Arquivo para agosto, 2011

agosto 31, 2011

“Teóloga católica” abortista encerrará congresso “teológico” da Pontifícia Universidade “Católica” de Curitiba.

Um leitor, que prefere o anonimato por temer eventuais represálias, informa-nos sobre o X Congresso de Teologia da PUCPR – V Jornada do Pensamento Contemporâneo, promovido pela PUCPR – Curitiba, de 3 a 5 de outubro próximos.

Diz ele:

O curso de teologia da PUCPR é dirigido por um admitido teólogo da libertação, suas posições são frequentemente opostas à tudo que é ortodoxo, mas eu e alguns amigos tradicionais acreditamos que agora ele chegou a um ponto absurdo demais para nossa Arquidiocese não fazer nada. A freira abortista Ivone Gebara (foto), vinculada ao grupo Católicas pelo Direito de Decidir,  foi convidada para fechar o X Congresso de Teologia da PUCPR. Enviamos mensagens ao arcebispo, anunciamos nas redes sociais e não tivemos respostas.

O desprezo para com os simples fiéis é característica muito cara aos hierarcas atuais; com muito afinco, defendem e aplicam este dom — não do Espírito, mas do espírito do concílio, da ruptura, da “nova igreja” — reservado para os nossos tempos primaveris. Bradando por diálogo e participação dos leigos, contra uma Igreja do passado que pejorativamente chamam de clerical, agem como verdadeiros déspotas. Fazem o que bem entendem, simplesmente não respondem e ponto. Que reclamem ao Papa, aquela figura decorativa (para eles) que fica do outro lado do Atlântico.

Não causa surpresa ver as PUC’s envolvidas com o que há de oposto à Fé Católica [já denunciamos fato semelhante envolvendo a PUC-SP aqui; Dom Odilo Pedro Scherer não se pronunciou a respeito]. Ingenuidade seria pensar que algo diferente viesse da PUC de Curitiba, cidade em que abortistas são recebidas com flores pelas lideranças eclesiásticas.

A senhora Ivone Gebara é uma das signatárias do manifesto da Sinagoga de Satanás por ocasião da última eleição presidencial. Neste seu recente artigo, refere-se repetidas vezes ao aborto como “crime”. Sim, entre aspas. Compreensível, afinal, o que esperar de uma “religiosa” “católica” que se diz “teóloga”, “doutora” em “filosofia” e em “ciências religiosas” por duas “universidades” “católicas” de “renome”? Haja aspas!

O tal “congresso” “teológico” (!!!) da PUC debaterá (ou doutrinará?), basicamente, a famigerada e imoral “Ideologia do Gênero”, magistralmente dissecada pelo Padre Lodi e considerada verdadeiro atraso para as mulheres pela “machista”, “capitalista”, “imperalista”, Santa Sé. Além da “teóloga” Gebara, discursarão muitos outros “expoentes” da “nata” “pensante” da “teologia” brasileira, como, por exemplo, o senhor Glauco Soares de Lima, “bispo” primaz e presidente da “igreja” anglicana de São Paulo, que tratará das “Questões relativas às Relações Hétero e Homoafetivas”. Edificante e teologicamente profundo!

Assim, “esperando contra toda a esperança” (Ro, 4, 18), conclamamos nossos leitores a enviar seus protestos às autoridades eclesiásticas. Pode parecer uma batalha já perdida, mas mantenhamos firme e inabalável a certeza de que o Senhor governa a Sua Igreja.

ARQUIDIOCESE DE CURITIBA
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agosto 31, 2011

Pio XI, o papa dos desafios.

IHUEleito papa de surpresa no dia 6 de fevereiro de 1922, depois de apenas sete meses da sua designação como arcebispo de Milão, Achille Ratti era um homem acostumado desde jovem a escalar montanhas, a conquistar com tenacidade qualquer cume. Era “um desafiante que não gostava de ser desafiado”.

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada no sítio Vatican Insider, 29-08-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

De caráter forte e determinado, Pio XI, o papa dos Pactos Lateranenses, das corajosas encíclicas contra o fascismo (Não precisamos), o nazismo (Mit Brennender sorge) e o comunismo ateu (Divini Redemptoris), ele se impôs desde as primeiras horas que se seguiram à sua ascensão ao Sólio pontifício. Ele quis que sua antiga doméstica de Brianza, Teodolida Banfi, ao seu serviço há muito tempo, permanecesse como governanta do apartamento pontifício. Foi-lhe explicado que não era conveniente que uma mulher desempenhasse esse serviço, já que não havia nenhum precedente a esse respeito. “Todo precedente teve um início”, respondeu o papa. “Isso não pode nos impedir, portanto, de criar um precedente”.

Pio XI raramente perdia a paciência, mas, quando isso acontecia, todos se lembravam disso por um bom tempo. Como aquela vez em que não se conseguia encontrar um determinado documento nos arquivos do Santo Ofício, e o Papa Ratti convocou um de seus colaboradores, dizendo: “Ou esse papel aparece, ou todos os dirigentes da Suprema Congregação desaparecem”. O documento foi encontrado em menos de uma hora.

