Comunicado oficial da FSSPX: “A desobediência a esta ordem faria incorrer a Mons. Williamson a exclusão da Fraternidade Sacerdotal São Pio X”.

O Superior Geral, Mons. Bernard Fellay, tomou conhecimento pela imprensa da decisão de Mons. Richard Williamson de destituir, dez dias antes de seu julgamento, o advogado encarregado de seus interesses para se deixar defender por um advogado abertamente ligado ao movimento dito neo-nazi na Alemanha e a outros de seus grupos.

Mons. Fellay determinou formalmente a Mons. Williamson voltar atrás nesta decisão e não se deixar instrumentalizar por teses políticas totalmente alheias à sua missão de bispo católico a serviço da Fraternidade São Pio X.

A desobediência a esta ordem faria incorrer a Mons. Williamson a exclusão da Fraternidade Sacerdotal São Pio X.

Menzingen, 20 de novembro de 2010.

Padre Christian Thouvenot, secretário geral

Fonte: DICI

19 Comentários to “Comunicado oficial da FSSPX: “A desobediência a esta ordem faria incorrer a Mons. Williamson a exclusão da Fraternidade Sacerdotal São Pio X”.”

  1. É inacreditável que D. Willianson arrisque a sua condição de Bispo da Fraternidade por uma estúpida questão histórica. A verdade histórica não irá salvar ninguém; a verdade teológica sim. Se morreram menos judeus no Holocausto isto não contribui para a santificação de ninguém. Aliás, o próprio Deus permite muitas injustiças na História para a Sua maior glória. Não cabe a D. Willianson fazer um Juízo Final antecipado com o seu orgulho e teimosia historiográficos. Melhor é ele reconhecer a vocação para a qual foi chamado por Deus e viver em inteira dedicação a ela.

    Grande erro é quando um Padre tradicional, sob o pretexto de restauração, quer resolver todos os maus entendidos da História, quando o próprio Cristo disse a Pilatos: “o meu Reino não é deste mundo”. Devemos buscar somente “o Reino de Deus e a SUA JUSTIÇA”. A justiça deste mundo irá passar; a justiça de Deus jamais. Esta tentação de fazer justiça com as próprias mãos foge certamente dos desígnios da Providência divina. Com efeito, Deus, em Sua misericórida e sabedoria, fez da Cruz, a maior injustiça da História, o sinal de salvação de toda a Humanidade. Enquanto São Paulo proclama a sabedoria da Cruz, ele reconhece também que ela é loucura para os pagãos e escândalo para os judeus. Se tomarmos apenas a justiça humana, a Cruz deixaria de ser sinal de salvação, seria apenas uma injusta condenação passível de punição eterna. Se tomarmos a justiça divina, a Cruz é a maior prova do amor de Deus e sacrifício pelo qual Cristo remiu o mundo.

    “Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça e O RESTO virá por acréscimo”. É Deus, por Sua graça, que irá restaurar a sociedade, e não os historiadores revisionistas, mesmo os mais bem intencionados. Existe aí uma insinuação de utopia, como se pudéssemos construir na terra uma sociedade sem males. O novo escândalo de D. Willianson–que se meteu com um advogado ligado ao movimento neo-nazi–não só nos recorda de que não há justiça perfeita sobre a terra, como também é tolice quando um clérigo, sob o pretexto de defender o Reinado social de Nosso Senhor, adere a movimentos ditos de direita. Direita e esquerda são filhas do Liberalismo, são frutos da nossa sociedade e da nossa política.

    Ademais, também é importante notar o quanto os nomes mais importantes da Fraternidade–como o Padre Niklaus Pfluger ou o próprio D. Fellay–estão otimistas com relação a Roma, vendo que há um interesse sério por parte do Papa em tratar os problemas da FSSPX como questões pertinentes à própria Igreja universal. Bem o contrário costuma pensar D. Willianson–o qual foi, há tempos, desmentido por D. Fellay, que negou haver qualquer “acordo” a ser planejado com Roma–, que serve de referência para uma multidão de católicos tradicionais de atitude imprudente e imediatista. Depois deste escândalo, talvez seja hora de reconsiderarmos qualquer seriedade nas declarações de D. Willianson sobre Igreja e História.

