Arquivo para julho, 2011

julho 31, 2011

Foto da semana.

Dom Dimas Lara Barbosa, arcebispo eleito de Campo Grande, celebra missa no IV Encontro de Jornalistas da CNBB, realizado no último mês de março. Detalhe para o sacrário no meio do horrendo altar.

Dom Dimas Lara Barbosa, arcebispo de Campo Grande, celebra missa no IV Encontro de Jornalistas da CNBB, realizado no último mês de março. Detalhe para o pobre sacrário no meio do horrendo altar.

julho 31, 2011

Raro vídeo de missa celebrada por Dom Lefebvre em Saint Nicholas du Chardonnet.

Raro vídeo de Missa Pontifical celebrada por Dom Marcel Lefebvre na igreja parisiense de Saint Nicholas du Chardonnet, na festa de Cristo Rei, em 1990.

As outras partes do vídeo podem ser encontradas aqui: partes 2, 3, 4, 5, 6 e 7. Nosso agradecimento ao leitor Pedro pelo envio.

Aproveite a ocasião e recorde nossa série “O milagre de Saint Nicholas du Chardonnet”, publicada em 2008.

julho 29, 2011

O diário secreto do último conclave.

Por Andrea Tornielli

Tradução: Fratres in Unum.com

« Domingo, 17 de abril. Ao meio-dia, tomei posse de um quarto na Casa Santa Marta. Deixei minhas malas e tentei abrir as cortinas, já que o quarto estava às escuras, e não consegui. Um confrade, que tinha o mesmo problema, recorreu às irmãs governantas. Pensava que se tratava de um problema técnico. As religiosas lhe explicaram que as cortinas tinham sido seladas. Clausura do conclave… Uma experiência nova para quase todos: de 115 cardeais, apenas dois haviam participado da eleição de um Papa…».

Com estas palavras começa o “diário secreto” do conclave, que, em 19 de abril de 2005, levou à eleição de Bento XVI. Anotações pessoais que um cardeal anônimo escreveu em sua agenda quando retornava a seu quarto depois das votações na Capela Sistina. Um documento excepcional, publicado na revista “Limes”. Um texto que permite construir passo a passo o andamento dos escrutínios e levantar o véu do sigilo com que voluntariamente os Papas sempre cobriram o conclave. Das anotações do Cardeal, em posse da revista, conhecemos, antes de tudo, que a candidatura de Ratzinger era desde o início muito forte: o setuagenário purpurado bávaro era o único que pôde contar com o apoio de um grupo bem organizado, decidido a apoiá-lo.

São desmentidas as reconstruções segundo as quais o Cardeal Carlo Maria Martini, da mesma idade do novo Papa, antigo Arcebispo de Milão, havia desempenhado um papel determinante na eleição de Bento XVI. No entanto, confirma-se a notícia publicada no periódico milanês “Il Giornale” no dia seguinte ao conclave: o único e verdadeiro adversário de Ratzinger que pôde contar com um número consistente de votos, chegando até 40, foi o Arcebispo de Buenos Aires, o jesuíta argentino Jorge Mario Bergoglio.

Mas caminhemos pouco a pouco, reconstruindo passo a passo a crônica de tudo o que aconteceu no segredo da Sistina, 24 horas antes do meio-dia de segunda-feira, 18 de abril de 2005. Às 18 horas, depois de entrarem na capela, os 115 purpurados prestaram juramento e ouviram uma meditação do Cardeal octagenário Spidlik; começa a primeira votação. Distribuem as cédulas. São de forma retangular, para poderem ser dobradas ao meio; na metade de cima está escrito: Eligo in Summo Pontificem (« Elejo como Sumo Pontífice » ); na metade de baixo, um espaço para escrever o nome do eleito.

Cada cardeal se aproximava da urna metálica, pronunciava uma frase solene e depositava a cédula. Tudo termina em poucos minutos, depois das 19h. O êxito negativo do escrutínio era esperado, mas os resultados foram surpreendentes. Ratzinger obtém já 47 votos, Bergoglio – é a verdadeira surpresa do conclave – obtém 10, Martini 9. Para Camillo Ruini, Vigário do Papa e presidente da CEI, vão 6 votos; ao Secretário de Estado, Angelo Sondano, 4; ao Cardeal de Honduras, Óscar Rodríguez Maradiaga, 3 votos; a Diogini Tettamanzi, sucessor de Martini em Milão, 2 votos. Há mais de trinta sufrágios dispersos entre todos os cardeais do conclave. Votos avulsos que não significam nada e que o purpurado autor do “diário secreto” não pôde guardar de memória. A fumaça é inequivocamente negra.

Nesta primeira votação o peso do grupo “progressista” do conclave, que havia decidido votar em Martini, um candidato “de bandeira”, é fortemente redimensionado com o único objetivo de poder verificar com quantos votos podia contar. Os cardeais deixaram a Sistina para comer. Os partidários de Ratzinger saíram muito bem, mas a surpresa de Bergoglio impressiona a muitos eleitores. O Arcebispo de Buenos Aires é uma pessoa reservada, que evita as câmeras de televisão e não concede entrevistas. Deixou o palácio episcopal para viver em um mundo simples e humilde em um pequeno apartamento, sua figura recorda a do Papa Luciani [João Paulo I]. Depois do jantar, há pequenas reuniões para decidir e, sobretudo, convencer os indecisos. «Pequenos grupos, duas ou três pessoas, não são grandes reuniões. Como em todos os hotéis, às mil outras proibições se junta a de fumar. O Cardeal português José Policarpo da Cruz, com fama de fumante empedernido, não resiste e sai a céu aberto para acender um bom cigarro».

