Arquivo para julho, 2009

julho 31, 2009

Dom Fellay: “Não queremos um compromisso, queremos clareza sobre o Concílio”.

Dom Bernard FellayQ: O Papa está no Valle d’Aosta para passar um período de férias. O senhor se encontra há dois passos dele. O senhor teve algum contato ou houve algum tipo de ligação entre a comitiva do Papa e o senhor?

R: Não, absolutamente não. Não houve qualquer contato. Durante as férias devemos deixar o Papa em paz. As coisas prosseguem com o Vaticano, com as pessoas responsáveis pelos colóquios. Mas não incomodamos o Papa. São as suas férias.

Q: Monsenhor Fellay, está prevista uma viagem sua a Roma em breve? A data de início das conversações já foi definida? E a sua comissão, o senhor já pensou quem fará parte da mesma? Quantas pessoas a formam?

R: Não há ainda uma data definida para o início do diálogo, mas podemos presumir que será no outono. Irei a Roma por este período, mas ainda não há nada de preciso. A Comissão já é composta por 3-4 pessoas, mas ainda não podemos fornecer os nomes, também para evitar qualquer pressão.

Q: O senhor considera que no Vaticano haja uma sensibilidade excessiva com relação às expectativas do mundo judeu, sobre o ‘caso Williamson’, bem como sobre a oração de sexta-feira santa?

R: Sim, eu acho. Eu mesmo fico embaraçado – exceto com o que aconteceu no caso de Dom Williamson – quando vejo judeus que se ocupam dos assuntos da Igreja Católica. Não é a sua religião. Deixem-nos em paz. São questões que dizem respeito à Igreja Católica. Se nós queremos rezar pelos judeus, rezaremos pelos judeus no modo que quisermos. Não sei se eles rezam por nós, mas diria que é um problema deles.

Q: Portanto, o Papa e o Vaticano estão sob pressão do mundo judaico?

R: Certamente. É um assunto extremamente delicado e cadente, e penso que devemos sair deste clima não é bom. Houve uma infeliz combinação de eventos que não deveria jamais acontecer. Neste contexto, se pode compreender a ira dos judeus. Eu a compreendo e lamento o que ocorreu.

Q: No motu proprio ‘Unitatem Ecclesiam’ (sic),  o Papa considera que ‘as questões doutrinais, obviamente, permanecem, e até que sejam esclarecidas, a Fraternidade não tem estatuto canônico na Igreja e seus ministros não podem exercer de modo legítimo qualquer ministério’. O que pensa?

R: Penso que não é uma grande mudança. O que mudou é que esta nova disposição concentrará as nossas relações sobre questões doutrinárias. Mas não é uma mudança, é um processo que avança e que havíamos já pedido em 2000; o itinerário continua. O que o Papa escreve está na linha do discurso habitual de Roma, desde 76, por isso não é novo. Nós temos uma posição clara que trazemos há tempos e que mantemos mesmo que estejamos em contraste com esta lei, existem sérias razões que justificam o fato de exercer legitimamente este ministério. São as circunstâncias nas quais se encontra a Igreja que nós chamamos de ‘estado de necessidade’. Por exemplo, quando uma grande catástrofe atinge um país, retira de uso a estrutura ordinária, entra em crise o sistema e então, todos os que podem ajudar, ajudam. E por isso, não é nossa vontade pessoal, mas as necessidades dos fiéis, que necessitam da ajuda de todos aqueles que podem ajudar. E esse estado de necessidade é bastante generalizado na Igreja – há certamente algumas exceções – para poder garantir, conscientemente, o exercício legítimo do apostolado.

Q: Que status jurídico espera para a Fraternidade São Pio X? Uma prelazia, uma sociedade de vida apostólica, o quê?

R: Dependerá de Roma, evidentemente, que é a autoridade que decide nesta estrutura.  A sua perspectiva é a vontade de respeitar ao máximo a realidade que nós representamos. A minha esperança é que estejamos suficientemente protegidos no exercício do apostolado para poder fazer o bem, sem sermos sempre impedidos na ação por razões jurídicas. A esperança é uma prelazia, embora eu não tenha uma preferência. Sobre o momento não posso dizer, tudo depende de Roma.

Q: Para Williamson, o Concílio Vaticano II é uma “torta envenenada” que deve ser jogada na ‘lixeira’, para Tissier de Mallerais o Concílio deveria ser “cancelado” e para Alfonso de Gallareta não há ‘muito para salvar’ do Concílio: é uma divisão no seio da Fraternidade São Pio X? Como pensa resolvê-la? O Vaticano afirma que dentro da Fraternidade existem divisões.

R: Permito-me dizer que não vejo união nem mesmo no Vaticano. O problema de hoje na Igreja não somos nós. Tornamo-nos um problema apenas porque dizemos que há um problema. Além disso, mesmo que possamos ter a impressão de declarações opostas ou mesmo contraditórias, não há fraturas em nosso interior. Por exemplo, sobre o Concílio, podemos dizer que é quase tudo de se rejeitar. Mas, por outro lado, se pode também falar em tentar salvar aquilo que é possível. Mas não podemos nunca dizer todos a mesma coisa.  O Concílio é um misto: há pontos bons e os maus. Mesmo o Papa quando afirma que quer uma hermenêutica de continuidade, que não se quer uma ruptura, rejeita o Concílio interpretado como ruptura.

Q: Dom Williamson é um problema?

