Carta do Padre Leonardo Holtz a Dom Orani João Tempesta.

Apresentamos a carta enviada em janeiro deste ano pelo Reverendíssimo Padre Leonardo Holtz a Dom Orani João Tempesta, arcebispo metropolitano do Rio de Janeiro. Agradecemos ao Padre Leonardo o envio para divulgação e a confiança depositada neste site.

* * *

Excia. Rev.ma

Dom Orani João Tempesta, O.Cist.,

Arcebispo do Rio de Janeiro

Pax!

“É, porventura, o favor dos homens que eu procuro, ou o de Deus? Por acaso tenho interesse em agradar aos homens? Se quisesse ainda agradar aos homens, não seria servo de Cristo.” (Gl 1,10)

Há muito que desejo dirigir a V. Excia. estas palavras, mas não julguei ter ainda chegado a hora. Sei que V. Excia. já tem muitos assuntos com o que se ocupar e lamento profundamente ter que trazer mais um peso a V. Excia., contudo, era necessário que eu o fizesse, pois o que está em jogo é a minha vocação Sacerdotal e, até mesmo, a minha fé católica e a eterna salvação de minha alma. Afinal, “de que vale ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida?” (Mt 16,26)

D. Orani, preciso deixar a Arquidiocese do Rio de Janeiro e, desta vez, será definitivamente. Peço que V. Excia. não me julgue sem conhecer meus motivos.

Tenho atualmente trinta anos de idade e seis de ministério Sacerdotal. Vejo com clareza e profunda tristeza a terrível crise que se instaurou na Santa Igreja e, principalmente, no clero de uma forma geral. A disciplina eclesiástica foi deixada de lado e o que vigora hoje é um relativismo que arrefece a fé. Perdemos fiéis, as vocações estão diminuindo… por quê? Simples: porque o jovem deseja encontrar na vida religiosa aquilo que ele não encontra na vida secular. Mas hoje se vê os religiosos agindo como os seculares, então, muitos jovens chegam à seguinte conclusão: não preciso ser um religioso para fazer o que os religiosos de hoje em dia fazem! Por que muitas congregações religiosas de hoje não tem mais vocações? Vamos culpar os “tempos modernos”? Vamos dizer que “os jovens de hoje não querem mais compromisso” como os jovens de outrora? Por que nossas paróquias e santuários estão repletos de fiéis nas missas (especialmente nas missas-show), mas as pastorais estão vazias? Por que nossos fiéis não sabem mais o catecismo? Por que as quadras de samba e as praias estão muito mais bem freqüentadas do que nossas paróquias? Creio que muitos saibam as respostas dessas perguntas, mas muito poucos tem a CORAGEM de admitir, pois é muito mais confortável colocar remendos do que derrubar tudo e reconstruir.

Ingressei no Seminário Arquidiocesano de São José aos 12 dias do mês de Fevereiro de 1997. Tinha acabado de completar 17 anos no dia anterior. Recebi a investidura da batina uma semana antes de Cinzas. Que dia feliz! Recebemos a batina numa cerimônia bonita que foi feita pelo padre Reitor, mas logo que acabou a cerimônia tivemos que tirá-la e guardá-la no armário. Sempre me faço uma pergunta: Exatamente para que o nosso Seminário mantém uma cerimônia de recepção de batinas, se ninguém pode usá-la depois como seu hábito cotidiano e sim como um paramento ocasional? Sabe, D. Orani, eu sempre gostei de vestir minha batina. Sei que eu não era muito bem visto no seminário por causa disso. Eu não usava batina direto dentro do seminário, em parte para não causar problemas com meus superiores, e em parte por escrúpulo e respeito humano. Há muitos que dizem o famigerado bordão “o hábito não faz o monge”, o que é uma bela desculpa para a indisciplina dos padres de hoje. O mais interessante é que não vemos uma muçulmana sem a burca, ou uma “mãe-de-santo” sem seus trajes ou mesmo um militar em serviço sem seu uniforme, mas nossos clérigos insistem em se apresentar como leigos. É claro que se nem os padres dão o exemplo, como os fiéis vão poder se portar bem? Tenho que suportar as mulheres mal vestidas, os decotes e mini-saias dentro da igreja. Isso para não falar que destruíram o piedoso uso do véu. Reina a vaidade! Os homens não ficam atrás. Deus sabe como tenho vontade de negar a Santa Comunhão aos homens que vem de bermuda à Igreja. A Santa Batina é o manto sagrado de Nosso Senhor que nos protege de muitos males, sem falar que para nós, religiosos, ela é um constante lembrete de nossa consagração e um excelente exercício da virtude da humildade e de mortificação. Nosso Senhor já dizia: “o espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26, 41). Quanto bem a batina pode fazer ao sacerdote! Um sacerdote de batina necessariamente vai ponderar melhor seus atos; não pode freqüentar todos os ambientes; deve conter os olhares curiosos, as palavras ociosas, as excessivas familiaridades. Ele deve portar-se bem SEMPRE, pois, carrega consigo a Imagem da Igreja, Esposa do Cordeiro, sem ruga e sem mancha. Depois do Concílio foi feito um trabalho de “destruição” da imagem do sacerdote. Querem convencer os católicos (e o mundo inteiro) de que o padre é um homem comum e que, portanto, deve se vestir como um homem comum. Disseram-me no seminário certa vez que o Concílio permitiu que os padres tirassem a batina para “facilitar o ministério pastoral, pois vestindo uma veste comum, isso facilitaria a entrada do padre em ambientes hostis à fé para que lá ele pudesse exercer o apostolado”. Quanta ingenuidade (para não dizer leviandade)! Que sutil armadilha do demônio! Se isso fosse verdade as praias, as boates, casas noturnas masculinas (gls), as casas de show eram para estar mais que evangelizadas! Que diriam os jesuítas europeus que enfrentaram o calor, a mata, os mosquitos e outros contratempos na evangelização da América Latina? E sem tirar seu hábito! Por acaso eles ficaram nus para “dialogar” com os índios? Depois nós “choramos o leite derramado” quando surgem os escândalos que mancham e envergonham o nome da Santa Igreja. De que adianta Sua Santidade, Bento XVI, pedir perdão às vítimas dos abusos de pedofilia se ele, que tem o poder das chaves, não impõe uma disciplina mais rígida aos padres e não exige uma seleção mais severa e uma formação mais sólida nos seminários? Será que se esses padres recebessem uma boa formação, se alguém lhes tivesse falado de sacrifício, mortificação, vida espiritual, se alguém tivesse ensinado a eles que o ministério que receberam é sublime demais e que eles, sem ser diferentes dos demais homens, não são exatamente iguais, será que teríamos tantos escândalos? É triste, D. Orani, mas hoje temos de tudo: padres cantores, psicólogos, jornalistas, artistas, mas temos poucos padres PADRES! Encontramos padres em todos os ambientes hoje, mas, se bobearmos, só não os achamos nas paróquias. Soube que existe um padre que não rezava a Missa da primeira sexta-feira do mês em sua paróquia; as senhoras do Apostolado da Oração para obrigá-lo a rezar a Missa, fazem uma “vaquinha” todo mês e lhe dão uma espórtula. Isso porque ele afirma que só celebra durante a semana se houver intenções marcadas. Mas, mediante uma espórtula, abre-se uma exceção. Não vou consertar o mundo, Excelência, mas fico perplexo com tanta hipocrisia!

No meu segundo ano de seminário, eu estava retornando da minha pastoral dominical e estava usando minha batina. Encontrei-me na rua com um padre formador. O cumprimentei. Ele me olhou, mas não acenou e nem fez o menor sinal de retribuição. Quando cheguei ao seminário, recebi um recado de que o próprio queria me ver. Fui até o padre e ele me segurou pelo braço, com agressividade e, me machucando, perguntou por que eu estava de batina na rua. Me disse coisas horríveis, disse-me que eu gostava de “aparecer” e que eu era um “carreirista”. Que atitude paternal, não? Digna de um formador de seminário! Um homem emocionalmente desequilibrado, metido a psicólogo, com uma psicologia de porta de banheiro, formando os futuros padres da nossa Arquidiocese! E pior: esse senhor, ainda por cima, é um herege! Ele afirmava com todas as letras que a Santa Missa é apenas um “culto de louvor” e não um sacrifício. Certa vez, após o ofertório, ele disse: “Orai irmãos para que o nosso culto de louvor seja aceito por Deus Pai todo-poderoso”, eu me levantei me retirei da capela na mesma hora. Ele foi atrás de mim logo depois para me perguntar por que eu saí da capela no meio da Missa. Eu respondi: “Não, padre, eu não saí no meio da ‘Missa’, mas sim no meio do ‘culto de louvor’. Se fosse a Missa eu teria ficado na capela”. O mesmo sacerdote afirmava também que os Sacramentos não são sete, mas que são muito mais. Quando ele afirmou isso em sala de aula eu, perplexo, levantei a mão e perguntei: “mas se o senhor perguntar na prova e eu responder o que eu aprendi no catecismo, que os sacramentos são SETE, o senhor vai me descontar pontos?” Ele mandou que eu me retirasse da sala de aula.

