Arquivo para setembro, 2010

setembro 30, 2010

O futuro FSSPX: nem concessão, nem “statu quo” confortável.

FONTE – Monsenhor Brunero Gherardini – tradução de Fratres in Unum a partir da versão francesa do Padre Matthieu Raffray, do Instituto do Bom Pastor – 29 de setembro de 2010

 

Cônego da Basílica de São Pedro e postulante da causa de canonização do Beato Pio IX, Mons. Gherardini é padre da diocese de Prato (Itália) e está a serviço da Santa Sé desde 1965, especialmente como professor de eclesiologia e ecumenismo na Pontifícia Universidade Lateranense até 1995.

Cônego da Basílica de São Pedro e postulante da canonização do Beato Pio IX, Monsenhor Gherardini é padre da diocese de Prato (Itália) e está a serviço da Santa Sé desde 1965, especialmente como professor na Universidade Lateranense.

 

Propomos aqui um texto sobre o futuro da Fraternidade São X que Monsenhor Brunero Gherardini nos pediu que traduzisse para o francês e publicássemos. Sua perspectiva realista, fundada sobre circunstâncias históricas que conhece bem por vários motivos, dá lugar a uma síntese teológica que novamente enfoca a vexata quaestio sobre a noção de “Tradição”.

Ele convida a trabalhar lucidamente na clareza teológica, sem temer iniciar um duro e longo trabalho, aberto às grandes colaborações e investigações aprofundadas sobre os documentos conciliares controversos, como já havia convidado em sua já famosa obra, Vaticano II, um discorso da fare. Nesta perspectiva, o acordo canônico desejado não seria o resultado de uma rápida confrontação ponto a ponto sobre o Vaticano II, mas, pelo contrário, o ponto de partida de um vasto programa de análises e de estudos que contaria com “a colaboração dos especialistas mais prestigiosos, seguros e reconhecidos de cada um dos âmbitos sobre os quais se articula o Vaticano II [e que daria lugar] a uma série de congressos ou a uma série de publicações sobre cada um dos diversos documentos conciliares” (B. Gherardini, “Súplica ao Santo Padre”, Ibid., ed. fr., p. 262).

Também nós nos inserimos nessa ótica, em especial, no que diz respeito a um sério renascimento do debate teológico, que deve comportar dos dois lados a revisão de “sensos comuns” não dogmáticos, no interesse supremo da Igreja universal, e não na busca de um statu quo que não visaria mais que cultivar os interesses particulares.

Padre Matthieu Raffray, IBP


 

Por ocasião de um encontro entre amigos, alguns deles me perguntaram qual poderia ser o futuro próximo da Fraternidade São X, ao fim das discussões em curso entre a referida fraternidade e a Santa Sé. Discutimos longamente e os pareceres estavam divididos. Por isso, expresso o meu por escrito, na esperança — sem nenhuma pretensão, Deus me livre — que possa ser útil não somente aos meus amigos, mas também aos que participam neste diálogo.

Tenho que dizer, antes de tudo, que ninguém é profeta, nem filho de profeta. O futuro está nas mãos de Deus. Às vezes é possível organizá-lo antecipadamente, ao menos em parte; noutros casos, ele nos escapa totalmente. É necessário, além disso, reconhecer às duas partes, que estão afinal trabalhando para encontrar uma solução ao problema dos “lefebvristas” que já durou muito, que elas, até agora, têm tido êxito em manter admirável e exemplarmente o silêncio que haviam prometido sobre os seus colóquios. Tal silêncio, no entanto, não ajuda a prever as saídas possíveis.

“Rumores”, em contrapartida, se fazem ouvir; e não pouco. Saber qual o seu fundamento é um enigma. Examinarei, então, algumas das opiniões expressas por ocasião da discussão mencionada, para posteriormente dar, de maneira clara, a minha.

