Arquivo para novembro, 2011

novembro 30, 2011

Enfim, CNBB trata de algum assunto relacionado à Fé Católica.

NOTA PASTORAL DA PRESIDÊNCIA DA CNBB SOBRE ALGUMAS QUESTÕES RELATIVAS AO USO INDEVIDO DOS TERMOS: CATÓLICO, IGREJA CATÓLICA, CLERO E OUTROS

A CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL – CNBB, na defesa da verdade e da liberdade, considerou oportuno publicar a presente Nota Pastoral, destinada aos membros do episcopado, do clero, aos religiosos e a todos os fiéis leigos.

O uso de nomes, termos, símbolos e instituições próprios da Igreja Católica Apostólica Romana, por outras denominações religiosas distintas da mesma, pode gerar equívocos e confusões entre os fiéis católicos. Nestes casos o uso da palavra “católico”, “bispo diocesano”, “vigário episcopal”, “diocese”, “clero”, “catedral”, “paróquia”, “padre”, “diácono”, “frei”, pode induzir a engano e erro. Pessoas de boa vontade podem ser levadas a frequentar tais templos, crendo que se tratam de comunidades da Igreja Católica Apostólica Romana, quando na verdade não o são. Por essa razão a Igreja tem a obrigação de esclarecer e alertar o Povo de Deus para evitar prováveis danos de ordem espiritual e pastoral.

Assim, temos o dever de alertar os fiéis católicos para a existência de alguns grupos religiosos, como é o caso da autointitulada “igreja católica carismática de Belém” e outras denominações semelhantes, que apesar de se autodenominarem “católicas”, não estão em comunhão com o Santo Padre, Papa Bento XVI, e não fazem parte da Igreja Católica Apostólica Romana. Por esta razão todos os ritos e cerimônias religiosas por eles realizadas são ilícitos para os fiéis católicos. Assim sendo, recomenda-se vivamente aos féis que não frequentem os edifícios onde eles se reúnem e nem colaborem ou participem de qualquer celebração promovida por esses grupos. Rezemos para que a unidade desejada por Jesus Cristo, aconteça plenamente.

Brasília-DF, 30 de novembro de 2011
Cardeal Raymundo Damasceno de Assis
Arcebispo de Aparecida
Presidente da CNBB

Dom José Belisário da Silva
Arcebispo de São Luis
Vice Presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília

Secretário Geral da CNBB

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novembro 30, 2011

França: alunos católicos na mesquita.

[slidesho

Os jovens católicos não vão mais a Missa. Que coisa fazer? Encorajá-los a conhecer melhor… o islã. Iniciativa de uma escola católica.

Os alunos do colégio católico Sant-Pierre Les Essarts, na França, colocaram em prática o espírito de Assis com uma visita a mesquita de La Roche-sur-yon, acompanhadas de seus professores. O propósito: “impregnar-se” do espírito do Islã.

Fonte: Distrito Italiano da FSSPX

Tradução: Gederson Falcometa, cuja gentileza agradecemos.

novembro 30, 2011

Novo Arcebispo de Niterói: Dom José Francisco Rezende Dias. Dom Moacyr Grechi, expoente da TL, se aposenta.

Dom Moacyr Grechi: aposentado.'

Dom Moacyr Grechi: aposentado.

Como já era esperado, Dom José Francisco Rezende Dias, até o momento bispo de Duque de Caxias, foi nomeado hoje pelo Santo Padre, o Papa Bento XVI, como novo Arcebispo de Niterói. Dom José substitui Dom Alano Maria Pena, O.P., cuja renúncia foi aceita por atingir a idade limite prevista pelo Direito Canônico.

Também hoje foi anunciada a renúncia de Dom Moacir Grechi, então arcebispo de Porto Velho, sendo substituído por Dom Esmeraldo Barreto de Faria. Grechi passou pelo “rol da fama” do Fratres in Unum ao se apresentar à paisana, num ato sem precedentes, durante a visita Ad Limina Apostolorum, em que representou o grupo de bispos dos regionais Norte 1 e Noroeste da CNBB.

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novembro 29, 2011

Diário Vaticano: Bento assina, Bertone sela.

O texto na íntegra da circular interna que impõe o controle prévio da Secretaria de estado sobre todos os documentos assinados pelo Papa.

Por Sandro Magister | Tradução: Fratres in Unum.com

Cidade do Vaticano, 28 de novembro de 2011 – A Secretaria de Estado confirmou a “praxe vigente” que regulamenta a divulgação dos textos pontifícios com uma carta circular aos cardeais e arcebispos que dirigem as congregações, tribunais, conselhos pontifícios e departamentos que compõem a cúria romana.

