Arquivo para julho, 2010

julho 30, 2010

A Cidade Prateada.

Quando cá cheguei pela primeira vez, no verão passado, fui tomado por um estupor indescritível. É verdade que a bruma e o chuvisco que a envolviam davam um ar todo especial àquela cidade, naquele cálido mês de julho. Mas não eram nem suas belas construções neo-românicas que a tornavam tão fascinante, nem mesmo o grande bosque que a rodeia até o perder de vista. Não! Por mais belo que fosse o local, havia algo mais, algo diferente e raro de encontrar-se no mundo: um estilo de vida, um silêncio eloqüente, um espírito vivificador que dava vida abundante e rica àquela Cidade Prateada.

Nesta Cidade perdida, em tantos momentos do dia e até da noite mais escura, ouve-se o canto dos anjos em louvor a Seu Deus, e o pulcro ressoar de sua campana. No entanto, em outras horas do dia, podemos ver seus habitantes trabalharem como formigas: aqui ouvimos o ruído de um trator e, a certa distância, ouviremos uma serra elétrica ou o tintilar dos pregos de uma marcenaria; caminhando um pouco mais, o bramir das ovelhas e de outros animais no curral, ou veremos ainda aqueles citadinos regando plantas ou preparando seus deliciosos manjares, a deixar no ar aquele adorável aroma da boa comida… Era um lugar de oração ou de trabalho campestre? A dúvida poderia ter sentido a qualquer forasteiro ali chegado desavisada mente. Vemos seus habitantes em suas tarefas e podemos pensar: é todo seu ofício, nasceram para a labuta diária, trabalham sem cessar. No entanto, se os vemos na Igreja, constatamos: são anjos! Não têm pressa para acabarem seus louvores, entoados melodiosa e varonilmente.

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julho 30, 2010

Adeus, velha Legião. Todos os poderes do novo general.

Como Delegado do Papa, o Arcebispo De Paolis tem plena autoridade sobre tudo e todos. Está selado o fim para Corcuera, Garza e outros chefes da congregação fundada por Marcial Maciel, todavia eles ainda resistem.

por Sandro Magister

ROMA, 30 de julho de 2010 – Os superiores dos Leginários de Cristo deram boas-vindas à chegada do Delegado Pontifício que se ocupará de reconstruir a sua Congregação desde o alicerce.

Mas eles sabem que perderam toda autoridade própria. O decreto vaticano que fixa os poderes do Delegado prevê, de fato, que eles poderão ser removidos de um momento para outro, “ad nutum Sanctæ Sedis”. Em todo caso, daqui em diante, todas as suas decisões serão válidas apenas se forem aprovadas pelo Delegado, a quem devem submeter-se em tudo.

O Delegado é o Arcebispo Velasio De Paolis, de 75 anos de idade. Bento XVI lhe confiou a tarefa em 16 de junho, mas a nomeação foi publicada em 9 de julho, porque até essa data o mesmo De Paolis esteve trabalhando no balanço contábil do Vaticano do ano de 2009, em sua qualidade de presidente da Prefeitura dos Assuntos Econômicos da Santa Sé.

Realmente, a competência administrativa é necessária para quem deverá tomar conta dos Legionários de Cristo. Além disso, De Paolis agrega outras competências não menos importantes para a tarefa que lhe foi confiada: em Direito Canônico e Civil, em Teologia Dogmática e Moral, matérias em que foi professor nas universidades pontifícias Gregoriana e Urbaniana. Não é só. De Paolis é também um religioso da Congregação dos Missionários de São Carlos Borromeo, chamada de “Scalabrinianos”, em referência ao nome do fundador, e foi Procurador Geral da mesma. Tem, então, também experência direta do que é uma Ordem Religiosa e de como governá-la.

Na carta de nomeação de 16 de junho, Bento XVI confiou ao Arcebispo De Paolis o governo em seu nome da Legião “pelo tempo que for necessário”, para reconstrui-la em sua totalidade, com uma nova Constituição e com um Capítulo Geral Extraordinário que assinale um novo começo.

Mas é no decreto posterior, emitido em 9 de julho pela Secretaria de Estado vaticana, que são fixados com mais precisão os poderes do Delegado.