Sempre ouvia as histórias de minha avó que dizia que no tempo dela a Missa era em latim e que o padre ficava de costas aos fiéis, mas eu não tinha a menor noção do quanto tinham mudado a Santa Missa. Na minha cabeça pueril tratava-se apenas de uma questão estética e lingüística. Como eu estava enganado! Esse assunto no seminário era uma espécie de TABU. Simplesmente não se falava. Foi, então, numa bela tarde que a Graça Divina me conduziu à biblioteca do seminário e ali encontrei um belo livro vermelho, grande, antigo e a lombada trazia em dourado as palavras MISSALE ROMANUM. Pesquisei um pouco, mas não reconheci aquela Missa. Por isso, retirei o Missal e o levei direto ao meu diretor espiritual para fazer algumas perguntas. As únicas respostas que obtive foram: “Sim isso é um Missal antigo” e, logo depois, “coloca aonde você pegou”. Encontrei na mesma sessão os breviários, os rituais e fiquei encantado. Mas afinal, porque a Missa tinha mudado? Por que tudo aquilo estava ali abandonado? E comecei a pesquisar cada vez mais. Mas, quando alguém percebeu meu repentino interesse (e o de alguns outros colegas) pelos livros tradicionais, misticamente, um belo dia, a estante inteira DESAPARECEU. Ainda assim conseguimos salvar um antigo breviário com o qual eu e mais dois rapazes nos reuníamos à noite (escondidos) para rezar as Completas no rito de S. Pio V, com medo de sermos vistos como se estivéssemos fazendo algo proibido ou vergonhoso. Fico muito triste de constatar que hoje se fala tanto em “liberdade religiosa” e de “diálogo”, mas quando se fala em Concílio de Trento aí todo o diálogo desaparece. Há uma profunda aversão a tudo o que é antigo; há uma sede insaciável de novidade.

Outra coisa que me deixava furioso dentro do seminário era aquela SEMANA DE ORAÇÃO PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS. Sempre achei isso uma aberração! Como pode um bando de protestantes hereges serem convidados a pregar dentro de um seminário católico? O mais engraçado da história (para não dizer ‘trágico’) é que se retirava o Santíssimo Sacramento do Sacrário e as imagens de Nossa Senhora e S. José também iam parar na sacristia. Mas se o protestante está vindo na MINHA CASA eu tenho que tirar as imagens e o Santíssimo Sacramento por que? Eu preferia, nessas ocasiões, me retirar e ficar no meu quarto a presenciar aquilo. Não entendo o ecumenismo. Não o entendo por que isso NUNCA nos levou a lugar algum! Diziam que essa postura iria ajudar a trazer os hereges e os apóstatas à verdadeira fé, mas o que temos visto é mais e mais apostasia. Quantos fiéis não abandonaram a fé e se uniram a essas seitas? Contra fatos não há argumento e o FATO é que após o Vaticano II e seus movimentos ecumênicos as seitas triplicaram como um estouro da boiada!

Também me incomodava o fato de que leigos estudavam filosofia e teologia com os seminaristas; mulheres participavam da vida cotidiana dos seminaristas… muito impróprio. E os “passeios” das turmas e as “convivências” em Itaipava? Eram ótimas ocasiões onde os seminaristas mostravam REALMENTE quem eram; as músicas que se ouviam, as letras que se cantavam, as palavras ociosas, as brincadeiras nem sempre inocentes e sem segundas intenções… ali já estava um retrato do clero que viria depois: gente que tem SIM suas qualidades humanas, mas que não receberam uma formação que os ajudasse a se exercitar nas virtudes que um sacerdote deve ter. Tinha colegas que ficavam inquietos e impacientes nas Missas, ofícios e outras orações na capela do seminário. Alguns resmungavam (de forma audível) torcendo para que os ofícios terminassem logo. Nunca entendi bem aquilo. Se a pessoa não gosta de rezar, se tem pressa que o ofício termine, vai ser padre pra quê?

Não sou nenhum santo, D. Orani, mas sempre tive consciência da grandeza que é o ministério Sacerdotal, mesmo quando dava meus passos errados. Ainda os dou muitas vezes, mas me confio no Sacramento da Confissão e nos exercícios de mortificação e luto para tentar ser um sacerdote santo.

Em 2001 fui Ordenado Diácono por Dom Eusébio, mas sempre tive o desejo de ser Ordenado no Rito Tradicional. Dom Eusébio sabia disso, pois eu mesmo disse a ele. Como naquele período as negociações entre Campos dos Goytacazes (RJ) e a Santa Sé tinham acabado de acontecer, fui a Campos conversar com Dom Fernando Arêas Rifan, bispo da Administração Apostólica Pessoal S. João Maria Vianney. Tinha intenção de pedir transferência para a Administração Apostólica. Mas voltei de lá muito triste, na verdade, decepcionado! Dom Rifan me disse: “É melhor o senhor ficar onde está. Quem sabe com o seu pensamento tradicional o senhor não possa ser uma influência positiva para o clero carioca?” (Sic!) Não entendia como ele podia rejeitar um padre tradicional já que havia tão poucos.

Bem, como Diácono, ninguém podia me impedir de usar a batina em tempo integral, afinal eu já era oficialmente um clérigo. Mas D. Eusébio me chamou para conversar e me pediu que eu a tirasse. Tentei argumentar com o Cânone 284, mas, ainda assim, ele mandou que eu tirasse a batina para “ficar igual aos outros”. É claro que, por obediência, eu a retirei. Dom Eusébio ainda me disse que eu deveria ter algum problema de ordem psicológica e determinou que eu fizesse sessões de terapia com Dom Wilson Tadeu Jönk, que é psicólogo, o que foi, obviamente, uma grande perda de tempo tanto para mim, quanto para o bispo. Sempre no final das sessões, deixávamos marcada a próxima. Certa vez Dom Wilson marcou numa terça-feira de carnaval. Eu disse a ele “Mas é uma terça de carnaval!” e ele me respondeu: “Eu não vou sair no bloco, você vai? Se não vai, então não vai encontrar problemas de vir até o palácio”. Todo mundo que me conhece sabe como eu detesto sair à rua nos dias de carnaval, primeiramente por medo da violência e depois porque as pessoas me vêem de batina e pensam se tratar de uma fantasia ridícula de carnaval. Mas eu fui assim mesmo. NUNCA vou me esquecer desta cena: cheguei ao palácio e Dom Wilson estava numa salinha do segundo andar com as pernas apoiadas numa mesinha de centro assistindo TV. Tinha se esquecido por completo do nosso encontro e disse que não era um dia apropriado para fazer isso, que eu deveria ter me enganado. Senti-me muito humilhado, mas ofereci isso como sacrifício a Nosso Senhor pela conversão do clero (dele em especial). Tanta gente fazendo coisa errada (desvio de dinheiro, problemas morais seríssimos) e o arcebispo perdendo tempo com um diácono só porque ele queria ser um padre que reza a Missa de Trento? Francamente! Nosso Senhor estava absolutamente certo quando disse: “Guias cegos! Filtrais um mosquito e engolis um camelo.” (Mt 23,24)

Fui Ordenado Sacerdote em 17 de Abril de 2004. Fui logo de cara enviado como coadjutor numa paróquia onde o pároco era muito grosseiro com o povo e os fiéis tinham se afastado em sua maioria. A desculpa dada era “porque ele era velho”. Então todo velho tem que ser grosseiro e mal-amado? Ele queria a todo custo que eu imitasse os abusos que ele introduzia na Missa (ele tinha mania de apagar as luzes da igreja e acender uns holofotes coloridos na hora da consagração) ao que eu disse: “reze a Missa do jeito que o senhor quiser, mas eu a rezarei como está no Missal!” Parece que os senhores bispos tem um enorme problema em transferir párocos que estão há muitos anos numa comunidade, mesmo que estes estejam fazendo um mal monumental às almas e afastando os fiéis da Igreja. Os bispos conseguem ter pena de UM, mas são incapazes de ver que MUITOS estão a sofrer por causa daquele um.