Sobre esta circular, emitida em 4 de novembro mas nunca publicada, www.chiesa já havia informado em um artigo de 10 de novembro:

> Demasiada confusión. Bertone cierra la curia con llave

A circular – reproduzida integralmente mais abaixo – está assinada com autoridade pelo arcebispo Angelo Maria Becciu, que, na qualidade de “substituto”, dirige a primeira seção da Secretaria de Estado: o escritório que, de modo mais próximo, ajuda o Papa no governo da cúria.

Na carta citada se confirma precisamente que a norma em vigor prevê que “caso se publique um documento com a assinatura do Santo Padre”, este deve ser enviado “à Secretaria de Estado com a suficiente antecedência em relação à data prevista para sua divulgação, em sua versão original e eventuais traduções, em papel ou em cópia eletrônica, para que, após uma atenta revisão do conteúdo, se realize sua distribuição aos meios de comunicação social da Santa Sé”.

“Tal procedimento – especifica a circular – tem como primeira finalidade a defesa da integridade do Magistério Petrino, que poderia ser prejudicado pela circulação de textos ainda não revisados, ou divulgados de maneira inadequada, antes da data limite do embargo sobre sua publicação”.

Em relação ao que antecipou www.chiesa, há de se notar que a obrigação de encaminhamento ao controle prévio da Secretaria de Estado se refere exclusivamente aos textos que levam a assinatura do Papa, e não aos que estão assinados pelos responsáveis de um ou outro departamento da cúria romana.

A circular não faz referência, portanto, à nota do Pontifício Conselho para a Justiça e Paz apresentada na Sala de Imprensa do Vaticano, em 24 de outubro, com o título: “Por uma reforma do sistema financeiro internacional na perspectiva de uma Autoridade Pública com competência universal”. Nota não assinada por Bento XVI, mas pelos responsáveis desse dicastério.

Em vez, é provável – tal como escreveu a agência dos bispos dos Estados Unidos, “Catholic News Service”, em um artigo de 17 de novembro – que a circular em questão tenha sido determinada por um descuido que se verificou em relação à mensagem de Bento XVI na 98ª Jornada Mundial do Migrante e Refugiado, apresentada na Sala de Imprensa em 25 de outubro.

Com efeito, amplos extratos deste documento pontifício haviam sido difundidos pelo “Vatican Information Service”, a agência online da Santa Sé, cinco dias antes da data estabelecida para sua difusão.

O que não exclui que na reunião ocorrida na Secretaria de Estado, em 4 de novembro, para sanar esse tipo de incidente se tenha falado também da nota sobre o sistema financeiro internacional, emitida de forma autônoma pelo Conselho Pontifício para a Justiça e Paz, e que foi objeto de pesadas críticas após sua publicação, tanto dentro como fora do Vaticano.

Daí a legítima intervenção do arcebispo substituto, que na linha de comando vaticana vem imediatamente após o Papa e o Secretário de Estado, o Cardeal Tarcisio Bertone.

Publicamos a seguir a íntegra do texto da circular.

__________

 

“Aos chefes de dicastério, a praxe vigente prescreve…”

Secretaria de Estado
Primeira Seção – Assuntos Gerais

N° 197.356

Vaticano, 4 de novembro de 2011

Eminência Reverendíssima,
Excelência Reverendíssima,

A fim de assegurar uma distribuição correta e segura dos documentos assinados pelo Santo Padre, recordo a Sua Eminência / Excelência Reverendíssima os princípios que regem a divulgação dos textos pontifícios através dos meios de comunicação social da Santa Sé.

Caso se publique um documento com a assinatura do Santo Padre, a praxe vigente prescreve que tal documento seja enviado à Secretaria de Estado com a suficiente antecedência em relação à data prevista para sua divulgação, em sua versão original e eventuais traduções, em papel ou em cópia eletrônica, para que, após uma atenta revisão do conteúdo, se realize sua distribuição aos meios de comunicação social da Santa Sé.

Sua Eminência / Excelência compreenderá que tal procedimento tem como primeira finalidade a defesa da integridade do Magistério Petrino, que poderia ser prejudicado pela circulação de textos ainda não revisados, ou divulgados de maneira inadequada, antes da data limite do embargo sobre sua publicação.

Agradeço a Sua Eminência / Excelência a atenção que tomará sobre este assunto e aproveito a circunstância para expressar meu respeitoso obséquio.

De Vossa Eminência / Excelência Reverendíssima

Devotíssimo no Senhor,

+ Angelo Becciu Sost.