Tais poderes são muito amplos, praticamente ilimitados. O Delegado tem autoridade direta sobre todos os superiores da Legião em seus níveis diversos — geral, provincial e local — e sobre todas as comunidades e indivíduos que as compõem.

Pode exercer sua autoridade também por iniciativa própria e derrogar as atuais Constituições da Ordem.

São esperadas algumas decisões em alguns âmbitos. Ao Delegado compete a admissão ao noviciado, à profissão religiosa e ao sacerdócio, a assunção, a transferência e o licenciamento dos dependentes, dos corpos diretivos das universidades, dos seminários e das escolas.

É o Delegado que decide em matéria de administração extraordinária ou de alienação dos bens.

Em síntese: o Delegado “tem o poder de intervenção onde quer que considere oportuno, inclusive no próprio governo interno do Instituto, em todos os níveis”.

É evidente que, com um Delegado dotado de tais poderes, não tem mais futuro o “sistema” que concentrava o controle da Legião nas mãos dos principais herdeiros do fundador Marcial Maciel, os padres Álvaro Corcuera e Luis Garza Medina, o segundo mais ainda que o primeiro.

O fim desse “sistema” implica também o fim desse corpo separado, patrimonial e administrativamente, em total e exclusiva dependência do Padre Garza, que é o Grupo Integer.

O Delegado se valerá de quatro assistentes pessoais externos — cuja nomeação se espera — a quem confiará tarefas específicas. Um deles se ocupará dos bens e da administração.

Ademais, o Delegado coordenará uma Visitação Apostólica suplementar ao movimento Regnum Christi, o ramo leigo da Congregação.

Uma passagem chave do decreto da Secretaria de Estado é a que estabelece que “todos têm livre acesso ao Delegado e todos podem tratar pessoalmente com ele”. Desde o momento em que o Arcebispo De Paolis assumiu o cargo, é realmente isso o que está começando a acontecer.

Mas ao mesmo tempo, a permanência dos antigos superiores em seus postos atua como freio. Muitos sacerdotes e religiosos da Legião seguem padecendo seu controle paralisante. E não saem à luz, mas se calam também diante do Delegado.

Por sua vez, este tem justamente a necessidade urgente de individualizar, dentro da Congregação, os homems e grupos mais idôneos, sobre os quais se basear para levar a cabo a renovação.

Nos primeiros dias de setembro, quando o Delegado entra efetivamente em ação, serão importantes seus primeiros movimentos.

Se rapidamente são levados a cabo atos concretos de ruptura do bloco de poder que governou até agora a Legião, é provável que a renovação se produza mais rapidamente, contando — como escreveu o Papa –  com o “zelo sincero e a fervorosa vida religiosa” de tantos membros da Legião.

julho 29, 2010

A ideologia pára-conciliar e suas conseqüências na Igreja.

La Buhardilla de Jerónimo

Monsenhor Guido Pozzo, secretário da Comissão Pontifícia “Ecclesia Dei”, proferiu recentemente uma conferencia à Fraternidade de São Pedro sobre os “aspectos da eclesiologia católica no acolhimento do Concílio Vaticano II”. Apresentamos a parte conclusiva da referida conferência, particularmente interessante, uma vez que Mons. Pozzo se refere a um assunto de grande atualidade na vida da Igreja: o da interpretação do Concílio Vaticano II em continuidade com a Tradição doutrinal católica (um tema que está incluído entre aqueles que a Fraternidade São Pio X tratará com a Santa Sé nas atuais conversações doutrinais). Com grande clareza e lucidez, Mons. Pozzo denuncia a existência e as conseqüências do que chama “ideologia pára-conciliar”.

* * *

O que está na origem da interpretação da continuidade ou ruptura com a Tradição?

