A verdadeira face de Dom Lefebvre. Novo livro de Cristina Siccardi.

Mestre em Sacerdócio, mestre na fé, aquele que salvou a Missa de sempre…

Fonte: Una Fides | Tradução: Giulia d’Amore di Ugento

Monsenhor Marcel Lefebvre nasceu em 29 de novembro de 1905, em Tourcoing (Norte da França), e morreu em Martigny (Valais, Suíça), em 25 de março de 1991. Arcebispo católico de Dakar e Delegado Apostólico para a África francesa, é nomeado Bispo de Tulle[1] em 1962; depois, Superior Geral da Congregação do Espírito Santo. Grande figura entre os representantes da oposição ao Concílio Vaticano II, em 1970 funda a Fraternidade Sacerdotal São Pio X, com a finalidade de preservar o sacerdócio católico.

Menos de um ano após o primeiro livro, “Mons. Marcel Lefebvre: em nome da verdade“, a conhecida escritora católica Cristina Siccardi volta a enfrentar a figura do Bispo francês, fundador da Fraternidade Sacerdotal São Pio X. Este fato já demonstra claramente o notável aumento do interesse por este personagem, controvertido e discutido, mas que deixou uma mensagem no mínimo atual, justo neste momento em que mais e mais vozes se levantam para analisar, de uma nova forma, e anticonformista, o grande fenômeno eclesial do Concílio Vaticano II.

Neste segundo livro, a autora intenta aprofundar sobretudo a espiritualidade e a doutrina de Mons. Lefebvre, evidenciando seu profundo apego à Igreja e à sua Tradição bimilenar.

Antes de tudo, deve-se observar como o trabalho resulte extremamente bem documentado. É baseado, de fato, na consulta direta de manuscritos, a maioria inédita, guardados no Seminário de Ecône. E, justamente observando cuidadosamente tais manuscritos, Siccardi não descuida até mesmo uma análise grafológica dos documentos.

Ao observar e examinar a caligrafia de Mons. Lefebvre, podemos compreender sua personalidade transparente e forte. Escrita de corpo médio, ordenadíssima, fácil de ler e alinhada com regularidade. A folha não é preenchida, são deixada partes em branco, dando um sentido harmônico ao espaço ocupado, as letras são estreitas, mais altas do que largas, simples e essenciais, unidas entre si e são próximas umas das outras” (pp.11-12).

Estes elementos, juntamente com os conteúdos e as notícias biográficas, contribuem à reconstrução da personalidade do Arcebispo.

Tudo isso exprime uma personalidade refinada e elegante, mesmo na humildade e sobriedade. Temperamento enérgico, de líder, obstinado e persuasivo, como de quem sabe se afirmar sem levantar a voz; em suma, com autoridade, mas não autoritário; generosíssimo e capaz de sofrer em silêncio, propenso a apreciar a estima e o afeto. Imediato, intuitivo e lungimirante[2], cheio de iniciativa e capaz de tomar decisões, sabendo envolver os colaboradores” (p.12).

Outra característica importantíssima de sua personalidade era certamente a de organizador. Neste aspecto, Mons. Lefebvre distingue-se e supera, de longe, os outros expoentes do tradicionalismo católico, sabiíssimos e eruditos talvez, mas com pouco senso prático. Sua inata capacidade de envolver os jovens e de formá-los em um espírito de ação autenticamente cristão, era avessa seja ao sectarismo, seja ao compromisso em matéria de Fé e moral.

Este foi provavelmente o segredo que preservou, e continua a preservar a Fraternidade São Pio X, da pulverização que acometeu outros movimentos, mesmo tendo sido obrigado a enfrentar circunstâncias históricas dificílimas e extremamente pesadas.

Folheando as densas páginas do livro, percebe-se claramente qual fosse a específica e mais autêntica vocação do prelado. Assim a resume Cristina Siccardi:

Duas foram as vocações de Monsenhor Marcel Lefebvre: a primeira, aquela amadurecida desde a mais tenra idade, ou seja se tornar um sacerdote. A segunda: formar santos sacerdotes, mantendo a filosofia católica e a teologia de São Tomás de Aquino…” (p. 9).

