Carta Apostólica Motu Proprio “Summorum Pontificum”.

Por Padre Élcio Murucci

É lícito, diz o “Motu Proprio”, celebrar o Sacrifício da Missa de acordo com a edição típica do Missal Romano promulgado pelo Beato João XXIII em 1962 e NUNCA AB-ROGADO”. (grifos nossos). Quero comentar apenas estas duas preciosíssimas palavras destacadas: “nunca ab-rogado”.

Primeiro é um reconhecimento feito de maneira oficial. É o Santo Padre, o Papa, nosso guia no Magistério Vivo e Perene da Santa Madre Igreja quem o faz, e de maneira tão simples e natural, deixando claramente transparecer de que se trata de uma coisa óbvia. No entanto, no dia do Juízo vamos ver a quantos sofrimentos os padres e fiéis tradicionalistas foram submetidos, por as autoridades da Igreja terem agido como se o contrário é que fosse verdade.

Numa palestra que D. Antônio de Castro Mayer, bispo de Campos, fez ao microfone da Rádio Cultura de Campos, no dia 27 de novembro de 1971, entre outras coisas diz o seguinte: (…) ” a Missa é o centro do Cristianismo, é o que lhe dá vida, e o faz autêntico. Por isso mesmo, Lutero, a primeira coisa que fez para abalar a Igreja de Roma, foi atacar a Missa” (…) “Segundo esta legislação canônica em vigor um costume mais do que centenário, ou imemorial só se considera ab-rogado, quando semelhante ab-rogação é declarada de modo explícito (c. 30). Ora, de um lado a Missa tradicional de São Pio V tem uma tradição muito mais do que centenária. É milenar, e mais que milenar. Pelo menos no século VI já se celebrava a Missa, como se celebra hoje a Missa de São Pio V. De onde, continua a ser lícita a celebração dessa Missa. Ninguém pode censurar um padre porque continua a celebrá-la”.

“Alguém poderia perguntar por que este apego à Missa tradicional?

“Explica-se:

“São Pio V fixou o rito da Missa, conservando o rito tradicional, e proibindo pequenas adições e subtrações que se faziam em alguns lugares, para impedir que se alargassem na Igreja, e viessem adulterar o rito sagrado, de maneira que sua característica de verdadeiro sacrifício propiciatório caísse no esquecimento e viesse a ser anulado. A Missa de São Pio V é, pois, uma barreira contra a heresia: os protestantes diziam e dizem que todos os fiéis são sacerdotes e que o padre não tem nenhum sacerdócio especial. – A Missa de São Pio V fixa de modo insofismável a distinção entre o padre que celebra, que sacrifica, e o povo que se junta ao sacerdote em posição subalterna, para participar do sacrifício. Os protestantes negavam que a Missa fosse um verdadeiro sacrifício. Era apenas uma Ceia. – A Missa de São Pio V afirma de modo peremptório que a Missa é um verdadeiro sacrifício. Os protestantes negavam, e negam, que a Missa seja um sacrifício propiciatório. No máximo aceitam que se diga um sacrifício de ação de graças. – A Missa de São Pio V marca indelevelmente o caráter propiciatório da Missa. É pois uma barreira a invasão herética”.

“Daí o explicável apego que a ele (ao rito da Missa de S. Pio V) têm fiéis que amam a Igreja e amam a Jesus Cristo, porque o apego e o amor à doutrina e Revelação de Jesus Cristo é sinal de verdadeiro amor ao mesmo Jesus Cristo, segundo a expressão dele mesmo: “Quem me ama, guarda a minha palavra” (S. Jo. XIV, 23). Compreende-se, assim, a pergunta que faz o publicista francês Luiz Salleron, no semanário parisiense “Carrefour” de 14 de julho último: “É acaso, possível proibir uma Missa que, desde os primórdios, é a Missa ininterrupta da Tradição e que foi fixada no século XVI em plena harmonia com o Concílio de Trento, cujos trabalhos, seguidos por longos anos, tiveram como finalidade determinar bem o objeto do Dogma Eucarístico?” – Também a nós nos parece que não é possível. Até agora a Santa Sé também não a proibiu. Portanto, em plena harmonia com a Igreja, podem todos os padres continuar celebrar a Missa Tradicional de São Pio V”.

Na época, lembro-me que os progressistas da Diocese de Campos, acharam que D. Antônio estava errado. Bem parecido com a época do Papa Honório I; só a matéria da controvérsia era diferente. Patriarcas, bispos e padres monotelitas acharam que o monge Máximo estava errado em não obedecer ao Papa Honório I; mas hoje Máximo é enaltecido pelo seu amor a Igreja e a Jesus Cristo, e foi canonizado; e o Papa Honório I, 40 e poucos anos depois de morto, foi anatematizado, aliás, por um Papa santo, ou seja, São Leão II.

