Q: O Papa está no Valle d’Aosta para passar um período de férias. O senhor se encontra há dois passos dele. O senhor teve algum contato ou houve algum tipo de ligação entre a comitiva do Papa e o senhor?
R: Não, absolutamente não. Não houve qualquer contato. Durante as férias devemos deixar o Papa em paz. As coisas prosseguem com o Vaticano, com as pessoas responsáveis pelos colóquios. Mas não incomodamos o Papa. São as suas férias.
Q: Monsenhor Fellay, está prevista uma viagem sua a Roma em breve? A data de início das conversações já foi definida? E a sua comissão, o senhor já pensou quem fará parte da mesma? Quantas pessoas a formam?
R: Não há ainda uma data definida para o início do diálogo, mas podemos presumir que será no outono. Irei a Roma por este período, mas ainda não há nada de preciso. A Comissão já é composta por 3-4 pessoas, mas ainda não podemos fornecer os nomes, também para evitar qualquer pressão.
Q: O senhor considera que no Vaticano haja uma sensibilidade excessiva com relação às expectativas do mundo judeu, sobre o ‘caso Williamson’, bem como sobre a oração de sexta-feira santa?
R: Sim, eu acho. Eu mesmo fico embaraçado – exceto com o que aconteceu no caso de Dom Williamson – quando vejo judeus que se ocupam dos assuntos da Igreja Católica. Não é a sua religião. Deixem-nos em paz. São questões que dizem respeito à Igreja Católica. Se nós queremos rezar pelos judeus, rezaremos pelos judeus no modo que quisermos. Não sei se eles rezam por nós, mas diria que é um problema deles.
Q: Portanto, o Papa e o Vaticano estão sob pressão do mundo judaico?
R: Certamente. É um assunto extremamente delicado e cadente, e penso que devemos sair deste clima não é bom. Houve uma infeliz combinação de eventos que não deveria jamais acontecer. Neste contexto, se pode compreender a ira dos judeus. Eu a compreendo e lamento o que ocorreu.
Q: No motu proprio ‘Unitatem Ecclesiam’ (sic), o Papa considera que ‘as questões doutrinais, obviamente, permanecem, e até que sejam esclarecidas, a Fraternidade não tem estatuto canônico na Igreja e seus ministros não podem exercer de modo legítimo qualquer ministério’. O que pensa?
R: Penso que não é uma grande mudança. O que mudou é que esta nova disposição concentrará as nossas relações sobre questões doutrinárias. Mas não é uma mudança, é um processo que avança e que havíamos já pedido em 2000; o itinerário continua. O que o Papa escreve está na linha do discurso habitual de Roma, desde 76, por isso não é novo. Nós temos uma posição clara que trazemos há tempos e que mantemos mesmo que estejamos em contraste com esta lei, existem sérias razões que justificam o fato de exercer legitimamente este ministério. São as circunstâncias nas quais se encontra a Igreja que nós chamamos de ‘estado de necessidade’. Por exemplo, quando uma grande catástrofe atinge um país, retira de uso a estrutura ordinária, entra em crise o sistema e então, todos os que podem ajudar, ajudam. E por isso, não é nossa vontade pessoal, mas as necessidades dos fiéis, que necessitam da ajuda de todos aqueles que podem ajudar. E esse estado de necessidade é bastante generalizado na Igreja – há certamente algumas exceções – para poder garantir, conscientemente, o exercício legítimo do apostolado.
Q: Que status jurídico espera para a Fraternidade São Pio X? Uma prelazia, uma sociedade de vida apostólica, o quê?
R: Dependerá de Roma, evidentemente, que é a autoridade que decide nesta estrutura. A sua perspectiva é a vontade de respeitar ao máximo a realidade que nós representamos. A minha esperança é que estejamos suficientemente protegidos no exercício do apostolado para poder fazer o bem, sem sermos sempre impedidos na ação por razões jurídicas. A esperança é uma prelazia, embora eu não tenha uma preferência. Sobre o momento não posso dizer, tudo depende de Roma.
Q: Para Williamson, o Concílio Vaticano II é uma “torta envenenada” que deve ser jogada na ‘lixeira’, para Tissier de Mallerais o Concílio deveria ser “cancelado” e para Alfonso de Gallareta não há ‘muito para salvar’ do Concílio: é uma divisão no seio da Fraternidade São Pio X? Como pensa resolvê-la? O Vaticano afirma que dentro da Fraternidade existem divisões.
