Bento XVI: “depois do Concílio Vaticano II, alguns estavam convencidos de que tudo era novo, que havia uma outra Igreja…”

Nesse ponto, talvez seja útil dizer que também hoje existem visões segundo as quais toda a história da Igreja no segundo milênio teria sido um declínio permanente; alguns veem o declínio subitamente após o Novo Testamento. Na verdade, “Opera Christi non deficiunt, sed proficiunt” ["As obras de Cristo não retrocedem, não são enfraquecidas, mas progridem"]. O que seria a Igreja sem a nova espiritualidade dos Cistercienses, dos Franciscanos e Dominicanos, da espiritualidade de Santa Teresa de Ávila e de São João da Cruz, e assim por diante? Também hoje vale afirmar: “Opera Christi non deficiunt, sed proficiunt”, ide avante. São Boaventura nos ensina, pelo exemplo, o discernimento necessário, por vezes severo, do realismo sóbrio e da abertura a novos carismas doados por Cristo, no Espírito Santo, à sua Igreja. E, enquanto se repete essa ideia de declínio, há também uma outra, este utopismo espiritualístico que se repete. Nós sabemos como, depois do Concílio Vaticano II, alguns estavam convencidos de que tudo era novo, que havia uma outra Igreja, que a Igreja pré-conciliar é finita e teríamos outra, totalmente diferente. Um utopismo anárquico e, graças a Deus, os sábios timoneiros da barca de Pedro – Papa Paulo VI, Papa João Paulo II – defenderam, por um lado, a novidade do Concílio e, ao mesmo tempo, a unicidade e continuidade da Igreja, que é sempre Igreja de pecadores e sempre um lugar de graça.

Palavras do Papa Bento XVI em sua catequese sobre São Boaventura – 10 de março de 2010

Segue a íntegra da catequese:

Queridos irmãos e irmãs,

na semana passada, falei sobre a vida e a personalidade de São Boaventura. Nesta manhã, desejo prosseguir a apresentação enfocando parte de sua obra literária e seu ensino.

Como já disse, São Boaventura, entre os vários méritos, teve o de interpretar autêntica e fielmente a figura de São Francisco de Assis, a quem ele venerou e estudou com grande amor. De modo particular, no tempo de São Boaventura, uma corrente dos Frades Menores, chamada de “espiritual”, sustentava que São Francisco havia inaugurado uma fase totalmente nova da história, algo como o “Evangelho eterno”, de que fala o Apocalipse, que substituiria o Novo Testamento. Este grupo afirmava que a Igreja já tinha esgotado o seu papel histórico e, dessa forma, deveria ser substituída por uma comunidade carismática de homens livres guiados interiormente pelo Espírito, ou seja, os “franciscanos espirituais”.

A base das ideias desse grupo fora escrita nos textos de um abade cisterciense, Joaquim da Fiore, que morreu em 1202. Em suas obras, ele afirmava um ritmo trinitário da história. Ele considerava o Antigo Testamento como a era do Pai, seguida pelo tempo do Filho, o tempo da Igreja. Havia ainda que se esperar pela terceira era, aquela do Espírito Santo. Essa história foi interpretada como uma história de progresso: da severidade do Antigo Testamento para a relativa liberdade do tempo do Filho na Igreja, até a plena liberdade dos Filhos de Deus no período do Espírito Santo, que também seria, finalmente, o período de paz entre os homens, de reconciliação entre os povos e religiões. Joaquim da Fiore havia suscitado a esperança de que o início do novo tempo viria através de um novo monaquismo. É compreensível, portanto, que um grupo de Franciscanos reconhecesse São Francisco de Assis como o iniciador desse novo tempo e que sua Ordem fosse a comunidade desse novo período – a comunidade do tempo do Espírito Santo, que deixava para trás a hierarquia da Igreja para iniciar a nova Igreja do Espírito, não mais vinculada às antigas estruturas.

Houve, portanto, o risco de um gravíssimo mal-entendido da mensagem de São Francisco, de sua humilde fidelidade ao Evangelho e à Igreja, e este mal-entendido comportava uma visão errônea do cristianismo como um todo.