R: É um problema totalmente marginal. O que ele disse não tem nada a ver com a crise da Igreja, com o problema de fundo que tratamos há 30 anos depois do Concílio, é uma questão histórica. A questão de saber quantos e como os judeus morreram não é uma questão de fé, nem mesmo uma questão religiosa, é uma questão histórica. Evidentemente estou convencido que ele não abordou esta questão como deveria e tomamos distância. Mas sobre as posições religiosas da Fraternidade acerca do Concílio não vejo nenhum problema com Williamson.

Q: Williamson diz que o Concílio é uma “torta envenenada” para jogar na “lixeira”. Não lhe parece uma frase um pouco forte? O senhor está de acordo?

R: É uma frase polêmica, mas não a condeno. Muitas declarações hoje são feitas de modo polêmico, é uma provocação para tentar fazer as pessoas refletir. Diria o conceito de outro modo, mas não sei se não estou de acordo. Diria o conceito de outro modo, diria que devemos superar o Concílio para retornar àquilo que a Igreja sempre ensinou e do qual a Igreja não pode se separar e em algum momento teremos de superior o Concílio que se quis pastoral, mas não doutrinal. Que quis se ocupar com as situações contingentes da Igreja. Mas as coisas mudam e muitas coisas no Concílio já está superadas.

Q: O bispo Williamson havia prometido permanecer em silêncio e continua falando: ele será punido? Se ele continuar afirmando que não é possível um compromisso com Roma sobre o Concílio, será expulso?

R: Não é verdade que Williamson fale freqüentemente. É raríssimo… uma vez disse alguma coisa … e depois, não lhe pedimos para calar sobre todas as coisas. O campo em que lhe pedimos silêncio era muito limitado. Era uma saída momentânea. A minimizo ao máximo… é pouca coisa… No momento não vejo qualquer razão para expulsão. Depende dele, a partir das situações nas quais se coloca. Para o momento, há um processo em curso, foi seriamente danificada a reputação, não imagino neste momento nada além do que a situação já é. Dependerá daquilo que dirá. Já está suficientemente punido, colocado de lado, sem nenhum encargo.

Q: E sobre o Concílio, o senhor aceitará fazer concessões a Roma?

R: Não devemos fazer qualquer concessão sobre o Concílio. Não tenho nenhuma intenção de fazer concessões. A verdade não suporta concessões. Não queremos um compromisso, queremos clareza sobre o Concílio.

Q: As recentes ordenações de sacerdotes foram vistas como uma provocação: não era melhor evitar, neste momento delicado?

R: Não foram uma provocação. Alguns bispos se aproveitaram da ocasião para bradar a provocação.  Mas nem para Roma, nem para nós, foram uma provocação. É como tirar a respiração de uma pessoa. Nós somos uma sociedade sacerdotal cujo objetivo é formar sacerdotes. E, portanto, impedir o ato último de formação que é a ordenação, é como impedir alguém de respirar. Por outro lado, sempre tivemos em mente que a revogação das excomunhões faria surgir uma nova situação, a qual é melhor do que a anterior, mas não perfeita. Para nós, é normal seguir adiante com as nossas atividades e, portanto, também com as ordenações.

Q: L’Osservatore Romano falou de Calvino, Michael Jackson, Harry Potter, Oscar Wilde. O que o senhor acha?

R: Eu me pergunto: é realmente o papel do L’Osservatore Romano se ocupar destas coisas?  Esta é uma primeira pergunta. E a segunda pergunta é: Aquilo que diz sobre essas pessoas é realmente a coisa justa? Tenho um olhar bastante crítico sobre estas apresentações.

Q: Pensa que com este Papa se possa finalmente chegar a uma conclusão na longa questão dos lefebvrianos?

R: Creio que seja certamente uma boa esperança. Penso que devemos rezar muito, são questões muito delicadas. Estamos nesta condição há 40 anos e não por questões pessoais, mas verdadeiramente por coisas sérias que tocam a fé e o futuro da Igreja. Vemos certamente no Papa uma autêntica vontade de querer ir a fundo no problema e isso acolhemos com muita satisfação. Rezamos e esperamos que com a graça do bom Deus cheguemos a algo de bom para a Igreja e para nós.

Q: O que pensa de Bento XVI?

R: É uma pessoa íntegra, que toma a situação e a vida da Igreja muito seriamente.

Fonte: APCOM, via Papa Ratzinger blog

julho 30, 2009

“Como bispo não posso me calar”. Excertos do livro “Dominus Est”, de Dom Athanasius Schneider.

Consciente da grandeza e importância do momento da sagrada comunhão, a Igreja em sua bimilenária tradição procurou encontrar uma expressão ritual que pudesse testemunhar do modo mais perfeito sua fé, seu amor e seu respeito. Isto verificou-se quando, na esteira de um desenvolvimento orgânico, no Ocidente, a partir dos séc. VIII-IX, e no Oriente, já alguns séculos antes, a Igreja em todas as suas tradições litúrgicas começou a adotar o modo de distribuir as sagradas espécies eucarísticas diretamente na boca. Na tradição dos ritos latinos se ajuntou ainda o gesto de ajoelhar-se, uma expressão ritual própria do cristianismo ocidental. Este desenvolvimento se pode considerar como um fruto da espiritualidade e da devoção eucarística do tempo dos Padres da Igreja. Existem várias exortações ardentes dos Padres da Igreja sobre a máxima veneração, delicadeza e cuidado para com o Corpo eucarístico do Senhor, em particular a respeito dos fragmentos do pão consagrado. Quando se começou a notar que não existiam mais as condições que garantiam o cumprimento das exigências de máximo respeito e do caráter altamente sagrado do pão eucarístico, a Igreja, seja no Ocidente, seja no Oriente, com um admirável consenso e quase instintivamente percebeu a urgência de modificar o rito então vigente, isto é, passando da distribuição da comunhão na mão à distribuição na boca. A este desenvolvimento contribuiu igualmente um crescente aprofundamento da fé na presença real, que se expressou no Ocidente na praxe da adoração do SS. Sacramento solenemente exposto.

