Arquivo para novembro, 2009

novembro 30, 2009

Dois aniversários, uma profissão de fé.

Há exatos 40 anos, no dia 30 de novembro de 1969, entrava em vigor o Novus Ordo Missae de Paulo VI. Ele, cuja adoção não fora “deixada certamente ao arbítrio dos padres ou os fiéis”, viria de maneira avassaladora “substituir o antigo [ordo], após madura deliberação, depois das instâncias do Concílio Vaticano II” (Paulo VI, alocução ao consistório para nomeação de vinte cardeais, 24 de maio de 1976).

Há 35 anos, em 21 de novembro de 1974, Dom Marcel Lefebvre publicava uma declaração que muitos à época chamariam de “auto-condenação”. Nela, o arcebispo fazia sua profissão de fé católica e denunciava as novidades que “contribuíram, e continuam contribuindo, para a demolição da Igreja”.

* * *

‹‹ Neste dia de aniversário, é bom se recordar da declaração de Mons. Lefebvre de 21 de novembro de 1974, para a reler. Apesar de pressões diversas de amigos, professores, de seu próprio corpo docente de Ecône, apesar da incrível pressão em Roma dos Cardeais Tabéra, Wright, Garonne, apesar da pressão de Mons. Bennelli, substituto da Secretaria de Estado, apesar da pressão do Cardeal Villot, Secretário de Estado, apesar do risco de supressão da sua Fraternidade, que foi realizada por Mons. Mamis, bispo de Friburgo, sucessor de Mons. Charrière, Mons. Lefebvre jamais mudou um ïota. Bela força de alma! Bela convicção! Belo amor à verdade! Deve-se sacrificar tudo por ela!

Ela [a declaração] é sempre a minha “carta”, ainda que eu constate com alegria que Roma dá, pouco a pouco, sob o pontificado de Bento XVI, “um franco golpe em favor” de sua Tradição ›› .

Pe. Paul Aulagnier, La Revue Item

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Nós aderimos, de todo o coração…

Nós aderimos de todo o coração e com toda a nossa alma à Roma católica, guardiã da fé católica e das tradições necessárias para a manutenção dessa fé, à Roma eterna, mestra de sabedoria e de verdade.

Pelo contrário, negamo-nos e sempre nos temos negado a seguir a Roma de tendência neomodernista e neoprotestante que se manifestou claramente no Concílio Vaticano II, e depois do Concílio em todas as reformas que dele surgiram.

Todas estas reformas, com efeito, contribuíram, e continuam contribuindo, para a demolição da Igreja, a ruína do sacerdócio, a destruição do Sacrifício e dos Sacramentos, a desaparição da vida religiosa, e a implantação de um ensino naturalista e teilhardiano nas universidades, nos seminários e na catequese, um ensino surgido do liberalismo e do protestantismo, condenados múltiplas vezes pelo magistério solene da Igreja.

Nenhuma autoridade, nem sequer a mais alta na hierarquia, pode obrigar-nos a abandonar ou a diminuir a nossa fé católica, claramente expressa e professada pelo magistério da Igreja há dezenove séculos.

‘Se ocorresse – disse São Paulo – que eu mesmo ou um anjo do céu vos ensinasse outra coisa distinta do que eu vos ensinei, seja anátema’ (Gal. 1, 8).

Não é isto o que nos repete hoje o Santo Padre? E se se manifesta uma certa contradição nas suas palavras e nos seus atos, assim como nos atos dos dicastérios, então elegeremos o que sempre foi ensinado e seremos surdos ante as novidades destruidoras da Igreja.

Não se pode modificar profundamente a lex orandi (lei da oração, liturgia) sem modificar a lex credendi (lei da Fé, doutrina, magistério). À Missa nova corresponde catecismo novo, sacerdócio novo, seminários novos, universidades novas, uma Igreja carismática e pentecostalista, coisas todas opostas à ortodoxia e ao magistério de sempre.

Esta Reforma, por ter surgido do liberalismo e do modernismo, está completamente empeçonhada, surge da heresia e acaba na heresia, ainda que todos os seus atos não sejam formalmente heréticos. É, pois, impossível para todo o católico consciente e fiel adotar esta reforma e submeter-se a ela de qualquer modo que seja.

A única atitude de fidelidade à Igreja e à doutrina católica, para bem da nossa salvação, é uma negativa categórica à aceitação da Reforma.

E por isso, sem nenhuma rebelião, sem amargura alguma e sem nenhum ressentimento, prosseguimos a nossa obra de formação sacerdotal à luz do magistério de sempre, convencidos de que não podemos prestar maior serviço à Santa Igreja Católica, ao Soberano Pontífice e às gerações futuras.

Por isso, cingimo-nos com firmeza a tudo o que foi crido e praticado na fé, costumes, culto, ensino do catecismo, formação do sacerdote e instituição da Igreja, pela Igreja de sempre, e codificado nos livros publicados antes da influência modernista do Concílio, à espera de que a verdadeira luz da Tradição dissipe as trevas que obscurecem o céu da Roma eterna.

Fazendo assim, com a graça de Deus, o socorro da Virgem Maria, de São José e de São Pio X, estamos convictos de permanecer fiéis à Igreja Católica e Romana e a todos os sucessores de Pedro, e de ser os ‘fideles dispensatores mysteriorum Domini Nostri Jesu Christi in Spiritu Sancto’. Amem. (cf. I Cor. 4, 1 e ss.)”

+ Marcel Lefebvre

21 de novembro de 1974

Fonte: FSSPX – Brasil

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História.

Em 26 de março de 1974, um encontro foi realizado em Roma para discutir a Fraternidade Sacerdotal São Pio X e sua principal fundação, o seminário em Ecône.