  2. Vixi… a coisa ficou tensa! Oremos…

  3. Cristo amado, ajuda Dom Richard Williamson!

  4. Caro João Magro,
    Salve Maria!

    Você não sabe do que esta falando. A história como ciência, não trabalha com verdades absolutas. Assim, o simples fato de um Bispo estar no banco dos réus, por questionar uma verdade histórica, é algo problemático, que coloca em cheque, todos os valores da modernidade. No caso Dom Willianson, ele está no banco dos réus, mas juntamente com ele, estão todas as liberdades modernas. Além disso, nem ele e nem nós, somos obrigados a aceitar uma história que não aceita a historicidade dos Evangelhos, e que, portanto, não reconhece a existência de Nosso Senhor Jesus Cristo.

    O holocausto, não é um dogma de fé, nem o Estado alemão, é o magistério da Igreja. Atualmente falou e fala-se da “religião da shoah”. Aqui no Fratres in Unum, foi publicada uma pequena reportagem neste sentido:

    O Cardeal Cottier e a religião da Shoah.

    (30 Giorni) O jornal Il Foglio de 3 de abril publicou um artigo no qual o cardeal Georges Cottier faz uma crítica à “religião da Shoah” de Emil Fackenheim. “O pensamento de Fackenheim é uma expressão importante da ‘religião da Shoah’ assim chamada e analisada por Alain Besançon. A tragédia da Shoah, que atingiu o povo judaico e que feriu de modo incancelável a sua memória, é única a tal ponto que a comparação com outras tragédias é recusada como uma blasfêmia [...]. A ‘religião da Shoah’ faz da experiência do silêncio de Deus vivida por tantas vítimas inocentes uma categoria metafísica. A relação a Deus torna-se alheia à definição da unicidade do evento. Resta apenas a “fidelidade do povo judaico a si mesmo” [...]. Se a Shoah, como interpreta Fackenheim, é o centro da história, isso significa que se substitui a Cristo. Mas como, se Deus está ausente disso, tal evento pode ter um valor redentor? Ou não há redenção ou a redenção torna-se a auto-redenção do homem, da qual Deus foi expulso. Estamos na lógica do humanismo ateu. Para Fackenheim, lemos, ‘Hegel é o pensador cristocêntrico por excelência’. Mas Hegel, na realidade, representa uma gnose cristológica, na qual a fé em Cristo não pode se reconhecer”.

    http://fratresinunum.com/?s=Georges+Cottier

    Como pode se ver, não se trata de uma estúpida questão histórica. Nesta questão existe um importante fundo teológico não captado ainda pela grande maioria das pessoas. E não se pode negar a influência direta deste fundo teológico, no Concílio Vaticano II. Não vemos por parte da Igreja, a mesma atenção, que é dada ao holocausto, ser dada aos massacres acontecidos nos Gulag’s russos, que foram muito piores, que o massacre dos judeus na II grande guerra. Diga-se de passagem, que, se estes massacres tivessem a mesma atenção, a Rússia, não teria espalhado seus erros pelo mundo. Nem mesmo os massacres de católicos ocorridos na Revolução Francesa, na guerra civil espanhola, a revolta dos crísteros no México e outras revoluções, que vitimaram tantos católicos, são lembradas, como é lembrado o holocausto. Lembro ainda que na ocasião em que estourou o caso Willianson, o arcebispo de Porto Alegre, lembrou que na II guerra, morreram muito mais católicos do que judeus.