São Boaventura, que tornou-se Ministro Geral da Ordem Franciscana em 1257, encontrou-se frente a uma grave tensão dentro de sua própria Ordem, precisamente por aqueles que apoiaram a mencionada corrente dos “Franciscanos espirituais”, que fora fortemente influenciada por Joaquim da Fiore. Exatamente para responder a esse grupo e restaurar a unidade da Ordem, Boaventura estudou cuidadosamente os escritos autênticos de Joaquim da Fiore e os que lhe eram atribuídos e, tendo em conta a necessidade de apresentar corretamente a figura e a mensagem de seu amado São Francisco, desejou apresentar uma justa visão da teologia da história.

São Boaventura afrontou o problema exatamente em seu último trabalho, um conjunto de conferências para os monges do studio parisiense, que permaneceu inacabado e foi reunido através de transcrições dos ouvintes, intitulado Hexaëmeron, ou seja, uma explicação alegórica dos seis dias da criação. Os Padres da Igreja consideravam os sete dias da história da criação como uma profecia da história do mundo, da humanidade. Os sete dias representavam, para eles, sete períodos da história, mais tarde interpretados também como sete milênios. Com Cristo, se entraria no final no último período, isto é, o sexto período da história, a que se seguiria o grande sábado de Deus. São Boaventura assumiu esta interpretação histórica da relação com os dia da criação, mas de uma forma muito livre e inovadora. Para ele, dois fenômenos de seu tempo exigiam uma nova interpretação do curso da história:

1. A figura de São Francisco, o homem totalmente unido a Cristo até a comunhão dos estigmas, quase um alter Christus, e, com São Francisco, a nova comunidade criada por ele, diversa do monaquismo até então conhecido;
2. A posição de Joaquim da Fiore, que anunciava um novo monaquismo e um período totalmente novo da história, indo além da revelação do Novo Testamento, e que exigia uma resposta.

Enquanto Ministro Geral dos Franciscanos, São Boaventura havia sofrido com tal concepção espiritualista, inspirada em Joaquim da Fiore. A Ordem não era governável, e andava logicamente rumo à anarquia. Para ele, duas eram as consequências:

1. A necessidade prática de estruturas e de inclusão na realidade da Igreja hierárquica, da Igreja real, havia a necessidade de um fundamento teológico;
2. Tendo em conta o realismo necessário, não necessitava perder a novidade da figura de São Francisco.

Da resposta de São Boaventura, elaborada de modo muito sutil, posso oferecer aqui apenas um esboço esquemático e incompleto nos seguintes pontos:

1. São Boaventura rejeita a ideia do ritmo trinitário da história. Deus é um só para toda a história e não pode ser dividido em três divindades. A história é una, mesmo que seja um caminho, e – segundo São Boaventura – um caminho de progresso, como veremos;

2. Jesus Cristo é a última palavra de Deus – n’Ele, Deus disse tudo, dizendo e dando a si mesmo. Mais que ele próprio, Deus não pode dizer, nem dar. O Espírito Santo é o Espírito do Pai e do Filho. O Senhor diz do Espírito Santo: “… vos recordará tudo o que eu vos disse” (Jo 14, 26); “colherá do que é meu e vos anunciará” (Jo 16, 15). Portanto, não há um outro Evangelho superior, não há uma outra Igreja a se esperar. Por isso, também a Ordem de São Francisco deve inserir-se nesta Igreja, na sua fé, no seu ordenamento hierárquico;

3. Isso não significa que a Igreja seja imóvel, fixa no passado, e não possa exercer novidade alguma. “Opera Christi non deficiunt, sed proficiunt” ["As obras de Cristo não retrocedem, não são enfraquecidas, mas progridem"], disse o Santo na carta De tribus quaestionibus. Assim, São Boaventura formula explicitamente a ideia de progresso, e essa é uma novidade em comparação aos Padres da Igreja e a grande parte de seus contemporâneos.

