Arquivo para agosto, 2009

agosto 31, 2009

Em plena comunhão… com o espírito do mundo.

“A comunidade católica se arrisca ao isolamento do resto do país.”

Por Tom Roberts – Albuquerque, NM

National Catholic Reporter

Arcebispo SheehanDe acordo com o Arcebispo Michael J. Sheehan, da Arquidiocese de Santa Fé, NM, a maioria de bispos dos EUA discorda da tática clamorosa de alguns de seus colegas no episcopado quanto à oposição ao comparecimento do Presidente Barack Obama à Universidade de Notre Dame, em maio. Porém, eles permanecem em silêncio porque não querem se envolver em uma batalha pública sobre a questão .

Na entrevista de 12 de agosto na sede arquidiocesana aqui com a NCR, Sheehan aproveitou a oportunidade para repudiar a tática combativa do que ele descreveu como uma minoria de bispos americanos que falaram contra o convite da universidade e emissão de um diploma honorário. Muitos instaram a universidade a cancelar o convite por causa da oposição de Obama à criminalização do aborto.

Sheehan disse que se expressou de maneira veemente contra a estratégia durante o encontro de bispos em junho, em San Antonio. De acordo com os relatos de John Allen, da NCR, na ocasião, alguns bispos disseram privadamente que estavam assustados com o comportamento dos opositores mais explícitos e outros disseram que o debate havia se tornado muito estreito e partidário. Porém, a questão nunca foi mencionada em sessão púbica. Os bispos entrevistados na ocasião comentaram anonimamente.

Na entrevista de 12 de agosto, Sheehan disse que a comunidade católica se arrisca a ao isolamento do resto do país e que recusar-se a conversar com um político ou recusar a comunhão por causa de uma diferença quanto a uma única questão foi contraproducente. Ele descreveu tais ações como reação “histérica”.

Os comentários vieram no curso de uma entrevista sobre uma série de outros tópicos, a maior parte dos quais aparecerá em estórias subseqüentes na série em curso, Em Busca da Igreja Emergente.

O arcebispo foi incisivo ao descrever a maneira pela qual os líderes eclesiais devem tratar discordâncias significativas com as autoridades eleitas. Ele disse que sua abordagem – quer no trato com autoridades civis ou membros da igreja, baseava-se massiçamente em colaboração, uma técnica que ele disse ter aprendido do finado Cardeal Joseph Bernardin de Chicago.

“Acredito em colaboração,” disse. “Trabalhei sob o Cardeal Bernardin e ele me ensinou a colaborar, a consultar. Assim, estou bastante comprometido com o conceito chamado responsabilidade partilhada. Penso em envolver pessoas durante todo o caminho – meus padres, meus leigos -, estou aberto para conversar com eles, trabalhar com eles. Consulta, colaboração, construção de pontes, não demolição das mesmas. E você pode conseguir muita coisa quando você tem colaboração e constrói pontes com outras pessoas, sejam elas padres ou leigos, diáconos, ou seja lá quem for.”

Para ler o restante do artigo em língua inglesa, clique aqui

agosto 31, 2009

Direito de resposta: Esclarecimento dos fiéis de Varre-Sai.

A pedido do leitor Adilson Asamar publicamos a seguinte mensagem:

Carta Varre-SaiA bem da verdade e, pois, da justiça, envio-lhes cópia de uma das cartas que os fiéis da cidade de Varre-Sai enviaram a D. Rifan, falando sobre a assistência dos padres da FSSPX em suas capelas.

Seria pertinente a publicação no Blog, haja vista que eles foram acusados injustamente de terem invadido e usurpado as capelas da Adm. Apostólica, em postagens do Pe. Jonas Lisboa.

São acusações graves, a meu ver. E os próprios fiéis de Varre-Sai é que fizeram questão de nos enviar a cópia da carta, pedindo-nos que a fizesse pública.

