Após nomear novo arcebispo de Recife Dom Fernando Saburido, que declarou deixar facilmente “de lado a política canônica” por ser “mais pastoral” que seu predecessor, esperamos verdadeiramente que Sua Santidade, o Papa Bento XVI, tome as medidas necessárias para corrigir a lastimável série de afrontas à moral católica perpetrada pela própria Cúria Romana. De outra maneira, a aceitação da renúncia de Dom José num momento tão crítico (quando motivos menos importantes são suficientes para prolongar o governo de outros bispos que ultrapassam seus 75 anos), somada à nomeação de um bispo que fez rejubilar a corja do clero pernambucano, só poderia soar como uma chancela do próprio Papa a todos os desmandos desta que poderá se tornar a maior chaga de seu pontificado.
Abaixo publicamos importante artigo de Sandro Magister (tradução e comentários do blog Oblatvs):
Segredo Vaticano, mas não muito – Os acadêmicos pró-vida recusam seu presidente
Sobre os desenvolvimentos da controvérsia acesa pelo artigo do arcebispo Rino Fisichella sobre o caso da menina brasileira levada a abortar os gêmeos que trazia no ventre, www.chiesa deu informações no serviço disponibilizado na rede em 3 de julho: “O caso de Recife. Roma falou, mas o caso não está encerrado”.
Aos fatos públicos ali apresentados, acrescentem-se importantes movimentos nos bastidores.
O artigo de Fisichella – publicado em 15 de março na primeira página do “L’Osservatore Romano” – impressionou não somente pelo conteúdo e pela modalidade da publicação, mas porque o seu autor é presidente da pontifícia academia para a vida.
E então, 27 dos 46 membros desta academia escreveram em 4 de abril passado uma carta coletiva a Fisichella, pedindo-lhe que corrigisse as posições “erradas” expressas por ele no artigo.
Em 21 de abril, Fisichella responde-lhes por escrito, rejeitando o pedido.
Em 1º de maio, 21 dos signatários da carta precedente se dirigem, pois, ao cardeal William Levada, prefeito da congregação para a doutrina da fé, pedindo à congregação um pronunciamento esclarecedor sobre a doutrina da Igreja em matéria de aborto.
A carta foi entregue em 4 de maio, mas não recebeu resposta. Os autores souberam por um funcionário da congregação que a carta foi encaminhada ao Secretário de Estado, cardeal Tarcisio Bertone, “uma vez que o artigo de Fisichella fora escrito a seu pedido”.
Dois membros da pontifícia academia para a vida transmitiram então diretamente ao papa um dossiê sobre o acontecido.
Em 8 de junho Bento XVI teria discutido o caso com Bertone e teria ordenado que fosse publicada uma declaração que reafirmasse a doutrina da Igreja em matéria de aborto.
Mas tal texto ainda não viu a luz do dia. Há quem se oponha a que seja publicado no “L’Osservatore Romano”. E há quem desejaria que fosse transmitido por via reservada somente a um restrito número de destinatários: os bispos e os acadêmicos mais diretamente envolvidos na controvérsia.
[Comentário de Pe. Clécio]
Finalmente ficamos sabendo a pedido e sob autoridade de quem foi escrito o vergonhoso artigo de Fisichella. Os acadêmicos se moveram e levaram o caso a Levada que transmitiu “mateus” a quem o pariu. Como Bertone fez pouco do pedido, apresentaram o caso ao Papa, que decidiu: uma declaração que reafirmasse a doutrina da Igreja.
Desnecessário dizer que tal declaração seria favorável a Dom José Cardoso Sobrinho e desmascararia a posição falsamente “pastoral” de Rino/Bertone. Cadê o texto?
Magister afirma que há quem se oponha a que saia no “L’Osservatore”. Por que razão o incógnito supõe que o jornal do Papa não seja adequado para publicar uma declaração que reafirme a doutrina da Igreja? Para não ferir sensibilidades prelatícias? Para não avechar o presidente da academia para a vida?
Lançar às feras um pobre arcebispo latinoamericano “sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior” pode!
Fonte: Settimo Cielo
Tradução: OBLATVS








"... muitos dos que se dizem católicos ajudam os «revolucionários» . São esses, sempre «moderados», que estimam a «tranquilidade pública» como o bem supremo. Esses católicos tolerantes, condescendentes, brandos, doces, amáveis ao extremo com os maçons e furiosos inimigos de Jesus Cristo, guardam todo seu mal humor para os que gritam «Viva a Religião!» e a defendem sofrendo contínuas penalidades e expondo suas vidas. Para eles, esses últimos são «exagerados e imprudentes, que tudo comprometem com prejuízo dos interesses da Igreja» ".
Que tenho eu, Senhor Jesus, que não me tenhais dado?… Que sei eu que Vós não me tenhais ensinado?… Que valho eu se não estou ao vosso lado? Que mereço eu, se a Vós não estou unido?… Perdoai-me os erros que contra Vós tenho cometido. Pois me criastes sem que o merecesse… E me redimistes sem que Vo-lo pedisse… Muito fizestes ao me criar, muito em me redimir, e não sereis menos generoso em perdoar-me. Pois o muito sangue que derramastes e a acerba morte que padecestes não foram pelos anjos que Vos louvam, senão por mim e demais pecadores que Vos ofendem… Se Vos tenho negado, deixai-me reconhecer-Vos; Se Vos tenho injuriado, deixai-me louvar-Vos; Se Vos tenho ofendido, deixai-me servir-Vos. Porque é mais morte que vida, a que não empregada em vosso santo serviço… - Padre Mateo Crawley-Boevey