AOS CHEFES DE DICASTÉRIO
Em suas sedes
CIDADE DO VATICANO

novembro 28, 2011

“Quanto a nós, os filhos espirituais de Dom Lefebvre, que sempre se absteve de erigir uma Igreja paralela e sempre quis ser fiel à Roma Eterna, não temos nenhuma dificuldade em aderir plenamente aos artigos do Credo”.

Entrevista com Dom Bernard Fellay: a Fraternidade São Pio X e o Preâmbulo Doutrinal.

Por DICI – 28/11/2011 | Tradução: Fratres in Unum.com

Por que o Prêambulo Doutrinal que o Cardeal Levada entregou ao senhor em 14 de setembro ainda está cercado de tanto segredo, tanto da parte da Congregação para a Doutrina da Fé como pela Fraternidade São Pio X? O que este silêncio está escondendo dos padres e fiéis da Tradição?

Essa discrição é normal para todo procedimento importante; ela garante sua seriedade. Ocorre que o Preâmbulo Doutrinal que nos foi entregue é um documento que pode ser esclarecido e modificado, como observa a nota que o acompanha. Não é um texto definitivo. Em breve endereçaremos uma resposta a esse documento, apontando francamente as posições doutrinais que vemos como indispensáveis. Nossa preocupação constante desde o início de nossas conversações com a Santa Sé – como nossos interlocutores sabem muito bem – foi a de apresentar a posição tradicional com completa lealdade.

A discrição é necessária também da parte de Roma, pois esse documento – mesmo em seu estado atual que precisa de muitos esclarecimentos – gera um enorme risco de provocar oposição dos progressistas, que não aceitam a simples idéia de uma discussão sobre o Concílio, pois consideram que este concílio pastoral é indiscutível e “não negociável”, embora não tenha sido um concílio dogmático.

Apesar de todas essas precauções, as conclusões do encontro dos superiores da Fraternidade São Pio X em Albano, 7 de outubro, foram divulgadas na internet por diversas, mas unânimes, fontes.

Não faltam indiscrições na internet! É verdade que este Preâmbulo Doutrinal não pode receber o nosso aval, embora seja permitida uma margem para uma “discussão legítima” sobre certos pontos do Concílio. Qual a extensão desta margem? A proposta que faremos nos próximos dias às autoridades romanas e sua resposta em retorno nos permitirá avaliar nossas opções restantes. E qualquer que seja o resultado dessas conversações, o documento final que teremos aceitado ou rejeitado será publicado.

Melhor salientar as dificuldades e soluções

Sendo que esse documento, a seu ver, não é muito claro, não seria mais simples enviar a seus autores uma rejeição total?

Mais simples, talvez, mas não mais cortês. Já que a nota que acompanha [o prêambulo] prevê a possibilidade de fazer esclarecimentos, para mim parece necessário solicitá-los, em vez de recusá-los a priori. Isso de maneira alguma prejulga a resposta que daremos.

Já que o debate entre Roma e nós é essencialmente doutrinal e diz respeito principalmente ao Concílio, os esclarecimentos que obteremos ou não terão a nada insignificante vantagem de tornar mais evidente onde estão as dificuldades e onde estão as soluções; e isso é verdade também porque esse debate diz respeito não apenas à Fraternidade São Pio X, mas também à Igreja toda. Este é o espírito que tem constantemente guiado nossas discussões teológicas durante estes últimos dois anos.

Esse documento serve como um preâmbulo a um estatuto canônico; implicitamente isso não abandona o roteiro que o senhor definiu, que previa uma solução doutrinal primeiro, antes de qualquer acordo prático?

Ele é, de fato, um pre-âmbulo, cuja aceitação ou rejeição então determinará se algum status canônico é obtido ou não. De maneira alguma a doutrina está sendo colocada em segundo lugar. E antes de nos comprometermos em um eventual status canônico, estamos estudando minuciosamente esse preâmbulo com o critério da Tradicão, ao qual estamos fielmente vinculados. Pois não nos esquecemos de que há muitas diferenças doutrinais na origem da disputa entre Roma e nós nestes últimos quarenta anos; deixá-las de lado a fim de obter um status canônico nos exporia ao perigo de ver as mesmas diferenças emergirem inevitavelmente, o que faria o status canônico não só precário mas pura e simplesmente impossível de ser vivido.

Portanto, basicamente, nada mudou após estes dois anos de discussões teológicas entre Roma e a Fraternidade São Pio X?