Presentes neste encontro estiveram o Cardeal Garrone, Prefeito da Congregação para a Educação Católica; o Cardeal Wright, Prefeito da Congregação para o Clero; Mons. Mayer, secretário da Congregação para os Religiosos; Mons. Mamie, Bispo de Lausanne, Genebra e Friburgo — a diocese na qual a Fraternidade primeiro obteve sua autorização canônica; Mons. Adam, bispo de Sion — a diocese na qual Ecône está localizada. Foi decidido que um relatório sobre a Fraternidade e o Seminário deveria ser compilado.

Com surpreendente rapidez o relatório pedido foi despachado em quatro dias, em 30 de março de 1974. Foi redigido por Mons. Perroud, vigário geral da diocese de Lausanne, Genebra e Friburgo. Este relatório, acompanhado por uma carta de Dom Mamie, foi enviado ao Cardeal Garrone.

Em 30 de abril de 1974, Mons. Lefebvre e Mons. Mamie se encontraram em Friburgo.

Em meados de junho de 1974, supostamente o Papa Paulo VI teria convocado uma Comissão ad hoc de Cardeais. Conquanto não seja possível afirmar com certeza que isso é falso, é certo que o documento convocando a Comissão nunca foi feito. Como será demonstrado posteriormente, este documento era um dos ítens que o defensor de Mons. Lefebvre teria solicitado ver não tivesse a apelação do Arcebispo sido barrada. Não seria exagero presumir que uma razão pela qual fora negado ao Arcebispo o devido processo legal tenha sido que um número de sérias irregularidades foram trazidas à luz.  Isso dificilmente pode ser uma coincidência em vista das críticas levantadas pela legalidade duvidosa dos procedimentos contra Mons. Lefebvre, que quando uma Comissão de Cardeal foi convocada para examinar o caso do pe. Louis Coache, um sacerdote tradicionalista que foi removido de sua paróquia por sua defesa da Missa e do catecismo tradicionais, grande cuidado foi tomado para não deixar brechas legais. [...]

Em 23 de junho de 1974, a Comissão de Cardeais se reuniu e decidiu por uma visitação canônica ao Seminário.

A Visitação Apostólica do Seminário de Ecône ocorreu de 11 a 13 de novembro de 1974. Os dois visitadores eram belgas: Mons. Descamps, um biblista, e Mons. Onclin, um canonista. A Visitação Apostólica foi conduzida com grande eficácia. Professores e estudantes eram submetidos a questões agudas e detalhadas a respeito de todos os aspectos da vida do seminário. De todo modo, considerável escândalo foi causado pelas opiniões que os dois visitadores romanos expressaram na presença dos estudantes e professores. Pois, conforme Mons. Lefebvre, estes dois visitadores consideravam normal e de fato inevitável que houvesse um clero casado; eles não acreditavam na existência de uma Verdade imutável; também tinham dúvidas sobre o conceito tradicional da Ressurreição de Nosso Senhor.

Em 21 de novembro de 1974, em reação ao escândalo causado por estas opiniões dos Visitadores Apostólicos, Mons. Lefebvre considerou necessário esclarecer onde ele se mantinha em relação àquela Roma representada por esta disposição de idéias. “Essa”, disse ele, “foi a origem de minha Declaração que, é verdade, foi redigida indubitavelmente num espírito de excessiva indignação”.

Nesta Declaração ele rejeitava as posições expressas pelos Visitadores, mesmo se elas eram atualmente aceitáveis àquela Roma que os Visitadores representavam oficialmente.

Nesta Declaração ele afirmava:

…nós negamos… e sempre nos temos negado a seguir a Roma de tendência Neomodernista e Neoprotestante…

Nenhuma autoridade, nem sequer a mais alta na hierarquia, pode obrigar-nos a abandonar ou a diminuir a nossa fé católica, claramente expressa e professada pelo magistério da Igreja há dezenove séculos.

É difícil ver como qualquer Católico ortodoxo possa eventualmente discordar de Mons. Lefebvre a este respeito. É ainda mais significante, então, que a Comissão de Cardeais posteriormente tenha afirmado que a Declaração “parece-nos inaceitável em todos os pontos”.

Também é importante notar que esta Declaração não era pretendida como uma declaração pública, para não se falar numa espécie de Manifesto desafiando a Santa Sé. Se pretendia que fosse uma declaração privada apenas para benefício dos membros da Fraternidade São Pio X.

Contudo, a declaração vazou sem a permissão de Mons. Lefebvre, e porque o texto, ou extratos dele, estavam sendo usados de maneira à qual ele não poderia fechar os olhos, ele autorizou Itinéraires a publicar na íntegra o texto original francês em janeiro de 1975. Uma tradução inglesa desta Declaração foi publicada em Approaches 42-3 e The Remmant de 6 de fevereiro de 1975.

É particularmente significante que a Comissão de Cardeais tenha persitentemente se recusado a ver esta Declaração no contexto de sua origem: como uma reação privada de justa indignação ao escândalo ocasionado pelas posições propagadas pelos dois Visitadores Apostólicos que foram enviados a Ecône pela Comissão de Cardeais.

Apologia Pro Marcel Lefebvre, Michael Davies, vol. I, cap. IV – A campanha contra Ecône.

novembro 30, 2009

Papa a religiosas enclausuradas: sua oração é “muito preciosa para o meu serviço”.

(FSSPX – Alemanha) O Papa Bento XVI pediu o apoio das congregações femininas silenciosas. Em sua saudação depois da oração do Ângelus no domingo (22) o chefe católico agradeceu especialmente às irmãs de clausura no Vaticano. Ele afirmou que sua oração silenciosa era “muito preciosa para o meu serviço”.

