[Post de Setembro de 2011] É possível ser um padre diocesano e celebrar a Missa tradicional com exclusividade? Um exemplo verdadeiro e encorajador.

Por Rorate-Caeli | Tradução: Fratres in Unum.com [publicação original em Setembro de 2011]

[Consideramos que esta seja uma de nossas matérias mais relevantes e inspiradoras.]

Logo após a publicação do motu proprio Summorum Pontificum, três padres da Diocese de Novara (Piedmont, Itália) tentaram celebrar a Missa Tradicional com exclusividade (relatamos esses acontecimentos aqui e aqui).

Em uma entrevista publicada poucos dias atrás, o padre Alberto Secci conta a sua história, e nos apresenta um relato maravilhoso de sua vida após o Summorum. Sim, existe vida para padres diocesanos que celebram os Sacramentos de acordo com o uso antigo em caráter exclusivo. E ela pode ser bonita, poderosa e gloriosa, a despeito das dificuldades normais da vida.

“Você pode imaginar o que aconteceria se todos os padres diocesanos optassem por fazer isso?” Esse é o tipo de argumento frágil que alguém esperaria ouvir – não é algo convence, não a nós, estando no mesmo nível que “Não deveria haver monges, porque a humanidade deixaria de existir se todos os homens se tornassem monges exemplares”: sim ela deixaria de existir, mas eles não se tornariam [todos monges]… O que esperamos propor através deste exemplo é que é possível existir conforto e consolação para esse número extremamente reduzido de sacerdotes que optam por fazer uso do seu direito de celebrar a “Forma Extraordinária” de maneira radical. E por que essa escolha deveria nos chocar? Quase todos optam por celebrar a “Forma Ordinária” de maneira radical e exclusiva, e eles não são vilipendiados por isso. Há tribulação na opção radical desses padres, e isso está bem: os padres que optam por esse caminho devem estar plenamente cientes de que serão destituídos, deslocados, transferidos, rebaixados, desprezados, achincalhados e ridicularizados, tomados como exemplo; eles terão de desistir de favores, carreiras eclesiásticas, anos sabáticos, nomeações especiais; mas, graças ao Summorum, eles poderão encarar tudo isso em perfeita paz de consciência, com a Missa, que, nas palavras de um grande cardeal, proporciona “um maior fruto espiritual”. E, quanto à tribulação, se vocês nos permitirem mencionar modestamente um grande leigo, “portanto, digo, que aqueles que estão em tribulação, têm, por outro lado, uma grande causa para extrair de sua dor grande conforto e consolação espiritual.” (Santo Thomas More, “Um diálogo de conforto contra tribulação“).

O Summorum é a carta de alforria de padres com mentalidade tradicional; é bom que aqueles que estão pensando em fazer a mesma escolha radical desses heróicos padres italianos saibam que não estão sozinhos, que, quando houver uma vontade, haverá uma maneira. Se ao menos um único padre diocesano for motivado por esta tradução de, ao menos, considerar a possibilidade de seguir esse caminho radical, então, todo o nosso trabalho aqui no Rorate [e nós do Fratres in Unum fazemos eco a essas palavras] ao longo desses anos terá valido à pena cada segundo. Dedicamos esse artigo a vocês, padres diocesanos: se eles podem fazê-lo, vocês também poderão.

___________________________________

[Entrevista concedida por Don Alberto Secci a Marco Bongi]

[Fonte: Una Fides.]

[Tradução do italiano para o inglês: Francesca Romana.]

[Tradução do inglês para o português: Fratres in Unum]

O desconforto, os sofrimentos espirituais, as batalhas e a coragem de um autêntico sacerdote católico, forçado a viver em uma realidade eclesial que muito freqüentemente não pode compreendê-lo.

Don Alberto Secci e seus dois irmãos padres, Don Stefano Coggiola e Don Marco Pizzocchi, todos pertencentes ao clero de Novara, de repente alcançaram grande notoriedade nos meios de comunicação (pelo que muito se arrependeram) quando decidiram implementar fielmente o Motu Proprio do Papa Bento XVI Summorum Pontificum, de 2007.

