Publicamos abaixo a nota de esclarecimento do Pe. Federico Lombardi, porta-voz da Santa Sé, publicada hoje, domingo, 21.
Ao fim do capítulo décimo do livro Luz do mundo, o Papa responde a duas questões sobre o combate à AIDS e o uso de camisinhas, questões que remontam a discussões que seguiram algumas palavras ditas pelo Papa a respeito no curso de sua viagem à África, em 2009.
O Papa claramente reafirma que não pretendeu [em 2009] tomar uma posição sobre o problema das camisinhas em geral, mas simplesmente quis afirmar firmemente que o problema da AIDS não pode ser resolvido somente com a distribuição de camisinhas, pois muito mais tem de ser feito: prevenção, educação, auxílio, conselho, estar próximo das pessoas — tanto para que não se adoentem, mas também quando estão doentes.
O Papa observou que mesmo em meios não eclesiais há semelhante consciência, como ocorre com o chamado método “ABC” (abstinência – fidelidade – camisinhas), no qual os dois primeiros elementos (abstinência e fidelidade) são muito mais determinantes e fundamentais para a luta contra a AIDS, ao passo que a camisinha, em última análise, aparece como um atalho quando os outros dois elementos estão ausentes. Deve ficar claro, portanto, que a camisinha não é a solução do problema.
O Papa então amplia o foco, insistindo que concentrar-se apenas na camisinha é equivalente a tornar a sexualidade algo banal, perdendo seu sentido como uma expressão de amor entre pessoas, e tornando-a uma espécie de “droga”. Combater a banalização da sexualidade é “parte de um grande esforço para ver que a sexualidade é posivitamente compreendida, e pode exercer seus efeitos positivos na pessoa humana em sua totalidade”.
À luz desta ampla e profunda visão da sexualidade humana, e seus desafios modernos, o Papa reafirma que “naturalmente, a Igreja não considera a camisinha como uma solução autêntica e moral” ao problema da AIDS.
Logo, o Papa não está reformando ou mudando o ensinamento da Igreja, mas reafirmando-o, ao colocá-lo em um contexto do valor e da dignidade da sexualidade humana enquanto uma expressão de amor e responsabilidade.
Ao mesmo tempo, o papa considera uma situação excepcional na qual o exercício da sexualidade representa um verdadeiro risco à vida de outrem. Neste caso, o Papa não justifica moralmente o exercício desordenado da sexualidade, mas sustenta que o uso de uma camisinha a fim de diminuir o risco de infecção é “uma primeira hipótese de responsabilidade” e “um primeiro passo em direção a um modo diferente, um modo mais humano, de viver a sexualidade”, em vez de não usar a camisinha e expor a outra pessoa a uma ameaça à sua vida.
Neste sentido, o pensamento do Papa certamente não pode ser definido como uma guinada revolucionária. Numerosos teólogos morais e personalidade eclesiásticas de autoridade sustentaram, e ainda sustentam, posições semelhantes. Todavia, é verdade que, até agora, elas não foram ouvidas com tal clareza da boca de um Papa, mesmo se de forma coloquial, e não magisterial.
Bento XVI, portanto, corajosamente nos dá uma importante contribuição de esclarecimento e aprofundamento de uma questão que há muito é debatida. É uma contribuição original, pois, por um lado, permanece fiel aos princípios morais e demonstra lucidez em rejeitar a “fé na camisinha” como um caminho ilusório; por outro, mostra uma visão compreensiva e ampla, atenta a descobrir os pequenos passos — mesmo se apenas iniciais e ainda confusos — de uma humanidade muitas vezes empobrecida espiritual e culturalmente, em direção a um exercício mais humano e responsável da sexualidade.
Et super hanc petram aedificabo ecclesiam meam.






"... muitos dos que se dizem católicos ajudam os «revolucionários» . São esses, sempre «moderados», que estimam a «tranquilidade pública» como o bem supremo. Esses católicos tolerantes, condescendentes, brandos, doces, amáveis ao extremo com os maçons e furiosos inimigos de Jesus Cristo, guardam todo seu mal humor para os que gritam «Viva a Religião!» e a defendem sofrendo contínuas penalidades e expondo suas vidas. Para eles, esses últimos são «exagerados e imprudentes, que tudo comprometem com prejuízo dos interesses da Igreja» ".
Que tenho eu, Senhor Jesus, que não me tenhais dado?… Que sei eu que Vós não me tenhais ensinado?… Que valho eu se não estou ao vosso lado? Que mereço eu, se a Vós não estou unido?… Perdoai-me os erros que contra Vós tenho cometido. Pois me criastes sem que o merecesse… E me redimistes sem que Vo-lo pedisse… Muito fizestes ao me criar, muito em me redimir, e não sereis menos generoso em perdoar-me. Pois o muito sangue que derramastes e a acerba morte que padecestes não foram pelos anjos que Vos louvam, senão por mim e demais pecadores que Vos ofendem… Se Vos tenho negado, deixai-me reconhecer-Vos; Se Vos tenho injuriado, deixai-me louvar-Vos; Se Vos tenho ofendido, deixai-me servir-Vos. Porque é mais morte que vida, a que não empregada em vosso santo serviço… - Padre Mateo Crawley-Boevey