Fui transferido para outra paróquia, para ser coadjutor de um sacerdote mais jovem. Fui bem recebido pelo pároco. Cheguei no dia exato em que estava acontecendo o tradicional mutirão de confissões preparatórias para a Páscoa. Atendemos até 1 hora da manhã mais ou menos. Após o jantar os padres foram embora e, quando só restamos nós dois, então conversamos. Ele me perguntou se eu tinha gostado da comunidade, e, então, me disse: “Bem, seja bem-vindo aqui então. Vou logo te avisando, eu quero um coadjutor aqui pra trabalhar. O que você vai fazer com seu tempo pessoal é problema seu desde que você cumpra suas obrigações. Você não vai morar comigo aqui na casa paroquial. Temos uma capela que tem sua casa própria. Vou te dar as chaves e você vai morar lá. Assim, se você quiser, pode ter suas visitas íntimas; Só toma cuidado para não arrumar um filho.” Chorei o resto da madrugada inteira. Chorei, D. Orani, por que me lembrei das palavras de Nosso Senhor ao Santo Padre Pio falando sobre os sacerdotes: “Vede como me tratam como açougueiros?”. Uma vez, num sábado, eu estava sentado ao confessionário e deveria ter umas dez pessoas na fila. O Pároco chegou de repente e pediu que as pessoas voltassem outro dia, porque ele precisava muito de mim. Os fiéis foram embora e eu o ajudei a fechar a igreja. Perguntei então aonde íamos e que tipo de ajuda ele precisava de mim. Quando ouvi a resposta fiquei estarrecido, não acreditava no que eu estava ouvindo: “preciso que você vá à concessionária comigo para me ajudar a escolher meu carro novo”. Pena que muitos padres não acreditem mais no castigo dos Céus, porque ele veio: exatamente uma semana depois ele capotou com o carro novo na Avenida Brasil. Graças a Deus não se feriu gravemente, mas o carro deu perda total!

Em 2007 pedi a Dom Eusébio que me permitisse fazer uma experiência no recém-criado IBP (Instituto Bom Pastor). Fui então para S. Paulo e morei lá um pouco tempo. A convivência lá era muito boa, contudo, o que garantia a permanência do IBP em São Paulo, era o apoio econômico do Professor Orlando Fedeli e da sua Associação Cultural Montfort. Chegou um período que os padres e os seminaristas que lá estávamos, julgamos que a Montfort influenciava muito dentro do seminário e que se fazia necessária uma clara distinção entre as duas instituições: Montfort e IBP. Aliás, nós padres, muitas vezes sentíamos que só servíamos para ministrar sacramentos e mais nada. Até nossos sermões foram muitas vezes submetidos a julgamentos. Outro fato que me levou a desacreditar no IBP foi que o superior geral, o Padre Phillipe Laguérie, que deveria tomar uma medida firme para diminuir a influência da Montfort dentro da casa do IBP, não o fez, sobretudo depois de uma visita do Prof. Fedeli a Bordeaux (França) e uma conversa com Pe. Laguérie. Bem, um superior geral que não toma medidas firmes e se deixa vencer pelo respeito humano não é digno da minha confiança. Por esses e outros motivos, retornei ao Rio de Janeiro.

Vim para a Paróquia Bom Pastor, inicialmente como coadjutor do meu irmão e, depois, como Pároco. Mas estou numa terrível crise de consciência desde então. D. Orani. Juro ao senhor que eu tentei de TUDO para me enturmar com o clero daqui. Pensei comigo mesmo “E se eu estiver sendo rígido demais? E se eu tentasse ser mais maleável para tentar me enturmar melhor?” Fiz muitas tentativas para me entrosar com o restante do clero. Tirei minha batina e o senhor sabe muito bem disso. O senhor mesmo já me viu sem batina algumas vezes… Cedi muitas vezes, me calei muitas vezes quando eu não concordava com algo; como dizia São Paulo: “fiz-me tudo para todos na esperança de salvar alguns” (1Cor 9,22). Mas descobri uma coisa: cheguei à conclusão de que com o MODERNISMO não existe diálogo! É inútil! É o mesmo que “pôr um remendo novo em roupa velha” (cf. Mt 9,16). Eu abri mão do que é justo, bom e honroso, mas não há reciprocidade… ninguém ficou mais tradicional nem obedeceu mais à disciplina da Igreja por causa disso. No final, eu é que estava virando um progressista! Ouvi este sábio pensamento uma vez: Dez laranjas boas não CURAM uma que está podre, mas é precisamente a ÚNICA PODRE que vai contaminar TODAS as outras dez. Coisas ruins sempre se aprende com mais rapidez e facilidade que as coisas boas. Destruir é bem mais rápido que (re)construir. É por esse motivo que eu não posso mais ficar aqui, D. Orani. Não pense que faço isso sem dor na consciência. Mas chegou a hora (e já até passou) de eu deixar de lado o respeito humano e dizer o que eu realmente penso e ficar em paz com minha consciência.

Primeiramente, como católico, eu não estou obrigado a aceitar o Concílio Vaticano II, uma vez que este foi um concílio pastoral e não um concílio dogmático.

- Quanto à Missa, não nego a validade da nova missa, contudo afirmo que ela é ambígua e não expressa, como a de S. Pio V, os principais dogmas católicos. Confesso que celebro com muita relutância a missa segundo o Novus Ordo (de Paulo VI). Não posso aceitar o ofertório do Novus Ordo que é uma berakah judaica. É claramente uma ceia e não um sacrifício! Há muito tempo que eu o substituo pelo Ofertório Tradicional. Faço esta e outras modificações para que a missa nova seja o mais suportável possível para mim e possa expressar o mais possível os nossos dogmas de fé. Contudo isso me incomoda muitíssimo, pois sei que não tenho a graça de estado para modificar um rito. Mas em consciência, não posso continuar a celebrar esse rito!

- Também quanto aos Sacramentos (Batismo, Confissão, Matrimônio e Extrema Unção) e o Breviário eu faço no rito antigo já faz algum tempo.

- Não compreendo e não aceito a concelebração eucarística! Enfim, D. Orani, minha presença aqui mais atrapalha do que ajuda esta Arquidiocese. E atrapalha também a mim e ao meu crescimento espiritual, pois é muito cansativo viver num eterno conflito. Cada reunião do clero é uma nova batalha. Tenho evitado ir às cerimônias e encontros da Arquidiocese, pois assim eu peco menos. Fui ao aniversário de 90 anos de Dom Eugênio exclusivamente para pecar: “você meu amigo de fé, meu irmão camarada” cantado para um Cardeal, durante a Santa Missa numa Catedral? Elba Ramalho cantando “Asa Branca” no presbitério? Desculpe, Dom Orani, é demais para mim. Perdoe meu desabafo. Desculpe o transtorno. Não me queira mal. Sinto-me uma ave solitária aqui… pelo menos se eu for, poderei ajuntar-me ao bando dos de minha espécie.

Estou me unindo à Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX). Devo passar algum tempo no seminário na Argentina para refazer algumas matérias da Teologia (principalmente da teologia moral que é muito fraca no seminário do Rio) e, depois seguir, como missionário, onde os senhores bispos da Fraternidade me enviarem.

Não me tome por cismático e nem herege. Afinal, como Mons. Lefèbvre dizia: “não fundamos uma religião nova, não criamos novos sacramentos, não criamos uma nova missa, não inventamos liturgia própria, apenas queremos conservar, seguir e ensinar aquilo que a Igreja SEMPRE ensinou”.

Mais uma vez peço perdão pelo transtorno e humildemente peço vossa bênção e vossas orações.

In Iesu et Maria,

Rio de Janeiro, 25 de Janeiro de 2011

Festa da Conversão de São Paulo

Pe. Leonardo Holtz Peixoto

69 Responses to “Carta do Padre Leonardo Holtz a Dom Orani João Tempesta.”

  1. Alguém saberia me informar se o Padre Leonardo Holtz ja se encontra em La Reja??

  2. Isso põe fim a muito juízo precipitado, até mesmo sobre uma eventual falta de ortodoxia do Pe. Leonardo, como já foi dito.
    Que Nossa Senhora auxilie o Pe. Leonardo nesta nova fase do seu sacerdócio!

  3. Que o Bom Deus abençoe grandemente este corajoso e digno sacerdote! Deus te acompanhe em seus caminhos, Padre Leonardo Hotz! Que seja frutuosa a sua exemplar decisão!

  4. “mas temos poucos padres PADRES!”

    Isso resume tudo.

    Padre Leonardo, boa viagem, que Nossa Senhora lhe proteja neste momento!

    Que bom que agora o senhor poderá, com liberdade, ser padre PADRE!

    Um abraço,

  5. N. Prado,

    Tenho repetir o que você disse:

    “Que seja frutuosa a sua exemplar decisão!”

