Em Roma, o pedido feito por Monsenhor Gherardini de que a continuidade do Vaticano II com a Tradição fosse demonstrada, e não puramente declamada, continua sem ser atendido.
Se o Dom Augustine Di Noia conhece luteranos e anglicanos santos, suas respostas não sugerem o mesmo em relação aos tradicionalistas: estes precisam ser convertidos de suas idéias sobre o Concílio. Converter, verbo que dificilmente seria utilizado tanto para luteranos como para anglicanos.
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O nova-iorquino, secretário da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, discute seu novo posto e os desafios que espera.
Por Edward Pentin – National Catholic Register | Tradução: Fratres in Unum.com

Dom Augustine Di Noia.
Em uma tentativa de continuar as conversações em andamento para uma possível reconciliação, o Papa Bento XVI designou o Arcebispo americano J. Augustino Di Noia como vice-presidente da Comissão encarregada de ajudar a trazer a Fraternidade São Pio X de volta à plena comunhão com Roma.
O dominicano de 68 anos nativo do Bronx, Nova York, até agora secretário da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, torna-se vice-presidente da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei. Ele falou com o correspondente do Register, Edward Pentin, em 27 de junho, sobre sua função, alguns dos obstáculos envolvidos em trazer de volta a Fraternidade para a plena comunhã e suas esperanças de uma resolução bem-sucedida.
Como Dom Di Noia ainda não começou a trabalhar na Comissão, ele preferiu não comentar as notícias sobre o vazamento da carta da FSSPX que afirmava considerar o preâmbulo doutrinal, documento que supostamente constitui a base para reconciliação com Roma, “claramente inaceitável”.
Qual foi a sua reação quando foi nomeado? Chegou como uma surpresa?
Foi uma surpresa, mas, por outro lado, essas coisas são sempre uma surpresa. Ser nomeado aqui [como secretário da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos] foi uma surpresa.
Em que estágio o Vaticano se encontra nas conversações com a FSSPX?
Para ser honesto, eu não sei. Tenho um intenso processo de aprendizado dos assuntos, conforme eles se desenvolveram no diálogo. Quando vim para cá [Congregação para o Culto Divino], estudei a história da reforma [litúrgica] e examinei detalhadamente o Concílio, então me inteirei sobre muitas das objeções que vêm daquele mundo. Li livros de Romano Amerio e Roberto de Mattei sobre o Concílio [Vaticano II] e, é claro, estudei o Concílio por anos; então, neste sentido, tenho uma estrutura sobre a qual posso falar com eles sobre os seus problemas.
Outro fator de grande importância, autobiograficamente para mim, é que vivi toda minha vida religiosa, até vir a Roma, em um priorado dominicano, geramente em Washington ou em New Haven, Conn. Nestes lugares, a hermenêutica da continuidade e reforma, se assim posso dizer, era vivida. Eu nunca experimentei o Concílio como uma ruptura. É interessante — apenas na medida em que comecei a ler essa literatura e interpretação tradicionalista passei a entender que, em certo sentido, há problemas que são reais. Mas se você deixa de acreditar que o Espírito Santo está preservando a Igreja do erro, você corta as suas amarras.
O Concílio não pode — quaisquer que sejam suas interpretações, à esquerda ou à direita, ou as intenções dos autores dos documentos do Concílio — ser levado a erro. Todos os documentos permanecem de pé. O cisma não é a resposta. Então, sou simpático à Fraternidade, mas a solução não é se desligar da Igreja.
Sendo assim, por que o senhor acha que alguns Católicos decidiram aderir à tradição “congelada”, por assim dizer, em vez de voltar à plena comunhão?
Honestamente, eu não sei; só posso especular. Dizer porque as pessoas são tradicionalistas, diria que isso depende de suas experiências. A [reforma da] liturgia foi um fator; foi uma revolução terrível e um choque para as pessoas. Muitas dessas pessoas se sentiram abandonadas, como se a Igreja as deixasse à deriva. Então, os motivos são muito complicados e variam de um tipo de tradicionalismo para outro e de países, culturas e contextos nos quais surgiram.
Outro ponto é que há uma falha em reconhecer um simples fato da história da Igreja: que todas as divergências teológicas não precisam dividir a Igreja. Assim, por exemplo, os Jesuítas e os Dominicanos tinham uma enorme divergência no século XVI sobre a teologia da graça. No final, o Papa os proibiu de chamar uns aos outros de hereges, o que vinham fazendo. O Papa disse, “vocês podem continuar a sustentar suas opiniões teológicas”, mas se recusou a dar uma determinação doutrinal, afirmando que o Jesuítas ou Dominicanos estavam certos. Agora, esse é um exemplo muito interessante, porque demonstra que o Catolicismo é amplo o suficiente para incluir uma tremenda magnitude de diversidade e debate teológico. Às vezes a Igreja agirá, mas somente quando ele vê as pessoas decaindo para a heresia e, assim, se desligando da comunhão.
