Arquivo para outubro, 2009

outubro 31, 2009

Objetivos indefinidos das discussões teológicas.

Yves Chiron, em seu boletim Aletheia, dá outros detalhes sobre as discussões teológicas:

Segunda-feira, 26 de outubro de 2009. Membros da delegação da FSSPX, ao fundo no centro, chegam ao Vaticano. AP Photo/Gregorio Borgia

Segunda-feira, 26 de outubro de 2009. Membros da delegação da FSSPX, ao fundo no centro, chegam ao Vaticano. AP Photo/Gregorio Borgi

Uma vez mais, vê-se que não é o Concílio Vaticano II todo inteiro que a FSSPX rejeita. Mons. Fellay o dizia claramente, há alguns meses, em uma carta ao cardeal Castrillón Hoyos, então presidente da comissão Ecclesia Dei:  “Nós não recusamos o concílio em bloco. O que é retomado do Magistério constante da Igreja nós aceitamos, mas recusamos as novidades – e sobretudo um certo espírito – que são contrários ao Magistério da Igreja” (carta, inédita, de 15 de dezembro de 2008).

A duração destas discussões doutrinais não está determinada: “vários anos”, estima Mons. de Galaretta, um dos três representantes do FSSPX na Comissão; “não muito mais de um ano”, espera o lado romano. Um ponto muito importante permanece ainda a se determinar, o mais importante talvez. Se um acordo doutrinal for encontrado, que forma ele tomará? Tomará simplesmente a forma de uma declaração comum das duas partes, como existem várias com a Comissão Internacional Anglicana-Católica (ARCIC), com a Comissão mista católica romana e evangélica luterana, e com outras comissões? Ou ele conduzirá a um ato magisterial, solene e vinculante para a fé? É justamente porque o objetivo final das discussões Santa Sé-FSSPX não está definido, que um teólogo romano, eminente, que tinha sido sondado para ser um dos representantes da Santa Sè na Comissão, recusou[...].

outubro 30, 2009

Demissão na certa. Padre rompe o tabu sobre transplante de órgãos.

Nota do Editor: indagamo-nos porque até agora no Brasil, mesmo os membros de movimentos pró-vida mais engajados, se recusam a abordar este tema. Inúmeros seminários e congressos sobre bioética tem sido realizados com apoio de bispos locais, mas nenhum deles chegou a discutir essa questão tão delicada e urgente.

Um sacerdote, que pertence oficialmente à Fraternidade de São Pedro, publicou uma crítica ao polêmico transplante de órgãos em sua carta pastoral e, portanto, foi demitido.

padre fssp(Kreuz.net, Augsburg) Sete semanas atrás, o Padre Andreas Hirsch (40), da tradicionalista Fraternidade de São Pedro, assumiu a igreja de peregrinação Violau no distrito de  Augsburg.

O Padre Hirsch foi ordenado segundo o Rito Antigo em 2001, em Wigratzbad, na diocese de Augsburg. Posteriormente, ele trabalhou como capelão prestando cuidados pastorais na diocese de Eichstätt. Lá, de acordo com as fotos de sua despedida, no outono de 2007, ele também celebrava a Missa Nova.

A recusa do transplante de órgãos é algo católico

Em 10 de outubro, o Pe. Hirsch escreveu em sua carta pastoral de Violau a respeito do transplante de órgãos. O sacerdote abordou o tema porque em setembro uma médica da Clínica de Augsburg, juntamente com o Decano de Dinkelscherben, o Pe. Karl Freihalter, haviam realizado um evento de incentivo à doação de órgãos.

O Pe. Hirsch esclareceu que, pelo contrário, a pessoa era assassinada no momento da retirada dos órgãos. Esse procedimento seria uma violação ao mandamento de Deus e algo “eticamente inadmissível”.

O sacerdote esclareceu que de acordo com a posição atual da ciência, o “corpo do doador reage [durante a retirada dos órgãos] tanto com movimento quanto com contorções e se encolhe, a não ser que antes seja administrado um anestésico ao doador”.

Os freqüentadores da missa e conselhos paroquiais protestaram contra essa carta pastoral junto ao Bispo Walter Mixa, de Augsburg, segundo informou o jornal regional ‘Augsburger Allgemeine’. Mons. Mixa é um bispo liberal de tendência neo-conservadora. Ele exigiu do Pe. Hirsch que este publicasse um desmentido de suas opiniões na próxima carta pastoral. O bispo auxiliar Anton Losinger, de Augsburg, redigiria uma declaração contrária sobre o tema.

