Aflita está a Igreja de Deus pelas notícias provenientes de fontes internacionais seguras que dão conta de um possível passo atrás na liberdade concedida à missa tradicional há quase quatro anos pelo Motu Proprio Summorum Pontificum.
Mas o que causaria tanta apreensão entre os católicos? A tão aguardada instrução para esclarecimento e aplicação do Motu Proprio Summorum Pontificum, idealizada para cabalmente fazer valer as disposições do documento contra a má vontade episcopal generalizada, após inúmeras revisões nos escritórios dos dicastérios romanos, pode vir à luz para simplesmente minar o próprio Motu Proprio!
Com efeito, a última versão da instrução, a ser publicada antes da Páscoa, reconheceria a missa tradicional não como um instrumento para servir a toda Igreja — sobretudo por seu valor intrínseco, mas também como um parâmetro para a famigerada “reforma da reforma” –, mas como uma mera concessão à sensibilidade dos ditos tradicionalistas.
É o retorno do gueto: a missa latino-gregoriana seria apenas um carisma dos que já a conhecem, restando aos católicos comuns as missas ordinárias dos carismáticos ou as senilidades marxistas da CNBB.
Uma claríssima involução: do dever de cada diocese de “concordar com a Igreja universal, não só quanto à doutrina da fé e aos sinais sacramentais, mas também em respeito aos usos universalmente aceitos da ininterrupta tradição apostólica” prescrito em Summorum Pontificum, voltaríamos à recomendação de que seja “respeitado o espírito de todos aqueles que se sentem ligados à tradição litúrgica latina” da carta apostólica Ecclesia Dei.
Enfim, como bem sintetizou Rorate-Caeli, “um documento interpretativo inferior que modifica a letra clara da lei, tornando-a ineficaz”.
Os responsáveis pela manobra? Primeiramente, Monsenhor Charles Scicluna, oficial do ex-Santo Ofício, conhecido por seu empenho na investigação dos casos de pederastia entre o clero. Mas também o conivente Prefeito da Congregação para o Culto Divino, Cardeal Antonio Cañizares Llovera, que aceitou esta inserção no texto a ser submetido à assinatura do Papa Bento XVI.
A guerra litúrgica na Cúria Romana parece chegar a seu ápice. Os últimos episódios envolvendo o rápido desmentido a qualquer “restrição” à “renovação” pós-conciliar pelo porta-voz da Sala de Imprensa, a pedido da Secretaria de Estado do Vaticano, e o recente ataque veiculado no L’Osservatore Romano aos institutos da Comissão Ecclesia Dei e à própria fé católica no que diz respeito à necessidade de conversão de hereges e cismáticos, que rendeu um violento artigo do Padre Stefano Carusi, do Instituto do Bom Pastor, com ameças inclusive de levar o jornal aos tribunais eclesiásticos, são as mais claras provas de que vivemos tempos decisivos no pontificado de Bento XVI.
Finalmente, dentro deste emaranhado político-eclesial, cabe a nós fiéis expressarmos nossa inquietação às autoridades competentes e rezarmos para que o Santo Padre não ceda aos grupos de pressão cujos representantes maiores estão muito próximos de Sua Santidade.
[Atualização - 16 de fevereiro de 2011, às 14:41] O vaticanista Paolo Rodari informa ter consultado fontes vaticanas que garantem que as informações acima “são totalmente desprovidas de fundamento”. Um desmentido já era esperado, dado que tais informações só saíram dos corredores vaticanos justamente para que houvesse pressão para a não implementação de tais medidas. Fontes seguras para ambos os lados, permanece aceso o sinal de alerta. Evidentemente, a comunicação às autoridades competentes não deixam de ser oportunas, especialmente para “manifestar aos Pastores sagrados a própria opinião sobre o que afeta o bem da Igreja” (Código de Direito Canônico, cânon 212, § 3º).
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"... muitos dos que se dizem católicos ajudam os «revolucionários» . São esses, sempre «moderados», que estimam a «tranquilidade pública» como o bem supremo. Esses católicos tolerantes, condescendentes, brandos, doces, amáveis ao extremo com os maçons e furiosos inimigos de Jesus Cristo, guardam todo seu mal humor para os que gritam «Viva a Religião!» e a defendem sofrendo contínuas penalidades e expondo suas vidas. Para eles, esses últimos são «exagerados e imprudentes, que tudo comprometem com prejuízo dos interesses da Igreja» ".
Que tenho eu, Senhor Jesus, que não me tenhais dado?… Que sei eu que Vós não me tenhais ensinado?… Que valho eu se não estou ao vosso lado? Que mereço eu, se a Vós não estou unido?… Perdoai-me os erros que contra Vós tenho cometido. Pois me criastes sem que o merecesse… E me redimistes sem que Vo-lo pedisse… Muito fizestes ao me criar, muito em me redimir, e não sereis menos generoso em perdoar-me. Pois o muito sangue que derramastes e a acerba morte que padecestes não foram pelos anjos que Vos louvam, senão por mim e demais pecadores que Vos ofendem… Se Vos tenho negado, deixai-me reconhecer-Vos; Se Vos tenho injuriado, deixai-me louvar-Vos; Se Vos tenho ofendido, deixai-me servir-Vos. Porque é mais morte que vida, a que não empregada em vosso santo serviço… - Padre Mateo Crawley-Boevey