 

Dom Fellay, Cardeal Hoyos e Papa - setembro de 2005

Dom Fellay, Cardeal Hoyos e Papa - setembro de 2005

 

1 – Durante a discussão, alguns julgaram positivo o recente convite feito à Fraternidade de “sair do bunker [refúgio, abrigo] no qual se trancou durante o pós-concílio para defender a Fé contra os ataques do neomodernismo”. Era claro que dar uma opinião a esse respeito não era coisa fácil. Que a Fraternidade, durante algumas décadas, esteve fechada num bunker, é evidente; e, infelizmente, ainda permanece. Menos evidente é saber se ela entrou sozinha, se fizeram-na entrar, ou se os acontecimentos a empurraram para lá. Parece-me que, se realmente se quer falar de bunker, Monsenhor Lefebvre mesmo foi quem encarcerou a sua Fraternidade, em 30 de junho de 1988, quando — após duas advertências de João Paulo II e uma admoestação formal para que renunciasse ao ato “cismático” que planejava realizar — ordenou bispos quatro dos seus padres. O bunker foi isso: não o de um cisma formal, dado que se tratou apenas de uma “recusa de submissão ao Soberano Pontífice” (CIC 751, §2), não havia dolo nem intenção de criar uma anti-igreja; pelo contrário, este ato foi determinado mesmo pelo amor à Igreja e por uma espécie de “necessidade” urgente de assegurar a continuidade da verdadeira Tradição católica, seriamente comprometida pelo neomodernismo pós-conciliar. Mas foi um bunker: o de uma desobediência aos limites do desafio, uma via sem saída e sem a perspectiva de nenhuma abertura possível. E não aquele de salvaguardar valores comprometidos.

É difícil compreender em que sentido se possa propriamente dizer necessário “trancar-se num bunker” “para defender a Fé contra os ataques do neomodernismo”. Isso seria dizer: deixar o campo livre à invasão da heresia modernista? Não, dado que, de fato, a passagem da heresia foi incessantemente posta em dificuldade. Pois, embora numa situação de condenação canônica, e, portanto, fora das fileiras oficiais, mas com consciência segura de trabalhar por Cristo e a sua Igreja, una, santa, católica, apostólica e romana, a Fraternidade se ateve acima de tudo à formação dos padres, já que aí está o seu propósito específico; fundou e dirigiu seminários; promoveu e apoiou debates teológicos às vezes de alto nível; publicou livros de um valor eclesiológico notável; prestou contas de si mesma, publicando folhetos de informação internos e externos; e tudo isso às claras, demonstrando assim de qual força — infelizmente deixada à margem — a Igreja poderia se prevalecer para realizar a sua obra de evangelização universal. O fato de que os efeitos da presença ativa lefebvrista possam parecer modestos, ou que, realmente, não sejam muito aparentes, pode depender de dois motivos: por um lado, da condição canônica anormal na qual evolui; por outro, das suas dimensões: sabemos que “la mosca tira il calcio che può” (“a mosca dá o pontapé que pode”).

Mas estou profundamente convencido que é precisamente por isso que se faz necessário agradecer a Fraternidade: por ter mantido, e por manter ainda, bem alta a tocha da Fé e da Tradição, num contexto de secularização que já chega à beira de uma era pós-cristã, e isso apesar de uma antipatia não dissimulada para com a mesma.

2 – Por ocasião do debate em questão no início, alguém fez referência a uma conferência na qual a Fraternidade foi convidada a ter uma confiança maior no mundo eclesial contemporâneo, recorrendo, se necessário, a certas concessões, dado que a “salus animarum” exige — é um lefebvrista que teria dito – que se corra até esse risco. Sim, mas certamente não o risco “comprometer” sua salvação eterna, nem a de outro.

É provável que as palavras tenham traído as intenções. Ou que não se tenha atentado ao valor das palavras. Pois se há uma coisa que se deve evitar em matéria de fé é fazer concessões. E para a Fraternidade, o recordar para si  o  “sim, sim, não, não” de Mt. 5, 37, como todo fiel autêntico de Cristo,  é a única resposta válida à perspectiva de concessão. O texto citado continua afirmando que “todo o resto vem do maligno”: portanto, também, e mais precisamente, a concessão. Pelo menos quando por ela se entende o renunciar aos seus próprios princípios morais e às suas próprias razões de ser.

Para dizer a verdade, desde que as discussões entre a Santa Sé e a Fraternidade começaram, chegou, também a mim, o rumor da possibilidade de uma concessão. Ou seja, de um comportamento indigno, ao qual o primeiro a recusar, imagino, seja a Santa Sé. Uma concessão sobre algo que não implique a autêntica confissão da Fé é possível, e mesmo plausível; mas nunca às custas de valores inegociáveis. Seria isso, sobretudo, uma contradição nos termos, pois que a concessão ela mesma é objeto de um “negotium” — e uma negociação de risco: risco do naufrágio da Fé. A própria idéia de que a Santa Sé possa propor e aceitar uma concessão me repugna: seria obter muito menos que um prato de lentilhas e endossaria então a responsabilidade de um delito gravíssimo. Igualmente, me repugna a idéia de que a Fraternidade, após ter feito da Fé sem concessões a bandeira da sua própria existência, possa escorregar na casca de banana da renúncia de sua razão de ser.