Outra vez, o pontífice não havia hesitado em retirar o chapéu cardinalício de um purpurado. Ocorreu em 1926, com o cardeal jesuíta Ludovico Billot, um dos membros mais influentes do Santo Ofício, colaborador na elaboração da encíclica antimodernista Pascendi de Pio X (1907). Havia sido justamente Billot, como substituto do cardeal protodiácono, que estava doente nesses dias, que colocou sobre a cabeça de Ratti a tiara papal durante a faustosa cerimônia da coroação.

Em 1926, Pio XI havia condenado a Action Française, o movimento do agnóstico Charles Maurras, que “se servia da Igreja sem servi-la” e que havia assumido “um agressivo e provocador espírito nacionalista que gerava acusações e calúnias ao papa”. Pio XI não aceitava que a fé católica fosse instrumentalizada para um projeto político, e vice-versa.

O cardeal Billot, no entanto, considerava aquela formação política francesa como um baluarte contra o liberalismo e, depois da condenação pontifícia, havia manifestado a sua solidariedade pessoal a Maurras com um bilhete, que foi publicado por um jornal, levantando a ira de Ratti. Convocado para uma audiência em setembro de 1927, Billot entrou como cardeal e saiu como simples padre jesuíta. No posterior dia 9 de dezembro, durante o Consistório, o Papa Pio XI explicou assim esse clamoroso gesto ao Sacro Colégio: “A sua ilustríssima ordem sofreu uma grave perda, quando o eminentíssimo Ludovico Billot renunciou à sagrada púrpura, voltando a ser um simples religioso da gloriosa e benemérita Companhia de Jesus. Quando ele nos escreveu de sua própria mão para que lhe concedêssemos a renúncia da excelsa dignidade, pareceu-nos que os motivos de renúncia apresentados eram generosos e espirituais, propostos, além disso, em graves circunstâncias. Assim, considerada a questão longamente, consideramos compatível com o nosso ofício ratificar a renúncia”. Na realidade, parece que a escolha do purpurado não foi tão espontânea…

Mas a audiência mais tempestuosa das concedidas por Pio XI foi a do arcebispo de Viena, o cardeal Theodor Innitzer. Este, no dia 15 de março de 1938, três dias depois do Anschluss (anexação) da Áustria à Alemanha, tinha recebido Adolf Hitler calorosamente e havia publicado uma carta que convidava todos os austríacos a se pronunciar pelo “nosso retorno glorioso ao Grande Reich” e terminava com as palavras “Heil Hitler”. O papa e o seu secretário de Estado, Eugenio Pacelli, convocaram o cardeal ao Vaticano, onde ele foi obrigado a assinar uma retratação já escrita, na qual declarava que os bispos estão subordinados às diretrizes da Santa Sé e que os fiéis austríacos não devem se sentir vinculados em suas consciências à acolhida favorável que a hierarquia eclesiástica havia reservado ao Führer de Berlim.

Depois de ter posto a sua assinatura no documento, Innitzer foi recebido pelo Papa Ratti: quem estava na antessala havia referido que foi possível ouvir nitidamente os gritos e a concitação. O cardeal austríaco retornaria a Viena com o rabo entre as pernas, mesmo que a sua retirada pública não mudaria o resultado da votação: 99,08% dos seus concidadãos dariam o seu próprio consentimento à “reunificação da Áustria com o Grande Reich“.

Conta-se que, um dia, o papa perguntou a um prelado o que se dizia dele na Cúria vaticana. Este respondeu: “Diz-se que Vossa Santidade é um bom pontífice, mas de pulso muito firme”. Na verdade, os curiais estavam acostumados a defini-lo com as palavras do Dies Irae: “Rex tremendae majestatis”. Ratti respondeu: “O papa não deve ser uma pessoa pusilânime, já que, como dizia o duque de La Rochefocauld, ‘a fraqueza se contrapõe mais à virtude do que ao vício’”.

Quando Hitler visitou Roma, acolhido triunfalmente por Benito Mussolini, Pio XI deu ordens de que nenhuma bandeira fosse exposta nas sacadas dos palácios da Santa Sé, abandonou a capital, retirando-se para Castel Gandolfo, e fez escrever no L’Osservatore Romano que o ar do Castelo lhe fazia bem, enquanto o de Roma lhe fazia mal.

O Papa Ratti desdenhava qualquer forma de nepotismo, jamais concedeu audiências especiais a parentes e, quando um sobrinho seu, engenheiro, executou alguns trabalhos no Vaticano, Pio XI deixou por escrito que ele não seria retribuído. Também era alérgico aos bajuladores. Papa de grandes impulsos missionários, sob o seu pontificado foram concluídas 18 concordatas com vários Estados, a fim de garantir a maior liberdade possível para a Igreja. No dia 13 de maio de 1929, ele disse: “Quando se tratar de salvar alguma alma, sentiremos a coragem de tratar com o diabo em pessoa”.

