O reinado social de Jesus Cristo achincalhado por um Padre do Opus Dei.

“O Estado é totalmente incompetente — a laicidade inclui isso, não? — para afirmar se Deus existe ou não; nunca isso será objeto de uma afirmação legal”, afirmou o sacerdote do Opus Dei Rafael José Stanziona de Moraes.

A Igreja Católica, por sua vez, ensina na Constituição Dogmática Dei Filius, do Concílio Vaticano I:

A própria Santa Madre Igreja sustenta e ensina que Deus, princípio e fim de todas as coisas, pode ser conhecido com certeza à luz natural da razão humana a partir das coisas criadas: ‘porque, desde a criação do mundo, as Suas perfeições invisíveis, postas por Suas obras à consideração da inteligência, se tornam visíveis’ (Rm 1, 20).” (Dei Filius)

Se alguém disser que o único e verdadeiro Deus, Criador e Senhor nosso, não pode ser conhecido com certeza por meio das coisas criadas, à luz natural da razão humana – seja anátema.”

“Se alguém disser que não é possível ou não é conveniente que o homem seja instruído, por meio da Revelação divina, sobre Deus e sobre o culto que se Lhe deve tributar – seja anátema”.

Ensina também o Papa Leão XIII (o tão incensado atualmente “Papa da doutrina social da Igreja”, mas de magistério esquecido) em sua carta encíclica Immortale Dei:

[E]vidente é que ela [sociedade] deve, sem falhar, cumprir por um culto público os numerosos e importantes deveres que a unem a Deus. Se a natureza e a razão impõem a cada um a obrigação de honrar a Deus com um culto santo e sagrado, porque nós dependemos do poder dele e porque, saídos dele, a Ele devemos tornar, à mesma lei adstringem a sociedade civil. Realmente, unidos pelos laços de uma sociedade comum, os homens não dependem menos de Deus do que tomados isoladamente; tanto, pelo menos, quanto o indivíduo, deve a sociedade dar graças a Deus, de quem recebe a existência, a conservação e a multidão incontável dos seus bens. É por isso que, do mesmo modo que a ninguém é lícito descurar seus deveres para com Deus, e que o maior de todos os deveres é abraçar de espírito e de coração a religião, não aquela que cada um prefere, mas aquela que Deus prescreveu e que provas certas e indubitáveis estabelecem como a única verdadeira entre todas, assim também as sociedades não podem sem crime comportar-se como se Deus absolutamente não existisse, ou prescindir da religião como estranha e inútil, ou admitir uma indiferentemente, segundo seu beneplácito. Honrando a Divindade, devem elas seguir estritamente as regras e o modo segundo os quais o próprio Deus declarou querer ser honrado. Devem, pois, os chefes de Estado ter por santo o nome de Deus e colocar no número dos seus principais deveres favorecer a religião, protegê-la com a sua benevolência, cobri-la com a autoridade tutelar das leis, e nada estatuírem ou decidirem que seja contrário à integridade dela.

29 Comentários to “O reinado social de Jesus Cristo achincalhado por um Padre do Opus Dei.”

  1. O padre não está dizendo que Estado deve ignorar Deus, fingindo que Ele não existe. Está apenas dizendo que a existência de Deus não deve ser objeto de uma afirmação legal. A afirmação da existência de Deus é tarefa da filosofia (guiada pela razão natural) e da teologia (Sacra e natural), e não do Estado, por meio de uma lei ou algo semelhante. Isso é óbvio, não? Essas passagens mencionadas pelos editores do Fratres não têm absolutamente nada a ver com o que o sacerdote afirmou. Falam de coisas diferentes.