Estas discussões permitiram a nossos teológos apresentar diretamente os principais pontos do Concílio que geram dificuldades à luz da Tradição da Igreja. Em paralelo com e talvez graças a essas discussões teológicas, durante os últimos dois anos, vozes que não são nossas fizeram-se ouvidas ao formular críticas ao Concílio que se unem às nossas. Assim, Monsenhor Brunero Gherardini, em seu estudo Concilio Vaticano II: um discorso da fare, insistiu sobre os diferentes graus de autoridade dos documentos conciliares e sobre o “anti-espírito” que se inseriu no Concílio Vaticano II desde o início. Igualmente, Dom Athanasius Schneider teve a coragem, durante uma conferência em Roma em 2010, de pedir por um Syllabus condenando os erros de interpretação do Concílio. Na mesma linha, o historiador Roberto de Mattei demonstrou muito bem as influências contrárias manifestadas no Concílio, em seu livro mais recente, Il Concilio Vaticano II: Una storia mai scritta. Devemos mencionar também a Petição enviada a Bento XVI por aqueles intelectuais italianos pedindo por um exame mais aprofundado sobre o Concílio.

Todas essas iniciativas, todas essas intervenções mostram claramente que a Fraternidade São Pio X não está sozinha ao ver os problemas doutrinais colocados pelo Vaticano II. Esse movimento está se estendendo e não pode mais ser parado.

Sim, mas esses estudos universitários, essas análises cultas não contribuem com nenhuma solução concreta aos problemas que o concílio coloca hic et nunc [aqui e agora].

Esses estudos destacam as dificuldades doutrinais causadas pelo Vaticano II e consequentemente mostram por que a adesão ao Concílio é problemática. Esse é um primeiro passo essencial.

Mesmo em Roma, as interpretações progressivas dadas à liberdade religiosa, as modificações que foram feitas sobre este assunto no Catecismo da Igreja Católica e em seu Compendium, as correções que estão sendo atualmente estudadas para o Código de Direito Canônico… tudo isso mostra as dificuldades em que se cai quando se tenta obedecer os documentos conciliares a todo custo, e, a nosso ver, isso mostra muito bem a impossibilidade de aderir estavelmente a uma doutrina em movimento.

O Credo não é uma identificação suficiente para um Católico?

A seu ver, o que é doutrinalmente estável hoje?

A única doutrina ne varietur [salvaguardada contra mudanças] é evidentemente o Credo, a profissão de Fé Católica. O Concílio Vaticano II pretendeu ser pastoral; não definiu nenhum dogma. Não adicionou aos artigos de fé: “Creio na liberdade religiosa, no ecumenismo, na colegialidade…”. O Credo não seria suficiente hoje para identificar alguém como Católico? Não expressa a totalidade da Fé Católica? Quando alguém renuncia seus erros e ingressa na Igreja Católica, se requer dele que professe sua fé na liberdade religiosa, no ecumenismo e na colegialidade? Quanto a nós, os filhos espirituais de Dom Lefebvre, que sempre se absteve de erigir uma Igreja paralela e sempre quis ser fiel à Roma Eterna, não temos nenhuma dificuldade em aderir plenamente aos artigos do Credo.

Neste contexto, pode haver uma solução para a crise na Igreja?

Fora um milagre, não pode haver uma solução instantânea. Desejar que Deus dê a vitória sem pedir aos soldados que guerreiem, para citar Santa Joana D’Arc, é uma forma de deserção. Desejar um fim da crise sem se sentir preocupado ou envolvido não é verdadeiramente amar a Igreja. A Providência não nos dispensa do dever de nosso estado de vida, onde quer que ela nos tenha colocado, ou de assumir nossas responsabilidades e responder às graças que ela nos concede.

A situação atual da Igreja em nossos países outrora cristãos é um trágico declínio em vocações: quatro ordenações em Paris em 2011, apenas uma na diocese de Roma para 2011-2012. É uma escassez de padres alarmante: pense no pároco de Aude (departamento no centro-sul da França) que tem 80 capelas. Essas dioceses na França estão anêmicas a ponto de, num futuro muito próximo, terem de ser reagrupadas tal como as paróquias já foram reagrupadas… Numa palavra, a hierarquia eclesiástica hoje está conduzindo estruturas que são cada vez maiores para o número de efetivos em queda contínua, o que, estritamente falando, é uma situação inimaginável, e não só do ponto de vista econômico… Para usar uma imagem, seria necessário manter um convento planejado para 300 freiras enquanto restam apenas 3. As coisas podem continuar assim por outros dez anos?

