Arquivo para julho, 2009

julho 20, 2009

Curtas da semana.

Novo ’round’ em Limeira. Para Dom Vilson, pedido por missa tradicional é absurdo.

Download arquivo PDFMatéria de 17 de julho do jornal O Liberal, da cidade de Americana, pertencente à Diocese de Limeira. Espantado pelo fato de que a missa gregoriana seja buscada por um grupo de jovens, Dom Vilson lança novos disparates. O download da matéria (arquivo PDF) pode ser feito clicando na imagem ao lado.

“Não há um dia em que eu não seja ameaçado de morte”.

Jogo dos poderosos: Ontem eles ainda eram supostamente inimigos rancorosos e hoje já são grandes amigos. Ninguém consegue entender isso. Agora começam as perseguições à Igreja.

Cardeal Oscar Andrés Rodríguez Maradiaga(kreuz.net) Em Honduras existe há muito tempo uma campanha muito forte, por ser financiada com muito dinheiro, controlada pelo Presidente venezuelano Hugo Chávez. Assim informa o Arcebispo de Tegucigalpa, Oscar Andrés Rodríguez Maradiaga, em 15 de julho, em uma entrevista para a edição on-line do ‘Frankfurter Zeitung’. Segundo informações do Cardeal, os agentes do serviço secreto venezuelano estão ativos no país. Eles organizam o suposto protesto popular contra a deposição do Presidente Manuel Zelaya. Nesse clima o cardeal Rodríguez não tem motivos para rir: “Não há um dia em que eu não seja ameaçado de morte.” O prelado havia alertado em nome da Conferência Episcopal o presidente deposto Manuel Zelaya contra um retorno a Honduras a fim de evitar mais violência. A Igreja Católica se opõe, uma vez que forças estrangeiras tomam posse de seu país: “Os agentes já estão trabalhando contra a Igreja com métodos semelhantes àqueles que conhecemos na Venezuela.” No domingo passado a Santa Missa não pôde ser celebrada em nenhuma das três igrejas do centro da cidade de Tegucigalpa porque grupos de esquerda haviam esvaziado as igrejas e ameaçado os fiéis. Para o Cardeal é um “absurdo” comparar a deposição de Zelaya com muitos golpes de estado na História da América Latina: “Neste caso não existe sequer nenhum militar que de alguma maneira ouviu o governo.” O jornal ‘Frankfurter Allgemeine’ indaga o Cardeal porque o governo americano respaldou publicamente “em harmonia confiante com Chávez e seus seguidores” o Presidente deposto de Honduras. A resposta do Cardeal: “Muitos hondurenhos saberiam muito bem disso. Porém, ninguém consegue nos explicar.”

D. Nicola Bux: oração e jejum contra desorientações.

‹‹ Façamos um exemplo: certa crítica bíblica, que procurou “tirar a mitologia” do Antigo Testamento, muitas vezes não conduziu a uma mais autêntica fé, mas a comportamentos de real e perigosa soberba; se chegou a pensar que as testemunhas oculares, e aqueles que escreveram o Novo Testamento, baseando-se em testemunhas diretas, tivessem somente “projetado” as suas personalidades sobre eventos de Cristo: nasceu o Cristo da fé, inexplicavelmente e ilogicamente separado daquele da história. Podemos nos perguntar: “Não poderia ser que os exegetas modernos tenham projetado o seu ceticismo, o seu estilo e seu comportamento sobre nas pessoas do I século?” (M.D.O’Brien, O inimigo, Cinisello Balsamo 2006, p. 175-176; 308). Em tal contexto de fraqueza nasceu a força do recente Magistério dos últimos dois pontífices. Somente a invocação ao Espírito Santo, por parte de muitas almas que rezam e jejuam pela vitória contra os espíritos inimigos, é remédio a tais “desorientações”. A Igreja recebe a graça, esta é a palavra e a realidade tão esquecida, de escutar e obedecer a tudo aquilo que Deus pede. Um dom, não uma força ou uma sabedoria humana. É preciso aceitar ser humildes e fracos, mendigos, e Aquele que criou o universo enche de força ›› . Do artigo “Deus escolhe aquilo que é fraco” dos Padres Nicola Bux e Salvatore Vitiello.

França: como se o Concílio não tivesse acontecido… ao menos para os tradicionalistas.

banderaDe La Cigüeña de la Torre: Os seminaristas: eram 4.536 em 1966; 784 em 2005; 756 em 2007; e 740 em 2008. Dioceses como Pamiers, Belfort, Agen, Perpignan, etc. não têm nenhum seminarista. Ordenações: Depois da brutal queda nos anos que seguiram o Concílio (825 ordenações diocesanas em 1956 e 99 em 1977), houve ultimamente 90 em 2004, 98 em 2005, 94 em 2006, 101 em 2007 e 98 em 2008″. ” O peso moral do tradicionalismo é muito importante na França: com 388 lugares de culto dominicais, isto é, mais de quatro por diocese (204 “autorizados” e 184 atendidos pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) e suas comunidades amigas (“lefebvristas”), a sensibilidade tridentina, considerando todas as suas tendências, representa o equivalente de duas dioceses francesas de média importância. Além dos lugares de culto, dispõe de uma rede importante de escolas não conveniadas (sem subvenção), que são um viveiro de vocações. Os sacerdotes que celebram missa de São Pio V são de 250 a 300 (150 FSSPX), de idade média muito inferior aos sacerdotes em atividade. Os seminaristas para o modo extraordinário eram 160 (dos quais uns quarenta da Fraternidade Sacerdotal São Pio X) em 2008-2009, frente a 740 seminaristas diocesanos. Em um ou dois anos, um seminarista a cada quatro será do modo extraordinário. Ordenações: em 2009 foram ordenados para o modo extraordinário 15 sacerdotes franceses (dos quais 6 eram da FSSPX). A “taxa de fecundidade sacerdotal” do meio tradicionalista é idêntica à do catolicismo francês anterior ao concílio”.

Obama visita o Papa e ganha um presentinho muito oportuno.

Papa recebe Obama‹‹ Kreuz.net – Vaticano. Na sexta-feira (dia 10) à tarde o Papa Bento XVI recebeu o Presidente dos EUA Barack Obama. “É uma grande honra para mim. Muito obrigado” – esclareceu Obama ao cumprimentá-lo. O discurso na biblioteca pontifícia durou cerca de quarenta minutos. Bento XVI presenteou o Presidente pró-aborto e pró-homossexualismo com uma edição de sua Encíclica Social ‘Caritas in Veritate’. Obama trouxe ao Papa uma estola do túmulo do Santo Bispo John Neumann da Filadélfia († 1860). Ao final apareceu Michelle Obama na biblioteca – trajando um vestido negro e véu na cabeça ›› . Além da recente encíclica,  Obama recebeu de Bento XVI um exemplar da Instrução da Congregação para a Doutrina da Fé (então dirigida por ele mesmo) Dignitas Personae, onde é reafirmado o ensino da Igreja acerca do aborto e outras questões de bioética.

Divisão dos anglicanos parece inevitável.