Está o que podemos chamar a ideologia conciliar ou, mais exatamente, pára-conciliar, que se apoderou do Concílio desde o princípio, sobrepondo-se sobre ele. Com esta expressão não se entende algo que diz respeito aos textos do Concílio, nem muito menos à interpretação dos sujeitos, mas sim o marco de interpretação global em que o Concílio foi colocado e que atuou como uma espécie de condicionamento interior na leitura sucessiva dos feitos e dos documentos. O Concílio não é, de fato, a ideologia pára-conciliar, mas na história dos acontecimentos da Igreja e dos meios de comunicação de massa logrou-se em grande medida a mistificação do Concílio, quer dizer, a ideologia pára-conciliar. Para que todas as conseqüências da ideologia pára-conciliar fossem manifestadas como evento histórico, foi necessário verificar a revolução do ano 1968, que assume como princípio a ruptura com o passado e a mudança radical da história. Na ideologia pára-conciliar, o ano de 1968 significa uma nova figura de Igreja em ruptura com o passado, embora as raízes desta ruptura estivessem presentes já desde algum tempo em determinados ambientes católicos.

Este marco de interpretação global, que se sobrepôs de modo extrínseco ao Concílio, pode ser caracterizado principalmente por esses três fatores:

julho 28, 2010

Foto da semana.

No verão europeu, Vaticano orienta turistas com roupas curtas a se cobrirem antes de adentrar na Basílica de São Pedro. Segundo a agência ANSA, membros da Guarda Suíça interpelam turistas por suas vestes inapropriadas: "Esta é a Cidade do Vaticano e, por respeito, aqui não se entra com os ombros descobertos ou com bermudas". A nova medida causou grande procura por roupas no comércio das imediações.

No verão europeu, Vaticano orienta turistas com roupas curtas a se cobrirem antes de adentrar na Basílica de São Pedro. Segundo a agência ANSA, membros da Guarda Suíça interpelam turistas por suas vestes inapropriadas: "Esta é a Cidade do Vaticano e, por respeito, aqui não se entra com os ombros descobertos ou com bermudas". A nova medida causou grande procura por roupas no comércio das imediações.

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julho 28, 2010

O Cacique, o Padre e a Missa.

Introibo ad altare Dei

Havia um Padre, ordenado há cerca de 3 meses na Congregação Missionária dos Xaverianos, que foi designado para trabalhar como missionário na Amazônia brasileira, onde há tribos que ficam muito tempo sem Missa, às vezes até três anos sem nem mesmo ver um Padre; só Deus sabe mesmo de quanto em quanto tempo essas tribos indígenas têm Missa.

Este Padre recém-ordenado foi rezar a Missa Nova em uma tribo no meio da selva que havia sido evangelizada pelos Missionários Montfortinos franceses, há muito tempo atrás. Depois que o Padre rezou a Missa Nova dele, todo contente, um velho Cacique da tribo veio até ele e disse-lhe:

Padre Pinzon e Padre Navas.

Padre Pinzon e Padre Navas.

- “Não tem mistério nenhum nisso que você acabou de fazer”.

E o Padre disse:

- “Como não tem mistério? Isso aqui é Missa! Como você pode dizer que não tem mistério?”

- “Isso não é a Missa”, respondeu o Cacique.

- “E qual que é a Missa?”, indagou o Padre.

- “É aquela que o Padre diz: Introibo ad altare Dei”, falou o Cacique.

Esse Padre nunca tinha ouvido falar dessa Missa onde se dizia “introibo ad altare Dei”. No entanto, essa era a Missa da qual esses índios ficaram privados durante tanto tempo e na qual aquele velho Cacique havia sido acólito e coroinha do missionário, já falecido, que evangelizou aquela tribo há tantos anos atrás.

O Padre, ao retornar à sua casa, foi falar sobre a Missa com seu Superior, que lhe disse:

- “Esses índios ignorantes não sabem nada, por que é que você está indo atrás deles? Eles não conhecem nada”.

Porém, o Padre foi à biblioteca e encontrou uma foto do seu Superior rezando a Missa de São Pio V, usando uma casula e na posição versus Deum. Então ele começou a querer saber sobre isso e acabou entrando numa crise espiritual. Perdeu tudo o que tinha (carro, celular, rádio, etc.) e ficou 6 meses sem conseguir rezar a Missa Nova, aliás, nenhuma Missa, porque ele não conhecia mais a Missa.