Alguns jovens bispos e padres que estão herdando essa situação estão se tornando mais e mais conscientes da esterelidade de 50 anos de abertura ao mundo moderno. Eles não colocam a culpa exclusivamente na secularização da sociedade; eles estão questionando a responsabilidade do Concílio que abriu a Igreja a um mundo que estava se tornando completamente secularizado. Eles se perguntam se a Igreja poderia se adaptar de tal modo à modernidade sem adotar o seu espírito.

Esses bispos e padres estão se fazendo essas questões, e alguns deles estão nos perguntando… discretamente, como Nicodemos. Nós lhes respondemos que, confrontados com tal penúria, é necessário saber o que é  a Tradição Católica: meramente uma opção ou uma solução necessária? Dizer que é uma opção é minimizar ou mesmo negar a crise na Igreja e tentar se contentar com medidas que já se provaram ineficazes.

Oposição dos bispos.

Mesmo que a Fraternidade obtenha um estatuto canônico, no entanto, Roma não poderia oferecer qualquer solução imediatamente, pois os bispos se oporiam, como fizeram com o Motu Proprio sobre a Missa Tradicional.

Essa oposição a Roma pelos bispos foi expressa silenciosa mas efetivamente em relação ao Motu Proprio sobre a Missa Tridentina, e continua a se manifestar de maneira obstinada por alguns bispos em relação ao pro multis no Cânon da Missa, que Bento XVI, no passo da doutrina Católica, quer que se traduza “por muitos” e não mais “por todos”, como na maioria das liturgias em vernáculo. Realmente, algumas conferências de bispos persistem em manter essa tradução incorreta, ainda recentemente na Itália.

Assim, o próprio Papa está experimentando essa dissidência por algumas conferências episcopais, neste e em muitos outros assuntos, que torna possível a ele compreender facilmente a oposição feroz que a Fraternidade São Pio X, sem nenhuma dúvida, encontrará dos bispos em suas dioceses. Eles dizem que pessoalmente Bento XVI quer uma solução canônica; ele também teria que estar disposto a tomar as medidas que a tornarão verdadeiramente efetiva.

A razão pela qual o senhor lançou uma nova cruzada de Rosários é a seriedade da crise atual?

Ao pedir por essas orações, quis acima de tudo que os padres e fiéis se unissem mais proximamente a Nosso Senhor e a Sua Santa Mãe pela recitação diária do Rosário e pela profunda meditação de seus mistérios. Não estamos numa situação comum que permitiria nos contentar com uma mediocridade rotineira.  Uma compreensão da atual crise não é fundamentada em rumores difundidos via internet, nem as soluções virão da astúcia política ou das negociações diplomáticas. Deve-se olhar para esta crise com os olhos da fé. Apenas a confiança constante em Nosso Senhor e Nossa Senhora tornará possível a todos os padres e fiéis ligados à Tradição manter essa unidade de visão que a fé sobrenatural proporciona. Dessa forma estaremos unidos neste período de grande confusão.

Rezando pela Igreja, pela consagração da Rússia, como a Santíssima Virgem pediu em Fátima, e pelo triunfo de seu Imaculado Coração, estamos elevando nossas mentes acima de nossas aspirações tão humanas, estamos ultrapassando nossos medos tão naturais. Apenas nesta altura é que podemos verdadeiramente servir a Igreja, ao cumprir os deveres de estado que é confiado a cada um de nós.

Menzingen, 28 de novembro de 2011.

novembro 28, 2011

Dificuldades do ultramontanismo conciliar.

Por Jean-Pierre Maugendre

“Roma locuta est. Causa finita est”, Roma falou, a causa está resolvida. Infelizmente, a famosa sentença agostiniana se tornou hoje de um uso mais delicado. Foi assim que no último dia 24 de outubro, o Conselho Pontifício Justiça e Paz publicou um documento sobre a crise financeira atual pedindo, entre outras considerações, por uma “autoridade pública de competência universal”. A novidade era considerável, especialmente com relação ao ensinamento da encíclica Caritas in Veritate. Contudo, incontestavelmente, esse documento vinha de Roma.