O Pe. Hirsch se negou a fazê-lo. O bispo optou imediatamente pela conseqüência mais grave e demitiu o padre. No último sábado à noite o sacerdote anunciou a sua demissão em sua paróquia Violau.

O porta-voz da diocese de Augsburg, Christoph Gold, afirmou ao ‘Augsburger Allgemeine’, que a crítica à doação de órgãos supostamente “não seria o ensinamento teológico da Igreja Católica”. Este supostamente não teria nada a objetar contra a doação de órgãos.

Uma vez que o padre seguiu a sua consciência, “nada poderia ser tratado de modo diferente” – enfatizou o porta-voz. A diocese trabalhou de maneira enfática na substituição do cargo. Gold esclareceu perante a “Agencia de Notícias Católicas” alemã que definitivamente o Pe. Hirsch não poderia atuar mais na diocese de Augsburg.

outubro 30, 2009

Um bispo que age prontamente para defender a doutrina católica sobre o matrimônio

O Arcebispo de Florença suspendeu um pároco que, junto com dois sodomitas, havia simulado uma cerimônia de casamento.

Dom Giuseppe Betori(kreuz.net) No domingo passado, o pároco Alessandro Santoro de Piagge – uma localidade de Florença – realizou uma cerimônia semelhante a casamento para o castrado Sandra Alvino (64) e um outro homem chamado Fortunato Talotta (58). Alvino foi castrado há mais de trinta anos atrás. Duzentos curiosos compareceram à igreja para assistir a simulação de matrimônio.

Inaceitável como pároco

O arcebispo Giuseppe Betori (62) de Florença simplesmente destituiu o Pe. Santoro de seu cargo de pároco, informou a Arquidiocese na segunda-feira em um comunicado de imprensa. Mons. Betori foi designado Arcebispo de Florença em setembro de 2008. Antes, ele era Secretário da Conferência Episcopal Italiana.

O Arcebispo lamenta a “Simulação de um Sacramento” entre os dois  depravados.  O Pe. Santoro precisa de um tempo para refletir e orar – afirmou o Arcebispo. Há dois anos atrás, Alvino e Talotta já haviam tentado obter uma simulação de casamento em uma igreja por meios fraudulentos.

O então Arcebispo Ennio Antonelli de Florença impediu a abominação sodomita.  Ademais, Mons. Betori exigiu de antemão que o ex-pároco não realizasse qualquer simulação de matrimônio. O bispo enfatizou que a simulação não tem qualquer validade e/ou eficácia.

Ele enfatizou que poderia dar a impressão entre os fiéis e o público de que a Igreja teria mudado as condições para a recepção do Sacramento do Matrimônio. A simulação também induziria os dois sodomitas a erro.

Negligência de uma obrigação culpável

Já no domingo, o pároco escandaloso defendera a simulação, segundo informações da Agência de Notícias italiana ‘Ansa’. Ele não quis perpetrar nenhum ato de rebelião – afirmou o pároco. O Pe. Santoro descreveu a rebelião como “um ato de lealdade perante a minha comunidade, a Igreja e as pessoas que amo. Era minha obrigação”.

Até mesmo o Cardeal Renato Martino, que se tornou emérito recentemente, criticou duramente a simulação, segundo a ‘Ansa. “ Não entendo como isso pode acontecer.” A simulação de matrimônio de sodomitas é contra a natureza: “A biologia, segundo a qual Deus criou o homem e a mulher, não pode ser modificada mediante fraude.”

outubro 29, 2009

Mudanças na Cúria à vista.

Dom BertelloSegundo Marco Tossatti, do La Stampa, “[e]ntre a Páscoa do próximo ano, segundo vozes recorrentes da Cúria, o Cardeal Giovanni Battista Re deve deixar o cargo de Prefeito da Congregação para os Bispos, um dos pontos-chave em termos de responsabilidade e delicadeza do governo central da Igreja”.  “O seu lugar, segundo fontes bem informadas, poderia ser ocupado pelo atual núncio na Itália, Dom Giuseppe Bertello”. [...] “A decisão de colocá-lo à frente da Congregação para os Bispos é – segundo dizem – do Secretário de Estado, o Cardeal Tarcisio Bertone. Monsenhor Bertello desfruta da total confiança do Secretário de Estado…”

Outra mudança esperada seria a partida do Cardeal Walter Kasper, que “não teria visto com bons olhos o momento e o modo do ingresso dos dissidentes anglicanos, gerida de maneira totalmente autônoma (ou quase …) pela Congregação para a Doutrina da Fé. Em seu lugar assumiria o ex-aluno e amigo de Joseph Ratzinger, o Bispo de Regensburg, Gerhard Ludwig Muller.