No sábado realizou-se na Igreja Católica um dia de lembrança pelas congregações contemplativas. João Paulo II (1978-2005) fundou o Convento “Mater Ecclesiae” no Vaticano, em 1994, a fim de ter um elemento de vida religiosa contemplativa em seu estado.

A cada cinco anos o convento é ocupado por uma congregação diferente. A primeira formação consistia em oito clarissas.

Em seguida, as carmelitas, beneditinas e atualmente salesianas assumiram o serviço.

As freiras rezam, sobretudo, pelo Papa e pela Cúria do Vaticano. O prédio do convento pertenceu originalmente à polícia pontifícia. (KNA)

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novembro 28, 2009

Os peregrinos.

Por Marcela A. de Castro

Ubi caritas et amor, Deus ibi est.
Congregavit nos in unum Christi amor.
Exultemus, et in ipso iucundemur.
Timeamus, et amemus Deum vivum.
Et ex corde diligamus nos sincero.

[Onde está a caridade e o amor, ali está Deus
O amor de Cristo nos reuniu
Exultemos e alegremo-nos n’Ele
Temamos e amemos o Deus vivo
E amemo-nos com um coração puro
]

Éramos 20 leigos e dois padres. Mais misto do que o nosso grupo, impossível – tanto em idades quanto em temperamentos e vivências. Contudo, estávamos todos igualmente felizes e ansiosos com a expectativa de passarmos alguns dias em uma peregrinação autenticamente católica. Os primeiros a subir no microônibus que nos esperava na porta do hotel foram Dr. Oswaldo e seu neto, João Vinícius. Como de costume, eles se sentaram no primeiro banco atrás do motorista. Em seguida, Luiz Antonio, sua esposa Ana e seus dois filhos adolescentes, Felipe e Paulinho. Em seguida, os dois rapazes vocacionados, Ivo e Pedro Henrique, que estavam seriamente considerando o ingresso num seminário tradicionalista do Chile. Dona Margarida e suas sobrinhas Martinha e Patrícia entraram esbaforidas, pois haviam demorado muito para tomar o café da manhã. A elegante pediatra, Dra. Rita de Cássia, subiu em seguida, junto com sua prima, Irmã Maria das Dores, de uma cidadezinha do noroeste fluminense, que ganhara a peregrinação de presente pelo seu aniversário de dez anos de votos perpétuos.  Em seguida, os jovens Rodrigo, Patrick e Eduardo, que tinham começado a freqüentar a Missa Tridentina em Goiânia e achavam tudo muito punk e irado. Gabriela e eu entramos, seguidas de Fátima e seu noivo Frederico Resende. E, finalmente, nosso querido diretor espiritual, Padre  José Leite Prado da Silva, que convidara seu amigo de Belo Horizonte, Padre  Miguel Gonzáles, para nos acompanhar. Ambos se sentaram nos primeiros assentos do lado oposto ao Dr. Oswaldo e seu neto.

Assim, depois das preces para uma boa viagem e bênçãos para todos, partimos.

* * *

A peregrinação às igrejas e santuários franceses era um sonho que muitos de nós acalentáramos a vida inteira.  Em nosso primeiro dia na França, saímos do hotel bem cedo rumo à Basílica do Sagrado Coração de Jesus no alto da colina dos mártires. A Santa Missa no rito gregoriano seria celebrada por nosso diretor espiritual. Depois de meia hora de viagem chegamos finalmente à Montmartre. Subimos as escadarias que levavam à imponente basílica cantando hinos de louvor e gratidão. Irmã Maria das Dores sabia todos eles de cor, iniciava as primeiras estrofes e dava o tom para que pudéssemos acompanhá-la. Os jovens Patrick e Eduardo seguravam uma faixa com os dizeres: “Vive Christ-Roi!”. Rodrigo segurava um estandarte com a foto de Nossa Senhora Aparecida, a mãe dos brasileiros, que abençoava a primeira peregrinação destes católicos tradicionais do Brasil aos santuários franceses. Quem diria que aqueles meninos de Goiânia, que antes freqüentavam as baladas de sábado à noite, estavam agora transformados. Eram jovens católicos orgulhosos de sua Fé!

Do alto da colina podíamos vislumbrar toda a cidade de Paris. Que maravilha! Não podíamos conter a emoção por estarmos naquela colina outrora pagã e posteriormente santificada pelo sangue dos mártires.

Padre José Leite e padre Gonzáles foram logo atrás do padre Vincent Benoit, a quem haviam contatado para viabilizar a Missa Gregoriana na basílica. Quanto a nós, fomos entrando devagarinho – um grupo de católicos tradicionais de boca aberta e corações palpitantes.

* * *

O primeiro sermão de nossa jornada nos deixou a todos muito pensativos. Padre José Leite começou falando do martírio de São Denis e de como todos nós também devíamos nos suportar mutuamente no martírio diário por nossas escolhas cristãs, principalmente, das incompreensões e preconceitos que enfrentávamos por nossa adesão à Missa de São Pio V. Depois, falou-nos sobre a necessidade de vivermos o Reino Social de Jesus Cristo no dia-a-dia. Por último, exortou-nos a defender a Tradição Católica sem nos agredirmos e rechaçarmos uns aos outros por nossas possíveis divergências; disse-nos, firmemente, que deveríamos evitar toda discórdia e rixas que pudessem servir de combustível para os ataques dos progressistas. “Já basta o quanto somos atacados e caluniados por liberais e neoconservadores. Quanto a nós, precisamos nos unir e nos respeitar para o bem da Igreja e para o nosso próprio bem!”, disse-nos de maneira enfática.