Na tradição jornalística ultramontana que foi do Univers, de Louis Veuillot, ou do La pensée Catholique, do Padre Luc Lefèvre, hoje representada essencialmente na França pelo mensanário La Nef e pelo bimensal Homme Nouveau, o editorial de Philippe Maxence sobre o assunto (Homme Nouveau, n° 1504) era pelo menos cauteloso: “Estranhamente, constatando o fracasso das super-estruturas mundiais, Justiça e Paz apela ainda mais à mundialização, certamente, moderada pela subsidiariedade”. Em contrapartida, La Nef não esgota elogios sob a pena de Christophe Geffroy: “Eis um belíssimo programa do qual os ‘realistas’ de todas as classes não deixarão de zombar de seu caráter ‘utópico’, como muitas vezes diante da audácia do verdadeiro cristianismo”, e sob a autoria de Jacques de Guillebon: “Roma fala. E quando Roma fala, é a voz do universo que se ouve, uma voz em cujo alcance os pobres formam o coro dominante. (…) texto revolucionário (…). Christophe Geffroy, no seu editorial, retorna com precisão, minúcia e inteligência sobre o essencial do propósito… Para nós, na medida em que combate estes dois erros da modernidade (o liberalismo e o Estado forte), esse texto nos convém perfeitamente”. Eis que se tem a pretensão de um zuavo pontifício na batalha de Castelfidardo [1].

Catapum! Em 4 de novembro, o Cardeal Secretário de Estado, Bertone, convocava no Vaticano uma reunião desaprovando o documento e ordenando que doravante todos os textos publicados pela cúria romana lhe fossem submetidos antes da publicação. No mesmo dia, no Osservatore Romano, seu editorialista econômico, Ettore Gotti Tedeschi, despedaçava o documento do Conselho Pontifício Justiça e Paz.

Ao querer demais conciliar os contrários, geralmente se acaba por se complicar. É duro, duro ser o último grognard [2] do Concílio e querer aplicar o padrão de leitura da hermenêutica da continuidade aos mínimos escritos e rescritos romanos. É o mesmo zelo que conduziu o Padre Basile [3], sempre em La Nef, a justificar Assis I no momento em que Bento XVI reconhece precisamente a necessidade de corrigi-lo. “A nível prudencial, pode-se considerar que houve erros sob João Paulo II, e pode-se também se questionar se o público foi suficientemente informado e advertido do sentido exato e da justificativa moral de uma tal cooperação à oração dos irmãos em humanidade engajados em religiões emaranhadas a muitos erros”, escreveu o monge beneditino do Barroux. A exposição da estátua de Buda sobre o altar da igreja de São Pedro, de onde havia sido previamente retirado o Santíssimo Sacramento, torna-se assim um simples “erro”. Nosso Senhor Jesus Cristo é expelido de uma igreja que foi construída para celebrar o Seu culto e substituído por um ídolo, e isso na indiferença geral. Parecemos sonhar! Quanto ao “público insuficientemente informado e advertido”, o argumento começa a ser desgastado sob a pena dos mesmos que nos explicam que, cinqüenta anos após o concílio, este último ainda não foi compreendido nem aplicado. Se é necessário cinqüenta anos para compreender um texto no século XX, é porque existe claramente uma dificuldade essencial no próprio enunciado desse texto. Não foram necessários cinqüenta anos para o Concílio de Trento produzir os seus bons frutos.

O ultramontanismo é uma variante contemporânea da legítima romanidade de toda inteligência católica: ele não proíbe o exercício do espírito crítico na fidelidade à Tradição da Igreja.

Jean-Pierre Maugendre, 17 de novembro de 2011 | Tradução: Fratres in Unum.com

* * *

[1] Zuavo é o nome que se deu a certos regimentos de infantaria no exército francês a partir do ano de 1830. Os zuavos pontifícios foram criados para a defesa dos Estados Pontifícios. Os zuavos foram católicos solteiros voluntários, fundamentalmente, dispostos a ajudar o Papa Pio IX diante do processo de reunificação italiano. Fonte: Wikipédia

[2] Referência aos membros da Velha Guarda de Napoleão Bonaparte, chamados “les grognards” (“os reclamões”), considerados os melhores soldados da Europa.

[3] Considerado o teólogo do mosteiro beneditino do Barroux, Padre Basile se especializou em encontrar explicações “continuistas” a todo tipo de novidade pós-conciliar.

novembro 28, 2011

Papa anuncia novo documento sobre a evangelização.

IHU – No encontro com os bispos norte-americanos em visita a Roma, falou-se do documento. Enquanto isso, a Santa Sé oficializou importantes nomeações episcopais.

A reportagem é do sítio Vatican Insider, 26-11-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Um “importante objetivo” da visita pastoral do Papa Bento XVI aos Estados Unidos em 2008 era o de “encorajar a Igreja na América a reconhecer, à luz de uma dramática mudança do panorama social e religioso, a urgência de uma nova evangelização”. Em “continuidade com esse objetivo – afirmou o papa, encontrando-se na Sala do Consistório do Palácio Apostólico do Vaticano com os prelados da Conferência dos Bispos dos Estados Unidos –, pretendo apresentar nos próximos meses, para a sua consideração, algumas reflexões que eu confio que vocês acharão úteis para o discernimento que vocês estão chamados a assegurar na sua tarefa de guiar a Igreja para o futuro que Cristo está abrindo para nós”.

