Uma Igreja no Exílio (V): O choro amargo de Dom Antônio pelo seminário.

D

om Navarro começou sua atividade pastoral demitindo o chanceler da diocese e vigário da catedral do Santíssimo Salvador de Campos, Monsenhor Henrique Conrado Fischer, um amigo de Dom Antonio que por anos fora encarregado da supervisão dos assuntos diocesanos. Pouco depois, começou a acusar os padres da diocese de irregularidades econômicas. Ele sugeriu abertamente que muitos deles desviaram fundos para uso pessoal, venderam terras que não lhes pertenciam e auferiram ganhos pessoais com as vendas e encorajavam um boicote econômico ao novo bispo e à diocese. Essas acusações começaram a aparecer em revistas nacionais e circularam por todo o Brasil. Elas pararam abruptamente quando os padres da diocese deram a conhecer em uma “notinha” pública que, se o novo bispo continuasse a fazer tais acusações, poderia esperar ser desafiado aprová-las em juízo. Nada mais foi dito publicamente sobre esses assuntos, mas, é claro, os rumores continuaram a circular.

[...]

Uma forma de descontinuar a Missa Tridentina desde a fonte se tornou óbvia – parar de formar padres que celebram a Missa. Em uma visita ao seminário menor em Varre-Sai, em um período de férias enquanto ninguém estava no seminário há várias semanas, Dom Navarro se declarou chocado com o estado do velho prédio. Por muitos anos, aquele fora o seminário maior da diocese, antes de se tornar o seminário menor, quando Dom Antonio, em uma medida de precaução por ocasião de uma tentativa de dividirem a diocese e tomarem controle do seminário, transferiu o seminário maior para a cidade de Campos. Dom Navarro agora declarava que o velho prédio era “pior que Auschwitz”. Ele o fechou sumariamente. Os jovens seminaristas que esperavam retornar ao curso para continuar seus estudos em preparação ao sacerdócio – português, francês, latim, grego, história geral, história eclesiástica, matemática, geografia, religião, canto gregoriano e filosofia – descobriram, de repente, que estudavam em um dilapidado, velho prédio que era “pior que Auschwitz”. Absolutamente, eles se viram, de fato, tendo de estudar para o sacerdócio.

O passo seguinte veio sem surpresas. O novo bispo anunciou sua intenção de fechar o seminário maior em Campos. Quando Dom Antonio entregou seu molho de chaves do seminário a um representante do novo bispo, chorou abertamente, talvez a primeira vez que chorava em público desde a carta chegada de Roma anunciando a instituição do novus ordo missae.

The Mouth of the Lion: Bishop Antonio de Castro Mayer and the last Catholic Diocese. Dr. David Allen White, Angelus Press, 1993 – pág. 128-129 | Tradução: Fratres in Unum.com

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4 Comentários para “Uma Igreja no Exílio (V): O choro amargo de Dom Antônio pelo seminário.”

  1. “Perigosíssimos” amigos deste nosso FRATRES;
    Não poderia passar por aqui e deixar de refletir:
    Fecharam o antigo Seminário, parecia Auschwitz-Birkenau … (nome correto do conjunto dos campos)
    Depois abriram uma Casa de Deformação, parecida com a “La cage aux folles” (A gaiola das loucas)…
    Bem, contra fatos, não há argumentos, certo?
    “Pelos frutos conhecereis a árvore!”
    Os exemplos estão por aí, para quem quiser ver…
    Depois ainda tem gente que fica com raiva quando digo:
    A igreja conciliar é séria???
    Como disse acima, os exemplos estão aí, desde que se queira ver…
    “Se minto, mostra-me onde menti! Se digo a verdade por que me bates?”
    Imortal frase de Nosso Senhor Jesus Cristo ao soldado, diante de Caifás, que O esbofeteara, ferindo-LHE a Santa Face.
    Bom final de semana a todos!
    Paz e Bem!

  2. Conheci o Seminário de Varre Sai. Era sóbrio, sim. Era simples, mas muito bem bem construído para a sua finalidade. Tinha salas arejadas. Capela ampla, refeitório e dormitórios enormes. Havia um belo jardim. Por questões financeiras não era rebocado por fora. Era a “menina dos olhos” de Dom Antônio. Sem dúvida que, dentro do propósito de desmantelamento da obra de Dom Antônio executada por Dom Navarro o fechamento de Seminário era estratégico. Felizmente, Dom Antônio, sabendo da gravidade da situação da Igreja, indicou o Mons. Licínio e e P. Possidente para continuar a formar os jovens q os procuravam para receberem a sã doutrina para receberem o sacerdócio. Mais tarde agregou os antigos e novos sacerdotes na União Sacerdotal fundada por ele no intuito de preservar o sacerdócio católico livre da influência nociva do veneno do progressismo.

  3. Não querendo fazer mau juízo de Dom Navarro, mas comparar o seminário de Varre-sai à Auschwitz pareceu-me um insulto indireto à Monsenhor Fischer, que é veterano de guerra alemão (foi arrancado do seminário quando adolescente e obrigado a ingressar na Wehrmacht, mesmo com problemas de saúde que o tornavam inapto para tal).

  4. E vejam onde voi parar toda a obra de Dom Antonio :http://ipsa-conteret.blogspot.com/2012/01/campos-10-anos-de-luto.html . Assim ocorreu o contrário do verificado com Santo Tomás Morus (“O Homem que não vendeu sua alma”) que preferiu seguir a Deus do que aos homens como relatado no link :http://fratresinunum.com/2011/07/09/a-resistencia-martirio-de-sao-john-fischer-e-de-sao-thomas-more/#more-4531 .

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