Impressões sobre as palavras de Dom Fellay na conferência da ‘Angelus Press’.

Por Paulo Frade | Fratres in Unum.com

Tive a graça de participar da conferência da Angelus Press, realizada entre os dias 19-21 de outubro, em Kansas City.  O tema da conferência deste ano foi “O Papado” e teve como palestrante principal Dom Bernard Fellay. A conferência contou com a presença de dezenas de sacerdotes, religiosos, seminaristas e leigos.  Tive a oportunidade de conversar e conhecer vários padres diocesanos, sendo um deles o Padre Michael Rodriguez, da diocese de El Paso, que foi injustamente perseguido por seu bispo devido à sua firme defesa da Fé e Moral católicas.  Além dele, conheci outros 3 padres diocesanos, dois de Nova York e um da Califórnia.

Conferência sobre o Papado promovida pela Angelus Press.

Conferência sobre o Papado promovida pela Angelus Press.

Apesar de eu não ser um fiel da FSSPX, sempre tive um verdadeiro apreço por seu trabalho, já que, exceto por uma intervenção divina diversa, se não fosse pela FSSPX, muito provavelmente ainda estaríamos na era do indulto. Devido às especulações de jornais, blogs e sites, cheguei à conclusão de que seria essencial ir à fonte para tentar descobrir qual a intenção da FSSPX quanto às conversações com Roma, quais são os verdadeiros fatos e qual a situação atual em que eles se encontram.

Quanto à intenção, ficou claro para mim, tanto nas palestras da conferência quanto nas conversas que tive com padres e seminaristas, que eles reconhecem que, por alguma razão, o Papa tem este desejo de reabrir a Igreja para liturgia tradicional e que a razão mais provável disso seja o reconhecimento do Papa de que o remédio para a crise atual seja o Rito Tradicional.  A FSSPX, reconhecendo que o Espírito Santo é a causa última de todas as coisas, procurou nessas conversações, dentro de seus limites e possibilidades, despertar esse lado do Santo Padre que ao menos aparentemente está voltado a Tradição.

Quanto às conversações com Roma, ao contrário do que muitos pensam e afirmam, as discussões doutrinais ocorreram por escrito e não de forma oral. Apenas depois que as discussões relacionadas a um ou alguns assuntos estavam esgotadas é que havia uma reunião.  Eu vi com meus próprios olhos ao menos três das correspondêcias recebidas por Dom Fellay. Os que negam que as discussões foram feitas de forma escrita estão no mínimo mal informados.

A primeira correspondência recebida por Dom Fellay, fazia entre outras, as seguintes afirmações:

Regras de hermenêutica que explicitam a interpretação da continuidade do Concílio Vaticano II com a Tradição e o ensinamento do Magistério precedente:

    1. Não há ensinamento doutrinal algum do Vaticano II que não seja totalmente compatível com a Fé Católica;
    2. A maneira correta de entender o Concílio é interpretá-lo em harmonia com a verdade de todos os outros ensinamentos do Magistério da Igreja em matéria de Fé e Moral.

Dom Fellay afirmou que o segundo ponto era razoável, só que o primeiro ponto não. Assim, ele respondeu afirmando que não concordava com o primeiro ponto. Afirmou também que era necessário começar de um ponto comum e este ponto comum seria a Tradição.  O Vaticano concordou com a sugestão de Dom Fellay e seguiu em frente. As trocas de correspondência continuaram e as questões relacionadas à Missa Nova, liberdade religiosa, ecumenismo, definição da Igreja e colegialidade foram todas discutidas. O último ponto tratado, segundo Dom Fellay, foi relacionado ao papel das autoridades atuais em relação à Tradição.

Segundo Sua Excelência, quando esse problema for resolvido, todos os demais também serão. No fim das discussões, as autoridades representando o Vaticano afirmaram que os respresentantes da FSSPX eram protestantes por colocarem a razão acima do Magistério. Como resposta, as autoridades da FSSPX afirmaram que os representantes do Vaticano eram modernistas por argumentarem como se a verdade pudesse evoluir.  Assim chegou ao fim a fase de discussões com Roma, o que prova que a FSSPX não estava apenas buscando um solução prática a qualquer custo.