Se D. Antônio de Castro Mayer estivesse vivo, como ele teria se alegrado por este documento “Motu Proprio” “Summorum Pontificum” de Sua Santidade o Papa Bento XVI!!! Sobretudo por ter declarado de modo insofismável que a Missa de São Pio V nunca foi ab-rogada. Homem de fé e que amava verdadeiramente a Nosso Senhor Jesus Cristo e Sua Mãe Santíssima, D. Antônio de Castro Mayer teria se alegrado enormemente, não só simplesmente por ver sua opinião confirmada pelo Papa; não pensando no própria glória, mas na maior glória de Nosso Senhor Jesus Cristo e no triunfo da Santa Madre Igreja.

Lendo hoje a carta “Summorum Pontificum”, pensamos também em D. Marcel Levebvre, outro bispo que amava ternamente a Santa Madre Igreja. D. Mayer e D. Levebvre eram dois homens capazes de dar a vida no martírio pelo triunfo da Santa Madre Igreja.

Em 23 de dezembro de 1982, o então Prefeito da Congregação para a doutrina da Fé, o cardeal Ratzinger, hoje o nosso Santo Padre, o Papa, em nome do Papa João Paulo II, apresentava a D. Lefebvre algumas propostas em vista da sua regularização e da dos membros da Fraternidade de São Pio X; e depois, no fim da carta, observou: “Eu devo acrescentar, enfim, que, no que concerne à autorização de celebrar a Santa Missa segundo o “Ordo Missae” anterior ao de Paulo VI, o Santo Padre decidiu que a questão será resolvida para a Igreja universal e, portanto, independentemente de seu caso particular”.

Destas palavras do então cardeal Ratzinger podemos tirar algumas conclusões: 1ª) É uma injustiça contra D. Levebvre dizer (como alguém disse) que ele foi culpado por esta demora de 25 anos na liberação da Missa de São Pio V para a Igreja Universal. Por que injustiça? Primeiro porque o cardeal Ratzinger declarou que o Santo Padre decidiu que a vontade dele era resolver esta questão para a Igreja universal, independentemente do caso de D. Lefebvre, ou seja, não dependeria da solução ou não solução deste caso particular da regularização de D. Lefebvre e de sua Fraternidade de São Pio X. Portanto, se o Papa não resolveu senão depois de 25 anos, não foi por causa de D. Lefebvre. 2ª) D. Lefebvre visitou a João Paulo II, poucos meses depois de sua eleição, para o cumprimentar , e pedir a bênção a Sua Santidade e, especialmente, fazer-lhe um pedido, para o bem de toda a Igreja: reconhecer oficialmente o direito de se celebrar a Missa de sempre. “O Papa João Paulo II, conta o próprio D. Lefebvre, por ocasião da audiência que me concedeu em novembro de 1979, ele parecia bastante disposto, após uma conversação prolongada, a deixar a liberdade de escolha na liturgia, a deixar-me fazer, no fim de contas, o que eu solicito desde o começo: entre todas as experiências que são efetuadas na Igreja, “a experiência da tradição”. Parecia ter chegado o momento em que as coisas se iriam arranjar, não mais ostracismo contra a missa, não mais problema. Mas o cardeal Seper, que estava presente, viu o perigo; exclamou: ‘Mas Santíssimo Padre, eles fazem desta missa uma bandeira!’ A pesada cortina que se havia erguido num instante recaiu. Será preciso esperar ainda.” (Confira “CARTA ABERTA AOS CATÓLICOS PERPLEXOS” edição feita pela Permanência, capítulo XX, os 2 §§ finais).

Todos sabemos que D. Lefebvre dentro da década de 80 fez alguns escritos ou conferências que depois foram publicadas, em que ele diz palavras muito severas como: “é em Roma que a heresia instalou-se… É por isso que nós não podemos nos ligar a Roma”. É preciso estarmos lembrados e os mais novos precisam saber que nas décadas de 70 e 80, ou seja, alguns anos após o Concílio Vaticano II, aconteceram tantos e tão grandes escândalos e sacrilégios, por causa do ecumenismo, da liberdade religiosa e da inculturação, das novas teologias; enfim com a destruição de tudo o que era sagrado e tradicional, que realmente éramos levados a pensar que a profecias de Nossa Senhora de La Salette estavam se realizando. Às vezes fico pensando assim: Se todos os absurdos que foram cometidos dentro da Igreja tivessem sido filmados e hoje fossem mostrados, muitos teriam dificuldade em acreditar; alguns morreriam de tristeza; teriam exclamado: mas isto não é Religião!!! É a abominação da desolação dentro do lugar santo!!! Hoje também há coisas muito tristes. Mas a grande diferença é que hoje temos muitas coisas boas que na época não tínhamos e nem sequer a esperança de tê-las tão cedo.