Anaheim (kath.net/idea) Uma divisão da comunidade mundial anglicana devido ao trato com o homossexualismo parece inevitável. Os bispos da Igreja Episcopal dos EUA, como a Igreja Anglicana nos EUA se chama, aceitaram uma Resolução dos leigos e do clero, a qual possibilita o acesso irrestrito ao sacerdócio por parte de gays e lésbicas que vivem em união estável. Assim, a Igreja Episcopal dos EUA se arrisca a ser excluída da comunidade mundial anglicana. [...] Conservadores constroem uma Igreja própria: Em 2003 a Igreja Episcopal consagrou ao episcopado o religioso de New Hampshire Gene Robinson, o qual vivia em parceria homossexual e, dessa forma, desencadeou uma discórdia na comunidade anglicana mundial. Sobretudo as Igrejas conservadoras teológicas crescentes no Terceiro Mundo ficaram chocadas porque consideram a ordenação e consagração episcopal de homossexuais praticantes como incompatível com a Bíblia e o magistério da Igreja. 230 bispos conservadores teólogos boicotaram a conferência episcopal mundial no ano passado.  [...] A comunidade anglicana mundial consiste de 38 provinciais eclesiais independentes com cerca de 70 milhões de membros. O Arcebispo de Canterbury, Rowan Williams, atua como chefe espiritual. Na recente assembléia geral ele admoestou em vão a Igreja Episcopal dos EUA para que não pusesse em jogo a unidade da igreja. Williams lamentou agora a decisão de permitir a ordenação de homossexuais assumidos.

Gripe Suína ou vírus do progressismo?

Kreuz.net – Portugal. Em Portugal os fiéis devem todos receber a Comunhão na mão devido ao suposto perigo da gripe suína. Assim falou o porta-voz da Conferência Episcopal portuguesa, Pe. Vitor Feytor Pinto, informou a Agencia ‘AFP’. Junto com a Comunhão na mão a água benta à entrada das igrejas também está proibida.

Católico que combateu a magia será o primeiro santo da África do Sul?

Depois que Benedict Daswa, no início de 1990, se negou a dar dinheiro para um mágico caçador de bruxas, ele foi apedrejado e espancado até a morte por seus compatriotas.

Tzaneen (kath.net/RNA) Benedict Daswa (1946-1990), um católico que combatia a magia, deverá ser o primeiro santo da África do Sul. Conforme o serviço de imprensa africano Cisa informou na terça-feira, a diocese de Tzaneen concluiu o exame em nível diocesano para a abertura do processo de canonização e acaba de enviar os atos para prova adicional em Roma. Segundo informações da Conferência Episcopal para a África do Sul, Daswa descende do Povo Venda na Província de Limpopo. Ele se tornou católico durante a sua formação no ensino fundamental. Logo ele se tornaria consciente da incompatibilidade entre a Fé Católica e as crenças de bruxaria tradicionais. Desde então ele teria se posicionado de maneira clara tanto na vida privada quanto pública contra as superstições. Ele também se negou a participar da tradicional “caça às bruxas” e se pronunciou contra essa prática, protestando contra o assassinato de inúmeras pessoas que foram acusadas por magos. Depois que no início de 1990 ele se negou a dar dinheiro para um mago, perante o qual as bruxas seriam “espantadas com defumador”, ele foi apedrejado e espancado até a morte por seus compatriotas.

julho 18, 2009

Discussões doutrinais impossíveis?

Ennemond

Le Forum Catholique

pape.-v-quesA questão doutrinal que separa a Santa Sé e a Fraternidade São Pio X se encontra doravante diante de nós como uma ferida limpa. Por nove anos os altos eclesiásticos estão engajados a liberá-la de todas as crostas e curativos que se acumularam a seu redor: as sanções que pesavam contra os indivíduos foram levantadas, as que se abateram sobre a liturgia finalmente têm sido ultrapassadas. Como cirurgião meticuloso, Bento XVI provou que aspirava resolver uma crise que não é tanto a do tradicionalismo, mas da Igreja.

A situação que resultou de 21 de janeiro e 2 de julho de 2009 contudo não apaziguou os espíritos e faz calar os prognosticadores. E cada um, olhando seu próximo, se questiona: de qual linha miraculosa o Papa vai se servir para dar pontos em tal ferida? Como então se resolverá as discussões doutrinais entre Roma, cujos porta-vozes recordam o caráter incontornável do Concílio, e a Fraternidade, cujos dignitários se esforçam em provar as lacunas, ou mesmo os erros? Ver-se-á Roma abolir o Vaticano II ou Écône pôr fim a seu combate anti-conciliar? Há motivos para deixar cético o espírito de mais de um…

Também são numerosos aqueles, com exceção talvez do papa Ratzinger e do bispo Fellay, que afirmam nas mídias que as discussões vão durar muito tempo, muitíssimo tempo, como se estas negociações devessem constituir um combate de exaustão onde se conduziria a um ou a outro destes dois surpreendentes desfechos. Conseqüentemente, ambas as partes se comprometeriam num impasse? A solução se encontra talvez num abandono não confessado das posições de um e outro.

Há mais de duas décadas, os sedevacantistas afirmam que a Fraternidade abandona, sem verdadeiramente confessar, seus combates de antigamente. Anteriormente, não hesitavam em se prender diretamente a Mons. Lefebvre. Hoje, tentam semear a divisão apresentando os atuais responsáveis desta sociedade religiosa em ruptura com seu fundador. Olhando bem, dificilmente há diferenças sobre o fundo: a propósito da liberdade religiosa, ecumenismo ou colegialidade, os bispos da FSSPX afirmavam e afirmam, como seu antecessor, que, sem ser herético, o Concílio é repleto de ambigüidades e suas conseqüências são nefastas para a Igreja.

De outro lado, um bom número de clérigos e fiéis, sem dúvida para reforçar suas esperanças, afirmam que o papa continuará sendo intransigente, dizem que ele jamais mudou. Todavia, certo número destes, antes confiantes em Bento XVI, terminaram, após quatro anos, por se exasperar e por lhe significar sua irritação. A constância do antigo Cardeal Ratzinger é tão evidente? Ele, que afirmava que Gaudium et Spes representava o papel de um “anti-Syllabus”, que falou a propósito do Vaticano II “de nova definição da relação entre a fé da Igreja e certos elementos essenciais do pensamento moderno”, sabe que o Concílio marcou uma certa ruptura. Para nivelar as diferenças, para recuperar talvez os efeitos nefastos, ele empregou o termo ‘hermenêutica’. Uma relativização das rupturas que foram executadas entre 1962 e 1965 vai então se iniciar. Rezem a fim de que as alterações da Fé sejam dissipadas nesta ocasião.

Aproveitando-se do que chama de uma “reconciliação”, Bento XVI vai portanto se lançar  ao que constituiria seu programa de início de pontificado: reinterpretar o Concílio. Todos os textos que fazem vazar tinta sob seu reino dependem dessa questão: tradicionalistas e, através deles, a compreensão do Concílio. Admitamos, Summorum Pontificum, Die Aufhebung der Exkommunikation ou Ecclesiae Unitatem ofuscaram um pouco Deus Caritas est, Spe salvi ou Caritas in veritate.