O seu caráter forte não lhe impedia de se comover, como testemunham as expressões em favor dos judeus pronunciadas no dia 6 de setembro de 1938, quando recebeu de presente um antigo missal de um grupo de peregrinos belgas. Abrindo a página em estava impressa a segunda oração depois da elevação da hóstia consagrada, o Papa Ratti leu em voz alta a passagem em que se suplicava que Deus aceitasse a oferta do altar com a mesma benevolência com que havia aceito uma vez o sacrifício de Abraão. “Todas as vezes que eu leio as palavras ‘o sacrifício de Abraão’ – disse –, não posso evitar de me comover profundamente. Notem bem: nós chamamos Abraão de nosso patriarca, o nosso antepassado. O antissemitismo é inconciliável com esse elevado pensamento, com a nobre realidade expressa por essa oração… Espiritualmente, somos todos semitas”.

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agosto 30, 2011

A serviço da Igreja.

Os contactos entre a FSSPX e as dioceses estão se multiplicando.

Fonte: Le Salon Beige – 24/08/2011
Tradução: Pale Ideas (os links permanecem em francês).

O padre Daniel Couture, Superior do Distrito da Ásia da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, indica que, para além dos contatos formais entre as instâncias da FSSPX e Roma, existem contactos entre o seu distrito e a Igreja local:

“Há cada vez mais contatos com os sacerdotes. Dou um exemplo: em um país, o bispo enviou dois de seus sacerdotes para uma semana Una Voce, para aprender a Missa Tradicional. Foi na Inglaterra. Mas eu não sei por que, provavelmente, eu acho que havia muitos sacerdotes e eles não tiveram a atenção pessoal que esperavam. Depois de passar esta semana na Inglaterra para aprender a Missa tradicional, eles vieram até nós para começar do zero: “Ensinem-nos a Missa. Podem fazer uma sessão só para ler o latim do missal?”. Portanto, houve isso, há também bispos em alguns países… especialmente nas Filipinas. Não é absolutamente efeito do Motu Proprio, mas certamente está relacionado. Nas Filipinas, onde estamos fazendo uma luta pró-vida com o Padre Onoda que está liderando o combate. Ele lançou uma Cruzada do Rosário e os bispos ficaram impressionados. Alguns bispos vieram almoçar no Priorado e aceitaram mesmo fazer cartas para nós para obter vistos para os nossos filipinos que vão para os conventos, os seminários. Portanto, é muito positivo.

Em outra diocese — foi no ano passado, durante o ano sacerdotal que o Papa dedicou ao sacerdócio – então, foi no final de 2010, um bispo aceitou que um dos nossos sacerdotes fizesse uma conferência para 45 sacerdotes diocesanos sobre o sacerdócio. Haverá certamente resultados dessa conferência, pois foi muito apreciada… Esse arcebispo disse-me recentemente: “Fale a meus sacerdotes sobre o breviário, fale com eles sobre a importância do breviário, a importância da hora santa”. Há uma terrível falta de oração… E, então, o que foi interessante é que esse arcebispo vira-se para nós: “Ensine meus padres a dizer o breviário!” ou “Fale com eles sobre a importância do breviário!” Nós estamos a serviço da Igreja e, portanto, a serviço, aqui e ali – que começa agora e certamente vai crescer -, dos bispos que não sabem onde ir para ajudar os seus sacerdotes… Nós até estamos ensinando os padres a rezar a missa tradicional em chinês”.

Também em França, vemos alguns contato (aqui, aqui e aqui).

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agosto 30, 2011

Casa geral da Fraternidade São Pio X: Dom Fellay será recebido pelo Cardeal Levada em 14 de setembro de 2011.

Por DICI (órgão de imprensa da FSSPX) | Tradução: Fratres in Unum.com

O Cardeal William Joseph Levada, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, convidou Dom Bernard Fellay, Superior Geral de Fraternidade São Pio X, e seus dois assistentes, o Padre Niklaus Pfluger e o Padre Alain-Marco Nély, para encontrá-lo no Palácio do Santo Ofício, em 14 de setembro de 2011. Em sua carta de convite, o Cardeal Levada indicava que este encontro tinha por primeiro objetivo fazer um balanço das conversações teológicas realizadas pelos peritos da Congregação da Fé e Fraternidade São Pio X, no decorrer de dois anos acadêmicos decorridos, e de considerar, em seguida, as perspectivas de futuro.

Visando permitir a realização deste balanço, as conclusões das conversações teológicas redigidas pelos peritos das duas partes foram dirigidas aos seus respectivos superiores. É assim que Dom Fellay recebeu, no fim de junho, o documento que será objeto do encontro de 14 de setembro.

Sobre as perspectivas de futuro, a carta do Cardeal Levada não dá nenhum detalhe, mas alguns — na imprensa e noutro lugar… – se acreditam autorizados a sugerir hipóteses, falando da proposta de um protocolo de acordo sobre a interpretação do Concílio Vaticano II, e prevendo a instituição de uma prelazia ou um ordinariato… Estas hipóteses são virtuais e vinculam apenas os seus autores. A Fraternidade São Pio X se atém aos atos oficiais e aos fatos comprovados.