    Se você ler o livro “Da cabala ao progressismo”, vai entender e perceber claramente a questão de fundo teológica que envolve o holocausto. Existe uma ligação intrínseca entre o judaísmo e o modernismo, que outros autores como (Mons. Spadafora e Dom Curzio Nitoglia) expuseram muito bem. A relação intrínseca entre o modernismo e o judaísmo, ainda pode ser lida recentemente no L’osservatore Romano (conforme noticiado aqui no Fratres in Unum), na questão da sexta-feira santa. Para o judaísmo talmudíco, o holocausto é um ato de sacrifício e tem valor salvífico. Junte-se a estas informações, o fato da Igreja pós-conciliar, não ter respondido claramente aos judeus, se a aliança deles, foi invalidada pela nova aliança (Dom Willianson abordou este tema em um de seus execelentes textos). Não se trata de uma questão simples.

    O fato é que Dom Willianson, não é nenhum menino e sabe muito bem, o que está fazendo. E considerando a possibilidade real de ser expulso da FSSPX, não me parece que ele esteja querendo abalar as relações com Roma. Quanto ao Padre Niklaus Pfluger e a Dom Fellay, eles parecem não considerar que o Papa leva a sério, mais que a FSSPX, o CVII, a causa de todos os males que hoje observamos na Igreja.

    Por fim, por conhecer um pouco do fundo teológico da questão, não julgo Dom Willianson e nem ouso manifestar contra ou a favor. Como disse anteriormente, não se trata de uma questão estúpida, mas de uma questão séria. A única coisa estúpida mesmo, é o Estado Alemão o processar pelas declarações reducionistas e oferecer a ele, a possibilidade de ser defendido, por um advogado neo-nazi, que portanto, é negacionista. Permanecendo ou não na FSSPX, Dom Willianson não poderá exercer o seu episcopado na cadeia e é isto que acontecerá, caso ele seja defendido pelo tal advogado neo-nazi. Só Deus sabe o que ele deseja com isso e eu sinceramente, gostaria de saber.

    Fique com Deus.

  5. Pelo visto o joio e o trigo começam a se mostrar aparentes e maduros no meio da FSSPX. Já dá para notar (ao menos de leve), entre discursos e atitudes, quem de seus padres critica o Concílio para ajudar o Papa e quem o faz para sabotar os trabalhos de Sua Santidade dirigidos – não sem percalços e tropeços, obviamente – à restauração da Missa e da Doutrina de sempre.

    Não há Cristo que ajude uma alma orgulhosa, até porque o orgulho leva ao inferno. Não consigo ver qualquer senso católico em D. Williamson adotar um advogado filonazista, para, muito provavelmente, ostentar um capricho histórico alheio à defesa da fé. Se for expulso da Fraternidade, é porque realmente está pedindo para sair. E, se for realmente este o desejo de S. Ex.a Rev.ma, já vai tarde.

  6. Permitam-me um acréscimo.

    Sinceramente – e no que pesem minhas “forças de expressão” – rezo para que Cristo faça a D. Williamson se arrepender e demover desta decisão de aceitar o apoio filonazista. Esta é a hora para S. Ex.a Rev.ma mostrar que é obediente ao Superior Geral da Fraternidade, imagino que ao menos isso ele tenha aprendido de D. Lefebvre: manter-se obediente a quem realmente defende a Igreja. Agora, se D. Williamson deixar o orgulho das convicções reducionistas falar mais alto,…

  7. Como diruia Chesterton: “O maior perigo quando se tem razão é perdê-la!”.
    Um Bispo que possui certezas teológicas, como falou o Magro João, não precisa se aferrar a opiniões históricas sobre determinados eventos e mantê-las a qualquer custo.
    A tal “liberdade de consciência”, âmbito e ambiente inespugnável ao que lhe é externo, mas acessível somente ao seu possuidor por um movimento da vontade e da inteligência, ao fim e ao cabo, está fazendo mais uma vítima.
    O que faz a pessoa fletar com o erro? A teimosia. É a vontade como guia da ação.
    Diz um ditado que: “A vontade é uma boa serva, mas uma má patroa!”.
    Aqui vemos o desenrolar dessa atitude.
    Pessoas inteligentes – e não duvido que Mons. Williamson o seja! – podem [im]perfeitamente serem assolados por essa “modernice crônica e crítica”.
    Espero que o nosso Bispo mais “kamikaze” se cure disso o quanto antes!!!
    Rezemos.

