“Eliminar do rito aqueles elementos que são típicos de Roma”.

Por Messa in Latino | Tradução: Fratres in Unum.com

Dom Piero Marini, atualmente Presidente do Pontifício Comitê para os Congressos Eucarísticos Internacionais, teve a sorte (para ele, não para os pobres fiéis católicos) de ser, por 20 anos ao todo, o Mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias (na foto ao lado, uma de suas últimas – por sorte — performances em 2007, na Áustria, com o pobre Bento XVI, que o demitiu pouco depois).

Há alguns meses, pelas Edições San Paolo, ele publicou um livro entrevista dedicado à figura de João Paulo II e, evidentemente, às suas teses litúrgicas (Piero Marini, Io sono un Papa amabile. Giovanni Paolo [Eu sou um Papa amável. João Paulo], Edições San Paolo) [já falamos outrora deste livro aqui]. A edição, sob a forma de entrevista com o jornalista Bruno Cescon, é um interessantíssimo resumo de suas idéias em matéria de liturgia e da influência que ele alega ter tido, neste contexto, sobre João Paulo II.

O livro, na verdade, é também a história de sua vida, particularmente, de quando se tornou – coma penas 23 anos – colaborador e depois secretário de Mons. Bugnini.

Numa primeira leitura, percebemos que, freqüentemente, algumas de suas idéias parecem ir na direção de João Paulo II, dando a impressão de que estas idéias fossem do próprio Papa, algo muitas vezes não verdadeiro. Por exemplo, é atribuído ao Papa uma suposta admiração e simpatia para com o Arcebispo de San Salvador, Oscar Romero, admiração e simpatia não sustentadas pelos fatos: é efetivamente conhecido o contraste entre o bispo e João Paulo II, principalmente por causa de um certo apoio inicial de Romero à teologia da libertação de matriz marxista.

Há também ainda exemplos interessantes relacionados à vida do Papa: o fato de ser um homem de oração, a sua devoção fortíssima para com o Santíssimo Sacramento — horas e horas de joelhos — e à Maria Santíssima.

Mas o que queremos destacar é a idéia de fundo de Monsenhor Marini — segundo ele, para seguir as disposições do Vaticano II, mas nenhuma disposição do Concílio mesmo prevê tudo isso — de marcar “a passagem de uma liturgia romana caracterizada pela uniformidade (uniformidade da lingüa e fixidez das rubricas) para uma liturgia mais próxima à sensibilidade do homem moderno, aberta à adaptação e às culturas, expressão de uma Igreja-comunhão que considera a diversidade não como um elemento em si negativo, mas como possível enriquecimento da unidade”. “As liturgias se tornaram, por assim dizer, flexíveis. Foi concedido a lingüa vulgar segundo as várias culturas. Não temos mais o problema da identidade, mas sim o da pluralidade, reavaliada como enriquecimento. Redescrobrimos a multiplicidade das  lingüas e a possibilidade de uma adaptação”. “No âmbito de reforma, preocupou-se [o Consilium -- comitê responsável pela reforma litúrgica pós-Vaticano II] em eliminar do rito aqueles elementos que eram típicos de Roma. No ordo romano, para citar apenas alguns exemplos, usavam-se sete castiçais porque Roma era dividida em sete colinas; se usava o manípulo para indicar a presença das diversas igrejas; se celebrava as quatro têmporas, ligadas à benção dos campos e a cultura camponesa”. Como se vê, se quis, assim, desromanizar o rito romano e fazer, como felizmente sintetiza o grande liturgista Klaus Gamber, o venerado Rito Romano – de pelo menos 15 séculos de antiguidade – se tornar um “Ritus Modernus”. O que ele chama de “adaptação”, desejada por Mons. Bugnini, na verdade desmantelou quase completamente uma estrutura “suavemente” restaurada ao longo dos séculos.

Felizmente para nós, Dom Piero Marini já não é o Mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias, substituído pelo quase homônimo Monsenhor Guido Marini, completamente diferente — e incomparavelmente melhor — em idéias e práticas litúrgicas. Agora foi “exilado” à Presidência do Pontifício Comitê para os Congressos Eucarísticos Internacionais, ofício privado – ao menos por ora – de qualquer relevância eclesial.