Como recordava Dom Alfonso de Galarreta por ocasião das últimas ordenações sacerdotais em Ecône: “Nós somos católicos, apostólicos e romanos. Se Roma é a cabeça e o coração da Igreja Católica, sabemos que necessariamente (…) a crise se resolverá em Roma e por Roma. Conseqüentemente, o pouco de bem que façamos em Roma é muito maior que o muito de bem que façamos noutro lugar”. É com esta convicção interior que Dom Fellay atenderá ao convite do Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. (Fonte: FSSPX/MG – DICI de 30/08/11)

 * * *

Nota do editor: parece-nos difícil não ver na expressão “outro lugar…”, com enigmáticas reticências, uma referência a Dom Richard Williamson, bispo da própria Fraternidade. Sua Excelência vem, em suas últimas colunas semanais distruibuídas por e-mail (ou seja, um agente distinto da imprensa), aventando hipóteses e conjecturando sobre o futuro da obra de Dom Lefebvre.

agosto 30, 2011

Fellay em breve com o Papa.

Por Romano Libero – Golias | Tradução: Fratres in Unum.com

O calor intenso tão surpreendente quanto devastador deste verão poderia nos fazer esquecer o que se prepara por detrás dos cerrados muros dos sagrados palácios. Com efeito, há várias semanas, a hipótese de uma reconciliação com os antigos lefebvristas, reunidos ao redor da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, conduzida pelo bispo Bernard Fellay, seu superior, parece, apesar do ponto delicadíssimo e altamente explosivo do encontro de Assis convocado para este outono por Bento XVI, ser novamente levantado.

Acabamos de tomar conhecimento de uma notícia muito importante. Em 14 de setembro próximo, Dom Bernard Fellay irá, de fato, a Roma. Deveria, em particular, se realizar o balanço das negociações doutrinais conjuntas do ano passado, cuja conclusão seria favorável a uma reconciliação, tendo por base uma leitura minimalista do Vaticano II. Ao longo dos intercâmbios, os dois lados (Roma e integristas) estariam de acordo sobre uma vontade de consenso substancial quanto aos critérios de ortodoxia doutrinal, ao mesmo tempo, colocando entre parênteses, de certa forma, os elementos delituosos do Vaticano [II], que dependem de uma justa interpretação e não constituiriam, de maneira alguma, objetos obrigatórios de uma adesão. Em contrapartida a esta relativização pelo Vaticano da importância do último Concílio, o lado integrista adotaria uma atitude mais positiva para com este último. A Comissão “Ecclesia Dei” — presidida oficialmente pelo Cardeal americano William Levada, mas, na realidade, conduzida pelo Secretário, Mons. Guido Pozzo, um ratzingeriano convicto — trabalha há anos aplanando os caminhos da reconciliação.

Além deste aspecto propriamente doutrinal, coloca-se, naturalmente, a questão de saber qual forma concreta poderia revestir o reconhecimento dos integristas. Fala-se cada vez mais de uma prelazia pessoal, muito semelhante ao estatuto do Opus Dei, ou então de um Ordinariato semelhante ao concedido aos anglicanos reintegrados, o que daria uma autonomia completa ou quase aos integristas aderidos e, sobretudo, lhes permitiria escapar dos bispos locais. Uma perspectiva que, evidentemente, não encanta muito a estes últimos. Algo que se pode facilmente compreender.

Num futuro próximo, o Vaticano deveria apresentar a Dom Fellay diferentes protocolos de entendimentos que traçariam um horizonte aberto de consensos sobre o fundo, preconizando uma espécie de releitura do Vaticano II em conformidade com a tradição. Noutros termos, uma espécie de revisão do Vaticano II que limaria as arestas menos apreciadas pelos integristas.

No entanto, o desenlace deste encontro de cúpula entre Bento XVI e Dom Bernard Fellay, que será marcado certamente pela cortesia, poderia também ser um certo impasse. De fato, o efeito integrista deve contar com a sua própria ala direita, pouco disposta ao menor dos compromissos, nem mesmo o de demonstrar uma humildade que se imporia. Pelo contrário, estes radicais do integrismo lançam a contraproposta e não digeriram — é um eufemismo — a reunião de Assis que ocorrerá em outubro próximo. E Dom Bernard Fellay teme o descrédito em seu próprio campo, caso desse a impressão de ter se esmagado diante de Roma, de ter liquidado a defesa da fé e da tradição. E de ter suscitado, além disso, uma divisão no seio de seu próprio campo. Em outros termos, sua margem de manobra será estreita em 14 de setembro.

agosto 30, 2011

“Eliminar do rito aqueles elementos que são típicos de Roma”.

Por Messa in Latino | Tradução: Fratres in Unum.com

Dom Piero Marini, atualmente Presidente do Pontifício Comitê para os Congressos Eucarísticos Internacionais, teve a sorte (para ele, não para os pobres fiéis católicos) de ser, por 20 anos ao todo, o Mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias (na foto ao lado, uma de suas últimas – por sorte — performances em 2007, na Áustria, com o pobre Bento XVI, que o demitiu pouco depois).