Acrescento que, a julgar por alguns indícios que talvez não sejam totalmente infundados, a metodologia colocada em ato por ambos os lados não parece abrir grandes perspectivas. É a metodologia do ponto contra ponto: Vaticano II “sim”, Vaticano II “não”, ou a rigor “sim, se…”. A condição de tal método é que de um lado ou do outro, ou dos dois, baixa-se a guarda. Uma capitulação sem condição? Para a Fraternidade, entregar-se nas mãos da Igreja seria o único comportamento verdadeiramente cristão, se não existisse a razão pela qual ela nasceu e que a levou a se retirar para o Aventin [ndt: uma das sete colinas de Roma]. A saber, este Concílio Vaticano II que, particularmente em alguns de seus documentos, é literalmente o oposto daquilo que ela crê e pelo que ela age. Com tal metodologia, nenhuma via média pode, então, ser entrevista: ou a capitulação, ou a concessão.

 

Bispos da Fraternidade nas exéquias de Dom Lefebvre

Bispos da Fraternidade nas exéquias de Dom Lefebvre

 

Tal saída poderia ser evitada se outra metodologia fosse seguida. O “punctum dolens” de todo o contencioso se chama Tradição. Uma e a outra parte não cessam de recordá-la, embora tenham uma noção claramente distinta. Em 1988, o Papa João Paulo II declarou oficialmente que a noção de Tradição defendida pela Fraternidade era “incompleta e contraditória”. Restaria demonstrar a razão de tal incompletude e contradição, mas o mais urgente é a necessidade de se chegar, para ambas as partes, a um conceito comum, isto é, bilateralmente compartilhado. Tal conceito se tornaria então o instrumento que permite desvendar o labirinto dos problemas. Não há questão teológica ou de problema eclesial que não encontre em tal conceito a sua solução. Se, então, continuarem a dialogar mantendo, de um lado e de outro, o seu ponto de partida, ou se dará lugar um diálogo de surdos, ou, para tentar provar que não se dialogou em vão, se dará livre acesso à concessão. Em particular, se fosse aceita a tese dos “contrastes aparentes”, que reduz as oposições não a causas de caráter dogmático, mas à interpretação sempre nova de fatos históricos, então a Fraternidade declararia o seu próprio fim, substituindo miseravelmente a sua noção de Tradição, que é a dos Apóstolos, pela noção vaga, inconsistente e heterogênea de Tradição viva dos neomodernistas.

3 – Em nosso colóquio amigável, abordamos enfim uma última questão, exprimindo aí mais esperança que previsões concretamente fundadas: a questão do futuro da Fraternidade. Sobre este assunto, já se inclinou o sítio http://cordialiter.blogspot.com, com uma antecipação idílica do feliz amanhã que poderia ocorrer à Fraternidade: um novo estatuto canônico — novo? Sim, porque por ora, nunca existiu –, significando o início do fim do modernismo, priorados abarrotados de fiéis, e pela Fraternidade transformada em “super-diocese autônoma”. Da minha parte, espero também muito da aproximação esperada e que está atualmente em curso, mas mantendo um pouco mais os pés no chão.

Tento lançar sobre essas coisas um olhar mais aguçado a fim de ver o que poderia ocorrer. A especificidade da Fraternidade, como já recordei, é a preparação ao sacerdócio e o cuidado das vocações sacerdotais. Portanto, não deveria se abrir para ela um terreno diferente do dos seminários, que é o seu verdadeiro campo de batalha: nos seus próprios seminários ou nos dos outros, aí, mais que em qualquer outro lugar, poderão se exprimir a natureza e a finalidade da Fraternidade.

Sob qual perfil canônico? Não é fácil prevê-lo. Parece-me, no entanto, que o fato de se tratar de uma fraternidade sacerdotal deveria sugerir o aspecto canônico sob forma de uma “sociedade sacerdotal”, colocada sob o governo supremo da “Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida apostólica”. Além disso, o fato de já possuir quatro bispos poderia sugerir, como solução, uma “Prelazia” que a Santa Sé, no momento oportuno, poderá precisar a configuração jurídica exata. Tudo isso não me parece, todavia, ser o problema principal. O que é bem mais importante, sem dúvida, é tanto a resolução dentro da Igreja de um contencioso incompreensível na época do diálogo com todos, como a liberação de uma força compacta unida à idéia e ao ideal da Tradição, para que possa operar não desde um bunker, mas à luz do sol e como expressão viva e autêntica da Igreja.