Blog jornalistíco que é, este espaço permanece sempre aberto às partes envolvidas que desejarem, respeitadas a  civilidade e, sobretudo, a caridade, exercer seu direito de resposta; poderão fazê-lo através de nosso e-mail [evitando que se acirrem os ânimos, comentários fechados para este post].

agosto 29, 2009

Liberdade, Igualdade e Fraternidade – Católicos preferem: Fé, Esperança e Caridade.

Palavras do arcebispo de Mainz, Cardeal Karl Lehmann, à FR-Online:

Cardeal Lehmann no carnaval de MainzA SSPX é altamente fragmentada, um balaio para todo tipo de gente desapontada e frustrada: alguns não chegam a termo com a modernidade, outros com a Revolução Francesa, outros com a liberdade religiosa, outros ainda com as reformas litúrgicas da década de 60. Alguns deles poderão voltar. Mas há aqueles que não se convencem – como o caso do negador do holocausto Richard Williamson mostra. Para eles, existe apenas um modo. [...] [Q]uando certas pessoas da SSPX não se ajustam ao esquema, certamente vem o pedido por excomunhão. Então, de repente uma nova Inquisição também não seria ruim. Geralmente esse não é o meu estilo. Se a SSPX continuar a se comportar imprudentemente e a brincar com o Papa e a Cúria, devemos realmente dizer que eles não pertencem à nossa comunidade. Mas com certeza não simplesmente com os velhos instrumentos.

Na fina ironia de Chris Gillibrand, que se aplique então os princípios da Revolução Francesa à Missa Tradicional! Liberdade para a Missa Gregoriana; Igualdade entre as “formas ordinária e extraordinária”; e, enfim, Fraternidade para com os sacerdotes e fiéis que a amam.

agosto 29, 2009

“Nisso não vai dom de virtude, mas um sinal de condenação”.

Excerto da Encíclica “IN DOMINICO AGRO“  de Clemente XIII:

Clemente XIIIExistem pessoas a quem uma ciência mais profunda engrandece, ao mesmo tempo que as separa do convívio dos outros. Tanto mais sabem, tanto mais ignoram tais pessoas a virtude da concórdia. Cabe-lhes, pois, a admonestação da própria Sabedoria Divina: “Tende sal em vós, e entre vós se conserve a paz!” Devemos possuir o sal da sabedoria, de maneira que sua força nos faça guardar o amor ao próximo e suportar-lhe as fraquezas. Se largarem, porém, o desejo de sabedoria e edificação do próximo, e passarem a promover discórdias, essas pessoas terão sal sem paz.  Nisso não vai dom de virtude, mas um sinal de condenação. Quanto mais instruídas forem, tanto maior será também o seu pecado.

Certamente que as condena estas palavras de São Tiago: “Se todavia abrigais no coração um ciúme desabrido e o espírito de contenda, não vos glorieis nem mintais, em contradição com a verdade. Não é, pois, esta a sabedoria que desce do céu, mas é terrena, sensual, diabólica. Pois onde reina ciúme e discórdia, aí há desordem e toda sorte de maldade. No entanto, a sabedoria que vem do céu, é em primeiro lugar púdica, depois pacífica, modesta, dócil, acessível ao bem, cheia de compaixão e de bons frutos, não faz juízos, não é invejosa”.

Rogamos a Deus, na humildade de espírito, que aos esforços de Nosso zelo e diligência advenha a largueza de Sua graça e misericórdia, a fim de que não surja nenhuma desavença a perturbar o povo cristão, mas que antes, em vínculo de paz e em espírito de caridade, todos nós unicamente conheçamos, unicamente louvemos e glorifiquemos a Jesus Cristo, nosso Deus e Senhor. Com este desejo é que vos saudamos num ósculo santo, veneráveis Irmãos, e com a maior afeição vos concedemos a Bênção Apostólica, a vós e a todos os fiéis de vossas igrejas.

Dada e passada no Castelo Gandolfo, aos 14 de Junho de 1761, no terceiro ano de Nosso Pontificado.

agosto 28, 2009

Ditos e não ditos – A reforma da reforma litúrgica. Tornielli se manifesta.