Esperamos que continue assim…

(destaques do original)

11 Comentários to ““Eliminar do rito aqueles elementos que são típicos de Roma”.”

  1. Estive em Roma há poucos dias, antecedendo a JMJ Madrid e por lá (conversando com alguns), ao se falar que o Cardeal Antonio Cañizares iria a Espanha com o Papa, correram rumores (utopia desejosa dos progressistas) que depois desse “esquecimento” pelo qual passa o Arcebispo Marini, certamente o lugar que lhe caberia era o de capo do Culto Divino.
    Há ainda o velho desejo público de Monsenhor Piero Marini ocupar a Sé Patriarcal de Veneza, ainda mais agora que a mesma se encontra vacante.
    Certo é que onde Marini (o Piero) for parar, vai causar um enorme estrago (ao seu estilo) na liturgia.

  2. Olá Ferretti, sei que não tem muito haver com a notícia mas soube a pouco que o Santo Padre nomeou o novo Grão Mestre da Ordem do Santo Sepulcro, no lugar do Cardeal Foley será o Arcebispo Edwin O’Brien, de 72 anos de idade, até agora arcebispo de Baltimore, sede primaz dos Estados Unidos.
    A notícia parece que nem saiu no boletim diário mas com isso certamente esperasse a nomeação, certamente muito muito boa, para Baltimore como tem ocorrido em todo os Estados Unidos.

    http://www.archbalt.org/

    http://www.news.va/en/news/cardinal-foley-retires-from-order

  3. Pobre Papa, vestido como um palhaço do Cirque Du Soleil…

  4. O Papa não está vestido como um palhaço do Cirque du Soleil! É que na Áustria se costuma usar paramentos azuis.

    Veja este artigo

    http://oblatvs.blogspot.com/2009/12/paramentos-azuis.html

  5. è…espero que pelo menos no próximo congresso eucaristico internacional não seja ” seu gosto”.

  6. Não só eliminar o que é romano, mas ACRESCENTAR o que é latino-americano, africano, ameríndio, baiano, gaúcho, etc.

    Numa conversa orkutiana com um “arquiteto sacro”, este me questionou: “Por que temos que ser tão romanos e tão pouco baianos?”

    O frouxo argumento dos defensores da inculturação litúrgica é o de que a liturgia romana está distante da “cultura popular brasileira” e de suas manifestações folclóricas, e assim justificam os “ritos” caipira, nordestino, gauchesco, e os gestos de dança etc.

    Gregos, eslavos e orientais são povos alegres e dançantes, tanto ou mais que africanos e brasileiros. Alguém já viu uma “missa cossaca” entre os russos? Ou uma Liturgia grega onde se dance a “dança do Zorba”? Ou mesmo uma missa maronita com Dança do Ventre? Porque nós brasileiros temos que ser “melhores”, com missas a samba, baião, vaneirão e moda-de-viola? São questões que eles não respondem.

  7. Pedro, para os que adoram as “missas afro” é conveniente lembrar do rito etíope, que por sinal não tem nem berimbaus, nem atabaques, nem exus e nem samba.

  8. Eles na verdade querem é ridicularizar a santa missa, com pretexto de eliminar o que é “romano”. A perda de fé é o início da derrocada do homem.

  9. Eu fico doente de ver a cegueira de muitas pessoas, o Papa não é “OBRIGADO” a nada!!! Ele QUER caminhar na direção apontada pelO malfadado CVII (o que é bem diferente), (DUVIDO QUE SE FOSSE COM S. PIO X OU PIO XII ELES USARIAM) rezemos suplicando à Ssma, Virgem que alcance do Divino Espírito Santo a graça de uma FÉ firmíssima e uma grande santidade de vida para o Santo Padre, afim de que ele governe a Santa Madre Igreja como convém em meio a essa crise medonha…

  10. O único que deveria ser eliminado deveria ser este lastimável arcebispo, que até palestra na Basílica do Bonfim, já deu…