Depois de dois anos de tratativas, Dom Fellay foi convidado para fazer uma avaliação das discussões com o Cardeal Levada.  A reunião foi marcada para o dia 14 de Setembro de 2011. Antes mesmo de ir a esta reunião, em meados de agosto, Dom Fellay recebeu mensagens de vários membros da Ecclesia Dei, incluindo um Cardeal, dizendo que o Papa reconheceria a FSSPX da mesma forma que ele fez com o levantamento das excomunhões, ou seja, de maneira unilateral. O purpurado reconheceu que havia divergências entre o Vaticano e a Fraternidade, mas afirmou que quem queria a reconciliação era o Papa e que esse desejo fazia parte do coração do seu pontificado.

No dia marcado, Dom Fellay foi ao Vaticano e recebeu um documento que ele nos mostrou durante sua palestra, com uma página que tratava de questões doutrinais e a outra de questões canônicas. Na primeira página havia uma nota preliminar que acompanhava a outra página, intitulada de “Preâmbulo Doutrinal”, que continha quatro pontos. Enquanto que na nota preliminar se encontrava a liberdade de discutir sobre o Concílio, no texto oficial do preâmbulo a liberdade não existia. Fora isso, no terceiro ponto do preâmbulo, a FSSPX teria que interpretar o Concílio de acordo com o catecismo pós-conciliar. Depois de estudar o texto com cuidado, a FSSPX respondeu no dia 30 de novembro de forma negativa, afirmando que o que eles estariam dispostos a fazer seria a profissão de Fé do Concílio de Trento. Se necessário eles estariam também dispostos a fazer a profissão de Fé em conjunto com a Constituição Dogmática Pastor Aeternus e o artigo 25 da Lumen Gentium, com a indicação de que todo o texto do Vaticano II deveria ser entendido segundo o juramento anti-modernista, e que isso faria com que fosse necessário a reformulação de alguns textos conciliares.

Dom Fellay finalizou a resposta citando a famosa declaração de Dom Lefebvre: “Nós aderimos, com todo o nosso coração, com toda a nossa alma à Roma Católica, guardiã da Fé Católica e das tradições necessárias à manutenção desta mesma Fé, à Roma eterna, mestra da sabedoria e da verdade. Nós recusamos, por sua vez, e sempre recusaremos, seguir a Roma de tendência neo-modernista e neo-protestante que se manifestou claramente no Concílio Vaticano II e, depois do Concílio, em todas as reformas dele provenientes”. E continuou dizendo que a FSSPX energeticamente recusa seguir tendências neo-modernistas e neo-protestantes que claramente se manifestaram durante e continuam se manifestando após o Concílio Vaticano II. Disse, também, que todas essas reformas têm contribuído para a demolição da Igreja, dos sacramentos, da vida sacerdotal, da vida religiosa, dos ensino católico, dos seminários, etc.  Após receberem a resposta, as autoridades do Vaticano telefonaram a Sua Excelência alguns dias depois, perguntado se ele não poderia ser mais preciso.  Mais preciso?! Então, ele responde novamente no dia 12 de Janeiro de 2012.  Nesta segunda carta, ele afirma que a primeira resposta permanece sendo a resposta da FSSPX, isto é, um “não”, e Dom Fellay seguiu mais uma vez explicando a razão da resposta negativa. Por fim, no dia 16 de Março de 2012, ele recebeu uma carta assinada pelo Cardeal Levada afirmando que “a recusa do preâmbulo doutrinal explicitamente aprovado pelo Santo Padre é, de fato, uma recusa de fidelidade ao Sumo Pontifíce e ao Magistério atual”. O então Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé continuou dizendo que “isso teria uma consequência, que é a ruptura da comunhão com o Papa” e que os resultados canônicos relacionados a tal ruptura seriam o cisma e excomunhão. Esta carta, que na verdade era um ultimato, deu a Dom Fellay 30 dias para reconsiderar o “não” dado ao preâmbulo.

Em 13 de junho, o superior da Fraternidade recebeu outra carta. Ao lê-la, afirmou a si mesmo que finalmente as coisas estavam mais claras, claras o suficiente para dizer que “we’re not going to go there!”. Esta última carta foi uma correção a uma manifestação que Dom Fellay enviou à Congregação para a Doutrina da Fé, por indicação do Santo Padre, dando as condições da Fraternidade para uma reconciliação.  Por um tempo, Dom Fellay acreditou que a condições haviam sido aceitas mas depois de receber a carta com as correcoes da CDF ele teve a reacao acima. Talvez seja a resposta a estas correções que o Vaticano esteja esperando até agora. Se este for o caso, está certo que da forma como está a Fraternidade já a rejeitou.