Brunero Gherardini

Roma, 27 de setembro de 2010

setembro 29, 2010

Sinal dos tempos na Alemanha: missa ordinária na piscina, missa de sempre no hotel.

(Kreuz.net) Os participantes da Missa dos Jovens do decanato da cidade de Osnabruque tiveram a opção de escolher entre ficar de chinelos, descalços ou com uma capa plástica para os sapatos, informou a edição on-line do ‘Kirchenboten’ – o jornal semanal da diocese de Osnabruque – em 20 de setembro.

Recentemente, o padre Carsten Heyer, diretor espiritual de jovens, presidiu uma celebração eucarística modernista no piscinão de Osnabruque [Nettebad] com a presença de 35 jovens. Segundo informação do ‘Kirchenboten’, uma senhora em trajes de banho que não participava do evento perguntou espantada ao ver a cena: “O que é isso?”

A cena era inusitada: “Velas flutuando na água, uma parte da piscina ficou separada e do outro lado estava o padre na água.” “Não, não, não pode ser o diretor espiritual dos jovens, padre Carsten Heyer, na água” – negou rapidamente o ‘Kirchenbote’. O ambão e o altar-mesa ficaram – segundo informações do ‘Kirchenboten’ – apenas “na parte rasa da Nettebad”. Durante o evento modernista o padre Heyer ficou cambaleando descalço na água na altura do tornozelo.

A representante do decanato para a juventude, Melanie Jacobi, disse ao ‘Kirchenboten’ qual era a base ideológica da ocasião: “Queríamos tentar a experiência e entrar no mundo dos jovens”. No último ano a celebração eucarística modernista foi presidida em um cinema.

Os organizadores estão satisfeitos. As reações dos jovens têm demonstrado que, às vezes, “disponibilizar lugares inusitados” para a Missa seria “um projeto significativo” . No final das contas será permitida uma crítica de manobra. Assim, durante a celebração eucarística, o padre Heyer percebeu que a “bainha de suas vestes” balançava na água e se comportou como uma esponja. Ao falar em “vestes” o sítio quis se referir à alva usada pelo religioso. Será que o jornal católico de Osnabruque não conhece essa expressão do ambiente eclesial?

* * *

(FSSPX – Distrito da Alemanha) Peregrinação Fulda, setembro 2010. Este filme [veja aqui] é dedicado a Sua Excelência Heinz Josef Algermissen, Bispo de Fulda.  Há 6 anos a Fraternidade vem pedindo permissão para celebrar a Missa na catedral de Fulda. Há 6 anos a catedral permanece bloqueada.

Em 2009 o bispo de Lourdes, S.E. Perrier, disponibilizou a Basílica de Lourdes para a Santa Missa. Esse filme mostrará a beleza do sacrifício da missa católica romana, que precisou ser celebrada no salão de festas do Hotel Maritim, ao invés de uma igreja.

[Atualização - 29 de setembro de 2010, às 20:42]

O Bispo de Fulda não tem problema algum com protestantes e anglicanos

(Kreuz.net) Na catedral de Fulda ocorrem atividades litúrgicas ecumênicas regularmente com protestantes, os quais notadamente negam o magistério de todos os papas. Além disso, pelo menos em 2004 – quando a Fraternidade permaneceu diante dos portais fechados da catedral – houve um culto anglicano no túmulo do missionário alemão São Bonifácio († 755).

O usuário  ‘Bonifatius’ esclareceu naquela época ao fórum virtual católico ‘kathnews.com’, que o sacerdote leigo anglicano teve até mesmo permissão para utilizar paramentos e objetos litúrgicos da catedral.

setembro 28, 2010

Arquidiocese de Bogotá continua sua implacável perseguição contra o Instituto do Bom Pastor.

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Novo governo, velha política: A tirânica perseguição do arcebispado de Bogotá contra o Instituto do Bom Pastor e a Missa Latino Gregoriana continua a todo vapor, há pouco mais de um mês da ascensão do novo Arcebispo.

Summorum Pontificum, pisoteado e achincalhado impunemente: Mesmo com o apoio do pároco da cidade de Choachi, que inclusive já havia convidado seus paroquianos para a Santa Missa, o chanceler da arquidiocese, via fax, enviou a notificação ao lado.