A oposição à celebração da Missa Tradicional em Latim foi firme e violenta por parte da chancelaria de Novara, de modo que ela colocou os três pares em séria dificuldade, acima de tudo, com relação aos seus paroquianos. A lógica era simples: a celebração da Missa Tradicional em Latim deveria ser uma exceção, portanto, ela lhes era proibida.

Assim, algum tempo depois os três padres foram apresentados tanto pela mídia local quanto nacional como “provocadores” teimosos.

Até mesmo alguns estranhos ambientes ditos “tradicionais” julgaram por bem chamá-los à moderação, lembrando-lhes que a causa tradicional exigia o exercício da virtude da obediência, mesmo quando deparados com o repúdio das leis da Igreja, escárnio da Santa Missa e negligência no cuidado das almas. Obviamente esta (obediência) é pedida aos mais fracos, ou seja, padres e fiéis, especialmente quando eles são confrontados pelos bispos que fazem o que querem, como se eles fossem “mestres” de sua própria Igreja individual, enquanto as autoridades romanas são impotentes para segurar suas rédeas e, assim, incapazes de fazê-los respeitar os direitos dos padres e fiéis, mesmo quando esses direitos advêm das leis universais atuais da Igreja.

Contudo, o Senhor vê e provê. Os nossos três padres continuam em seu caminho – o caminho de fidelidade à Santa Tradição da Igreja Romana. Tal como suas igrejas em Vocogno e Domodossola, é possível hoje em dia acompanhar os apostolados de Don Alberto Secci e Don Stefano Coggiola em sua página na Internet Radicati nella fede.

[Entrevista por Marco Bongi]

Don Alberto, o seu papel como sacerdote que voltou à Missa de Sempre por ocasião do Motu Proprio ganhou muita notoriedade na mídia durante os anos de 2007 e 2008. Agora que transcorreu algum tempo desde aqueles eventos inquietantes, gostaríamos de fazer ao senhor algumas perguntas que ajudarão os fiéis italianos a se tornarem mais familiarizados com a sua história, bem como o seu apostolado que está se desenvolvendo. O senhor pode nos dizer brevemente quando a sua vocação ao sacerdócio começou e como foi a sua formação no seminário?

R. Nasci em Domodossola, mas minha família se mudou para Biellese, meu pai era um carabiniere [policial militar], e lá passei minha infância em uma boa paróquia, administrada por um velho pároco (nascido em 1890!), um patriarca, com a mais forte devoção a Nossa Senhora. Lá, mais certamente, as primeiras sementes de minha vocação cresceram. Atuando como coroinha, o mês de maio, o Santuário de Oropa… esses, juntamente com a fidelidade de minha mãe as suas tarefas diárias e (freqüência) à Missa, um sentido de dever e ordem do meu pai e muitas outras coisas, marcaram positivamente a minha infância católica.

Então, retornei à Domodossola com a minha família, e me matriculei no ensino médio da escola estadual [Liceo Scientifico]…boas memórias lá, mesmo se, até nas províncias, em 1977 o clima era muito secular. Nessa escola de ensino médio experimentei uma militância católica intensa com o movimento Comunhão e Libertação. Éramos poucos, mas bem treinados para a “batalha.” Lembro-me daqueles anos: oração (dizíamos as laudes, matinas, vésperas e completas, o rosário, a Missa diária – e tínhamos apenas 15 e 16 anos de idade! Também estudávamos livros diferentes daqueles adotados pelos professores, a fim de defender a Igreja e Sua História). O amor pela Igreja crescia cada vez mais com o aumento do conhecimento. Líamos os grandes escritores espirituais, São Bento, Santa Teresa de Ávila… para mim a idéia de uma vocação ao sacerdócio era um desejo natural, urgente. Cristo é tudo, a Igreja é o Seu Corpo: como alguém pode não dar a sua vida por eles?