A conferência de Dom Fellay durou cerca de 3 horas e não dá para tratar de tudo aqui. Mas não posso deixar de fora os comentários que Sua Excelência fez em relação às constantes contradições que encontrou durante todo esse período, que de certo modo acaba provando que o Papa está rodeado de lobos.  Em 2009, por exemplo, antes das ordenações de diáconos da FSSPX, o Cardeal Castrillon Hoyos telefonou para Dom Fellay e afirmou que ele teria que parar com essas ordenações feitas sem permissão e que, se fosse pedida a permissão ao Papa, ele garantia que quase imediatamente o Papa autorizaria as ordenações.  O Cardeal Hoyos continuou afirmando que no período de duas semanas a FSSPX seria regularizada. Dom Fellay perguntou como isso seria possível, se o Secretário do Estado havia enviado uma carta a ele afirmando que a FSSPX teria que aceitar o Vaticano II para se regularizar.  Dom Hoyos respondeu que o texto era apenas administrativo e político e que essa também era a posição do Papa. Com isso, em quem deveria Dom Fellay acreditar? Em um documento oficial do Secretário do Estado ou no telefonema do Cardeal?

Em setembro de 2010, um padre se uniu à FSSPX. Dom Fellay, então, recebeu uma carta da Congregação dos Religiosos, dizendo que o padre que se juntou a eles havia sido excomungado e que havia perdido a fé por agora fazer parte do cisma do Arcebispo Lefebvre. Como pode Roma levantar as excomunhões dos bispos da FSSPX e depois excomungar um sacerdote que resolveu se juntar a eles (união informal, diga-se de passagem, pois a FSSPX não aceita religiosos, mantendo apenas relações de proximidade com as ditas “comunidades amigas”)? Quando Dom Fellay se reuniu com Monsenhor Guido Pozzo para indagar sobre esta carta, o secretário da Ecclesia Dei disse a ele para simplesmente rasgá-la, que ela não tinha valor algum.  Essas contradições desgastantes parecem ter dificultado muito as conversações.

23 Comentários to “Impressões sobre as palavras de Dom Fellay na conferência da ‘Angelus Press’.”

  1. Em um determinado blog, Dom Willianson escreve uma carta aberta em que pede a renúncia de Dom Felley.

    Por sua vez, Dom Felley não é tolo e acredito que saiba o que está fazendo. É rezar e esperar.

  2. Pelo visto a coisa continua como na época de João Paulo II: muitos têm poder de dar ordens dentro do Vaticano. Algumas vezes, até o Santo Padre.

  3. A hermenêutica da continuidade já está perfeitamente exposta no novo Catecismo.

    Sobre as “igrejas” protestantes:

    819 (…) O Espírito de Cristo serve-se dessas igrejas e comunidades eclesiais como meios de salvação

    Totalmente católico…

  4. Ainda bem que o principal foco de resistência contra aqueles que quiseram impor uma nova religião – não por via da autoridade dogmática, mas pela ambiguidade pastoral – tem por SUPERIOR a D. Fellay.

    A unidade da Igreja para os liberais é algo muito mais político e diplomático do que doutrinária e dogmática. Eu tenho certeza que a Fraternidade poderia espezinhar os documentos do CV II a vontade na plena comunhão, desde que não o recusassem oficialmente.

    Não é isso que ocorre atualemte com os progressistas?

    Enquanto as autoridades romanas continuarem a ter essa postura…

    Por que não se faz uma síntese da posição da sspx e as condena, ao mesmo tempo impondo a doutrina do concílio que a fraternidade combate?

    Já pensaram?

    Bento XVI, diga-se, como doutor privado, naquele que se tornou um jornalzinho do vaticano, disse que o Estado não poderia decidir acerca da verdade nem exigir qualquer tpo de culto. Além de dizer que a doutrina da tolerância religiosa desenvolvida por Pio XII já não se mostrava mais suficiente. Defendia também a liberdade de cada um escolher e praticar a sua religião, enquanto direitos fundamentais na liberdade do homem. Disse LIBERDADE e não livre arbítrio.

    Leiam o n° 15, 77, 78, 79 da Syllabus e comparem com o que o Papa escreveu no l’osservatore romano.

    Agora, imaginem ele condenando a doutrina da FSSPX, que nada mais são do que as doutrinas que os papas defenderam por séculos antes do concílio, e impondo o as ambiguidades pastorais do CV II, ao menos no que diz respeito a liberdade religiosa, ecumenismo e colegialidade.