E os capítulos do livro não fazem outra coisa senão percorrer e aprofundar tal percurso. O sacerdote é um ‘Alter Christus‘, sua principal tarefa é a de santificar os irmãos através da celebração da S. Missa e a dispensação dos sacramentos. Ele deve ser necessariamente todo de Deus e, portanto, não se podem conciliar com seu papel nem o casamento nem a excessiva dependência aos bens deste mundo. Muito significativos, nesse sentido, os capítulos intitulados: “Deus não precisa de tocadores de bandolim” (p. 38), “O profundo significado da batina” (p. 72) e “Sacerdos in aeternum” (p. 86).

Outro ponto central da mensagem de Mons. Lefebvre é, então, certamente, a crítica ao princípio da liberdade religiosa enunciado pela declaração conciliar ‘Dignitatis Humanae‘.

No livro de Cristina Siccardi são relatados, acerca disso, numerosas declarações e escritos que remontam essencialmente aos anos ’70 e ’80. Eis um breve exemplo que se conecta ao princípio que Mons. Lefebvre nunca se cansou de proclamar: a realeza social de Jesus Cristo:
“O Salvador do mundo não é mais chamado a reinar sobre a sociedade porque isto é contrário à dignidade humana de cada povo, cada qual livre de escolher sua própria religião e de não ser ‘importunado’.” (p. 14)
Ele não podia portanto admitir, de modo algum, esta verdadeira destronização de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Prosseguindo a leitura, não faltam também os passos onde a autora repercorre os momentos dolorosos que levaram à excomunhão de 1988. Mesmo aqui, no entanto, ao contrário de uma versão muito creditada pela mídia, Mons. Lefebvre é apresentado como uma pessoa bem diferente do clichê tétrico e intratável adotado por muitos jornalistas.

Frequentemente, ele censurou o “zelo amargo” daqueles que criticam tudo sem o espírito de caridade que consegue, mais do que as palavras, incentivar o comportamentos virtuosos e capazes de dar frutos.

“Precisa absolutamente evitar o zelo amargo, já condenado por São Pio X em sua primeira encíclica, ‘E Supremi’ (04 de outubro de 1903). Nada, pelo contrário, é mais eficaz do que a caridade. ‘Esperar-se-ia em vão de atrair as almas para Deus com um zelo cheio de amargura; repreender duramente os erros e reprovar os vícios com azedume causa frequentemente mais danos do que proveitos’. São Paulo ensina a confutar, a repreender, a exortar, mas acrescenta que é preciso paciência e brandura” (p. 11).

Mas, no fundo, especialmente nos últimos anos muito dolorosos de sua vida, irão pairar sempre, tanto nos escritos como nas homilias, tanto nas pregações dos exercícios espirituais como nas conferências públicas, as dramáticas constatações expressas, com desarmante simplicidade, no famoso sermão de Lille[3], em 1976:

“Pelo contrário, penso que teria sido excomungado se, naquela época, eu tivesse formado seminaristas como eles fazem agora, nos novos seminários; se, naquela época, eu tivesse ensinado o catecismo como é ensinado hoje, teriam me chamado de herege; e, se eu tivesse rezado a Santa Missa como a rezam hoje, teriam me definido como suspeito de heresia, fora da Igreja. Então, eu não entendo. Algo realmente mudou na Igreja!” (p. 9).

Devemos honestamente admitir: ninguém, até hoje, a não ser que se caia no relativismo mais rigoroso, foi capaz de dar respostas críveis a estas simples constatações. Passam-se as décadas, passam os exegetas do Concílio, alternam-se as hermenêuticas, mas ninguém jamais poderá dar respostas capazes de justificar como elementos de continuidade aqueles denunciados por Mons. Marcel Lefebvre.

Talvez seja até por isso que, passados vinte anos de sua morte, a figura deste Bispo continua a atrair todos aqueles que buscam, mesmo com as nossas limitações de seres humanos, a Verdade.

Marco BONGI

Cristina Siccardi: Mestre em Sacerdócio: a espiritualidade de Monsenhor Marcel Lefebvre, ed. SUGARCO, €23,00 (Rico suplemento fotográfico com documentos inéditos).