Pipoca e guaraná: Em Roma, a Comissão Ecclesia Dei parece assistir passivamente a todos os episódios da novela mexicana, ou melhor, colombiana!

* * *

[Atualização: 29 de setembro de 2010, às 08:35] Assim escreveu o Santo Padre aos bispos, em sua carta que acompanha o motu proprio Summorum Pontificum: ” «Falámo-vos com toda a liberdade, ó Coríntios. O nosso coração abriu-se plenamente. Há nele muito lugar para vós, enquanto no vosso não há lugar para nós (…): pagai-nos na mesma moeda, abri também vós largamente o vosso coração» (2 Cor 6, 11-13). É certo que Paulo fala noutro contexto, mas o seu convite pode e deve tocar-nos também a nós, precisamente neste tema. Abramos generosamente o nosso coração…“.

Com a mesma caridade, também o IBP escreveu ao novo arcebispo de Bogotá. Dez dias depois, recebeu do chanceler da Arquidiocese a resposta de que, infelizmente, não é possível esperar reciprocidade:

setembro 28, 2010

Os brumosos interesses políticos das comunidades carismáticas.

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O vice-presidente da Canção Nova, Wellington Silva Jardim, conhecido como Eto, e Gilberto Gomes Barbosa, fundador da comunidade Obra de Maria, através de um cartaz (foto), pretendem indicar “verdadeiros representantes da nossa Igreja” para os cargos eletivos em disputa no próximo domingo. Não bastasse a ousadia de falar em nome da Igreja, é notável o fato de que os indicados sequer puderam se comprometer contra a maldição do aborto, sendo um deles inclusive do PT! Não é demais recordar a punição de dois deputados petistas que ousaram defender a vida, tendo, nas palavras do partido, assumido “uma dimensão militante e agressiva contra diretriz definida em resolução do 3º Congresso Nacional do PT”.

Tais indicações renovam antigas suspeitas sobre as ligações políticas da entidade de maior expressão da Renovação Carismática no Brasil, a Canção Nova.

No início de 2006, a doação à comunidade de uma fazenda de 87 hectáres  em Lorena, SP, pelo  governo de Geraldo Alckmin, cujo então secretário da educação era Gabriel Chalita, conhecido colaborador da Canção Nova, foi alvo de grande desconfiança.

Chalita, brilhante intelectual, com mais de 40 livros publicados, homem de princípios, não se envergonha de retificar seus caminhos quando necessário — ou quando as alianças do Partido Socialista Brasileiro, ao qual pertence, exigem: hoje considera Lula “um dos maiores estadistas de nosso tempo” e “tem muita empolgação” pela campanha de Dilma Roussef, “uma mulher corajosa, que tem sensibilidade, que tem essa visão de ser humano que aprendeu muito com o Lula”. Sua firmeza em seus ideais o obrigou a processar uma comunidade católica que, supostamente, teria divulgado  “vídeos nos quais [Chalita] tecia alguns elogios a Marta Suplicy e à candidata à Presidência da República pelo mesmo PT“. Eis a integridade acima de qualquer suspeita!

Outra obscura manobra envolveu, ainda em 2006, um dos homens de confiança da Canção Nova na política: o Deputado Federal Salvador Zimbaldi, à época também do PSB,  acusado de ter ligações com a máfia dos sanguessugas, que superfaturava ambulâncias, teria intercedido para que algumas delas fossem encaminhadas à Fundação João Paulo II. Sob fogo cruzado, mais tarde a Canção Nova viria abandoná-lo e rejeitar sua amizade. No entanto, o episódio parece não ter abalado a relação de Zimbaldi com outras figuras da Renovação Carismática; candidato à reeleição, tem como grandes cabos eleitorais Ironi Spuldaro, que também apresenta um programa na TV Canção Nova, e o fundador da TV Século XXI, Pe. Eduardo Dougherty.

Ao fim e ao cabo, entre outros dons, os carismáticos aspiram também os das benesses da política. No entanto, as recorrentes suspeitas e alianças espúrias permitem desconfiar que esse interesse seja mais interessante que os outros.

setembro 27, 2010

Flores para o lobo, veneno para os fiéis.

Dilma Roussef é recebida com flores por Dom Moacyr José Vitti, seu bispo auxiliar Dom Rafael Biernaski e o arcebispo emérito, Dom Pedro Fedalto, na Cúria de Curitiba. Agradecimento ao leitor Marcos Mattke pelo envio da foto.

