Em que posição nos encontramos junto a Roma?

No dia 1º de novembro de 2012, festa de Todos os Santos, Dom Bernard Fellay celebrou uma Missa no seminário de Ecône. Durante o seu sermão, após recordar o sentido espiritual desta festa, ele explicou o status das relações da Fraternidade São Pio X com Roma. – O título e subtítulos foram dados pelos editores de DICI.

Por DICI | Tradução: Fratres in Unum.com

… Por que é que existe uma Fraternidade São Pio X? Por que é que nos tornamos sacerdotes? Não é apenas pelo prazer de celebrar a Missa antiga. É para irmos para o Céu; é para salvarmos almas! Certamente, ao mesmo tempo em que preservamos os tesouros da Igreja, mas com o objetivo de salvar almas, de santificá-las arrebatando-as do pecado, conduzindo-as ao Céu, levando-as para Nosso Senhor.

Em que posição nos encontramos junto a Roma? Deixem-me explicar dois pontos. Primeiramente, um olhar no que aconteceu. Em seguida, um olhar no presente e talvez no futuro.

Primeiramente: no que aconteceu. Uma provação, talvez a maior que jamais tivemos, deveu-se a um conjunto de diversos fatores que ocorreram ao mesmo tempo e criaram um estado de confusão, de dúvida bastante profunda que deixa lesões — e das feridas mais graves, sem dúvida, aquela que nos causa uma dor enorme: a perda de um de nossos bispos. Isso não é pouca coisa! Isso não se deve somente à crise atual. Esta é uma longa história, mas ela encontra a sua conclusão aqui.

Duas mensagens contrárias de Roma

Bem, o que aconteceu? Acho que o primeiro fator é um problema que tem ocorrido há vários anos e que tenho mencionado, pelo menos, desde 2009. Eu disse que nos encontramos confrontando a contradição em Roma. E essa contradição em nossas relações com a Santa Sé tem se manifestado há cerca de um ano, desde setembro, quando recebi através de canais oficiais alguns documentos que expressavam claramente a disposição por parte de Roma de reconhecer a Fraternidade, mas era necessário assinar um documento que não podíamos assinar. E ao mesmo tempo havia uma outra linha de informações que recebi, e era impossível que eu duvidasse de sua autenticidade. Essa linha de informações realmente dizia algo diferente.

Isso começou em meados de agosto, ao passo que eu não recebi o documento oficial até 14 de setembro de 2011. Desde meados de agosto, uma pessoa no Vaticano vem me dizendo: “O Papa irá reconhecer a Fraternidade e será como foi com as excomunhões, em outras palavras, sem nada [exigido] em troca.” Assim, foi nesse sentido que me preparei para a reunião do dia 14 de setembro ao preparar argumentos, dizendo: “Mas o senhor refletiu cuidadosamente no que o senhor está fazendo? O que o senhor está tentando fazer? Isso não irá funcionar.” E, de fato, o documento que nos foi apresentado era completamente diferente daquele que nos foi anunciado.

Mas eu não tinha apenas uma fonte, eu tinha diversas notificações que diziam a mesma coisa. Um Cardeal declarou: “Sim, é verdade, há diferenças, mas é o Papa quem as quer.” Esta mesma pessoa que nos deu essa informação nos disse, depois de termos recebido o documento oficial: “Isso não é o que o Papa quer”. Contradição!

O que devíamos fazer? Dada a seriedade das informações que nos indicavam que o Papa queria fazer alguma coisa — mas até onde? — Fui obrigado a verificar essa informação. Porém, era impossível comunicar isso aos fiéis. Essas informações chegaram através de canais informais, mas muito próximos do Papa. Mencionarei para vocês algumas das declarações que me foram transmitidas. Primeiramente esta: “Eu sei muito bem que seria mais fácil tanto para mim quanto para a Fraternidade que as coisas permanecessem do jeito que estão”. O que mostra claramente que ele sabe que ele mesmo terá problemas, e nós também. Mas até onde ele quer ir?

Outras declarações do Papa: “Digam à Fraternidade que a resolução do seu problema está no centro das prioridades do meu pontificado”. Ou isso: “Há homens no Vaticano que estão fazendo tudo que podem para derrubar os projetos do Papa”. E esta outra: “Não temam; em seguida vocês poderão continuar atacando tanto quanto quiserem, exatamente como fazem agora”. E esta outra declaração: “O Papa está acima da Congregação para a Doutrina da Fé; mesmo se a Congregação para a Doutrina da Fé tomar uma decisão desfavorável a seu respeito, o Papa irá revertê-la.”