Sobre o campo litúrgico, o Papa promoveu de maneira positiva a liturgia tradicional da Igreja. Assim fazendo, lançava abaixo o monopólio de um rito ambíguo. Algumas semanas antes, em fevereiro de 2007, o superior geral da FSSPX então falava “de etapa necessária” sem, contudo, se satisfazer por este estado transitório. Deus ajudando e utilizando  nossa oração, os próximos meses poderiam ver se proclamar a doutrina tradicional da Igreja: a unicidade da salvação em Cristo, o primado do sucessor de Pedro, a liberdade enquanto oposição à licença, mesmo em matéria religiosa; em suma, a fé católica. O fazendo, o Papa lançaria um golpe fatal ao monopólio de uma doutrina ambígua. Isso está longe de ser impossível. No contexto austro-alemão, o princípio da colegialidade está particularmente colocado em perigo. Ademais, sob o efeito de críticas ortodoxas, os esclarecimentos sobre a liberdade religiosa, tomando por base a encíclica Libertas de Leão XIII, poderiam recordar solenemente o que deve ser crido por todo católico. Assim despedaçado, interpretado de maneira tão abusiva, o Concílio correria o risco de perder toda credibilidade, pois não a tirou senão na medida em que o concílio trouxe novidades: liberdade religiosa ou ecumenismo. A afirmação da verdade não poderá senão revelar sua incoerência. As distorções causadas com as linhas de um concílio de quase meio século obrigariam provavelmente a sua relativização na história da Igreja, como para manifestar uma atitude nova da parte dos homens de Igreja. “Temos necessidade de sair – dizia há dois anos Mons. Guido Pozzo – desta ilusão otimista, quase irênica, que caracterizou o pós-Concílio”.

julho 17, 2009

Rezemos pelo Santo Padre.

Declaração do Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Revmo. Pe. Federico Lombardi, S.I.

O Papa Bento XVI, com o pulso direito engessado, acena ao deixar o hospital nesta sexta-feira (17) na cidade italiana de Aosta. (Foto: AP)

O Papa Bento XVI, com o pulso direito engessado, acena ao deixar o hospital nesta sexta-feira (17) na cidade italiana de Aosta. (Foto: AP)

Após uma queda no próprio quarto, esta noite, o Santo Padre sofreu uma leve fratura no pulso direito.

Na parte da manhã, de todo modo, o Santo Padre celebrou missa e tomou um café da manhã, e subsequentemente foi acompanhado até o Hospital de Aosta, onde foi constatada uma leve fratura e se procedeu a imobilização do pulso.

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Nota do Fratres in Unum: O Papa já levou alguns leves tropeços anteriormente, como na Missa de Pentecostes em 2008 e na Páscoa deste ano. Rezemos pela saúde do Santo Padre.

[Atualização - 17 de julho de 2009, às 08:29] Le Figaro: “O Papa Bento XVI está em vias de ser operado de sua fratura no pulso direito, após uma queda à noite. Encontra-se sob anestesia geral [na realidade foi apenas uma anestesia local - ver notícias posteriores abaixo], de acordo com a agência Ansa, citando uma fonte médica”.

[Atualização - 17 de julho de 2009, às 09:38] La Repubblica: Aosta, o Papa está bem – recomposta fratura no pulso. Médicos esperam dispensá-lo à noite.

AOSTA

Foi concluída a operação à qual Bento XVI se submeteu para a redução da fratura no pulso direito provocada por uma queda em seu chalé em Les Combes. “Nada sério, não se tratava de uma indisposição”, garante o padre Lombardi, secretário da sala de imprensa vaticana.

[...]

Do hospital.

Os médicos Manuel Mancini, chefe de ortopedia do hospital Umberto Parini de Aosta  e Enrico Visetti, chefe do departamento de reanimação, submeteram o Papa a uma  redução incruenta em leve anestesia local da fratura do pulso direito. Os médicos de Aosta, após a radiografia e os resultados negativos dos exames efetuados nesta manhã, juntamente com um check-up geral e análises anestesiológicas já realizadas, decidiram proceder a cirurgia.

A espera.

Quando o Papa Bento XVI chegou ao hospital Parini de Aosta, pediu para ser tratado como os demais pacientes, e – segundo o quanto se soube – esperou por sua vez tanto no departamento de radiologia como na sala operatória para a cirurgia. Em particular, a intervenção cirúrgica do Pontífice foi ligeiramente atrasada porque a sala operatória estava ocupada por uma peritonite aguda.

A volta para casa.

Os médicos esperam poder dispensá-lo à noite, o permitindo retornar à sua residência de verão de Les Combes. Anunciou o porta-voz do hospital de Aosta, Tiziano Trevisan. “Isso – afirmou – compativelmente com as condições de Bento XVI após a operação.”

O precedente.

Já faz 17 anos, quando ainda era cardeal e prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Joseph Ratzinger teve um incidente semelhante, durante um período de férias em Bressanone; era agosto de 1992, e o futuro papa (então tinha 65 anos) caiu no banheiro batendo a cabeça e se feriu.

© Copyright Repubblica online

[Atualização - 17 de julho de 2009, às 10:10] AGR – AOSTA: Os médicos do hospital Parini de Aosta excluiram que Bento XVI  tenha tido um mal estar antes de cair no banheiro da casa de campo em que está passando férias. (AGR)

[Atualização - 17 de julho de 2009, às 12:22] Vatican Information Service:  [...] ‹‹ o Papa “foi submetido a uma intervenção de redução da fratura e osteossintese em anestesia local, com aplicação de um gesso. As condições gerais do Santo Padre são boas”, acrescentou o médico do Pontífice, Patrizio Polisca, especificando que “o Papa regressará em breve para sua residência” ››

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julho 16, 2009

Fotos da Missa na Igreja do Outeiro da Glória, Rio de Janeiro.

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Nosso leitor Alex Fontes nos envia algumas fotos da Santa Missa celebrada no último sábado na Capela de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, Rio de Janeiro, por Monsenhor Sérgio Costa Couto (Arquidiocese do Rio de Janeiro). A Santa Missa foi assistida pelo Padre José Edilson de Lima, da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney.

A próxima Santa Missa na capela já está marcada: 8 de agosto, às 12:30.

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julho 15, 2009

Grandes retornos. “Iota unum” e “Stat veritas” de Romano Amerio.

Link para o original.Retornam às livrarias duas obras capitais da cultura católica e cai definitivamente o tabu sobre um dos maiores intelectuais cristãos do século XX. A questão enfatizada por ele é a mesma que está no centro do pontificado de Bento XVI: quando e de que modo pôde a Igreja mudar?

por Sandro Magister

ROMA, 15 de julho de 2009 – A partir de amanhã retornam às livrarias italianas, editados por Lindau, dois volumes situados entre os clássicos da cultura católica, cujo conteúdo está em impressionante sintonia com o título e com o fundamento da terceira encíclica de Bento XVI: “Caritas in veritate”.

Os dois volumes têm por autor Romano Amerio, literato, filósofo e teólogo suíço, falecido no ano de 1997 aos 92 anos de idade. Alguém que o estimava muito, o teólogo e místico don Divo Barsotti, sintetizou assim o conteúdo dos dois volumes:

Roma Amerio - Moribus antiquis stat res romana virisque (Ennius)

“Amerio diz em substância que os males mais graves presentes hoje no pensamento ocidental, inclusive no pensamento católico, se devem principalmente a uma desordem mental geral pela qual se põe a ‘caritas’ a frente da ‘veritas’, sem pensar que esta desordem subverte também a reta concepção que devemos ter da Santíssima Trindade”.

Com efeito, Amerio vê precisamente neste desmoronamento do primado do Logos sobre o amor – ou seja, na caridade desvinculada da verdade – a raiz de muitas “variações da Igreja católica no século XX”: as variações que ele descreveu e submeteu à crítica no primeiro e mais imponente dos dois volumes citados: “Iota unum”, escrito entre 1935 e 1985; as variações que o levaram a lançar a questão se com elas a Igreja não se converteu em algo diferente de si mesma.