D. Pestana, de saudosa e santa memória, era na época bispo de Anápolis GO. (1979-2004). Por causa dos absurdos que estavam sendo cometidos dentro da Igreja chegou a dizer que não foi só a fumaça de Satanás que entrou na Igreja, mas foi o demônio inteiro. Eis as palavras de D. Pestana: “O demônio todo inteiro, não só a sua fumaça como disse Paulo VI, transpôs triunfalmente os portões da Igreja e está colocado nos seus mais altos postos, através de seus fiéis seguidores. Estupidificados pelo engodo do ecumenismo, estão engolindo a infidelidade e a apostasia que escorrem do alto. A Igreja esá caminhando para Sodoma e Gomorra”.  Realmente foi a coisa mais triste do mundo!!! Até o idoso bispo D. Lazo passou para o Fraternidade de São Pio X.

Como a Santa Igreja é divina, desde a promulgação de Missa de Paulo VI, houve reações contra esta missa feita com a assistência complacente e concorde de seis pastores protestantes. E como na época do Papa Honório I que com sua ambigüidade, imprudência e negligência favoreceu a heresia monotelita defendida pelos bispos patriarcas Sérgio e Pirro, houve dois homens providenciais: o monge São Máximo e o bispo São Sofrônio, podemos dizer que para defender a Missa Tradicional, a Providência Divina suscitou na Igreja dois bispos: D. Antônio de Castro Mayer e D. Marcel Lefebvre.

Suponhamos, por absurdo, que nem eles nem outros tivessem reagido contra a Missa Nova e não tivessem defendido que a Missa de São Pio V nunca poderia ser ab-rogada, o que teria acontecido? Com certeza, hoje, não teríamos mais a Missa Tradicional. Por isso devemos concluir que D. Lefebvre e D. Mayer foram homens providenciais e quem sabe um dia a Igreja não os vai canonizar como canonizou Santo Atanásio, São Máximo e São Sofrônio?! D. Lefebvre e D. Mayer eram homens de fé, de penitência e de oração. E eram humildes. Com relação a D. Lefebvre, numa carta de 30 de julho de 1983 o então cardeal Ratzinger declarou: “O Santo Padre não desconhece nem sua fé nem sua piedade”. Já é um bom início!!! Não é verdade?!

Em carta de 7 de julho de 2007, D. Bernard Fellay, DD. Superior Geral da Fraternidade Sacerdotal de São Pio X, escrevia: “O Motu Proprio Summorum Pontificum do dia 7 de julho de 2007 restabelece a missa tridentina no seu direito. Nele se reconhece claramente que nunca tinha sido ab-rogada. Deste modo, a fidelidade a esta missa em nome da qual muitos sacerdotes e leigos foram perseguidos e inclusive punidos desde 40 anos atrás – esta fidelidade, pois, nunca foi desobediência. Não é senão um ato de justiça agradecer hoje a D. Marcel Lefebvre por ter-nos mantido nesta fidelidade à missa de sempre em nome da verdadeira obediência, contra todos os abusos de poder. Ninguém duvida que este reconhecimento do direito da missa tradicional seja o fruto dos numerosíssimos rosários oferecidos a Nossa Senhora durante nossa cruzada do Rosário no mês de outubro passado. Saibamos agora expressar-lhe a nossa gratidão”.

Vejam como devemos fazer para conseguirmos graças e bênçãos de Deus, Nosso Senhor: rezar com devoção o Santo Rosário da Santíssima Virgem Maria. E nunca devemos atribuir a nós mesmos, à nossa esperteza política de sobrevivência, a aquisição de alguma coisa. Tudo é graça de Deus; e Nosso Senhor quer que a peçamos.

