Em uma época como a nossa, tão “policêntrica” e propensa a borrar todo o tipo de concepção identitária, a qual muitos dizem ser contrária à liberdade e à democracia, é importante ter bem clara a peculiaridade teológica do Ministério ordenado para não cair na tentação de reduzi-lo às categorias culturais dominantes. Em um contexto de secularismo generalizado, que exclui progressivamente a Deus da esfera pública, e, tendencialmente, também da consciência social compartilhada, o próprio sacerdote parece “alheio” ao sentimento comum, precisamente pelos aspectos mais fundamentais de seu ministério, como aqueles de ser homem do sagrado, retirado do mundo para interceder a favor do mundo, constituído, em tal missão, por Deus e não pelos homens (cf. Hb 5, 1). Por tal motivo, é importante superar os perigosos reducionismos que, em décadas passadas, utilizando categorias mais funcionalistas que ontológicas, apresentaram o padre quase como um “agente social”, correndo o risco de trair o próprio Sacerdócio de Cristo. Da mesma forma que se revela sempre mais urgente a hermenêutica da continuidade para compreender, de modo adequado, os textos do Concílio Ecumênico Vaticano II, também parece ser necessário uma hermenêutica que poderemos definir como “da continuidade sacerdotal”, a qual, partindo de Jesus de Nazaré, Senhor e Cristo, passa ao longo dos dois mil anos de história de grandiosidade e santidade, de cultura e de piedade, que o Sacerdócio escreveu no mundo, chegando até os nossos dias.
Queridos irmãos sacerdotes, no tempo em que vivemos, é particularmente importante que o chamado a participar no único Sacerdócio de Cristo no Ministério ordenado floresça no “carisma da profecia”: é grande a necessidade de sacerdotes que falem de Deus ao mundo e que apresentem a Deus o mundo; homens não sujeitos a modas culturais efêmeras, mas capazes de viver autenticamente aquela liberdade que somente a certeza de pertencer a Deus é capaz de doar. [...]
No modo de pensar, falar, julgar os fatos do mundo, servir e amar, se relacionar com as pessoas, também no hábito [batina], o sacerdote deve tirar força profética de sua adesão sacramental, do profundo de seu ser. Por consequência, deve fazer todos os esforços para escapar da mentalidade dominante, que tende a associar o valor do ministro não ao seu ser, mas apenas à sua função, não reconhecendo, assim, a obra de Deus, que incide na identidade profunda da pessoa do sacerdote, configurando-o a Si de modo definitivo (cf. ibid., n. 1583).
O horizonte da pertença ontológica a Deus constitui-se, aliás, como o enquadramento adequado para compreender e reafirmar, também em nossos dias, o valor do sagrado celibato, que, na Igreja latina, é um carisma necessário para a Ordem sacra (cf. Presbyterorum Ordinis, 16) e é tido em grandíssima consideração nas Igrejas Orientais (cf. CCEO, cân. 373). [...]
Caríssimos sacerdotes, os homens e as mulheres de nosso tempo nos pedem apenas que sejamos sacerdotes até o fim, e nada mais. Os fiéis leigos encontram em tantas outras pessoas aquilo de que humanamente precisam, mas apenas no sacerdote podem encontrar aquela Palavra de Deus que deve estar sempre em seus lábios (cf. Presbyterorum Ordinis, 4); a Misericórdia de Pai, abundante e gratuitamente concedida no Sacramento da Reconciliação; o Pão da Vida nova, “vero cibo dato agli uomini” ["verdadeira comida dada aos homens"] (cf. Hino do Ofício na Solenidade de Corpus Domini do Rito Romano).
Sacerdotes até o fim, e nada mais.
5 Comentários para “Sacerdotes até o fim, e nada mais.”
-
Será que Sua Excelência, o Cardeal Schonborn ouviu mais esta advertência de Bento XVI?
Celibato como causa de pedofilia…francamente!
-
“Por tal motivo, é importante superar os perigosos reducionismos que, em décadas passadas, utilizando categorias mais funcionalistas que ontológicas, apresentaram o padre quase como um “agente social”, correndo o risco de trair o próprio Sacerdócio de Cristo.”
Bravo!!! Bravo!!! Bravo !!!
-
Mudando rapidamente de assunto.
Alguém sabe como anda o caso Medjugorje?
Faço a pergunto depois que vi essa notícia pavorosa!
http://www.medjugorjebrasil.com/?cat=artigos&id=599
-
Ah como seria bom se os padres usassem batina! Gostei das palavras do Papa! Aqui no meu bairro não há uma Igreja onde os padres usem batina.
A Paz!
-
Perfeito!! Claro como cristal. S.S. Bento XVI mais uma vez preciso nos pontos de deficiênca em que se encontram muitos de nossos Sacerdotes hoje em dia.
Salve Pedro!!








"... muitos dos que se dizem católicos ajudam os «revolucionários» . São esses, sempre «moderados», que estimam a «tranquilidade pública» como o bem supremo. Esses católicos tolerantes, condescendentes, brandos, doces, amáveis ao extremo com os maçons e furiosos inimigos de Jesus Cristo, guardam todo seu mal humor para os que gritam «Viva a Religião!» e a defendem sofrendo contínuas penalidades e expondo suas vidas. Para eles, esses últimos são «exagerados e imprudentes, que tudo comprometem com prejuízo dos interesses da Igreja» ".
Que tenho eu, Senhor Jesus, que não me tenhais dado?… Que sei eu que Vós não me tenhais ensinado?… Que valho eu se não estou ao vosso lado? Que mereço eu, se a Vós não estou unido?… Perdoai-me os erros que contra Vós tenho cometido. Pois me criastes sem que o merecesse… E me redimistes sem que Vo-lo pedisse… Muito fizestes ao me criar, muito em me redimir, e não sereis menos generoso em perdoar-me. Pois o muito sangue que derramastes e a acerba morte que padecestes não foram pelos anjos que Vos louvam, senão por mim e demais pecadores que Vos ofendem… Se Vos tenho negado, deixai-me reconhecer-Vos; Se Vos tenho injuriado, deixai-me louvar-Vos; Se Vos tenho ofendido, deixai-me servir-Vos. Porque é mais morte que vida, a que não empregada em vosso santo serviço… - Padre Mateo Crawley-Boevey