Dilma Roussef é recebida com flores por Dom Moacyr José Vitti, seu bispo auxiliar Dom Rafael Biernaski e o arcebispo emérito, Dom Pedro Fedalto, na Cúria de Curitiba. Agradecimento ao leitor Marcos Mattke pelo envio da foto.

Embora alguns bispos e padres, diferentemente do que ocorria em campanhas eleitorais passadas,  tenham levantado suas vozes abertamente contra a candidatura da abortista Dilma Roussef, do socialista Partido dos Trabalhadores, alguns epíscopos continuam fiéis à tradição “libertadora”, que há décadas caracteriza os prelados brasileiros,  de acariciar o lobo e condenar as ovelhas.

Enquanto Dom Moacyr Vitti, arcebispo de Curitiba, recebe Dilma Roussef com flores e afagos, a Arquidiocese do Rio de Janeiro, por meio de nota, “desautoriza todos os que, no exercício do ministério ordenado ou mesmo em nome da Igreja Católica, apóiem, indiquem ou rejeitem candidatos ou partidos políticos”.

Já o bispo caótico Dom Demétrio Valentini, o verdadeiro papa da pastorais sociais, pontifica: “Os candidatos têm todo o direito de tentar convencer os eleitores a apoiarem suas propostas e a votarem nos seus nomes. Por sua vez, os eleitores têm todo o direito de votar, livremente, em quem eles querem. [...] ninguém tem o direito de proibir que se vote em determinado candidato, seja por que motivo for. [...] é pior ainda para a religião, seja qual for, pressionar seus adeptos para que votem em determinados candidatos, ou proibir que votem em determinados outros, em nome de convicções religiosas. A religião que não é capaz de incentivar a liberdade de consciência dos seus seguidores, que se retire de campo. Pois a religião não pode se tornar aliada da dominação das consciências.”

Triste Brasil! Tristes católicos! Seus pastores libertam os fiéis do jugo suave de Cristo e de sua Lei para, veladamente, fazer campanha eleitoral e aprisioná-los nas correntes vermelhas do socialismo.

Nós, católicos, ficamos com o ensinamento bi-milenar da Santa Igreja: o erro não tem direito à existência, e, portanto, não pode ser propagado, devendo vigorosamente ser repreendido por aqueles que foram incumbidos por Nosso Senhor deste múnus!

Nossa Senhora Aparecida, livrai o Brasil da maldição do aborto! Livrai o Brasil do flagelo do comunismo! Mas, antes e acima de tudo, livrai nossa Pátria daqueles que não matam o corpo, mas a alma dos brasileiros!

Agradecimento ao leitor Marcos Mattke pelo envio da foto.

setembro 26, 2010

Foto da semana.

O sacerdote e a "sacerdotisa". Paróquia Santo Antônio, Curitiba.

O sacerdote e a "sacerdotisa". Paróquia Santo Antônio, Curitiba.

setembro 25, 2010

“Resisti com o melhor de minhas forças ao espírito do liberalismo na religião”.

… alegra-me dizer que me opus desde o começo a um grande mal. Durante trinta, quarenta, cinquenta anos, resisti com o melhor de minhas forças ao espírito do liberalismo na religião. Nunca a Santa Igreja necessitou de defensores contra ele mais urgentemente que agora, quando infelizmente é um erro que se expande como uma armadilha por toda a terra! E nesta ocasião, em que é natural, para quem está em meu lugar, considerar o mundo e olhar a Santa Igreja tal como está, e seu futuro, espero que não seja considerado fora de lugar se renovar o protesto que fiz tão frequentemente.

O liberalismo religioso é a doutrina que afirma que não há nenhuma verdade positiva na religião, que um credo é tão bom quanto outro, e este é o ensinamento que vai ganhando solidez e força diariamente. É incongruente com qualquer reconhecimento de qualquer religião como verdadeira. Ensina que todas devem ser toleradas, pois todas são matéria de opinião. A religião revelada não é uma verdade, mas um sentimento ou gosto; não é um fato objetivo nem milagroso, e está no direito de cada indivíduo fazer dizer tão somente o que impressiona sua fantasia. A devoção não está necessariamente fundada na fé. Os homens podem ir a igrejas protestantes e católicas, podem aproveitar de ambas e não pertencer a nenhuma. Podem se confraternizar juntos com pensamentos e sentimentos espirituais sem ter nenhuma doutrina em comum, ou sem ver a necessidade de tê-la. Se, pois, a religião é uma peculiaridade tão pessoal e uma posse tão privada, devemos ignorá-la necessariamente nas inter-relações dos homens entre si. Se alguém sustenta uma nova religião a cada manhã, a ti o que importa? É tão impertinente pensar sobre a religião de um homem como sobre seus rendimentos ou o governo de sua família. A religião em nenhum esntido é o vínculo da sociedade.