Após a formatura do ensino secundário, aos 19 anos, entrei para o seminário. (Tinha) uma grande ajuda de um padre confessor muito ortodoxo, um pouco menos de teologia, embora a tenha estudado com paixão. A falha? Naqueles anos tudo era um “jardim de trabalho” de opiniões pessoais, ancoradas ideologicamente nas teorias de Rahner. Porém, passei por esses anos serenamente, estando acostumado a “batalhar” de maneira confiante pela fé desde o segundo grau. Não tenho ressentimentos e lembro-me com afeição de todos os professores, mas eu já havia sido preparado na militância católica de antemão, para manter um olho no ensino. Todos os dias no seminário eu vigiava os horizontes – esperando a “Restauração Católica”…que nunca chegava!

P. Que ministérios o senhor conduziu nos primeiros anos de ordenação?

R. Uma vez ordenado, aos 25 anos, eles me enviaram para uma enorme paróquia católica, com um grande oratório; eu era o vigário. Não foi fácil: eu ensinava religião na escola secundária e o resto do dia transcorria entre o oratório e a paróquia: trabalho duro, porque tinha que confrontar linhas eclesiais muito diferentes das minhas, já notadamente tradicionais. Espero ter feito algum bem e pouco dano. Depois disso, fui para a França por cerca de um ano, atraído pela experiência dos Cônegos Regulares, porque sentia a necessidade de maior apoio de outros padres: os Cônegos Regulares, bem com os monges, haviam construído a Europa Cristã, assim parecia que eu havia encontrado uma solução para servir Deus e as almas de uma maneira melhor. Voltei, apesar disso, porque descobri que as disputas teológicas e a fragilidade do seminário haviam entrado em casa: a atmosfera de confusão não permaneceu fora dos conventos, da mesma forma que ela não ficou fora dos nossos corações. Em seguida, “aportei” no Valle Vigezzo, onde me encontro atualmente, primeiro como assistente no Santuário e depois como pároco. Em todos esses anos, continuei ensinando religião nas escolas.

P. Como o senhor encontrou a Missa Tradicional em Latim e o que o levou a abraçar este rito exclusivamente, apesar das dificuldades?

R. Essa é uma resposta difícil. Parece que ela sempre existiu. Lembro-me de que eu nunca poderia suportar uma certa maneira de celebrar; lembro ter percebido coisas ridículas em muitas liturgias, sempre estive ciente. Era como se eu soubesse que aquele era um momento confuso (na época), de uma transição dramática, mas que ao final haveria uma volta para casa. Tudo na Igreja lhe falava sobre o Rito Antigo, que somente ele estava faltando, e assim… aguardei. Como vigário paroquial, e mais ainda quando me tornei um pároco, fiz tudo o que me parecia possível: altar ad orientem, canto gregoriano com os fiéis, comunhão na língua, sempre usei a batina, reuniões doutrinais com os adultos, catequese tradicional para crianças.

Mas isso não foi o suficiente, havia o cerne da questão, a Missa, mas como eu podia lidar com ela? Eu já estava sob “investigação” há anos por causa de algumas coisas que eu tinha feito! Em 2005, introduzi pela primeira vez o Ofertório, depois, o Cânon do Rito Antigo, na Missa de Paulo VI. Aguardei pacientemente por notícias do Motu Proprio durante algum tempo, que parecia nunca viriam. E no dia 11 de julho de 2007, (lembro-me) era uma terça-feira, comecei a celebrar exclusivamente a Missa de sempre. Tenho que dizer que foi meu irmão quem me deu o primeiro “empurrão”: estávamos viajando juntos através de uma montanha no dia anterior e ele me disse: “Não sei o que você está esperando …” …era o sinal que eu precisava para começar.

