio modificar essa prática tradicional. Em 1983, o novo Código de Direito Canônico autorizou a celebração da missa dominical no sábado à noite. Daí por diante, leia-se, tornava possível cumprir o preceito assistindo à missa “no próprio dia da festa ou na noite do dia anterior” (c. 1248, § 1º). Continue lendo…

junho 22, 2009

Padre Michael Rodríguez no Rio de Janeiro.

Padre Michael Rodríguez

Encontro com o Pe. Michael Rodríguez
Pároco da igreja de San Juan Bautista, da diocese de El Paso, Texas

“A Crise de Fé e a Missa Tradicional em Latim”

Palestra – Terço – Missa Tridentina

Data: 27/06/09 (sábado)

Horário: Palestra em espanhol: 15hSanta Missa, às 18h
Local: Colégio Sto. Adolfo – Rua Joaquim Murtinho, 641 – Santa Teresa

Confirme já sua presença! Mais informações aqui.

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