Na manhã seguinte, terça-feira, 19 de abril, às 9 horas, os 115 purpurados voltam à capela pintada por Michelangelo e sob o severo olhar dos personagens do Juízo Final tomam novamente as papeletas para votar. O resultado do segundo escrutínio vê diminuir sensivelmente os votos dispersos em cada candidato. Ratzinger sai com 65 (faltam 12 votos para alcançar a soma de dois terços, necessária para a eleição nas primeiras duas semanas de conclave); Bergoglio vê aumentar consideravelmente seus votos e alcança o número de 35; Ruini já não tem seus votos, que vão para Ratzinger; o mesmo ocorre com Martini, cujos partidários votaram em Bergoglio. Apenas Sodano mantém seus 4 votos e Tettamanzi os seus 2.

Às 11 horas daquela mesma manhã, se passa a uma nova votação, como previsto pelo regulamento do conclave. O resultado é significativo. Os dois votos de Tettamanzi e os quatro Sodano desaparecem; os votos esparsos são pouquíssimos, um deles é dado ao curial colombiano Dario Castrillón Hoyos. Ratzinger subiu para 72 e já se aproxima da soleira e do Sólio. Mas também o argentino Bergoglio cresce e chega a 40 votos. Um “pacote” de votos de todo insuficiente para aspirar à eleição, mas suficiente para bloquear a eleição de qualquer outro candidato: se os partidários do cardeal de Buenos Aires decidissem resistir a qualquer votação, a candidatura de Ratzinger estaria terminada. Certo vaticanista, acostumado a especular abstratamente, sustentou que, na realidade, a eleição de Ratzinger a essa altura já era segura, pois bastava que os seus eleitores continuassem a votar nele outras trinta vezes e em seguida haveria a diminuição do quórum — de dois terços para maioria absoluta de 50 mais um dos votos — tal como exigido pelas novas regras do conclave aprovadas pelo Papa João Paulo II.

Mas se trata, de fato, de apenas uma possibilidade teórica: Ratzinger (mas provavelmente todos os outros) não teria permitido a ninguém que teimasse sobre o seu nome por duas semanas, com o mundo à espera de um novo Papa. Seria o primeiro a se retirar da corrida. É por isso que, dado o resultado da votação, as apostas parecem se reabrir. Alguns pensam que o conclave estava ainda para ser decidido e que o novo Papa Ratzinger poderia não ser Ratzinger e nem Bergoglio, mas um novo candidato de mediação a se encontrar e votar no dia seguinte. Os cardeais eleitores estão conscientes de que este é o momento crucial. O destino da eleição será decidido em colóquios informais nas próximas horas, antes da próxima votação, a quarta, agendada para a tarde.

 “Já na Sistina, antes da transferência para a [Casa] Santa Marta para o almoço – lemos no diário do purpurado anônimo – são feitos os primeiros comentários e os primeiros contatos. Grande preocupação entre os purpurados que defendem a eleição do Cardeal Ratzinger; estreitam-se os contatos, o mais ativo é o Cardeal Lopez Trujillo [falecido em 2008]…”. O colombiano Trujillo é, por muitos, visto se aproximar em particular dos cardeais latino-americanos; tenta convencê-los de que não há verdadeiras alternativas a Ratzinger. “Amanhã, grandes novidades”, sussurrou com um sorriso enigmático o Cardeal Martini a um colega seu durante a pausa para o almoço.

Martini está entre os que esperam uma mudança de candidatos na manhã do dia seguinte, caso as duas próximas votações da tarde terminassem sem resultados. Mas para que a candidatura de Ratzinger seja bloqueada, é necessário que seus inimigos continuem a cerrar fileiras com Bergoglio. O arcebispo de Buenos Aires é visto com o rosto sofredor. Alguns dos colegas até mesmo imaginam que, se eleito, ele poderia recusar. Às 16h, quando os 115 eleitores voltaram à Sistina, o resultado do conclave já está estabelecido. Muitos dos partidários de Bergoglio, de fato, decidiram aderir à candidatura Ratzinger, para não prolongar por um longo tempo a eleição e não dividir o sacro colégio. Bento XVI é eleito com 84 votos, Bergoglio cai para 26. Alguns votos ainda são esparsos: impressiona aquele destinado ao americano Bernard Law, ex-arcebispo de Boston, compelido a renunciar por causa de acusações de ter acobertado o escândalo de padres envolvidos em casos de pedofilia.

Estas são as últimas anotações no “diário secreto” do purpurado anônimo: “Mesmo o Cardeal Ratzinger, com o desenrolar da contagem das papeletas, anota atentamente os votos em sua folha. Então, quando às 17:30h foi ultrapassado o quórum de 77 votos, há, na Capela Sistina, um momento de silêncio, seguido por um longo e cordial aplauso”.