  5. As regras de hermenêutica são mutuamente dependentes. A aceitação do segundo ponto exige de per si a aceitação do primeiro. No primeiro ponto afirma-se que nada no Concílio Vaticano II contradiz a fé e a moral católica. No segundo ponto afirma-se que toda contradição doutrinal deve ser resolvida pela conciliação, que é um dos métodos muito utilizados por Santo Agostinho, que é um dos Santos no qual o Papa se inspira, como foi amplamente divulgado pela mídia no inicio de seu Pontificado. Basta ler nos escritos de Santo Agostinho como ele resolve pela conciliação vários textos de aparência contraditórios da Sagrada Escritura. Infelizmente pela brevidade do espaço e do tempo não é possível citá-las aqui, mas as famosas resoluções de Santo Agostinho são conhecidas da grande maioria. Ninguém como Santo Agostinho encontrou contradições na Bíblia, e nem por isso a recusou, mas a aceitou segundo uma hermenêutica conciliatória. Poderão conferir essa hermenêutica conciliatória em São João da Cruz, Doutor da Igreja, no Capítulo XIX do Livro Segundo – Subida do Monte Carmelo – Obras Completas – Editora Vozes – 1984 – pgs 258 em diante. Só para adiantar, parafraseio o titulo do primeiro capítulo assim: As palavras da Igreja, embora sempre verdadeiras em si mesmas, podem ser para nós ocasiões de erros. Provas tiradas da Doutrina de São João da Cruz. Confiram. Só peço que quem nunca leu este Capítulo citado, que não se meta a sábio ignorante a fazer julgamentos sem conhecimento de causa, nós estamos aqui para somar e compartilhar, não para ser melhor do que ninguém.
    Santos Agostinho e São João da Cruz, orate pro nobis.

  6. A situação é simples, há vários grupos antagônicos no vaticano e o grupo mais poderoso aparentemente é contra a regularização canônica, a unica solução possível seria um gesto unilateral do papa, mas o papa é um politico e dificilmente faria uma coisa dessas sem apoio.
    Resta apenas rezar .

  7. Verdadeira novela Mexicana; se é para ser real, o tempo do Santo Padre está acabando, se não houver rapidez nessas conversas, só Deus sabe quando a Fraternidade fará, realmente, parte da Igreja. E creio eu, que é o que todos nós, leitores deste blogue desejamos – apesar das diferenças-.

    Um dia, um dia de conversa a sós com Bento XVI, era suficiente para que Dom Fellay e a Santa Sede entrassem num acordo.

    Observação: A Fraternidade em comunhão com o Papa, e não o contrário. No entanto, a Igreja influenciada pela Fraternidade, e não o contrário.

  8. Minha opinião é a seguinte: Sou favorável a FSSPX e pronto. Mas tenho percebido que eles tem se colocado acima do papa e do magistério da Igreja. Pelo que tenho acompanhado as discussões não é só o Vaticano II que eles estão brigando, mas uma autoridade magisterial exclusiva para eles e isso é impensável o que chega ser protestante. A impressão que tenho e ai não adianta o povo me xingar é que eles não estão nem ai para a igreja e que se acham os escolhidos. Não sou favorável a nada do que tem acontecido na igreja como a RCC e outras coisas, mas acredito que se você ama mesmo a Igreja ficar nesta posição que eles estão é ridícula afinal como pode amar e a ao mesmo tempo enfiar a faca? na verdade eles já se acostumaram de tal forma com a posição que eles estão que tão nem ai se vão ser excomungados ou não, isso que é a verdade. É com uma dor no coração que constato este fato, pois acredito que a resolução deste problema seria ótimo para a igreja para ver se acaba com as bobagens que vemos nas nossas paróquias. Espero que algum dia os dois lados possam perder a arrogância e pensar mais na Igreja e não nas suas próprias opiniões.

  9. Ao ler o final da carta, conclui o de sempre: o Santo Padre está rodeado de lobos. Tenho certeza que a FSSPX precisa ajudar “nosso” Papa Bento XVI, doce Cristo na Terra, a reconduzir a Igreja para o porto seguro da Sagrada Tradição, mas ela precisa se cercar de cuidados para que não sucumba no modernismo.
    Em suma, a FSSPX sempre foi uma grande colaboradora da Igreja e do Santo Padre e, sobretudo, fiel. Trata-de de uma “filha mal compreendida pela Mãe e pelo Pai”, mas, que mesmo ciente das injustiças com a qual é tratada, continua a “Honrar Pai e Mãe”.