R: Permito-me dizer que não vejo união nem mesmo no Vaticano. O problema de hoje na Igreja não somos nós. Tornamo-nos um problema apenas porque dizemos que há um problema. Além disso, mesmo que possamos ter a impressão de declarações opostas ou mesmo contraditórias, não há fraturas em nosso interior. Por exemplo, sobre o Concílio, podemos dizer que é quase tudo de se rejeitar. Mas, por outro lado, se pode também falar em tentar salvar aquilo que é possível. Mas não podemos nunca dizer todos a mesma coisa. O Concílio é um misto: há pontos bons e os maus. Mesmo o Papa quando afirma que quer uma hermenêutica de continuidade, que não se quer uma ruptura, rejeita o Concílio interpretado como ruptura.
Q: Dom Williamson é um problema?
R: É um problema totalmente marginal. O que ele disse não tem nada a ver com a crise da Igreja, com o problema de fundo que tratamos há 30 anos depois do Concílio, é uma questão histórica. A questão de saber quantos e como os judeus morreram não é uma questão de fé, nem mesmo uma questão religiosa, é uma questão histórica. Evidentemente estou convencido que ele não abordou esta questão como deveria e tomamos distância. Mas sobre as posições religiosas da Fraternidade acerca do Concílio não vejo nenhum problema com Williamson.
Q: Williamson diz que o Concílio é uma “torta envenenada” para jogar na “lixeira”. Não lhe parece uma frase um pouco forte? O senhor está de acordo?
R: É uma frase polêmica, mas não a condeno. Muitas declarações hoje são feitas de modo polêmico, é uma provocação para tentar fazer as pessoas refletir. Diria o conceito de outro modo, mas não sei se não estou de acordo. Diria o conceito de outro modo, diria que devemos superar o Concílio para retornar àquilo que a Igreja sempre ensinou e do qual a Igreja não pode se separar e em algum momento teremos de superior o Concílio que se quis pastoral, mas não doutrinal. Que quis se ocupar com as situações contingentes da Igreja. Mas as coisas mudam e muitas coisas no Concílio já está superadas.
Q: O bispo Williamson havia prometido permanecer em silêncio e continua falando: ele será punido? Se ele continuar afirmando que não é possível um compromisso com Roma sobre o Concílio, será expulso?
R: Não é verdade que Williamson fale freqüentemente. É raríssimo… uma vez disse alguma coisa … e depois, não lhe pedimos para calar sobre todas as coisas. O campo em que lhe pedimos silêncio era muito limitado. Era uma saída momentânea. A minimizo ao máximo… é pouca coisa… No momento não vejo qualquer razão para expulsão. Depende dele, a partir das situações nas quais se coloca. Para o momento, há um processo em curso, foi seriamente danificada a reputação, não imagino neste momento nada além do que a situação já é. Dependerá daquilo que dirá. Já está suficientemente punido, colocado de lado, sem nenhum encargo.
Q: E sobre o Concílio, o senhor aceitará fazer concessões a Roma?
R: Não devemos fazer qualquer concessão sobre o Concílio. Não tenho nenhuma intenção de fazer concessões. A verdade não suporta concessões. Não queremos um compromisso, queremos clareza sobre o Concílio.
Q: As recentes ordenações de sacerdotes foram vistas como uma provocação: não era melhor evitar, neste momento delicado?
R: Não foram uma provocação. Alguns bispos se aproveitaram da ocasião para bradar a provocação. Mas nem para Roma, nem para nós, foram uma provocação. É como tirar a respiração de uma pessoa. Nós somos uma sociedade sacerdotal cujo objetivo é formar sacerdotes. E, portanto, impedir o ato último de formação que é a ordenação, é como impedir alguém de respirar. Por outro lado, sempre tivemos em mente que a revogação das excomunhões faria surgir uma nova situação, a qual é melhor do que a anterior, mas não perfeita. Para nós, é normal seguir adiante com as nossas atividades e, portanto, também com as ordenações.
Q: L’Osservatore Romano falou de Calvino, Michael Jackson, Harry Potter, Oscar Wilde. O que o senhor acha?
R: Eu me pergunto: é realmente o papel do L’Osservatore Romano se ocupar destas coisas? Esta é uma primeira pergunta. E a segunda pergunta é: Aquilo que diz sobre essas pessoas é realmente a coisa justa? Tenho um olhar bastante crítico sobre estas apresentações.
Q: Pensa que com este Papa se possa finalmente chegar a uma conclusão na longa questão dos lefebvrianos?