O caráter geral desta grande apostasia é um e o mesmo em todas as partes, mas em detalhe, e em caráter, varia nos diferentes países…”

Discurso do Cardeal John Henry Newman em Roma ao receber o Biglietto em que lhe era anunciada sua designação cardinalícia pelo Papa Leão XIII (12 de maio de 1.879)

setembro 24, 2010

Não ao Aborto e aos Herodes de nosso Tempo.

Pe. Marcelo Tenório

Pe. Marcelo Tenório

Pe. Marcelo Tenório

Muitas pessoas de boa vontade, inquietas e preocupadas com as eleições deste ano, sobretudo para Presidência da República, indagam-nos sobre algumas questões pertinentes:

1. Pode-se votar em candidatos que defendem o aborto, a união entre pessoas do mesmo sexo, a eutanásia, ou qualquer outra coisa contrária à moral cristã?

2. Existe alguma partido que defenda de forma clara o aborto, a união homossexual, a eutanásia, etc?

3. A Igreja apóia algum partido político?

Bem, comecemos do fim. A Santa Igreja, fundada por Nosso Senhor, tem a missão de anunciar o Reino dos Céus a todos os povos, a fim de  que “todos cheguem ao conhecimento da Verdade” (I Tm 2, 4) e possam salvar-se. Ao criar o homem a sua imagem e semelhança Deus Pai lhe infundiu no coração a sua Lei Divina como base para toda e qualquer lei humana, positiva, de forma que toda norma social dela se originasse e a ela convergisse.

Por isso, respondendo à primeira interrogação, não podemos eleger com nosso voto pessoas que não se alinham à Lei Suprema e Divina e que defendam posições contra a Lei de Deus, ou  mais claramente, contra Deus. Votar em quem é a favor da legalização do aborto, quem defende e promove o reconhecimento da união entre pessoas do mesmo sexo, é colaborar com a paganização do Estado, que jamais pode ser laico, visto que deve ser regido por leis em perfeita harmonia com a Lei Divina Positiva. É o que chamamos de Reinado Social de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Nos partidos políticos sempre há quem defenda uma moral contrária à moral cristã. Entretanto, nenhum outro assumiu isso publicamente como o PT. Em suas declarações, documentos e práticas, fica bem claro o que ele pensa e para onde ele aponta.

Vejamos os passos que o governo do PT tem dado em direção à legalização do Aborto no Brasil e demais atentados contra a moralidade cristã, que nos foi apresentado de forma sintética pelo D. Luiz Gonzaga Bergonzini, bispo da Diocese de Guarulhos, São Paulo:

“Aos 11 de abril de 2005, o governo Lula comprometeu-se a legalizar o aborto no Brasil, assinando o Segundo Relatório do Brasil sobre o Tratado de Direitos Civis e Políticos, apresentado ao Comitê de Direitos Humanos da ONU (nº 45) e, em agosto do mesmo ano, entregou ao Comitê da ONU para a eliminação de todas as formas de descriminalização contra mulher (CEDAW), documento no qual reconhece o aborto como Direito Humano da Mulher.

Em setembro de 2007, no seu IIIº Congresso Nacional, o PT assumiu a descriminalização do aborto e a regulamentação do atendimento de todos os casos no serviço público, como programa de partido. E no dia 20 de fevereiro de 2010, no seu IVº Congresso Nacional, o PT manifestou ‘apoio incondicional’ ao 3º Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3) editado pelo Presidente Lula, no final de 2009. O programa inclui entre outros temas, a defesa da descriminalização do aborto.

O PT puniu os deputados Luiz Bassuma e Henrique Afonso por se recusarem a assinar o PL (projeto de lei) que tornava livre a prática do aborto…

Mais recentemente, em 16 de julho de 2010 (no mês passado!!!), a Ministra Nilceia Freire, na linha da política do Senhor Presidente da República, propôs a liberação total do aborto em toda América Latina através do Consenso de Brasília.