Estávamos todos de olhos arregalados. Certamente, havia diferenças entre nós e, muitas vezes, entrávamos em discussões acaloradas devido às nossas visões pessoais sobre como lidar com a crise na Igreja. Éramos um bando de católicos tradicionais vindos de paróquias e até mesmo dioceses diferentes. Alguns participavam da Confraria de Santa Gertrudes, em Taboão da Serra, outros, simplesmente, freqüentavam a Santa Missa em suas dioceses, como no caso dos jovens da Goiânia, outros freqüentavam missas de um grupo monarquista, e outros ainda ficaram sabendo da peregrinação através de um prestigioso sítio de notícias da Tradição.  Enfim, cada qual tinha a sua visão própria, embora todos tivéssemos uma meta em comum – viver o catolicismo autêntico, entender melhor os problemas do Concílio Vaticano II e seus efeitos na vida da Igreja e buscar a ampla disseminação da Missa Gregoriana. Aquelas palavras do jovem padre José Leite nos marcaram profundamente durante toda a peregrinação.

* * *

Depois da Santa Missa, fomos passear por Montmartre. Andamos em meio às ruas pitorescas do bairro dos artistas, entupimo-nos de crepes recheados com queijo e presunto e tiramos algumas fotos. Em seguida, marchamos para a famosa Catedral de Notre Dame, ponto fundamental para todos os peregrinos que vão a Paris. Padre  Miguel Gonzáles guiou-nos e contou-nos como cada uma daquelas imagens em alto relevo colocadas nas paredes da catedral retratavam cenas bíblicas e eram verdadeiras aulas de catecismo para os pobres e analfabetos da Idade Média. Ficamos todos extasiados com tanta beleza e perfeição. Mesmo com a penumbra no interior da magnífica construção podíamos apreender o significado daquele tipo de arquitetura toda voltada para a honra do Criador. De maneira muito oportuna, Padre Gonzáles fez alguns paralelos com as igrejas modernas e como estas estão cada vez mais vazias de imagens e símbolos religiosos, descumprindo assim o seu papel de auxiliar as pessoas a pensar nas coisas do alto.

* * *

Nosso segundo dia em Paris começou cedo. Depois do café da manhã no hotel, entramos em nosso microônibus e partimos para a igreja da Medalha Milagrosa, na famosa Rue Du Bac, onde Nossa Senhora apareceu à Santa Catarina Labouré pela primeira vez no dia 18 de julho de 1830. Lá assistimos à Missa Gregoriana, desta vez celebrada pelo Padre Gonzáles em uma saleta acima da nave central. Padre Gonzáles enfatizou a necessidade de termos uma vida intensa de oração, especialmente o Terço e a Adoração ao Santíssimo Sacramento. Disse-nos com toda firmeza que não tinha nenhum sentido tanto fervor no combate ao modernismo e tanta luta pela implementação da Missa de São Pio V se não estivéssemos ancorados na oração constante. Novamente, foi como se Deus tivesse enviado um anjo do Céu para nos dizer todas aquelas coisas.

Depois da Missa fomos ver o corpo incorrupto de Santa Catarina. Uma religiosa francesa que trabalhava no local ficou muito surpresa por conhecer um grupo de peregrinos brasileiros tão compenetrados e simpatizou com os dois padres que nos acompanhavam. Recebemos santinhos com a imagem de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa e uma medalhinha dourada colada no alto. Que lindo presente! Quando Padre  José Leite disse-lhe que acabáramos de sair da Missa de São Pio V celebrada ali mesmo, a boa freira abriu um pouco a boca, franziu a testa e fez uma cara que não nos deixava saber ao certo o que estava pensando. Alguns segundos depois, perguntou-nos se fazíamos parte da “Fraternitè Saint Pie X”. Padre Gonzáles mal disfarçou sua vontade de rir, porém, se recompôs imediatamente e disse que os dois eram sacerdotes diocesanos das cidades de Taboão da Serra e Belo Horizonte, respectivamente, e que aqueles eram fiéis vindos de diferentes lugares do Brasil. A freirinha então respirou aliviada e deu um sorriso amarelo. Agradecemos os presentes e partimos.

* * *

A tarde estava reservada para uma visita à igreja de Saint Nicholas du Chardonnet, na rue des Bernardins. Estávamos eletrizados porque iríamos rezar o Terço do dia numa igreja especialíssima para a história da Tradição Católica. A visita fora intermediada por um padre brasileiro da Fraternidade de São Pio X, que conhecia o padre Gonzáles desde os tempos de seminário, quando os dois tomaram rumos diferentes. Assim, logo na chegada, fomos acolhidos pelo Padre Jean Pierre, que nos mostrou toda igreja, desde o belo altar em mármore, com dois enormes anjos nas laterais, o enorme crucifixo de madeira, a estátua de Nossa Senhora Rainha do Clero, a impressionante pintura da ressurreição da filha de Jairo e diversas outras magníficas obras de arte. Mais calmos depois da visita panorâmica pelo interior da igreja, sentamo-nos para rezar o Terço, que foi conduzido pelo Padre José Leite. Padre Jean Pierre nos acompanhou, rezando em espanhol com forte sotaque francês.