Até então, o pensamento central que dominava os Padres era apresentado como cume absoluto da teologia: todas as gerações posteriores somente poderiam ser suas discípulas. Também São Boaventura reconhece os Padres como professores para sempre, mas o fenômeno de São Francisco lhe dá a certeza de que a riqueza das palavras de Cristo é inesgotável, e que também entre as novas gerações podem parecer novas luzes. A unicidade de Cristo também nos garante novidade e renovação em todos os períodos.

Claro, a Ordem Franciscana pertence à Igreja de Jesus Cristo, à Igreja apostólica, e não pode ser construída como um espiritualismo utópico. Mas, ao mesmo tempo, é válida a novidade de tal Ordem no confronto com o monaquismo tradicional, e São Boaventura – como disse na catequese anterior – defendeu tal novidade dos ataques do clero secular de Paris: os Franciscanos não tinham um monastério fixo, podiam estar presentes em todos os lugares para anunciar o Evangelho. Apenas a ruptura com a estabilidade, característica do monaquismo, em favor de uma nova flexibilidade, restitui à Igreja o dinamismo missionário.

Nesse ponto, talvez seja útil dizer que também hoje existem visões segundo as quais toda a história da Igreja no segundo milênio teria sido um declínio permanente; alguns veem o declínio subitamente após o Novo Testamento. Na verdade, “Opera Christi non deficiunt, sed proficiunt” ["As obras de Cristo não retrocedem, não são enfraquecidas, mas progridem"]. O que seria a Igreja sem a nova espiritualidade dos Cistercienses, dos Franciscanos e Dominicanos, da espiritualidade de Santa Teresa de Ávila e de São João da Cruz, e assim por diante? Também hoje vale afirmar: “Opera Christi non deficiunt, sed proficiunt“, ide avante. São Boaventura nos ensina, pelo exemplo, o discernimento necessário, por vezes severo, do realismo sóbrio e da abertura a novos carismas doados por Cristo, no Espírito Santo, à sua Igreja. E, enquanto se repete essa ideia de declínio, há também uma outra, esta utopismo espiritualístico que se repete. Nós sabemos como, depois do Concílio Vaticano II, alguns estavam convencidos de que tudo era novo, que havia uma outra Igreja, que a Igreja pré-conciliar é finita e teríamos outra, totalmente diferente. Um utopismo anárquico e, graças a Deus, os sábios timoneiros da barca de Pedro – Papa Paulo VI, Papa João Paulo II – defenderam, por um lado, a novidade do Concílio e, ao mesmo tempo, a unicidade e continuidade da Igreja, que é sempre Igreja de pecadores e sempre um lugar de graça;

4. Neste sentido, São Boaventura, como Ministro Geral dos Franciscanos, tomou uma linha de governo na qual ficou clara que a nova Ordem não podia, como comunidade, viver o mesmo “nível escatológica” de São Francisco, em que ele vê antecipadamente o mundo futuro, mas – guiada, ao mesmo tempo, de um são realismo e de coragem espiritual – devia aproximar-se o mais possível da realização máxima do Sermão da Montanha, que, para São Francisco, foi a regra, tendo em conta as limitações do homem, marcado pelo pecado original.

A obra de São Boaventura, o Itinerarium mentis in Deum, é um “manual” de contemplação mística. Ele foi concebido em um cenário de profunda espiritualidade: o monte Alverne, onde São Francisco recebeu os estigmas. Na introdução, o autor explica as circunstâncias que deram origem a este escrito: “Enquanto meditava sobre a possibilidade de a alma ascender a Deus, me foi apresentado, pormenorizadamente, aquele evento maravilhoso que aconteceu com o beato Francisco, isto é, a visão do Serafim alado sob a forma de um Crucifixo. E, meditando sobre isso, imediatamente percebi que tal visão me oferecia a êxtase contemplativa do mesmo Pai Francisco e também o caminho que conduz a ela” (Itinerario della mente in Dio, Prologo, 2, em Opere di San Bonaventura. Opuscoli Teologici /1, Roma 1993, p. 499).