Muitas das variações analisadas em “Iota unum” – mas bastaria uma só, um “iota” que está em Mateus 5, 18 e que dá o título ao livro – impulsionariam o leitor a pensar que na Igreja se produziu uma mutação da essência. Mas Amerio analisa, não julga. Melhor dizendo, como cristão íntegro que é, deixa o juízo para Deus, e recorda que “portae inferi non praevalebunt”, as portas do inferno não prevalecerão, isto é, para a fé é impossível pensar que a Igreja possa perder a si mesma. Sempre haverá uma continuidade com a Tradição, também dentro das turbulências que a obscurecem e fazem pensar o contrário.

Há um estreito vínculo entre as questões lançadas em “Iota unum” e o discurso de Bento XVI de 22 de dezembro de 2005 à cúria romana, discurso capital, já que remete à interpretação do Concílio Vaticano II e sua relação com a Tradição…

Isso não muda o fato de que o estado da Igreja descrito por Amerio de maneira alguma seja pacífico.

No discurso de 22 de dezembro de 2005, Bento XVI comparou a babel da Igreja contemporânea com o marasmo que no século IV seguiu o Concílio de Nicéia, descrito por São Basílio, testemunha da época, como “uma batalha naval na escuridão da uma tempestade”

No epílogo que Enrico Maria Radaelli, fiel discípulo de Amerio, publica no final desta edição de “Iota unum”, a situação atual é, por sua vez, comparada com o cisma do Ocidente, ou seja, com os quarenta anos transcorridos entre os séculos XIV e XV que precederam o Concílio de Constança, com a cristandade sem guia e sem uma “regra da fé” segura, dividida contemporaneamente entre dois ou até três Papas.

Em todo caso, reeditado hoje depois de vários anos, “Iota unum” se confirma como um livro não só extraordinariamente atual, mas “construtivamente católico”, em harmonia com o magistério da Igreja. No epílogo, Radaelli o mostra de forma irrefutável. A conclusão do epílogo está reproduzida logo abaixo.

Quanto ao segundo livro, “Stat veritas”, publicado por Amerio em 1985, está em continuidade linear com o anterior. Nele compara a doutrina da Tradição católica com as “variações” que o autor reconhece em dois textos do magistério de João Paulo II: a carta apostólica “Tertio millennio adveniente”, de 10 de novembro de 1994, e o discurso ao Collegium Leoninum de Paderborn, de 24 de junho de 1996.

O retorno de “Iota unum” e “Stat veritas” às livrarias faz justiça tanto a seu autor como à censura de fato que se abateu durante longos anos entre ambos livros capitais do autor. Na Itália, a primeira edição de “Iota unum” foi reimpressa três vezes, com uma tiragem total de sete mil exemplares, apesar de suas quase setecentas páginas que obrigam uma leitura atenta. Logo foi traduzido para o francês, inglês, espanhol, português [nota do Fratres in Unum: não é de nosso conhecimento nenhuma tradução portuguesa de Iota Unum], alemão e holandês. Reuniu dezenas de milhares de leitores em todo o mundo. Mas era tabu para os órgãos católicos oficiais e para a autoridade da Igreja, assim como naturalmente era para os adversários. Caso mais único que raro, este livro foi um “long seller” clandestino. Continuou sendo pedido mesmo quando se esgotou nas livrarias.

O rompimento do tabu é recente, em congressos, comentários e revisões. “La Civiltà Cattolica” e “L’Osservatore Romano” também despertaram. No começo do ano de 2009 apareceu na Itália uma primeira reedição de “Iota unum”, junto aos textos clássicos de “Fè & Cultura”. Mas esta nova edição do livro, a cargo de Lindau, junto à de “Stat veritas”, tem além disso o valor do cuidado filológico por parte de Radaelli, o máximo conhecedor e herdeiro intelectual de Amerio. Seus dois vastos epílogos são verdadeira e realmente ensaios, indispensáveis para compreender não apenas o sentido profundo dos dois livros, mas também sua permanente atualidade. Lindau, com Radaelli a cargo da obra, tem a intenção de publicar nos próximos anos a imponente “opera omnia” de Amerio.

A seguir, apresentamos uma brevíssima degustação do epílogo a “Iota unum”: as considerações finais.

Toda a Igreja é um “iota”.

por Enrico Maria Radaelli

[...] A conclusão é que Romano Amerio se revela como o pensador mais atual e estimulante do momento. Com a elegância intelectual que distinguiu todos os seus escritos, com “Iota unum” ele oferece um pensamento muito construtivamente católico, preenchendo um espaço filosófico e teológico de outra forma incerto a respeito de questões sérias.

Ele identifica e indica que na Igreja há uma crise, uma crise que parece dominar a Igreja, embora mostre que não a dominou; que parece derrubá-la, embora não tenha derrubado.

Identifica logo e indica com clareza a causa primeira desta crise numa variação antropológica, e sobretudo, metafísica.

Identifica e indica por último os instrumentos lógicos (inscritos no Logos) necessários e suficientes (heroicamente suficientes, mas suficientes) para superá-la.

Amerio faz tudo isso desenvolvendo um “modelo de continuidade” com a Tradição, de ordenada e por isso perfeita obediência ao Papa, de íntima adesão à regra próxima da fé, que pareceria ilustrar totalmente como se compreende esta “hermenêutica da continuidade” pedida pelo Papa Bento XVI no discurso à cúria romana, de 22 de dezembro de 2005, para manter-se seguro no caminho da razão, o que significa dizer sobre o caminho da salvação, isto é, sobre o caminho da Igreja para alcançar a vida.

Romano Amerio: crítico sim, mas jamais descontinuador. Este “modelo de continuidade” totalmente ameriano espera hoje ser finalmente reconhecido, e por isso finalmente apreciado. Quem sabe, quiçá, também seguido, para o bem comum (teórico e prático, filosófico e ético, doutrinal e litúrgico) da Cidade de Deus, com a simplicidade e valores necessários.

Se com o uso da ambigüidade a da contradição se chegou a concluir uma revolução antropológica a favor das fantasias mais vãs, quanto mais se poderá concluir, a com menos esforço, uma ainda mais sã revolução antropológica a favor da Realidade, já que é mais fácil ser simples que complicado.

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Os livros:

Romano Amerio, “Iota unum. Studio delle variazioni della Chiesa cattolica nel secolo XX”, a cura di Enrico Maria Radaelli, prefazione del card. Darío Castrillón Hoyos, Lindau, Torino, 2009.

Romano Amerio, “Stat veritas. Séguito a Iota unum”, a cura di Enrico Maria Radaelli, Lindau, Torino, 2009.

Além da italiana, está disponível também a versão inglesa de “Iota unum”:

Romano Amerio, “Iota unum. A Study of Changes in the Catholic Church in the Twentieth Century”, Sarto House, Kansas City, MO, 1996.