  10. A FSSPX é parte da Santa Igreja, não está fora da comunhão com Roma. Para mim, por analogia, são como os novos institutos religiosos, possuem comunhão, mas ainda não têm uma forma canônica aprovada pela Santa Sé, até eles discutem essa aprovação. Mas o caso com a FSSPX é diferente, antes de uma solução prática, existe todo o problema histórico e doutrinal da FSSPX.

    O segundo ponto é mais aceitável que o primeiro e, de per si, não leva ao primeiro, porque se há por exemplo um: “A Igreja de Cristo subsiste na Igreja Católica”, a única interpretação correta é a conforme a doutrina católica: “A Igreja de Cristo é a Igreja Católica”, o “subsiste”, embora ambíguo, significa “ter existência”, “viver”, “durar”, “persistir”, “manter-se”, “permanecer”. Ou seja, apesar de todas as seitas e divisões da história, a Igreja de Cristo continua sendo, permanece sendo, a Igreja Católica.

  11. Se a fé da FSSPX é a Fé Católica, eles são e estão em plena comunhão. Mas em sentido mais místico do que “canônico”. No julgamento diante de Deus, o que vai servir mais?

    Lógico que não é o ideal, mas é a vontade de Deus: que estejamos na verdade e não nas aparências.

    Obs: a análise do Pedro foi perfeita!

  12. Helber,

    Aceitar o CV2o sem segui-lo fielmente, simplesmente por gesto filial ao Papa, seria um erro, uma politicagem, seria na verdade, enfraquecer o Papa e não ajudá-lo (claro que aqui muitos diriam: “Mas esta é a estratégia! Fingir que aceita mas para se unir ao Papa e acabar com os modernistas!”). Este tipo de postura é exatamente o que a RCC, padres comunistas e Bispos Modernistas fazem: Quando o Papa fala “Ohhhhhh vamos nos curvar ao Papa, vamos amar nosso doce Pedro na Terra”. Quando o Papa vira as costas, já estão lá fazendo os piores malabarismos contra a Igreja, contra o Papa e se unindo a inimigos da Igreja como protestantes, abortistas etc e etc. Foi exatamente assim que os ratos entraram na paróquia.

    A FSSPX não quer ser mais uma que na frente do Papa ” se faz de Santa” e nas costas dele acaba por continuar a fazer o que der na sua telha. Por isso tanto se fala na FSSPX de “enquanto Roma tiver sua orientação modernista”. E olhe que o que dá na telha da FSSPX é sempre baseado na Tradição, mas isto já é ir contra o que os modernistas em Roma pensam e o que o Papa parece, no geral, pensar.

    Por isso, a FSSPX, quando é rígida assim, ela demonstra o quanto tem caráter e o quanto é fiel. Não é questão de ser acima do Papa mas sim uma questão de não fazer o Papa de “bobo” como todos estes movimentos de hoje em dia fazem. A FSSPX quer ser sincera: “Rejeito o CV2 e não posso aceita-lo somente para lhe agradar” e isto se dá principalmente pois o que esta em jogo não é a construção de um templo para 20.000 pessoas na Av. Interlagos, o que está em jogo não é a nomeação deste ou daquele como cardeal/bispo ou elevação para a honra de monsenhor, não está em jogo o imprimatur para a publicação de um livro, não esta em jogo a utilização de espaço religioso na TV ou na Rádio, não está em jogo a participação neste ou naquele evento “católico” de grande porte. O QUE ESTÁ EM JOGO É A FÉ CATÓLICA QUE EXISTE DESDE SEMPRE, e este tipo de coisa, para a FSSPX é inegociável. Não pode existir a frase condicionada “Puxa, bom…então faz assim, você aceita isso aqui formalmente, só por questão burocrática, finge que aceita tudo e que se comporta, e juntos poderemos atacar todos os modernistas” Esse tipo de coisa não existe para a FSSPX, não porque é chata, mesquinha e quer ser maior que o Papa. É que ela não quer ser maior que a Igreja. É a FSSPX se recusando a utilizar quaisquer meios para se chegar ao fim…a FSSPX se preocupa com os meios. Isso é caráter. Graças a Deus!

    Numa situação parecida, Canções Novas, Neocatecumenatos, etc e etc…já estariam pendurados nas vestes papais mesmo pensando totalmente contrário ao que pensa Bento XVI (e o que pensou Joao Paulo II até…) Como eu fico irritado quando vejo na Canção Nova os apresentadores falando com voz de bezerrinho sobre o Papa, mas fazem tudo o inverso do que o Papa pediu (JoaoPII) e pede (BentoVI).