* * *

Por gentil concessão da Editora SUGARCO, que agradecemos profundamente, publicamos uma prévia do quarto capítulo de Mestre em Sacerdócio. A espiritualidade de Dom Marcel Lefebvre, intitulado:

“Deus não precisa de tocadores de bandolim”

O outro pilar da vida interior de Monsenhor Lefebvre é, como mencionado, Dom Jean-Baptiste Chautard, nascido Gustave. Rapaz vivacíssimo e modelo de acólito, Gustave torna-se catequista formidável e amado pelos malabaristas da feira de Marselha e dedica muitas horas à visitação dos doentes pobres. Um dia sente prepotente a chamada de Deus, que o quer só para si. “Ele resiste o quanto pode – quinze dias – depois se rende” (1). Cartuxo, jesuíta, beneditino? Cada ordem religiosa oferece um lado fascinante para ele, está indeciso… então escolhe, se alista na milícia de São Bernardo, monge solitário. E aquele abade da trapa de Sept-Fons[4] tornar-se-á centro radiante e ativo de toda santa e santificante atividade da Igreja. Seu pai é hostil, não o deixa ir, depois, deve se curvar, mas não quer mais saber dele.

Alguns traços da personalidade de Chautard lembram a determinação e a força de Monsenhor Lefebvre. Tal como de sua grande família trapista o abade é o pai que provê o pão e cura as almas, atingindo tudo e todos, sem descurar nada, assim Monsenhor será o amável pai dos seminaristas da futura Fraternidade São Pio X. Ambos instruem e arrastam: têm um respeito infinito pelas almas que avaliam uma a uma por suas necessidades, predisposições e limitações. Até mesmo na batalha de defesa se assemelham. O primeiro terá de defender com os dentes, com a mesma determinação que usará Lefebvre para as batalhas que susterá, sua ordem ameaçada pela França oprimida pelo liberalismo, que quer suprimir as ordens contemplativas: doze anos de intensa luta, cheia de ardor e de inteligência. “Terá que se insinuar nos círculos políticos, tratar com os homens de toda espécie… se apresentará aos perseguidores tentando esclarecê-los e despertar a sua consciência. Ei-lo diante do grande inimigo, o Tigre, Clemenceau (2). Aquele monge que defende de cabeça erguida, sem medo, o direito de existência para si e para os seus, fala com tanta convicção” (3). Com a mesma energia e o mesmo zelo, Mons. Lefebvre enfrentará as autoridades eclesiásticas: mostrará, às vezes com tons acesos de ardor e paixão, os enganos do Modernismo e os perigos de uma leitura subjetivista das realidades religiosas. Ambos sustiveram a batalha de defesa, um, de seu instituto religioso, o outro, da Fé e da ortodoxia católica, com todos os meios à sua disposição: o sobrenatural neles não exigiu a renúncia a qualquer legítimo meio humano, a qualquer recurso natural. Embora monge, dom Chautard foi forçado a viver, contra a sua vontade, na ação, chegando até a vinte horas de trabalho diário. Ativíssimo foi também Mons. Lefebvre, primeiro como simples sacerdote, depois como missionário no Gabão, Arcebispo de Dakar (4), Delegado Apostólico da África francófona, Bispo de Tulle, Superior da Congregação do Espírito Santo, dinâmico e laborioso padre conciliar, fundador e Superior da Fraternidade São Pio X. “O nome Marcel Lefebvre desperta em muitos antipatia e aversão, na realidade, pelo menos até pouco antes do confronto com Paulo VI, foi considerado no Vaticano durante muitas décadas um dos melhores Bispos, em nível mundial, da Igreja Católica” (5), mas soube igualmente viver em perfeito equilíbrio com a vida contemplativa, tendo aprendido com Chautard que “A verdadeira fecundidade do trabalho apostólico está ligada à santidade do apóstolo” (6) e que “Base de toda ação exterior é uma intensa vida de união com Deus” (7). Em fim, ambos souberam viver com sincera humildade e amável simplicidade. Outra pedra angular da vida de Mons. Lefebvre, fonte de toda sua atividade, foi, como ainda sustenta Chautard, a vontade de Deus. Tudo o que o Bispo francês escolheu e fez foi sempre considerado uma resposta aos desejos e propósitos de Deus: “Cada instante vem até nós carregado de um comando e de um auxílio divinos e vai imergir-se na eternidade para ser, então, sempre, aquilo que nós fizemos dele” (8). Era, portanto, lógico obedecer, cegamente, a Deus e ser-lhe fiel, sempre e a qualquer preço. “Toda manifestação da vontade de Deus é como uma flecha de amor tingida com o sangue divino, que vem do seio da SS. Trindade direto ao nosso coração; e a flecha, apresentando-se à nossa vontade, traz consigo a luz e a força: a graça do momento presente” (9).