Rocco Palmo informa que “círculos católicos em Roma e na Austrália estão alvoroçados com os rumores de que o Papa Bento XVI logo irá nomear o Cardeal australiano George Pell a um cargo prestigioso nos altos escalões da Cúria Romana” [...]

Entre os Cardeais que já completaram 75 anos estão, além dos Cardeais Walter Kasper e Giovanni Battista Re, o Cardeal Franc Rode (prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica) e o Cardeal Paul Josef Cordes (presidente do Pontifício Conselho Cor Unum).

outubro 29, 2009

Anglicanos. Não aos seminaristas casados.

Giacomo Galeazzi, La Stampa – O Vaticano está trabalhando para esclarecer os termos da “anistia” para os anglicanos casados que Bento XVI trouxe de volta à Igreja Católica. Segundo o que soubemos na Cúria  – e neste ponto se está trabalhando duro – a Constituição Apostólica (anunciada em 20 de outubro pelo ex-Santo Ofício e em vias de publicação) não deve permitir aos seminaristas anglicanos casados ser ordenados sacerdotes católicos. Na prática, a Santa Sé pretende acolher e sanar a situação “presente e passada”, mas não pretende conceder para o futuro um canal oficial ao sacerdócio casado. A questão dos seminários e do clero casado é o ponto central que mais causa discussão nos Sagrados Palácios, e que até agora tem impedido e atrasado a publicação do documento pontifício, provocando até o gol contra da apresentação sem texto por parte do Cardeal William Joseph Levada, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Na prática, o Vaticano estaria para dizer sim aos sacerdotes casados que deixam a Igreja Anglicana para se reunir a Roma, sem, contudo, que os seminaristas possam no futuro se tornar padres casados.

outubro 28, 2009

Cardeal Franc Rodé: o Concílio Vaticano II despertou “a maior crise na história da Igreja”.

Em entrevista a John Allen Jr., do ultra-progressista National Catholic Reporter, o Cardeal Franc Rodé, prefeito da Congregação para os Institutos da Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, relata sua experiência ao retornar a seu país de origem, Eslovênia, após concluir seus estudos em Paris nos conturbados anos 70. Rodé é o responsável na cúria pelas ordens religiosas e atualmente supervisiona as visitações apostólicas aos Legionários de Cristo e às ordens religiosas femininas dos Estados Unidos:

Março de 2009. Cardeal Rodé ordena seis novos para o Instituto Cristo Rei, na Itália.

Março de 2009. Cardeal Franc Rodé ordena seis novos para o Instituto Cristo Rei, na Itália.

“Eu logo percebi que o que eu trouxe comigo dos meus estudos em Paris era de pouquíssimo uso”, disse. “Precisava estar próximo ao povo e respeitar as maneiras tradicionais que eles expressavam sua fé”.

Olhando para trás, Rodé acredita que o Vaticano II, enquanto planejava uma reforma moderada, despertou pelo contrário “a maior crise na história da Igreja”

“No século 16, durante a Reforma, muitos religiosos deixaram a Igreja e muitos conventos foram fechados, mas isso era geograficamente limitado mais ou menos ao norte da Europa”, disse. “Na Revolução Francesa, houve outra catástrofe, mas era limitada à França. A crise posterior ao Concílio Vaticano Segundo, entretanto, foi a primeira crise verdadeiramente global”.

“Pagamos um preço verdadeiramente alto devido a uma mentalidade secularizada, mundana”, disse.

Esse custo foi particularmente alto, acredita Rodé, na vida religiosa.

“Os dados estatísticos explicam”, disse. “Pegue o caso das freiras americanas: existiam 180.000 em 1965, e agora elas são apenas 59.000. A maioria está envelhecendo e as vocações simplesmente não existem. Podemos dizer o mesmo com relação aos Jesuítas e para a maioria das grandes congregações tradicionais”.