  8. Gederson, tenho certeza que D. Fellay deve saber as mesmas coisas das quais você relata ou até mais, e nem por isso ele deixou de intimar D. Willianson a voltar atrás. Não é só o judaísmo hipócrita e farsante que nos remete à Sinagoga de Satanás, também a Maçonaria e tantas outras instituições e heresias, que muito provavelmente estão conexas e agindo em conluio. Mas a obstinação por esses assuntos não resolve a História, e nem justifica a aproximação com um advogado ligado ao movimento neo-nazi.

    Nossa Senhora também alertou que da Rússia viriam muitos males, mas ao invés de reduzir a questão a um mero debate filosófico ou histórico, deu para uma crise de causa sobrenatural um remédio de valor igualmente sobrenatural: a devoção ao seu Coração Imaculado e a consagração da Rússia a ele como a prática da oração do Rosário. É só isso que defendo: não inverter a ordem das coisas, não comprometer o sacerdócio com questões externas, não entrar numa rinha histórica onde certamente ele não seria compreendido por melhores que sejam as suas razões, e que pouco pode contribuir para a salvação das almas. Um sacerdote santo vale mais do que todos os argumentos de ordem filosófica, histórica ou teológica. E certamente a prioridade de D. Willianson, enquanto Bispo da FSSPX, é a santificação, o que não exclui a nós, leigos, nesta obrigação. Tenho certeza, Gederson, que não precisamos discutir nesta questão, sobre a prioridade de deveres de um sacerdote e sobre a primazia da vida interior (a vida da graça) sobre a vida intelectual.

  9. Gederson, meu amigo, concordo contigo quando afirmas que a intocabilidade do “dogma” da Shoah foi elevado a categoria de “Religião”, mas daí dizer que não se pode fazer um recuo estratégico na manutenção de posições “polêmicas”, perante um bem-maior que é a unidade de ação da restauração acho pouco eficiente.
    Tudo bem que devemos ser fiéis a verdade, mas também devemos visar que o silêncio pode nos beneficiar de uma trégua ou de não revelar ao inimigo as nossas intenções no combate.
    Não se trata de covardia, mas de inteligência para não dar ao inimigo os nossos passos, muito menos munição para o seu ataque!
    Rezemos.

  10. Se eu pudesse dizer algo ao Bispo:
    A hora é de coragem, mas também é de prudência, dom Willianson. Deixe julgamentos históricos para outro momento. Leve as almas para a Verdade Católica e para o Reino de Deus.

  11. O grave de tudo isto não é de modo nenhum D. Williamson não pretender abdicar daquilo que ele julga ser a mais plena verdade histórica.

    A verdade não está fragmentada ou dividida, pelo que, a verdade histórica é completamente imprescindível para um harmonioso conhecimento da verdade integral.

    O problema coloca-se, a meu ver, a outro nível: ao nível mais pragmático. Neste caso, ao nível meramente da defesa do bispo no julgamento.

    O problema é mais simples e mais complexo do que parece à primeira vista.

    Explico:
    a) Mais simples, no sentido em que aqui não se está a abordar – em última análise – a questão da alegada verdade histórica que D. Williamson julga que conhece. Aqui aborda-se um tema aparentemente mais simplificado: única e exclusivamente a questão da sua defesa.

    b) Mais complexo porque, muito embora isto possa parecer paradoxal – uma coisa ser simples e complexa ao mesmo tempo parece um nonsense -, a questão da defesa leva inevitavelmente a uma conclusão nada favorável, nada abonatória, para o bom bispo.

    Simplificando…

    Se ele tinha um bom advogado, que alegadamente o iria defender bem, que suposta – pelo menos aparentemente, nada temos que nos mostre o contrário – iria defender os seus interesses, por que cargas d’água, por alma de quem, por que raios, mudou de advogado a dez dias do julgamento?