O senhor trabalhou muito próximo ao Papa Bento XVI no passado. Quão importante é esta reconciliação para ele?
O Papa espera pela reconciliação — esse é o papel do Papa. O ministério de Pedro é, acima de tudo, preservar a unidade da Igreja. Assim, além de qualquer interesse pessoal que o Papa Bento possa ter, ele partilha sua preocupação com João Paulo II. Como você sabe, ele está envolvido nisso desde o início.
O Papa está fazendo o impossível para acomodá-los, mas ele não vai ceder na questão da autenticidade do ensinamento do Vaticano II enquanto uma série de atos do magistério.
A Fraternidade São Pio X argumenta que o Concílio Vaticano II não promulgou nenhum ensinamento infalível e irreformável. Ele foi pastoral e não dogmático. Se é assim, por que é tão importante que eles concordem com ele?
Há muito do que é dogmático nele. A sacramentalidade da ordenação episcopal, para dar um exemplo, é um desenvolvimento da doutrina do episcopado, logo, é doutrinal. Tradicionalmente, as doutrinas eram afirmadas como cânones com anátemas. Não há nenhuma delas [no Concílio], mas ele certamente está cheio do magistério ordinário e é uma reafirmação dele. Ele é doutrinalmente rico. Mas procurou esclarecer o que Trento deixou aberto ou o que o Vaticano I deixou aberto em relação à Escritura e à Tradição? Há desenvolvimentos doutrinais aqui e ali. E a Fraternidade pensa, é claro, que todo o ensinamento sobre a liberdade religiosa é um afastamento da Tradição. Mas algumas pessoas inteligentíssimas tentaram salientar um desenvolvimento que é consistente.
O que tenho tentado argumentar é que tudo o que eles têm de fazer é afirmar que não há nada no Concílio que seja contrário à Tradição e que cada texto, ou cada parte dele que seja controversa, deve ser lida no contexto do Concílio — e lida à luz da Tradição. Parece-me, apesar de suas dificuldades, que eles devem estar em condições de fazê-lo.
O que o senhor diz sobre o argumento de que se os documentos do Concílio não são nem infalíveis nem imutáveis, então eles não são vinculantes?
Dizer que eles não são vinculantes é um sofisma. O Concílio contém uma gama de magistério ordinário, que é de fide divina [de fé divina]. Agora, a Constituição Pastoral “Sobre a Igreja no Mundo Moderno” [Gaudium et Spes] faz comentários sobre a natureza da cultura que, geralmente falando, todos hoje acreditam terem sido excessivamente otimistas. Bem, isso não é de fide divina. Não é preciso; é muito impreciso. Mas o Concílio está cheio de magistério ordinário. Quando trabalhei na conferência episcopal [dos EUA] e estava discutindo, por exemplo, Veritatis Splendor, as pessoas me perguntavam: “É infalível?”. Eu respondia: “A pergunta mais importante: é verdadeira?”.
O que eu queria dizer é: a ênfase exagerada é na infalibilidade. É por isso que João Paulo II e Bento XVI decidiram não mais definir nada infalivelmente, porque você vê o que acontece. As pessoas dizem: “Eu só tenho que acreditar no que foi definido infalivelmente”. Ora, isso é muito pouco. Então, é por isso que há uma distinção entre o magistério extraordinário e ordinário. O magistério extraordinário é o que a Igreja define, e quase sempre envolve apaziguar desacordos que provavelmente foram definidos. Talvez a Igreja nunca tivesse dito que Maria era a Mãe de Deus se Nestório não o tivesse negado. Mas, com o magistério ordinário há uma gigantesca quantia do que acreditamos que é de fide divina e que nunca foi definido. É por isso que as pessoas falaram sobre o magistério ordinário, tentando sair dessa leitura reducionista que afirma que apenas se deve acreditar no que é infalível. Assim, não, o Concílio tem ensinamentos vinculantes. Os Padres estão escrevendo como bispos da Igreja em união com o Papa; é por isso que o Concílio é tão importante.
Já o Cardeal Ratzinger enfatizava que o Concílio não deveria ser visto como uma espécie de “super-dogma”.
Ele não procurou definir infalivelmente nenhuma doutrina; é o que ele está dizendo, mas ele não está afirmando que ele não contém grande montante do magistério ordinário. Se você tomar as constituições dogmáticas, elas são chamadas de constituições dogmáticas — Revelação Divina [Dei Verbum], Lumen Gentium, estas duas certamente, mas outras também.