Thomas Fox, em sua coluna no próprio National Catholic Reporter, apresentando algumas fotos do Cardeal Rodé nas ordenações diaconais que conferiu a seis membros do Instituto Cristo Rei, afirma:

Olhando para estas fotos, se é movido a perguntar se o Cardeal Rodé, que, segundo o perfil dado por John Allen, é uma pessoa encantadora e um produto das velhas forças anti-comunistas européias, eslovenas, está, verdadeiramente, tão distante dos padrões culturais e sociais dos Estados Unidos, que possivelmente não consiga, de maneira justa, compreender as vidas e o trabalho de nossas religiosas. O Cardeal, cujo gosto pela igreja tradicional, monárquica, européia, pré-conciliar, está claramente evidente nestas fotos, disse a John [Allen Jr.] que o Vaticano II despertou “a maior crise na história da Igreja”. Nossas religiosas dedicaram suas vidas executando as ordens do concílio de serviço e reforma [...] Também é verdade que julgamentos levam a julgamentos, e é por isso que um crescente número em nossas comunidades está perguntando: “Quem, exatamente, é esse homem que foi encarregado de julgar as almas, vidas, dedicação e fé de nossas religiosas?”.

outubro 28, 2009

Novo bispo auxiliar de São Paulo: Dom Milton Kenan Júnior.

padremilton1Cidade do Vaticano, 28 out (RV) - Bento XVI nomeou hoje como Bispo Auxiliar da Arquidiocese de São Paulo o Padre Milton Kenan Júnior, do clero de Jaboticabal, (SP). Sua sede titular episcopal é ‘Acque di Bizacena’. Nascido na cidade de Taiúva no dia 24 de novembro de 1963, Pe. Milton está em Jaboticabal desde 30 de novembro de 1997, quando chegou para assumir a função de Vigário Paroquial da Paróquia de S. Benedito, até maio de 2001, quando foi nomeado para a Paróquia de Nossa Senhora do Carmo em Bebedouro. Dentre suas funções, é também Coordenador diocesano da Pastoral.

Concluído o ensino médio em Taiúva, ingressou no Seminário Maior de Ribeirão Preto em 1981, onde cursou Filosofia e Teologia, até 1986. Recebeu a Ordenação Diaconal e a Presbiteral. De 1995 a 1997, cursou o mestrado em Teologia Espiritual na Pontifícia Faculdade Teresianum em Roma. Ao retornar, foi Vigário Paroquial na Paróquia de S. Benedito e ao mesmo tempo, Coordenador Diocesano de Pastoral, sendo nomeado Vigário Episcopal (1998-2001) em Jaboticabal. É também Vigário da Forania Nossa Senhora do Carmo, que engloba as paróquias da cidade de Jaboticabal e a paróquia de Barrinha. Foi ainda Professor de Teologia Espiritual no Centro de Estudos da Arquidiocese de Ribeirão Preto, Responsável da Pastoral Presbiteral no Regional “Sul1” da CNBB, Diretor Espiritual no Seminário Diocesano di Jaboticabal, Membro do Conselho de Presbíteros e do Colégio dos Consultores de Jaboticabal. (CM)

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outubro 28, 2009

“É a religião Católica que está para iluminar a Inglaterra”.

SA010133“Vou contar-lhe, mas não mencione isso aos outros, pois podem achar ridículo. Mas se fores a Roma, diga-o a Pio IX por mim. (…) Certa manhã, durante minha ação de graças após a comunhão, tive uma repetida distração, que foi estranha para mim; eu pensei ter visto uma grande parte de um país envolvida em grossas brumas, e estava cheia com uma multidão de pessoas. Estavam se movendo, mas como homens que, tendo perdido seu caminho, não estavam certos de onde pisavam. Alguém próximo disse: “Esta é a Inglaterra.” Eu estava para fazer algumas perguntas a respeito disso quando vi Sua Santidade Pio IX, como o vi representado nas figuras. Ele estava majestosamente vestido, e estava carregando uma tocha brilhante com a qual ele se aproximou da multidão, como que para iluminar sua escuridão. A medida que se aproximava, a luz da tocha parecia dispersar a névoa, e as pessoas foram trazidas à plena luz do dia. “Esta tocha,” disse meu informante, “é a religião Católica que está para iluminar a Inglaterra”.” (The Life of Saint Dominic Savio, translated from the original work of the venerable Servant of God, John Bosco. London: Salesian Press, Surrey Lane, Battersea, S.W., 1914)

Fonte: O Copista Moderno

outubro 27, 2009

Cardeal Walter Kasper: “Não se trata de proselitismo, não roubamos os fiéis da outra Igreja”.