    Que muitos padres também “esmagados” pelo modernismo, através deste exemplo, também tomem coragem!

  6. Isso responde àqueles que sugeriam que o Padre Leonardo se precipitou ao não se dirigir à Administração pessoal de Dom Rifan.
    A FSSPX pode até conter hereges, mas a sua essencia, definida por Dom Lefebvre, conforme suas próprias palavras, é defender e ensinar tudo aquilo que a Igreja SEMPRE ensinou.
    A Igreja do Concílio Vaticano II sangra, está ferida de morte e ela precisa morrer. Só assim brilhará a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, Príncipe da Paz!

  7. O relato do revdmo. Pe. Holtz é simplesmente estarrecedor.
    Gostaria apenas de fazer um contraponto no que se refere a Associação Cultural Montfort:

    http://www.montfort.org.br/index.php?secao=cartas&subsecao=outros&artigo=20080810142717&lang=bra

    e

    http://www.montfort.org.br/index.php?secao=veritas&subsecao=cronicas&artigo=capela_vazia&lang=bra

  8. “Quem dentre vós dará uma pedra a seu filho, se este lhe pedir pão? E, se lhe pedir um peixe, dar-lhe-á uma serpente?” (São Matheus VII, 9-10)

    Resposta: Dom Fernando Areas Rifan.

    Triste e lamentável, Dom Rifan, o senhor “jogou mesmo a toalha na lona.”

  9. Estou com d. Rifan e acho que ele poderia ter dado testemunho aos outros padres da diocese.

  10. Há muito já sabíamos da lamentável situação do seminário arquidiocesano do RJ, mas essa descrição detalhada nos entristece ainda mais.

    O que ele falou sobre a batina vale igualmente para as religiosas. Ouvi o mesmíssimo discurso de uma freira que faz atividades catequéticas em favelas. Certa vez ela me afirmou que o hábito poderia impedir a confiança das pessoas atendidas nas religiosas, o que não faz o menor cabimento.

    Não tem sentido contribuir financeiramente para esse seminário que força os jovenzinhos a pensar de maneira modernista.

    Que o Bom Deus abençoe e ilumine o padre Leonardo.

  11. Se for possível, peço autorização para enviar cópia da carta a todos os padres e ao Bispo da minha Diocese

  12. que Deus lhe faça um Santo. parabens pela coragem.

  13. Mas o Arcebispo do Rio de Janeiro pediu que ele ficasse, concedendo-lhe os direitos de celebrar todos os ritos em sua forma extraordinária, o que futuramente convergirá em uma paróquia que apenas celebrará assim! Pelo menos o Bispo foi sensato!

  14. Ferreti,

    Esta carta merece máxima divulgação!

    Contribuindo, republiquei no ARENA DA TEOLOGIA com link remetendo à fonte.

    http://arenadateologia.blogspot.com/2011/04/temos-poucos-padres-padres-padre.html

  15. Que santa “crise de consciência”!

    Deus permita que o Pe. Leonardo Holtz seja um modelo e estímulo para todos aqueles sacerdotes que, por respeito humano, juntam-se aos erros alheios.

  16. Renato, permita-me estender a sua frase: ‘Isso põe fim a muito juízo precipitado’. Não só juízos sobre o Pe. Leonardo, mas ele, como testemunha, revela situações que achavam-se “sem explicação” como a saída do IBP do Brasil.

    Lembrei de uma frase que ouço nas ordenações diaconais que cabe muito bem nesse momento ao Pe. Leonardo: “Deus que te inspirou nesse bom propósito, te conserve sempre mais no caminho da perfeição”. A Obediência antes a Deus que aos homens.

  17. Houve quem aproveitasse do caso para atacar o Padre Leonardo Holtz e a FSSPX. Penso que todos aqui, saibam do que estou falando.

    Se a Paróquia realmente existisse, não se noticiária seu “abandono.” Mas se pediria a Dom Orani (que para alguns agora é o novo Dom Mayer do RJ), um substituto para o Padre Leonardo Holtz. Contudo, preferiram usar o caso, para novamente caluniar e difamar a FSSPX. A resposta que agora lemos, é uma grato esclarecimento, aos juízos tememários que foram feitos pela imprensa marrom “tradicionalista”.

    Fiquem com Deus.

    Abraço

  18. O padre Leonardo que se cuide, ele corre risco de vida!!!

  19. Joel Xavier de Macedo Júnior,

    O IBP saiu do Brasil temporariamente tendo como motivo principal a Montfort que influenciava naquilo que não podia. Isso não significa “satanizar” a Montfort, esta afirmação é um fato que foi inclusive confirmada pelo próprio Padre Laguerie na época, que resultou inclusive numa carta aberta da Montfort para o superior do IBP, carta esta que até hoje esta sem resposta . É absolutamente certo que a Montfort foi a grande culpada pela saída do IBP aqui do Brasil. E ironicamente hoje acusa o prof Sidney Silveira de ter “articulado” a favor do fim daquilo que seria a primeira paróquia pessoal de rito antigo do Brasil, algo que como vemos, foi e é uma ilusão o que só aumenta a injustiça dita contra o prof Sidney.

    Há o relato dos padres que saíram do IBP, mas este são suspeitos. Então peguemos os relatos do seminaristas que eram do IBP (muitos dizem que a Montfort de fato queria tomar conta), mas esqueça estes também são suspeitos. O padre Perrel disse o que disse no seu último sermão publicado inclusive aqui no Fratres. Mas esqueça, o padre Perrel e o Fratres são suspeitos. O próprio padre Laguerie disse o que disse contra o “grupo de leigos” que queria interferir no cotidiano do IBP, mas esqueça, o padre Laguerie também é suspeito.

    A Montfort então não é suspeita?

    Fica complicado. Eles não tem defesa nesta questão, e admitir o erro, imagine, isso é demais para o pessoal da Montfort.

    Um grande abraço,

    Luis Claudio

  20. Thiago,
    Você esta meio por fora do que aconteceu:

    http://fratresinunum.com/2011/03/28/parole-parole-parole/

  21. E outra coisa. É hipocrisia diminuir a Montfort, ou melhor, o professor Orlando. Ele foi, com certeza, e continua sendo, através de seus escritos, responsável por centenas de pessoas que abrem os olhos para os problemas da Igreja. Mas por isso, não se pode extrair o direito de interferir em coisas que não lhe são de direito. É justamente por ser responsável por tantas coisas boas que a Montfort e o Prof Orlando não podem (poderiam) fazer coisas que causam(causassem) confusão nas almas, como este fato da saída do IBP do Brasil.

  22. O estrago causado pelo emerito e sumido Cardeal Sheid, é mantido pelo atual arcebispo que prefere abençoar escolas de sambas e etc, do que ajudar um “filho que muito dele precisava”.
    Logo logo teremos o novo arcebispo de Brasília.Rumores dizem do atual Bispo Auxiliar de Belo Horizonte-MG.

  23. Chorei ao ler esta carta ; é triste ver o que está acontecendo na Igreja.

    Cada um de nós é responśavel ; precisamos ser mais santos – só um surto de santidade pode salvar a Igreja desse lodaçal.

    Que Deus tenha piedade!

  24. Amigos.
    A questão Monfort x IBP não é a tônica principal. Vamos esquecê-la nesse tópico.
    Rafael também me comovi com o relato do Pe. Leonardo. Que Deus o ajude a ser muito santo. Que Deus nos ajude também, pois somos como ovelha sem pastor.
    Vinícius, como assim… Vc concorda com D. Rifan?

  25. Cabe-nos somente rezar pela perseverança do P. Leonardo. Para os que acham que “pimenta nos olhos dos outros é refresco” vale lembar que o padre realmente quis ser exemplo, mas o que lemos aí acima? Foi tachado de problemático pelo próprio pastor! O pároco lhe deu privacidade talvez pensando em si próprio! Segundo seu relato, por várias vezes tentou (ou foi obrigado) ser igual aos outros, celebrando o NOM, tirando a batina… Desde o final dos anos 50 (!) já havia no seminário do Rio desvios de disciplina, o que fez Dom Antônio tirar seus seninaristas de lá e enviá-los a Diamantina, como Dom Licínio. Talvez, quem ache que o padre Leonardo pudesse conviver com isso veja com normalidade ser tradicional algumas vezes ao dia e não integralmente. Ah! Em Campos, onde há padres e seminaristas que usam batina e celebram Missa tradicional, não fez que nenhum padre diocesano seguisse o exemplo.

  26. Padre, peça aos seus superiores para vir a Belo HOrizonte em missão permanente da FSSPX, por favor!

  27. Salve Maria!

    Pe. Leonardo Holtz, estou muito orgulhoso do senhor!