A primeira atividade do sacerdote, seja para Chautard que para Lefebvre, foi a própria santificação; a segunda, foi a santificação das almas. Tanto um quanto o outro não aspiraram nunca à polida forma oratória, mas, atentos ao olhar de Deus sobre eles, tornaram-se mestres de pensamento, guias firmes e rigorosos, porque “Deus não precisa de tocadores de bandolim” (10), mas de homens de extrema confiança, de eternas promessas, de comprovada fidelidade, de lealdade genuína, de verdadeiros lutadores; certamente não de gente assonorentada ou “gelatina perfumada” (11) ou de hipócritas e infidos aduladores.

Chautard escreveu uma obra que se tornou um clássico da literatura espiritual, uma verdadeira obra-prima, A alma de todo apostolado. O Beato Giacomo Alberione (1884-1971) escreveu: “Leiam A alma de todo apostolado, em seguida leiam a vida do autor: uma ilumina a outra; em ambas, um calor ardente de vida interior e de vida de apostolado“. Desta obra Monsenhor Lefebvre aproximou-se com vivo interesse, aderiu-lhe e a subscreveu.

“Tu ergo, fili mi, confortare in gratia (12). A graça é uma participação à vida do Homem-Deus. A criatura possui uma certa medida de força – e, em certo sentido, pode-se qualificar e definir uma força –, mas Jesus é a força por essência: nEle está a plenitude da força do Pai, a onipotência da ação divina, e Seu Espírito vem do Espírito de fortaleza.

Em vós, somente, ó Jesus – dizia São Gregório Nazianzeno – está toda a minha força. Fora de Cristo, diz por sua vez São Jerônimo, nada mais sou do que impotência” (13).

Mons. Lefebvre seguiu os cinco caráteres da força de Jesus bem elencados por Chautard, que retomou São Boaventura (1217/1221 ca.-1274), o qual tratou disso no quarto livro do Theologiae Compendium: o primeiro caráter é o de empreender as coisas difíceis e enfrentar com determinação os obstáculos: “Viriliter agite et confortetur cor vestrum” (14). O segundo é o desprezo das coisas do mundo: “Omnia detrimentum feci et arbitror ut stercora” (15). O terceiro é a paciência na tribulação, ou “Fortis ut mors dilectio” (16). O quarto é a resistência às tentações: “Tamquam leo rugiens circuit… cui resitite fortes in fide” (17). O quinto é o martírio interior, assim como o descreve Chautard: “o testemunho, não do sangue, mas da vida que brada ao Senhor: Quero ser toda vossa. E consiste em combater a concupiscência, em domar os vícios e em trabalhar energicamente para a aquisição da virtude: ‘Bonum certamen certavi (18), para tanto poder exclamar com orgulho paulino: Combati o bom combate” (19).

Abeberar-se às fontes espirituais e teológicas de Marmion e de Chautard significou para Mons. Lefebvre, em definitivo, vestir uma couraça tão resistente e impenetrável que nada nem ninguém pudessem riscá-la, e mesmo quando restará sozinho diante do novo que avançava e subvertia, bagunçando os métodos formativos dos seminários usados até então e enterrando, com uma nova e protestantizante liturgia, a Santa Missa de sempre, se expôs com vigor, não temendo nada, porque

enquanto o homem exterior conta com as próprias forças naturais, o homem interior vê nelas apenas auxílios, uteis, sim, mas insuficientes. O sentimento de sua fraqueza e a sua fé no poder de Deus lhe dão, como a S. Paulo, a justa medida de sua força (20). Diante dos perigos que surgem de todos os lados, repete com humilde altivez: Cum infiormor, tunc potens sum. Sem a vida interior, disse São Pio X, faltarão as força para suportar com perseverança os aborrecimentos que acompanham todo apostolado, a frieza e a escassa colaboração dos bons, as calúnias dos adversários e, às vezes, os ciúmes dos amigos e dos companheiros de luta… Somente a virtude paciente, enraizada no bem e, ao mesmo tempo, suave e delicada, é capaz de evitar ou diminuir estas dificuldades” (21).