[...] Nos últimos decênios se difundiu em várias Igrejas locais do Rito latino (sobretudo no Ocidente) o uso de distribuir a comunhão na mão. A partir de uma análise serena e imparcial deste uso em muitíssimos lugares, se deve necessariamente constatar o que se segue: um dos momentos mais importantes e, portanto, mais sagrados e solenes da liturgia eucarística, como é a sagrada comunhão, torna-se sempre menos sacral e fonte de contínua profanação involuntária e até voluntária. Onde hoje mais se evidenciam as sombras na celebração eucarística e uma alteração do sentido do sagrado é precisamente o modo de distribuir a comunhão.

O modo da distribuição da comunhão na mão é realizado nos nossos dias infelizmente em condições históricas bastante desfavoráveis, quer dizer: notável diminuição da fé na presença real, do respeito e da sensibilidade pelo sagrado, mentalidade consumista, aproximação indiscriminada e incontrolável à sagrada comunhão, muitas vezes de todos os presentes na liturgia, também das pessoas não bem dispostas, não católicas e até não batizadas (um fenômeno que se verifica de maneira mais marcante nas celebrações de massa), e, enfim, um crescente fenômeno de profanações de hóstias consagradas por parte de grupos esotéricos e satânicos.

O próprio rito de distribuição na mão contribui, no hodierno contexto histórico, a uma progressiva e bastante difundida negligência com relação aos fragmentos, o que, juntamente com o não-uso da patena de comunhão, faz com que os fragmentos caiam por terra e se percam com grande facilidade. Assim acontece com freqüência, e sempre mais vem aumentando, que os fragmentos eucarísticos, as pérolas mais preciosas que existem sobre esta terra, são literalmente pisoteados nas igrejas católicas, sem os fiéis disso se aperceberem.

Como contrasta este fenômeno, minimizado ou silenciado por não poucos pastores da Igreja nos nossos dias, com a preocupação dos Padres da Igreja para que não se perdesse nem mesmo o mínimo fragmento do pão eucarístico!

[...]

Num tempo em que se dava a comunhão somente na boca e era prescrito até o uso da patena de comunhão, o Papa Pio XI ordenou a publicação da seguinte premente exortação:

“Na administração do sacramento eucarístico se deve mostrar um particular zelo, a fim de que não se percam os fragmentos das hóstias consagradas, já que em cada uma delas está presente o Corpo inteiro de Cristo. Por isso, tome-se o máximo cuidado para que os fragmentos não se separem fácilmente da hóstia e não caiam por terra, onde – horribile dictu! – se poderiam misturar com a sujeira e ser pisoteados com os pés”.

O grande Papa João Paulo II, já há 25 anos, falando exatamente do uso da comunhão na mão, constatou deploráveis faltas de respeito para com as Espécies eucarísticas, faltas que pesam… também sobre os Pastores da Igreja, que terão sido pouco vigilantes quanto à compostura dos fiéis em relação à Eucaristia.

[...]

São numerosos os exemplos das Igrejas locais, onde já se pratica há algum tempo a comunhão na mão, comprovando o fato inegável que este modo de distribuir o Corpo do Senhor produziu, em larga escala, um dano à vida espiritual da Igreja. Nos seus gestos, o rito hodierno não corresponde à praxe da Idade patrística, mas evoca mais facilmente a mentalidade consumista e anti-sacral do fim da década de 60, exatamente quando foi introduzido em alguns países da Europa setentrional, em desobediência às normas da Igreja, e em seguida, obtida a legitimação com uma maciça pressão sobre o Papa Paulo VI.

Prevendo realisticamente os danos espirituais desse uso, o Papa Paulo VI e a maioria do episcopado católico (do qual a grandíssima maioria participou do Concílio Vaticano II) julgaram não introduzí-lo. Pensando que não se poderia fazer parar este uso já difundido, o Papa Paulo VI o concedeu contra sua vontade.

Os prognosticados danos espirituais de um novo generalizado rito da comunhão na mão, indicados pela maioria dos bispos no ano de1968  e da Santa Sé na Instrução Memoriale Domini do ano de 1969, foram os seguintes:

• grande perigo de profanações e sacrilégios,

• negligência para com os fragmentos do pão consagrado,

• o fato que cada um toma o Corpo do Senhor com as suas mãos e dedos contribuirá a igualar o pão eucarístico ao pão comum,

• perda do caráter sagrado do gesto,

• falta de respeito,

• falsas opiniões sobre o sacramento eucarístico,

• dano à fé das crianças e das pessoas simples.