Tenho lido nos jornais e nas revistas que assino, agora na Internet, como o Santo Padre o Papa tem sofrido por ter feito esta carta “Summorum Pontificum”. Os progressistas não gostaram. E só para se ter uma idéia: no Jornal “O Globo”, do dia 09/07/2007 li o seguinte: o título do artigo: “Bispo se diz de luto” por decisão anunciada por Bento XVI. “Eu não consigo conter as lágrimas. Esse é o momento mais triste de minha vida como homem, padre e bispo” afirmou Luca Brandolini, membro da Comissão de Liturgia da Conferência dos Bispos Italianos, em entrevista ao jornal “La Estampa”. “É um dia de luto não só para mim, mas para muitas pessoas que trabalharam no Concílio Vaticano II, uma reforma (…) inspirada somente pelo desejo de renovar a Igreja e que agora foi cancelada”. (O Globo, 09 de julho de 2007, p. 22). Como os progressistas amam o Vaticano II!!! Será de graça? Foi muito sintomática a referência deste bispo ao Concílio Vaticano II! Cada dia mais me convenço de que os Tradicionalistas (os verdadeiros) são os verdadeiramente obedientes ao Santo Padre, o Papa. Os progressistas só obedecem quando algum papa, a exemplo de Honório I que favoreceu o Monotelismo, favorece o Modernismo; enquanto os verdadeiros tradicionalistas só desobedecem, à exemplo de São Máximo, nestes mesmos casos em que o papa favorece a heresia.

Que Nosso Senhor Jesus Cristo dê ao Santo Padre, o Papa a fortaleza e a luz necessárias para completar a boa obra de desfazer a “reforma” querida e realizada pelo Concílio Vaticano II. Amém!

13 Comentários to “Carta Apostólica Motu Proprio “Summorum Pontificum”.”

  1. Revmo. Senhor Padre Murucci;
    Muito interessante o texto escrito por V. Revma.
    Porém, creio que um tanto tendencioso, uma vez que o sr. faz o mesmo “jogo de palavras”, tal qual Pe. Célier, “manipulando” e distorcendo palavras e pensamento de Mons. Lefebvre, bem como de D. Antônio.
    Palavras muito bonitas, porém, um tanto distantes da triste realidade que se apresenta ante nossos olhos.
    Creio que seria mais prudente que V. Revma. pudesse ler a Revista Fideliter, N° 123, de maio-junho de 1998, à página 40, onde o senhor encontraria as cartas intercambiadas entre Mons. Lefebvre e Dom Antônio, sobre as “mudanças da Roma Modernista”, ou melhor do posicionamento do Sr. Cardeal Ratzinger, o atual Santo Padre, o Papa Bento XVI.
    Também seria muito prudente o senhor conhecer a Revista Fideliter, Nº 73, janeiro-fevereiro de 1990, com uma entrevista de Dom Antônio, na qual o mesmo expõe seu pensamento e sua fidelidade à Doutrina, não do termo “opinião”, como o sr. coloca.
    Após uma leitura mais atenta, creio que o senhor deveria repensar o que afirma, ou então, continuar, como é típico das autoriades romanas a iludir-se com sua “chave de interpretação da continuidade” entre a Sagrada Tradição e o “concílio das maravilhas”.
    Entendo seu posicionamento, uma vez que o senhor faz parte da igreja conciliar, apesar de ser Fiel a Cristo, nosso Senhor.
    Peço-lhe desculpas pelo que lhe expresso, porém, creio que o senhor é um Homem de Fé, como poucos que existem na igreja conciliar, portanto há que pensar e expressar-se usando uma fundamentação correta e não com uma visão um tanto distorcida, ainda que agradável e piedosa.
    Pe. Murucci, a Verdade, infelizmente, nem sempre, apresenta um “sabor agradável”.
    Apenas escrevo a fim de que possa ter uma visão mais clara e, evidentemente, sem tantas “influências” romanas.
    Lastimável, senhor Padre, nós, Católicos Romanos, duvidarmos das intenções e das interpretações de Roma, a qual aprendemos que é nossa “Mãe, a Mestra da Verdade”…
    Triste, não acha?
    Faz-se necessário rezar muito, muito mesmo.
    Ademais, temos que nos formar, que ter uma Fé firme, esclarecida e extremamente clar, a fim de que não nos enganemos.
    Apesar de ser um grande pecador, conte com minhas orações.
    Peço-lhe e me recomendo às suas orações, bem como minha esposa, meus filhos, meus pais e irmãos.
    Com sentimentos de estimas em Cristo, nosso Senhor e Rei;

    Felipe Leão.

  2. Padre Elcio, ótimo como sempre!

    Apenas não consigo concordar com uma frase do texto: “Portanto, se o Papa não resolveu senão depois de 25 anos, não foi por causa de D. Lefebvre.”

    Sim no sentido de Dom Lefebvre ser considerado um ‘impecilho’ como afirmavam os neo-conservadores que querem culpabilizar Dom Lefebvre por essa demora, mas, por outro lado, não no sentido prático da coisa.

    Só consigo enxergar o Motu Proprio como fruto predominante da resistência e perseverança dos padres e fiéis da Fraternidade fundada por Dom Lefebvre e por último à própria resistência de Dom Lefebvre.