(Kreuz.net) Itália. Recentemente, o vaticanista Andrea Tornielli informou que no início de abril os cardeais da Congregação para o Culto Divino entregaram sugestões ao Papa para uma reforma litúrgica. Pouco tempo depois, o Vice-Presidente da Sala de Imprensa do Vaticano, Padre Ciro Benedettini, esclareceu que não estava planejada nenhuma modificação dos livros litúrgicos. Na edição de hoje do jornal britânico “The Catholic Herald”, a jornalista Anna Arco escreve o contrário, ou seja, que “Tornielli permanece com a sua versão [dizendo que interpretava a negação de "propostas institucionais" pelo Pe. Benedittini como indicativa de "projetos (por ora) não oficiais]“.

[Atualização - 29 de agosto de 2009, às 20:53] Andrea Tornielli se manifesta. Do blog Oblatvs:

Quero dizer-lhes que o desmentido do Padre Benedettini, mais do que pelo meu artigo, foi provocado pela sua repercussão em muitos blogues (depois do caso Williamson, os blogues e os sites da internet têm sido constantemente monitorados pela Santa Sé) que davam como iminente a “reforma da reforma” e modificações na missa num sentido mais tradicional (ou de “marcha-ré”, segundo a expressão usada pelo Cardeal Bertone).

Antes de tudo, no meu artigo jamais falei de reformas iminentes ou de documentos já preparados, e no final dizia claramente que se tratava do começo de um trabalho. Um trabalho longo, que não quer impor as coisas do alto, mas envolver os episcopados. Falava da votação feita pela plenária da Congregação, do fato de o Cardeal Cañizares ter levado os resultados ao Papa, do fato de que se começou a estudar, não “propostas institucionais de modificação dos livros litúrgicos”, mas sim indicações mais precisas e rigorosas relativas à modalidade de celebrar com os livros existentes e há pouco publicados.

Tudo isto para dizer-lhes que não acreditem que o que hoje lhes escrevo seja insignificante, que o Papa e a Congregação do Culto não estejam pensando em nada, que a “reforma da reforma” e a recuperação de uma maior sacralidade da liturgia seja uma notícia falsa publicada por mim. Desde que me tornei vaticanista tenho cometido muitos erros e muitos cometerei, mas o artigo em questão, creiam-me, não é um deles. De resto, o fato de que “no momento” não existam “propostas institucionais” de reforma não desmente que hoje já existam propostas em estudo que ainda não se tenham tornado “institucionais”. E basta ler aquilo que em determinado momento escreveu o Cardeal Ratzinger e o que escreveu o Papa Bento XVI na carta que acompanha o Motu proprio “Summorum Pontificum” para dar-se conta de quanto este tema está lhe é caro.

Fonte: Il Blog di Andrea Tornielli

Tradução: OBLATVS

agosto 27, 2009

“lota unum non praeterebit”. Dom Mario Oliveri apresenta a obra de Romano Amerio.

Do excelente Messa in Latino, um excepcional escrito do já conhecido de nossos leitores senhor bispo de Albenga-Imperia, Dom Mario Oliveri:

Apresentamos uma pequena amostra da brilhante “pena” de Dom Mario Oliveri ,Bispo de Albenga-Imperia, que gentilmente concordou em publicar este seu artigo aparecido no número de janeiro passado da abalizada revista Studi Cattolici. Ao apresentar a figura de Romano Amerio, Dom Oliveri desenvolve uma reflexão sobre os males atuais da Igreja; sobre a conturbada recepção do Concílio e sobre os problemas, não só interpretativos, deste último; enfim, sobre as soluções para a crise. Trata-se, sem dúvida alguma, de uma ótima página para ler, reler e refletir. Com valor acrescido por se tratar do documento de um bispo diocesano, chamado a confirmar os irmãos na Fé. Abaixo a primeira parte do escrito; a segunda pode ser vista aqui. 