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Os serviços anteriores de www.chiesa sobre Romano Amerio:

> Grandes retornos: Romano Amerio y las variaciones de la Iglesia católica
(15.11.2007)

> “La Civiltà Cattolica” rompe el silencio. Sobre Romano Amerio (23.4.2007)

> Fine di un tabù: anche Romano Amerio è “un vero cristiano”
(6.2.2006)

> Un filosofo, un mistico, un teologo suonano l’allarme alla Chiesa (7.2.2005)

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Sobre Enrico Maria Radaelli, discípulo de Amerio, e sobre seu livro “Ingresso alla bellezza”:

> Todos a ver el “sagrado teatro celestial”. Un teólogo hace de guía (15.2.2008)

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Recentemente apareceram na Itália outros dois livros que afronta desde o ponto de vista tradicionalista a questão das “variações” da Igreja católica durante o Concílio Vaticano II e depois deste.

O primeiro é uma tradução de um volume publicado nos Estados Unidos, escrito por um renomado filósofo católico da escola tomista, professor na Universidade de Notre Dame e membro da Pontifícia Academia Santo Tomás de Aquino:


Ralph McInerny, “Vaticano II. Che cosa è andato storto?”, Fede & Cultura, Verona, 2009.

O segundo tem por autor Monsenhor Brunero Gherardini, de 84 anos de idade, ex decano da Faculdade de Teologia da Pontifícia Universidade Lateranense e diretor da revista “Divinitas”. Este livro é aberto com dois prefácios de caráter elogioso: um escrito pelo bispo de Albenga, Mario Oliveri, e o outro pelo arcebispo de Colombo, Sri Lanka, Albert Malcolm Ranjith, até poucos meses secretário da Congregação vaticana para o Culto Divino.

O autor sustenta que nos documentos – não infalíveis – do Concílio Vaticano II se produziu aqui e acolá rupturas efetivas com a Tradição. E conclui com uma súplica a Bento XVI para que restaure a doutrina autêntica:

Brunero Gherardini, “Concilio Ecumenico Vaticano II. Un discorso da fare”, Casa Mariana Editrice, Frigento (Avellino), 2009.

julho 14, 2009

Normas para a vida cristã.

Do livro “Think Well On It” do Bispo Richard Challoner. Retirado do boletim paroquial da Igreja de San Juan Bautista, do nosso caríssimo Padre Michael Rodriguez:

1) Põe em tua alma o desejo firme de não consentir com o pecado mortal por motivo algum.

2) Sê diligente em perceber toda a ocasião de pecado e tentação e evitar ou deixar tal situação imediatamente.

3) Resiste ao início de qualquer maldade; não deixes que teus sentidos e imaginação te levem até o mal.

4) Foge de toda vida de preguiça.

5) Não deixes de rezar dia algum, por motivo algum, as orações da manhã e da noite.

6) Faz um exame de consciência diário como parte das tuas orações pela noite.

7) Separa um tempo para orar diariamente. Diz jaculatórias curtas o dia todo, assim te manterás na presença de Deus.

8) Freqüenta os Sacramentos (Santa Missa e Confissão).

9) Tem uma grande devoção à Paixão de Cristo.

10) Sê particularmente devoto da Santíssima Virgem.

11) Reconhece a tua paixão predominante e faz tudo o que esteja em teu alcance para desenraizá-la.

12) Faz penitência; oferece diariamente reparação por teus pecados passados.

13) Mortifica-te; pratica a negação de ti mesmo.

14) Dá esmola de acordo com as tuas possibilidades (e obras espirituais de caridade).

15) Sê preciso em tuas obrigações de teu chamado e estado de vida.

16) Recorda sempre teu fim último e assim nunca pecarás. (Ecl 7: 40)

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Padre Rodriguez fez um excepcional sermão no último domingo, que merece ser ouvido, acerca da questão Missa Nova e Missa Tradicional.

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julho 12, 2009

Cardeal Walter Kasper: “A atitude da SSPX não é católica”.

Excertos de entrevista concedida pelo Cardeal Walter Kasper a RP Online:

A FSSPX, que atualmente está na boca do povo, justifica a sua ação como atos emergenciais contra o enfraquecimento da Fé. Será que essa afirmação não é um exagero?

Cardeal Walter Kasper

Kasper: Eu até posso compartilhar da análise dos sintomas de deficiência, embora eu não veja as coisas tão negras como a FSSPX. Todavia, não posso pensar de modo algum que um grupo vindo da desobediência possa renovar a Igreja. Você tem que ler o que alguns membros da FSSPX disseram sobre João Paulo II, sobre o Papa atual, inclusive sobre mim – são coisas inacreditáveis.

Os líderes da SSPX são insolentes?

Kasper: A julgar pela atitude deles uma renovação da Igreja é impossível. A atitude da FSSPX também não é católica. Não é possível que indivíduos determinem o que é doutrina Católica. A FSSPX segue basicamente um princípio protestante. Eles se arrojam ao Magistério sobre o Magistério e querem dizer de maneira vinculante o que pertence ou não à tradição eclesiástica.

Seriam esses casos perdidos?

Kasper: Em todo caso, eles não representam um grande perigo para a Igreja. Devemos tentar discutir com eles a fim de obter unidade. Porém, a FSSPX deve refletir sobre o gesto magnânimo do Papa. Na verdade, até agora, não vejo nenhum sinal de reflexão por parte deles. A Igreja Católica não entende a Tradição como a FSSPX, ou seja, de maneira congelada no tempo anterior ao Concílio. Somos uma Igreja viva.

julho 11, 2009

Notas.

Resultado do buquê de rosários promovido pelo MissaTridentina.com.br.

Link para o original

Nossos amigos do MissaTridentina.com.br nos informam do resultado do buquê de rosários pela expansão da Santa Missa Tradicional pelo Brasil.

Abaixo retransmitimos as informações lançadas no site, já que há meses os usuários da Telefônica não conseguem acessá-lo (podem fazê-lo aqui):

“Obrigado a todos os que participaram da Campanha Nacional Um Buquê de Rosários pela Missa Tridentina. Deus lhes pague. O número de terços cadastrados foi de 8850. Em breve, disponibilizaremos a lista de doze bispos que devem receber os resultados de nossa Campanha.  Ajude-nos a fazer com que os nossos resultados cheguem ao maior número de bispos possível!  Caso pretenda dedicar o nosso buquê de quase nove mil terços a seu bispo diocesano – ou mesmo a qualquer outro bispo que não conste em nossa lista – favor nos comunicar através de nosso Formulário de Solicitação, e aguardar retorno via e-mail. O envio será realizado pela administração do site, e os custos de tal operação (impressão, correios, etc.) ficarão sob a responsabilidade do solicitante, que deverá nos repassar o valor previamente, através de depósito em conta bancária. O solicitante receberá, em seu e-mail, o código para rastreamento da correspondência no site dos Correios, e, se necessário for, o comprovante de postagem scanneado. Em razão de nosso sigilo, a lista contendo os dados dos participantes da Campanha não poderá, em hipótese alguma, ser enviada por e-mail. Somente a administração do site e os senhores bispos terão acesso à mesma”

Deo gratias! Muito obrigado aos amigos pelo belíssimo trabalho!

Peregrinação da Fraternidade São Pio X – de Santana do Parnaíba a Pirapora do Bom Jesus.

Clique para ampliar

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O leitor Osmar Maria avisa da peregrinação organizada pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X, neste domingo, 12 de julho, saindo de Santana do Parnaíba e culminando com a Santa Missa na Igreja de Pirapora. Haverá ônibus partindo de São Paulo.

Mais informações no cartaz ao lado.

Resultado do buquê de rosários promovido pelo MissaTridentina.com.br.