As palavras de Chautard, ardentes de vida e claramente experimentadas pelo autor, entraram tão profundamente em Mons. Lefebvre que, lendo-as, não é difícil ver diante de nós o pastor de Ecône com sua surpreendente estabilidade, uma estabilidade humanamente impossível de sustentar com todas as pressões que lhe vieram das realidades e autoridades, sejam laicas que eclesiásticas, na tentativa de dobrá-lo e fazê-lo desistir de sua ‘teimosice’, aquela que permitiu à Tradição de ter um seu ‘esconderijo’, um seu bunker, enquanto fora voavam mísseis e caíam bombas…

Com a vida de oração, semelhante à seiva que da videira escorre para os ramos, desce no apóstolo a força divina para fortalecer a inteligência, enraizando-o sempre mais na fé. E o apóstolo, então, progride porque esta virtude ilumina com mais viva luz o seu caminho. Avança resolutamente porque sabe aonde ir e como deve alcançar a sua meta.

Esta divina iluminação é acompanhada por uma tamanha energia sobrenatural de vontade que mesmo o caráter mais fraco e instável se torna capaz de atos heroicos” (22).

É incrível como dom Chautard revele, com tanta naturalidade e simplicidade, os segredos do existir e dê a chave para ter acesso e alcançar, com a perfeição cristã, a felicidade, ainda que na dor. O preço que Mons. Lefebvre pagou, sofrendo inclusive a excomunhão e um repúdio por parte daquela Igreja pela qual ofereceu todo si mesmo, foi o sacrifício que com convicção se dispôs a oferecer, a fim de permanecer ancorado à Igreja de sempre, aquela na qual ele havia entrado e que queria manter tal qual a havia conhecido, sem novas e mundanas maquiagens: “É assim que o manete in me[5], a união com o imutável, com aquele que é o Leão de Judá e o pão dos fortes, explica o milagre da constância invencível e da firmeza tão perfeita que, no admirável apóstolo São Francisco de Sales, se uniam a uma doçura e a uma humildade sem igual“, o Bispo de Genebra, todo veemência contra os hereges, era, no entanto, afabilíssimo com as almas que precisava trazer de volta ao único redil, “O espírito e a vontade se fortalecem com a vida interior, porque é fortificado nela o amor. Jesus o purifica, o dirige e o aumenta gradativamente, fá-lo participar dos sentimento de compaixão, de devoção, de abnegação e de desinteresse do seu adorável Coração. Se este amor cresce até se tornar paixão, então conduz ao máximo desenvolvimento e utiliza em seu benefício todas as forças naturais e sobrenaturais do homem” (23).

Com padre Le Floch, dom Marmion e dom Chautard, o jovem dom Marcel Lefebvre, que foi ordenado no dia 21 de setembro de 1929, em Lille, compreendeu que somente Cristo deve ser o ideal para o sacerdote, e nEle encontra cumprimento toda pequena ou grande aspiração.

NOTAS

1. G.B. Chautard, A alma de todo apostolado, Ed. Paulinas, Milão, 1989, p. 6.

2. Georges Benjamin Clemenceau (1841-1929) nasceu na conservadora Vendée, de uma família fortemente anticlerical e republicana.

3. G.B. Chautard, op. cit., p. 10.

4. Recordamos que o Mons. Lefebvre, depois de ter sido ordenado sacerdote em 1929, foi nomeado vigário em uma paróquia operária de Lille. Entrou na Congregação missionária dos Padres do Espírito Santo, partindo para o Gabão em 1932. Logo que chega à África, foi nomeado professor de Dogmática e de Sagrada Escritura no Seminário Maior de Libreville[6], tornando-se seu diretor em 1934. Em setembro de 1947, foi consagrado Bispo e nomeado Vigário Delegado do Senegal. No ano seguinte, foi nomeado Delegado Apostólico por toda a África francesa. Representante da Santa Sé em 18 Países africanos, era responsável por 45 jurisdições eclesiásticas, dois milhões de católicos, 1.400 sacerdotes e 2.400 religiosas. Em 1955, se tornou o primeiro Arcebispo de Dakar, onde permaneceu até 1962. Após o seu regresso à França, Mons. Lefebvre foi encarregado da pequena diocese de Tulle, onde permaneceu alguns meses porque eleito Superior Geral dos Padres do Espírito Santo. No Concílio Vaticano II, foi um dos animadores do Coetus Internationalis Patrum, um grupo de 250 bispos que tentou opor-se à corrente progressista.