P. Por que o senhor recusou o chamado “bi-ritualismo” ao contrário de outros padres que acolheram o Summorum Pontificum?

R. Serei breve. Acho a obrigação do biritualismo absurda. Se alguém descobriu algo que é autêntico, que é melhor, que expresse a Fé Católica mais completamente, sem ambigüidades perigosas, por que haveria a necessidade de celebrar algo mais inferior? Com o biritualismo, na realidade, um rito morre e o outro permanece. Com o biritualismo, o padre fica desgastado, com a tristeza de um tipo de esquizofrenia e as pessoas não são edificadas, instruídas, consoladas na beleza de Deus. Evitarei discutir os aspectos teológicos – uma entrevista não é o lugar para isso. Direi somente que quem permanecer com o biritualismo, mais cedo ou mais tarde abandona o Rito Antigo e inventa razões para ficar no mundo da reforma, vivido talvez de uma maneira conservadora, mas com uma tristeza interior, como alguém que traiu o amor de Deus desde a sua juventude. Tenho que acrescentar que foi muito útil para mim a leitura do livro “The Anglican Liturgical Reform”, de Michael Davies – um texto fundamental que é muito claro: a ambigüidade do rito leva à heresia de fato. E não foi isso o que aconteceu?

P. Como os seus paroquianos reagiram ao saberem de sua decisão de voltar ao Rito Antigo?

R.: Ninguém ficou surpreso. Os apoiadores disseram: “…finalmente!” Os opositores disseram: “..Nós lhe dissemos isso!” Mas eu diria que a maioria das pessoas foram trabalhar com grande zelo: elas pegaram os folhetos, elas queriam entender …havia fervor… Em seguida, eu sempre fui auxiliado por um grupo de fiéis, gente forte e simples, que sempre estavam prontos para trabalhar comigo: estou pensando especialmente naqueles que participam do coral desde 1995. Então, eles começaram a dizer que estávamos desobedecendo o bispo e o papa e, conseqüentemente, tudo ficou mais complicado, mas inicialmente não foi assim.

P. Todos nós sabemos dos mal-entendidos com o bispo e a solução subseqüente de lhe confiar um tipo de capelania em Vocogno. Como eram as relações com os seus irmãos párocos na época, fora as variações com a Cúria de Novara?

R. Eles todos desapareceram. Alguns não aprovavam, a maioria ficou em silêncio, alguns nos disseram às escuras que não eram contra [a missa antiga], isso aconteceu raramente, em público eles não podiam fazer nada a respeito. Havia o medo de desobediência oficial. Don Stefano, o padre que seguiu a mesma estrada que eu e com quem trabalho, (mesmo que tenhamos tipos diferentes de apostolado)…bem, ele e eu nunca faltamos às reuniões do clero do vicariato… sempre participamos delas com entusiasmo.

P. Como são as suas relações hoje em dia com o bispo e os outros padres?

R. Elas parecem ser serenas, vejo que há muita coisa não resolvida, porque sempre se evitou uma discussão profunda sobre as razões de nossa escolha. Parece que eles quiseram que isso ficasse na superfície, no nível puramente jurídico. Esperamos que, com o tempo, algo mude para melhor a esse respeito.

P. Do seu posto de vista, como o senhor vê a situação na Igreja e o quê o senhor acha do papel da FSSPX no futuro?

R. A Igreja pertence a Deus, assim tenho que esperar. Mesmo porque vejo que essa crise é profunda e muito triste, será muito longa. Há um pensamento não cristão que entrou no cristianismo. Paulo VI disse isso! Ele é comumente aceito. Muitos pensam que são católicos, mas não o são mais. É terrível. Isso é abandonar Jesus Cristo enquanto se permanece dentro de Sua Igreja – não pode existir algo mais ambíguo do que isso! A Fraternidade tem que continuar o trabalho de Mons. Lefebvre, ou seja, guardar o sacerdócio, a fé, a Missa de Sempre…um dia, o papel providencial da Fraternidade será evidente para todos. Amar a Igreja significa preservar os tesouros de fé e graça que Nosso Senhor Jesus Cristo consignou à ela e a constitui. A Fraternidade sempre fez isso, pelo que agradeço a Deus.

P. A região Ossolana tem grandes tradições religiosas. O senhor acha que a Missa Tradicional em Latim poderia se espalhar nesta zona e nas adjacentes?