As seis asas do Serafim tornam-se, assim, o símbolo das seis etapas que conduzem progressivamente o homem ao conhecimento de Deus através da observação do mundo e suas criaturas, e através da exploração da própria alma com as suas capacidades, até chegar à união compensadora com a Santíssima Trindade, através de Cristo, à imitação de Francisco de Assis. As últimas palavras do Itinerarium de São Boaventura, que respondem à pergunta sobre como atingir essa comunhão mística com Deus, deveriam ser colocadas nas profundezas do coração: “Se agora deseja saber como isso acontece, [a comunhão mística com Deus] solicita a graça, não a doutrina; o desejo, não o intelecto; os gemidos da oração, e não o estudo da carta; o esposo, não o mestre; Deus, não o homem; a escuridão, não a clareza; não a luz, mas o fogo que tudo inflama e transporta em Deus com a forte unção e ardentíssimo afeto [...] Entremos, pois, na névoa, acalmemos as preocupações, paixões e fantasias; passemos, com Cristo Crucificado, desse mundo ao Pai, a fim de que, após tê-lo visto, digamos com Felipe: isso me basta” (Ibid., VII, 6).

Caros amigos, acolhamos o convite feito por São Boaventura, o Doutor Seráfico, e entremos na escola do Divino Mestre: escutemos a sua Palavra de vida e de verdade, que ressoa nas profundezas da nossa alma. Purifiquemos os nossos pensamentos e as nossas ações, para que Ele possa habitar em nós, e nós possamos compreender a sua voz divina, que nos atrai para a verdadeira felicidade.

Fonte e destaques: Canção Nova Notícias

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23 Comentários para “Bento XVI: “depois do Concílio Vaticano II, alguns estavam convencidos de que tudo era novo, que havia uma outra Igreja…””

  1. Eu acredito que essa insistência do Santo Padre em repetir que o Concílio Vaticano II “não deve ser considerado como uma ruptura com a tradição e que muitos o tomaram como o nascimento de uma nova igreja”, não seja sem motivos.

    Acredito que o Papa está preparando o “terreno” para grandes surpresas. Acredito que venha novidades por ai..
    Quem sabe o retorno da Missa Tridentina na Basílica de São Pedro em solenidades..?

  2. Foi justamente a novidade do Concílio que alimentou o utopismo anárquico de alguns. Tá cada vez mais dificil crer que essas discussões doutrinais irá converter a Roma conciliar, mas, espero estar enganado…

  3. O que se percebe bem, a cada manisfestação de Roma, é o compromisso com o concilio, apesar de todos os males que ele provocou na Igreja!

  4. Essas palavras de Bento VXI dão o que pensar!
    Ratzinger disse que Gaudium et Spes é o anti-syllabus.
    Ratzinger dirigia uma revista teológica “Ecumênica” (se não me engano, era esse seu nome) juntamente com Hans Kung, a qual publicou um artigo dizendo que era preciso reconhecer que o VII estava em ruptura com a tradição.
    As novidades do VII que não se coadunam com a tradição têm de ser queimadas em uma fogueira da Santa Inquisição em plena Praça de São Pedro!
    Que não nos obriguem a aceitar novidades doutrinárias como dons do Espírito Santo, sob o patrocínio de São Boaventura, aliás um teólogo que não tinha a melhor teologia!

  5. Como pode ser sem boa teologia ser Doutor da Igreja?

  6. Isso que o Sr. Jean diz:
    “Que não nos obriguem a aceitar novidades doutrinárias como dons do Espírito Santo sob o patrocínio de São Boaventura.”
    Isso me faz pensar nessas novas comunidades carismáticas que vão surgindo, semelhantes a igrejolas de protestantes elas propõem, cada qual uma maneira nova de ser Igreja hoje.

    Os carismaticos e os movimentos de “renovação” que dão muito valor ao sentimentalismo exagerado… Já receberam de Dom Ranjith um basta: “nas danças, palmas, arbitrariedades na liturgia, “louvor e adoração”…. Como ficam elas sem isso????

