As questões que dividem e o caso Williamson.

Não tem nada a ver com uma rejeição da autoridade do Concílio Vaticano Segundo per se, ou o posterior múnus papal de ensinar. Antes, tem a ver com certas afirmações ou ensinamentos nos documentos conciliares sobre a liberdade religiosa, ecumenismo, relações com religiões não-cristãs, o conceito das reformas litúrgicas, a unidade do Magistério vis-à-vis com a tradição. Em geral, as dificuldades da FSSPX tem a ver com a continuidade ou o desenvolvimento coerente de certos ensinamentos do Concílio, e o múnus papal de ensinar em vista do Magistério imutável da Igreja e da tradição. Não me parece que a FSSPX rejeite por princípio que seja possível ou legítimo haver um desenvolvimento, ou um aprofundamento orgânico, coerente, da doutrina Católica. O que separa a FSSPX da posição da Santa Sé é o juízo feito sobre a continuidade ou consistência entre certos ensinamentos do Concílio Vaticano Segundo e as declarações anteriores do Magistério. Creio que as declarações mais recentes do Papa Bento XVI sobre a hermenêutica de renovação na continuidade com a tradição e o perene Magistério da Igreja fornecem um princípio básico para a solução do conflito. Elas giram em torno de aplicar este princípio tanto nos casos particulares como no todo — mais do que até agora vem sendo.

[…]

O caso de Dom Williamson é um incidente isolado, e cabe ao Superior da FSSPX lidar com ele dentro da Fraternidade, mesmo com medidas disciplinares, como ditarem as circunstâncias. A Santa Sé já se expressou com absoluta clareza sobre a questão das posições de Williamson. No livro Luz do Mundo, que acabou de ser publicado, o Santo Padre confirmou que o caso Williamson, na medida em que tem a ver com seus pronunciamentos errôneos com relação ao holocausto, é uma questão separada. Ela deve ser completamente separada da questão da relação entre a FSSPX e a Santa Sé, que tem a ver com problemas de doutrina e direito canônico”.

Monsenhor Guido Pozzo em entrevista concedida à Rádio Vaticano

12 Comentários to “As questões que dividem e o caso Williamson.”

  1. Fico contente de saber que eles estão encarando a imprudência e excentricidade de Dom Williamson como algo separado das relação da FSSPX com Roma. Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.

    Agora dizer em sã consciência que a Unitatis Redintegratio repete ou desenvolve a mesma idéia da Mortalium Animus no que diz respeito ao ecumenismo e que não houve nenhum ponto de ruptura entre um e outro ensinamento é querer torcer nossos miolos.

  2. Será que a Hermenêutica da Continuidade resolve alguma coisa? Qual a continuidade que Sua Santidade vê entre os mártires e JP II tomando benção a uma sacerdotisa pagã, ou que tal entre o Concílio de Trento e o Encontro de Assis?

    E como é que o Papa e o Monsenhor Pozzo sabem que os pronunciamentos de Dom Williamson são errôneos? Será que eles viram a entrevista? Será que leram a pesquisa do especialista em camaras de gás?

    Imagino que não. Que mania tem esses prelados modernistas em falar sem ter certeza, em querer acalmar a imprensa, os judeus, os protestantes. Enquanto os bons católicos são surrados com o desprezo e com as críticas infundadas.

    Oremus pro Pontifice Nostro, Benedicto.

  3. «No livro Luz do Mundo, que acabou de ser publicado, o Santo Padre confirmou que o caso Williamson, na medida em que tem a ver com seus pronunciamentos errôneos com relação ao holocausto, é uma questão separada.»

    Luz do mundo, o livro da apostasia

    Também disse que Dom Williamson não era católico e jamais o tinha sido no sentido próprio do termo!

    E também disse que não se opunha à comunhão na mão

    E também disse que as perspectivas da Humanae Vitae eram válidas, mas não serviam para todos

    E disse o pior… aquilo que já sabemos e queremos esquecer!

    É a política do move on

  4. É verdade que o chamado erradamente “holocausto” (que significa sacrifício santo) fora supervalorizado quantitativamente… então, parem de fazer diplomacia…. que a diplomacia está acabando com a imagem católica da Santa Sé… chega… que porcaria.

