Insuficiente?

Por Christopher A. Ferrara, The Remnant | Tradução: Fratres in Unum.com

Segunda-feira, 26 de outubro de 2009. Membros da delegação da FSSPX, ao fundo no centro, chegam ao Vaticano. AP Photo/Gregorio Borgia

Segunda-feira, 26 de outubro de 2009. Membros da delegação da FSSPX, ao fundo no centro, chegam ao Vaticano. AP Photo/Gregorio Borgia

No dia 16 de março, um comunicado não assinado da Sala de Imprensa do Vaticano afirmou que uma “avaliação” secreta da resposta secreta de Dom Fellay ao “preâmbulo Doutrinal” secreto, oriundo dos procedimentos secretos das conferências entre o Vaticano e a FSSPX, determinou (secretamente) que a resposta “é insuficiente para superar os problemas doutrinais que estão na base da divisão entre a Santa Sé e a mencionada Fraternidade [FSSPX]”. Dom Fellay foi “convidado a gentilmente esclarecer sua posição de modo a sanar a presente divisão, como deseja o Papa Bento XVI”.

Ainda não sabemos exatamente quais são os “problemas doutrinais” em questão ou qual fórmula seria suficiente para “esclarecê-los”. Isso é segredo. O que sabemos é que, na data do comunicado, Dom Fellay encontrou-se com o Cardeal Levada e outros oficiais da Congregação para a Doutrina da Fé – em segredo, é claro – para discutir uma cura para a “divisão” entre a Fraternidade e a Santa Sé, a fim de “evitar uma ruptura eclesial de conseqüências dolorosas e incalculáveis…”.

De acordo com a Agência de Notícias italiana AGI, durante essa reunião “uma ruptura completa foi evitada pela Santa Sé, deixando claro que Bento XVI ainda espera uma recomposição”. Mas apesar da ruptura ter sido evitada, a divisão permanece e, de acordo com a Rádio Vaticana, “Dom Fellay é convidado a esclarecer sua posição para conseguir sanar a divisão existente, como é desejo do Papa Bento XVI, de hoje até o dia 15 de abril”.

Assim, parece que há uma data limite para sanar a divisão de modo a evitar uma ruptura, através de um esclarecimento de problemas doutrinais para que possa haver uma recomposição. Notem que, curiosamente, evita-se a terminologia tradicional de “cisma”, “heresia”, “profissão de fé” e “retorno dos dissidentes para a única Igreja verdadeira”. De fato, não consegui localizar em lugar algum uma declaração do Vaticano afirmando que a FSSPX abraça qualquer doutrina que seja contrária à Fé ou que seus partidários individuais não são católicos em bons termos (em oposição ao problema do status formal da “missão canônica” da SSPX). A palavra “cisma” igualmente não mais aparece nos anúncios vaticanos a respeito da atual posição da FSSPX.

Não, isto é simplesmente uma questão de se providenciar – em segredo – um esclarecimento dos problemas doutrinais secretamente discutidos em relação ao Concílio Vaticano II. Então, a divisão seria sanada, nenhuma ruptura ocorreria e uma “recomposição” aconteceria. Não é necessário que nós saibamos os detalhes.

Minha revisão admitidamente apressada dos boletins da Sala de Imprensa Vaticana não revela tais procedimentos estranhos a respeito de nenhum outro indivíduo católico ou grupo de católicos entre o bilhão de almas que pertencem à nossa Igreja em crise. Parece não haver nenhuma outra intimação para discutir “problemas doutrinais” com a Congregação para a Doutrina da Fé e para resolvê-los antes que uma “recomposição” possa ocorrer. Poderia parecer que ninguém na Igreja inteira tem quaisquer problemas doutrinais a serem resolvidos urgentemente sob prazos apertados, salvo a FSSPX e seus membros.