O Padre voltou para sua terra, a Colômbia, onde encontrou o Pe. Rafael Navas, que naquela época pertencia à FSSPX (Fraternidade Sacerdotal São Pio X), e foi quem lhe explicou qual era o problema do Concílio Vaticano II e da Missa Nova. Pe. Navas conseguiu que ele fosse para La Reja, na Argentina, no seminário São Pio X. Lá, esse Padre ficou 4 ou 5 anos, onde aprendeu a rezar a Missa de São Pio V. (Atualmente, Pe. Rafael Navas é o superior do IBP do Chile e de toda a América Latina)

Voltando para a Colômbia, este Padre não foi aceito por bispo algum e se tornou padre vago. Por causa disso, ele não tinha onde dormir, nem onde comer, mas ele tinha a Missa do “introibo ad altare Dei”, e por isso não desanimou. Durante aproximadamente 8 anos ele ficou nessa situação: morava com pessoas que queriam a Missa Gregoriana, rezava a Missa na casa delas, suas coisas ficavam guardadas na rodoviária, com chave alugada, num armário e por muitas vezes ele não tinha o que comer.

Quando o IBP (Instituto Bom Pastor) foi fundado, o Pe. Navas, que já estava lá incardinado, chamou esse Padre para que ele também se incardinasse no IBP. Este Padre, convertido pelo índio, é o Pe. José Luiz Pinzón, atual Superior do IBP em Bogotá, na Colômbia.

Vejam que ele teve a graça da conversão pelas palavras saídas da boca de um índio que nada sabia sobre fenomenologia e nem sobre filosofia escolástica para saber a diferença entre elas. O que é o sensus fidei! Deus dá a graça, mesmo a um índio no meio da selva. Às vezes, um índio que está no meio da selva consegue entender melhor um problema do que a gente aqui, na “civilização”. Notem como a sabedoria de Deus foi proferida pela boca de um índio: “a Missa é aquela que o Padre diz introibo ad altare Dei, não é isso aí que você fez”.

Como dizia São Pio de Pietrelcina: “É mais fácil o mundo ficar sem o sol do que ficar sem a Missa”. O mundo está de pé porque a Missa Gregoriana nunca deixou de ser rezada. Mesmo quando Paulo VI “proibiu-a”, houve padres idosos, em comunhão com Roma, para os quais Paulo VI deu a dispensa para rezá-la e, além disso, em outros locais continuou-se também rezando a Missa Gregoriana, como em Campos e na FSSPX. Portanto, a Missa de São Gregório Magno nunca foi interrompida, desde Nosso Senhor até hoje, e assim ela irá até o final dos tempos.

História relatada pelo Subdiácono Rafael Scolaro, do Instituto Bom Pastor, no dia 21 de Julho de 2010, em aula/palestra para o Grupo São Pio V de Curitiba.

Fonte: Mulher Católica - agradecimento ao amigo Marcos Mattke pela indicação

julho 26, 2010

Posso votar no PT? (uma questão moral).

Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz – Pró-Vida de Anápolis

1. Existe algum partido da Igreja Católica?

A Igreja, justamente por ser católica, isto é, universal, não pode estar confinada a um partido político. Ela “não se confunde de modo algum com a comunidade política”[1] e admite que os cidadãos tenham “opiniões legítimas, mas discordantes entre si, sobre a organização da realidade temporal”[2].

2. Então os fiéis católicos podem-se filiar a qualquer partido?

Não. Há partidos que abusam da pluralidade de opinião para defender atentados contra a lei moral, como o aborto e o casamento de pessoas do mesmo sexo. “Faz parte da missão da Igreja emitir juízo moral também sobre as realidades que dizem respeito à ordem política, quando o exijam os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas”[3].

3. O Partido dos Trabalhadores (PT) defende algum atentado contra a lei moral?

Sim. No 3º Congresso do PT, ocorrido entre agosto e setembro de 2007, foi aprovada a resolução “Por um Brasil de mulheres e homens livres e iguais”, que inclui a “defesa da autodeterminação das mulheres, da descriminalização do aborto e regulamentação do atendimento a todos os casos no serviço público[4].

julho 24, 2010

Depois da Missa Churrasco na Áustria e da Missa Laranja na Holanda, uma nova aberração vinda da Alemanha.

Missa na piscina - Alemanha

Missa à beira da piscina!