    Um exemplo bem bem bem prático: Nenhum padre da FSSPX irá colocar calça social e camiseta polo apenas para não escandalizar seus coleguinhas diocesanos caso tivesse que ir a uma reunião diocesana. A FSSPX não quer justamente ter que dosar até suas vestimentas (sic!) católicas para poder se apresentar diante de um Bispo. Mesmo que este Bispo seja o Papa. E vestimentas interprete como roupas de verdade e pensamentos. Não se agrada ninguém com omissões, atenuações desnecessárias, faltando com as definições verdadeiras…

    Por isso a FSSPX se comporta de um jeito que parece aquele filho rebelde que quer que as coisas sejam do jeito dele e que não escuta o pai e que não quer ceder em nada. Parece, mas claro que não é! Ceder a FSSPX quer, mas não em matéria de fé, ainda mais para ficar atuando como uma atriz numa novela! Para ganhar “facilidades”. Não existe esta troca para a Fraternidade “Fique quietinho que eu te ajudo”. Este é um preço muito caro. A Canção Nova faz milhares de coisas erradas, gritantemente erradas contra o pensamento do Papa mas finge aceitar este pensamento. A FSSPX agora vai tambem fingir que aceita o pensamento do Papa para talvez “desapontá-lo” na questão do Vaticano II ? O Papa precisaria entender esta sinceridade da FSSPX para conviver com ela, coisa que ele não tem dos modernistas que o rodeiam, sinceridade e clareza no pensamento. Se isso for demais, a solução virá apenas com a solução da crise da Igreja. E novamente, isto não é “colocar os pontos da FSSPX” de forma unilateral. É que parece simples:

    A Roma modernista que tudo aceita, tudo acolhe, que aceita que até igrejas protestantes salvam, pode acolher de novo a “protestante FSSPX”, por que não? Por que o espirito ecumênico aqui não vale? O problema é muitissimo menor do que se fossem os cismáticos do ocidente ou os anglicanos: Ninguém da FSSPX vai querer dividir o trono do Papa. Inclusive o reconhecem. O que falta para acolher estes “protestantes da Tradição Católica” ? onde está o ecumenismo? Os compromissos do Vaticano II parece querer ser A IGREJA e não mais um integrante de sua Tradição. Daí a ruptura.

  13. Outra coisa:

    Se a FSSPX não quer ceder em matéria de Fé e o Papa/Vaticano também não querem ceder em matéria de Fé, significa que temos então duas Fé(s). Ou a Fé do Vaticano está certa, e neste caso, ocorreu evolução da Verdade, ocorreu mudança daquilo que já existiu (a Fé não seria tão intacta assim), ou a Fé “da FSSPX”, ou melhor, tradicionalista é a que permanece intacta com a Verdade.

    Se a interpretação, se a hermeneutica tudo resolve, isto só pode ser verdade se aplicado aos dois lados, tanto na interpretação vaticana quanto na tradicionalista, e com boa vontade, em algum ponto se encontrariam. Os modernistas do Vaticano conseguem harmonizar, mas os tradicionalistas não. Isso só pode indicar que não é a interpretação que resolverá a equação e sim a separação total do que ocorreu após o Vaticano II.

  14. Vladimir Sesar, o problema que vejo aqui é o seguinte: Se um dia a fraternidade for excomungada por exemplo então ela estaria com a rasão da fé correta, se entendi o que você falou. Logo Cristo Mentiu quando disse que “as portas do inferno não prevalecerão” e o Espírito Santo que é quem sustenta a Igreja falhou, afinal se a FSSPX fosse excomungada ela não seria mais igreja. Ou eles iriam aceitar que na verdade o papa está correto mas os que o cercam não, logo cairíamos no mesmo problema. Não teríamos então um novo Lutero?. Bem… penso que aqui deveria ser o combate de Atanásio que brigou para ficar e buscar a doutrina correta e não ficar numa de somos os escolhidos e pronto e se o vaticano quiser que ele mude essa é a impressão que dá.

    Com relação aos seus comentários sobre a CN e os padres de calça concordo plenamente, na minha paróquia tenho os dois mundo o pároco de batina e o vigário você passa e nem sabe que é padre.

  15. Helber,

    O Pensador e mentor maior da FSSPX já foi excomungado: Dom Marcel.