    Fica difícil ver o sopro do Espírito Santo nessas novas comunidades.

  7. Caro Christiano, creio que o trecho da catequese:

    “Como já disse, São Boaventura, entre os vários méritos, teve o de interpretar autêntica e fielmente a figura de São Francisco de Assis, a quem ele venerou e estudou com grande amor. De modo particular, no tempo de São Boaventura, uma corrente dos Frades Menores, chamada de “espiritual”, sustentava que São Francisco havia inaugurado uma fase totalmente nova da história, algo como o “Evangelho eterno”, de que fala o Apocalipse, que substituiria o Novo Testamento. Este grupo afirmava que a Igreja já tinha esgotado o seu papel histórico e, dessa forma, deveria ser substituída por uma comunidade carismática de homens livres guiados interiormente pelo Espírito, ou seja, os “franciscanos espirituais”.”

    Seja uma referencia a RCC, pois tambèm a RCC acredita em um esgotamento da Igreja, uma vez que necessita de “Renovaçao”.

    Quanto ao texto em si, alguèm que conhece melhor o Cardeal Ratzinger, poderia nos dizer, qual a relaçao do mesmo, com sua tese de doutorado, a respeito da teologia da historia de Sao Boaventura, em confronto com a de Joaquim de Fiore. Serà que existe algum leitor que conhece a tese de doutorado do Papa, e possa nos dizer algo a respeito? Houve alguma mudança?

    Acredito que se fazer uma interpretaçao do passado da Igreja, em busca de novidades que justifiquem as novidades do Concilio Vaticano II, seja um caminho perigoso e que nao sejam uma resposta satisfatòria para os tradicionalistas.

    O Concilio Vaticano II, afirmou que o Espirito Santo nao foi prometido ao Romano Pontifice, para que pregasse novidades. Sao Francisco nao foi nenhum sinal de contradiçao, teria sido se tivesse sido aceita a tese de Joaquim di Fiore. Sinceramente, eu tenho minhas duvidas atè mesmo quanto a considerar Sao Francisco uma novidade. Alèm disso, nao se pode considerar a maior flexibilidade franciscana em face do monaquismo tradicional, uma novidade, na mesma medida em que sao novidades, as novidades conciliares.

    O que vejo de positivo, em um primeiro momento, è que segundo o trabalho “Sinopse dos erros imputados ao Vaticano II – 2 Erros concernentes a Santa Igreja e a Santissima Virgem – Nota sobre a Dominus Iesus***”,FSSPX, a LUMEM GENTIUM (2-4), apresenta a tese de Joaquim di Fiore, que nesta catequese, o Papa rejeita, vejam:
    2.1. A obscura noção de “Igreja do Cristo” como “mistério trinitário”, a obscura eclesiologia trinitária, segundo a qual há uma sucessão da Igreja do Pai para a Igreja do Filho e, portanto, para a Igreja do Espírito Santo (Lumen Gentium 2-4); noção desconhecida do depósito da fé e graças à qual, deformando santo Irineu (adv. Haer. III, 24,1), se professa abertamente um rejuvenescimento e uma renovação da Igreja por obra do Espírito Santo, como se estivéssemos em uma terceira idade final da própria Igreja (LG 4); perspectiva que parece reafirmar erros de Joaquim de Fiore condenados pelo Concílio de Latrão (1215), décimo segundo da série de concílios ecumênicos (DZ 431-3 / 803-807).

    Jean, a revista do Papa, era a Communio (modernismo moderado) e a de Hans Kung, a Concilium, eles nao trabalharam na mesma revista (se nao me engano, chegaram a trabalhar em uma mesma faculdade). Um dos grandes problemas conciliares, foi que os cargos eclesiasticos, ficou com o pessoal da Comunio e as catedras universitarias, ficaram com o pessoal da Concilium. Dai nao è possivel acreditar com Bento XVI, na sabedoria de Paulo VI e Joao Paulo II, que entregaram cargos universitarios, a modernistas extremados. Isto sem contar as sagraçoes episcopais, e aqueles que foram criados Cardeais, por exemplo, pensar na sucessao de Bento XVI, da atè calafrios… Jà pensou em um Papa Kasper ou Lehman?