Tampouco parece que o Vaticano está preocupado com divisões, rupturas ou recomposições de legiões de católicos em cada continente, incluindo numerosos bispos e padres, que não mais aderem aos ensinamentos da Igreja que não aprovem pessoalmente. Todos conhecem os exemplos óbvios, como a desobediência quase universal a respeito do ensinamento infalível sobre o casamento e a procriação. Mas considerem também a recusa da totalidade da hierarquia da Itália e da Alemanha em adotar as correções estabelecidas para as traduções vernáculas da Missa Novus Ordo que infestaram a Igreja por 40 anos até que o Vaticano finalmente ordenasse as correções. Pode tirar o cavalo da chuva, Papa!

Também existe aquele movimento de padres na Áustria, liderados pelo antigo vigário geral do Cardeal Schönborn, Helmut Schüller que, como Sandro Magister noticia, “tem, entre seus objetivos a abolição do celibato clerical e a reintegração ao ministério sacerdotal de padres ‘casados’ e suas concubinas”. A revolta, “abertamente apoiada por 329 padres, ameaçou causar uma ruptura na Igreja Austríaca semanas antes da visita de 22 a 25 de setembro do Papa Bento XVI à vizinha Alemanha”. Os dissidentes emitiram um “Chamado à Desobediência”, que exige “clero casado, mulheres padres e outras reformas” e tem o apoio de “3/4 da população pesquisada neste país tradicionalmente Católico Romano”.

Os líderes da revolta declararam abertamente que “vão desobedecer às leis da Igreja ao dar a Comunhão aos protestantes e católicos divorciados e recasados ou ao permitir que leigos preguem e dirijam paróquias sem padre”. Schüler declara abertamente que “muitos padres já estão silenciosamente desobedecendo às leis de qualquer jeito, muitos com o conhecimento de seus próprios bispos, e a sua campanha tem como meta forçar a hierarquia a concordar em mudar”. Sandro Magister chama isso de cisma – não uma divisão ou uma ruptura, mas simplesmente um cisma. Evidentemente, ele está certo. E cismas como este abundam hoje em dia.

Eu poderia continuar catalogando a dissidência institucionalizada da doutrina e da práxis que se levantou na Igreja desde o Concílio Vaticano II eternamente. Muitos livros seriam necessários para meramente pesquisá-la. O Vaticano não faz nada, ou quase nada, para punir tal dissidência. Mas, então, todos já ouvimos a conversa neo-católica: o Papa [complete com o nome] teme um confronto com os dissidentes nas hierarquias nacionais com receio de que isso cause um cisma. Ou seriam divisões e rupturas?

Com relação à FSSPX, porém, estranhamente não há temor de provocar uma divisão, uma ruptura, um cisma, um seja lá o que for. À FSSPX foi dado até o dia 15 de abril para que esclareçam seus problemas doutrinais. Ou senão… Ou senão o quê? Uma re-excomunhão dos quatro bispos? Como isso poderia ser visto como outra coisa senão algo ridículo, mesmo pela mídia que vem torcendo pelo permanente ostracismo da FSSPX em nome do Concílio? Uma declaração de cisma?

Embasada em quê? Os bispos da FSSPX sequer foram acusados de recusar obedecer ao Romano Pontífice, senão somente de deixar de providenciar um esclarecimento “suficiente” de problemas doutrinais não especificados e secretamente discutidos. A FSSPX corre à Roma sempre que é convocada para discutir a questão. Como tal conduta pode possivelmente constituir um cisma?

Isto sugere um paradoxo: a FSSPX está enfrentado ameaças disciplinares veladas precisamente porque ela obedece e leva a sério tais ameaças. Essa perseguição à FSSPX me lembra o raciocínio da guerra contra o Iraque para “combater o terrorismo”: a conquista do Iraque era um “objetivo conquistável” ainda que não existisse de fato nenhum campo da Al Qaeda por lá. Ao esmagar uma ditadura insignificante que ofereceria pouca resistência, os Estados Unidos poderiam fingir que estavam lutando contra os “malvados”.