    Mas, ora, a excomunhão foi inválida pois ele não feriu a fé Católica na sua essência em nada ( Segundo o CDC de 1917).Foi o mesmo caso de Santo Atanásio.Ser excomungado, não necessariamente quer dizer que a pessoa inventou ou negou a fé verdadeira.

  16. Noto que a maioria das mentes “tradicionalistas” foi contaminada pelo subjetivismo protestante e pelo espírito conclavista:

    - “Minha opinião é a seguinte: Sou favorável a FSSPX e pronto” – típico caso onde o subjetivismo protestante é o que importa. A opiniao da Igreja e do Papa é trocada pela ” pela minha opinião”, ou seja o que “Eu” acho é o que vale e não o que a Igreja diz através do Papa.

    - “A FSSPX é parte da Santa Igreja, não está fora da comunhão com Roma. Para mim,…” – Outro exemplo clássico de aplicação do subjetivismo protestante aliada ao conclavismo. Quando o Papa em conjunto com toda a Igreja diz que a FSSPX não possui nenhum ministério legítimo dentro da Igreja e que essa entidade não está em comunhão com eles, alguns dizendo-se católicos ousam desprezar o Vigário de Cristo. O Papa é o único que possui a prerrogativa de dizer quem é parte e quem não faz parte da Igreja.

    - “Em suma, a FSSPX sempre foi uma grande colaboradora da Igreja e do Santo Padre e, sobretudo, fiel. Trata-de de uma “filha mal compreendida pela Mãe e pelo Pai”, mas, que mesmo ciente das injustiças com a qual é tratada, continua a “Honrar Pai e Mãe”. – Mais um caso de subjetivismo. Na verdade a FSSPX sempre foi uma pedra no sapato dos últimos 5 ´papas, começando com Paulo VI até Bento XVI. A FSSPX não obedece o Papa, não aceita o magistério pósVaticano II e representa o único risco verdadeiro de cisma énfrentado pela Igreja nos últimos 100 anos.

    - ” Mas, ora, a excomunhão foi inválida pois ele não feriu a fé Católica na sua essência em nada” – conclavismo e subjetivismo : a excomunhão de Lefebvre não foi válida , pois qualquer Bispo que ordene outros Bispos sem autorização Papal comete ato cismático e em toda a história da Igreja foi punido com excomunhão. Mais um caso em que alguns “tradicionalistas” passam por cima de toda a tradição atribuindo a sí um julgamento que só cabe ao Papa.

    Caros amigos, no catolicismo não existe subjetivismo, a opinião de A , B , C não vale nada. O que importa é o magistéio da Igreja que está a cargo única e exclusivamente do Papa e dos bispos em plena comunhão com ele.

  17. Heitor, sem querer discussões maiores, Dom Marcel não foi excomungado por ferir a fé, mas por ter consagrado bispos (4 de uma só vez) sem mandato pontifício. Qualquer bispo, por mais ortodoxo que seja, não pode fazer isto. Vai contra o CDC de 1983 e, apesar de não ter acesso ao CDC de 1917, deve haver algo neste sentido lá também.

  18. Sim, semelhante à palavra “filioque” contra a “Roma cismática” e “evolucionista”, há um erro velho disfarçado em muita gente por aí. Claro que a FSSPX não está, explicitamente, em nenhum cisma, mas devemos lembrar que o papa é Bento XVI, portador das chaves do céu (as quais ligaram o Vaticano II); e agora?

  19. Francisco de Mello e Silva disse: “do Papa e dos bispos em plena comunhão com ele”.

    Caro Francisco de Mello, a quais bispos você se refere? Creio que aos cardeais Dom Ranjith e Dom Burke ou a Dom Athanasius Schneider.. Pois infelizmente se tratando de Bispos fiéis e católicos, é possível contá-los nos dedos.
    Não quero polemizar, mas infelizmente é uma triste constatação.
    Se plena comunhão significa comunhão total, comunhão em fé, doutrina, etc, 91,5% do clero episcopal não está em comunhão com o Santo Padre e tampouco com a Santa Igreja… Alguns estão em comunhão nisso, outros naquilo, mas plena comunhão é evidente que não.