Embora a eleição não tenha sido unânime, o conclave que elegeu Bento XVI foi um dos mais rápidos da história da Igreja. O Cardeal bávaro era uma pessoa de inquestionável prestígio e de grande autoridade, e foi um dos colaboradores mais importantes do Papa Wojtyla. E como decano do sacro colégio, havia gerido tanto o funeral de João Paulo II, como as congregações gerais que prepararam o conclave. Os eleitores, em suma, caminharam para o lado seguro.

julho 29, 2011

Cruz de Cristo, escândalo para os judeus. Local onde rasgam as vestes: L’Osservatore Romano.

Assis: polêmica entre judeus e cristãos sobre símbolos religiosos.

No “L’Osservatore Romano” se inflama o debate entre o Cardeal Koch e Ricardo di Segni. O rabino rechaça a comparação entre a Cruz e o Yom Kippur.

Vatican Insider – Tradução: Fratres in Unum.com

Bento XVI e o rabino Di Segni. Em janeiro de 2010, este mesmo rabino declarou: “Se a paz com os lefebvristas significa renunciar às aberturas do Concílio, a Igreja tem que decidir: ou eles ou nós!”

Bento XVI e o rabino Di Segni. Em janeiro de 2010, este mesmo rabino declarou: “Se a paz com os lefebvristas significa renunciar às aberturas do Concílio, a Igreja tem que decidir: ou eles ou nós!”

« Se os termos do diálogo são os de indicar aos judeus o caminho da Cruz, não se entende por que o diálogo nem o porque de Assis », escreveu em “L’Osservatore Romano” o rabino mais importante de Roma, Riccardo Di Segni, advertindo que os que apoiam o diálogo entre católicos e judeus devem evitar recorrer a símbolos não compartilhados.

A comparação que fez o Cardeal Kurt Koch, diretor do dicastério vaticano para o diálogo ecumênico, entre a cruz cristã e a festividade judia da expiação, o Yom Kippur, não agradou ao rabino de Roma, Riccardo Di Segni.

O debate surgiu com o artigo de 7 de julho publicado pelo Cardeal Koch no periódico da Santa Sé sobre o significado da Jornada Inter-religiosa da Oração pela Paz em Assis, do próximo 27 de outubro, no qual o purpurado suíço escreveu que a cruz de Jesus « se levanta sobre nós como o permanente e universal Yom Kippur », e « por isso a cruz de Jesus não é um obstáculo para o diálogo inter-religioso; antes, indica o caminho decisivo que sobretudo judeus e cristãos […] deveriam tomar, em uma profunda reconciliação interior, tornando-se fermento para a paz e a justiça no mundo ».

Segundo Di Segni, estas palavras « inspiradas pela fraternidade e boa vontade, se não forem melhor explicadas, podem evidenciar os limites de uma certa forma de dialogar da parte dos cristãos ». Di Segni se queixa em particular da proposta que Koch « faz ao interlocutor judeu para que se deixe guiar por símbolos que este não compartilha. Sobretudo quando estes símbolos são apresentados como substituições, com o valor agregado dos ritos e dos símbolos do crente com que se dialoga».

« O crente cristão – explica o rabino de Roma – pode, sem dúvida, pensar que a Cruz substitui de maneira permanente e universal o dia de Kippur, mas se deseja dialogar sincera e respeitosamente com o judeu, para quem o Kippur mantém seu valor permanente e universal, não tem que lhe propor suas crenças e suas interpretações cristãs como sinais do ‘caminho decisivo’».

« Pois então há o risco – prossegue – de se entrar na teologia da substituição e a Cruz se converte em obstáculo. O diálogo judaico-cristão corre inevitavelmente este risco, porque a idéia do cumprimento das promessas judaicas é a base da fé cristã; assim, o afirmar-se desta fé implica sempre uma idéia implícita de integração, se não de superação da fé judaica ».

De Segni continua: « a língua do diálogo deve ser comum e o projeto deve ser compartilhado. Se os termos do diálogo são baseados em cristãos indicando aos judeus o caminho da Cruz, não se entende o porque do diálogo nem o porque de Assis ».

Em sua réplica, o Cardeal Koch explica que « não se trata de substituir o Yom Kippur hebraico pela cruz de Cristo, embora os cristãos vejam na cruz de Cristo o permanente e universal Yom Kippur ». A questão, de toda forma, « não é um obstáculo para o fato de que cristãos e hebreus, dentro do recíproco respeito pelas respectivas convicções religiosas, se empenhem na promoção da paz e da reconciliação, caminhando juntos para Assis ».

(Destaques do original)

julho 28, 2011

Colóquios, Instrução Universae Ecclesiae, Tradição e Mons. Lefebvre. Uma entrevista com o Padre Davide Pagliarani.

Publicamos uma interessante entrevista concedida a Marco Bongi pelo Superior do Distrito italiano da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, sobre os colóquios teológicos da Fraternidade com Roma, o estado cultural e atual do mundo católico da Tradição e um comentário preciso sobre a Instrução Universae Ecclesiae.