    Paulo VI, nao percebia que a auto-demoliçao da Igreja, era resultado direto de seu pontificado. Qualquer pessoa que fala a direita e age a esquerda, esta se auto-demolindo, e no caso de um Papa, obviamente isto se auto-reflitiria na Igreja. A alocuçao “Livrai nos mal”, è antes um lamento pelo seu pontificado, do que propriamente pela situaçao da Igreja, que nada mais fez refletir do que seu proprio pontificado.

    Jà no pontificado de Joao Paulo II, vimos os piores frutos do ecumenismo conciliar, em Assis e nas viagens do Papa. Eu fiquei a noite toda acordado para ver o enterro do Papa e jà tem a noticia a respeito de sua canonizaçao.

    ***http://www.fsspx-brasil.com.br/page%2005-2a.htm

  8. Ana Maria Nunes, hoje qualquer coroinha desses ai querem ser mais que o Papa e julgam até os doutores da Igreja. Liga pra isso não! São os puritanos voltando, travestidos de católicos romanos.

  9. O Santo Padre sabe o que eata fazendo,apesar de muitos não acreditarem ele realmente esta preparando o caminho para a volta da tradição na Igreja.Não e nescessario repetir a opinião do Santo Padre quanto aos modernistas do CVII.Ao contrario do que pensa os ultraconservadores declarar uma guerra aberta ao concílio não adiantara só aumentaram os problemas o que é tudo que os modernistas da maligna teologia da libertação desejam , afundar a Igreja no caos e destrui-la.Aos poucos Bento XVI vai retornando a Igreja ao caminho da tradição ,rezemos pelo Santo padre para que o Espirito Santo o defenda contra os diversos inimigos da Igreja,´´Eas Portas do inferno jamais a venceram“.

  10. Prezada Sra. Ana Maria Nunes.
    São Boaventura foi, sim, um grande santo e doutor da Igreja. Todavia, incorreu no grave erro do voluntarismo, muito característico da teologia franciscana, erro defendido pelo terrível Guilherme de Ockhan e por Duns Scotto. Pretendem esses autores defender a soberana liberdade da vontade divina. Se Deus o quisesse, a fornicação seria coisa boa, o latrocínio coisa boa. Deus poderia inventar outro decálogo. Bento XVI, em famoso discurso na Alemanha, acusou o islamismo de ter tal concepção e reconheceu que algumas correntes da teologia católica também.
    Atenciosamente.
    Jean

  11. “(…) defenderam, por um lado, a novidade do Concílio e, ao mesmo tempo, a unicidade e continuidade da Igreja (…)” – eis um curto-circuito teológico. Bento XVI ainda quer salvar o Concílio per fas et per nefas. Ainda deve acreditar que sua implementação não aconteceu, que foi distorcido, enfim, as desculpas todas. Ele ainda é o peritus dos anos 60, com uns pequenos retoques. Vale lembrar que participou como cardeal daquela encenação deprimente para fulminar a mensagem de Nossa Senhora de Fátima. Isso para mim o desacredita como amigo da Tradição.

  12. Liga não Ana Maria, os doutores estão aqui.

  13. O fato é que a missa de rito ordinário é a celebrada em rito vernáculo, e a do rito extraordinário, celebrada em latim. Há os que querem abolir a missa de rito ordinário. Vão contra o Concílio Vaticano II. O
    O Papa Leão X, que guiou a Igreja na época da Renascença, que excomungou Martinho Lutero por suas 95 teses contrárias à Igreja, condena a atitude de quem quer minar ou rechaçar QUAISQUER concílios aprovados pela Igreja. O Papa Leão X condenou: “Um meio foi dado a nós para enfraquecer a autoridade de Concílios, para contradizer seus atos livremente, julgar seus decretos e corajosamente confessar tudo o que pareça verdade, seja o que for que tenha sido aprovado ou desaprovado por qualquer Concílio” (SS. PAPA LEÃO X, Bula Exsurge Domine, erro condenado nº 29).
    Há os que também querem abolir o rito tridentino, o que é abominável e uma traiçao à tradição bi-milenar da Igreja, a Igreja celebrou por muito tempo dessa maneira, e continua celebrando, hoje com maior espaço com Bento XVI.