    Em Cristo,
    Pedro.

  28. Vários pontos da carta chegam a chocar, mesmo nos dias de hoje em que quase tudo é comum.
    Mas não foi a aversão à batina, tampouco as visitas íntimas de padres, que me chocaram mais.
    Me entristeceu muito ler sobre Cristo sendo removido do seu lugar – onde, por sinal, já vive quase abandonado, quando não ofendido e desrespeitado – para ceder a sua casa para os hereges protestantes.

    É a vitória de Lutero.
    É a vitória de Voltaire.
    É a vitória de Calvino, de Marx, e de Boff.
    É a vitória de Mons. Bugnini.
    É a vitória do velho e conhecido inimigo de Deus.

    Mas uma coisa é vencer a batalha, outra é vencer a guerra. “Caiam mil homens à tua esquerda e dez mil à tua direita tu não serás atingido”. Mantenhamos a Fé firme e sem mancha, sempre confiantes no Bom Deus!

    Lutemos juntos contra o inimigo – e não contra os nossos.

    Bravo Pe. Leonardo, que o senhor possa ser um forte e valente combatente de Maria, lutando pelo triunfo do seu Imaculado Coração!

  29. Acho que as pessoas deveriam parar de discutir as fofocas daqui e de acolá e focarem no relato impresionante do Pe. Leonardo… essas brigunhas entre “grupos”, “blogs” e afins só servem para gerar cizânia e divisão. Quem ganha com isso é o demônio.
    Que tal reler e refletir sobre a carta do Pe. Leonardo? Esse relato mostra o que é tentar ser um padre fiel à Tradição em meio a esse clero modernista de hoje! Quantas tentações e provações esse homem consagrado a Deus teve que suportar desde o seminário para continuar fiel a Nosso Senhor! Será que depois de ler isso, dá ainda para acreditar que é possível se falar em padres tradicionais submetidos a bispos modernistas?? Como alguém pode dizer que o estado de necessidade termina com o reestabelecimento da missa? Aliás, houve reestabelecimento de fato? É só mesmo a missa tridentina que está faltando para a hierarquia da Igreja voltar a ser o que sempre foi?? É ser “cismático” desejar que um padre que ama a Tradição como o Pe. Holtz tenha um ambiente onde ele possa exercer seu ministério sacerdotal ao qual foi chamado por Deus de forma digna e sem crises de consciência e de fé?
    Padre, espero que o senhor possa contar na FSSPX com todo o conforto material e principalmente espiritual que precisa para ser um santo sacerdote. Conte com nossas orações!

  30. Vinícius,
    Para de dar palpite azedo cara!

  31. Estou com d. Rifan e acho que ele poderia ter dado testemunho aos outros padres da diocese.

    Ele deu testemunho, isso se você leu e entendeu o texto! Tanto deu que foi chamado de demente, louco, problemático etc. Cristo disse: onde não quiserem vos ouvir, vão embora e batam as sandálias nas chão para que nem o pó daquele lugar levem em seus pés. Ele fez o que D. Rifan pediu, mas se você não percebeu, ele que estava se tornando modernista e não estava fazendo ninguém mais tradicional.

    Preciso parar de ler os comentários do Fratres, estão sendo para mim pedras de tropeço. Não culpo o Fratres por alguns comentários, que fique claro.

  32. Montfort, IBP, Eclesiadeismo (essa é nova para mim), tudo isso sendo discutido. Sempre isso: o blog tal, odeio o site tal, que odeia a fraternidade “Y”, que não vai com a cara do “Grupo X” porque eu sou mais fiel do que o “Movimento Z” que se dividiu dos XYZ pra fundar o “Instituto W”. Interessante: todos odeiam o protestantismo, mas se comportam como tais!

    Pabre bom é o padre que tem a carteirinha daquele grupo, se não for, ah ele não presta ou é suspeito de heterodoxia. Padre chega pra celebrar, fiel diz: “padre, mostre sua carteira!”. Ih padre, o senhor é “X”, aqui somos “X + 1″, favor, se retirar.

  33. Fabiano Aramellini,

    Concordo integralmente com o que disse.

    Eu tenho tomado a seguinte posição: não defendo totalmente a nenhum grupo. Quero apenas ser católico e defender coisas católicas. Se em um dado lugar me é dado ter uma vida católica saudável, frequento este lugar porém nem por isso defendo tudo o que é defendido lá.
    Não acredito que nenhum grupo tenha a solução completa para a crise. Nossa Senhora disse: só eu vos poderei valer. A solução está nas mãos dela.
    A cada um cabe reconhecer as próprias limitaçãoes a aprópria incapacidade de ser incapaz (uns mais que outros) de saber tudo a respeito de todos os assuntos e achar que é a pessoa indicada para emitir pareceres definitivo, quase dogmáticos, sobre todo e qualquer assunto.

    Pessoal, vamos rezar e fazer penitência pela melhora da situação atual. Não vamos ofender a Deus com pecados de soberba e calúnia! As ofensas a Deus têm efeito contrário ao da penitência!

    Do mais, sobrevivamos enquanto pudermos com missas, confissões, sacramentos e boas formações espirituais que estiverem a nossa disposição.

    Deus não dá para ninguém uma cruz que não possa ser carregada.

  34. Ele falou com D. Rifan em 2001, então ele suportou por 10 anos e sem frutos! E o senhor Vinicius pensa que o padre é que estava errado!

    Mentiram pra ele o tempo todo, e concordo com o Padre, com modernistas não há diálogo. Ou você se torna um ou nada feito.

  35. Essa carta tem que ser traduzida para diversas línguas, principalmente em italiano e chegar custe o que custar às mãos do Papa!

    Traduzam essa carta, que ela chega ao Papa, porque a versão da arquidiocese já está lá faz tempo, com a tarja “PROBLEMÁTICO MENTAL” na capa!

  36. ERRATA:

    A cada um cabe reconhecer as próprias limitaçãoes a aprópria CONDIÇÂO de ser incapaz (uns mais que outros) de saber tudo a respeito de todos os assuntos e achar que é a pessoa indicada para emitir pareceres definitivo, quase dogmáticos, sobre todo e qualquer assunto.

  37. Caro Eduardo, não sabia da versão da arquidiocese do Rio de Janeiro. Em contrapartida, só para lembrar: o Padre Pio também foi tratado como esquizofrênico pelo Padre Gemelli.

    Parabéns ao Pe Leonardo Holtz!

  38. Caro Gederson,

    Que existe um documento da arquidiocese para Roma é óbvio, porque ela tem que comunicar a Santa Sé a desincardinação do padre. O teor eu não conheço é claro, mas não duvido que há muita dissimulação para dizer “nada disso que o padre disse é verdade, aqui é tudo lindo”. Pintar o bom de mal, tática comum!

  39. Há uma pequena omissão nessa carta, que creio que seja importante mencionar para que não se demonize tanto assim o bispo. O Pe. Leonardo é meu amigo pessoal há anos e anos, fui cerimoniário dele por um bom tempo (quase 3 anos). Não pretendo aqui criticá-lo ou dar minha opinião sobre os fatos, mas a título de honestidade jornalística a que se propõe este site a informação abaixo não é descartável:

    Quando da chegada de D. Orani ao Rio, nós os fiéis interessados na missa tradicional no Rio (incluindo gente que assistia a missa em Niterói e se deslocava distâncias enormes) fomos nos reunir com o arcebispo, através do intermédio do Mons. Sérgio Costa Couto (que sofre os mesmos problemas de discriminação do Pe. Lenoardo, porém não dá a mínima para o resto do clero e os ignora solenemente e vive sua vida lá de capelão de meia dúzia de instituições e professor/juiz/advogado de Direito Canônico).

    D. Orani foi muito aberto, receptivo, não tomou nenhuma providência contra, nem dificultou nossa vida. Garantiu a capelania e a igreja (inicialmente o Outeiro da Glória como experiência, depois passando a algo maior se desse certo, afinal, o grupo de fiéis presente na reunião era pequeno). Obviamente a coisa deu certo, apesar dos trancos e barrancos, que depois a Adn. Apostólica teve de assumir a capelania semanal, uma vez que o Mons. Costa Couto não tinha mais espaço na agenda.

    O nome do Pe. Leonardo foi expressamente e diretamente citado ao arcebispo nesta reunião como possível capelão ou para entrar no rodízio de padres interessados (visto que vinham também e já estavam dispostos a ajudar o Pe. Anderson de Niterói e o Pe. Demétrio para ajudar de vez em raro).