    É isto um comportamento decente? Configura-se isto como uma atitude moralmente aceitável – já nem digo correcta que não é -, a saber: fazer isto a apenas dez dias do julgamento, na secreta esperança de não dar tempo para se ter qualquer repercussão antes?

    Pode uma pessoa com este tipo de comportamento ser levada a sério em questões históricas ou em quaisquer questões?

    Mas porquê quer ser defendido por um nazi! Eu só queria saber porquê adora estar metido em confusões, meter a Fraternidade em sarilhos e apuros e isto sempre, sempre e sem parar. Constantemente.

    Qual é o intuito de tudo isto? Onde isto vai acabar? Pq querer ser vinculado – pelos inimigos – aos nazis? Acaso pensará que um nazi vai defendê-lo melhor?

    E com base em que argumentos? Obviamente nos argumentos nazis!

    E podem argumentos nazis ser verdadeiramente plausíveis e viáveis para uma defesa objectiva, racional e com base na verdade?

    Triste, muito triste.

    Cansada de ver D. Williamson a fazer figuras ridículas: quer com o que diz, quer com as suas atitudes e comportamento.

    Aguardo sinceramente que volte atrás nesta sua decisão e – queira o Deus altíssimo – que não seja expulso da Fraternidade que também ajudou a construir e reconstruir ao longo dos anos.

    Isto é tudo muito triste. So disgusting.

  12. O caso Dom Willianson – Quatro pontos levantados por Dom Cúrzio Nitóglia, quando estourou o caso envolvendo o Bispo da FSSPX

    http://www.doncurzionitoglia.com/CasoWilliamson.htm

    1) Fé e Moral pressupõe história e política (que é a “moral social” e não tem nada a ver com o “partido”). Dividir fé e política, é a essência do catolicismo liberal. Além disso, os fatos históricos subjacentes à fé católica, por exemplo, se o nascimento, morte e ressurreição de Jesus não são fatos históricos, a nossa fé entraria em colapso. Jesus nasceu sob Augusto e morreu sob Pôncio Pilatos. Por isso, o extermicionismo esta na base da religião holocaustica, que quer substituir o Holocausto de Cristo, o Redentor do homem, pelo holocausto do povo judeu.

    2 °) Não pode se restaurar a fé integral, sem restaurar a sociedade da plena fé, ou “política” (“Restaurar todas as coisas em Cristo”, era o lema de São Pio X) e ter um conhecimento da história que é baseada em fatos, não em mitos especialmente se estas são ferramentas para sugerir uma nova concepção teológica (do Holocausto judeu) e minar os católicos tradicionais (Holocausto de Cristo).

    3 °) O Holocausto foi o trampolim para a nova doutrina do Vaticano II sobre o deicídio (“Nostra Aetate”), a reforma de Paulo VI à oração Sexta-feira Santa (NOM, 1970), a teoria do “Antiga Aliança que nunca foi revogada” pelo papa João Paulo II, em Mainz (1981). Além disso, a “teologia do silêncio de Deus” nasceu graças às reflexões sobre o Holocausto, tal como apresentado pelos extermicionistas “. Alguns teólogos (seguindo as pegadas de Hans Jonas e Giovanni Battista Metz) negam a Providência, a bondade de Deus e pôem em dúvida a sua existência, a começar pelo fato de que Deus permitiu o Holocausto. O Holocausto é um ‘absoluto meta-histórica “, para o judaísmo talmúdico um ato de sacrifício com o valor de redenção. Após a destruição do Templo (70 dC), a exegese rabínica substituiu a fé mosaíca no Messias pessoal pela fé do “messias coletivo”, que é o povo judeu. O cristianismo não pode aceitar esta sacralização do Holocausto judeu, caso contrário, renegará sua identidade e fé: o Holocausto é apenas o sacrifício de Cristo. Permitir que outro holocausto salvífico e “meta-histórico”, ao lado de Jesus, seria um ato de apostasia. Infelizmente, a nova teologia e pós-judaizantes do Concílio e pós-Concílio tomou conta nos círculos católicos progressistas, esperamos que não polua muito os círculos católicos, ligados à tradição. Por isso, é dever do pastor alertar os fiéis.