Há alguns meses, pelas Edições San Paolo, ele publicou um livro entrevista dedicado à figura de João Paulo II e, evidentemente, às suas teses litúrgicas (Piero Marini, Io sono un Papa amabile. Giovanni Paolo [Eu sou um Papa amável. João Paulo], Edições San Paolo) [já falamos outrora deste livro aqui]. A edição, sob a forma de entrevista com o jornalista Bruno Cescon, é um interessantíssimo resumo de suas idéias em matéria de liturgia e da influência que ele alega ter tido, neste contexto, sobre João Paulo II.

O livro, na verdade, é também a história de sua vida, particularmente, de quando se tornou – coma penas 23 anos – colaborador e depois secretário de Mons. Bugnini.

Numa primeira leitura, percebemos que, freqüentemente, algumas de suas idéias parecem ir na direção de João Paulo II, dando a impressão de que estas idéias fossem do próprio Papa, algo muitas vezes não verdadeiro. Por exemplo, é atribuído ao Papa uma suposta admiração e simpatia para com o Arcebispo de San Salvador, Oscar Romero, admiração e simpatia não sustentadas pelos fatos: é efetivamente conhecido o contraste entre o bispo e João Paulo II, principalmente por causa de um certo apoio inicial de Romero à teologia da libertação de matriz marxista.

Há também ainda exemplos interessantes relacionados à vida do Papa: o fato de ser um homem de oração, a sua devoção fortíssima para com o Santíssimo Sacramento — horas e horas de joelhos — e à Maria Santíssima.

Mas o que queremos destacar é a idéia de fundo de Monsenhor Marini — segundo ele, para seguir as disposições do Vaticano II, mas nenhuma disposição do Concílio mesmo prevê tudo isso — de marcar “a passagem de uma liturgia romana caracterizada pela uniformidade (uniformidade da lingüa e fixidez das rubricas) para uma liturgia mais próxima à sensibilidade do homem moderno, aberta à adaptação e às culturas, expressão de uma Igreja-comunhão que considera a diversidade não como um elemento em si negativo, mas como possível enriquecimento da unidade”. “As liturgias se tornaram, por assim dizer, flexíveis. Foi concedido a lingüa vulgar segundo as várias culturas. Não temos mais o problema da identidade, mas sim o da pluralidade, reavaliada como enriquecimento. Redescrobrimos a multiplicidade das  lingüas e a possibilidade de uma adaptação”. “No âmbito de reforma, preocupou-se [o Consilium -- comitê responsável pela reforma litúrgica pós-Vaticano II] em eliminar do rito aqueles elementos que eram típicos de Roma. No ordo romano, para citar apenas alguns exemplos, usavam-se sete castiçais porque Roma era dividida em sete colinas; se usava o manípulo para indicar a presença das diversas igrejas; se celebrava as quatro têmporas, ligadas à benção dos campos e a cultura camponesa”. Como se vê, se quis, assim, desromanizar o rito romano e fazer, como felizmente sintetiza o grande liturgista Klaus Gamber, o venerado Rito Romano – de pelo menos 15 séculos de antiguidade – se tornar um “Ritus Modernus”. O que ele chama de “adaptação”, desejada por Mons. Bugnini, na verdade desmantelou quase completamente uma estrutura “suavemente” restaurada ao longo dos séculos.

Felizmente para nós, Dom Piero Marini já não é o Mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias, substituído pelo quase homônimo Monsenhor Guido Marini, completamente diferente — e incomparavelmente melhor — em idéias e práticas litúrgicas. Agora foi “exilado” à Presidência do Pontifício Comitê para os Congressos Eucarísticos Internacionais, ofício privado – ao menos por ora – de qualquer relevância eclesial.

Esperamos que continue assim…

(destaques do original)

agosto 29, 2011

Brasil, “Duelo teológico” entre JMJ, Concílio e a Teologia da Libertação.

Os jesuítas brasileiros organizam um congresso internacional sobre a teologia da libertação, programado para ocorrer entre 8 e 11 de outubro, exatamente um ano antes da grande reunião mundial dos jovens.

Giacomo Galeazzi – Vatican Insider | Tradução: Fratres in Unum.com

Leonardo Boff e Jon Sobrino.

Leonardo Boff e Jon Sobrino.

Agitação no país com mais católicos no mundo. A sede da próxima JMJ (Rio de Janeiro, de 18 a 23 de julho de 2013) foi anunciada por Bento XVI na conclusão da mega reunião de Madri. E enquanto a Santa Sé designa ao Brasil a Jornada Mundial da Juventude de 2013, os jesuítas brasileiros organizam um congresso internacional sobre a teologia da libertação, programado para ocorrer entre 8 e 11 de outubro de 2012.