Os colóquios teológicos entre a FSSPX e as Autoridades Romanas chegam ao fim. Mesmo não tendo sido emitido ainda nenhum comunicado oficial, não faltam comentadores que, baseando-se em indiscrições, julguem os colóquios fracassados. Pode nos dizer algo a mais sobre esse assunto?

Penso que seja um erro prejudicial considerar fracassados os colóquios. Esta conclusão foi tirada, talvez, por quem esperava algum resultado estranho à finalidade dos colóquios em si.

O objetivo dos colóquios nunca foi o de chegar a um acordo concreto; mas, sim, o de elaborar um dossiê claro e completo, que evidenciasse as respectivas posições doutrinárias, para ser enviado ao Papa e ao Superior Geral da Fraternidade. Visto que as duas comissões trabalharam pacientemente, abordando substancialmente todos os assuntos em pauta, não vejo por que os colóquios deveriam ser tidos por fracassados.

Os colóquios teriam fracassado se – absurdamente – os representantes da Fraternidade tivessem redigido relatórios que não correspondessem exatamente ao que a Fraternidade sustenta; por exemplo, se tivessem dito que, afinal, a colegialidade ou a liberdade religiosa representam adaptações ao mundo moderno perfeitamente conciliáveis com a Tradição. Por mais que tenha sido mantida certa discrição, penso que posso dizer que não houve risco de se chegar a este resultado de fracasso.

Quem não compreende suficientemente a importância de um tal testemunho por parte de Fraternidade e do que está em jogo, pelo bem da Igreja e da Tradição, inevitavelmente formula juízos que se enquadram em outras perspectivas.

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julho 28, 2011

O recuo dos Legionários de Cristo.

Por Andrés Beltramo Alvarez

Vatican Insider – Tradução: Fratres in Unum.com

Os Legionários de Cristo se viram obrigados, nos últimos meses, a fechar seminários menores, a unificar comunidades religiosas, a transferir escolas e encerrar uma universidade no maior retrocesso institucional de seus últimos anos. A maior reestruturação interna desde os escândalos envolvendo seu fundador, Marcial Maciel Degollado

Até não muito tempo, a Legião era considerada o instituto religioso de maior crescimento, tanto econômico como em número de membros, nos anos posteriores ao Concílio Vaticano II. Bastaram apenas cinco anos e um fundador culpável de toda espécie de atos imorais – inclusive abusos sexuais contra menores – para que a máquina diminuísse drasticamente seu ritmo.

O porta-voz da congregação em Roma, Andreas Schoggl, confirmou que as medidas de ajuste respondem à falta de vocações, ao impacto da crise econômica internacional, à necessidade de maximizar os recursos e aos escândalos públicos.

“Sem dúvida, se nota um certo recuo embora também seja possível vê-lo como uma mudança de estratégia. No passado demos passos muito grandes e agora é tempo de ajustar nossas tarefas, mas não temos problemas com isso”, afirmou.

Em 15 de julho passado, Sylvester Heereman, diretor territorial para a Europa, anunciou em uma carta o fechamento de um noviciado em Dublin (Irlanda). “Os motivos que levaram a esta decisão dolorosa são a escassez de vocações irlandesas nas últimas duas décadas, somada à dificuldade atual de manter o noviciado com vocações provenientes de outros países”, escreveu.

O fechamento deste noviciado se somou à suspensão de outros dois seminários menores: um em Sacramento, Estados Unidos, e outro em Porto Alegre, Brasil. Já em 2010, o diretor territorial na Espanha havia anunciado o encerramento das atividades do seminário menor em Valência.

Deve-se acrescentar a estas medidas a fusão de comunidades religiosas em diversas partes do mundo, já que, nos últimos anos, a política geral tem sido a de unir casas para se obter um maior e mais estável número de legionários por núcleo.

Nos últimos dois anos, 42 sacerdotes e 151 seminaristas (entre religiosos e noviços) abandonaram as fileiras da Legião, enquanto o proselitismo vocacional se viu sensivelmente afetado. Grande parte por causa do escândalo Maciel e pelo processo de reforma encabeçado pelo Cardeal Velasio De Paolis.

Segundo cifras oficiais, enquanto que em 2009 o número total de membros da congregação era de 3389, em 31 de dezembro de 2010 era de 3265, isto é, uma redução de 124 unidades. Os Legionários contam atualmente com três bispos, 889 sacerdotes, 1244 religiosos e noviços, assim como 1129 candidatos, pré-candidatos e apostólicos.

Estes números estão fadados a diminuir ainda mais, pois nos últimos meses (não considerados na estatística) vários sacerdotes e seminaristas decidiram se afastar da congregação, enquanto outros padres se encontram fora de suas comunidades para um discernimento.

Desde a crise causada pelo caso Maciel, a ordem perdeu 5% de seus sacerdotes, dado significativo quando se pensa que – em toda sua história de pouco mais de 70 anos – cerca de 100 padres deixaram suas fileiras (aos quais se devem somar os 42 mencionados).

Mas as dificuldades não se expressaram apenas em matéria de vocações e casas religiosas, mas também quanto a instituições educativas. Em 13 de julho, o sacerdote Robert Presutti teve de informar, em uma carta a doadores e benfeitores, o fechamento da Universidade de Sacramento, criada em 2005, por problemas financeiros e administrativos.