    4 °) Não é um pecado ou transgressão expressar suas opiniões sobre a validade histórica da vasta literatura existente sobre a “revisão” (não “negação”) das teses do holocausto, iniciados por Gromyko em função filo-soviética em 1948. Muitos historiadores, incluindo judeus, argumentam que não há certeza histórica de um plano organizado pelo Terceiro Reich alemão, para exterminar o povo judeu através das câmaras de gás. Certamente foram deportados para campos de concentração, onde muitos judeus foram mortos. Agora, matar inocentes é um crime e um pecado grave contra o quinto mandamento. O Bispo Richard Williamson deixou isso claro durante a entrevista, não disse nada contrário à fé e à moral, ele apenas declarou sua opinião que não descredibiliza toda a doutrina católica. Se um bispo fala como bispo, com a autoridade eclesiástica de fé e moral, não significa que ele não possa falar sem autoridade eclesiástica, sobre história ou sobre a moral social. Além disso, se as posições e opiniões do bispo Williamson sobre o Holocausto, não refletem as da FSPX, então eu me pergunto e digo: se neste caso específico para a fraternidade, é licíto pode falar de história ou política, porque não é licíto para o bispo Williamson?

  13. Trecho do discurso do Papa João Paulo II, a comunidade hebraíca de Mainz:

    “A primeira dimensão deste diálogo, isto é, o encontro entre o povo de Deus do Antigo Testamento, jamais revogado por Deus (cf. Rom 11, 29), e aquele do Novo Testamento, é ao mesmo tempo um diálogo dentro da nossa Igreja, por assim dizer entre a primeira e a segunda parte da sua bíblia. Sobre isto, as directrizes para a aplicação do Decreto conciliar Nostra aetate dizem: “Devemos esforçar-nos por compreender melhor tudo aquilo que no Antigo Testamento conserva um valor próprio e perpétuo… visto que este valor nunca foi esquecido pela ulterior interpretação do Novo Testamento, a qual, pelo contrário, deu ao Antigo o seu significado mais completo, assim como reciprocamente o Novo recebe do Antigo luz e explicação” (11).

    Uma segunda dimensão do nosso diálogo — a verdadeira e central — é o encontro entre as hodiernas Igrejas cristãs e o hodierno povo da Aliança concluída com Moisés. Isto comporta “que os cristãos — assim dizem as directrizes pós-conciliares tendam a compreender melhor as componentes da tradição religiosa do Hebraísmo, e aprendam que linhas fundamentais são essenciais para a realidade religiosa vivida pelos hebreus, segundo a sua própria compreensão” (Introdução). O caminho para este recíproco conhecimento é o diálogo. Agradeço-vos, venerados irmãos, porque também vós estais a conduzi-lo com aquela “abertura e amplidão de espírito”, com aquele “ritmo” e aquela prudência, que a nós católicos vêm recomendados pelas citadas directrizes (1). Resultado deste diálogo e orientação para o seu frutuoso prosseguimento é a Declaração dos Bispos alemães, citada ao início, “sobre as relações entre a Igreja e o Hebraísmo”, de Abril deste ano. É meu ardente desejo que esta Declaração se torne um bem espiritual para todos os católicos da Alemanha!

    http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/speeches/1980/november/documents/hf_jp_ii_spe_19801117_ebrei-magonza_po.html#top

  14. D. Williamson parece que fez bem em mudar de advogado. Vejam só a seguinte notícia sobre a defesa (?) que foi feita de Mons. Williamson:

    Monsignore Williamson difeso(?) dai suoi avvocati durante il processo di Ratisbona il 16 aprile scorso.