    Se o Motu Proprio fosse só uma questão de “justiça com relação ao um rito injustamente esquecido ou proibido”, isso significaria dizer que o papa teria feito o Motu Proprio apenas por uma questão de justiça, mesmo que a Fraternidade tivesse toda aderido à Missa Nova e obedecido às autoridades eclesiásticas da época (apenas ad argumentandum), o que creio ser terrivelmente improvável, uma vez que nesse caso não haveria demanda pela Missa Tradicional. Ela seria praticamente esquecida em todo o orbe. Talvez quem sabe poderia haver uma autorização a um mosteiro aqui ou ali, mas não um documento de alcance universal para por os pingos nos ‘is”.

  3. Revmo Pe Élcio,
    Salve Maria!

    Disse tudo! Rezemos pelo Santo Padre!

    Sua Benção.

  4. Felipe, pe. Elcio foi aluno de Dom Mayer e ordenado por ele. Sofreu como todos os padres de Campos as expulsões e abuso de poder de Dom Navarro. Com todo respeito, você querer ensinar a este padre experiente e próximo do bispo de Campos o que este pensava, é demais para mim… soa quase como arrogância. Perdoe a franqueza.

    Se Dom Mayer respondeu o que segue abaixo sobre o motu proprio Ecclesia Dei, que liberava a missa com todas as restrições possíveis, o que diria de Summorum Pontificum? Ah, sim, a entrevista é do final da vida dele, ou seja, não há objeção de que ele “mudou de idéia” mais tarde:

    FOLHA: Como o Sr. analisa medidas recentes do Papa, estimulando o uso da batina, permitindo o retorno ao antigo rito de São Pio V, condenando a Teologia da Libertação? O Papa, assim, retorna à tradição da Igreja?

    DOM ANTONIO: Todas as medidas que o Sr. menciona estão de acordo com a Tradição da Igreja. Nós as recebemos com gratidão e alegria

  5. Parabéns ao Felipe Leão que me poupou de escrever tudo que disse com quem concordo plenamente.
    Quanto a outros comentários que divergem não vale a pena discutir, pois vêem a situação do ponto de vista modernista.
    “É lícito, diz o “Motu Proprio”, celebrar o Sacrifício da Missa de acordo com a edição típica do Missal Romano promulgado pelo Beato João XXIII em 1962 e NUNCA AB-ROGADO”. O Motu próprio só confirma o que nenhum modernista teve a coragem de fazer conforme o último parágrafo da bula “Quo Primum Tempore”: “Da mesma forma decretamos e declaramos que os Prelados, Administradores, Cônegos, Capelães e todos os outros Padres seculares, designados com qualquer denominação, ou Regulares, de qualquer Ordem, não sejam obrigados a celebrar a Missa de outro modo que o por Nós ordenado; nem sejam coagidos e forçados, por quem quer que seja, a modificar o presente Missal, e a presente Bula não poderá jamais, em tempo algum, ser revogada nem modificada, mas permanecerá sempre firme e válida, em toda a sua força.
    Assim, portanto, que a ninguém absolutamente seja permitido infringir ou, por temerária audácia, se opor à presente disposição de nossa permissão, estatuto, ordenação, mandato, preceito, concessão, indulto, declaração, vontade, decreto e proibição.
    Se alguém, contudo, tiver a audácia de atentar contra estas disposições, saiba que incorrerá na indignação de Deus Todo-poderoso e de seus bem aventurados Apóstolos Pedro e Paulo”.
    Mais adiante se lê: “Se D. Antônio de Castro Mayer estivesse vivo, como ele teria se alegrado por este documento “Motu Proprio” “Summorum Pontificum” de Sua Santidade o Papa Bento XVI!!!” Será ? O rito tradicional é colocado neste documento como extraordinário sendo “a missa nova” o ordinário. São ritos antagônicos, pois o primeiro formou os santos e segundo continua a dar interpretações a todo tipo de absurdo como os relatados aqui no FRATRES.
    E por último: “Cada dia mais me convenço de que os Tradicionalistas (os verdadeiros) são os verdadeiramente obedientes ao Santo Padre, o Papa.” Que tipo de obdiência o Padre cobra aqui? Se for a obdiência irrestrita é próprio dos modernistas. São Paulo chamou a atenção de São Pedro quando este incorreu em erro em vez de obedecer cegamente.

  6. Que fácil, não é Sérgio? Os argumentos adversários são descartados assim, facinho facinho, só porque “vêem a situação do ponto de vista modernista”. Com base no que você diz isso? Uma afirmação gratuita, sem nenhuma comprovação, fundamentada só no “brilhante” cérebro do… Sérgio.

    Por favor, nos ajude com esta: Dom Mayer elogiando motu proprio Ecclesia Dei? Ele via a “situação do ponto de vista modernista?”.