“Os Legionários de Cristo devem afrontar outras prioridades e desafios e simplesmente não pode se permitir a continuar como havia planejado”, explicou o reitor da casa de estudos.

Ademais, a Legião suspendeu as atividades de dois de seus colégios americanos, um em Saint Louis e outro em Baltimore. Enquanto na Espanha permanece incerto o futuro do Colégio Everest-El Bosque de Madri, que enfrenta um importante passivo financeiro e que estava pronto para ser vendido. A instituição ainda pertence aos Legionários porque “o comprador não estava pronto”.

“Nestas horas, devemos ver quais são nossas prioridades e para isso é necessário dizer não a outros projetos que não sejam sustentáveis. Estão sendo tomadas as medidas necessárias. Não fomos feitos para manter casas, a congregação deve ser dinâmica. É um tempo para administrar os recursos e o pessoal da melhor maneira, é necessário fazê-lo com muita seriedade”, disse Schoggl.

julho 27, 2011

Washington, Oslo, Roma, Pequim. Inquietações pelo mundo afora.

Por Pe. João Batista Costa

Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam. Se o Senhor não guardar a cidade, inutilmente se desvela a sentinela. Sl. 126.

O noticiário sempre causou espanto. Até mesmo os jornais mais sóbrios sempre tiraram a paz, tal o gosto que os domina de, por meio do artifício da exageração, impressionar a imaginação dos leitores e atrair-lhes o interesse.

No entanto, é preciso reconhecer que ultimamente os acontecimentos são mais alarmantes e merecem uma ponderação especial.

Sem dizer que seja o fim do mundo, que significado terá a crise econômica dos EUA que empurra a maior potência à beira do calote? Quais suas causas e conseqüências? E não são apenas os EUA que estão na lona, a União Européia também está ameaçada pela fragilidade do euro diante da enorme dívida pública de vários países do Velho Continente. Há quem diga que não se trata de mera crise econômica mas de uma crise das instituições políticas da democracia moderna. Seria um sinal de que a democracia e o chamado estado de bem estar social se esgotaram.

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julho 27, 2011

Itália: Agredido sacerdote fisicamente, o motivo?, celebrar a Missa Tradicional.

Secretum Meum Mihi – O diário Il Giornale Della Toscana, de 26 de julho de 2011, destaca a notícia em primeira página; o pároco de San Michele a Ronta (Firenze), Itália, Pe. Hernan Garcias Pardo, sacerdote ítalo-argentino, foi agredido no quarta-feira passada por um fiel que lhe causou feridas nos ombros na presença de suas irmãs e de sua mãe.

O sacerdote desde algum tempo havia sido objeto de críticas por um grupo de fiéis porque havia voltado a celebrar a Santa Missa segundo o rito tradicional (Forma Extraordinária). “Você tem sido forte, mas vamos te rachar a cabeça, teu amigo Satanás”, foi uma das muitas mensagens ameaçadoras enviadas previamente ao Pe. Garcias Pardo.

Depois da agressão, o sacerdote foi levado ao hospital de Borgo San Lorenzo onde lhe prestaram a atenção necessária. O agressor do sacerdote foi  denunciado a seu tempo à policia.

julho 26, 2011

Breivik, o terrorista de Oslo. Uma ideologia identitária, mas não fundamentalista.

Por Massimo Introvigne

Sociólogo da religião, representante da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) para a luta contra o racismo e as discriminações contra os cristãos.

Fonte: Cesnur – Centro de Estudos sobre Novas Religiões | Tradução: Fratres in Unum.com

A horrível tragédia de Oslo pede, em primeiro lugar, respeito e oração pelas vítimas, depois, uma reflexão sobre as medidas de monitoramento que também sociedades, como aquela escandinava, que mantém seu caráter “aberto”, hoje não podem deixar de adotar em face das numerosas e múltiplas formas de terrorismo. Entre essas medidas, no entanto, não pode e não deve haver uma estigmatização dos “fundamentalistas cristãos”, pintados como criminosos e terroristas potenciais. É realmente lamentável que a polícia norueguesa, imediatamente abordada pela mídia de todo o mundo, tenha apresentado inicialmente o terrorista Anders Behring Breivik como um cristão fundamentalista, e que na Itália alguns meios de comunicação designaram mesmo — falsamente — como católico.

O incidente mostra simplesmente como hoje “fundamentalista” é uma palavra usada de maneira ampla e imprecisa para designar qualquer pessoa com idéias extremistas ou genericamente “de direita”, e uma referência, mesmo que vaga, ao cristianismo. Daí surge facilmente o fenômeno social da “culpabilidade por associação”, pela qual qualquer cristão que seja, por exemplo, contra o aborto ou o reconhecimento das uniões homossexuais se torna um fundamentalista e, uma vez que o atentado de Oslo foi atribuído a um adepto do fundamentalismo, até mesmo um terrorista em potencial. Apenas alguns dias antes do atentado de Oslo, o Observatório sobre a Intolerância e Discriminação contra os Cristãos de Viena tinha enviado aos responsáveis pelo projeto RELIGARE, uma pesquisa sobre a Europa multi-religiosa financiada pela Comissão Européia, um denso memorando sobre os perigos do uso do termo “fundamentalismo” que se torna um instrumento de discriminação anti-cristã.