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julho 10, 2009

Caso Fisichella: Esclarecimento da Congregação para Doutrina da Fé acerca do aborto provocado.

Esclarecimento da Congregação para Doutrina da Fé

Sobre o aborto provocado.

Recentemente foram recebidas pela Santa Sé diversas cartas, inclusive da parte de altas personalidades da vida política e eclesial, que informaram sobre a confusão criada em vários países, sobretudo na América Latina, após a manipulação e instrumentalização de um artigo de Sua Excelência Monsenhor Rino Fisichella, presidente da Pontifícia Academia para a Vida, sobre a triste história da “menina brasileira”.

Em tal artigo, publicado no “L’Osservatore Romano” de 15 de março de 2009, era proposta a doutrina da Igreja, também tendo em conta a situação dramática da supracitada menina, que – como se pôde notar mais tarde – foi acompanhada com toda sensibilidade pastoral, em particular pelo então Arcebispo de Olinda e Recife, Sua Excelência Monsenhor José Cardoso Sobrinho. A respeito, a Congregação para a Doutrina da Fé reitera que a doutrina da Igreja sobre o aborto provocado não mudou nem poderia mudar.

Tal doutrina foi exposta nos números 2270-2273 do Catecismo da Igreja Católica nestes termos:

“A vida humana deve ser respeitada e protegida, de modo absoluto, a partir do momento da concepção. Desde o primeiro momento da sua existência, devem ser reconhecidos a todo o ser humano os direitos da pessoa, entre os quais o direito inviolável de todo o ser inocente à vida. «Antes de te formar no ventre materno, Eu te escolhi: antes que saísses do seio da tua mãe, Eu te consagrei» (Jr 1, 5). «Vós conhecíeis já a minha alma e nada do meu ser Vos era oculto, quando secretamente era formado, modelado nas profundidades da terra» (Sl 139, 15). A Igreja afirmou, desde o século I, a malícia moral de todo o aborto provocado. E esta doutrina não mudou. Continua invariável. O aborto direto, isto é, querido como fim ou como meio, é gravemente contrário à lei moral: «Não matarás o embrião por meio do aborto, nem farás que morra o recém-nascido» (Didaché, 2, 2). «Deus [...], Senhor da vida, confiou aos homens, para que estes desempenhassem dum modo digno dos mesmos homens, o nobre encargo de conservar a vida. Esta deve, pois, ser salvaguardada, com extrema solicitude, desde o primeiro momento da concepção; o aborto e o infanticídio são crimes abomináveis» (Concilio Vaticano II, Gaudium et spes, 51). A colaboração formal num aborto constitui falta grave. A Igreja pune com a pena canônica da excomunhão este delito contra a vida humana. «Quem procurar o aborto, seguindo-se o efeito («effectu secuto») incorre em excomunhão latae sententiae (Cic, can. 1398), isto é, «pelo fato mesmo de se cometer o delito» (Cic, can. 1314)  e nas condições previstas pelo Direito (cfr. Cic, cann. 1323-1324). A Igreja não pretende, deste modo, restringir o campo da misericórdia. Simplesmente, manifesta a gravidade do crime cometido, o prejuízo irreparável causado ao inocente que foi morto, aos seus pais e a toda a sociedade. O inalienável direito à vida, por parte de todo o indivíduo humano inocente, é um elemento constitutivo da sociedade civil e da sua legislação: «Os direitos inalienáveis da pessoa deverão ser reconhecidos e respeitados pela sociedade civil e pela autoridade política. Os direitos do homem não dependem nem dos indivíduos, nem dos pais, nem mesmo representam uma concessão da sociedade e do Estado. Pertencem à natureza humana e são inerentes à pessoa, em razão do ato criador que lhe deu origem. Entre estes direitos fundamentais  deve aplicar-se o direito à vida e à integridade física de todo ser humano, desde a concepção até à morte»… «Desde o momento em que uma lei positiva priva determinada categoria de seres humanos da proteção que a legislação civil deve conceder-lhes, o Estado acaba por negar a igualdade de todos perante a lei. Quando o Estado não põe a sua força ao serviço dos direitos de todos os cidadãos, em particular dos mais fracos, encontram-se ameaçados os próprios fundamentos dum «Estado de direito» [...]. Como consequência do respeito e da protecção que devem ser garantidos ao nascituro, desde o momento da sua concepção, a lei deve prever sanções penais apropriadas para toda a violação deliberada dos seus direitos » ” (Congregazione per la Dottrina della Fede, Istruzione Donum vitae, III).

Na encíclica Evangelium Vitae, o Papa João Paulo II reafirmou esta doutrina com a autoridade de Supremo Pastor da Igreja: “com a autoridade que Cristo conferiu a Pedro e aos seus Sucessores, em comunhão com os Bispos — que de várias e repetidas formas condenaram o aborto e que, na consulta referida anteriormente, apesar de dispersos pelo mundo, afirmaram unânime consenso sobre esta doutrina — declaro que o aborto directo, isto é, querido como fim ou como meio, constitui sempre uma desordem moral grave, enquanto morte deliberada de um ser humano inocente. Tal doutrina está fundada sobre a lei natural e sobre a Palavra de Deus escrita, é transmitida pela Tradição da Igreja e ensinada pelo Magistério ordinário e universal.” (n. 62).

No que diz respeito ao aborto provocado em determinadas situações difíceis e complexas, vale o ensinamento claro e preciso do Papa João Paulo II: “É verdade que, muitas vezes, a opção de abortar reveste para a mãe um carácter dramático e doloroso: a decisão de se desfazer do fruto concebido não é tomada por razões puramente egoístas ou de comodidade, mas porque se quereriam salvaguardar alguns bens importantes como a própria saúde ou um nível de vida digno para os outros membros da família. Às vezes, teme-se para o nascituro condições de existência tais que levam a pensar que seria melhor para ele não nascer. Mas estas e outras razões semelhantes, por mais graves e dramáticas que sejam, nunca podem justificar a supressão deliberada de um ser humano inocente” (Encíclica Evangelium Vitae, n. 58)

Quanto à problemática de determinados tratamentos médicos a fim de preservar a saúde da mãe, é necessário distinguir bem entre dois casos diversos: de um lado, uma ação que diretamente provoca a morte do feto, por vezes impropriamente chamado aborto “terapêutico”, que não nunca pode ser lícito enquanto é o assassinato direto de um ser humano inocente; de outro lado uma intervenção em si não abortiva que pode ter, como consequência colateral, a morte do filho: “Se, por exemplo, a salvação da vida da futura mãe, independentemente de seu estado de gravidez, requerer urgentemente um ato cirúrgico ou outra aplicação terapêutica que teria como conseqüência acessória, de nenhum modo desejada nem intencionada, mas inevitável, a morte do feto, um tal ato não pode ser dito um direto atentado à vida inocente. Nestas condições, a operação pode ser considerada lícita, como outras intervenções médicas similares, sempre que se trata de um bem de alto valor, isto é, a vida, e não seja possível restituí-la após o nascimento da criança, nem para utilizar outro remédio eficaz “(Pio XII, Discorso al “Fronte della Famiglia” e all’Associazione Famiglie numerose, 27 novembre 1951).