  2. Guilherme, a existência de Deus não está afirmada no próprio preâmbulo da Constituição de 88?

  3. O Sacerdote não nega que se pode concuir da existência de Deus através da Razão. Apenas quer prevenir a sociedade de depender do Estado para sustentar a sua Fé. O Estado, pode afirmar a existência de Deus hoje e negar amanhã, conforme os gostos políticos da moda. Essa declaração é muito oportuna, visto que o Estado tem procurado definir o que é homem, o que é mulher, o que é família, o que é casamento, de forma totalmente anti-natural. Um sacerdote desqualificar o Estado neste momento, é uma atitude muito oportuna. Para entender isso, é preciso serenidade, doutrina, e espírito de unidade.

    Os inimigos da Igreja adoram quanto Católicos agridem Católicos sobre pretexto de um “corretivo”

    Isso espalha confusão e dispersão nas pessoas que estão na Igreja Católica, mas tem pouca doutrina.

    Eduardo
    Santo André-SP

  4. A afirmação da existência de Deus na Constituição Brasileira é bem-vinda, mas não é Materia de Fé. Pode sumir amanhã, e como fica?

    O Estado é que deve ser relativizado. Pode estar certo hoje ou errado amanhã.

    Eduardo.

  5. A existência de Deus não pode ser objeto de afirmação legal, porque de outra forma poderia haver uma lei revogando a anterior e decretando que Deus não existe. Isso é mais do que óbvio. O padre está certíssimo. O Estado é totalmente incompetente para fazer uma afirmação dessa natureza.

    Respondendo ao Aurélio, não podemos dizer exatamente que o preâmbulo afirme a existência de Deus, ele simplesmente a pressupõe.

  6. Senhores, o Estado, na concepção católica, tem o dever de reconhecer a existência de Deus. Isso é mais do que óbvio. Tal reconhecimento por parte do Estado se dá através de suas leis, e não através do catolicismo do presidente Lula ou Dilma.

    Agora, não segue que o Estado estaria livre para dispor se Deus existe ou não. Mas sim que deve RECONHECÊ-LO.

  7. O Estado Laico afirma não ter religião mas quer enfiar guela abaixo o Ateísmo .
    Quer aprovar casamento homosexual CONDENADO PELO PRÓPRIO DEUS
    Quer aprovar a eutanásia
    Quer aprovar o Aborto

    O Estado Laico é uma arma muito eficiente para os objetivos de Lúcifer , na verdade o EL é anticristo e está trabalhando para o Malígno.
    POis Nosso Senhor afirmou “Quem não está comigo está contra mim”.

  8. De fato, o Estado não tem competência para afirmar a respeito da existência de Deus. Ele deve simplesmente acatar e reconhecer o que provém das ciências, particularmente da filosofia, que prova acima de qualquer dúvida a existência de Deus.

  9. Todo reconhecimento pressupõe a afirmação de que aquilo que se reconhece exista, caso contrário não teria razão de ser. Por outro lado, como o Estado poderia reconhecer a existência de Deus a não ser por vias legais? Sinceramente, não vejo como escapar à conclusão do título do post..

  10. Já que tem ligação com o assunto do tópico indico aos amigos e amigas a leitura no link abaixo do texto do Prof. Nougué.

    http://spessantotomas.blogspot.com/2011/06/sob-o-cristo-senhor-e-rei.html

    Fiquem com Deus.

    Flavio.

  11. O título da postagem é incoerente com o conteúdo da mesma. Em momento algum se pode dizer que o padre achincalhou alguma coisa! O Estado afirmar que Deus existe ou não é indiferente para nós católicos e, certamente, não mudará a natureza de Deus que, como sabemos, não pode deixar de existir.
    O Estado pode reconhecer a existência de Deus (situação ideal) , mas vivemos num Estado imperfeito que beira o ateísmo.
    O padre está corretíssimo ao afirmar que “O Estado é totalmente incompetente — a laicidade inclui isso, não? — para afirmar se Deus existe ou não; nunca isso será objeto de uma afirmação legal”. A existência de Deus extrapola a competência da própria justiça secular. O que seria errado é o Estado afirmar, por exemplo, que Deus não pode ser conhecido ou coisa do tipo.

