Medjugorje, a história definitiva (VIII): Proibição das peregrinações. Uma declaração do atual bispo diocesano.

Uma declaração de Dom Ratko Peric

Dom Ratko Peric.

Dom Ratko Peric.

A imprensa local novamente retornou ao fenômeno de Medjugorje.  O motivo é a carta do Arcebispo Bertone, Secretário da Congregação para a Doutrina da Fé, de 26 de maio de 1998, para Dom Aubry, da ilha francesa de Reunion, no Oceano Índico. Motivados pela interpretação dada a esta carta pela mídia, nos dispusemos a fazer uma breve cronologia a respeito da opinião dos expertos e da posição oficial da Igreja que, até esta data, permanece inalterada, com relação aos acontecimentos de Medjugorje.

Aparições não reconhecidas. O fenômeno das “aparições” em Medjugorje foi estudado por três comissões. Na segunda comissão, o bispo local de Mostar, Dom Zanic, chamou especialistas de faculdades eclesiais e instituições científicas. No dia 2 de maio de 1986, os membros da comissão votaram non constat de supernaturalitate, ou seja, que os “eventos” em Medjugorje não envolvem aparições sobrenaturais. Tendo informado a Congregação, com a concordância do bispo de Mostar, a antiga Conferência Episcopal estabeleceu uma nova comissão em 1987 que trouxe os resultados das investigações para os bispos no outono de 1990.  Com base nos estudos da Conferência dos Bispos, reunidos em Zadar no dia 10 de abril de 1991, foi feita uma declaração negativa a respeito de Medjugorje: “Com base nas investigações feitas até agora, é impossível confirmar que os eventos envolvem aparições ou revelações sobrenaturais”. Estas “aparições” devem ser consideradas “ditas aparições” ou “alegadas aparições”. A Congregação para a Doutrina da Fé também se refere a elas com pontos de interrogação.

Nas atuais circunstâncias, a possibilidade de um estudo futuro sobre as ditas aparições em Medjugorje não foi levantada pela Conferência Episcopal da Bósnia-Herzegovina. As ditas aparições e suas “mensagens” foram dirigidas contra o bispo local desde o começo (1981) e estão fortemente ligadas com a “questão da Herzegovina” que tanto preocupa a Santa Sé que gostaria de resolvê-la tão logo fosse possível. Isso se refere à desobediência da província Franciscana da Herzegovina na execução do decreto papal a respeito de certas paróquias na diocese de Mostar-Duvno.

Visitas “Privadas”. Por conta da falta de autenticidade das “aparições sobrenaturais” em Medjugorje, o bispo local, Dom Zanic, se posicionou contra a organização de visitas ao lugar das ditas aparições. A antiga Conferência Episcopal declarou que “peregrinações oficiais organizadas como se já fossem aceitas pela Igreja, não são permitidas”.

A Congregação para a Doutrina da Fé escreveu à Conferência Episcopal Italiana em 1985, com a sugestão aos bispos italianos de que “eles publicamente desencorajem a organização de peregrinações ao lugar das ditas ‘aparições’, bem como todos os outros meios de publicidade, especialmente com relação à mídia, que poderia prejudicar um exame calmo dos ‘eventos’ por parte da comissão especial que foi estabelecida canonicamente para este propósito”.

A Conferência Episcopal reunida em Zadar, ao declarar ser impossível confirmar a autenticidade das “aparições” ou das “revelações” em Medjugorje, também mencionou que existem “grandes reuniões de pessoas de todas as partes do mundo que vem à Medjugorje por motivos religiosos e por outros motivos”.

Visitas “privadas” desta natureza nunca foram matéria de controvérsia, dado que visitar Medjugorje seria similar a visitar qualquer outra paróquia católica. No entanto, sempre foi afirmado, de forma clara, que isto não pode ser feito de forma oficial, usando a igreja e o púlpito para pregar a autenticidade das ditas aparições e proclamar o lugar um “santuário” de aparições não reconhecidas [pela Igreja].

A Congregação para a Doutrina da Fé escreveu ao Arcebispo francês Daloz de Besançon em 1995, e ao Bispo Taverdet de Langres em 1996, que “do que foi dito, segue que peregrinações oficiais a Medjugorje, que a apresentem como um lugar de aparições Marianas autênticas, não devem ser organizadas nem a nível paroquial ou diocesano, pois isso seria uma contradição do que foi afirmado pelos bispos da ex-Iugoslávia em sua declaração anterior”. [1]

Com relação às “peregrinações à Medjugorje de natureza privada”, a Congregação mantém que elas são permitidas “sob a condição de que não sejam consideradas uma autenticação dos eventos que continuam acontecendo e que demandam uma posterior investigação pela Igreja”. Assim sendo, não há nada de novo aqui. Peregrinações oficiais ou eclesiais não são permitidas, bem como são proibidas as visitas “privadas” que tenham a intenção de provar que as ditas “aparições” e “mensagens” são autênticas. Consequentemente, a posição oficial do bispo local é a mesma posição oficial da Conferência Episcopal de 1991. E tanto os padres quanto os fiéis deveriam aderir a esta posição.

Mostar, 21 de julho de 1998.

+Ratko Peric

Bispo de Mostar

2 Comentários to “Medjugorje, a história definitiva (VIII): Proibição das peregrinações. Uma declaração do atual bispo diocesano.”

  1. Alguém saberia me explicar o motivo e qual foi a proibição papal que causou a desobediência da Província Franciscana da Hezergovina?!? Seria coisa deles as aparições, para causarem um “cisma”, desobediência ao Santo Padre?

  2. Nunca accreditei nesses aparições de Medjogorje; veja que diferenças radicais entre Lourdes e Fátima, cujos videntes mudaram-se para vida de plena oração, desprezando tudo o mais. Nunca vi falar que pessoas que recebessem visitas celestiais ficassem depois por aí como pessoas comuns, se casando e outras mais. Se os bispos locais reprovam, então basta. Já houve até discussão por meio de interlocutor de uma vidente (será?) contra um dos bispos; ele duvidava, ela garantia que sim e há fatos nebulosos por detrás dessas visões.