Esse é o tipo de informação que chegou até mim. Obviamente não está claro, quando, por um lado, há documentos oficiais aos quais você tem que dizer não, porque eles estão nos pedindo para aceitar o Concílio e isso não é possível, e quando, por outro lado, tais informes lhes são comunicados. Todavia, dei uma resposta inicial em que dizia não. Alguém me telefonou dizendo: “O senhor não poderia ser um pouquinho mais preciso?” Escrevi uma segunda vez. Não havia mais conteúdo do que da primeira vez. E assim chegamos ao dia 16 de março, quando eles me apresentaram uma carta dizendo, “Esta carta vem da Congregação para a Doutrina da Fé, mas ela está aprovada pelo Papa”. Se eu não tivesse em mãos nada além dessa carta, nossas relações com Roma estariam terminadas, porque essa carta dizia que ninguém tem o direito de contrapor o Magistério passado ao Magistério atual. Portanto, ninguém tem o direito de dizer que hoje em dia as autoridades romanas estão em contradição com aquelas de ontem. Ela também dizia que a rejeição do documento de 14 de setembro, que estava explicitamente aprovado pelo Papa, equivalia, de fato, a uma rejeição da autoridade do Papa. Havia até mesmo uma referência aos cânones que falavam do cisma e sobre excomunhão do cisma. A carta continuava: “O Papa, em sua bondade, está possibilitando que o senhor tenha mais um mês para refletir; se o senhor desejar mudar a sua decisão, informe a Congregação para a Doutrina da Fé a esse respeito”. Então, está claro! Não há nada mais a fazer. Essa carta que veio até mim pelo canal oficial encerra o debate. Está acabado. Mas ao mesmo tempo, recebi um conselho informal que me disse: “Sim, o senhor receberá uma carta dura, mas permaneça calmo” ou, na verdade: “não entre em pânico”.

A carta ao Papa e sua resposta

Uma vez que havia intervenções desse tipo, tomei coragem de passar por cima da Congregação para a Doutrina da Fé e escrevi diretamente ao Papa. E também porque percebi que o ponto mais delicado em nossas relações era o seguinte: as autoridades romanas estavam persuadidas de que estávamos dizendo, na teoria, que reconhecíamos o Papa, mas na prática estávamos rejeitando tudo. Eles estão persuadidos que para nós, desde 1962, não sobrou nada: não mais Papa, não mais Magistério. Pensei que eu deveria corrigir isso, porque isso não é verdade. Rejeitamos muitas coisas, não estamos de acordo com muitas coisas, mas quando dizemos que o reconhecemos como Papa, essa é a verdade, nós verdadeiramente o reconhecemos como Papa. Reconhecemos que ele é bastante capaz de praticar atos pontifícios.

E assim tomei coragem de escrever. Obviamente, era um assunto delicado, porque era necessário dizer, ao mesmo tempo, que estamos de acordo e que não estamos de acordo. Essa carta extremamente delicada parece ter sido aprovada pelo Papa e foi até mesmo aprovada posteriormente pelos cardeais. Mas no texto que me foi apresentado em junho, tudo que eu tinha retirado, porque não podia ser aceito, havia sido colocado de volta novamente.

Quando este documento me foi entregue, eu disse: “Não, eu não assinarei isso; a Fraternidade não vai assinar.” Escrevi ao Papa: “Não podemos assinar isso”, explicando: “Até agora — uma vez que não estamos de acordo a respeito do Concílio e uma vez que o senhor deseja, ao que parece, nos reconhecer — eu havia pensado que o senhor estava pronto para deixar o Concílio de lado”. Dei um exemplo histórico, aquele da união com os gregos no Concílio de Florença, onde eles não chegaram a um acordo sobre a questão da nulidade matrimonial em razão de infidelidade. Os ortodoxos acham que esse é um motivo que pode anular um matrimônio, a Igreja Católica não pensa assim. Eles não chegaram a um acordo. O que eles fizeram? Eles deixaram o problema de lado. Pode-se ver muito claramente a diferença entre o Decreto aos Armênios, onde a questão do matrimônio é mencionada, e o caso dos gregos, onde ela é omitida. Fiz essa referência enquanto dizia: “Talvez o senhor possa fazer a mesma coisa; talvez o senhor pense que é mais importante nos reconhecer como católicos do que insistir no Concílio. Mas agora com o texto que o senhor está nos entregando, penso que foi um erro. Diga-nos, então, realmente, o que o senhor quer. Porque entre nós essas questões semeiam a confusão”.