    Le note prese da Guntter Deckert durante il processo del 16 aprile 2010 a Ratisbona (publicate in kreuz.net) riferiscono una dettagliata cronica nella quale vengono anche riportate le parole dei difensori di Mgr. Williamson.

    il difensore (?) Lossman prende la parola. Dichiara all’inizio di credere “alla realtà storica dell’olocausto” e di ritenere che il paragrafo 130 (incitazione del popolo all’odio) non solo è giusto ma che deve essere mantenuto. La sua tattica (?): per via delle circostanze particolari (!) non ci sarebbe punibilità secondo la legge tedesca.

    Poi il difensore Lossman chiese al suo testimone Krah: Mgr Williamson ha un debole per le teorie della congiura? Krah rispose di si. Mgr Williamson avrebbe anche strane opinioni sulla storia dell’Olocausto, ma dice sempre quello che ritiene essere giusto. E’ sicuro della sua opinione. Lo si desume anche dalla conversazione con lui. A lui interessa la verità. Il suo problema però è la conoscenza della verità che Krah interpreta come “problema della conoscenza disturbato”.
    Il testimone (?) Krah aggiunge che Monsignore Williamson è ritenuto all’interno della Fraternità come un “marginale”, piacevole, colto ma eccentrico solitario con grande carisma personale. Lo (i superiori) si affronta con sentimenti ambivalenti…

    Dio proteggimi dagli amici….

  15. Renato Salles, meu caro, pode traduzir?…
    Sou monoglota e troglodita, e não entendi patavinas do que está escrito.

  16. Caro João Magro,
    Viva Cristo Rei! Salve Maria!

    Quando um acontecimento histórico assume aspecto teológicos importantes, ao ponto de poder ser considerado uma religião, ele pode ser classificado como heresia. Diante disso, é obrigação do Pastor, denunciar o perigo, não dialogar e levar seu rebanho junto a este diálogo.

    Uma história que nega a historicidade dos Evangelhos e a existência de Cristo, o dessacraliza. E é essa história, que é ensinada em muitos seminários, católicos. Isto em si mesmo, demonstra a importância (que não somos capazes de medir) da restauração da história em Cristo. O cristianismo dos primórdios, foi compreendido pelo sangue dos mártires. Como dizia São Paulo, “para o homem natural, as coisas de Deus são loucura”. Neste julgamento muita coisa estará em jogo. Dom Willianson, até que se prove o contrário, está cumprindo fielmente o seu papel de Pastor.

    Quanto a posição de Dom Fellay, prefiro não dizer nada a respeito e esperar o desenrolar dos acontecimentos.

    Fique com Deus.

    Abraço

    Gederson

  17. Caro Marcus,
    Salve Maria!

    Compreendo a sua postura e a do João Magro, é dificíl julgar se o que Dom Willianson esta fazendo, é oportuno ou não. Se considerar apenas a questão como uma disputa histórica, seria temeridade. Mas não é apenas a questão histórica que está em jogo, é o próprio alicerce da pós-modernidade (e também da nova teologia?). Por isso, me parece uma daquelas situações, acima de todas as previsões, que serão compreendidas, após os acontecimentos. Dom Willianson não arriscaria a sua reputação e o resvalo na reputação da FSSPX por nada. É uma questão complicada, aguardemos os acontecimentos.

    Fique com Deus.

    Abraço

    Gederson

  18. Mr. Wansbutter, que publica os ‘Eleison-Comments’ de Dom Williamson, escreveu no angelqueen.org:

    Dear Readers of Angelqueen,

    Unfortunately Bp. Williamson does not have any sort of international web page for this sort of announcement, so I am making it here. I am making this public statement having requested Bp. Williamson’s permission to do so. I received same directly from the bishop (contrary to all the rumour and innuendo out there) and is as close to an official pronouncement as is likely forthcoming. I am making this statement for the sole purpose of trying to clarify the situation.

    Let it be known that Bp. Williamson will NOT be using the services of the lawyer mentioned in Fr. Thouvenot’s communiqué of 20 November 2010.

    http://angelqueen.org/forum/viewtopic.php?p=388426&sid=466dfec8fdb48feb1293c4abc232a028#388426