Talvez depois do dia 15 de abril algo não muito agradável acontecerá à FSSPX. Algo secreto. Algum mecanismo canônico pode aparecer de repente. Talvez algum tipo de ultra-excomunhão está sendo considerado, apesar de absurdo. Muito provavelmente, porém, nada acontecerá. O Vaticano continuará simplesmente a deplorar a divisão que poderia tornar-se uma ruptura quando, na verdade, todos sabem que a FSSPX e seus membros são, simplesmente, católicos que estão sendo forçados a agir como ninguém na história da Igreja jamais teve que agir. Enquanto isso, ninguém no Vaticano falará sobre a divisão ou ruptura na Áustria ou em qualquer outro lugar onde os ensinamentos fundamentais do Magistério e as diretivas papais estão sendo ignorados.

Mas honestamente: como nenhum dos notórios chefes da atual pandemia de dissidência da fé e da moral foi chamado ao Vaticano para que “esclareça” seus “problemas doutrinais”? Por que a nenhum deles foi dado um prazo para que “esclareça sua posição, de modo a sanar a atual divisão”?

A resposta se encontra naquilo que todos os dissidentes têm em comum: todos eles adoram o Vaticano II. Nenhum deles tem qualquer “problema doutrinal” com o Concílio. Muito pelo contrário, o Concílio lhes dá transportes de alegria. Eles celebram o Concílio como a Magna Carta de sua libertação da Tradição. O “problema doutrinal” deles diz respeito somente àquilo que a Igreja constantemente ensinou e acreditou antes do Concílio. Você sabe: dogmas definidos, esse tipo de coisa.

Se o Concílio pode ser corretamente caracterizado dessa forma não é a questão. A questão é que os dissidentes que povoam abundantemente a Igreja hoje em dia percebem-no desta forma e, portanto, aceitam tal caracterização sem reservas. Assim, não há necessidade de nenhum convite urgente para ir ao Vaticano. A resposta que dão ao Concílio é “suficiente” o bastante. Mas a resposta da FSSPX ao concílio é “insuficiente”. A FSSPX deve esclarecer sua posição respeitando os imprecisos textos conciliares de acordo com uma “hermenêutica da continuidade” a qual o Papa constantemente se refere, mas que nunca foi explicitada.

O Concílio, o Concílio, o Concílio. Só o Concílio importa. É por isso que só a FSSPX enfrenta o prazo final do dia 15 de abril, para evitar “uma ruptura eclesiástica de dolorosas e incalculáveis conseqüências”. Evidentemente, a partir da perspectiva Vaticana, não há nada doloroso ou incalculável a respeito da apostasia do mundo ocidental que os padres e bispos vêm administrando desde… bem, desde o Concílio.

Permitam-me sugerir algumas questões que talvez pertençam com mais propriedade no arquivo “insuficiente” do Vaticano. Talvez as autoridades vaticanas possam estabelecer alguns prazos para tratar de tais questões, que dizem respeito ao bem comum de toda a Igreja, ao invés de “problemas doutrinais” que quatro bispos tradicionalistas expressaram a respeito de documentos conciliares reconhecidos como problemáticos praticamente por todos, incluindo o próprio Papa:

  • “Insuficiente”: a fé de milhares de católicos, incluindo bispos e padres rebeldes, que não mais se importam com o que Papas ou Concílios sempre ensinaram com relação às questões de fé e moral naquilo que decidiram ir contra.
  • “Insuficiente”: uma liturgia Romana que, como o Papa afirmou quando Cardeal Ratzinger, entrou em “colapso” por causa de uma “ruptura na história da liturgia”, cujas “conseqüências só poderiam ser trágicas”.
  • “Insuficiente”: a defesa da Hierarquia Católica das “duras verdades” frente à rejeição popular, bem como seu fraco-quase-inexistente testemunho contra a suave tirania da nação-estado moderno, ao qual os homens da Igreja se renderam completamente de acordo com um programa de “diálogo”, “ecumenismo”, “liberdade religiosa” e “abertura ao mundo” que o Concílio Vaticano II inaugurou – refletindo os “problemas doutrinais” que a FSSPX foi chamada a “esclarecer”.
  • “Insuficiente”: o esforço de livrar as dioceses dos homossexuais, dos hereges, dos catecismos heréticos e de programas depravados de “educação sexual”.
  • “Insuficiente”: as tentativas absurdas de realizar a “consagração da Rússia” enquanto deliberadamente deixam de mencionar a Rússia, pois os burocratas do Vaticano acham imprudente honrar o pedido da Virgem Prudentíssima.
  • “Insuficiente”: a condição geral da Igreja onde, mais de 40 anos após a “renovação conciliar”, vastos números de católicos nominais exibem o que João Paulo II descreveu como uma “apostasia silenciosa” e onde grande parte da hierarquia exibe o que a irmã Lúcia de Fátima chamou de “desorientação diabólica”.
  • “Insuficiente”: a liberação do Terceiro Segredo de Fátima no ano 2000, onde falta a explicação de Nossa Senhora sobre uma visão tão ambígua quanto os documentos do Vaticano II.

E, finalmente, há a abordagem geral do Vaticano com relação à FSSPX. Ela deveria ser regularizada imediatamente – unilateral e incondicionalmente, com permissão para operar independentemente dos bispos que estão cantando louvores ao Vaticano II enquanto fecham escolas, fecham paróquias, ignoram ou desafiam o Summorum Pontificum, se aproximam de grupos de “católicos gays”, administram o Santíssimo Sacramento a hereges públicos e sorriem como loucos enquanto sufocam a vida da Igreja.

Somente uma renovação católica como a que foi produzida de modo independente e com apoio papal pelos monastérios de Cluny pode restaurar a Igreja agora. A FSSPX está preparada para ter um papel importante nessa renovação. Negar à FSSPX este papel simplesmente para continuar a barganhar a respeito das ambigüidades de um Concílio que ninguém parece conseguir esclarecer é insuficiente. Rezemos para que o Papa traga este espetáculo ridículo a um fim para o bem da Igreja e do mundo.

26 Comentários to “Insuficiente?”

  1. Com certeza querem a adesão irrestrita ao “magistério vivo da Igreja”.

  2. Em que época difícil da Igreja fomos chamados nós todos a combater contra os embustes e as ciladas dos inimigos visíveis e invisíveis. Ajudai-nos Virgem Santíssima, enviai os vossos apóstolos dos últimos tempos.

  3. Análise perfeita!!

  4. Mais claro nunca vi. Tomara que seja lido pelas instâncias certas de ambos os lados.

  5. E difícil é também entender o que quer o Papa. Uma hora ele da um passo um direção à doutrina de sempre, …depois não se decide em pontos de suma relevância, não corrigindo e não mudando nada, e até indo em direção contrária. Qual é de fato o pensamento do Papa?

  6. O artigo é muito claro. Para aqueles que há décadas seguem o tema está óbvio que uma data marcada é insignificante. O fundo da questão passa necessariamente por uma confiança heróica na Divina Providência e no Imaculado Coração de Maria, no sentido de que venha o quanto antes uma nova era para a Santa Igreja e para a Civilização Cristã: “Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará!”. Como e quando? Mistério. Enquanto isso não ocorra, rezemos, rezemos e rezemos. Sem deixar de atuar, claro, porque muita coisa se pode fazer. NSJC esteve só no horto. Ninguém rezava nem vigiava com Êle.

  7. A demo-cracia sempre escolhe Barrabás.

  8. Helio Nunes,

    O Papa só quer resolver uma questão burocrática de ” unidade”. Nada vai ser revisto, mudado ou seja lá o que for. Cada um com sua linha pensamento, doutrina, comportamento etc..etc.