Como na Espanha, também no Brasil o “Woodstock católico” será precedido pelas “Jornadas Diocesanas”, isto é, a confraternização entre as dioceses do país anfitrião e aquelas dos países de onde virão os jovens. Enquanto isso, um ano antes da JMJ, os “adversários teológicos” de Joseph Ratzinger (que como prefeito do antigo Santo Ofício havia reconduzido à ordem os teólogos da libertação que tinham se inclinado em direção ao marxismo) voltam à cena através de um congresso mundial dedicado à esquerda terceiro-mundista católica. Os responsáveis pela promoção no sul do Brasil são os Jesuítas da “Humanitas Unisinos”, o instituto da Universidade Unisinos especializado em diferentes áreas de estudo: antropologia, direito, teologia, ciências sociais e políticas, filosofia e música.

A universidade jesuíta do Vale do Rio dos Sinos (quarenta mil estudantes) é um prestigioso centro difusor de cultura para toda a América do Sul, e recentemente promoveu uma série de seminários internacionais para analisar o projeto de globalização desenvolvido pela Companhia de Jesus desde os primórdios até a época contemporânea, com suas repercussões ao longo dos séculos. O objetivo, em particular, é se concentrar na ação e na participação da ordem religiosa na formação e difusão da cultura moderna, e em seu rol espiritual e cultural no Brasil e na América hispânica através do apostolado missionário e do compromisso educativo. O país com a maior quantidade de católicos no mundo (140 milhões) se encontra na situação de ter que lidar com uma difícil convivência entre a Igreja Católica e as chamadas seitas de matriz cristã (em sua maioria, pentecostais) que reúnem cada vez mais fiéis, sobretudo nas camadas mais baixas da população. Em maio de 2007, o primeiro encontro do Papa com os jovens colocou em evidência as dificuldades que atravessa a Igreja Católica no Brasil: os organizadores esperavam por setenta mil jovens (quarenta mil no estágio e trinta mil fora).

Na realidade, os números foram definitivamente inferiores: no estádio ficaram vários espaços e lugares vazios, enquanto que na parte de fora os jovens eram poucos. No total, os participantes foram 35 mil, segundo os dados fornecidos pelos próprios organizadores: não muito, quando se tem em conta que São Paulo tem 11 milhões de habitantes. Do todo modo, o estilo Ratzinger, sóbrio e essencial, se impôs também na viagem de 2007 ao Brasil. O Papa não se preocupou com os números, mas se concentrou na mensagem. Despreocupado com as deserções, Bento XVI dirigiu aos jovens um discurso longo e desafiante, no qual lhes convidou a deixar de lado os medos e a ter confiança em Cristo, guardar a castidade e defender o valor do matrimônio, reagir à violência e evitar toda forma de corrupção. A única concessão aos temas mais sentidos pelos jovens: o pedido de salvar a Amazônia, juntamente com a oferta de duzentos mil dólares doados pelo Papa para salvar a mata e para projetos de desenvolvimento das populações indígenas. De resto, Bento XVI não buscou o consenso, mas se esforçou em lançar mensagens claras. A visita incluiu a missa de canonização, em São Paulo, do beato Frei Galvão (o primeiro santo nascido no Brasil) e o encontro no santuário mariano de Aparecida (a 170 quilômetros de São Paulo) para a inauguração da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, que foi a razão principal da viagem do Pontífice ao Brasil. “Junto a outras organizações teológicas – explica Moisés Sbardelotto, porta-voz do Instituto ‘Humanitas Unisinos’,– nossa universidade está organizando um congresso teológico continental para 2012, que ocorrerá nas dependências da universidade, para celebrar o 50º aniversário de convocação do Concílio Vaticano II e o 40º aniversário da publicação do livro de Gustavo Gutierrez, Uma teologia da libertação. Mas a idéia, observa Moisés Sbardelotto, “não é somente a de celebrar a memória, mas também a de propor novas perspectivas para uma teologia progressita do continente americano”.

Ontem foi lançado oficialmente o sítio do evento em inglês e espanhol (http://www.unisinos.br/eventos/congresso-de-teologia/), e os organizadores estão planejando “reunir teólogos como o próprio Gustavo Gutierrez, Leonardo Boff, Jon Sobrino e outros ‘pais’ da Teologia da Libertação”. “Será um momento muito especial para nossa Igreja – afirma Moisés Sbardelotto –. E confiamos que também na Europa haja interesse em divulgar esta boa nova do Espírito”.

Em maio de 2007, uma incomum batalha judicial acompanhou o encontro de Bento XVI com os jovens brasileiros. Os organizadores haviam escolhido o pequeno estádio municipal do Pacaembu para este encontro, um dos momentos mais significativos da visita do Papa a São Paulo, no Brasil. Mas, apenas duas semanas antes, o mesmo estádio havia sido palco de um grande encontro promovido por uma das igrejas pentecostais que estão atraindo uma quantidade cada vez maior de fiéis arrancados da Igreja Católica (nos últimos trinta anos, a porcentagem de católicos brasileiros, sobre o total da população, caiu de 91,7 a 73,8 %, ao passo que a porcentagem de fiéis das igrejas protestantes evangélicas subiram de 5,5 a 17,9%). Os pentecostais haviam organizado um evento muito concorrido de música e oração, que tinha paralizado completamente a região. Por este motivo, os residentes recorreram à justiça federal, pedindo que o encontro com o Papa fosse cancelado ou transferido para outro lugar, a fim de evitar que em poucos dias o bairro se encontrasse novamente submergido no caos.