D. Mario OliveriEm 1985, a editora Ricciardi publicava um volumoso e acurado estudo de Romano Amerio,  intitulado “Iota Unum – Estudo sobre as variações da Igreja Católica no século XX”. Agora, duas outras editoras anunciaram a reedição desse livro de 656 páginas (“Fede e Cultura” já o fez), e o fato é visto em muitos círculos como de notável significado e interesse. Até L’Osservatore Romano, que na primeira aparição deste estudo não o deu atenção, já mostrou interesse. Antes, o jornal da Santa Sé já havia relatado a significativa informação acerca de um seminário sobre a personalidade e a obra literária, filosófica e teológica pensador de Lugano.

 

Na primeira aparição do estudo de Romano Amerio, certamente, não foi apenas L’Osservatore Romano quem fez silêncio sobre a obra que tinha sido concebida para fazer refletir, para fazer pensar, para chamar novamente ao rigor de pensamento do intelecto humano. A obra tinha sido ignorada por muitíssimos setores da cultura (sobretudo da cultura religiosa, da cultura teológica), condenada realmente ao silêncio. Ainda, em outros meios, infelizmente, havia sido preconceituosamente marcada como escrito anti-conciliar, típico exemplo de uma rejeição do novo pensamento, da nova era, do novo Pentecostes, da nova primavera do espírito; fruto de uma “mens” que se admira que por um incessante novo pensar nasça necessariamente uma nova ação, um novo modo de agir, e assim baseia toda a missão da Igreja (se a Igreja tem de si mesma uma nova concepção – e este era naquele tempo o modo de pensar dominante de muita literatura que se apresentava como católica – se do Concílio é nascida uma nova eclesiologia, por que não acolher uma nova pastoral, novos métodos de ação dentro de tal nova Igreja, por que não aceitar um pensamento que sempre se renova, que sempre se auto-cria, que gera uma contínua mudança na ação, um progresso indefinido, em direção a algo que permanece sempre necessariamente indefinido?).

 

Não se surpreenda o leitor da descrição do ambiente que prevalecia no seio da Igreja, quando o trabalho de Amerio foi publicado. Não se podia definitivamente dar boa atenção ao pensamento de Amerio que estava então convencido de que Vaticano II representasse uma verdadeira descontinuidade com o que a Igreja tinha pelos séculos, no passado, ensinado, realizado, vivido. Era generalizada a mentalidade segundo a qual o Vaticano II foi indubitavelmente uma revolução, uma reviravolta/mudança de direção, uma mudança radical ou substancial (se bem que não se adotasse este último termo, pois “substância” era um conceito pertencente a uma filosofia superada pelo pensamento filosófico moderno…).

Para muitos, muitíssimos,  o silenciar, o recusar o pensamento de Amerio, era natural, senão um dever: ninguém podia se dar ao luxo de gerar dúvidas de qualquer natureza sobre o Vaticano II, se não – no máximo – para dizer que ele ainda tinha sido muito prudente, e que, portanto, era necessário ir além, já que sempre se deve andar adiante.

Se alguém considerasse este discurso exagerado, teria certamente a possibilidade de tentar mostrar o porquê pensa de tal modo. Assim, aqueles que consideravam, então, exagerado o pensamento de Amerio (na verdade sempre linear, sempre bem articulado, de imediata compreensão) poderiam ter estabelecido um diálogo (que todavia sustentavam como a verdadeira fórmula de todo progresso no pensamento, na ação e no encontrar a concórdia), poderiam tentar demonstrar o porquê a filosofia que apresentava todas as páginas daquele livro não era mais aceitável, ainda que tenha sido a filosofia comum no seio da Igreja durante séculos, superando as mudanças históricas (sempre acidentais), tempos muito conturbados da vida da Igreja e na vida do mundo. Não o fizeram: o silenciaram ou rejeitaram em bloco, sem dizer as razões da recusa.

Por que agora, cá e lá, parece haver sobre o pensador de Lugano alguma atenção, uma postura um pouco mudada? Talvez porque, ao menos em alguns círculos eclesiais (embora seguramente não em todos) se está percebendo, e quase se está constatando, que sem continuidade do pensamento, e, conseqüentemente na ação; que sem continuidade no conhecimento e na adesão à verdade conhecida, não é possível fazer um discurso sério sobre qualquer coisa, não é possível dizer uma palavra que valha o pensamento de escutá-la, de transmiti-la, de fazer dela a base para o comportamento humano, para o viver humano?