Segundo a notícia de SZON, as temperaturas na cidade alemã de Allmendinger chegaram a 30º à sombra e o padre quis fazer uma missa temática sobre o tema da água. Assim, as músicas e a celebração giraram em torno do assunto. A celebração contou com a participação de coroinhas descalças e “fiéis” em trajes de banho.

Segue a tradução da matéria na íntegra:

“Em meio a temperaturas de 30 graus à sombra, o padre, juntamente com um bando de acólitos descalços, foi se arrastando até o altar que fora montado diretamente próximo à piscina aos acordes da canção “Pack’ die Badehose ein” (“coloque o seu traje de banho na bolsa”) cantada com entusiasmo. Além disso, o “Coral Jubilate” cantou sob a direção de Monika Schurr, enquanto inúmeros pequenos banhistas ainda se agitavam na água. Uma vez que essa não se tratava de uma missa habitual, a preparação da celebração da família ficou a cargo sobretudo de equipes. Todas as canções, textos e o discurso do Padre Gerlach giraram em torno do tema água. Durante a canção ‘Ein Schiff, das sich Gemeinde nennt’ (‘Um barco que se chama comunidade’), as crianças puderam colocar barquinhos de papel na água. Os membros da comunidade e os banhistas se alegraram com a missa e desejaram um repeteco no próximo ano.”

julho 23, 2010

A ressurreição do velho esclarecimento do porta-voz da Santa Sé.

Está sendo difundida pela rede a notícia de que o Padre Federico Lombardi, porta-voz da Santa Sé, teria retificado a informação dada por Dom Bernard Fellay de que o Papa Bento XVI celebraria a missa tradicional privadamente.

É importante notar que a matéria veiculada no Forum Catholique que deu início à difusão dessa informação [que já circula em alemão, italiano e português] data de 17 de julho… de 2007!

Portanto, o Padre Federico Lombardi não se apressou em corrigir o relato de Dom Fellay em sua visita ao Brasil, mas sim uma notícia de CWNews [em português aqui], que levantou o assunto pela primeira vez um dia antes desse “esclarecimento” do porta-voz da Santa Sé. “Esclarecimento” esse que deve ser visto à luz da grande repercussão, à época, das polêmicas suscitadas pela promulgação do motu proprio Summorum Pontificum e, por esse simples fato, considerado “cum grano salis”.

Ao passo que não há confirmação de que o Papa celebre realmente a missa tradicional, também não há nenhum novo desmentido por parte da Santa Sé. Cabe aos católicos considerar o grau de confiabilidade de Dom Bernard Fellay e do Padre Federico Lombardi…

julho 23, 2010

Mitras em conflito: não há espaço para clareza na ditadura modernista da CNBB.

Artigo de Dom Luiz Gonzaga Bergonzini publicado no site da CNBB até quarta-feira.

Artigo de Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, publicado no site da CNBB até quarta-feira, repentinamente saiu do ar.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que se ufana de defender os direitos democráticos (dentre os quais o da livre difusão de idéias), na surdina censurou um de seus membros.

O artigo “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”, de Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, bispo de Guarulhos [citado também aqui], antes publicado no site da CNBB, saiu do ar na última quarta-feira, provavelmente, pela repercussão do artigo nos meios seculares. O grande César do laicismo imperante não poderia gostar do tom claro e preciso de Dom Bergonzini. O mesmo pode-se dizer da CNBB, que prefere sempre lançar mão de critérios ambíguos e genéricos para redigir suas notas e declarações.

O problema do senhor bispo de Guarulhos? Clareza na defesa da moral católica: “sou apartidário, tenho o direito de me manifestar livremente e a obrigação de orientar meus fiéis. Por isso deixei muito clara a posição de que não devem votar na Dilma. Nem nela e em nenhum outro candidato que defenda a legalização do aborto”, disse o Dom Bergonzini ao G1.

“CNBB não entra em questões políticas“.

A pérola foi dita pelo subsecretário-geral adjunto da entidade, padre Antonio da Paixão: “Em relação ao aborto, a posição da Igreja Católica é muito clara de sermos contra. Não concordamos [com o artigo] em relação aos nomes, do ponto de vista partidário. A CNBB não entra nessas questões políticas”.  Aqueles que conhecem o histórico da CNBB só tem um adjetivo adequado a Pe. Antonio: Cara-de-pau!