R. Não sei. Sei apenas que a vida em nossas montanhas se moldaram a partir da Missa Católica Antiga. As vidas das pessoas por essas bandas foram educadas pela liturgia tridentina e que ela lhes estava disponível para que permanecessem radicalmente diante de Deus, ou seja, com a confiança que dá forma à vida. Entretanto, o mundo “americanizado” também chegou por aqui, graças também à Igreja, infelizmente. Falando em termos humanos, isso foi um desastre.

P. Como está sendo o seu apostolado atualmente e como muitos fiéis habitualmente freqüentam a Igreja em Vocogno?

R. Missa Diária, 2 Missas aos domingos, confissões todos os dias por meia hora antes da Missa, escola em Domodossola, este ano 13 turmas, reuniões sobre doutrina católica toda sexta-feira, catecismo para crianças, ensaio de coral semanalmente – e, então, se estou disponível, um pouco de vida retirada, um pouco monástica, porque se um padre quer fazer algum bem, ele não deve permanecer por muito tempo no meio das coisas. Don Stefano e eu compartilhamos uma grande fraternidade sacerdotal – e ele também voltou à Missa Tradicional, que ele celebra para os fiéis na capela do hospital em Domodossola: trata-se também de uma fraternidade efetiva, vendo que os nossos fiéis partilham muitos momentos juntos. Tudo isso resultou em um Boletim e um sítio na Internet, que falam de nossa vida.

Quantos fiéis freqüentam a Missa? Não sei. O número varia. Pode chegar a 120 aos domingos durante o verão, no inverno o número cai, devido à distância e o local. Porém, aprendi a não contar: os reis de Israel foram punidos quando realizaram um recenseamento!

P. Como o senhor vê a recente instrução “Universae Ecclesiae” sobre o uso do Missal Antigo?

R. Ela reafirmou que a Missa de sempre nunca foi proibida e que ela não pode ser proibida. Porém, aqueles que não querem reconhecer isso continuarão a “embaralhar todas as cartas.”

5 Comentários to “[Post de Setembro de 2011] É possível ser um padre diocesano e celebrar a Missa tradicional com exclusividade? Um exemplo verdadeiro e encorajador.”

  1. Vejam, quando Deus toca o coração do Sacerdote não há barreira que o impeça de celebrar os Santos Mistérios de nossa Fé Católica de forma plena. Graças a Deus ,aos poucos ,nossa Igreja volta a ter vida plena com a Santa Missa de Sempre, os Santos Sacramentos e a Sagrada Liturgia. Aos poucos a música católica será restaurada e também a arquitetura de suas igrejas e artes sacras clássicas.

    Chega de monstrengos e almas penadas nas igrejas que de tão feias mais parecem barracos de feira.

  2. Duvido que muitos destes sacerdotes que ai estão voltarão a celebrar um passado outrora glorioso. inclusive os mais jovens são mais ainda revolucionários que os atuais, eles odeiam a batina, os altares, os coroinhas homens, etc, além do mais em latim ninguém entende e não tem participação porque as pessoas rezam o terço…

  3. Alguém poderia explicar o altar do vídeo, achei diferente.

  4. Curiosamente, o Papa Bento XVI não celebra a missa tridentina.

  5. Acho a obrigação do biritualismo absurda. Se alguém descobriu algo que é autêntico, que é melhor, que expresse a Fé Católica mais completamente, sem ambigüidades perigosas, por que haveria a necessidade de celebrar algo mais inferior? Com o biritualismo, na realidade, um rito morre e o outro permanece. Com o biritualismo, o padre fica desgastado, com a tristeza de um tipo de esquizofrenia e as pessoas não são edificadas, instruídas, consoladas na beleza de Deus. Evitarei discutir os aspectos teológicos – uma entrevista não é o lugar para isso. Direi somente que quem permanecer com o biritualismo, mais cedo ou mais tarde abandona o Rito Antigo e inventa razões para ficar no mundo da reforma, vivido talvez de uma maneira conservadora, mas com uma tristeza interior, como alguém que traiu o amor de Deus desde a sua juventude.

    Claro como água límpida.
    Sem mais perguntas meritíssimo.