Está-se porventura notando que lá onde o Concílio Vaticano II foi interpretado como descontinuidade com o passado, como ruptura, como revolução, como mudança substancial, como giro radical, e onde foi aplicado e vivido como tal, nasceu na realidade uma outra igreja, mas que não é a Igreja verdadeira de Jesus Cristo; nasceu uma outra fé, mas que não é a verdadeira fé na Divina Revelação; nasceu uma outra liturgia, mas que não é mais a Liturgia Divina, não é mais a Liturgia tecida de Transcendência, de Adoração, de Mistério, de Graça que desce do alto para tornar verdadeiramente o homem novo, para torná-lo capaz de adorar em Espírito e Verdade; vem-se difundindo uma moral da circunstância, uma moral que não está ancorada se não no próprio modo de pensar e de querer, uma moral relativista, à medida do pensamento não mais seguro de nada, porque não mais aderido ao ser, à verdade, ao bem.

Se tímidos sinais de interesse e de consideração a respeito de um pensador que — movido por amor à verdade e, portanto, por amor à Igreja, a qual não tem primeiramente que realizar nada senão transmitir a Verdade da Divina Revelação (e tudo aquilo que ela implica) como foi recebida e vivida ao longo dos séculos pela Igreja de Jesus Cristo guiada pelo Espírito Santo — revelou com absoluta honestidade as variações da Igreja Católica no século XX, mostrou sua incongruência com a “Traditio Ecclesiae” (isto é, com o que nos séculos tinha sido professado, ensinado e transmitido pela Igreja com uma linguagem que não se pode dizer “nova” — de coisas novas, verdades novas — mas, no máximo [“nove”] de modo novo); se tais sinais de interesse e consideração são sinais reais e ainda devessem crescer amplamente, pode-se esperar que os dias de desorientação tanto em muita Filosofia como Teologia estão para ser superados para dar espaço a um pensamento correspondente à essência, à realidade das coisas, à substância das coisas, substância que não muda, que não pode mudar, nem mesmo quando mudam os acidentes, as formas externas, as expressões contingentes que não constituem o “quid est” de uma coisa.

No entanto, é muito difícil de morrer a mentalidade segundo a qual o Concílio Vaticano II tenha sido quase uma re-fundação da Igreja nos tempos modernos, e que com isso a Igreja tenha feito as pazes com o mundo, se reconciliado com a modernidade, com a filosofia tornada quase que exclusiva no século passado, segundo a qual tudo está sempre “in fieri”, tudo evolui, tudo depende do pensamento criativo do homem, tudo está em seu total poder.

Outra idéia muito difundida continua a ser sustentada: aquela segundo a qual não haveria nenhuma dúvida sobre a variação significativa, negativa, depois do Concílio Vaticano II, mas elas seriam exclusivamente devidas às interpretações errôneas do Vaticano II, o qual deveria ser considerado todo perfeito em si mesmo e que não contém em seus textos nada, absolutamente nada, que possa dar origem a interpretações erradas. Este modo de pensar não leva em conta que os maus intérpretes pós-conciliares do Concílio trabalharam – não poucos – dentro do Concílio, cujos textos mostram em diversos pontos a influência dos “novatores”: em diversos textos se encontra alguma raiz que favorece a má interpretação. Por outro lado, aqueles que apelam ao assim chamado “espírito do Concílio” para exceder a letra, para justificar a hermenêutica da descontinuidade radical, seriam tão pouco inteligentes e prudentes de criar o seu raciocínio partindo do nada, do inexistente? Ou partindo de documentos – os do Concílio – que com alguma das suas expressões poderia sugerir a novidade com relação ao Magistério da Igreja ao longo dos séculos, nos últimos séculos, no último pontificado antes do Vaticano II?