    FOLHA: Como o Sr. analisa medidas recentes do Papa, estimulando o uso da batina, permitindo o retorno ao antigo rito de São Pio V, condenando a Teologia da Libertação? O Papa, assim, retorna à tradição da Igreja?

    DOM ANTONIO: Todas as medidas que o Sr. menciona estão de acordo com a Tradição da Igreja. Nós as recebemos com gratidão e alegria

  7. A Verdade é uma senhora que invade o salão sem pedir licença.
    Ela vem, e se impõe.
    Sejamos francos: a batalha é árdua, é cansativa, é até mesmo angustiante em certos momentos.
    A glória de Deus e a exaltação da Santa Igreja já não podem se contentar com tanta inversão da ordem das coisas. O Motu Proprio Summorum Pontificum, nos pontos em que reconhece a VERDADE, a REALIDADE da Santa Missa Gregoriana – a missa verdadeira, a missa inspirada por Deus – não presta favor a ninguém, não faz mais do que sua obrigação.
    Se Bento XVI, o beatificador de João Paulo II, não tivesse admitido a VERDADE que é a não-abrogação do missal de São Pio V, isso não alteraria em coisa alguma o fato de que a Missa de São Pio V jamais foi e jamais poderia ser suprimida.

    Obrigado, Bento XVI… Por admitir o óbvio, por “conceder” (sim, entre aspas) um direito de qualquer padre católico de rito latino. Por devolver algo que nunca foi verdadeiramente tomado.
    Se os padres tinham a barreira psicológica de não rezar a missa em virtude da FALSA OBEDIÊNCIA, na REALIDADE não tinham barreira nenhuma, porque reza a Bula de São Pio V que NINGUÉM para todo o sempre teria autoridade para proibir a Santa Missa Tradicional.

    Com Deus não se brinca. Para Deus não se dão as migalhas. É tudo muito pouco, liberar a missa em si é um bem, mas a glória de Deus e a exaltação da Santa Igreja exigem TUDO.

    Conversão completa, consagração da Russia, supressão do rito bastardo, aniquilação do modernismo! Basta de omissão, basta de covardia, basta de escrúpulos, basta de respeito humano.
    “A Verdade vos libertará”. Sim.Sim!!!! Cristo veio para lançar filho contra pai, irmão contra irmão, Nosso Senhor não veio para pacificar, mas para separar o que é bom e o que é ruim.

    Nos tempos do Cisma do Ocidente tivemos 3 papas para a (uma) Igreja (e logicamente dois eram falsos papas, eram antipapas). Agora temos um papa para 3 igrejas (e duas são falsas, a da hermeneutica da ruptura e a da continuidade, e uma é a verdadeira, a Igreja que está sólida na Tradição Ininterrupta). Bento XVI é papa legítimo, mas precisa ser um papa CATÓLICO.

    Não há comunhão entre Cristo e Belial. Não há como estar desarmado e controlado diretamente pelo mesmo homem que assina o motu proprio (considerando que ele é totalmente bom, o que é falso, por colocar em pé de igualdade a obra bugniniana inspirada por Satanás do lado da Missa que o Espírito Santo inspirou) é também o homem que relativizou a moral pela primeira vez ao falar da camisinha para um prostituto, ou que vai a Assis, ou que beatifica o lamentável, omisso e escandaloso pontífice que foi João Paulo II.

    Bento XVI, o papa que dizem ser vacilante, que esperam ser o papa de Fátima, e cuja imagem construiram para satisfazer suas próprias vantagens é infelizmente uma das estrelas ascendentes do concílio, o nosso papa – VERDADE SEJA DITA, encaremos a realidade das coisas – foi discípulo direto do maior modernista da história – KARL RAHNER. É papa e ao mesmo tempo tem como referência de religião… a Urs von Balthasar!

    Ouvi dizer – e isso precisa ser apurado – que o padre Laguerie, superior do IBP, encontrando com o padre de Caqueray, superior francês da FSSPX, teria dito a ele “Não façam acordo, não façam”! E provavelmente disse isso porque agora está verificando a realidade óbvia: o IBP já começou a sentir a pressão, o peso vindo de Roma para que o mesmo relativize tudo o que há poucos anos a própria Roma garantiu tolerar… Com muita delicadeza são convidados agora a se misturarem com os modernistas e a aderirem ao catecismo e ao (?) magistério (?) modernos, o que evidentemente inclui a totalidade dos documentos emitidos após Pio XII.