    PORÉM, ao oferecer tal capelania, o Pe. Leonardo recusou expressamente a oferta. Isso ele não explicou o porquê (podia ser a paranóia de desconfiança do bispo jogando verde para colher maduro, ou então ele não estava em uma boa época, ou ainda ele estava ainda um tanto calejado com a coisa das paranóias Montfórticas de todo mundo estar querendo comer seu fígado na próxima refeição) na carta. Mas essa recente (do post Parole, parole, parole) não foi a primeira oportunidade ou oferta dada/feita à ele para ter sua própria paróquia/capelania tradicional.

    Não obstante, outro erro do Pe. Leonardo foi em ter escolhido a N.S. Mãe dos Homens para sua “base”. Todo mundo aqui no Rio sabe (inclusive ele) que as igrejas do centro da cidade do Rio são privadas, no sentido de que são templos construídos por Ordens Terceiras, que as mantêm e sobrevivem das espórtulas destas mesmas igrejas – estas NÃO SÃO propriedade da arquidiocese, que só nomeia os capelães oficiais que ainda têm de ser aprovados pelo conselho da respectiva ordem terceira; ainda por cima, são igrejas onde padres diversos celebram nelas (pegam “um horário de missa” qualquer durante a manhã) apenas para complementar a renda pessoal, da casa paroquial, ou ajudar nos estudos de pós-graduação/transporte, tanto que a maioria dos celebrantes nestas igrejas é de outra diocese, ou são da arquidiocese militar, ou padres que fazem pós-graduação em alguma coisa no centro da cidade, no instituto de direito canônico, na PUC, ou em outra faculdade privada. O bispo e a arquidiocese não mandam em nada nestas igrejas, a única coisa que o ordinário local pode fazer é interditar a igreja e aí nenhum padre pode celebrar nela sob risco de punição.
    E, também todo mundo sabe, a maioria das ordens terceiras do Rio são compostas de maçons em seus quadros e diretorias. Ora bolas, ele queria MESMO que maçons permitissem a missa tradicional em suas “capelas privadas”, sem resistência? Bobinho ele, não?

  40. Fabiano,

    “dá ainda para acreditar que é possível se falar em padres tradicionais submetidos a bispos modernistas??”

    É quase impossível.

    Por mais que apareçam frutos, serão frutos controlados pelo Bispo. E se ocorresse um entendimento da Tradição por parte do Bispo, este seria atacado pelo “colegiado” e provavelmente até pelo Vaticano.

    O estado de necessidade é justissimo. É por isso que o que mais preocupou Monsenhor Lefebvre foi a falta de segurança de que a Tradição teria seus próprios bispos.

    Com certeza, o reestabelecimento da Missa, e somente dela, não adiantará, pode ser consequência, mas ser causa, apenas se acompanhado de um milagre.

  41. Se as ordens terceiras do Rio, são compostas por maçons em seus quadros e diretoria, será que ainda se pode dizer que, ainda são católicas?

    Não sei o que é mais escandaloso. Os maçons comporem as ordens terceiras do Rio, sem nenhuma resistência ou a liberdade de que estes maçons gozam de imporem resistência a permissão para a Missa Tradicional. O Padre Leonardo Holtz, não tem nada de bobo. Apenas deve se escandalizar que “capelas privadas” estejam nas mãos de maçons, bem como as ordens terceiras do Rio.

    Nosso Senhor disse para não dar o que é santo aos cães e nem atirar perólas aos porcos…

  42. Imaginem só o chamativo das Missas do Padre Leonardo Holtz:

    “Padre Leonardo Holtz na capela dos maçons”

    É um caso bem diferente de Daniel na cova dos leões, pois os leões que são animais irracionais, obedecem a Deus, os maçons, não. Além disso, celebrar uma Missa em capelas controladas por maçons, seria aceitar sem resistir, que maçons possam possuir capelas, e isto, é um absurdo!

    A acusação de que as ordens terceiras e “capelas privadas” estão nas mãos de maçons, é gravíssima. Quem aqui assistiria Missa, na capela de um maçon?

    Fiquem com Deus.

  43. Gederson,

    Desculpe, mas ele sabe disso desde que entrou no seminário há 14 anos atrás. Não é novidade e já não deveria estar mais escandalizado sobre o assunto.
    Porque ele foi escolher LOGO uma capela privada controlada por estes sujeitos que de antemão se sabe que vão oferecer resistência e que de antemão se sabe que o bispo não tem poder nenhum sobre, é que é a pergunta premiada do dia.
    É o mesmo que querer ser capelão do “Galpão Universal do Reino do Edir Macedo” ou da “igreja Brasileira de ‘são Carlos do Brasil'”e achar que vai ser bem-recebido por lá sem se adequar ao modelo lá utilizado.

  44. Faço votos de uma perene serenidade ao Pe. Leonardo. A frustração com o outro acontece em todos os lugares e com todos que encontrarmos neste vale de lágrimas. O referido sacerdote sabe que a frustração consigo mesmo se resolve com a Confissão. Mas o outro não nos é dado prioritariamente senão para a solução de nós mesmos pelo exercício da paciência e a humildade dos santos, entendida em grau heróico não só como a aceitação, mas como a busca da humilhação, como Nosso Senhor fez na Encarnação, e isto por toda a vida.
    Parabéns por buscar ser coerente e que o mesmo sacerdote possa lembrar-se de mim em suas orações. Feliz pela estima e confiança que os fieis lhe têm manifestado neste blog.

  45. Caríssimo Rafael Cresci

    O Padre Leonardo teve o poder de escolha do local onde queria erigir sua Paróquia pessoal?

    Saudações

  46. se todo mundo sabe que maçons mandam nas igrejas então do bispo aos leigod todos incorrem em pecado.
    Viva Dom VItal que enfrentou os maçons.

  47. Prezado Rafael

    Não estou entendendo bem. As irmandades são ou não são católicas. Se são católicas não podem ser da maçonaria. Se são maçônicas não são católicas. Se são maçônicas por que o sr. bispo não interveio nelas? O bispo se curva a elas? Os padres que lá celebram fazem ista grossa à infiltração maçônica nessas irmandades? A Missa que lá celebram é maçônica, tanto que eles a aceitam e não aceitaram a do P. Leonardo??

    Ufa, quantas interrogações!

    Mais uma vez, parabéns ao P. Leonardo Holtz pela coerência com a Fé. Não deve ser nada fácil viver numa diocese onde tantas “opiniões” são levadas em consideração, menos a Fé.

  48. Rafael Cresci,

    Igualmente a bem da verade, é necessário esclarecer que o padre Leonardo NÃO ESCOLHEU ser capelão na irmandade de Nossa Senhora Mãe dos Homens, mas essa segunda opção lhe foi apresentada (ou pegar ou largar) pelo segundo bispo depois da primeira reunião com Dom Orani, conforme o Ferretti postou aqui há poucos dias. O que ele aceitou de bom grado foi a primeira oferta de Dom Orani – a da capela pessoal. A segunda oferta, ele ENGOLIU pensando que de alguma forma a Arquidiocese forçaria a irmandade a passar o controle para ele. Também concordo com você que seria esperar demais nesse sentido. Mas, como esse tipo de coisa nunca existiu antes, era esperar pra ver. E como se esperava, não deu em nada.

    A missa no Outeiro era uma prova de resistência aos católicos tradicionais do RJ. Nada tinha a ver com o fomento da missa tradicional. Curiosamente dos poucos que foram falar com Dom Orani em comitiva na época que você mencionou, apenas 1 ou dois frequentam a Antiga Sé regularmente. Alguns inclusive cederam ao Novus Ordo no domingo por comodidade geográfica. Por incrível que pareça, essas pessoas faziam esforços enormes para ir no Outeiro sábados, para fazer pressão na arquidiocese, mas não aparecem mais nas missas de domingo. E no Outeiro as Missas eram aos SÁBADOS, 12:30h durante 1 ano! Não podíamos convidar ninguém que não fosse tradicional nem jovem, pois idoso não tem como subir a ladeira (visto que o elevador sempre estava fechado ao final ou até antes da missa, algumas vezes).

    Por outro lado, a própria escolha de Monsenhor Sergio Costa Couto (creio que indicado pelo próprio Dom Orani)como intermediador para a promoção da Missa Tradicional era uma piada, pois ele sempre foi claro ao dizer que ele gostava mesmo era da Missa Nova, dita em latim. Ele respeitava a opção de cada um, mas deixava claro que não morria de amores pela Missa Tridentina. E obviamente naquela época todos sabiam que havia 1 padre da diocese que celebrava a missa em latim e conhecia o meio trad.