Não houve o que fazer: o governo interveio para contestar, afirmando que o encontro com o Papa era de interesse nacional e que se desenvolveria de qualquer modo. Por outro lado, teria sido incrível se, a menos de dez dias da visita de Bento XVI, o encontro com os jovens fosse cancelado por causa de uma associação de bairro. O episódio, entretanto, foi sintomático do díficil clima que se respira na Igreja e na sociedade brasileira. Os cristãos de base atribuem a João Paulo II e a seu guardião da ortodoxia, Joseph Ratzinger, o haver “normalizado”, nos anos 80 e 90, o clero e o episcopado sul-americano, e de tê-lo enchido de expoentes do Opus Dei e dos Legionários de Cristo, marginalizando aqueles teólogos da libertação que haviam desviado muito para a esquerda o centro de gravidade da Igreja, dialongando com aquele comunismo que, por sua vez, o Vaticano estava combatendo no Leste Europeu. E a atual, dramática hemorragia de fiéis para as seitas evangélicas seria o fruto também da marginalização dos sacerdotes que estavam mais em contato com as classes populares e com as massas das favelas.

* * *

[Atualização: 29 de agosto de 2011, às 08:26] Após realizarmos esta tradução no domingo, chegamos, na manhã desta segunda-feira, ao conhecimento da seguinte matéria:

Publicamos aqui a nota de esclarecimento enviada ao jornalista italiano Giacomo Galeazzi, do sítio Vatican Insider e do jornal La Stampa, após a publicação da notícia Brasil, ‘duelo teológico’ entre JMJ, Vaticano II e teologia da libertação, que esteve em destaque na capa do sítio Vatican Insider, pubicado em italiano, inglês e espanhol, neste domingo (imagem abaixo).

A notícia fazia referência ao Congresso Continental de Teologia, que será realizado na Unisinos em 2012, e contém importantes imprecisões, às quais a nota enviada faz referência.

Eis o texto.

Estimado Sr. Galeazzi,

A partir da publicação da notícia «Brasile, “duello teologico” tra Gmg, Vaticano II e teologia della liberazione», em destaque neste domingo na página inicial do sítio Vatican Insider, esclarecemos:

1. O Congresso Continental de Teologia não é organizado pelos “jesuítas brasileiros”, nem pela Unisinos, universidade jesuíta. A idealização e a promoção do evento são da Fundación Ameríndia (www.amerindiaenlared.org), que convidou diversas outras instituições para colaborar na preparação e na organização do evento. Dentre elas, encontram-se: Conferência Latino-Americana de Religiosos (CLAR, Colômbia); Instituto Teológico-Pastoral para América Latina (Itepal, Colômbia); Pontifícia Universidade Javeriana (PUJ, Colômbia); Red Teológico-Pastoral (Guatemala); Sociedade de Teologia e Ciências da Religião (Soter, Brasil), Agência de Informação Frei Tito para a América Latina (Adital, Brasil); Associación de Teólogos de México (ATEM, México).

2. Essas diversas organizações convidaram a Unisinos para sediar este evento acadêmico. Isso se deu por intermédio do Instituto Humanitas UnisinosIHU. Afirmar que ‘os jesuítas brasileiros’ organizam o evento é um despropósito.

3. O Congresso quer celebrar os 50 anos de convocação do Concílio Vaticano II e os 40 anos da publicação do livro de Gustavo Gutiérrez Teologia da Libertação. Perspectivas.

Os seus leitores merecem este esclarecimento. Esperamos que lhes seja concedido.

Agradecemos a atenção e lhe enviamos as nossas saudações.

agosto 28, 2011

Não às coroinhas – a decisão da catedral de Phoenix abre um debate em toda a Igreja.

Por Religión en Libertad

Tradução e créditos: OBLATVS

Parecia uma decisão local, mas até um cardeal toma partido sobre a permissão de 1994 que admite as meninas ao serviço do altar.

Na semana passada o reitor da Catedral de São Simão e São Judas em Phoenix (Arizona, Estados Unidos), Pe. John Lankeit, anunciou que não mais permitiria que as meninas atuassem como “coroinhas”.

Adoração Eucarística com o Papa Bento XVI no Hyde Park, Londres. "É muito louvável que se conserve o benemérito costume de que crianças ou jovens, denominados normalmente assistentes (coroinhas)... A esta classe de serviço ao altar podem ser admitidas meninas e mulheres, de acordo com o critérios do Bispo diocesano e observando as normas estabelecidas (Instrução Redemptionis Sacramentum, 47).

Adoração Eucarística com o Papa Bento XVI no Hyde Park, Londres. "É muito louvável que se conserve o benemérito costume de que crianças ou jovens, denominados normalmente assistentes (coroinhas)... A esta classe de serviço ao altar podem ser admitidas meninas e mulheres, de acordo com o critérios do Bispo diocesano e observando as normas estabelecidas (Instrução Redemptionis Sacramentum, 47).