Não estaria exatamente ali nos documentos conciliares um vestígio daquela mentalidade que existia no seio do Concílio e que o Cardeal Joseph Ratzinger descreve em seu livro-autobiografia (“La mia vita”) nestes termos?:

“Crescia cada vez mais a impressão de que nada era agora estável na Igreja, que tudo estava aberto a revisão. Mais e mais o Concílio parecia ser como um grande parlamento da Igreja, que podia mudar tudo e reconstruir tudo de acordo com seus próprios desejo… As discussões conciliares eram apresentadas cada vez mais conforme o esquema partidário típico do parlamentarismo moderno” “No final, ‘acreditar’ significava algo como ‘achar’, ter uma opinião sujeita a continuas revisões”.

† Mario Oliveri

agosto 26, 2009

Rio de Janeiro: “Não é orientação da Arquiodiocese a proibição da comunhão na boca”.

Nota da Redação: Resposta de Dom Orani João Tempesta, Arcebispo do Rio de Janeiro, a um fiel da zona sul do Rio de Janeiro, o qual teve a Comunhão na boca negada por seu pároco. Em sua mensagem original, o fiel indaga ao Excelentíssimo e Reverendíssimo Arcebispo do Rio de Janeiro se o procedimento de se administrar a Comunhão exclusivamente na mão se trata de uma determinação da Arquidiocese (conforme vem ocorrendo em outras dioceses a guisa de prevenção contra um possível contágio de gripe suína).

From: Secretaria <secretaria@ …org.br>
Dom OraniDate: 2009/8/11
Subject: sua mensagem de 28 de julho

Sr. X,

Paz e Bem!!!

Depois de tomar ciência de sua mensagem acima citada, Dom Orani, Arcebispo Metropolitano do Rio de Janeiro, me solicitou que enviasse a seguinte resposta:

Agradeço a preocupação para com o Bem e a Integridade da Igreja e comunico-lhe que, NÃO É ORIENTAÇÃO DA ARQUIDIOCESE, E NEM TÃO POUCO DO ARCEBISPO, A PROIBIÇÃO DA COMUNHÃO NA BOCA, sendo esta então uma iniciativa do seu Pároco.

Receba uma Benção Especial de Dom Orani João Tempesta, O.Cist.

Carlos Roberto Margarido

Chefe de Gabinete.

agosto 26, 2009

Verão movimentado no Vaticano: termina a “limpeza” na Secretaria de Estado.

Termina? Na sexta-feira passada, Bento XVI destinou o até agora subsecretário para as Relações com os Estados da Secretaria de Estado do Vaticano, Mons. Pietro Parolin, à Venezuela como Núncio Apostólico. Ele era o único sobrevivente da antiga equipe do Cardeal Sodano, depois da ‘limpeza’ de julho passado.

Efetivamente, um dia antes de quebrar o pulso direito, o Papa havia assinado uma série de demissões e nomeações das quais se destacava a demissão do número dois da seção de Assuntos Gerais da Secretaria de Estado, um cargo equivalente ao de subsecretário de Interior nos governos seculares, e o de outro destacado integrante do que se denomina na Cúria a ‘Sacra Corona’, um grupo de prelados, altos cargos da burocracia da Secretaria de Estado, que constituiriam um reduto da tendência ‘pós-conciliar’ abertamente contrária ao papado de Bento XVI. Os prelados Caccia, Viganò e agora Parolin foram ‘promovidos’ ao Líbano, ao governo da Cidade do Vaticano, e à Venezuela, respectivamente, longes de seus estratégicos postos na Secretaria de Estados.

As mudanças parecem conseqüência da crise que agitou o Vaticano durante o primeiro trimestre deste ano, por conta do levantamento da excomunhão dos quatro bispos lefebvrianos, na qual se afloraram graves erros de descoordenação entre a Congregação dos Bispos, a Comissão Ecclesia Dei, a Sala de Imprensa da Santa Sé e a mesma Secretaria de Estado.

Parolin, nascido em 1955, havia entrado no serviço diplomático da Santa Sé em julho de 1986. Trabalhou na representação pontifícia na Nigéria e no México, antes de se incorporar à Seção para as Relações com os Estados na Secretaria de Estado, na qual chegou a Subsecretário em novembro de 2002. No lugar de Parolin, o Papa elegeu Ettore Balestrero, como novo Subsecretário, uma pessoa que desde 2001 já trabalhava na seção.