  9. Deo Gratias!

    Um artigo que expõe o que muitos gostaríamos a tempo de dizer: por que dois pesos e duas medidas ao julgar os tradicionalistas e os progressistas? Por que um ultimatum sobre um texto “secreto” que a princípio deveria ser a norma para todos os católicos? Esquecem-se que não é só a FSSPX que tem dificuldades com a liberdade religiosa declarada no Concílio Vaticano II?

  10. Com a palavra, os “plenas”!!!

  11. O problema é justamente que a FSSPX pode ser cobrada, pois são católicos verdadeiros, e se manterão fieis à Igreja haja o que houver.

    Já os modernistas e progressistas citados no artigo, abandonariam o barco tão logo fossem repreendidos e obrigados a professar a Fé Católica íntegra a pura.

    Sim, sei que a Igreja estaria melhor sem esses últimos. Mas tento me colocar no lugar do Papa: quantas boas almas, enganadas nessa crise de Fé, não seriam arrastadas pro buraco junto com os hereges, que declarariam cisma no mesmo instante? Será que o Papa não está tentando salvar o pouquíssimo trigo que cresce no meio do joio?

    Cada um de nós imagina algo que deveria ser feito para resolver a crise da Igreja. Vivemos em um tempo em que a expressão “ensinar o Padre a rezar a Missa” não é mais absurdo. Mesmo assim, tento cuidar ao máximo para não pensar que eu, pobre miserável, saberia conduzir a Igreja melhor do que o Papa.

    Devido a minha incapacidade de avaliar a situação, não somente pela minha posição de último dos católicos, mas também pela falta de informações, é que prefiro colocar tudo nas mãos de Nossa Senhora, e confiar que será feita a vontade de Deus.

    Eu não sei se alguma atitude foi tomada pelo Vaticano no caso dos hereges. Mas isso não quer dizer que não tenha sido feito nada.

    Com ou sem acordo da FSSPX com Roma, a luta pelo triunfo do Imaculado Coração de Maria continua!

  12. Minhas palavras são as do sr. Israel TL.

  13. Lendo este interessante artigo, mais uma vez me vem a ideia de um subtitulo para o concílio vaticano II: “Quando o diabo também usou uma mitra!”

  14. O que tenho percebido é que a nossa Igreja Católica Apostólica Romana, tem deixado a desejar e, nós seus fiéis, vivemos uma realidade de muita abertura,que vem divergir de tudo aquilo que Deus deixou muito claro na Sua Santa Palavra.Aqueles católicos que procuram ser evangelhos vivos têm passado por graves problemas.Têm sido muito perseguidos por aqueles que estão preocupados com a quantidade, e não com a qualidade dos membros da nossa Igreja.É uma pena que a nossa congregação religiosa, esteja passando por essa crise tão estarrecedora!
    Que a nossa Mãezinha do Céu envolva a nossa igreja com o seu manto de amor e interceda ao Ressuscitado por uma civilização cristã mais voltada para os preceitos de Deus.
    Com esse uso de “dois pesos e duas medidas”, nós católicos estamos meio perdidos na nossa caminhada! Só a misericórdia do Altíssimo…
    Resta-nos por os nossos joelhos em terra e orarmos intensamente, suplicando ao nosso Pai Eterno,pela unidade na nossa Igreja.

  15. As palavras de Israel Tl foram perfeitas.

    Parabéns!

  16. Esse texto é um verdadeiro bálsamo.

    Há os infalibilistas do Vaticano II, que o reconhecem apenas como um concílio pastoral, sem ter feito qualquer pronunciamento infalível¹, mas que se recusam a reconhecer que possa ter existido erro nos seus documentos. Quando apontamos alguma incoerência, eles logo tiram a espada da cintura e nos fornecem longas explicações, apelando ao principio de hermenêutica da continuidade, justificando tudo o que há no concílio.