Quanto à responsabilidade dos profissionais de saúde, é preciso lembrar as palavras do Papa João Paulo II: “A sua profissão pede-lhes que sejam guardiães e servidores da vida humana. No atual contexto cultural e social, em que a ciência e a arte médica correm o risco de extraviar-se da sua dimensão ética originária, podem ser às vezes fortemente tentados a transformarem-se em fautores de manipulação da vida, ou mesmo até em agentes de morte. Perante tal tentação, a sua responsabilidade é hoje muito maior e encontra a sua inspiração mais profunda e o apoio mais forte precisamente na intrínseca e imprescindível dimensão ética da profissão clínica, como já reconhecia o antigo e sempre atual juramento de Hipócrates, segundo o qual é pedido a cada médico que se comprometa no respeito absoluto da vida humana e da sua sacralidade (Encíclica Evangelium Vitae, n. 89)

(©L’Osservatore Romano – 11 de julho de 2009)

Fonte: Papa Ratzinger Blog

julho 9, 2009

“Esta é a Fé Católica: a não ser que o homem creia, não poderá salvar-se”.

Na festa dos grandes Santos João Fisher e Thomas Morus, apresentamos a nossos leitores algumas antigas anotações feitas da obra de Michael Davies, Saint John Fisher, The martyrdom of John Fisher, Bishop, during the reign of King Henry VIII, The Neumann Press, Long Prairie, Minnesota, 1998.

* * *

A maneira com que o clero rivalizava entre si para ver quem fazia mais os caprichos do rei foi, talvez, o fato mais desgostoso de toda a história do catolicismo inglês. Os bispos foram os líderes na corrida para capitular. O decano e capítulo de São João, Londres, não só jurou, mas afirmou que Henrique era o único “a quem, sozinho, depois de Jesus Cristo nosso Salvador, nós devemos tudo”.

O juramento exigido das ordens religiosas era ainda mais duro que do restante do clero secular: deviam reconhecer o casto e santo casamento entre Henrique e Ana.

Esperava-se que tal juramento colocasse fim nas ordens religiosas da Inglaterra. Tal esperança foi vã:

“Se as ordens religiosas são vistas como o exército permanente do Papado, nenhum exército já se rendeu tão facilmente”, escreveu o Padre Constant.

Os monges que resistiram podem ser contados à mão. Em 20 de abril de 1535, John Houghton, Augustine Webster e Robert Lawrence, os priores da Charterhouse de Londres, Beauvale e Axelhome foram presos. Juntou-se a eles depois Richard Reynolds, tido como o monge mais sábio da Inglaterra.

Os padres disseram que eram capazes de aceitar tudo o que fosse permitido pela lei de Deus. [Thomas] Cromwell respondeu:

“Eu não admito exceções. Se a Lei de Deus permite ou não, vocês devem jurar sem qualquer reserva que seja, e devem observá-lo também”.

Os monges objetaram que a Igreja Católica havia sempre ensinado o contrário, e tiveram por resposta:

“Eu não me importo em nada com o que a Igreja manteve ou ensinou. Quero que vocês testifiquem por juramento solene que crêem e firmemente sustentam o que nós propomos: que o Rei é o chefe da Igreja da Inglaterra”.

No julgamento, os monges reafirmaram que a supremacia do Papa era instituída por Nosso Senhor. Dois dos jurados se negaram a condenar padres de tão radiante santidade, apesar de ameaças de padecer o mesmo que os monges. Ameaçado, o júri relutantemente considerou os monges culpados. Deveriam ser enforcados, pendurados e esquartejados.

São Thomas Morus e sua filha Margaret testemunharam a triste procissão da janela de sua cela. Lágrimas vieram aos seus olhos vendo a cena. Disse o santo à Margaret:

“Veja, vossa alteza não vê, Meg, que esses benditos padres estão agora alegremente indo à morte como noivos a um casamento”.

Quando jovem, Morus aspirou à vida cartuxa, mas depois decidiu que esta não era sua vocação. Em sua grande humildade disse o santo que Deus estava chamando os monges à vida eterna como prêmio por darem suas vidas em grandes dificuldades, enquanto ele era indigno de tal graça e, portanto, era condenado a uma vida mais longa na terra.

Num ato de barbárie sem precedentes, os monges foram executados com seus próprios hábitos, já que se fossem culpados por traição deveriam ser reduzidos a estado leigo e executados com roupas civis; uma afronta à Igreja nunca vista na Inglaterra católica.

“Ao beato John Houghton Deus dignou-se conceder o sinal de honra em ser o primeiro homem desde os tempos pagãos a sofrer a morte na Inglaterra por ser católico. Após amavelmente abraçar o carrasco, que suplicou seu perdão, o santo mártir entrou na carroça que ficava debaixo da forca; e lá, à vista da multidão, lhe foi perguntado novamente se ele se submeteria à lei do reino, antes que fosse tarde. Nada amedrontado, respondeu: ‘Eu tomo Deus todo-poderoso por testemunha e suplico a todos aqui presentes para atestar por mim no terrível perigo de julgamento, que estando para morrer em público, declaro que neguei-me a obedecer a vontade de Sua Majestade o Rei, não por obstinação, malícia ou espírito de rebeldia, mas somente por medo de ofender à suprema Majestade de Deus. Nossa Santa Mãe decretou e impôs de outra forma que decretaram o Rei e o Parlamento. Estou, portanto, vinculado em consciência e pronto e desejoso a sofrer qualquer tipo de tortura do que negar a doutrina da Igreja. Rezem por mim, e tenham misericórdia de mim, irmãos, de quem fui indigno Prior”.

Rezando sua última oração, disse ele o Salmo 30:

“Em vós, Senhor, coloquei minha esperança; não seja eu desamparado: dai-me a vossa justiça”

Uma grossa corda foi escolhida, por medo de que ele fosse estrangulado e morresse muito rapidamente. A carroça foi retirada e o bom monge, que havia feito tanto bem a muitos e mal a ninguém, estava suspenso como um malfeitor. Após, a parte mais cruel: a corda foi cortada e o corpo caiu no chão, mas John não estava morto. O carrasco enfiou um longo e apavorante garfo, retirou seus intestinos e os queimou num fogo preparado para esta hora.

O pobrezinho estava consciente o tempo todo e enquanto sofria, ouvia-se clamar:

Oh Santíssimo Jesus, tende misericórdia de mim nesta hora!”.

Quando o carrasco colocou sua mão no coração, o beato mártir falou novamente:

“Ó meu bom Jesus! O que vós fareis com meu coração?”

A batalha chegara ao fim. John Houghton foi fiel até o fim e ganhou a coroa da vida.

A todos os mártires era oferecido o pleno perdão se renunciassem sua Fé católica, mas todos preferiram a morte à apostasia. O coração de John Houghton foi esfregado em sua face. Os corpos foram esquartejados e depois pendurados em diversas partes de Londres.

* * *

Fisher recebeu a mesma sentença que os monges cartuxos.

“Meus senhores, estou aqui condenado diante de vós por alta traição por negar a supremacia do Rei sobre a Igreja da Inglaterra, mas por qual ordem de justiça deixo a Deus, que perscruta tanto a consciência de Sua Majestade como as vossas; não menos, sendo considerado culpado como consta nos termos, estou e devo estar satisfeito com tudo o que Deus enviará, cuja vontade eu inteiramente me entrego e submeto. E agora, para dizer claramente o que penso quanto a essa matéria da supremacia do rei, penso realmente, e sempre pensei, e declaro agora pela última vez, que Sua Majestade não pode justamente clamar qualquer supremacia sobre a Igreja de Deus como ele agora clama; nem fora visto ou ouvido que qualquer príncipe temporal anterior a estes dias presumisse a esta dignidade; entretanto, se o Rei irá agora se aventurar em proceder esse caso estranho e raro, então sem dúvidas ele incorrerá na grave ira do Onipotente, para grande dano de sua própria alma e de muitos outros, e para futura ruína deste reino a ele submetido; de forma que rezo para que Sua Majestade lembre-se em bom tempo e recupere o bom conselho para preservação de si mesmo, de seu reino e para tranqüilidade de toda a Cristandade”.