A expressão “cristão fundamentalista”, é claro, tem um significado preciso. Remonta à publicação nos Estados Unidos, entre 1910 e 1915, do livreto The Fundamentals, uma crítica militante da teologia protestante liberal, do método histórico-crítico na interpretação da bíblia e do evolucionismo biológico. Um fundamentalista é um protestante – de costume, entre outras coisas, muito anti-católico — que insiste em uma interpretação literal e tradicional da bíblia, recusando qualquer abordagem hermenêutica que leve em conta as ciências humanas modernas, e desta interpretação deduz princípios teológicos e morais ultra-conservadores.

Anders Behring Breivik não é um fundamentalista. Podemos saber muitas coisas de suas idéias através de seu perfil do Facebook — excluído, mas não antes de alguém tê-lo salvo e colocado  online –, de mais de sessenta páginas de intervenções no site anti-islâmico norueguês document.no, também disponível em inglês ,e, sobretudo, de seu livro de 1500 páginas 2083 – Uma declaração de independência européia, assinado por “Andrew Berwick”, enviado a uma série de amigos e jornais em 22 de julho, a poucas horas do massacre, e divulgado na internet em 23 de julho por Kevin Slaughter, um ministro ordenado na Igreja de Satanás, fundada por Anton Szandor LaVey (1930-1997) na Califórnia, que tem hoje no mundo o maior número de seguidores na Escandinávia.

Já de sua página no Facebook surge como um interesse principal de Breivik a Maçonaria. Quem visitou o perfil de Breivik no Facebook era surpreendido por uma fotografia [acima, à direita] que o apresentava, com um avental maçônico, como um membro de uma loja de São João, que é uma das lojas que administram os três primeiros graus da Ordem Norueguesa dos Maçons, a Maçonaria regular na Noruega. Breivik faz parte da Søilene, uma das lojas de São João desta ordem em Oslo, o que, evidentemente, não tem, em si, nada a ver com o atentado. Estas lojas praticam o chamado rito sueco, que requer dos membros a fé cristã. Mas nenhum fundamentalista protestante espalha suas fotografias em trajes maçônicos: o fundamentalismo, pelo contrário, é fortemente hostil à Maçonaria. Nem se trata de um interesse no passado: a fotografia foi publicada em 2011 e já em 2009 em document.no Breivik propôs uma coleta de fundos “para a minha loja”.

Acrescentamos que mesmo a paixão Breivik pelo RPG online World of Warcraft e por uma série de televisão sobre vampiros um tanto grosseira, Blood Ties, bem como a amizade declarada com o gestor do principal site pornográfico norueguês, “não obstante a sua moral em frangalhos” — para não mencionar o fato de que um dos destinatários do seu memorial é um satanista — são todos traços que seriam absurdos para um fundamentalista cristão. Os tons recordam, se alguma coisa, Pim Fortuyn (1948-2002), o político homossexual holandês fundador de um movimento populista anti-islâmico. Se uma parte do livro aprecia a família tradicional, noutra Breivik diz considerar o aborto aceitável — embora em um número limitado de casos — e revela também ter “reservado dois mil euros que pretendo gastar com uma escolta de alta qualidade, um verdadeiro modelo, uma semana antes da execução de minha missão [de terrorismo]”.

Os textos – que revelam grandes, embora desordenadas, leituras – não parecem os de um simples louco, mesmo que haja traços de megalomania e contradições evidentes. A principal preocupação de Breivik não é a religião, mas o combate ao Islã que ameaça, segundo ele, devastar a Europa — ainda mais um país pequeno como a Noruega — com a imigração. Estas idéias não são, naturalmente, muito originais — e alguns dos autores citados por Breivik, dos quais propõe no livro 2083 uma espécie de longa antologia, são absolutamente respeitáveis — mas a teoria é declinada com tons que às vezes se tornam racistas e paranóicos.

O objetivo primeiro de Breivik é parar o Islã — daí a sua aversão pelo governo norueguês, tido como favorável a uma imigração muçulmana indiscriminada – e para isso procura aliados em qualquer lugar. Ele relatou que tinha escolhido voluntariamente ser batizado e crismado na Igreja Luterana norueguesa há 15 anos — rica e agnóstica, sua família o deixou livre para escolher – mas estava convencido de que a comunidade protestante estava quase morta e tinha sucumbido à ideologia multi-culturalista e filo-islâmica. Em um primeiro momento, escreve, os protestantes deveriam se unir à Igreja Católica. Mas mesmo a Igreja Católica já se vendeu ao Islã quando o Papa atual decidiu continuar o diálogo inter-religioso com os muçulmanos. Breivik ameaça Bento XVI, escrevendo que ele “abandonou o cristianismo e os cristãos europeus e deve ser considerado um Papa covarde, incompetente, corrupto e ilegítimo”. Uma vez eliminados os protestantes e o Papa, poderá ser organizado um “Grande Congresso Cristão Europeu”, do qual nascerá uma “Igreja Européia” completamente nova, identitária e anti-islâmica.