Chamam a nossa atenção as propostas de governo da candidata à Presidência, que alteram a linguagem mas não alteram o conteúdo. Já apresentou três propostas de Governo, sendo que a segunda ‘maquia’ a primeira, e a terceira ‘maquia’ a segunda retirando tudo que pudesse deixar ‘transparecer’ os objetivos de liberar o aborto, para não ‘prejudicar’ sua candidatura. Há rumores de que, no próximo mês será anunciada uma ‘quarta’ proposta…

Para evitar desgastes na campanha de sua candidata, o Sr. Presidente ‘engaveta decisões sobre temas polêmicos’ (Cf. Estado de São Paulo – 06/08/2010 – A7). Contrariamente a todos estes ‘ajustes’ que tentam mascarar a verdade, o Evangelho nos manda: ‘O seu Sim, seja Sim. O seu Não, seja Não’ (MT 5,37). Sem subterfúgios, sem máscaras, para não esconder a verdade…” (Cf.: http://www.diocesedeguarulhos.org.br/miolo.asp?fs=menu&seq=705&gid=10).

O que acabamos de ler é grave e requer de nós católicos posicionamento e radicalidade evangélica.

Ensina o Catecismo da Igreja que colaborar com o Pecado Grave, nem que seja por omissão, é cometê-lo também. O Aborto é pecado grave que brada aos céus por justiça. Votar em qualquer candidato que o apóia é ser réu diante de Deus, é ficar com as mãos sujas do sangue dos inocentes que será derramado mais ainda se esta lei iníqua um dia for aprovada.

Ora, se o PT assume tais posições e luta por elas, não pode receber o nosso voto. A sua candidata é a Sra. Dilma Rousseff, logo também não pode receber o nosso voto.

Lembremo-nos do belo hino que um dia ecoou em nossas catedrais e praças: “Levantai-vos soldados de Cristo! Sus correi! Sus voai à vitória!”

Defendamos a nossa fé! Defendamos a vida dos inocentes indefesos que está em nossas mãos! Defendamos a Família tão querida por Deus.

Não queiramos escutar no dia do nosso julgamento aquelas palavras terríveis do Senhor: “Afastai-vos de Mim, vós que praticastes a iniqüidade” (Mt 25, 41).

Pe. Marcelo Tenório
Diocese de Campo Grande/MS – Brasil.

setembro 24, 2010

Quando os leigos sustentam a Igreja.

Quinta-feira, 23 de setembro de 2010: alunos da Universidade Católica de Brasília (UCB) protestam contra a candidata petista Dilma Roussef, por ocasião do debate entre os presidenciáveis promovido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil; externando o pacifismo, a letargia e o politicamente correto da entidade organizadora, o confronto direto entre os candidatos não foi permitido. (Foto: Paulo Celso Pereira)

Quinta-feira, 23 de setembro de 2010: alunos da Universidade Católica de Brasília (UCB) protestam contra a candidata petista Dilma Roussef, por ocasião do debate entre os presidenciáveis promovido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil; externando o pacifismo, a letargia e o politicamente correto da entidade organizadora, o confronto direto entre os candidatos não foi permitido. (Foto: Paulo Celso Pereira)

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setembro 23, 2010

“Videntes” de Medjugorje recebidos na catedral de Viena.

Os "videntes" Ivan e Marija na catedral de Viena.

Ivan e Marija na catedral de Viena.

(Catholic Culture) Dois dos “videntes” que alegam ter recebido mais de 40.000 aparições da Virgem Maria discursarão numa cerimônia na catedral de Santo Estevão, em Viena, na noite de quinta-feira, 23 de setembro.

Embora os bispos locais na Bósnia tenha desencorajado a crença nas supostas aparições, Ivan Dragicevic e Marija Pavlovic-Lunettisão descritos no anúncio da catedral como pertencentes ao “grupo de jovens que receberam visitas Marianas em Medjugorje”. Em março, a Santa Sé anunciou que uma comissão especial fora estabelecida para estudar o “fenômeno Medjugorge”, aparentemente em preparação para uma declaração formal do Vaticano sobre as aparições relatadas.

O Cardeal de Viena, Cristoph Schönborn — que é esperado para participar na cerimônia de 23 de setembro — visitou Medjugorje em janeiro de 2010 e demonstrou-se impressionao pelo que viu, embora tenha interrompido bruscamente antes de dizer que as visões são autênticas.

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