Orientação aos padres.

Dom Bergonzini ainda declarou ao G1: “vou mandar uma circular para os padres da diocese pedindo que eles façam o pedido na missa, para que os nossos fiéis não votem na candidata do PT e em nenhum outro candidato que defenda o aborto. Desde o Antigo Testamento, temos que é proibido matar. Uma pessoa que defende o aborto não pode ser eleita. Eu tenho obrigação de orientar meus fiéis pelo que está certo e o que está errado”, disse o bispo, a um ano de atingir 75 anos, a idade limite para apresentar sua renúncia ao Papa. É certo: a CNBB e o senhor Núncio Apostólico já estão providenciando um sucessor digno da herança dos infelizes antístites vermelhos idolatrados pela corja modernista da CNBB: Hélder Câmara, Casaldáliga, etc.

Rezemos para que o sucessor de Dom Bergonzini seja igualmente um bispo corajoso e consciente de sua missão de pastor de almas.

Convidamos vivamente nossos leitores a expressar seu apoio a Dom Luiz Gonzaga Bergonzini [clique aqui].

[Atualização: 23 de julho de 2010, às 11:06] Em entrevista ao portal Terra, Dom Luiz, questionado se a CNBB o procurara para tratar do caso, declarou: “Não ligaram e nem vão porque cada bispo é autônomo na sua diocese. A autoridade máxima aqui sou eu e meu superior é o Papa”. Sobre a candidata Marina Silva: “Marina sugeriu que houvesse plebiscito, mas que é isso? Decidir se é legal matar ou não? A criança não tem direito? São dois pesos e duas medidas? A pessoa não tem a coragem de seguir a sua consciência porque nem sempre o mais fácil é o mais certo.”

[Atualização 2: 23 de julho de 2010, às 14:17] Em entrevista à Folha, ao ser lembrado de uma suposta recomendação da CNBB de  neutralidade na campanha eleitoral, o senhor bispo declarou: “Em primeiro ligar, que recomendação é essa? A CNBB não tem autoridade nenhuma sobre os bispos. Eu segui a voz da minha consciência. Sou cristão de verdade e defendo o mandamento ‘não matarás’. Não tem esse negócio de ‘meio termo’”. Sobre possíveis represálias da CNBB ou do governo: “Sempre tem alguma coisa. Tenho recebido muitos e-mails. Não sei se são ameaças, mas contestando. Mas posso te dizer que muitos de apoio. As pessoas dizem: ‘finalmente alguém que usa calça comprida resolveu reagir’”.

julho 22, 2010

“Ai daqueles que escandalizarem um destes pequeninos!” (Mt 18, 6). Ecumenismo recomendado apenas para maiores de 18 anos.

Golias – Está decidido. O Cardeal Joachim Meisner, arcebispo de Colônia, acaba de cortar. Os estudantes católicos não participarão mais de celebrações inter-religiosas. O purpurado, muito conservador, amigo de Joseph Ratzinger, exige que os alunos católicos não participem mais de celebrações religiosas em comum com crianças de outras religiões.

Numa diretriz, alegou que a fé das crianças não era suficientemente desenvolvida e que lhes faltava a capacidade de “distinção” necessária. Pediu igualmente que os alunos católicos não rezassem mais juntamente com os alunos muçulmanos ou judeus.

Como era esperado, tal retrocesso suscita vivas controvérsias e joga gasolina sobre o fogo que já queima. O conselho central dos muçulmanos da Alemanha pediu à conferência dos bispos um posicionamento claro, esperando que ela contradiga Meisner, ou ao menos dê uma versão completamente diferente. Tanto mais que a orientação de Meisner se encontra em contradição com decisões que a própria conferência episcopal estabeleceu sobre as festas multi-religiosas.

O ministro da Integração do Land de Renânia‑do‑Norte‑Vestefália, Armin Laschet, apesar de conservador, lamentou a decisão de Dom Joachim Meisner no diário Die Welt: “Creio que a nossa época não tem menos necessidade de mais atitudes comuns entre as religiões”.

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