O Papa Paulo VI e a maioria do episcopado do ano de 1968 expressaram o juízo de que a comunhão na boca assegura e garante mais eficazmente o respeito, o caráter sagrado, o decoro, a fé na presença real e a devoção dos fiéis. O documento Memoriale Domini de 29 de maio de 1969, expressando o pensamento do Papa Paulo VI, fazia esta observação acertada:

“Uma mudança em coisa de tamanha importância, baseada numa tradição antiquíssima e venerável, não se refere somente à disciplina; poder-se-ia demonstrar fundado o receio de eventuais perigos derivados desta nova maneira de distribuir a Comunhão: o perigo, por exemplo, de diminuir o reverência para com o SS. Sacramento do altar, ou o perigo de uma sua profanação ou também de uma alteração da sã doutrina.”

O mesmo documento diz que se deve excluir qualquer impressão de que a consciência da Igreja cedeu no que diz respeito à fé na presença eucarística, como também qualquer perigo ou simplesmente aparência de perigo de profanação.

E numa carta da Secretaria de Estado ao episcopado católico, do dia 28/10/1968, se dizia que o novo rito de comunhão representava uma coisa grave em si mesma e nas suas conseqüências.

Os temores do Papa Paulo VI e da maior parte do episcopado católico dos anos 1968-1969 foram mais que fundados e encontraram plena confirmação na praxe do modo hodierno de distribuir a comunhão na mão. Este rito, visto sobre larga escala, produziu e continua infelizmente a produzir um dano espiritual não insignificante para a Igreja. E assim se dá uma situação contraditória e espiritualmente dolorosa na vida eucarística de muitas Igrejas locais: no momento da sagrada comunhão, que exige por sua natureza o máximo respeito, decoro, caráter sagrado, delicadeza, máxima vigilância, se verifica uma preocupante banalização do Santo dos Santos.

As tentativas de harmonizar ou minimizar este estado das coisas equivaleriam a fechar os olhos sobre a realidade. Já há mais de 20 anos, o Cardeal J. Ratzinger fez a seguinte constatação preocupante a respeito do momento da comunhão em vários lugares: “Nós não nos elevamos mais à grandeza do evento da comunhão, mas arrastamos o dom do Senhor para baixo, ao ordinário da livre disposição, à cotidianidade”.

Conseqüentemente, existe uma verdadeira urgência pastoral que exige uma modificação na situação atual da distribuição da sagrada comunhão. Levando em conta a dinâmica inata das coisas novas e mais cômodas a impor-se em proporções gerais e da pressão psicológica da “moda”, a comunhão na mão está suprimindo de fato sempre mais a comunhão na boca. Para que um fiel continue, em tais circunstâncias, a receber a comunhão na boca e ajoelhado, é verdadeiramente necessária uma grande maturidade espiritual e uma coragem não comum. A liberdade de escolha é, de fato, reduzida ao mínimo, como comprovam tantos testemunhos de fiéis. Não se deve negligenciar a intenção do Papa Paulo VI, expressa tão nitidamente no documento Memoriale Domini: “O Sumo Pontífice não julgou oportuno mudar o modo tradicional de distribuir a sagrada Comunhão aos fiéis. Portanto, a Sé Apostólica exorta ardentemente aos bispos, sacerdotes e fiéis a observar com amorosa fidelidade a disciplina em vigor”. Diante da milenar tradição de distribuir a comunhão na boca – fruto feliz de um desenvolvimento orgânico da fé e da piedade eucarística do primeiro milênio – essa inovação não trouxe uma verdadeira utilidade para a Igreja.

Dom Athanasius Schneider, ‘Dominus Est’

julho 28, 2009

Summorum Pontificum: Ecclesia Dei responde a fiel brasileiro.

Em carta datada de 18 de julho de 2009, a Comissão Pontíficia Ecclesia Dei, por meio de seu novo secretário, Monsenhor Guido Pozzo, respondeu às seguintes questões de um fiel brasileiro:

 

1 – Após ter entrado em vigor o Motu Proprio “Summorum Pontificum”, é necessária a permissão do Bispo Diocesano para que algum padre possa celebrar a Missa Gregoriana?

2 – Os fiéis devem dominar a língua latina para poderem assistir a Missa Gregoriana? Ou bastaria apenas um folheto do missal em formato bilíngue (Latim – Português) para que os fiéis possam assistí-la?

3 – Um grupo pequeno de fiéis (por exemplo: 8 pessoas), embora seja estável, é insuficiente para que seja celebrada a Missa na Forma Extraordinária?

4 – O Bispo Diocesano deve cooperar para que o pedido de Missa Gregoriana feito por um grupo estável de fiéis seja realizado?

5 – Os fiéis que não fazem parte do grupo estável poderão assistir a Missa Gregoriana?

6 – Poderão ser realizados matrimônios na Forma Extraordinária do Rito Romano?

7 – Com a publicação do Motu Proprio “Summorum Pontificum”, o Papa Bento XVI deseja que a Missa Gregoriana seja amplamente ofertada nas Dioceses?

8 – O Santo Padre deseja que o ensino do Latim volte a fazer parte do currículo dos seminários para que os futuros padres possam celebrar Missas na língua latina?

9 – Os Bispos Diocesanos devem seguir as orientações da Comissão Pontifícia Ecclesia Dei sobre a aplicação do Motu Proprio “Summorum Pontificum” mesmo que o Núncio Apostólico no Brasil possa, hipoteticamente, emitir opinião contrária?

 

Clique para ampliar

Agradecemos ao caro amigo pelo envio, enquanto rezamos para que a Santa Missa possa ser celebrada em sua diocese (e em todas as outras) com ampla liberdade.

julho 27, 2009

Bomba: frade ‘criador’ de Medjugorje reduzido ao estado laical pelo Papa Bento XVI.