Se eles se reconciliarem, o que a Fraternidade São Pio X traria que poderia influenciar posivitamente na Igreja?
Os tradicionalistas que estão agora na Igreja, tal como a Fraternidade Sacerdotal São Pedro, trouxeram aquilo sobre o que o Papa insistiu: aquela solenidade na maneira com que celebram a liturgia, especialmente na área da liturgia, eles são um testemunho da contínua vitalidade da tradição litúrgica anterior ao Concílio, que é a mensagem de Summorum Pontificum. A situação é: eles não podem afirmar que o Novus Ordo é inválido, mas a sua celebração do Missal de 1962 é algo que permanece atrativo e alimenta a fé, mesmo daqueles que não têm experiência dele. Então, esse é um fator muito importante.
Eu tentei encontrar uma analogia para isso. Digamos que a Constituição americana possa ser lida ao menos de duas formas: os historiadores a lêem, e estão interessados no contexto histórico, nos legisladores, em suas experiências pessoais e em tudo daquele trabalho histórico sobre a Constituição. Então, você tem uma Constituição que você pode estudar historicamente e lançar uma grande luz sobre o significado dela.
Contudo, quando a Suprema Corte usa a Constituição, quando é lida como um documento institucional vivo sobre o qual as instituições de um país são fundamentadas, é uma leitura diferente. E, daí, o que os legisladores pensaram, incluindo não só os expertos dos quais dependem — eles são um paralelo dos bispos e os expertos dos periti [teólogos que auxiliam os participantes em um concílio ecumênico].
Aqueles documentos têm uma independência em relação a todos eles. Frequentemente digo que o que os Padres Conciliares pretendiam não interessa, porque o que importa é como você o aplica hoje. É um documento vivo.
Não obstante, é a forma como ele foi aplicado que é o problema.
O que é importantíssimo para os teólogos, pessoas em condições de compreender, é que o Concílio tem sido interpretado de maneira desenfreadamente destrutiva e descontínua. Estou lendo um livro de Louis Bouyer, que escreveu um livro, em 1968, chamado ‘A Decomposição do Catolicismo‘. Então, há Xavier Rynne, que modelou a compreensão do mundo ocidental do Concílio ao escrever aqueles artigos para o The New Yorker.
O Papa escreveu brilhantemente sobre isso muitas, muitas vezes, mas, você vê, em parte, os tradicionalistas estão reagindo justamente contra as interpretações bizarras do Concílio feitas pelos progressistas.
O que mais de positivo eles podem trazer?
Se forem aceitos pela Igreja e reconstituídos à plena comunhão, eles serão uma espécie de testemunho vivo da continuidade. Eles podem ser perfeitamente felizes estando na Igreja Católica, então seriam um testemunho vivo para demonstrar que a continuidade entre o antes e depois do Concílio é real.
Mas isso apenas se eles cumprirem as condições do Vaticano?
É mais do que isso. Não é como um édito — pare no vermelho; siga no verde — porque ser membro e ter a plena comunhão envolvem Fé de que o Espírito Santo está preservando a Igreja do erro e de que a comunhão com a Sé de Pedro é parte da realidade de estar em plena comunhão. Não é algo acidental.
Então, se eles aceitarem, tem de ser com as necessárias condições de ser plenamente Católicos, não simplesmente o que o Papa diz ou o que eu digo… Eles tem que dizer: “Sim, eu acredito que a Igreja é protegida do erro pelo Espírito Santo”. Então posso dizer: “Ok, então; você é Católico”.
A Fraternidade tem sido alimentada por pessoas que usam a palavra “erro”. “Erro” é uma palavra vaga na Tradição Católica. Há muitos diferentes níveis de erro. Às vezes, significa que você caiu na heresia; outras, que você é imprudente.
Seu novo cargo é o de vice-presidente da Ecclesia Dei, mas não está claro a quem o senhor está substituindo.
Houve um vice-presidente por um tempo, Monsenhor Camille Perl. No entanto, o que fizeram foi preencher uma posição que, creio eu, está vazia há três anos. Não tenho certeza de quando Monsenhor Perl se aposentou.
Alguns afirmaram que o senhor foi trazido para ajudar a preparar uma estrutura canônica para a FSSPX, caso eles se reconciliem. Isso se deve ao extenso trabalho que o senhor realizou ao ajudar a criar o ordinariato anglicano?