    A presença do padre Leonardo nunca foi muito aceita na arquidiocese. Até mesmo no Outeiro ele só foi celebrar depois de algum tempo, mas para o final. No início quando o nome do padre Leonardo foi sugerido ao Monsenhor Sergio Costa Couto (naquela época ele dizia que queria aprender o rito) não conseguiu evitar uma olhar embaraçado e disse que preferia a ajuda de padres com mais experiência. Em seguida, ele convidou os padres muito piedosos, mas que tinham menos anos de ordenação do que o padre Leonardo, o que tornou a desculpa dele sem sentido. Mais tarde, ele não mais se interessou por aprender a celebrar o rito antigo, atuando como “anfitrião” e “suplementando as homilias alheias”, chegando até mesmo a ler um texto extenso em latim de Garrigou Lagrange para os fiéis da missa, pois certamente na cabeça dele os católicos tradicionais entendiam todos de latim ou o latim era o x da questão (hehehe).

    De resto, você está certíssimo ao afirmar que as irmandades do RJ são problemáticas e que todos do Rio sabem perfeitamente que elas controlam tudo, vivem de espórtulas e os padres são tratados como “empregados” ou “diaristas”. Algumas nem se preocupam em zelar pelos paramentos, deixando a higiene dos mesmos a desejar em alguns locais (vide a Igreja da Lampadosa). Já conversei com um deles e ele me confirmou essa triste condição.

  49. Rafael Cresci,

    Reli o texto “Parole, Parole, Parole” e pelo que entendi, salvo se eu estiver redondamente errado, o Pe. Leonardo só foi para a capela da ordem terceira, porque a promessa de uma paróquia pessoal foi quebrada pelo bispo auxiliar. Portanto, mentiram para o padre.

  50. Rafael Cresci,

    Mentiram para o padre: o arcebispo disse que lhe daria uma PAROQUIA e não uma capela como foi dito na reunião posterior.

    Numa ocasião se disse uma coisa, em outra foi feito diferente. Foi uma manobra. Não acho que o padre foi ingenuo de ir para uma capela dominada por maçons, ele foi obrigado a ir, ante a promessa quebrada.

  51. Israel: pelo que aparenta, sim. A tal igreja é uma micro-capela a 1 quadra da Candelaria, sem relevância nenhuma e nunca seria objeto de escolha do bispo. Ele celebrava missa lá e atendia confissão, um tempo atrás logo que voltou do IBP, “cobrindo” um outro padre amigo dele que estava de férias. Ele gostou daquela capela por ser “simpática”.

    Quando da Vinda da Família Real e depois da Independência do Brasil e conseqüente expansão do Rio de Janeiro, a Coroa não possuía recursos para construir Igrejas. Logo, “terceirizou” a construção das mesmas (e também de hospitais e escolas) para as Ordens Terceiras (do Carmo, do Rosário, do Santíssimo Sacramento, da Santa Cruz dos Militares, da Lampadosa, etc). No centro do Rio, são um sem-número de igrejas católicas, das quais quase a totalidade das edificações são propriedade privada de suas respectivas ordens terceiras/irmandades.

    De propriedade da própria arquidiocese, só mesmo a paróquia de Santa Rita (a única paróquia diocesana no centro, já que a matriz da paróquia de S. José é numa igreja também de ordem terceira), a Catedral, e a capela de Nossa Senhora do Parto e uma ou outra que eu tenha esquecido. A Candelária mesmo (e a Antiga Sé) são igrejas de ordens terceiras.

    Pelos estatutos e acordos com a Coroa e com a Igreja à época, parte ou totalidade das espórtulas recolhidas nestas igrejas de ordens terceiras vão para a manutenção das igrejas e das próprias ordens terceiras e de suas obras de caridade diretas e indiretas (sendo que uma boa parte dá prejuízo hoje em dia, tendo de ser complementada pelos membros da própria ordem terceira).

    Assim, o bispo não tem ingerência nenhuma sobre o que acontece dentro de cada uma destas igrejas (são prédios privados cujo dono não é a Mitra), a não ser pela administração dos sacramentos, e nomeação de um capelão ou de um membro-ouvidor nos conselhos (depende do estatuto de cada irmandade). Como no Centro do Rio não mora ninguém, missas lá só feriais, e como é em horário de trabalho, têm de ser rápidas, sem homilia ou com homilia curtíssima, e sem macaquices carismáticas (exceções abertas para as de horário de almoço ou horários específicos). Em geral são bem mais “conservadoras” do que as missas paroquiais.

    Obviamente, as ordens terceiras no Rio sempre foram compostas por maçons em seus quadros (obviamente estou generalizando, não posso dizer que há maçons em todas elas e nem que sejam maioria ou unanimidade, até porque senão estaria caluniando e difamando), visto os próprios Imperadores terem feito parte desta instituição, bem como parte da côrte e da elite carioca daquele tempo. E até hoje mantêm esta tradição, agora mais que nunca, de se ter maçons nos quadros dos conselhos das ordens terceiras, para que possam desembolsar e financiar os prejuízos causados pela simples manutenção dos templos.
    Sempre foi “cool” e parte da estrutura social da cidade ser membro de uma irmandade/ordem terceira se se declarava católico – independente de ser maçom ou não, e quase que uma obrigação ou disputa a tapas para se obter uma vaga em uma delas (em algumas a vaga é vitalícia, outras é rotativa), como num clube de golf ou num jockey club. Ou seja, generalizando novamente, é coisa para quem tem algum dinheiro e/ou alguma influência e/ou poder político civil.

    Em geral a maioria não tem capelão fixo (algumas têm), tem é “padre-celebrador-de-missa” eventual e/ou temporário sem qualquer tipo de nomeação (basta estar com as faculdades/celebret em dia). Vem padre de fora, vem padre visitante, vem padre estudante, vem padre carreirista, vem padre capelão-militar (da PM, bombeiros, exército, aeronáutica, marinha), vem os que precisam de uma grana a mais porque a paróquia é muito pobre e não dá nem pra tirar o sustento, vem os formadores de seminário que legalmente não podem ter paróquia, etc.

    O bispo intervém sim quando o negócio fica feio. Outro dia mesmo (ou será uns 2 anos, acho que estou ficando velho) uma das irmandades foi interditada por problemas graves na administração dos sacramentos E na administração civil da mesma.
    Mas nunca interveio pelo simples fato de ter maçons, primeiro porque já faz parte da definição cultural e social da coisa, segundo, porque aí assim fica mais fácil de identificá-los ;-)

  52. A decisão do Rev.Pe. Leonardo Holtz foi sapientíssima!
    Qualquer pessoa que ainda tenha um mínimo de juízo e temor à Deus já teria abandonado essa arquidiocese há muito tempo!
    Os seminários católicos (99%)e a maioria das paróquias estão podres, quem entrar alí, será para perder-se eternamente.
    Não há outra saída que não seja a FSSPX.
    Deus ajude muitíssimo essa sacerdote fiel.

  53. Maria / Eduardo,

    Essa igreja nunca apareceria em nenhuma conversa. Quase ninguém sabe que ela existe exceto quem frequenta lá.
    Estou fazendo um exercício de adivinhação abaixo, mas tenho a vantagem de conhecer muito bem as variáveis envolvidas e a política envolvida também:

    Eu não creio que tenha sido o bispo quem tenha dado a opção daquela capela específica, tinham outras opções muito melhores à mesa, como despachá-lo para algum lugar inerte no Vicariato Oeste (Jesuítas ou Serrinha do Mendanha, por exemplo). Devem ter prometido a ele uma “paróquia pessoal” erigida canonicamente (que aliás era o nosso pedido original a D. Orani quando da mudança da antiga sé), e não “uma paróquia física já montada onde ele fosse revolucionar o dia-a-dia já estabelecido da mesma e causar caos e confusão com os defensores de missa nova que lá estivessem” – até porque isso ele poderia fazer ali mesmo onde ele estava, sem precisar sair para outro lugar.

    Ele (o bispo Dom Francelino, outro velho conhecido meu, por isso sei como ele pensa depois de trabalhar 3 anos com ele em pastoral) deve ter perguntado ao padre “meu filho, em qual igreja física você quer que isso se estabeleça”, e ele deve ter escolhido esta aí, pela qual ele tinha um certo apreço. Como é uma igreja “irrelevante”, devem ter topado na hora. Mas daí a desenrolar com a irmandade/ordem terceira, depois colocar isso na cabeça de dois neurônios da secretária que ganha salário mínimo pra aturar maluco e está acostumada com o dia-a-dia X e condições Y de trabalho e não deve ter sido comunicada de nada, são outros quinhentos, e levaria um tempo. Não seria imediato. Nada nem ninguém muda num estalo de dedos da noite pro dia.