Se Breivik tem um inimigo, o Islã, também tem um amigo — imaginário, porque não parece ter havido grandes contatos diretos –: o mundo judaico, que considera o mais seguro baluarte anti-muçulmano. O terrorista mostra um verdadeiro culto ao Estado de Israel e suas forças militares, o que corresponde a um profunda aversão aos nazistas. “Se há uma figura que odeio — escreve ele — é Adolf Hitler [1889-1945: e sonha viajar no tempo para ir ao passado e matá-lo. É verdade que se inscreveu em um fórum neo-nazista na internet, mas o fez para tentar convencê-los que, se algumas idéias do führer sobre a primazia étnica dos ocidentais eram justas, o erro gritante foi o de não compreender que os ocidentais mais puros e nobres são os judeus, e que se quisesse exterminar alguém, o nazismo deveria, em vez, ir prender os muçulmanos no Oriente Médio.

Uma referência freqüente, no entanto, é feita à inglesa English Defence League com a qual parece ter tido contatos diretos – um movimento anti-islâmico “de rua” que é regularmente acusado de ser racista, e que na mesma medida contesta essa acusação e critica o neo-nazismo. Breivik escreve que o multiculturalismo é uma forma de racismo e que “não se pode combater o racismo com racismo”. O nazismo, o comunismo e o islamismo são para Breivik três faces da mesma doutrina anti-ocidental, e todas as três deveriam ser proibidas. Mas a ênfase está sempre na luta contra o Islã. Qualquer inimigo dos muçulmanos, atual ou potencial, torna-se um possível aliado: assim os ateus militantes, bastante difundidos na Noruega, que Breivik convida a combater o Islã e não só o cristianismo; assim os homossexuais, a quem observa que, em um mundo dominado por muçulmanos, serão perseguidos.

Não surpreende nem mesmo o contato com a Igreja de Satanás, que prega uma forma de satanismo “racionalista” que louva a supremacia dos fortes sobre os fracos e as virtudes do capitalismo selvagem segundo a teoria da escritora norte-americana Ayn ​​Rand (1905-1982), citada muitas vezes pelo terrorista, e que na Escandinávia se preocupa voluntariamente com os imigrantes. Mesmo os ciganos, de acordo com Breivik, seriam escravizados na Índia e reduzidos à sua condição atual de miséria não pela população hindu -- como ensina a historiografia majoritária -- mas pelos muçulmanos. Portanto -- outra característica que o distingue e muito da extrema direita européia --, Breiviki se mostra de certa forma favorável aos ciganos, incita-os a combater o Islã e até mesmo lhes promete um Estado livre e independente em sua nova Europa.

Um tom “religioso” pode ser encontrado se muito em sua defesa fervorosa dos judeus e do Estado de Israel. Este é um tema que também surge em alguns grupos protestantes fundamentalistas -- com base na idéia de que Israel é um Estado desejado por Deus em vista do fim do mundo --, mas os acentos de Breivik são diferentes. Embora não existam referências diretas, recordam irresistivelmente a ideologia anglo-israelita, nascida no século XIX na Grã-Bretanha e muito difundida na Escandinávia, especialmente nos círculos maçônicos, segundo a qual os habitantes do norte da Europa são também eles “hebreus”, descendentes da tribo perdida de Israel: o nome “danesi” [“dinamarquês”], por exemplo, indicaria a tribo de Dan. O movimento anglo-israelita se dividiu no século XX em duas seções. A majoritária, às vezes violenta e responsável por atentados nos Estados Unidos, sustenta que os europeus do norte são hoje os únicos “hebreus” autênticos. Os que se dizem hebreus, em Israel e em outros lugares, não os são etnicamente, já que seriam em maioria cazares, membros de uma tribo centro-asiática convertida ao judaísmo nos séculos VIII e IX. Daí uma aversão do “movimento da identidade” de origem anglo-israelita a Israel e seus laços com grupos anti-semitas e neo-nazistas.

Mas — se esta vertente do anglo-israelismo predomina nos Estados Unidos — no Norte da Europa ainda está presente uma vertente mais antiga, para a qual os judeus tal como os conhecemos hoje são verdadeiros herdeiros da tribo de Judá, que esperam para se reunir com seus irmãos anglo-saxões e escandinavos da tribo perdida. Quem mantém esta visão considera, então, os norte-europeus como irmãos dos judeus e, longe de ser anti-semita, defende de forma ardente o judaísmo e o Estado de Israel.

De acordo com o seu livro, o terrorista fundou em 2002, em Londres, uma ordem neo-templária que se une a muitas já existentes, os Pobres Soldados de Cristo e do Templo de Salomão (PSCTS), inspirado não só nos templários católicos medievais, mas especialmente nos graus Templários da Maçonaria — uma organização elogiada por Breivik por seu “papel essencial na sociedade”, embora a considerando incapaz de passar à necessária ação militar –, aberta a “cristãos, cristãos agnósticos e cristãos ateus”, ou seja, a todos que reconhecem a importância das raízes culturais cristãs, “mas também das raízes judaicas e iluministas”, para não citar as “nórdicas e pagãs”, para se opor aos verdadeiros inimigos que são o Islã e a imigração.