  20. Francisco de Mello e Silva Concordo com você que a opinião que vale é da Igreja e assim devemos respeita-la porém acontecesse que podemos e devemos pensar por conta própria e cada um tem seu intendimento sobre a questão em debate. Agora quando se definir a questão devemos obedecer, mas ainda sim teremos nossas opiniões anão ser que dai venha algum dogma. Se eu disse “Minha opinião é a seguinte: Sou favorável a FSSPX e pronto.” é porque assim eu penso e não existe nenhum dogma que impessa eu de o faze-lo, se ser protestante é pensar e ter opiniões então vejo que o sou. Meu caro não descordo do papa em nenhum momento acredito no Vaticano II assim como acredito que muitos em nome dele e sem ler realmente seus documentos fazem o que querem e atribue a ele muitas coisas como por exemplo permitir que os fieis distribua a eucaristia, façam homilias e no entanto nem o concilho nem o missal permite. Mas espero com muita anciedade o dia que este problema sobre a FSSPX se resolva. Um outro fato é que a muitos hoje estão prostentantizando a igreja e isso não é feito pela FSSPX, mas pelos como é mesmo o nome? Renovação Carismátrica né? o nome já diz muito amigo e a FSSPX é a errada por querer manter o católicismo original e não o protestantismo de hoje o qual cadavez mais é adotado nas missas, radios, pregações e vamos que vamos. Se notar nos meus comentários verá que falo sobre a questão de uma possível separação definitiva da FSSPX e fico dolado do papa. Quero que note o seguinte como voce coloca aqui:

    “Caros amigos, no catolicismo não existe subjetivismo, a opinião de A , B , C não vale nada. O que importa é o magistéio da Igreja que está a cargo única e exclusivamente do Papa e dos bispos em plena comunhão com ele.”

    Quem vai decidir a questão aqui é sim o papa, mas enquanto isso podemos rezar e termos nossas opiniões e no meu caso espero de todo o meu coração que isso se resolva logo e que a FSSPX possa ajudar combater os protestante hereges dentro da igreja que se dizem obedientes ao papa e dois segundos depois fazem tudo o que ele não quer.

  21. Francisco de Mello, o Cardeal Ratzinger te mandou um recado:

    “Doutra parte, é possível e até necessário criticar os pronunciamentos do papa, se não estiverem suficientemente baseados na Escritura e no Credo, ou seja, na fé da Igreja universal. Onde não houver, nem a unanimidade da Igreja universal, nem o claro testemunho das fontes, não pode também haver uma definição que obrigue a crer. Faltando as condições, poder-se-á também suspeitar da legitimidade [de um pronunciamento papal].” (Joseph Ratzinger, Das Neue Volk Gottes – Enwürfe zur Ekkleseologie, Düsseldorf: Patmos-Verlag, 1969, trad. br. por Clemente Raphael Mahl: O Novo Povo de Deus , São Paulo: Paulinas, 1974, p. 140.)

  22. Caro Marcelo G.

    Um recadinho do papa Bento XVI para você :

    “O facto de a Fraternidade São Pio X não possuir uma posição canónica na Igreja não se baseia, ao fim e ao cabo, em razões disciplinares mas doutrinais. Enquanto a Fraternidade não tiver uma posição canónica na Igreja, também os seus ministros não exercem ministérios legítimos na Igreja. Por conseguinte, é necessário distinguir o nível disciplinar, que diz respeito às pessoas enquanto tais, do nível doutrinal em que estão em questão o ministério e a instituição. Especificando uma vez mais: enquanto as questões relativas à doutrina não forem esclarecidas, a Fraternidade não possui qualquer estado canónico na Igreja, e os seus ministros – embora tenham sido libertos da punição eclesiástica – não exercem de modo legítimo qualquer ministério na Igreja” (http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/letters/2009/documents/hf_ben-xvi_let_20090310_remissione-scomunica_po.html)

  23. Sempre entendi que ser católico é diferente de ser torcedor de futebol. Não é da minha competência discutir, mas aceitar humildemente, dando Graças a Deus pelo Tesouro que é a minha Religião, os ensinamentos da Doutrina Sagrada, cujas Verdades são afirmadas e dúvidas dirimidas em nossos dias pelo Papa Bento XVI. Fui batizado, confirmado e acólito coroinha antes de 1962. Como tal tenho preferência pela Santa Missa Tridentina. Conheci os trabalhos de Dom Marcel Lefebvre e Dom Antônio Castro Mayer e a existência deles para mim é uma Graça e pode ser que a discórdia gerada provavelmente só fará sentido consistente em tempos futuros. Mas que essa discórdia fique apenas no nível daqueles em que a concórdia possa surgir. No meio da massa de fiéis, à qual pertenço, pode gerar uma guerra de torcidas. Tal qual se deu no futebol, estou fora e não volto mais.