R: Creio que seja certamente uma boa esperança. Penso que devemos rezar muito, são questões muito delicadas. Estamos nesta condição há 40 anos e não por questões pessoais, mas verdadeiramente por coisas sérias que tocam a fé e o futuro da Igreja. Vemos certamente no Papa uma autêntica vontade de querer ir a fundo no problema e isso acolhemos com muita satisfação. Rezamos e esperamos que com a graça do bom Deus cheguemos a algo de bom para a Igreja e para nós.
Q: O que pensa de Bento XVI?
R: É uma pessoa íntegra, que toma a situação e a vida da Igreja muito seriamente.
Fonte: APCOM, via Papa Ratzinger blog










Na Igreja Latina, a fé viva na Presença Real se ostenta mediante a genuflexão e a postura genuflexa, quando se passa diante ou quando se está em presença da Santa Hóstia Consagrada, ou solenemente exposta, ou em reserva no sacrário. Semelhante atitude baseia-se na Sagrada Escritura. Nela. de fato, lemos que tal atitude é, no fiel, o sinal da adoração. Assim, são louvados os milhares de judeus que “não curvaram os joelhos diante de Baal” (Rom. 11, 4); e, a respeito do Deus verdadeiro, diz o Senhor em Isaías, que “a Ele se curvará todo joelho” (44, 23 – cf. Rom. 14, 11 ). Mais diretamente a Jesus Cristo, declara o Apóstolo que ao seu nome “dobra-se todo joelho, no Céu, na terra e nos infernos ” (Fil. 2, 10). Aliás, era a maneira como externavam sua fé no Salvador aqueles que Lhe pediam algum benefício (cf. Mat. 17, 14; Marc. 1, 40). Na Santa Igreja, o costume de dobrar os joelhos diante do Santíssimo Sacramento, além da adoração devida a tão excelso Senhor, tenciona, outrossim, manifestar reparação pelas injúrias com que a soldadesca infrene ludibriou do misericordioso Salvador, após a flagelação e coroação de espinhos: “de joelhos diante d’Ele, d’Ele zombavam” (Mat. 27, 29).

A gripe suína ganha força neste inverno e já provoca mudanças até mesmo na Igreja Católica. O bispo da Diocese de Santo André, dom Nelson Westrupp, tomou uma medida inédita até o momento: para evitar o contágio entre fiéis, distribuiu comunicado recomendando que a hóstia não seja entregue na boca, que não se reze o Pai-Nosso de mãos dadas e que se suspenda o abraço da paz durante as missas no Grande ABC.
O Santo Padre aceitou hoje a renúncia apresentada pelo senhor bispo da prelazia de Coari, Dom Joércio Gonçalves Pereira, C.SS.R., conforme o art. 401, § 2, do Código de Direito Canônico, que prevê o afastamento por motivo de saúde ou qualquer causa grave que diminua a capacidade de desempenho do ministério episcopal. Ainda não há informações sobre quais seriam os motivos da renúncia do bispo de apenas 55 anos.
"... muitos dos que se dizem católicos ajudam os «revolucionários» . São esses, sempre «moderados», que estimam a «tranquilidade pública» como o bem supremo. Esses católicos tolerantes, condescendentes, brandos, doces, amáveis ao extremo com os maçons e furiosos inimigos de Jesus Cristo, guardam todo seu mal humor para os que gritam «Viva a Religião!» e a defendem sofrendo contínuas penalidades e expondo suas vidas. Para eles, esses últimos são «exagerados e imprudentes, que tudo comprometem com prejuízo dos interesses da Igreja» ".
Que tenho eu, Senhor Jesus, que não me tenhais dado?… Que sei eu que Vós não me tenhais ensinado?… Que valho eu se não estou ao vosso lado? Que mereço eu, se a Vós não estou unido?… Perdoai-me os erros que contra Vós tenho cometido. Pois me criastes sem que o merecesse… E me redimistes sem que Vo-lo pedisse… Muito fizestes ao me criar, muito em me redimir, e não sereis menos generoso em perdoar-me. Pois o muito sangue que derramastes e a acerba morte que padecestes não foram pelos anjos que Vos louvam, senão por mim e demais pecadores que Vos ofendem… Se Vos tenho negado, deixai-me reconhecer-Vos; Se Vos tenho injuriado, deixai-me louvar-Vos; Se Vos tenho ofendido, deixai-me servir-Vos. Porque é mais morte que vida, a que não empregada em vosso santo serviço… - Padre Mateo Crawley-Boevey