Entre essas referências ecléticas, o cristianismo não é dominante. Ele cita muitos autores, mas o seu pai espiritual é o anônimo blogueiro norueguês anti-islâmico “Fjordman”, que em 2005 tinha um milhão de leitores, mas que fechou seu blog sem nunca ter sido identificado. Breivik republica um ensaio dele, segundo o qual, depois da  Idade Média, o Cristianismo — cujos únicos aspectos positivos eram de origem pagã – se tornou para a Europa “uma ameaça pior do que o marxismo”.

Os “justiceiros templários” de Breivik deveriam operar em três fases de “guerra civil européia”. Na primeira (1999-2030), deveriam despertar a consciência adormecida dos europeus mediante “ataques das células clandestinas”, desencadeando a “ação de grupos que utilizam o terror”: grupos pequenos, inclusive de uma ou duas pessoas. Na segunda (2030-2070), deve-se passar à insurreição armada e aos golpes de Estado. Na terceira (2070-2083), à verdadeira guerra contra os imigrantes muçulmanos. Breivik é consciente de que os ataques da primeira fase transformarão os conspiradores em terroristas odiados por todos, mas esta é a forma do “martírio templário” que ele busca.

Os objetivos dos ataques iniciais são os partidos políticos: o Partido Trabalhista Norueguês, em primeiro lugar, mas também aponta contra quatro partidos italianos (PDL, PD, IDV, UDC) que boicotariam de diferentes modos a guerra contra o Islã e a imigração. Na Itália, haveria 60 mil “traidores” a atingir, inclusive através de ataques a refinarias para danificar a estrutura energética italiana. Dezesseis refinarias italianas, de Trecate (Novara) a Milazzo, são listadas como objetivos estratégicos. Até ao Papa Bento XVI são dirigidas frases ameaçadoras. Ainda segundo o livro 2083, o número de simpatizantes potenciais italianos seria também de 60 mil: mas estes não se encontrariam nem na Liga nem na La Destra, que Breiviki examinou considerando suas críticas anti-imigrações muito tímidas e, portanto, no final, “contraproducentes”. Como sou um de seus Representantes, preocupa-me também a reprodução de um artigo que indica a OSCE (Organização para a Segurança e Cooperação na Europa) como uma organização internacional filo-islâmica e perigosa.

A questão talvez mais importante é se Breivik está escrevendo um romance no estilo do sueco Stieg Larsson (1954-2004) ou descrevendo uma realidade quando diz que a sua ordem de justiceiros templários conta com membros em vários países europeus e está em contato com aqueles que o mundo chama de “criminosos de guerra” sérvios seguidores de Radovan Karadzic, que para ele, pelo contrário, são heróis que procuraram libertar os Balcãs do Islã. Outras particularidades autobiógrafas do livro que pareciam improváveis — a presença em sua família de diplomatas, a freqüência desde jovem em escolas de elite — foram confirmadas pela polícia norueguesa. A própria polícia deverá determinar se o nascimento da ordem neo-templária, os contatos com os criminosos de guerra sérvios e uma viagem para a Libéria para ser treinado por um deles, “um dos maiores heróis europeus”, antes de fundar a ordem com oito companheiros em Londres em 2002, são fragmentos da imaginação de Breivik ou episódios realmente ocorridos. O que é certo é que um terço de seu livro — um verdadeiro e próprio manual terrorista, acompanhado por um diário sobre a preparação do atentado — revela o conhecimento detalhado em matéria de armas, explosivos, da nova técnica terrorista chamada “open source warfare”, que pode ser colocada em prática até por grupos muito pequenos, e de vestimentas à prova de balas — inclusive meias, detalhe muitas vezes esquecido e ao qual Breivik dedica várias páginas — difíceis de obter, mesmo a Internet fazendo maravilhas, por alguém que nem mesmo fez o serviço militar.

Breivik escreve sempre em tom de paranóia. Mas — se quisermos, como se diz, encontrar um método em sua loucura – devemos procurar o fio condutor principal de um populismo anti-islâmico que até agora raramente tinha conhecido formas violentas, e um secundário em uma solidariedade quase mística entre identidade nórdica e hebraica-israelita, que tem as suas raízes em antigas teorias esotéricas e maçônicas das quais Breivik é um amante. A única coisa certa é que o cristianismo – “fundamentalista” ou não – tem pouco a ver, se não como um entre os muitos improváveis aliados que o terrorista imaginava recrutar para a sua batalha violenta contra a imigração islâmica.

julho 26, 2011

Curiosidades da Rússia, “a nação convertida”.

Secretum Meum Mihi:  Para aqueles que insistem que a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria ocorreu em 1984 temos esta curiosidade da “nação convertida”.

O culto da personalidade do primeiro ministro — e antigo presidente da Federação Russa— Vladimir Putin (imagem), tem se propagado na Rússia e está tomando dimensões bíblico-pagãs. Na região de Nijni Novgorod, a uns 400 quilômetros a leste de Moscou, Vladimir Putin agora é idolatrado por uma seita como a reencarnação do apóstolo São Paulo.

Assim nos informa o diário francês Le Monde, Jul-22-2011.

É essa “a nação convertida” — que querem nos fazer crer — em que se converteu a Rússia depois da suposta consagração dessa nação ao Imaculado Coração em 1984?

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