Depois do Terço, fomos conduzidos a um salão paroquial, onde ouvimos uma palestra sobre a vida de Monsenhor Lefebvre. Ademais, ganhamos folhetos bilíngües em francês/espanhol sobre a história da igreja Saint Nicholas du Chardonnet e sua ocupação pelos padres da Fraternidade. Em seguida, fomos convidados a passar para uma outra sala. Qual não foi a nossa surpresa ao depararmo-nos com uma mesa repleta de croissants, biscoitos amanteigados com pedacinhos de amêndoas, jarras de suco e café com leite. Naturalmente, aquela era uma visão agradável. Uma senhora branca como a neve de bochechas rosadas e sorriso largo trouxe-nos uma bandeja com xícaras empilhadas, açúcar e adoçante. Olhamos para a porta que se abria com um rangido e vimos dois outros padres entrando para nos conhecer. Um deles era baixinho, gorducho, de cabelos grisalhos e dentes largos. O outro era negro, alto e magro. Ambos foram muito gentis e sorridentes. Abbé Claude Chevalier, o baixinho, queria que lhe contássemos tudo sobre o Brasil, se já conhecíamos o priorado de São Paulo e a igreja do Rio Grande do Sul; tinha uma prima em Santa Catarina e parecia estar bem informado a respeito da política nacional e dos acontecimentos eclesiais em nosso país. Falava um espanhol ainda mais carregado do que nosso anfitrião, Abbé Jean Pierre. Já o padre alto e magro vinha de um priorado na África e estava em Paris apenas por alguns dias. Não falava espanhol e Dr. Oswaldo teve que traduzir suas palavras para nós. Padre Njba Nakba tinha um semblante sério e imponente, que a princípio amedrontava, mas transformava-se completamente quando sorria. Contou-nos um pouco de sua vida missionária na África e de seu desejo de um dia conhecer o Brasil, especialmente, se a Providência Divina o enviasse para o estado do Amazonas.

Saímos de Saint Nicholas no início da noite e fomos para o nosso hotel às margens do Sena. Na mesa de jantar recapitulamos tudo o que havíamos vivido naquele dia. Irmã Maria das Dores parecia um tanto desconcertada com a experiência do encontro com os padres da FSSPX. Os jovens de Goiânia estavam empolgados, como sempre. Os adolescentes Felipe e Paulinho imitaram o sotaque e os gestos dos padres franceses, o que nos proporcionou muitas gargalhadas. Pedro Henrique nos contou que aquele encontro só reforçara sua decisão de ser um sacerdote. Dona Margarida ficara encantada com os biscoitinhos de amêndoa. Já nossos padres acompanhantes falaram de maneira serena e equilibrada qual deveria ser a nossa postura diante dos diversos grupos da Tradição católica que lutavam pela restauração da Missa Tradicional e como deveríamos nos portar diante do clero progressista. Encerramos a noite com uma oração e fomos nos deitar.

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Os dias seguintes transcorreram em paz e harmonia. Visitamos Chartres, Lisieux, Lourdes e Ars. Algumas vezes rezávamos o Terço dentro do ônibus, outras, em alguma das igrejas onde as Missas eram celebradas e as confissões eram ouvidas pelos dois padres durante toda a peregrinação.

Depois daquela experiência inusitada em Saint Nicholas do Chardonet, tivemos ainda a oportunidade de conversar longamente com alguns padres da Fraternidade de São Pedro que encontramos em Ars. Como somente Dr. Oswaldo e a pediatra Dra. Rita de Cássia dominavam o francês, ficávamos gratos quando podíamos ouvir algo em inglês ou espanhol. Felizmente, muitos desses padres falavam pelo menos dois desses idiomas. Lamentavelmente, não pudemos visitar o seminário do IBP em Courtalain, como tanto desejavam os rapazes vocacionados. Tínhamos que ir à Fátima antes de retornar ao Brasil.

Deixamos a França num dia chuvoso de setembro. Estávamos cansados, mas felizes por tudo o que nos ocorrera nas terras de Santa Joana D’Arc, São Denis, São Vicente de Paulo, Santa Teresinha de Lisieux e tantos outros santos e santas que consumiram suas vidas por Nosso Senhor e pela Fé Católica. Partíamos agora para Fátima, em Portugal, onde pediríamos a intercessão da Rainha do Sacratíssimo Rosário por todos os fiéis que ainda enfrentam forte oposição por parte de seus bispos para ter a Missa de Sempre em suas dioceses. Levaríamos os pedidos de oração de nossos familiares e amigos e de todos aqueles que não puderam vir conosco por falta de recursos financeiros. Enfim, rezaríamos especialmente pelo Santo Padre Bento XVI, para que o Bom Deus o protegesse e guiasse.

E assim embarcamos no avião para Lisboa. Se houvesse um detector de pensamentos acoplado às nossas cabeças, certamente, captaria os belíssimos versos do hino que ouvíramos em Ars e que traduzia com perfeição nossas disposições interiores:

Ubi caritas et amor, Deus ibi est.
Simul ergo cum in unum congregamur,
Ne nos mente dividamur, caveamus.
Cessent iurgia maligna, cessent lites.
Et in medio nostri sit Christus Deus.

[Onde existe caridade e amor, existe Deus,
Unamo-nos então ao mesmo tempo,
Não nos dividamos no ânimo e não nos evitemos.
Que cessem as contendas malignas,
Que cessem os litígios,
e que Cristo Nosso Senhor esteja no meio de nós
]

Os nomes dos personagens e os fatos narrados neste conto são fictícios, qualquer semelhança é mera coincidência.

Leia também:
O jovem cura de Taboão da Serra.
O homem que tinha duas mães.
novembro 27, 2009

Congregação para o Culto Divino: Não é lícito negar a comunhão na língua devido ao H1N1.

A Congregação para o Culto Divino e para a Disciplina dos Sacramentos respondeu a um católico leigo da Grã-Bretanha, na diocese em que a comunhão na língua havia sido restringida devido a preocupações relacionadas à epidemia do vírus Influenza A  – subtipo H1N1 (“gripe suína”).