Durante a semana passada, celebrou-se em Chipre a reunião da Comissão mista internacional para o diálogo teológico entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa em seu conjunto, que discutiu a questão do primado do Bispo de Roma no primeiro milênio. Sobre esta reunião, apresentamos uma entrevista com o cardeal Walter Kasper, co-presidente da Comissão mista e presidente do Conselho Pontifício para a Unidade dos Cristãos.

* * *

Cardeal Walter KasperEminência, nestes dias o senhor abordou a questão do primado do Papa com os ortodoxos. Há resultados?

Posso dizer que temos dado pequenos passos avante. Não há grandes resultados, mas devemos ter em mente que estava em discussão um argumento difícil e delicado, cuja simples menção, até há pouco tempo, era suficiente para desencadear polêmicas nos ambientes ortodoxos. O mais importante é que todos os membros da Comissão mista, formada tanto por católicos como por ortodoxos, reiteraram sua firme resolução de continuar o diálogo e buscar um acordo sobre a doutrina do primado. Certamente, isso demandará tempo, mas o caminho está assinalado e ninguém quer voltar atrás.

Tratemos de explicar, também para quem não é teólogo, em que ponto se encontra a discussão…

Nestas reuniões temos examinado a questão do primado do Bispo de Roma no primeiro milênio. Parece-me que surgiu um acordo unânime sobre o fato de que não se tratava simplesmente de um primado honorífico. É algo mais. No momento, sem dúvida, não há acordo sobre como definir exatamente esta forma de autoridade. Devemos continuar discutindo.

Um membro autorizado da Comissão, o bispo ortodoxo Gennadios, disse que os trabalhos procedem muito lentamente…

E eu estou totalmente de acordo com ele! Porém, devemos nos perguntar o porquê. Nosso método de trabalho remonta há trinta anos atrás, quando foi constituída a Comissão mista para o diálogo teológico com os ortodoxos em seu conjunto, o que implica a participação de todas as Iglesias autocéfalas, cada uma com seus delegados e com suas posições. Se houver uma proposta para agilizar os trabalhos, esta será bem aceita.

Recentemente o senhor afirmou que terminou a estação de frio intenso entre católicos e ortodoxos. Isso quer dizer que as relações se fizeram muito calorosas?

Estamos em alta temporada com os ortodoxos. Porém, até mesmo no verão às vezes há grandes temporais. Aqui0 em Chipre vimos um temporal repentino, mas, felizmente, passageiro. A contestação pública de um grupo de fanáticos contrários ao diálogo com a Igreja Católica foi condenada imediatamente pelo arcebispo Chrysostomos II (número um da Igreja ortodoxa do Chipre) e também pelo Santo Sínodo da Igreja de Grécia.

As contestações perturbaram os seus trabalhos?

Absolutamente não. Bom, elas criaram um pouco de incômodo naqueles que nos hospedaram. Porém, eu lhes disse que no Ocidente estamos acostumados às minorias barulhentas. Fui decano da universidade depois dos anos 68 e me recordo que as contestações estavam na ordem do dia.

Eminência, a Igreja Católica abre as portas ao regresso dos anglicanos. Que impacto essa decisão histórica terá sobre o diálogo ecumênico?

O assunto não foi conduzido pelo Conselho para a Unidade dos Cristãos, mas sim pela Congregação para a Doutrina da Fé. Obviamente, não estávamos informados. Devo limpar o terreno das interpretações falsas: não se trata de proselitismo, não roubamos os fiéis da outra Igreja. O Papa respondeu a um pedido premente de alguns setores da Igreja anglicana. Um gesto de grande apertura e acolhida realizado em espírito de diálogo. Neste sentido, terá um reflexo positivo sobre o ecumenismo.

***

Fonte: Papa Ratzinger Blog

Tradução a partir do texto publicado em: La Buhardilla de Jerónimo

outubro 27, 2009

Retificação da Sala de Imprensa da Santa Sé – Encontros a cada dois meses.

(DICI) No comunicado da Comissão Ecclesia Dei, datado de hoje, era dito que os encontros prosseguiriam em um ritmo provavelmente bimensal [duas vezes ao mês], mas é necessário ler “em um ritmo provavelmente bimestral, ou seja, mais ou menos a cada dois meses”. O porta-voz do Vaticano,  Pe. Federico Lombardi, precisa: “Em particular, a próxima reunião está prevista para o mês de janeiro, após o tempo do Advento e o período das festas de Natal”.

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