Um Capítulo Geral da Fraternidade São Pio X se abre na segunda-feira, 9 de julho, em Écône, Suíça, enquanto o movimento lefebvrista atravessa fortes tensões. O preâmbulo doutrinal proposto para discussão por Roma é objeto de intensos debates. Um terço da Fraternidade seria contra Dom Bernard Fellay, Superior Geral, e a qualquer acordo.
Por Céline Hoyeau, La Croix | Tradução: Fratres in Unum.com

Dom Bernard Fellay, Superior Geral da FSSPX, durante a procissão final da Missa de ordenações sacerdotais e diaconais em Écône, 29 de junho.
Oficialmente, não há “dissensões”: “nenhum grupo ou sacerdote anunciou que deixaria a Fraternidade”, diz o Padre Grégoire Celier, porta-voz do distrito da França. No entanto, profundas divisões surgiram nas últimas semanas entre a maioria liderada por Dom Bernard Fellay, Superior Geral, favorável a um acordo com Roma, e uma ala rígida que lhe é hostil e que poderia tentar uma intervenção durante o capítulo.
Fato evidenciado pela troca de cartas, publicada em 10 de maio na internet, mostrando o acentuado desacordo entre o cabeça dos lefebvristas e os outros três bispos da Fraternidade que condenaram qualquer acordo prático. Ou, mais recentemente, o isolamento de Dom Richard Williamson, por conta de “seus posicionamentos que clamam à rebelião”.
Segundo vários observadores, “Dom Fellay quer inquestionavelmente um acordo, e avançou bastante”. Em seu sermão de 29 de junho, ele, de fato, reconheceu: “Voltamos ao ponto de partida quando declaramos não poder assinar”. Mas também recordou: “Nós somos romanos e não podemos deixar isso para trás. Mesmo se tivermos que sofrer da Roma de hoje em dia, não devemos renunciar a Roma, cabeça da Igreja”.
Um terço da Fraternidade contrário ao acordo
Ele parece querer dar garantias a ambos os lados: para Roma, ao excluir Dom Williamson do Capítulo Geral e ao se recusar a ordenar padres das comunidades “amigas” mais recalcitrantes a um acordo. E para as suas fileiras, recusando-se a ceder às novas condições colocadas pela última versão do preâmbulo doutrinal, produzidas pelo Papa. Em todo caso, analisa uma pessoa próxima à Fraternidade São Pio X, “tudo isso serve para preparar psicologicamente os espíritos para um acordo”.
Da mesma forma, nesse contexto de pressão e vazamentos, este Capítulo Geral de meio mandato para Dom Fellay, reeleito em 2006 por doze anos, deve ser a oportunidade para avaliar o apoio de que ele goza. Ele sabe que a maioria dos distritos lhe é favorável, em particular os mais importantes (Alemanha e Estados Unidos).
Por outro lado, os da Irlanda e Inglaterra se opõem ferozmente a qualquer acordo, e a França, que representa um terço da Fraternidade, também traz problema: dos 37 priorados franceses, entre um quarto e um terço seriam contrários.
No total, segundo vários observadores entrevistados por La Croix, um terço da Fraternidade seria leal a Dom Fellay, outro terço, “os legitimistas”, seguirão para onde quer que ele vá, mas um terço final seria hostil a qualquer acordo com Roma e ao Superior Geral.
Ameaça de rebelião
Esta hostilidade se insere mais amplamente no ressentimento de um bom número de sacerdotes contra o governo considerado autoritário de Dom Fellay. Se Dom Williamson perdeu toda credibilidade, Dom Alfonso de Galarreta poderia catalisar uma rebelião, apoiado por Dom Bernard Tissier de Mallerais.
Por ocasião da última consulta, o bispo argentino havia explicado detalhadamente por que “ir na direção de um acordo prático seria renegar nossa palavra e nossos compromissos diante de padres, nossos fiéis, Roma e do mundo todo”. A seus olhos, “não há nenhuma mudança do ponto de vista doutrinal por parte de Roma que justificasse a nossa. Pelo contrário, as discussões demonstraram que eles (Roma) não aceitam em nada as nossas críticas”.
Se um entendimento fosse encontrado, esses opositores realizariam a divisão? “Toda uma parcela não seguirá em caso de [ereção de] uma Prelazia Pessoal”, admite o Padre Celier. Mas, após a recusa do texto apresentado pelo Cardeal William Levada, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, em 13 de junho, “o processo está novamente bloqueado”. Neste sentido, acredita que o Padre Celier, “desde que se voltou a uma situação clássica, o Capítulo Geral seria por isso mais simples”.
As partidas seriam mínimas
Ademais, o que seria dos adversários fora da Fraternidade? Por um lado, os sacerdotes lefebvristas, formados em seminários diferentes, não se conhecem bem, de um país a outro, e se unir no seio de uma nova estrutura não seria nada óbvio.
Mais importante ainda, as questões práticas e financeiras podem pesar bastante. Dom Fellay, que foi Ecônomo Geral da Fraternidade São Pio X por doze anos, teria tomado as medidas necessárias para que no dia em que alguns superiores distritais se opuserem, suas propriedades retornem automaticamente a ele… Muitos reconhecem que “entre se opor a um acordo e criar uma divisão, existe um abismo”.
“Se eu tivesse que abandonar, de um dia para o outro, meu trabalho, meus paroquianos, meus confrades, o que seria de mim?”, pergunta assim o Padre Celier, que está “há trinta e dois anos na Fraternidade”. Um outro [informante] próximo confirma: “há divergências, é evidente”. Dito isto, há talvez uns 40% de descontentes, mas apenas de 10 a 15% que o manifestaram em alta voz e, ao final, 3% que partirão”.
Quando o Padre Philippe Laguérie desejava deixar a Fraternidade em 2006, 70 padres haviam prometido segui-lo e, ao fim, menos de 10 deram o passo. Mesmo o Padre Xavier Beauvais, cura de Saint-Nicolas-du-Chardonnet, em Paris, que afirmou em alto e bom som a sua oposição a qualquer acordo, teria confiado aos de seu círculo: “Eu sou contra, mas não irei contra”.







"... muitos dos que se dizem católicos ajudam os «revolucionários» . São esses, sempre «moderados», que estimam a «tranquilidade pública» como o bem supremo. Esses católicos tolerantes, condescendentes, brandos, doces, amáveis ao extremo com os maçons e furiosos inimigos de Jesus Cristo, guardam todo seu mal humor para os que gritam «Viva a Religião!» e a defendem sofrendo contínuas penalidades e expondo suas vidas. Para eles, esses últimos são «exagerados e imprudentes, que tudo comprometem com prejuízo dos interesses da Igreja» ".
Que tenho eu, Senhor Jesus, que não me tenhais dado?… Que sei eu que Vós não me tenhais ensinado?… Que valho eu se não estou ao vosso lado? Que mereço eu, se a Vós não estou unido?… Perdoai-me os erros que contra Vós tenho cometido. Pois me criastes sem que o merecesse… E me redimistes sem que Vo-lo pedisse… Muito fizestes ao me criar, muito em me redimir, e não sereis menos generoso em perdoar-me. Pois o muito sangue que derramastes e a acerba morte que padecestes não foram pelos anjos que Vos louvam, senão por mim e demais pecadores que Vos ofendem… Se Vos tenho negado, deixai-me reconhecer-Vos; Se Vos tenho injuriado, deixai-me louvar-Vos; Se Vos tenho ofendido, deixai-me servir-Vos. Porque é mais morte que vida, a que não empregada em vosso santo serviço… - Padre Mateo Crawley-Boevey