    Se algo que não é infalível não pode haver a menor possibilidade de erro, logo esse texto se torna infalível. A contradição neo-conservadora é grotesca. Cito como exemplo apenas o n° 12 do documento que trata sobre o ecumenismo, aonde há contribuição formal do concílio, dando o estímulo para que hereges e cismáticos professem uma fé falsa e ainda exortando que católicos se unam a esses, para que todos os cristãos, não importando a denominação, professem a fé no Deus Uno e Trino e em Jesus. Como se bastasse alguns poucos artigos de fé (também esses falsificados pelos hereges) para existir união entre as diversas denominações.

    Algo que contradiz completamente a Mortalium Animos.

    Querer obrigar a FSSPX a aceitar o concílio como condição da plena comunhão já é grotesco apenas pelos fatos já citados no artigo. Mas quando há ensinos que claramente contradizem o magistério anterior, a coisa já passa a ter uma gravidade ainda maior.

    Eu sou totalmente favorável a reconciliação da FSSPX a plena comunhão, apenas professando aquilo que é de fé e que o concílio proclamou pastoralmente. Todas as demais novidades, o juizo deveno mínimo ser suspenso, exigindo sim, declarações infalíveis acerca desses ensinamentos. Quanto aquilo que contradiz abertamente o magistério anterior, deve ser prontamente rejeitado.

  17. Israel TL disse tudo.

  18. Se é verdade que no corpo místico da Igreja os defensores da fé podem ser chamados de células vivas, estas devem superar os laicistas, a quem poderíamos chamar de células cancerígenas. A superação é lenta, muito lenta, como é lenta a recuperação de um doente terminal. Eles um dia morrerão, e com eles a sua infidelidade. Basta olhar que não há mais vocações nos Seminários modernistas, um dia restará só os atuais modernistas, e eles um dia irão morrer, ao passo que os Seminários que optaram pela Fé e pela Caridade estão cada vez mais cheios de vocações, que um dia sucederão os atuais defensores da fé e da caridade. Os modernistas estão sem sucessão, ao passo que os fiéis filhos da Igreja têm sucessão. Tudo é uma questão de tempo! A pressa é inimiga da perfeição! São os defensores da fé que devem ser fiéis, os infiéis devem permanecer como são (cf. Apo.) No meio da grande tempestade deve ser muito maior a fé e o amor dos bons. Por isso, é “insuficiente” a fé que adere a tradição sem adesão irrestrita ao fundamento da fé: o Romano Pontífice. É injusto prometer fidelidade ao Papa só se os dissidentes (modernistas) obedecerem! Eles não obedecerão! O Papa conta com vocês! E a isso se pode chamar de vocação: a vocação da fsspx nestes tempos difíceis para a Igreja é a fidelidade ao Papa! Que o Bom Deus e a Santíssima Virgem Maria lhes conceda o preciosíssimo dom do amor sem limites ao doce Cristo na terra, hoje Bento XVI. Sem limites, isto é, que não seja limitado pela infidelidade dos infiéis: deixem os infiéis morrerem como eles querem! Não esperem por eles para entrar no céu da fidelidade ao Romano Pontífice, pois eles não vão entrar nesse céu, o caminho deles é o inferno da infidelidade. É necessário esquecer a podridão e preocupar-se com a parte sã: é preciso que todos sejamos santos, mas santos cheios de liberalidade (caridade), não cheios radicalismos (jansenismos)! Só numa coisa devemos ser radicais: na Caridade!

  19. Indubitavelmente este é o melhor artigo que já li neste Blog, é um raio X de toda crise, é como eu digo só não vê quem não quer.Para os hereges que estão dentro da igreja toda pompa, para os terríveis bispos e Pe. da Fraternidade ANÁTEMA.
    Caro Israel TL, permita-me discordar de seu pensamento, já imaginaste quantos Católicos saíram da Igreja por conta justamente desta apostasia? Quantos enveredaram para esta seitas protestantes justamente por não encontrar a doutrina verdadeira neste caus que se tornou a doutrina Católica? ( pois cada padre tem sua própria doutrina quando não a tira de algum herege declarado), pois acho que é exatamente isto que está causando todo o problema, perseguem quem era prA ser apoiado e deixam livres, leves e soltos quem era pra ser ANATEMATIZADO.