    Os que vivem no mundo de Alice, nas maravilhas, já trataram de justificar Bento XVI alegando que foi mais uma traição… Dos seus subordinados…
    Pois então PROVEM. Quanto aos incautos que se contentam com estas eternas versões de que Bento XVI é um papa tradicional que nada faz por ser sabotado, provem então estas afirmações.
    Desde João Paulo II eu ouço o mesmo mimimi, a mesma ladainha de que o papa estava refém de fulano, sicrano e beltrano.
    João Paulo II beijou o Alcorão, quem fotografou a mão oculta que empurrou o rosto do papa em direção ao livro maldito?
    Beatificar João Paulo II, é o equivalente a beatificar Caifás, porque ambos cuspiram em Cristo. Um diretamente, e o outro louvando as religiões de Satanás.
    Sempre ouço desavergonhados colocar panos quentes para redimir a responsabilidade destes papas escandalosos.
    Balela. Contem outra, ele é o papa, Deus assiste a pessoa do papa com graças especiais. Se há alguém no mundo que é a testemunha da Tradição, e que pode definir solenemente o que é ou não a verdade é o papa, e este múnus não pode ser contido por homem algum da terra.

    Estou farto de ler simplificações da realidade, de subterfúgios, de recusas a encarar a dureza dos fatos. Não foi a toa que Nosso Senhor disse que quando viesse para julgar, “acaso encontraria fé sobre a Terra?”.
    Quantos católicos ditos tradicionais afirmam crer nas aparições de Fátima, Lourdes e.. La Salette… Mas ao ver a afirmação da Virgem de que Roma perderia a fé, se RECUSAM a considerar a mais remota hipótese de que isso pode ter acontecido!

    O dia do juizo PARTICULAR chegará para todos nós, e todos vocês que desejam contemporizar, quer rezando missa nova sob pretexto de tentar catolicizar as almas, ou se submetendo aos modernistas de maneira a ensinar um catolicismo sem combater ferozmente o que está instalado dentro da Igreja e que a ela se opõe, e todos os que, sabendo que a quase totalidade da hierarquia não abandonou as coisas novas do concílio, e estão portanto vivendo uma crença que não é a da Igreja, e mesmo assim desejam que os punhados de católicos tradicionais dêem este salto no escuro, em direção à perdição, terão que prestar contas a Deus.
    A missa nova é oficial, o ecumenismo liberal é oficial, a colegialidade, a liberdade religiosa são doutrinas oficiais e praticadas pela hierarquia atual. Vão se juntar a eles? Enlouqueceram, perderam o juizo?

    Precisava desabafar. Com Deus não se brinca, não existe meio-catolicismo. Ou está com Deus, ou está contra Deus.
    Se os católicos prestassem mais atenção no que disse o profeta Jeremias… Olhai para os caminhos de outrora, andai por eles e estarão seguros… Mas não… Têm mais medo de que o próximo papa seja azedo do que de tentar a Deus saindo da segurança de se ser católico resistindo ao que ameaça a fé, a pretexto de se juntar com quem não tem mais fé.
    Sabe o que acontece com quem se mistura a um doente de molestia contagiosa? Eu não sou médico, mas posso assegurar que a presença saudável não cura o doente… Dá a ele um parceiro de enfermidade…