  12. Me parece que na ânsia de criticar o Opus Dei o Frates in Unum, nesse artigo, meteu os pés pelas mãos. Atribuir ao Estado a função de definir uma matéria relacionada com a fé e a filosofia é um equívoco e não tem nenhuma relação com a doutrina social da igreja. O Estado poderia até ser cristão e de acordo com a doutrina social da igreja, mas nes assim ele estaria definindo a existència de Deus e sim reconhecendo a autoridade da Igreja na proclamação da verdade que é a existência de Deus.

    Paulo Salles

  13. O Estado não tem competência para definir assunto de religião, mas tem o dever de reconhecer o que a Igreja define.

    MAS ATENÇÃO: O Padre, no entanto, diz que o Estado não pode AFIRMAR a existência de Deus.

    Como bem disse o Felipe, o Estado só pode reconhecer a existência de Deus se ele a afirma. E só a afirma através de leis, afinal, é a única forma em que o Estado pode dizer algo.

  14. Sim, Aurelio. Você está certo. Mas o sacerdote estava falando de um princípio teórico sobre o estado laico (no sentido correto do termoe, não no viciado). O princípio é que o Estado não tem competência para afirmar a existência de Deus, no sentido de que isso não deve (nem pode), por exemplo, ser uma matéria discutida pelo STF, por exemplo. E, também, a existência de Deus seja “provada”, digamos assim, por causa de uma lei. Se um texto constitucional reconhece ou não a existência de Deus, isso é outra história.

  15. Sr. Paulo Salles, faça-me o favor… segundo a doutrina da Igreja, o Estado não simplesmente pode, mas DEVE reconhecer a existência do único Deus verdadeiro.

  16. Mas, Paulo, a existência de Deus não é matéria de fé! E quanto à sua última afirmação, repito o que disse: não é possível reconhecer algo cuja existência exime-se de julgar.

  17. Sr. Aurélio onde foi que eu neguei isso no meu comentário?

  18. Perdão, Guilherme, mas a sua conclusão não se depreende da frase do Padre tomada isoladamente como a matéria do Jornal Nacional nos apresenta.

  19. Paulo Salles, mil desculpas, o destinatário da minha mensagem não era você.

  20. Felipe penso que a existência de Deus não é “exclusivamente” matéria de fé, ou seja, é possível provar a existência de Deus unicamente pela razão e filosofia, no entanto, a existência de Deus “também” pode ser matéria de fé. Concorda?

  21. Concordo, Paulo. Mas ainda assim a situação continuaria crítica, pois a indiferença do Estado em relação à fé igualmente inviabiliza o Reinado Social.

    Uma coisa é ingerir-se indevidamente, outra é reconhecer e favorecer, conforme as palavras do bem-aventurado Leão XIII. A confusão entre uma e outra é apenas uma cortina de fumaça impingida pelo liberalismo católico, a meu ver.

  22. Eduardo X, Guilerme X e Paulo Salles,

    Eu escutei esta entrevista ontem na TV. Confesso que nem li o post inteiro do Fratres.

    O ponto é que este padre simplesmente ATROPELOU O QUE ENSINOU A IGREJA SOBRE O REINADO SOCIAL DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, PALAVRAS DE LEÃO XIII, CONFIRMADAS POR SÃO PIO X E OUTROS.

    O Estado precisa reconhecer a existência de Deus, lutar por seu ensinamento e mostrar a todos. Ontem, inclusive, eu ouvi na TV e estava longe da sala, eu nem sabia que era um padre da Opus Dei, a única coisa que pensei na hora foi:
    Coitado do padre, esqueceu de ler tudo que tem pra ler sobre o Reinado Social de NSJC”

    Eu tinha certeza que se tratava de um padre mal formado de algum cantão controlado firmemente pela CNBB.

    Hoje, para minha supresa e para maior decepção, vejo que se trata de um padre da Opus Dei, que tanto reluto e pensar que seja tão modernista assim, mas está dificil!

    Não tem jeito, quem meteu os pés pelas mãos foi o padre, defendeu o que não se defende, foi contra o que se deve ensinar, como se quisesse aplausos dos especialistas em Direito que lá estavam.