Por Simon Caldwell
The Daily Mail
26 de julho de 2009

Vlasic e uma das videntes, Marija Pavlović, nos anos 80.

Vlasic e uma das videntes, Marija Pavlović, nos anos 80.

O Papa laicizou o padre no centro das alegações de que a Virgem Maria vem aparecendo na cidade bosniana de Medjugorje.

O Vaticano decidiu punir o Padre Tomislav Vlasic depois de uma investigação em crescentes preocupações sobre as supostas aparições.

Padre Vlasic é o antigo ‘diretor espiritual’ de seis videntes que afirmam que Nossa Senhora as visitou aproximadamente 40.000 vezes em 28 anos. Ele também foi suspeito de inventar histórias das aparições da Virgem Maria.

O local atrai milhares de visitantes ingleses [ndt: e brasileiros também, especialmente de ‘peregrinações’ promovidas pela Canção Nova - vide abaixo) todo ano.

[Padre Vlasic] pediu para deixar o sacerdócio após o Vaticano também investigar acusações de que era culpado de imoralidade sexual ‘agravadas por motivações místicas’, depois de engravidar uma freira e então persuadi-la a silenciar o assunto.

Padre Vlasic se negou a cooperar com a investigação desde o princípio e foi exilado para um mosteiro em L’Aquila, Itália, onde foi proibido de se comunicar com qualquer pessoa, até mesmo seus advogados, sem a permissão de seu superior.

Veio à tona ontem que ele escolheu deixar o sacerdócio e sua ordem, uma mudança que levou a investigação a um fim abrupto.

A laicização de Padre Vlasic significa que ele está deposto de seu estado clerical.

Ela foi secretamente finalizada pelo Papa em março e representa um forte golpe em milhões de seguidores de Medjugorje por todo o mundo que esperavam que o Vaticano um dia reconhecesse o controverso santuário.

Padre Vlasic foi chamado de ‘criador’ do fenômeno, conforme Pavao Zanic, bispo local quando então as aparições começaram em 1981.

Mais cedo, em meio a uma discussão com o bispo local e o Vaticano, ele fez uma profecia de que a Virgem Maria apareceria na Bósnia.

Meses depois, seis crianças da região – Mirjana Dragićević, Marija Pavlović, Vicka Ivanković, Ivan Dragićević, Ivanka Ivanković e Jakov Colo – disseram ter visto a Virgem numa montanha próxima à sua cidade.

Logo depois, Padre Vlasic anunciou que era ‘diretor espiritual’ delas e em 1984 até mesmo ostentou ao Papa João Paulo II que ele era aquele ‘por meio de quem a providência divina guia os videntes de Medjugorje’.

Mas o clérigo bosniano posteriormente tomou uma posição mais modesta quando se soube que ele seria pai de uma criança com uma freira chamada Irmã Rufina e que se negou a deixar sua ordem para se casar com ela.

Padre Vlasic então se mudou para Parma, Itália, onde fundou uma comunidade religiosa mista (masculina e feminina) chamada Rainha da Paz, que foi dedicada às aparições.

Ele foi suspenso no ano passado pela Congregação do Vaticano para a Doutrina da Fé em meio a uma investigação sobre sua conduta depois de três comissões eclesiásticas terem fracassado em encontrar evidências para sustentar as afirmações dos videntes.

Os bispos da antiga Iugoslávia finalmente declararam que “não pode ser afirmado que estas matérias digam respeito a aparições ou revelações sobrenaturais”.

O Cardeal Joseph Ratzinger – agora Papa Bento XVI – também tinha proscrito peregrinações ao local, mas isso foi amplamente ignorado.

Pelo contrário, os videntes se enriqueceram como resultado de suas alegações – assim como sua cidade, que sofreu um boom como conseqüência da “corrida pelo ouro da Madonna”.

Alguns hoje são proprietários de casas inteligentes com jardins refinados, garagens duplas e entradas de segurança, uma delas possuindo uma quadra de tênis.

Também possuem carros caros e um deles, Ivan Dragicevic, se casou com uma antiga miss americana.

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OFÍCIO DO SUPERIOR GERAL DA ORDEM DOS FRADES MENORES

ORDO FRATRUM MINORUM
MINISTER GENERALIS

Prot. N. 098714

Aos Superiores Provinciais da Bósnia Herzegovina, Croácia e Itália.

Caro Irmão Superior,

O Santo Padre, aceitando a requisição do frade Tomislav Vlasic, O.F.M., membro da província dos frades menores de S. Bernardino de Siena (L’Aquila), responsável por conduta nociva à comunhão eclesial tanto na esfera doutrinal como disciplinar, e sob a censura de interdito, lhe concedeu o favor da redução ao estado laico (amissio status clericalis) e demissão da Ordem.

Além disso, o Santo Padre concedeu ao peticionário, motu proprio, a remissão da censura incorrida assim como o favor da dispensa dos votos religiosos e de todas as responsabilidades associadas às ordens sagradas, inclusive celibato.

Como um preceito penal salutar – sob pena de excomunhão que a Santa Sé declararia, e, se necessário, sem advertência canônica prévia – as seguintes ordens são impostas ao Sr. Tomislav Vlasic:

a) Absoluta proibição de exercer qualquer forma de apostolado (por exemplo, promover devoções públicas ou privadas, ensinar doutrina Cristã, direção espiritual, participação em associações leigas, etc) assim como aquisição e administração de bens destinados a propósitos religiosos;

b) Absoluta proibição de publicar declarações sobre matérias religiosas, especialmente a respeito do “fenômeno de Medjugorje”;

c) Absoluta proibição de residir em casas da Ordem dos Frades Menores.