  5. Sei lá, eu acho extranho, realmente muito extranho. Para mim católico nao fala assim nem de Papa, nem de bispo.Sei que tem bispo que tem problemas, entao escreva para eles. Fale com eles, mas denegrir nossa Igreja na imprensa, na internet, etc nao é mostrar nossa fé. Isso nao agrada a Deus. E ainda mais falar coisa que nao se sabe, como dizer que há contradição entre os ensinamentos da Igreja atual e os ensinamentos da Igreja antes do concílio! Espera aí gente, entao vai ser protestante, porque a Igreja falhou. Que erxiste interpretações falsas do concílio e isso gerou duvidas problemase tc, é uma coisa, mas falar que tem contradição em pontos de doutrina? Aí não meus amigos. Entraram no erro dos modernistas. falta lógica nesse povo. Aí estão de acordo com a interpretação dos maus, a respeito do concílio.Então por que Dom Mayer e Dom Lefebvre assinaram todos os documentos do Concílio? Pecaram então? Claro assinaram uma coisa errada né. Estupido pensar isso! Nao é por eles assinaram que eu creio. Creio porque o Papa aprovou e isso é que dá autoridade na Igreja católica, nao é porque esse ou aquele bispo disse que está certo ou errado. Passar todos os ensinamentos da Igreja hoje sob o crivo de Dom Mayer ou Dom Lefebvre é virar protestante. é crer que eles estão acima do Magisterio. Combatem a colegialidade falsa e agem com estupidez. vejam bem gente isso tudo no pode fazer perder a fé na nossa Igreja, e cada um virar dono da verdade. Nosso critério é aquele que Jesus nos deixou, o magistério, o Papa. De passagem para se ver como tem gente desenformada, e que merece reparação o servo de Deus o Papa João Paulo II, o mulher que nos fala o Sr Emerson, nao era sacerdotisa, era uma católico, e o sinal que João Paulo II recebeu na testa era sinal de boas vindas e nao de adoradores de deuses falsos. Olha bem o que se fala meu amigo, vc estã falando do nosso Papa, da Igreja. Isso nao ajuda a ninguem. Ah, perdão ajuda sim, aos protestantes.

  6. Júlio, Dom Lefebvre e Dom Mayer, não assinaram a Gaudium et Spes e a Dignitatis Humanae. Os argumentos que você apresentou, são argumentos de quem ainda não entende o que se passa na Igreja. Existe evidentes contradições em documentos conciliares e pós-conciliares, com relação aos ensinamentos pré-conciliares. Estude mais, assim você vai entender o que estou falando.

    Fique com Deus.

    Abraço

  7. Julio, o sr. conhece algum ponto das críticas ao Vaticano II?

    O sr. sabe que a infalibilidade não foi empenhada em momento nenhum durante aquele desgraçado concílio?

    O sr. sabia que antes do concílio a Igreja crescia e convertia e hoje a Igreja é ridicularizada, perde fiéis, e tenta imitar seitas protestantes para ficar pop, como os Pe. Marcelo, a RCC, etc?

    O sr. dê uma olhada no mundo a sua volta e em especial à vergonhosa situação do clero atual.

    O sr. sabia que grande parte da Igreja sucumbiu ao Arianismo no século IV? E que só restaram poucos bispos fiéis?

    O sr. sabia que o Papa Honório I foi excomungado após sua morte pelo Terceiro Concílio de Constantinopla e pelo Papa Leão II?

    Ao criticar o que está errado entre os clérigos e na falsa doutrina pós conciliar não estamos ajudando protestantes, muito pelo contrário. Foram os clérigos do Vaticano II que quiseram, e até hoje querem, protestantizar a Igreja. Nós é que não queremos. Queremos boas reformas que ponham as coisas no eixo, como várias vezes foi necessário na história.

  8. Júlio,

    “E ainda mais falar coisa que nao se sabe, como dizer que há contradição entre os ensinamentos da Igreja atual e os ensinamentos da Igreja antes do concílio!”