No mês passado houve outras duas demissões importantes. Gabriele Giordano Caccia foi substituído como Assessor para Assuntos Gerais, o ‘ministério do Interior’ do Vaticano, pelo sacerdote americano Peter Brian Wells, que era conselheiro da nunciatura nesta mesma seção e trabalhava desde 2002 na Secretaria de Estado. Junto a ele, o arcebispo Carlo Maria Viganò, até então delegado para as representações pontifícias com categoria de núncio apostólico, e junto a Caccia e Parolin integrante do que se denomina ironicamente ‘Sacra Corona’, uma espécie de ‘secretaria’ dentro da Secretaria de Estado, foi afastado da seção de assuntos gerais para ser ‘promovido’ ao cargo administrativo de secretário geral do Governo do Estado da Cidade do Vaticano.

Junto a eles, outro alto funcionário com nível de conselheiro de nunciatura na mesma seção, Franco Coppola, foi enviado como núncio apostólico a Burundi, provavelmente também como conseqüência da crise. Coppola se ocupava do Oriente Médio. Dizia-se que Caccia e Parolin eram realmente os que mandavam nas duas seções da Secretaria de Estado, — Assuntos Gerais e Relações com os Estados – e que o faziam mais que seus respectivos titulares Fernando Filoni e Dominique Mamberti, e inclusive mais que o próprio primeiro ministro, Tarcísio Bertone. Veremos qual é a sintonia com os novos subsecretários Peter Brian Wells e Ettore Balestrero, funcionários experientes, e como isso melhora os problemas de comunicação internos e os descontrolados pulsos de poder no Vaticano dos últimos tempos.

Outros importantes membros da misteriosa ‘Sacra Corona’, a burocracia diplomática que ostenta o poder ‘de fato’ da Cúria, são Monsenhor Polvani, sobrino de Viganò, e Paolo Sardi, também funcionário de alto nível.

Fonte: Infordeus, via Per fas et per nefas

agosto 25, 2009

Bodas de Prata Sacerdotais de Monsenhor Gänswein.

Mons. Ganswein celebra missa 'Ad Orientem'. (Kreuz.net – 23 de agosto) ‹‹ Alemanha. O secretário particular do Papa, Mons. Georg Gänswein, celebra hoje seu jubileu sacerdotal de 25 anos. Entre outras coisas seu primo irá preparar lagostim de água doce para oitenta convidados seletos no hotel regional “Kreuz”, informou o jornal de Konstanz “Südkurier”. O Monsenhor Gänswein disse ao periódico que os ataques à Fraternidade de São Pio X e à Igreja lhe deram nos nervos. Quanto à Terra Santa, Mons. Gänswein disse o seguinte: “Pude perceber que os cristãos de lá precisam viver em grande aflição” ›› . Em suas bodas, Mons. Gänswein celebrou missa ‘ad orientem’.

agosto 24, 2009

Confissão comunitária, “Forma Extraordinária do Sacramento da Reconciliação”. Ao menos esta não está liberada.

No Domingo de Ramos de 2009, Mons. Pierre Pican, bispo de Bayeux e Lisieux, enviava a todos os curas de sua diocese o seguinte correio (extrato):

Cardeal Cañizares“Esta prática [absolvição coletiva] é retida em algumas paróquias. Alguns curas me pediram que os autorizasse a viver esta expressão extraordinária do Sacramento da Reconciliação. Eu os autorizo a presidir esta celebração para a Páscoa de 2009, 15 de agosto de 2009 na medida do necessário, e para o Natal de 2009. Aplico o comentário do cânon 961 estabelecido pela Conferência dos Bispos da França em 1987”.

Um cura da diocese comunicou este correio a Roma. Em 10 de julho, Mons. Pican enviava esta nova carta a seus curas [extrato]:

“As disposições determinadas no documento apresentado aos padres por ocasião da Páscoa e relativas à celebração da absolvição coletiva vieram a ser proibidas pelo Prefeito da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos”.

Fonte: Le Salon Beige

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