O Papa me respondeu, em uma carta datada de 30 de junho, na qual ele estabelece três condições:

  • A primeira é que devemos reconhecer que o Magistério é o juiz autêntico da Tradição Apostólica — isso significa que o Magistério é aquele que nos diz o que pertence à Tradição. Isso é verdadeiro. Mas obviamente as autoridades romanas querem utilizar isso para dizer: você reconhece isso e, portanto, agora decidimos que o Concílio é tradicional, e o senhor terá que aceitá-lo. E isso, incidentalmente, é a segunda condição.
  •  É necessário que aceitemos o fato de que o Concílio é uma parte integrante da Tradição, da Tradição Apostólica. Porém, dizemos que a observação diária nos prova o contrário. Como é que alguém pode dizer de repente que este Concílio é tradicional? Para ser capaz de dizer tal coisa, é necessário ter modificado completamente o significado da expressão “Tradição”. E, de fato, percebemos claramente que eles modificaram o sentido da palavra “Tradição”; porque não é insignificante que no Concílio Vaticano II eles rejeitaram a definição dada por São Vicente de Lérins, que é a definição tradicional total: “Aquilo que é crido por todos, em todos os lugares e sempre.” “Aquilo que foi crido” é um objeto. Agora, para eles, a Tradição é algo vivo, não é mais um objeto, é o que eles chamam de “sujeito Igreja”, é a Igreja que cresce. Essa é a Tradição, que, de tempos em tempos faz coisas novas e acumula; e esse acúmulo é a Tradição que se desenvolve, que aumenta. Esse sentido é verdadeiro também, mas é secundário.
  • Como um terceiro ponto, é necessário aceitar a validade e a licitude da Missa Nova.

Eu havia enviado a Roma os documentos do Capítulo Geral, nossa Declaração final, que está clara, e nossas condições para eventualmente, quando chegasse a hora, chegarmos a um acordo sobre um possível reconhecimento canônico. Essas são as condições sem as quais é impossível [para a Fraternidade] viver; isso seria simplesmente uma autodestruição. Pois, aceitar tudo o que está sendo feito hoje em dia na Igreja significa destruir a nós mesmos. É abandonar todos os tesouros da Tradição.

Por que há estas contradições em Roma?

A reconciliação proposta, de fato, corresponde a nos reconciliar com o Vaticano II. Não com a Igreja, não com a Igreja de sempre. Além do mais, nós não precisamos ser reconciliados com a Igreja de sempre; nós estamos nela. E Roma diz: “Nós ainda não recebemos a sua resposta oficial”. Mas por três vezes eu respondi que não podíamos, que não iríamos caminhar por esta via.

Há não muito tempo, tivemos uma tomada de posição do presidente da Ecclesia Dei, que ao mesmo tempo é o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, afirmando que as discussões com a Fraternidade estão terminadas. E no último sábado, uma nova declaração da Ecclesia Dei diz: “Não, nós devemos lhes conceder algum tempo; é compreensível que após trinta anos de debate eles devam precisar de algum tempo; nós vemos que eles têm um desejo ardente de se reconciliarem”. Tenho a impressão de que eles o tem mais do que nós. E nós pensamos: o que está acontecendo?

Obviamente, mais uma vez, isso está semeando confusão, mas não devemos nos deixar perturbar. Continuamos o nosso caminho. Simples assim. Temos aqui, uma vez mais, uma manifestação da contradição que se encontra em Roma. Por que há esta contradição? É claro, porque há pessoas que querem continuar nesta via moderna, no caminho da destruição, da demolição, e então há outros que estão começando a perceber que isso não está funcionando e que nos querem bem. Mas podemos confiar neles? Isso depende das circunstâncias; não basta nos querer bem.

Em todas essas discussões, cheguei à conclusão — e creio que isso explica o que está acontecendo agora — que o Papa realmente, seriamente gostaria de reconhecer a Fraternidade. Todavia, as condições que ele impõe são impossíveis para nós. As condições que se encontram em sua carta são para nós simplesmente impossíveis.

Afirmar que o Concílio é tradicional! Enquanto tudo nos diz o contrário! Cinquenta anos de história da Igreja dizem o contrário! Dizer que a nova Missa é boa! Aqui também basta abrir os olhos para ver o desastre. A experiência que tivemos nos últimos anos com padres que vieram nos ver é esclarecedora. Eu novamente tive um desses encontros, bem recentemente. Estava na Argentina, quando tomei conhecimento de um sacerdote relativamente jovem que não sabia absolutamente nada sobre a Tradição, que descobrira a Missa. Era a primeira vez que ele assistia à Missa Tradicional: até pouco tempo atrás ele sequer sabia que ela existia. E qual foi a sua reação? Ele disse que estava terrivelmente frustrado, furioso com aqueles que lhe esconderam esse tesouro! Eis a sua reação: “É esta a Missa? E eles nunca nos disseram isso!”