Não faz qualquer sentido científico uma vez que parece melhor ter apenas uma mão envolvida (aquela do Sacerdote). Parece mais seguro ter apenas um homem distribuindo a Sagrada Comunhão (o Sacerdote), nenhum “ministro extraordinário”  de qualquer tipo, e que todos os fiéis recebessem a Comunhão da maneira tradicional.

Fonte: Rorate-Caeli

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Tradução da carta

Prot. N. 655/09 L

Roma, 24 de julho de 2009

Prezado,

Esta Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos deseja dar-lhe ciência do recebimento de sua carta datada de 22 de julho, acerca do direito dos fiéis de receber a Sagrada Comunhão na língua.

Este Dicastério observa que sua Instrução Redemptionis Sacramentum (25 de março de 2004) claramente determina que “todo fiel tem sempre direito a escolher se deseja receber a sagrada Comunhão na língua” (n. 92), nem é lícito negar a Sagrada Comunhão a qualquer dos fiéis de Cristo que não estão impedidos pelo direito de receber a Sagrada Eucaristia (cf. n. 91)

A Congregação lhe agradece por trazer esta importante matéria à sua atenção. Esteja assegurado que os apropriados contatos serão feitos.

Possa o senhor perseverar na fé e no amor a Nosso Senhor e sua Santa Igreja, e em contínua devoção ao Santíssimo Sacramento.

Com todo bom desejo e benevolente estima, sou,

Sinceramente Vosso em Cristo,

Pe. Anthony Ward, S.M.
Sub-Secretário

novembro 27, 2009

Os modernistas são revolucionários.

Se assim é, como entender então a falsa tese modernista sobre um evolucionismo religioso com base na patrística?

Os modernistas são revolucionários. Os revolucionários são utopistas. As utopias fundam-se no mito de uma idade de ouro onde havia total liberdade. Assim, por exemplo, as ideologias de Rousseau e Marx. Antes da propriedade privada havia o bom selvagem, o homem livre e feliz…Nutrindo-se desse mito, os revolucionários projetam um futuro de devaneios.

Pois bem. Os modernistas fabricam o mito de um cristianismo primitivo, pré-constantiniano, de plena liberdade e igualdade. Sem os espartilhos da dogmática, onde tudo é fluido e vago. Combatem a Igreja tradicional, hierárquica e dogmática. Em sua utopia de um pan-cristianismo, síntese de todas as crenças, a religião universal do futuro tem de inspirar-se no mito do cristianismo primitivo.

Como se vê, a crise religiosa atual é gravíssima. O único remédio é defender a continuidade  doutrinária da Igreja contra o espírito de ruptura com o passado. Mas, como os modernistas são astutos, também eles falam em continuidade para legitimar suas inovações. Cabe-lhes o ônus da prova.

Do excelente artigo “O modernismo e a patrística segundo o cardeal Billot”, Padre João Batista de Almeida Prado Ferraz Costa.

novembro 26, 2009

Seminário arquidiocesano de Lyon se torna bi-ritualista.

A Missa Antiga enche o seminário

A Missa Antiga enche o seminário

(Kreuz.net, Lyon) Conforme noticiou a associação francesa ‘Paix Liturgique’, o Cardeal Philippe Barbarin, de Lyon, fundará um seminário no qual a Missa Antiga também será ensinada em pé de igualdade com a nova.

A ‘Paix Liturgique’ faz referência a um anúncio feito pelo sacerdote tradicionalista Pe. Laurent Spriet, durante um recente encontro tradicionalista em Paris.

O Padre Spriet foi membro da Fraternidade Sacerdotal São Pedro, tendo sido incardinado no verão de 2006 na diocese de Versailles. Ele faz parte da comunidade francesa ‘Totus Tuus’.

O seminário sacerdotal bi-ritualista em Lyon deverá começar o ano letivo em 2010/2011. Lá haverá Missa no Rito Antigo todos os dias.

A Arquidiocese de Lyon se orienta  pela iniciativa da diocese Fréjus-Toulon do sul da França – porém, vai mais além.

No seminário de Fréjus-Toulon o Rito Antigo vem sendo ensinado desde o Motu Proprio. Desde então, muitas vocações jovens tem afluído de toda a França para esse seminário.

O sítio italiano ‘Messa in latino’ se alegra que a Arquidiocese de Lyon tenha reconhecido o “sinal dos tempos”.

novembro 25, 2009

Arcebispo de Westminster, D. Vincent Nichols, oferece flores a “divindades” [demônios] hindus.

No sábado, o Arcebispo de Westminster visitou um grande templo hinduísta e lá praticou tudo o que um hindu também teria feito.

O Arcebispo se submete ao ritual de saudação hindu.

(Kreuz.net, Londres) Conforme relatou a imprensa da Arquidiocese de Londres, no sábado, o arcebispo católico Vincent Nichols (64), de Westminster, ofereceu flores em um “Altar das Divindades” hinduísta.

Segundo um relato de hoje publicado no blog do jornalista britânico Damian Thompson, a notícia foi retirada de um texto do comunicado de imprensa.

No sábado durante uma assim-chamada semana inter-religiosa, Mons. Nichols visitou o famoso templo hindu em Neasden, na parte noroeste de Londres.

O templo ficou pronto no ano de 1995 e é o maior lugar de culto hindu fora da Índia. Ele se chama Shri Swaminarayan Mandir.

O Arcebispo foi recebido pelo diretor espiritual do templo, Yogvivek Swami.

A saudação seguiu um rito hinduísta tradicional.

Durante o encontro, o Arcebispo recebeu um ponto vermelho na testa e uma assim chamada linha sagrada ao redor de sua cintura. Swami guiou o Arcebispo através do templo.