Além disso, Bento XVI nomeou Dom Charles John Brown, até agora oficial da Congregação para a Doutrina da Fé, como o novo núncio apostólico na Irlanda, elevando-o também ao posto de arcebispo. Já Dom Giuseppe Leanza passou para a nunciatura de Praga, em meio às tensões entre o governo de Dublin e a Santa Sé depois da publicação de um relatório sobre os abusos pedófilos nas dioceses irlandesas.

Uma outra importante nomeação é a de Dom Marek Solczynski, até agora conselheiro da Nunciatura, a novo núncio apostólico na Geórgia, elevando-o, ao mesmo tempo, ao posto de arcebispo, e Antonio De Luca, 55 anos, originário de Torre del Greco (Nápoles), até agora pro-vigário episcopal para a Vida Consagrada da arquidiocese napolitana, como novo bispo da diocese de Teggiano-Policastro (Salerno).

novembro 27, 2011

Foto da semana.

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Dom Wilmar Santin, O. Carm., nomeado prelado de Itaituba há pouco menos de um ano, administra o Sacramento do Crisma — com uma mitra muito original — na aldeia Muiussu, rio Cururu, no estado do Pará.

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novembro 27, 2011

“Vinde adoremos o Rei, o Senhor que está para chegar!”

Por Padre Élcio Murucci

Caríssimos e amados fiéis, em Nosso Senhor Jesus Cristo!

Com a graça de Deus, estamos iniciando as nossas homilias dominicais. O Ano Litúrgico inicia-se com o Advento. É um tempo de oração e de penitência, instituído pela Igreja para preparar seus filhos para celebrarem dignamente e com fruto o mistério do Nascimento de Jesus Cristo. O que a Quaresma é para a Páscoa, o que foram os quatro mil anos do Antigo Testamento para a vinda do Messias são para a festa do Natal as quatro semanas do Advento.

Advento quer dizer vinda. Três vindas do Filho de Deus preocupam a Igreja neste santo tempo, e devem ser o assunto das nossas meditações. “Na primeira, diz São Bernardo, Jesus veio na nossa carne, e revestiu-se das nossas enfermidades; na segunda vem a nós por sua graça, em espírito e virtude; na terceira, virá com todo poder e majestade para nos julgar”. Vinda de amor a Belém, vinda de graça às nossas almas, vinda de justiça no fim dos séculos. Na verdade, caríssimos e amados fiéis, estas três vindas de Nosso Senhor, constituem uma síntese de todo o Cristianismo. São um convite a uma espera vigilante e confiada: “Olhai e levantai as vossas cabeças, porque está próxima a vossa redenção”. A primeira vinda foi humilde e oculta, a segunda é misteriosa e cheia de amor, a terceira será manifesta, terrível para os pecadores e gloriosa para os justos.

Hoje, o padre reza no Breviário: “Vinde adoremos o Rei, o Senhor que está para chegar!…

Esta primeira vinda foi esperada durante séculos e séculos, anunciada pelos profetas, desejada pelos justos que não puderam contemplar a sua aurora. Em cada novo Advento, a Igreja comemora e renova esta espera, manifestando as suas ânsias pelo Salvador que há de vir. O antigo anelo que unicamente se fundava na esperança, transformou-se em desejo confiante, que se apoia na consoladora realidade da redenção já efetuada. Cumprida esta historicamente há vinte séculos, deve atualizar-se e renovar-se todos os dias, na alma cristã, como uma realidade cada vez mais profunda e completa. A Santa Madre Igreja quer através do tempo do Advento, preparar-nos para a celebração do mistério do Verbo feito carne, mediante a esperança íntima e pessoal duma nova vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo a cada uma das nossas almas. Esta vinda de Jesus é a Sua vida em nós pela graça santificante, que deve ser cada vez mais abundande em nossa alma. Oh! pudéssemos dizer com São Paulo: “Vivo, mas não sou eu que vivo, é Jesus que vive em mim”… “A minha vida é Jesus”. Por isto na Epístola desta Santa Missa do primeiro domingo do Advento, São Paulo nos exorta: “É já hora de nos levantarmos do sono”. No Advento, devemos despertar para dar novos frutos de santidade: “Deixemos, diz São Paulo, as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz… Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo”. É tempo de sairmos da tibieza; é tempo de nos despojarmos generosamente das nossas misérias e fraquezas, a fim de nos revestirmos de Jesus Cristo, ou seja, da Sua santidade. A primeira vinda de Jesus estimula-nos pelo seu amor: “Apareceu a benignidade e a bondade de Deus Nosso Senhor”. A lembrança da Sua vinda no fim do mundo, como é narrada no Santo Evangelho de hoje, é também para nos dar forças. O temor é o início da sabedoria, diz a Bíblia Sagrada.