Para a execução das medidas sérias impostas pela Santa Sé com respeito ao Sr. Tomislav Vlasic, a mesma Sé Apostólica comunica diretamente aos Superiores de Ordem.

Portanto, volto-me a vós para que sejais vigilantes e informeis aos Guardiães e superiores das casas filhas, respeitosamente, a respeito de Tomislav Vlasic, das medidas pontifícias a ele concernentes, em particular a respeito da proibição de residir em qualquer causa pertencente à Ordem dos Frades menores, sob pena de remoção do cargo.

Confiando em vossa plena compreensão e pronta cooperação, cumprimento-vos fraternalmente.

Roma, 10  de março de 2009.

Fr. José Rodriguez Carballo, OFM
Superior Geral

Fonte: Catholic Light

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“Com suas aparições, há anos consecutivos, em Medjugorje, onde pude estar presente, ela vem arrastando multidões no mundo todo a voltarem-se para Deus, numa conversão alicerçada no arrependimento dos pecados, na Confissão, na oração, no jejum, nos sacrifícios e na fé. Esses frutos autênticos são a maior prova de que as aparições são reais e aceitas por centenas de bispos, milhares de sacerdotes e milhões de fiéis. O Papa, embora não tenha ainda se pronunciado oficialmente, não desaprova as peregrinações de Medjugorje e se refere freqüentemente à Virgem Santíssima como a ‘Senhora das Mensagens’…” (Felipe Aquino em A Estrela da Evangelização, 25 de fevereiro de 2007 – documento já salvo, caso misteriosamente saia do ar).

julho 26, 2009

Nova gripe, subterfúgio para novos costumes. Santuário Nacional de Aparecida há anos não distruibui a Sagrada Comunhão na boca, “por mais que o romeiro queira”.

Caso não consiga visualizar o vídeo, clique aqui.

“Cegos, na verdade, a conduzirem outros cegos, são esses homens que inchados de orgulhosa ciência, deliram a ponto de perverter o conceito de verdade e o genuíno conceito religioso, divulgando um novo sistema, com o qual, arrastados por desenfreada mania de novidades, não procuram a verdade onde certamente se acha; e, desprezando as santas e apostólicas tradições, apegam-se a doutrinas ocas, fúteis, incertas, reprovadas pela Igreja, com as quais homens estultíssimos julgam fortalecer e sustentar  a verdade”. (Gregório XVI, Encíclica Singulari Nos, 7 Jul. 1834).

julho 25, 2009

“Em caso nenhum se permita a Comunhão na mão”.

Dom Antônio de Castro MayerNa Igreja Latina, a fé viva na Presença Real se ostenta mediante a genuflexão e a postura genuflexa, quando se passa diante ou quando se está em presença da Santa Hóstia Consagrada, ou solenemente exposta, ou em reserva no sacrário. Semelhante atitude baseia-se na Sagrada Escritura. Nela. de fato, lemos que tal atitude é, no fiel, o sinal da adoração. Assim, são louvados os milhares de judeus que “não curvaram os joelhos diante de Baal” (Rom. 11, 4); e, a respeito do Deus verdadeiro, diz o Senhor em Isaías, que “a Ele se curvará todo joelho” (44, 23 – cf. Rom. 14, 11 ). Mais diretamente a Jesus Cristo, declara o Apóstolo que ao seu nome “dobra-se todo joelho, no Céu, na terra e nos infernos ” (Fil. 2, 10). Aliás, era a maneira como externavam sua fé no Salvador aqueles que Lhe pediam algum benefício (cf. Mat. 17, 14; Marc. 1, 40). Na Santa Igreja, o costume de dobrar os joelhos diante do Santíssimo Sacramento, além da adoração devida a tão excelso Senhor, tenciona, outrossim, manifestar reparação pelas injúrias com que a soldadesca infrene ludibriou do misericordioso Salvador, após a flagelação e coroação de espinhos: “de joelhos diante d’Ele, d’Ele zombavam” (Mat. 27, 29).

Fixa-se assim numa Tradição Apostólica o hábito de manifestar, mediante a genuflexão e a postura ajoelhada, nossa fé viva na Divindade de Jesus Cristo, substancialmente presente no altar. Eis porque recebe o fiel a Sagrada Comunhão de joelhos. Não o faz o Sacerdote na Missa, porque ele aí está representando a pessoa de Jesus Cristo. ‘Agit in ,persona Chisti”. faz as vezes de Cristo como sacrificador, ofício que de modo algum compete ao fiel. Fora da Missa, também o Sacerdote comunga de joelhos.

Não há por que deixar uso tão excelente

Não somente porque é um costume imemorial, com base na Bíblia Sagrada, como peia mesma natureza do ato, a genuflexão raros compenetra de humildade, leva-nos a reconhecer nossa pequenez de criaturas diante da transcendência inefável de Deus, e mais ainda, nossa condição de pecadores que só pela mortificação e a graça chegaremos a dominar nosso orgulho e demais paixões, e a viver como verdadeiros filhos adotivos de Deus, remidos pelo Sangue preciosismo de Jesus Cristo.