Não sei; o Papa não me contou porque me escolheu. Eu estive envolvido no ordinariato desde o início. Era sub-secretário da Congregação para a Doutrina da Fé, envolvido nas discussões que levaram à formação do ordinariato, mas eu não sou um canonista. Não tive um papel direto na composição da constituição, mas, sim, tenho experiência, talvez de diálogo.
Os anglicanos que vinham a Roma procurando a plena comunhão frequentemente vinham me ver. Então, acho que devo ter algum tipo de dom que os atrai a mim [risos].
O quanto um visível enfraquecimento do dogma extra Ecclesiam nulla salus (fora da Igreja não há salvação) é uma importante parte do problema, como afirmam alguns tradicionalistas? O entendimento que se tem hoje do dogma contradiz seu ensinamento anterior?
Eu não sei se você pode culpar o Concílio disso mais do que o surgimento de uma tendência teológica que enfatizava a possibilidade da salvação de não-cristãos. Mas a Igreja sempre afirmou isso, e nunca negou [o dogma]… [Karl] Rahner teve um efeito desastroso sobre isso com o seu “cristianismo anônimo”. Mas o Concílio não altera o ensinamento da Igreja.
E no entanto eles dizem que alterou?
Esse é um exemplo muito bom de duas coisas que mencionei: o perigo de ler isso como Rahner leu, em vez de à luz de toda a Tradição.
Eles afirmam que a salvação quase não é proclamada mais.
Ralph Martin concorda com isso. Nós temos uma crise, porque a Igreja foi infectada com a idéia de que não temos que nos preocupar ou inquietar, ou não levamos suficientemente a sério o mandado de proclamar a Cristo. Mas isso não é por causa do Vaticano, mas da má teologia. É por isso que a Dominus Iesus foi parte da resposta a todos dessa teologia da religião. Não se questiona que a necessidade do extra Ecclesiam nulla salus tem uma longa história. Mas eles estavam falando de hereges, não de não-crentes. A fórmula é dirigida aos problemas de heresia. Ela tem a sua história.
O Concílio afirma que há elementos de graça em outras religiões, e não creio que isso deva ser retratado. Eu os vi, eu os conheço — encontrei luteranos e anglicanos que são santos.
Alguns tradicionalistas dizem que o humanismo secular frequentemente vence as afirmações dogmáticas na Igreja moderna. Para dar um exemplo: o Santo Padre afirmou que não teria levantado a excomunhão de Dom [Richard] Williamson se soubesse de seu anti-semitismo. Mas, apesar do anti-semitismo odioso, os tradicionalistas afirmam que essas opiniões não são posições dogmáticas. E, no entanto, políticos Católicos podem falar livremente contra o dogma e ainda permanecem em plena comunhão com a Igreja. O que o senhor diz sobre tal argumento?
Isso é uma cilada. Edward Norman, em seu excelente livro ‘Secularization‘, afirma não haver dúvidas de que aquilo que ele chama de secularização interna, humanismo secular, definitivamente invadiu partes da Igreja. Eles [a FSSPX] provavelmente estão certos a esse respeito, e eu poderia lhes dar uma lista ainda maior de exemplos do que eles podem elencar.
Entretanto, julgar e defender Williamson dessa forma é nojeto e detestável. Um político é a mesma cosia que um bispo? Dá um tempo! É lixo; é sofisma.
Eles querem uma excomunhão coletiva de todos que são pró-escolha [ndr: favoráveis à liberdade de escolher o aborto]? E, no entanto, aqui está uma pessoa, um bispo, que abertamente defende uma posição que a Igreja está desesperadamente tentanto suprimir na própria Igreja, que é o anti-semitismo.
Na nota da CDF [Congregação para a Doutrina da Fé] que acompanhou a sua nomeação, afirma-se que a sua experiência “facilitará o desenvolvimento de certas provisões litúrgicas desejadas” na celebração do Missal Romano de 1962, comumenteconhecido como Rito Tridentino. O senhor poderia explicar isso mais detalhadamente?
Há duas coisas: no calendário, há muitos santos que eles [Comissão Ecclesia Dei] gostariam de acrescentar, mas o Missal Romano é fixo. É necessário um diálogo entre eles e a Congregação para o Culto Divino sobre como incorporar elementos do calendário romano e como ele se desenvolveu nos últimos 50 anos. E depois os prefácios: o antigo Missal de 1962 tem um número muito limitado de prefácios, e eles também estão interessados em incorporar alguns dos prefácios. Mas como se trata da edição de 1962, quem pode revisar a edição de 1962 do Missal?
De fato, o Novus Ordo, o Missal Romano atual, é uma revisão do Missal Romano de 1962. Então a questão é: como eles podem fazer isso? Eu não sei, mas o trabalho tem que ser feito. Nós já tivemos dois encontros entre representantes da Congregação e da Ecclesia Dei, para discutir como isso poderia ser feito.