  14. Eu concordo com o Sr. Ferdinand que o Papa participou realmente daquela encenação deprimente que tinha o objetivo de fulminar a mensagem de Nsa. de Fátima.

    Porém o próprio Cardeal Ratzinger teria dito que no caso do Arcebispo Lefebvre, “Eu falhei”, e no caso de Fátima, “minha mão foi forçada.” A hipótese de Socci apóia a alegada afirmação do Cardeal Ratzinger de terem forçado sua mão.

    Sabemos que no caso do Arcebispo Lefebvre o Papa Ratzinger ja se corrigiu e eu acredito que no caso de Fátima ele também se corrigirá e talvez agora em Maio em Portugal..

  15. Faz bastante sentido Christiano.

    Ao meu ver, julgando nosso quadro nestas ultimas décadas, já são motivos suficientes para bradar um “Viva o Santo Padre Bento XVI”.

  16. Sr. Gederson,
    Obrigado pelas observações.
    Saiba que concordo que o concílio vaticano II proclamou sim, como sendo e devendo ser doravante a doutrina e o método da Igreja o que foi condenado como uma heresia em 1906 por São Pio X, isto qualquer um enxerga. Ecumenismo, doutrinas de teólogos que foram condenados tudo entrou nas letras do Pastoral VII .

    Como afirmou Paulo VI a Igreja foi invadida pelo pensamento mundano ou seria a fumaça de satanás..??????

  17. Salve Maria!
    Ricardo, me esclareça algumas dúvidas: você acredita que qualquer um do dois ritos são bons? Se o Papa Bento XVI ou um futuro Papa,condenasse o CVII, ele estaria errado? Porque? A criação de um novo rito, não “é abominável e uma traiçao à tradição bi-milenar da Igreja”?
    U.I.O.G.D.

  18. Prezado Ricardo,
    Me esclareça uma coisa QUAL AS DIFERENÇAS TEOLÓGICAS (que voce vÊ) ENTRE OS DOIS RITOS O ORDINÁRIO E O EXTRAORDINÁRIO (também conhecido como rito tridentino)??

    E que diferença existe entre o concílio Vaticano II para os outros concílios por exemplo o de Trento e o Vaticano I (primeiro)

    Obrigado.

  19. Salve Maria!

    “Ordenamos que a Missa, no FUTURO e PARA SEMPRE não seja cantada nem rezada de modo diferente do que está conforme o missal por nós publicado…Em virtude de Nossa Autoridade Apostólica…concedemos e damos o INDULTO seguinte: Doravante… em QUALQUER IGREJA, se possa SEM RESTRIÇÃO seguir este Missal com permissão de usá-lo LIVRE e LICITAMENTE, sem nenhum escrupulo de consciência e sem que possa incorrer em nenhuma pena, sentença e censura, e isto PARA SEMPRE…NÃO SEJAM OBRIGADOS (Bispos e Padres) a celebrar a Missa de outro modo…A presente Bula não poderá JAMAIS, EM TEMPO ALGUM, ser revogada, nem modificada, mas permanecerá sempre firme e válida.
    Se alguém contudo, tiver a audácia de atentar contra essas disposições, saiba que incorrerá na indignação de Deus Todo Poderoso e de seus Bem aventurados Apóstolos Pedro e Paulo”.(São Pio V, Bula “Quo Primum Tempore”).

    “Aquele que disser que a Missa deve ser celebrada somente em lingua vernácula – anatema sit!” (Concilio de Trento, Sess.XXII C.9 D.956)

    “O uso da lingua Latina é um claro e nobre indicio de unidade e um eficaz antídoto contra todas as corruptelas da pura doutrina”.”Está fora do reto caminho aquele que quer restituir ao altar a antiga forma de mesa.” (Pio XII – Mediator Dei)

    Ad Maiorem Dei Gloriam!