De onde, a substituição de semelhante costume piedoso por outro só poderia justificar-se, no caso de uma excelência superior tão grande que compensasse também o mal que há em toda mudança, como ensina Santo Tomás de Aquino (1. 2. q. 97, a. 2) com relação aos hábitos que dão vida às leis. Fiel a esta doutrina do Aquinate, o II Concílio do Vaticano estabelece que não se devem introduzir modificações na Liturgia, a não ser quando verdadeiramente necessárias, e assim mesmo, manda que as novas fórmulas dimanem organicamente das já existentes (Const. “Sacrosanctum Concilium”, n° 23).

Ora, o novo modo de comungar não oferece a excelência que sua introdução está a pedir. De fato, comungar de pé é coisa que não apresenta a seu favor textos da Sagrada Escritura, não tem as vantagens espirituais que a postura de joelhos traz consigo, como acima observamos, e tem os inconvenientes de toda mudança, que relaxa em vez de afervorar os fiéis.

Por isso, deve-se conservar o hábito de comungar de joelhos. [...]

Recomendamos, portanto, a todos os caríssimos Sacerdotes que exercem o ministério no nosso Bispado, que se atenham a esta disposição diocesana: só distribuam a Sagrada Comunhão aos fiéis ajoelhados, admitindo apenas exceções em casos pessoais, quando alguma enfermidade torna impossível, ou quase, o ajoelhar-se. Em caso nenhum se permita a Comunhão na mão.

Dom Antônio de Castro Mayer, Circular sobre a Reverência aos Santos Sacramentos, 21 de novembro de 1970.

julho 24, 2009

D. Nicola Bux e a Comunhão na mão: “Lamento, mas não existe nenhum texto da Tradição que a sustente”.

Entrevista de D. Nicola Bux concedida a Bruno Volpe:

Don Bux, qual é a maneira mais correta de comungar?

Diria que são duas. Há a posição de pé, recebendo a partícula na boca, ou de joelhos. Não vejo uma terceira via.

Falemos da posição vertical…

Está bem, não tenho nada contra ela. O importante é que o fiel esteja intimamente consciente do que vai receber, isto é, que não se aproxime da Comunhão com uma despreocupação que demonstra imaturidade e absoluta distância de Deus.

Comunhão de pé… mas o que é melhor?

Veja, até a Comunhão de pé, se feita com devoção, compunção e sentido do sagrado, não está mal. Seria belo e conveniente, sem dúvida, que a Comunhão (inclusive quando de pé) seja precedida por um sinal formal de reverência, ou seja, a cabeça coberta para as mulheres, o sinal da cruz ou uma inclinação de amor.

Mas, por que freqüentemente as pessoas se aproximam da Comunhão como se fosse um buffet?

Gosto desta expressão e em parte é também correta. Muitos se levantam mecanicamente e não sabe, e nem sequer imaginam, o que recebem. Pensa-se que a participação na Missa inclui automaticamente a Comunhão, à qual devem se aproximar somente aqueles que estão realmente na graça de Deus.

Nos últimos meses, o Papa Bento XVI tem administrado a Comunhão de joelhos…

Tem feito muito bem. Considero que o ajoelhar-se para receber a Comunhão ajuda a recolher o espírito e a compreender mais o mistério. Ajoelhar-se diante do Corpo de Cristo é um ato de amor e de humildade agradável a Deus, que nos faz reavaliar este sentido do sagrado atualmente à deriva e perdido, ou, ao menos, diminuído.

Em resumo, a Comunhão de joelhos ajuda o espírito…

Certamente, favorece o recolhimento e a espiritualidade. Considero que a posição de joelhos para receber a Comunhão é a que mais responde ao sentido do mistério e do sagrado.

E a comunhão na mão?

Lamento, mas não existe nenhum texto da Tradição que a sustente. Nem sequer o tomai e comei todos: não há nenhuma menção da mão e, se quisermos, os apóstolos eram sacerdotes e tinham o direito à Comunhão na mão. Os orientais não a permitem.

Numa igreja de Roma, a da Caravita, geralmente muito concorrida especialmente pela comunidade católica mexicana, um sacerdote jesuíta [...] faz os fiéis tomarem pessoalmente a partícula e molhá-la no cálice. É correto?

Trata-se de um abuso gravíssimo e intolerável, do qual faz bem em me avisar e do qual o bispo deve tomar consciência e conhecimento. Os parágrafos 88 e 94 [da Redemptionis Sacramentum] afirmam que não é permitido aos fiéis tomar por si mesmos a hóstia ou passar o cálice de mão em mão. Creio que a Comunhão não é válida. Analisarei o problema, mas estamos diante de um abuso inadmissível que deve ser reprimido o quanto antes.

Fonte: La Buhardilla de Jeronimo

Original: Pontifex

julho 23, 2009

Dom Burke celebrará Santa Missa Tradicional em São Pedro.

Dom Raymond Leo BurkeRinascimento Sacro anunciou que, como ápice da Segunda Convenção sobre Summorum Pontificum organizada pelos Giovani e Tradizione, uma Missa Pontifical Solene conforme o Rito Clássico Romano será celebrada na Capela de Adoração Eucarística na Basílica de São Pedro, no sábado, 18 de outubro de 2009 às 10:00h. A Missa será celebrada por Sua Excelência, o Arcebispo Raymond Leo Burke, Prefeito do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica. A música será providenciada por um coro misto dos Franciscanos da Imaculada.

Deo Gratias!