Templo hindu Shri Swaminarayan Mandir, em Londres

Templo Shri Swaminarayan Mandir, em Londres

Através da oferta de flores, o Arcebispo expressou o seu respeito perante o “Altar das Divindades” e em seguida deu um passo à frente de uma imagem do líder hinduísta Shri Nilkanth Varni († 1830).

Lá Mons. Nichols rezou junto com Swami pela paz e harmonia no mundo.

Depois de um encontro pessoal entre Mons. Nichols e Swami, o Arcebispo fez um discurso geral para cerca de 2.000 hinduístas. Este versou sobre o significado da religião para o bem comum, assim como o papel da família e da educação de crianças e jovens.

novembro 24, 2009

As conversações romanas vistas por um teólogo de Tübingen.

Ao centro, Peter Hunermann encontra-se com o Papa Bento XVI em 2006

Peter Hunermann (centro) encontra-se com o Papa Bento XVI em 2006

Peter Hunermann foi professor de teologia dogmática em Tübingen (Alemanha). Dizer que ele não é tradicionalista seria uma afirmação incompleta. Afirmar que ele é simplesmente um progressista seria um eufemismo; Hunermann, aos 80 anos, é um teólogo resolutamente moderno, conciliar, mas não conciliador.

Por ocasião de uma conferência proferida no último dia 28 de outubro em Bern, ele expressou seu sentimento — e seu ressentimento — sobre as conversações teológicas entre Roma e a Fraternidade São Pio X. Segundo ele, “os textos do Concílio Vaticano Segundo são essenciais para a Igreja, [...] este concílio é um grande dom de Deus para a Igreja, para o movimento ecumênico e para a humanidade”, e suas declarações relacionadas à liberdade religiosa, liberdade de consciência e ecumenismo, trazem-no ao nível de um evento de “alcance mundial histórico”.

Portanto, aos olhos do teólogo alemão, com estes encontros doutrinais, estamos trilhando “um caminho de alto risco”, pavimentado por “enormes dificuldades”. Pois os textos do Concílio Vaticano Segundo são colocados quase que à disposição dos membros da Fraternidade. Agora, continuou, para eles os textos são meras instruções pastorais e não definições do Magistério.

Hunermman ficou à beira de um AVC quando tomou conhecimento do levantamento das excomunhões, que Sociedade sempre considerou sem efeitos, obtido em 29 de janeiro, após oferecer ao Papa um milhão de rosários. Ele gaguejou: “esta é uma maneira inacreditável de agir!” — Este é um bom encorajamento para perseverarmos em nossos esforços pela terceira Cruzada de Rosários. Muito obrigado, Peter Hunermann!

Padre Alain Lorans

Editorial DICI 205 – 20 de novembro de 2009

novembro 21, 2009

Persiste o escândalo de Viena. Missa Discoteca celebrada por bispo auxiliar.

O escândalo de Viena se aprofunda cada vez mais. Depois da celebração da “Missa Jovem” pelo próprio Cardeal Arcebispo, agora é a vez do senhor bispo auxiliar implementar a “Missa Discoteca”. Não bastassem os absurdos litúrgicos, chega-nos a notícia de que o senhor Cardeal visitará Medjurgorge.

(Kreuz.net, Viena) Em 8 de novembro, o bispo auxiliar Stephan Turnovszky presidiu uma Missa-Discoteca em Viena. A ocasião ocorreu na localidade de Großengersdorf, a vinte quilômetros ao norte de Viena. As Missas-Discotecas vienenses são celebradas sob o título de “Find Fight Follow” (Encontre, Lute, Siga). Provavelmente, com pão pita. Geralmente, se consagra o pão pita durante as Missas-Discotecas da arquidiocese de Viena.

Contudo, a organização desses eventos há muito tempo tem evitado a publicação de fotos da celebração eucarística. Obviamente, o Cardeal Arcebispo responsável, Christoph Schönborn, deseja que os grandes escândalos ocorram em segredo. Não obstante, é provável que o Mons. Turnovszky, seguindo o modelo de seu arcebispo, tenha consagrado um pão pita.

A Missa-Discoteca é um sacrilégio

O lema da recente Missa-Discoteca era “um caminho”. Supostamente, umas mil pessoas devem ter comparecido à Missa. A Arquidiocese de Viena constrange os jovens a participarem de uma Missa-Discoteca pelo menos uma vez antes de receberem o sacramento do Crisma. Uma equipe de preparação escreveu o texto da missa em uma suposta “linguagem  apropriada aos jovens”, conforme informou o sítio da Arquidiocese em Viena  ‘Stephanscom.at’.

Leitura Cômica

Durante as Missas-Discotecas os conteúdos da Bíblia são supostamente  transformados para ficarem “modernos”. Um exemplo disso seria a leitura como algo cômico. As “vozes distintas” da Missa teriam sido apoiadas através de efeitos luminosos e sonoros. Segundo informações do sítio da arquidiocese de Viena, o bispo auxiliar Turnovszky, presidiu a Missa juntamente com o diretor espiritual dos jovens do vicariato, Markus Beranek, e a senhorita Judith Faber (15). No meio da Missa, quatro jovens confabularam sobre becos sem saída experimentados no âmbito pessoal. A próxima Missa-Discoteca será celebrada no final de novembro. Seu lema será “Me dá”.                                                                                             .

Muito divertida

Desde a ocorrência da Missa, ao todo, quatorze pessoas escreveram um comentário entusiasmado no livro de visitas do sítio ‘Find Fight Follow’. Anita (17) se alegra pelos “efeitos luminosos espetaculares e pela decoração”. Stefan T. (22) achou a Missa “muito divertida”. Markus Hofbauer (15) se alegrou pela “Missa fff maneira”. A sigla ‘fff’ refere-se ao lema do evento “Find Fight Follow” (Encontre, Lute, Siga).