Não é uma decisão pioneira, pois uma medida semelhante já havia sido tomada em dioceses americanas como as de Lincoln (Nebraska) e Ann Harbor [Lansing] (Michigan), mas desta vez a repercussão da notícia foi se estendendo até adquirir primeiro ressonância nacional, e depois mundial.

E não por seu alcance, muito limitado, pois nem sequer toda a diocese de Phoenix a fez sua, apesar da importância do templo catedralício. E ainda, vários párocos se apressaram em declarar que não iriam seguir este exemplo. O que deu lugar a polêmica em outros lugares é a razão aduzida por Lankeit, que tem sim valor universal e provocou um debate fora das fronteiras de sua paróquia.

Prejudica as vocações?

Segundo a nota publicada pelo reitor, e que se acha no site da diocese, trata-se de animar os meninos e meninas a servir a Deus de forma diferenciada e complementar, eles como coroinhas, elas como sacristãs, porque diversas experiências levam a concluir que o acesso das meninas à condição de coroinhas está diminuindo as vocações sacerdotais… e também as vocações religiosas femininas.

De fato, e é o exemplo seguido por Lankeit, as duas dioceses que o precederam experimentaram um incremento de vocações de ambos os tipos depois de proibir “as” coroinhas.

Por quê? Segundo o reitor da Catedral de Phoenix, a condição de coroinha tem sido tradicionalmente uma sementeira de sacerdotes, e inclusive antes da existência dos seminários, tal como os conhecemos hoje, em alguns casos era o caminho ordinário para a primeira formação dos presbíteros. Entre 80% e 95% dos sacerdotes foram coroinhas alguma vez durante sua infância.

Ser coroinha não é um direito.

Mas ao converter-se numa função que meninos e meninas indistintamente podem desempenhar, sua vinculação com a vocação sacerdotal, exclusivamente masculina, se atenua fortemente.

“Posso entender que as pessoas se irritem se enfocam a questão do ponto de vista emocional, porque a convertem numa questão de direitos, e parece que se está negando direitos a alguém”, antecipa-se Lankeit à crítica. “Mas”, continua, “nem eu como católico tinha direito ao sacerdócio, nem tampouco o tinha quando era seminarista, pois estava provando minha vocação e era à Igreja a quem competia discerni-la”. Com maior razão não se pode falar de um direito a ser coroinha… ou “uma” coroinha.

A presença de mulheres no serviço do altar começou a introduzir-se nos Estados Unidos em meados dos anos oitenta como abuso. A Igreja não aceitou tal introdução oficialmente até 1994 ao afrontar a questão tão logo ela atravessou o Atlântico, recorda William Oddie, influente colunista do Catholic Herald britânico. Paulo VI e João Paulo II eram contrários a esta prática, mas em meados dos anos noventa a Igreja Católica sofria uma campanha midiática muito forte pela negação do sacerdócio feminino, e cedeu neste ponto como exceção, ainda que mantivesse que a norma era animar os meninos a assumir esta função.

A opinião do influente Vingt-Trois.

Mas, internacionalizando o debate, Oddie acrescenta mais uma opinião: a do hoje cardeal de Paris, André Vingt-Trois. Deu-a privadamente ao mesmo Oddie no final dos anos noventa, quando Dom Vingt-Trois era arcebispo de Tours. Durante um jantar comentaram o fato de que, na maioria das paróquias de Paris, não somente as leituras eram feitas majoritariamente por mulheres, como também eram as meninas que quase exclusivamente serviam ao altar.

“O arcebispo Vingt-Trois disse que talvez o sacerdote não tivesse escolhido que todos os seus coroinhas fossem meninas. ‘Quando chegam as meninas’, disse, ‘os meninos desaparecem’. E foi muito categórico ao afirmar que, ainda que houvesse outras causas, um dos fatores que contribuíam para a redução das vocações era este”.

Um testemunho de uma década, e do influente presidente da conferência episcopal francesa, parece pois corroborar os argumentos do reitor Lankeit em Phoenix, onde o debate, agora internacionalizado, continua.

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agosto 28, 2011

Faleceu Dom Bruno Gamberini, arcebispo de Campinas.

Faleceu hoje Dom Bruno Gamberini, arcebispo metropolitano de Campinas, no Hospital Bandeirantes, em São Paulo. O arcebispo, de apenas 61 anos, foi nomeado ordinário de Campinas em 2004, pelo Papa João Paulo II.  Sua Excelência faleceu por falência múltipla de órgãos e seu estado de saúde era crítico desde junho, quando sofreu complicações no fígado e no rim devido ao diabete. Requiem aeternam dona ei, Domine, et lux perpetua luceat ei. Requiescat in pace. Amen.

agosto 28, 2011

Foto da semana.

Madri, Jornada Mundial da Juventude 2011 - O batalhão do Papa: Bento XVI saúda seus fortes e corajosos guardas. Exércitos da Terra, tremei!

Madri, Jornada Mundial da Juventude 2011 - O batalhão do Papa: Bento XVI saúda seus fortes e corajosos guardas. Exércitos da Terra, tremei! Foto: El País.

 

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