    Você já leu os textos do CV II e os comparou com a Tradição? Tenho certeza que não. Quem já perdeu um pouquinho de tempo para estudar já se deu conta das contradições evidentes entre o CV II e a Tradição. Tudo o que os defensores do concílio podem fazer é esconder a sujeira debaixo do tapete: nunca entram no mérito da questão. Sempre jogam o problema para longe, escandalizando-se de que possa haver erro no CV II, mas nunca respondem às críticas dos católicos tradicionais.

    Criticar os maus clérigos não ajuda herege nenhum. Quem quer defender, a qualquer custo, os erros horríves deles, estes sim fazem um grande mal à Igreja.

  9. Caro Júlio, laudetur Iesus Christus!
    Vc mexeu num vespeiro…rsssss
    Também penso e sofro as consequências da crise pós-conciliar. Mas, como vc, concordo que, às vezes, passamos dos limites sim em meter o sarrafo no Concílio, mesmo sendo ele, como quis Paulo VI, ser pastoral…
    Tive a honra de conhecer e beijar o anel de D. Castro Mayer várias vezes. Tenho certeza absoluta que ele não gostaria de ser canonizado por ninguém, a não ser pela autoridade competente, neste caso, o Santo Padre, como muitos fazem aqui e alhures.
    Dom Lefebvre não tive a honra de conhecer pessoalmente, mas, penso que também não gostaria de ser canonizado a não ser pelo Papa…
    Quando das sagrações de Ecône, um grupo em Campos queria fazer uma recepção festiva para D. Mayer na sua volta das mesmas. Ele proibiu que se fizesse qualquer ato de tal natureza, pelo contrário, quando os repórteres o entrevistaram na chegada, ele chorou na hora de dar a bênção, lamentando ter sido obrigado, em consciência, a ter tomado tal atitude.
    Ademais, os que os canonizam, fazem a mesma coisa dos aloprados da “teologia” da maldição festiva e moribunda, que já canonizaram Zumbi, D. Oscar Romero, D. Hélder Câmara, D. Luciano Mendes, Chico Mendes, escrava Anastácia, Martin Luther King, etc.
    O nosso Papa sabe aonde quer chegar, mesmo que não seja aquele que verá a Igreja em melhores dias, isso a Deus pertence…
    Rezemos por ele.

  10. Júlio ,
    Com relação ao Concílio Vaticano II vou deixar aqui um estudo interessante feito pelo Prof. Orlando, começe estudando por aqui e voce vai perceber que existe muita diferença entre a teologia tradicional da Igreja com essa teologia pós-conciliar, liberal e muitas vezes condenada pelos Papas anteriores :

    Bom estudo!

    http://www.montfort.org.br/index.php?secao=cadernos&subsecao=religiao&artigo=religiao_vaticano_ii_parte_1&lang=bra

  11. Alguém sabe se existe algum culto formal a Dom Antônio e a Dom Lefebvre? Se o sr. Julio souber que o denuncie.

    É interessante como o sr. Julio fez. Colocou uma suposição de que aqueles que expoem o que estes grandes bispos expuseram, defendem o que estes bispos defenderam, e concluiu, logo, os canonizam e desprezam todo o Magistério.

    O Magistério deve ser sustentado pela Revelação e Tradição, e pelo Magistério perene, o que, em alguns casos, por deficiência de redação (sem julgar as intenções) levando a múltiplas interpretações, levaram os bispos a levantarem sua voz e denunciá-los.

    Não é demais lembrar que as Comissões teológicas da Santa Sé e da FSSPX atualmente estudam exatamente os pontos que aqueles grandes bispos viam maiores dificuldades em detrimento ao Magistério tradicional. Ou seja, a posição de Dom Antônio e Dom Lefebvre sempre foi a defesa do Magistério, calçado na Revelação e na Tradição.

    Em tempo: a informação do Gederson pode ser confirmada no livro de Dom Klopemburg.

  12. “O caso de Dom Williamson é um incidente isolado, e cabe ao Superior da FSSPX lidar com ele dentro da Fraternidade, mesmo com medidas disciplinares, como ditarem as circunstâncias”

    Nesse ponto o superior da FSSPX, Dom Fellay, está se saindo muito bem. Ainda que D. Williamson tenha prestígio entre muitos tradicionalistas, D. Fellay se mantem firme. Não usa de “dois pesos e duas medidas”