Moni (16) ficou “de alguma maneira decepcionada”. A percussão teria se sobressaído bastante: “E o conteúdo não me agradou muito. Eu tava esperando por uma ‘Ação’ tipicamente fff.” Anni (35) ficou impressionada com a Missa: “Certa vez foi bem diferente”.

O diretor espiritual dos jovens, padre Helmut Scheer (46) elogiou os participantes. A assistente dos leigos no altar, a senhorita Judith Faber, teria se posicionado “na linha de frente” de sua senhora.

novembro 19, 2009

“Os bispos e os padres são exortados a acolher bem as legítimas exigências dos fiéis, uma vez que não se trata de uma concessão aos fiéis, mas de um direito”.

Excertos da entrevista de Monsenhor Guido Pozzo, secretário da Comissão Pontifícia Ecclesia Dei, a L’Homme Nouveau – 18 de novembro de 2009:

Eu sempre manifestei interesse e sensibilidade espiritual pela liturgia gregoriana, do mesmo modo como sou sensível – e isso não é de hoje — aos problemas e às controvérsias teológicas relacionadas às interpretações do concílio Vaticano II e da necessidade restaurar e reforçar a tradição e a identidade católica em nossa civilização. [...] A especificidade da estrutura da Comissão pontifícia Ecclesia Dei, à luz do Motu Proprio Ecclesiae Unitatem de julho de 2009, vem do fato que ela é estreitamente ligada à Congregação para a Doutrina da Fé. O Cardeal presidente é o Cardeal Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, e seus membros são os cardeais e arcebispos membros da mesma congregação. Eu diria que a Comissão Pontifícia que, por um lado, foi reforçada, por outro, que ela viu aumentar as obrigações que lhe são atribuídas.

Os deveres que a Comissão pontifícia Ecclesia Dei recebeu, primeiramente do motu proprio do Papa João Paulo II em 1988 e posteriormente integrados pelo motu proprio de Bento XVI Summorum Pontificum, permanecem inalterados. As competências da Comissão no que diz respeito à aplicação das disposições do motu proprio Summorum Pontificum concernentes à forma antiga do rito romano estão plenamente confirmadas. Do mesmo modo está confirmada, no âmbito das faculdades atribuídas à Comissão pelos Soberanos Pontífices, a missão de exercer, em nome da Santa Sé, a autoridade sobre os diversos Institutos e Comunidades religiosas erigidas por esta mesma Comissão que tem por rito a forma extraordinária da liturgia romana e praticam as tradições precedentes da vida religiosa. A isso foi acrescentado, com o motu proprio Ecclesiae Unitatem, o ônus de tratar as questões doutrinais relativas às dificuldades que ainda subsistem com a Fraternidade Sacerdotal São Pio X, para alcançar a plena comunhão.

[...] As dificuldades de responder às exigências dos fiéis que solicitam a celebração da santa missa na forma extraordinária são, por vezes, devidas às atitudes de hostilidade ou preconceito, outras vezes a obstáculos práticos, como a insuficiência do clero, a dificuldade de encontrar padres capazes de celebrar dignamente segundo o rito antigo. Além disso, dificilmente se vê como a harmonizar a pastoral e a catequese da celebração dos sacramentos no rito antigo com a pastoral e a catequese ordinárias das paróquias. É claro que os bispos e os padres são exortados a acolher bem as legítimas exigências dos fiéis, segundo as normas estabelecidas pelo motu proprio, uma vez que não se trata de uma concessão aos fiéis, mas de um direito dos fiéis de poder ter acesso à liturgia gregoriana. Por outro lado, é evidente que temos de ser realistas e operar com a habilidade necessária, pois se trata também de trabalhar pela formação e educação na perspectiva introduzida pelo Papa Bento XVI com Summorum Pontificum.

[...] No artigo 11 do motu proprio se diz entre outras coisas que “esta Comissão tem a forma, as funções e normas que o Pontífice Romano quiser lhe atribuir”. Uma instrução deveria seguir oportunamente para precisar certos aspectos concernentes à competência da Comissão pontifícia e a aplicação de algumas disposições legislativas. O projeto está em estudo.

[...] A idéia de uma “reforma da reforma litúrgica” foi sugerida por diversas vezes pelo então Cardeal Ratzinger. Se me lembro bem, ele acrescentou que esta reforma não seria o resultado de um trabalho administrativo de uma Comissão de peritos, mas que demandaria um amadurecimento em toda a vida e realidade eclesial. Creio que no ponto em que chegamos, é essencial agir na linha que indica o Santo Padre na carta de apresentação do motu proprio sobre o uso da liturgia romana anterior à reforma de 1970, a saber que “as duas formas do uso do rito romano podem se enriquecer mutuamente” e que “o que era sagrado para as gerações anteriores permanece sagrado e grande para nós, e não pode ser de improviso totalmente proibido ou mesmo prejudicial. Faz-nos bem a todos conservar as riquezas que foram crescendo na fé e na oração da Igreja, dando-lhes o justo lugar”. Assim se exprimiu o Santo Padre. Promover esta linha significa, portanto, contribuir efetivamente a este amadurecimento na vida e na consciência litúrgica que poderia levar, num futuro não tão distante, a uma  “reforma da reforma”. O que é essencial hoje para recuperar o sentido profundo da liturgia católica, nos dois usos do missal romano, é o caráter sagrado da ação litúrgica, o caráter central do padre como mediador entre Deus e o povo cristão, o caráter sacrifical da santa missa, como dimensão primordial da qual deriva a dimensão de comunhão.

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