5. M. Stanzione, em Agere Contra.

6. G.B. Chautard, op. cit., p. 15.

7. G.B. Chautard, Ibidem, p. 15.

8. G.B. Chautard, Ibidem, p. 15.

9. G.B. Chautard, Ibidem, p. 15-16.

10. G.B. Chautard, Ibidem, p. 17.

11. G.B. Chautard, Ibidem, p. 17.

12. “Tu, pois, ó meu Filho, tomes vigor na graça” (2Tm 2.1).

13. G.B. Chautard, op. cit., p. 125.

14. “Operai como fortes, e o vosso coração se fortaleça” (Salmo XXX).

15. “Privei-me de todas as coisas e as estimei imundície” (Fp III, 8).

16. “O amor é forte como a morte” (Ct VII, 6).

17. “O diabo qual um leão que ruge vagueia ao redor de vós… resisti-lhe firmes na fé” (I Pe 5,8-9).

18. “Busquei o bom combate“.  G.B. Chautard, op. cit., p. 126.

19. 2Tim 4, 7.

20. “Porque quando estou fraco, então é que sou forte” (2Cor 12, 10).

21. G.B. Chautard, op. cit., pp. 126-127.

22. G.B. Chautard, op. cit., p. 127.

23. G.B. Chautard, op. cit., p. 127.

NOTAS DE TRADUÇÃO

[1] Tulle – a cidade às sete colinas – é uma cidade no sudoeste da França. Seu nove derivaria de “tutela”, que é um poder romano ao qual se confiava os cuidados de pessoas, coisas e lugares. Nasceu por volta do sétimo século ao redor de um mosteiro que foi destruído depois pelos vikings em 846. De seu nome vem o famoso tecido criado por fios que se entrelaçam em uma rede transparente mas estável. Wikipédia.

[2] Preferi deixar o original em italiano, lungimirante, porque em português não há uma tradução satisfatória do termo. É algo como: clarividente, perspicaz, sagaz; que vê longe; que mira ao longe, ao futuro.

[3] Lille é uma cidade no norte de França. Capital da Flandres francesa, foi fundada em 640 por Liderico. Nossa Senhora da Grade é a padroeira da cidade e sua aparição se entrelaça com a história de Liderico. Wikipédia.

[4] Abadia de Sept-Fons, na França, é uma abadia trapista, fundada em 1132, com o nome de Notre Dame de Saint-Lieu.

[5] A expressão “Manete in me” em latim significa: “Permanecei em mim”.

[6] Libreville é a capital do Gabão. Foi fundada em 1849, por escravos libertos a partir de um navio negreiro chamado Elizier, que serviu como ponto de partida para a colonização francesa no Gabão, de Fort Aumale, e se tornou a capital do Congo Francês, antes de perder esse estatuto em favor de Brazzaville em 1904. Wikipédia.

7 Comentários to “A verdadeira face de Dom Lefebvre. Novo livro de Cristina Siccardi.”

  1. Grande sacerdote. Transmitiu o que recebeu.

  2. Grande Dom Lefebvre, grande Bispo da Igreja Católica!
    Esse sim um Bispo de VENERÁVEL memória.
    A tragédia pós-conciliar prova que ele estava certíssimo.

  3. Salve Monsenhor Lefebvre!!!!
    Tenho certeza que, um dia, ele e Dom Mayer serão canonizados.

  4. Será que serão publicados no Brasil estes livros sobre Dom Lefebvre?

  5. Devemos honestamente admitir: ninguém, até hoje, a não ser que se caia no relativismo mais rigoroso, foi capaz de dar respostas críveis a estas simples constatações. Passam-se as décadas, passam os exegetas do Concílio, alternam-se as hermenêuticas, mas ninguém jamais poderá dar respostas capazes de justificar como elementos de continuidade aqueles denunciados por Mons. Marcel Lefebvre.