Com a Vossa graça, ó Jesus, quero fazer todos os sacrifícios, quero renunciar a tudo aquilo que possa retardar em mim a vossa obra redentora. Excitai, Senhor, o Vosso poder e vinde!

Ó Senhor, concedei-me um amor ardente a Vós, não só para me livrar um dia do Vosso rosto severo de Juiz, mas também e sobretudo para corresponder de algum modo à Vossa caridade infinita!

Caríssimos e amados fiéis, sempre gosto de contar nas minhas homilias e sermões, algum exemplo.

São Filipe Benício, religioso da Ordem dos Servos de Maria Virgem, estava morrendo.

Além da doença, além da dor, havia dias em que o atormentava uma terrível visão. Parecia-lhe já se achar perante o tribunal de Deus, e em torno dele surgiam os demônios a exprobrar-lhe os pecados da sua vida passada, mesmo os mais remotos, mesmo os mais pequenos… Ante esta vista, ante essas palavras, o agonizante abria os olhos horrorizado, tremia, e não tinha mais esperança. “Dai-me o meu livro” gritava ele com voz apavorada.

Dos presentes, alguns correram a tomar um livro, outros outro: mas ele os recusava todos, sem achar repouso. Finalmente, um percebeu que os olhos do moribundo se haviam fixado num Crucifixo ali ao lado; tomou-o e colocou-lho entre as mãos gélidas e suadas.

Mal o teve, como um sedento ele o pôs sobre a boca para o beijar ansiosamente: beijou o lenho da cruz, beijou as chagas d’Aquele que a ela estava suspenso. Seus olhos iluminaram-se como ao surgir de uma aurora interior; a sua fronte expandiu-se numa doce serenidade, os seus lábios distenderam-se num dulcíssimo sorriso. E assim lá se foi ele ao encontro do juízo de Deus.

Amara a cruz, amara o Crucifixo com todas as suas forças. Que haveria de temer?

Ó Jesus, dai aos justos um acréscimo de vida interior; dai aos tíbios, a graça de se despertarem deste perigoso sono; dai aos pecadores, a graça de uma verdadeira conversão. Amém!

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novembro 26, 2011

Bernard Dumont. Ruptura, reforma, renovação.

Por gentil cortesia do Prof. Bernard Dumont, Diretor da Revista de reflexão política e religiosa Catholica, publicamos seu editorial da última edição da revista. Parece-me não apenas estimulante, mas sobretudo útil e oportuna esta circulariedade de comunicação que leva, para além das fronteiras nacionais, as reflexões e os aportes de ideias e de pensamento. Afinal de contas, a Igreja é universal, e o que se move nela não pode e não deve ficar confinado aos âmbitos nacionais ou locais. O texto que temos a oportunidade de consultar é repleto de observações que abrem novas vias de compreensão e elementos de aprofundamento. Enxergo nele diversas chaves de leitura que nos poderão dar a possibilidade de prosseguir não apenas na análise, mas também na comparação, envolvendo nisso, se possível, outros interlocutores de nível. Por agora, limito-me ao texto, observando que ele já é uma primeira importante resposta à pergunta que havíamos deixado em suspenso sobre a liberdade de religião.

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Ruptura, reforma, renovação

Em sua encíclica Fides et Ratio (14 de setembro de 1998), João Paulo II havia enfrentando uma série de problemas filosóficos, seja de ordem geral diante de uma sociedade mergulhada na confusão, seja em relação à situação contemporânea da Igreja. Um trecho (n. 87) ligava-se a um ponto de método que adquire um particular relevo hoje, em relação à amplitude assumida pela discussão dos últimos anos sobre a interpretação do evento conciliar e em relação à questão de saber no que este teria constituído ruptura em relação ao passado e no que teria permanecido em continuidade. Este trecho merece ser mostrado em sua íntegra. Está situado em uma seção do Capítulo VII da encíclica, que quer determinar algumas “tarefas atuais” e se detém rapidamente sobre duas tendências julgadas danosas à atividade filosófica da qual a teologia necessita: o ecletismo e o historicismo. A primeira tendência citada é vista sob a ótica das invenções da linguagem, inúteis e origem de mal-entendidos; a segunda é tratada um pouco mais detalhadamente e apresentada como um caso particular deste abuso.

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