Fonte: Rorate-Caeli

No mesmo encontro discursarão, entre outros: o excelentíssimo senhor bispo D. Athanasius Schneider, C.R.S.C., auxiliar de Karaganda, Cazaquistão; Prof. Roberto de Matei ; D. Michael John Zielinski, O.S.B., vice-presidente da Pontifícia Comissão dos Bens Culturais da Igreja e de Arqueologia Sacra; Monsenhor Brunero Gherardini, decano emérito da faculdade de teologia da Lateranense.

julho 22, 2009

Amar ao Homem sobre todas as coisas: “Temos que defender o bem maior”…

“Aquele que o come e o bebe sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação. Esta é a razão por que entre vós há muitos adoentados e fracos, e muitos mortos(I Co, 11, 29-30)

Igreja muda ritos para evitar contágio da gripe suína

William Cardoso
Diário do Grande ABC

Dom NelsonA gripe suína ganha força neste inverno e já provoca mudanças até mesmo na Igreja Católica. O bispo da Diocese de Santo André, dom Nelson Westrupp, tomou uma medida inédita até o momento: para evitar o contágio entre fiéis, distribuiu comunicado recomendando que a hóstia não seja entregue na boca, que não se reze o Pai-Nosso de mãos dadas e que se suspenda o abraço da paz durante as missas no Grande ABC.

O contato espontâneo pode ocorrer a partir do momento em que os dedos do padre toquem a saliva de um fiel contaminado, levando até outro durante a comunhão. A oração de mãos dadas também favorece a transmissão do vírus influenza A (H1N1), assim como o abraço efusivo.

A preocupação de dom Nelson aumentou na última semana e a ideia de alertar os católicos durante as missas surgiu de forma espontânea. “Foi algo que brotou do meu coração, como um desejo de colaborar com as pessoas. A intenção é de, sobretudo, ajudar a população”, explicou.

O bispo lembra que as recomendações não alteram a celebração e que tem autoridade suficiente para fazer as modificações na diocese, por não infringir leis universais da Igreja. “São pontos que não vão mudar em nada a substância, a própria essência da missa.”

O líder católico lembra que, durante a gripe espanhola (1918), o interior de igrejas favoreceu a disseminação do vírus, por facilitar a agloremação de multidões em ambiente fechado. Baseado nisto, dom Nelson pode até mesmo solicitar a suspensão das missas em um limite extremo, caso o quadro se torne insustentável. “Temos que defender o bem maior, que é o dom da vida. Foi dado por Deus e podemos louvá-lo também em casa.”

Relutância - As recomendações encontram resistência entre fiéis mais tradicionais. A aposentada Ana Maria de Oliveira, 65 anos, rezava na tarde de ontem na Matriz de São Bernardo e se dizia imune à doença. “Vou continuar a dar o abraço durante a missa. É algo que recebi da minha mãe. Estou protegida.”

Na mesma paróquia, o padre Ervínio Vivian afirmou serem importantes as recomendações e que vai informar aos fiéis, especialmente nas missas dominicais. “As pessoas percebem mudanças no cotidiano. Isso choca e ao mesmo tempo conscientiza.”

O choque visto como positivo por padre Ervínio é motivo de preocupação para o padre Nivaldo Lenzi. Na Catedral de Nossa Senhora do Carmo, em Santo André, ele se absteve de passar recomendações diretamente aos frequentadores da igreja no horário do almoço. Acredita que se pode criar pânico, por isso pretende utilizar pessoas próximas para falar aos congregados. “Temo apavorar a todos. E não se deve perder a alegria da celebração.”

Para dom Nelson, a preocupação é outra. “Temos de ter simplicidade. Não dá para complicar. É algo maior que está em jogo, por isso a importância das recomendações.”

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C O M U N I C A D O – R E C O M E N D A Ç Ã O

Recomendo aos Padres, Diáconos e Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão que, diante do avanço da gripe suína:

1. A Sagrada Comunhão seja distribuída somente na mão (suspender a comunhão sob duas espécies).

2. Não se reze o Pai-Nosso de mãos dadas.

3. Seja suspenso o abraço da paz.

Colaboremos com a Organização Mundial da Saúde (OMS), orientando os fiéis cristãos no que diz respeito à prevenção da nova gripe.

Conto com sua solidariedade em assunto tão importante.

Um abraço amigo e minha bênção.

Dom Nelson Westrupp, scj
Bispo Diocesano

Fonte: Diocese de Santo André

julho 22, 2009

Papa aceita renúncia de Dom Joércio Gonçalves Pereira, C.SS.R.

Dom JoércioO Santo Padre aceitou hoje a renúncia apresentada pelo senhor bispo da prelazia de Coari, Dom Joércio Gonçalves Pereira, C.SS.R., conforme o art. 401, § 2, do Código de Direito Canônico, que prevê o afastamento por motivo de saúde ou qualquer causa grave que diminua a capacidade de desempenho do ministério episcopal. Ainda não há informações sobre quais seriam os motivos da renúncia do bispo de apenas 55 anos.

O redentorista Dom Joércio foi reitor do Santuário Nacional de Aparecida e por sua iniciativa o pastor protestante Milton Schwantes, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, chegou a pregar numa novena em honra a Nossa Senhora Aparecida no mesmo santuário.

[Atualização - 22 de julho de 2009, às 21:22] A sala de imprensa do Santuário Nacional de Aparecida informa que a renúncia se deu por motivos de saúde e que Dom Joércio voltará a viver em Aparecida. Contudo, o blog Oblatvs diz que os motivos são outros.

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