    Já começa com o título. A liberdade religiosa pode existir na sociedade e tudo mais, mas ela consequência não é querida por Deus. Qualquer padre que vá a um lugar desses precisar lutar contra a idéia errada de liberdade religiosa, que com certeza era a que tomou conta de tal debate…

    Uma pena…

  23. Realmente, o Guilherme tem razão. Os editores do Fratres in unum pisaram na bola. A conclusão vai além das premissas.

  24. Amigos o Fratres não pisou na bola. O padre disse sobre a existência de Deus “nunca isso será objeto de uma afirmação legal”. Ora o Estado não só pode como deve afirmar que Deus existe. Quem discorda disso eu recomendo a leitura acurada do magistério indicado na postagem.

  25. Felipe e Aurelio, a crítica de vocês faria sentido se o padre tivesse dito “o Estado é totalmente incompetente para afirmar se Deus existe”, mas ele disse “o Estado é totalmente incompetente para afirmar se Deus existe ou não”.

    Vladimir, confesso que não ouvi o seminário por falta de tempo. Ele falou mesmo que o Estado não pode ensinar sobre Deus? Se sim, está em discrepância com o ensinamento da Igreja.

  26. O Pe. Rafael disse que não é papel do Estado dispor sobre essa questão. Isso quer dizer que não é competência do Estado dizer que todas as religiões são boas e nem é sua competência dizer que a religião é má e por isso deve ser perseguida (ou uma, ou algumas delas). Cabe ser prudente e analisar o que se diz dentro de seu contexto, além de buscar afirmações mais precisas antes de acusar um sacerdote de “achincalhar”(sic) o “reinado social de Jesus Cristo”. Vejam: o reconhecimento e mesmo crença na Existência de Deus por parte de autoridades estatais, refletindo na presença de referências a Deus em documentos oficiais é completamente diferente de disposição legal que afirme que Deus existe ou não. Não cabe ao Estado definir isso. Não cabe ao Estado decidir sobre isso. E é por isso que “nunca isso será objeto de uma afirmação legal”, como afirmou o sacerdote. Espero que, tendo entendido isso, a equipe do Fratres in Unum reconheça o equívoco interpretativo e faça uma abordagem mais adequada à questão.

  27. Me admira um grande número de pessoas que sempre fizeram excelentes comentários, e até o próprio Fratres, por debaterem sobre uma frase perdida transmitida pela TV Globo.

    Até parece que dá pra confiar na nossa mídia. Será que é essa a mesma que pega uma frase perdida de um discurso do Papa Bento, e lança uma reportagem induzindo a crer no oposto do que ele estava dizendo?

    Não é essa a emissora que tanto defende iniciativas próprias de um estado laico – pra não dizer ateu – como união homossexual, aborto, entre outros?

    Me desculpem, mas se é pra criticar o padre, ao menos escutemos todo o discurso dele, já que ele foi responsável por toda uma conferência sobre “Igreja Católica e o estado laico”.

    Por enquanto eu acho muito bom terem chamarado o padre, e não Silas Malafaia ou Edir Macedo para a conferência, já que grande parte de seus “bispos” hoje está na Câmara de Deputados.

  28. Conheço perfeitamente o Padre Rafael e sei o quanto ele é um sacerdote bom, honesto e com um profundo amor à Igreja. É muito fácil pegar uma frase solta e tecer duras críticas em cima!!!

  29. Senhores, o nosso espaço está aberto ao Padre Rafael. Caso alguém tenha o contato deste padre, por gentileza, queira informar-lhe sobre nossa disposição em ouvi-lo.

    Se a frase isolada da matéria da Globo desvirtua o conteúdo de toda a conferência do reverendíssimo Padre, ou mesmo se ela dá a impressão de significar algo que não é por ele sustentado, certamente ele não hesitará e nem tardará em esclarecer a impressão que foi dada à enorme audiência do Jornal Nacional.