  8. “Perigosíssimo” FRATER Arthur;
    Peço desculpas por não saber que o autor do texto fora aluno de Dom Mayer.
    Também reafirmo que não sou teólogo.
    O que escrevi, apenas para deixar bem claro meu posicionamento, é que em relação a este excerto do texto do periódico O Estado de S. Paulo, que o sr. coloca, não traz a fundamentação daqueles que me referi, aqueles da Fideliter.
    Quanto à proximidade de Dom Mayer, creio que também o era Dom Rifan, salvo engano, ordenado por ele e inclusive, secretário de Dom Licínio Rangel.
    Isso não impediu que tomasse tais posições, como as que percebemos, concorda?
    Somente para ilustrar tal referência, reporto-me à “festa de comemoração”, em Cachoeira Paulista, na CN, dos cinquenta anos do Concílio Vaticano II, aquele mesmo Concílio que Dom Rifan tanto combatera e condenara em sua juventude. O sorriso do prelado campista, junto aos seus “irmãos” no episcopado era visível. Estava muito feliz.
    Deve ser por causa do “Motu” ou do “Summorum”, que “liberaram” a Missa.
    Ah, quase ia me esquecendo, a Missa nunca fora ab-rogada. Nem poderia, o sabemos.
    O problema que encontrei no texto foi justamente a conjecturação sobre o pensamento de Dom Mayer, tal qual o fizer, maldosamente, o Pe. Célier, da “neo” FSSPX, com as palavras de Mons. Lefebvre.
    Acredito ser um problema uma vez que podemos conjecturara sobre o que pensaria S. Pio X, o Santo Frei Galvão, o Pe. Garrigou-Lagrange, ou mesmo o Coelhinho da Páscoa e o Saci Pererê (pra ser inculturado – lógico).
    Conjecturar sobre o que eles pensariam e retirar excertos de seus textos para justificar conjecturas é algo muito fácil e cômodo.
    Problemático é justamente deparar-se com a triste realidade à nossa frente: a Missa foi colocada como “forma EXTRAORDINÁRIA”, seguindo como “forma ordinária” a missa bastarda de Montini/Bugnini. Este é o problema.
    Não acredito que o fato de se “permitir” (oficialmente), algo que nunca foi e nem poderá ser “proibido”, bem como “recomendar” o uso do hábito religioso seja capaz de superar todas as modificações estruturais, desde os Sacramentos, até a forma de se entender e se expressar como Igreja, seria “aprovado” tanto por Mons. Lefebvre, quanto por Dom Mayer.
    Estou certo de que não.
    Assim pensam também nossos três Bispos, Mons. de Marellais, Mons. de Galarreta e Mons. Williamson.
    Dessa forma, creio que o senhor percebe o motivo pelo qual recomendei a leitura de tais textos.
    Particularmente, acredito que ninguém “muda” de posicionamento em tão pouco tempo.
    Ademais, caso os modernistas que tomaram Roma, teriam atitudes mais coerentes com a Fé Católica.
    Imagino que o senhor percebe que tais atitudes inexistem, ou, caso existam, não surtem o efeito necessário. Está aí o “frei” Susin e a cão ferrância episcaopau que não me deixam mentir.
    Também em relação à “obediência” e à “continuidade Fé-Tradição-Concílio Vat. II”, as atitudes do “grande liturgo de Uberaba” e do sóbrio, equilibrado e inteligentíssimo sr. bispo de S. Carlos, SP., não me deixam mentir.
    Acredito, “perigosíssimo” FRATER, que contra fundamentos, não há argumentos.
    Neste triste caso, percebo que esse arremedo de igreja, essa farsa conciliar se mostra cada vez mais incoerente, ineficaz e uma verdadeira confusão, coisa tipicamente infernal.
    Ah, também quem sai aos seus, não se degenera, não é assim o ditado popular?
    Finalizando, como dizia um Professor de Cirurgia Pediátrica que tive, “É PREFERÍVEL CAIR MORTO, AO ESTAR LUTANDO DE PÉ, QUE VIVER DE JOELHOS !”
    Sr. Arthur, só houve “Motu” e Summorum”, porque houve quem resistisse à missa bastarda.
    Acredito que não podemos nos acomodar, senão, acabaríamos como os “bons católicos” ingleses, que preferiram seguir seus bispos e seu rei, ficando acomodados, esperando que um dia, Deus fizesse uma intervenção, “restaurando a Fé Católica.
    Aqueles que discordaram, eram incômodos, presumidos, fanáticos, integristas, entre tantos outros adjetivos.
    Porém, FRATER, quem discordou, lutou e guardou a Fé, acabou por tornar-se exemplo. São os Mártires ingleses, Santos que defenderam a Fé de Cristo e a Fidelidade à Igreja Católica.
    Estes “incômodos” foram elevados à glória dos altares.
    Pena que nesta falsa religião, a tal “igreja conciliar” não existam mais altares, somente mesas. Tampouco os Mártires ingleses poderiam estar em suas celebrações, uma vez que são absolutamente contraditórios em relação ao ecumenismo conciliar…
    Assim, despeço-me com a intenção de ter esclarecido meu comentário ao autor do texto.
    Desejo ao Sr. e a todos os nossos FRATRES uma semana repleta de alegrias, saúde e paz.
    Com sentimentos de estimas em Cristo, nosso Senhor e Rei;

    Felipe Leão

  9. Às vezes fico pensando com o clero modernista se “confessa”, depois de cometer tantos sacrilégios na Santa missa.

  10. Ótimos comentários do Felipe Leão e Bruno luis, concordo plenamente.

  11. Se bem que com tantas exigências no documento pra se poder ter a Missa de sempre, a impressão é de que o papa quis harmonizar os tradicionalistas com os modernistas, mantendo os fieis tradicionalistas calados e no cabresto.

  12. Modernistas/progressistas fazem um leitura de partes isoladas da vida de Dom Mayer. Com isso querem dar interpretações que lhes interessa. Melhor fora que ficassem calados. Interpretam fatos totalmente fora do contexto de toda uma vida.Fazem tal qual os prostestantes que suprimiram trechos das Escrituras deixando só o que lhes interessa.

  13. E com relação ao autor do artigo foi ordenado padre junto com Dom Rifan.