Foram mencionadas as suas boas relações com a comunidade judaica. Quão boas elas são?
Tive longa e afetuosa relações com vários líderes judeus da época em que estive nos Estados Unidos, trabalhando na conferência dos bispos, que continuaram durante todo o tempo. Eles tem vindo me ver todos os anos. Não sei se eles disseram algo em público, mas ao telefone estão muito felizes. Eles sabem que sou sensível às suas preocupações.
Nostra Aetate (um documento que muitos crêem ter ajudado a fomentar melhores relações entre judeus e Católicos) é um problema para a FSSPX.
Sim, mas lembre-se. Se você tomar a constituição de maneira exata, como um jurista, há o amplo e o estrito, e essa é uma divergência que pode ser sustentada por duas cortes simultaneamente. Então, novamente, se eles quiserem tomar uma leitura mais estrita daqueles textos conciliares, eles são perfeitamente livres para fazê-lo teologicamente. Mas isso não significa que eles têm de estar fora da Igreja, e eles devem discutir com as pessoas fundamentados na teologia.
Se eles acreditam que Nostra Aetate está sendo má interpretada, então eles têm que entrar na batalha para interpretá-la corretamente. Em vez de fugir do campo, eles tem que jogar a partida.
Uma reconciliação poderia ser oportuna, dados os problemas na Igreja e na cultura?
É meu instinto; lembre-se que até Bento XVI dizer, em dezembro de 2005, em suas palavras à Cúria, no qual ele fez seu famoso discurso sobre a hermenêutica da continuidade, você sequer poderia falar sobre essas coisas. Assim, Bento nos libertou pela primeira vez.
Agora você pode criticar [teólogos Cardeal Henri-Marie] De Lubac, [Cardeal Yves] Congar, [Padre Marie-Dominique] Chenu. E muitos jovens estão escrevendo dissertações e livros que de alguma forma seriam impossíveis antes. Então, eu diria que a leitura progressista dominante do Concílio está retrocedendo. Ela nunca esteve em retrocesso antes. Mas a insistência na continuidade — eles tem que abraçar isso também. Os tradicionalistas têm de ser convertidos de uma visão do Concílio como ruptura e descontinuidade.
Essa é uma distinção que [o historiador Roberto] de Mattei faz. O Concílio foi experienciado como uma ruptura, mas em termos doutrinais e teológicos tem de ser lido em continuidade — de outra forma, você teria que admitir a derrota.
O senhor acredita que a FSSPX tenha medo de que as suas preocupações não serão protegidas em caso de reconciliação?
Como elas não seriam protegidas? Quem está dizendo a eles o que fazer? A única coisa que estou dizendo a eles é: o Vaticano II não é um afastamento da Tradição.
O senhor está otimista ou pessimista quanto à reconciliação?
Nenhum dos dois; simplesmente não sei. Creio que será uma ação da graça. De fato, pedirei aos dominicanos que comecem a rezar. Eu espero que ela aconteça. O Papa não quer que isso continue — outra seita, outra divisão.







"... muitos dos que se dizem católicos ajudam os «revolucionários» . São esses, sempre «moderados», que estimam a «tranquilidade pública» como o bem supremo. Esses católicos tolerantes, condescendentes, brandos, doces, amáveis ao extremo com os maçons e furiosos inimigos de Jesus Cristo, guardam todo seu mal humor para os que gritam «Viva a Religião!» e a defendem sofrendo contínuas penalidades e expondo suas vidas. Para eles, esses últimos são «exagerados e imprudentes, que tudo comprometem com prejuízo dos interesses da Igreja» ".
Que tenho eu, Senhor Jesus, que não me tenhais dado?… Que sei eu que Vós não me tenhais ensinado?… Que valho eu se não estou ao vosso lado? Que mereço eu, se a Vós não estou unido?… Perdoai-me os erros que contra Vós tenho cometido. Pois me criastes sem que o merecesse… E me redimistes sem que Vo-lo pedisse… Muito fizestes ao me criar, muito em me redimir, e não sereis menos generoso em perdoar-me. Pois o muito sangue que derramastes e a acerba morte que padecestes não foram pelos anjos que Vos louvam, senão por mim e demais pecadores que Vos ofendem… Se Vos tenho negado, deixai-me reconhecer-Vos; Se Vos tenho injuriado, deixai-me louvar-Vos; Se Vos tenho ofendido, deixai-me servir-Vos. Porque é mais morte que vida, a que não empregada em vosso santo serviço… - Padre Mateo Crawley-Boevey