  20. Prezados amigos

    Pode parecer fora do contexto do post, mas, na minha opinião, acho que não. A colocação sempre utilizada para reconhecer a crise da Igreja após o Concílio Vaticano II quando o Papa Paulo VI disse no Seminário Lombardo a célebre expressão de a Igreja ter sido penetrada pela fumaça de santanás. Essa expressão, o Mons Virgilio Noé, antigo cerimoniário do Vaticano, disse na revista 30dias (não sei se saiu aqui no Fratres) que o Papa se referia aos padres que não seguiam as prescrições do Novus Ordo, enfraquecendo os dogmas eucarísticos, no afã de inserir a novidade e, consequentemente, a profanação, aproximando-se da invalidade do Sacrifício da Missa.

    Na minha opinião, esta explicação é até mais grave que aquela que imputa erros aos próprios documentos daquele Concílio ecumênico como sendo o símbolo desta fumaça de satanás, pois, afeta o maior ato de adoração, propiciação, impetração e ação de graças prestado a Deus, renovadas na Santa Missa.

    Por isso, muitas das novidades doutrinárias com espírito modernista encontraram campo fértil no seio da Igreja graças a maior e mais desconcertante “reforma” proveniente do Concilio Vaticano II: A LITURGIA.

    Daí, ainda na minha modesta opinião, os esforços do Santo Padre Bento XVI confirmar na Fé o rebanho de Cristo a ele confiado, devem passar, necessariamente, por uma exposição (e aplicação) clara e certa daquilo que o Concílio de Trento promulgou na sua sessão XXII sobre Santa Missa.

  21. Ricardo, é melhor vc se decidir…

    “Há os que também querem abolir o rito tridentino, o que é abominável e uma traiçao à tradição bi-milenar da Igreja, a Igreja celebrou por muito tempo dessa maneira, e continua celebrando, hoje com maior espaço com Bento XVI.”

    Pois não foi por inspiração do “Espírito do Concílio” que tentaram de qualquer forma ‘afundar’ o Rito de São Pio V e enfiaram goela abaixo da Igreja esse rito ‘protestantizado’?

    E quase conseguiram, se não fosse a resistência de santos e bravos homens como Dom Lefebvre e Dom Castro-Mayer.

    Afinal, quem orquestrou a ‘traição à Tradição bi-milenar’ da Igreja?

    Em relação o excerto da Exsurge Domini que vc nos apresenta, falta o contexto. Pois em nada o que vc nos apresenta serve para o momento em que vivemos. Aliás, texto fora do contexto foi um dos legados deixados pelo heresiarca Lutero.

    Já que o Vaticano não promulgou dogmas ou não exigiu adesão irrestrita, já que se tratou de um mero Concílio pastoral (legitimamente convocado, por isso um Concílio Ecumênico), até mesmo Bento XVI admite uma discussão dele, e não é isso que vem acontecendo entre a Santa Sé e a FSSPX? E não foi isso (a crítica ao Concílio Vaticano II) uma das diretrizes do Instituto do Bom Pastor, erigido pelo mesmo Bento XVI???

    Pax Christi!!!

  22. Senhor Paulo Morse

    Prefiro mais os caroinhas do que os MESC.

    **************************************************

    Jean

    Fala comigo no meu email: anamaria.nunes30@yahoo.com

  23. Caro Sr. Christiano,
    Viva Cristo Rei! Salve Maria!

    Chamo a atençao para o pensamento de Loisy:

    “Esperavamos o Reino de Deus, e veio a Igreja.”

    Acredito que ele pode fornecer interessantes reflexoes sobre a fumaça de Satanas. Loisy, nao considera a cristandade, ele esperava um outro reino de Deus. O que tambèm è esperança de Assis e continua sendo a esperança ecumenica, pois afinal, “So Deus pode nos dar a unidade.”

    Fique com Deus.

    Abraços

    Gederson Falcometa