  20. Já la se vão 40 anos de negociações entre o Vaticano e a FSSPX e nada… Se o Papa não der um ultimatum a FSSPX ficará eternamente em cima do muro. Chegou a hora para a FSSPX dizer claramente: sim sim ou não não. O que não pode é ficar em cima do muro como ensinou Nosso senhor no sermão da Montanha. A paciência do Santo Padre tem limites e ele quer uma resposta clara da FSSPX, pois ninguém fez nada mais do que ele para que a FSSPX voltasse a plena comunhão com a Igreja.

  21. Caro Israel TL
    Suas ponderações são justas porem duas coisas me chamaram a atenção: Uma é que se o papa está querendo salvar o “pouco de trigo” e impedir um cisma, temos que pensar em quantas almas já se perderam ao longo dos últimos 50 anos. Isso por medo de um cisma, o qual já é visível há muito tempo. Continuar como esta atitude é deixar se perder as almas que se deveriam salvar. Por mais quanto tempo? A outa coisa é que não podemos pedir a Nossa Senhora para interceder por uma solução, e ao mesmo tempo darmos adesão pública a toda essa “liturgia” e “sacramentos” adulterados da “igreja conciliar”, (Não quero dizer com isso que você o faça) É só uma observação.

  22. Francisco de Mello e Silva, a sua visão da realidade é totalmente distorcida, a FSSPX jamais esteve em cima do muro, pois, sempre afirmaram que são Católicos e nunca pretenderam ser outra coisa. Ser Católico NÃO é ficar em cima do muro, quem está em cima dele, é quem se diz Católico e aceita doutrinas contrarias a Fé verdadeira, como ecumenismo e liberdade religiosa. Sim sim a doutrina e tradição de sempre na Igreja. Não não as inovações e aberrações originadas do CVII. Em cima do muro quando se aceita que a Missa Tridentina e a Missa nova tem o mesmo valor e as colocam em pé de igualdade.

  23. Caríssimos, notem que eu apenas imaginei uma linha de ação que pode ser a do Papa. Em nenhum momento julguei ser esse ou aquele o melhor caminho. Ao contrário, deixei bem claro que não me sinto em condições de falar como se eu fosse fazer melhor do que Sumo Pontífice.

    De qualquer forma, agradeço as críticas, pois tenho certeza que foram feitas com caridade e respeito.

  24. Sr. Francisco de Melo e silva para entender bem a posição da FSSPX e as negociações com “Roma”, a pessoa que deseja tecer comentários sobre este assunto deve no minimo estar bem informada. O seu comentário sobre a FSSPX “ficar em cima do muro” e a paciência do Santo Padre, me remetem as escrituras: Livro dos Provérbios XVII – 28.

  25. “Talvez algum tipo de ultra-excomunhão está sendo considerado, apesar de absurdo. Muito provavelmente, porém, nada acontecerá. O Vaticano continuará simplesmente a deplorar a divisão que poderia tornar-se uma ruptura quando, na verdade, todos sabem que a FSSPX e seus membros são, simplesmente, católicos que estão sendo forçados a agir como ninguém na história da Igreja jamais teve que agir.”

    Só católicos. Os fiéis da FSSPX são SÓ CATÓLICOS, e nada mais.

  26. Se a FSSPX já assinou acordo, ratzinger entre para a história como o papa que fez o CVII triunfar!

    Se a FSSPX n assinou( é??) ratzinger entre para a história – na cabeça dos plena comunhão -, como o papa que mais quis eles de volta, mas na verdade é um incansável perito do CVII querendo sua obra triunfar.

    Desenhando: uma pessoa faz um bolo e quer que TODOS digam que ficou ótimo, mesmo que para isso se sacrifique o estômago (seria a fé) de todos.