Com a sentença, muitos dos que lá estavam ficaram com lágrimas nos olhos. A sentença foi mudada pelo rei para a guilhotina, pois temia-se, por conta de sua saúde, que o bispo morresse a caminho de forca. O alívio do bispo em ver seu caso resolvido era tamanho que até conseguiu caminhar na volta para a torre, quando grande multidão o acompanhava como que numa procissão.

Uma notícia contemporânea afirmava que o bispo parecia voltar de uma festa; além disso, seu comportamento e gestos mostravam uma grande felicidade interior.

* * *

Toda depressão de alma que acompanhava o santo havia acabado. Na manhã do dia 22 de junho o tenente veio ao pé de sua cama e o pegou dormindo, trazendo a ele a notícia de sua execução. Quando soube que o horário marcado era às 10 da manhã, o Santo respondeu:

“Bem, então eu vos peço que me deixeis dormir uma ou duas horas, pois devo dizer que não dormi muito essa noite; e ainda, para dizer a verdade, não foi por algum medo da morte, mas por conta de minha grande enfermidade e fraqueza”.

E ele se virou e foi dormir novamente.

Quando foi acordado de novo, pediu ajuda para se levantar e para retirar a camisa de pêlos que ele sempre vestiu, [como forma de penitência], colocando uma camisa branca e suas melhores vestes.

Vossa senhoria não percebe que esse é o dia de nosso casamento e que nós devemos, portanto, usar o branco para a solenidade do casamento?”

Saindo da Torre, encostou-se numa parede para se apoiar e abriu seu Evangelho, dizendo em vós alta:

“Esta é a vida eterna: que eles possam conhecer-Vos, o único verdadeiro Deus, e a Jesus Cristo que Vós enviastes. Eu vos glorifiquei na terra: eu terminei o trabalho que Vós me destes para fazer” (João, 17:3-4).

Fechando o livro, disse:

Aqui está todo o conhecimento necessário para o fim de minha vida”.

Durante todo o percurso para a torre, seus lábios moviam-se em oração. Fez questão de não precisar de ajuda para chegar até o patíbulo.

O sol brilhava forte. Chegando, o carrasco, como de costume, ajoelhou-se pedindo perdão, no que o Cardeal respondeu:

“Eu vos perdôo de todo o coração e confio em Nosso Senhor que Ele me verá morrer vigorosamente”.

Foi dada a ele a última chance de reconhecer a supremacia do Rei, no que o santo respondeu:

“Povo cristão, eu venho até aqui para morrer pela fé na Igreja Católica de Cristo, e eu agradeço a Deus pois até agora minha coragem tem me servido bem para tal, de forma que até agora eu não temi a morte; portanto, desejo que me ajudeis e que me assistais com vossas orações, para que bem no momento e instante da pancada de minha morte eu então não me acovarde em qualquer ponto da Fé Católica por medo; e eu rezo a Deus para que salve o Rei e o reino, mantenha Sua Santa Mão sobre ele e lhe dê bom conselho”.

Por fim, ficou de joelhos, rezou o Te Deum e o salmo Em Vós Senhor coloquei minha confiança. Depois avisou o carrasco para vendar seus olhos, abaixou-se e colocou seu pescoço no bloco, no que o carrasco arrancou sua cabeça num único golpe.

Uma divina ironia fez com que a morte de São João Fisher ocorresse em 22 de junho, festa de Santo Albão, primeiro mártir da Bretanha. A roupa do condenado era uma das gratificações do carrasco, ficando o corpo do condenado deitado nu até que uma boa alma se apiedasse e o cobrisse.

O corpo foi enterrado nu, sem reverência alguma ao santo bispo. Os fiéis começaram a vir em grande número venerar o grande santo, e então o bispo foi transportado para a Igreja de São Pedro ad Vincula, próximo ao corpo de São Thomas Morus, que foi sentenciado em 1º de julho.  Após a sentença, Morus afirmou abertamente que nenhum leigo poderia usurpar aquilo que foi dado a São Pedro por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Numa carta a Cromwell quinze meses antes, Morus expressou a Fé pela qual ele e Fisher morreriam:

“Esta é a Fé Católica: a não ser que o homem acredite, não poderá salvar-se”

São Thomas Morus foi executado em 6 de julho com a mesma coragem do santo bispo e dos cartuxos. Testemunhas oculares afirmam que ele demonstrou alegria diante da decapitação, afirmando que morria fiel ao Rei e como verdadeiro Católico diante de Deus.

A cabeça de São João Fisher foi colocada na ponte de Londres. Uma lenda diz que Ana Bolena foi a primeira a expressar deseja de vê-la. Olhando para a cabeça de forma satisfeita, afirmou:

“É esta a cabeça que tão freqüentemente exclamava contra mim?”

Diz ainda a lenda que ela cortou seu dedo em um dos dentes de John Fisher, ferimento que demorou a ser curado e lhe fez permanecer com uma cicatriz pelo resto de sua vida.

Mesmo que a história não seja verdadeira, ela mostra que o povo via Ana Bolena como uma nova Herodias e o santo como um novo São João Batista, que deu sua vida pela indissolubilidade do casamento.

Para maior vergonha do Rei, Deus fez que a cabeça de Fisher permanecesse incorrupta. Após 14 dias os guardas tiveram que retirá-la para colocar em seu lugar a cabeça de Thomas Morus, decapitado em 6 de julho.

Em 17 de dezembro de 1538 o Papa Paulo III publicou a bula que excomungava Henrique e colocou a Inglaterra sob interdito. Uma excomunhão anterior do Papa Clemente VII havia sido suspensa.

* * *

Em 19 de maio de 1935 a Igreja canonizou o santo bispo de Rochester, fixando sua festa, junto de S. Thomas Morus, no dia 9 de julho. De São João Fischer disse Monsenhor R. L. Smith:

“Nunca existiu um sacerdote mais verdadeiro que esse homem de Yorkshire tomado dentre os homens e ordenado para os homens nas coisas que pertencem a Deus, para que pudesse oferecer dons e sacrifícios pelos pecados. Sua devoção no serviço de todos que eram dados aos seus cuidados, sua retidão de visão e de falar, seu amor por seu país e sua inabalável lealdade a Deus, tudo isso fez um caráter cuja delicadeza clamava aos homens de seus dias e manteve esse apelo pelos séculos. Um intelectual sem vestígio algum de orgulho, um bispo que sabia como governar sem arrogância, um conselheiro dos reis que sempre deu conselhos honestos, ele era todas essas coisas e muito além porque amava a Deus com toda a força de sua alma e amava o próximo por causa de Deus. Seus motivos não eram egoístas, sua visão era apurada, e na glória dessa visão ele andou sem hesitar o estreito caminho da verdade. ‘Bendito os puros de coração, pois eles verão a Deus”.

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