  54. Parabéns Pe. Leonardo….homens de Deus assim é que precisamos em nossas paróquias..é assim que penso e fico feliz em ver padres jovens com esse pensamento,assim nos dá esperança no futuro eclesiástico do mundo.Sua benção e paz!Abraços fraternais….

  55. Maria,

    Tem que entender como o negócio funciona holisticamente, depois que você entende as entranhas do mecanismo, fica fácil de compreender e lidar com ele. As coisas na arquidiocese do Rio sempre andam devagar e sempre no passo-a-passo, até porque quando aceleram muito, desandam (vide “Deus é Dez”, RCC, etc). Ninguém consegue implementar nada no Rio na base do chicote, porque os “mecanismos de auto-defesa” se acionam e aí a única coisa que permanece é o grilo cantando ao fundo, com o resto todo ignorando o bispo ou o sujeito que teve a “idéia absurda”, deixando de molho ou fingindo que obedece. É cultura corporativa isso.

    A missa no Outeiro foi uma experiência para um passo maior, um “vamos ver” pra ver se esse povo é firme mesmo ou se é só fumaça sem fogo enchendo a paciência (o que, convenhamos, é o que se espera de meia dúzia de “tradicionalistas de internet”, não tenhamos expectativas diferentes disso). A missa na Antiga Sé, o passo seguinte, tem sido um “fracasso” por falta de quorum (eu mesmo estou indo e voltando dos EUA desde o ano passado e este ano estou em Miami direto por 6 meses, sem possibilidade física de estar presente), mas não mais que a falta de quorum da própria missa de Paulo VI que se segue depois dela (que aliás costuma ser bem mais vazia que a missa tridentina). O próximo passo natural é a paróquia pessoal/capelania.

    Mons. Sérgio aceitou o encargo sem chiar (outro teria rejeitado), afinal, é para ele que caem todas as coisas absurdas que necessitam de ginástica para se desdobrar, como ao mesmo tempo ser capelão do Outeiro, professor e advogado de direito canônico, representante do bispo no conselho de uma meia dúzia de irmandades, e vigário para os fiéis de rito oriental sem bispo próprio PARA TODO O BRASIL. Mais uma “maluquice” pra ele não fazia a mínima diferença. E só sobrou pra ele, coitado, justamente porque o Pe. Leonardo recusou de cara.

  56. Tudo o que o Pe. narra na carta é a mais pura verdade e eu como seminarista sofro a mesma coisa ou coisas piores.

    Acho até que ele foi um tanto bondoso na carta e falou de forma velada pra não escandalizar muito as pessoas. Ah! Se o povo visse a realidade da imundície do clero modernista.

    Mas Nosso Senhor está vendo tudo e estes demônios vão se danar pros infernos. Se esse clero imundo não for castigado DEUS NÃO É DEUS!

    Miserere nobis Domine, miserere nobis!

  57. Prezados amigos:

    Posso lhes afirmar, concretamente e por experiência própria, que o mal que aflige nossa Igreja está em todas as regiões do Brasil (N, S, SE, …).
    Encontrar um sacerdote com as intenções do Pe Leonardo Holtz é como encontrar uma agulha no palheiro; apesar de serem muito poucos ainda existem!
    Prezado Pe Holtz estarei rezando pelo senhor e pela conversão verdadeira do clero.
    Que Deus o ajude!

  58. Bruno, eu concordo plenamente com o conselho de d. Rifan. Não estou dizendo aqui que Deus escolheria necessariamente este caminho para o padre, mas ao meu ver é um conselho sábio. Um padre tradicional é muito bom, pois é sinal de contradição. De que adianta “fugir” para uma espécie de Eden tradicionalista se é o mundo que tem sede?

  59. Rafael, palavra de homem vale mais do que contrato escrito.

  60. Pe. Leonardo!

    O Senhor é verdadeiramente um cristão autêntico. Nós leigos devemos rezar muito pelos padres, para que não sejam atraídos pelo demônio, vindo a perder tantas almas.

    Não é muito difícil perceber isso que o senhor relatou em sua carta em nossas paróquias, isso nos causa muita dor.

  61. E facil ouvir um lado da historia e preciso ouvir outro. Estao disposto a ouvir?

  62. Ferretti e amigos,

    Soube que o Pe. Leonardo está bem, numa das capelas da Fraternidade S. Pio X no território da Diocese de Campos.

    Respeitemos sua decisão e rezemos por ele. É fácil julgar da posição privilegiada em que nos encontramos. Ele, porém, enfrenta as difíceis questões impostas pela sua consciência.

    Pe. Clécio

  63. É… agora a culpa é da vítima. É a vítima que construiu um plano mirabolante para justificar sua saída da arquidiocese e seu ingresso na FSSPX.

    Patético… Não queria ter um amigo assim…

  64. Rev.mo Pe. Clécio, quem sou para julgar as palavras de um sacerdote, mas permita-me dizer que o Vossa Reverensíssima tem toda a razão. É uma questão de consciência.
    A toda mensagem que posto, não posso deixar de lamentar a pastoral de Dom Rifan.

  65. Vinicius,

    “De que adianta “fugir” para uma espécie de Eden tradicionalista se é o mundo que tem sede?”

    Isso que você disse é o que a maioria da pessoas dizem, pessoas estas as que acreditam que há de se harmonizar as missas e as teologias. Você pode até não pensar isso, mas no fundo é esta a conclusão.

    O povo ter sede é consequência de um problema. Não se pode empenhar os esforços nos problemas e deixar a causa pra lá.

    O povo não tem sede, eles tem necessidade.

    Sede é quando o povo reconhece que precisa de algo.

    O povo infelizmente não sabe do que precisa. Está aí a importanância da Tradição.

    Se depender do povo, o batuque dentro da Igreja continuará.

    Se o povo de fato reconhecesse a sede que você diz que ele tem, ele naturalmente iria atrás de muitos padres Leonardos que estão por aí.

    Ficar numa paroquia modernista, como é o caso da maioria delas, coloca o padre em risco. Mas suponhamos que o padre com sua graça possa enfrentar isso e se manter fiel: Ao tentar ensinar esta fidelidade, ele seria certamente expulso em 2 ou 3 finais de semana. Do que adianta? Ele terá que fazer as coisas pela metade? Ele terá que aplaudir aquilo que deve ser rechaçado somente para que tenha a voz em alguns momentos?

    E por favor, não venha falar em politica ou “jogo-de-cintura”. Estes dois são bons sim, devem ser usados mas em casos que não se agride a fé e a consciência. É muito sério entende?

    Veja esta historinha:
    Voce é policia e uma outra pessoa é um ladrão. Você quer prendê-lo, e o ladrão sabe disso por isso sempre foge. Mas você, querendo atraí-lo, finge que é amigo dele, quer ganhar a confiança do ladrão. Para isso você tem uma brilhante idéia: Como sabe que o ladrão gosta de armas, resolve dar uma arma para ele, assim você ganha a confiança dele….

    Preciso continuar? Ganha a confiança do bandido e o fortalece…

    Tem coisas que simplesmente não se negociam. A política é falsa quando se faz coisas contrárias à Fé.

  66. Ave Maria Puríssima, sem pecado concebida!

    Primeiramente, muito obrigado a todos pelo apoio e pelas orações. Aos que não apóiam quero que saibam que estou rezando muitos terços por eles, mas, continuo dormindo feito um bebê à noite. Estou muitíssimo bem e, principalmente, em paz com minha consciência diante de Nosso Senhor. Falo neste momento de Vitória – ES. Há uma SANTA comunidade tradicional aqui de gente piedosa e de uma fé inabalável. Devo viajar amanhã para Maringá – PR para rezar Missa lá e, em seguida, para Campo Grande – MS. Bem, o real motivo de meu ‘post’ aqui é esclarecer algumas dúvidas levantadas pelo Rafael Cresci. Em primeiro lugar, não fui eu que “escolhi” a igreja, mas foi DETERMINADA pelo bispo. E em segundo lugar, na primeira reunião com Dom Orani, mencionada pelo Cresci, eu me RECUSEI mesmo a participar porque como já haviam “pintado” minha fama para o novo Arcebispo antes mesmo dele acabar de chegar na Arquidiocese, eu preferi não me envolver. Com relação à “perseguição” que o Mons. Sérgio Costa Couto sofre na diocese ser idêntica à minha, isso é uma inverdade: não nego que ele seja criticado por muitos padres, contudo não é por ser tradicional. O Mons. Couto é CONSERVADOR, o que é bem diferente de ser tradicional!!! Qualquer pessoa que conversar com ele vai ouvir a frase que eu ouvi tantas vezes: “A Missa ideal para mim é a Missa de Paulo VI, só que em latim”.

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