A Tradição é um tesouro, e não um anacronismo.

O caminho para sair da crise é muito simples. Se quisermos falar sobre uma nova evangelização — os termos que são usados não importam –, o único caminho para sair da crise é o retorno ao que a Igreja sempre fez. Isso é muito simples, nada complicado. E isso não é ser anacrônico ou arcaico. Eu sei muito bem que estamos vivendo no mundo de hoje. Nós não estamos experimentando o ontem ou o anteontem; há — é verdade — novos problemas, mas as soluções do Bom Deus estão aí! Estas soluções são eternas. Nós sabemos que em nenhum momento de nossa vida seremos privados da graça. Sempre que há uma escolha, sempre que há uma tentação, o Bom Deus nos dá a graça correspondente à situação, a fim de superá-la. Os mandamentos de Deus são tão válidos hoje como ontem. Deus permanece Deus, vejam!

Portanto, quando eles nos dizem que é necessário nos adaptarmos ao mundo, adotar a sua linguagem… ou o que quer que seja, é necessário tentar explicar as coisas. Sim, isso é verdade, mas nós não precisamos mudar a Verdade. O caminho para o Céu permanece um caminho de renúncia ao pecado, a Satanás e ao mundo. Esta é a primeira condição que temos nas promessas do batismo: “Renuncias a Satanás? Renuncias às suas obras?”. Este ainda é o caminho; não há outro. As pessoas hoje fazem discursos sobre os divorciados e recasados. No ano passado, os bispos da Alemanha afirmaram que uma de suas metas era chegar à comunhão para divorciados e recasados. Bem! A Igreja, e não só a Igreja, mas o Bom Senhor nos diz: não, é necessário primeiro regularizar essa situação. O Bom Deus dá a graça àqueles que estão em uma situação difícil. Ninguém diz que é fácil! Quando um casamento é rompido, é uma tragédia, mas o Bom Deus dá as graças. Aqueles que estão nessa situação devem ser fortes, e a Cruz de Nosso Senhor os ajuda, mas nós não vamos ratificar [o segundo casamento], ou fazer o que fazem aqui na diocese de Sion, onde eles têm um ritual para abençoar essas uniões. As pessoas não falam isso muito abertamente, mas é uma realidade. Agora, fazer isso é abençoar o pecado; e isso não pode vir do Bom Deus! Os padres ou os bispos que o fazem estão levando as almas para o inferno. Eles estão fazendo exatamente o oposto ao que eles foram chamados a fazer quando se tornaram padres ou bispos.

Esta é a realidade com a qual nos confrontamos! E como poderia alguém dizer sim a tudo isso? É a tragédia da Igreja com que nos confrontamos.

Agora, para falar sobre o futuro, o que tentaremos fazer com as autoridades romanas é lhes dizer não leva a nada pretender, em nome da fé, que a Igreja não possa estar equivocada. Porque, no âmbito da fé, estamos totalmente de acordo sobre a assistência do Espírito Santo, mas é necessário abrir os olhos para o que está acontecendo na Igreja! É necessário parar de dizer: a Igreja não pode fazer nada de mau, portanto, a nova Missa é boa. É necessário parar de dizer: a Igreja não pode errar e, logo, não há erro no Concílio. Mas olhem, então, para a realidade! Não pode haver contradição entre a realidade que apreendemos e a fé. É o mesmo Deus que fez as duas. Portanto, se há uma aparente contradição, certamente há uma solução. Talvez ainda não a tenhamos, mas não iremos negar a realidade em nome da fé! Agora, esta é verdadeiramente a impressão que se tem a respeito do que Roma está tentando nos impor hoje. E aqui nós respondemos: não podemos. Isso é tudo.

E então nós continuamos, venha o que vier! Sabemos muito bem que um dia essa provação — que afeta toda a Igreja — acabará, mas não sabemos como. Nós tentamos fazer tudo o que podemos. Não tenham medo. O bom Deus está acima de tudo isso; Ele ainda é o mestre. Isso é o extraordinário. E a Igreja, mesmo nesse estado, ainda é santa, ainda é capaz de santificar. Se hoje, meus caríssimos irmãos, nós recebemos os sacramentos, a graça, a fé, é através desta Igreja Católica Romana, não por suas faltas, mas certamente por esta Igreja real, concreta. Não é uma imagem, não é uma idéia, é a realidade, o mais belo aspecto do que estamos celebrando hoje: o Céu! Bem, o Céu é preparado cá embaixo. Esta é a beleza da Igreja, esse terrível, extraordinário combate contra as forças do mal no qual a Igreja se encontra, e mesmo nesse estado de terrível sofrimento no qual ela está hoje, ela ainda é capaz de transmitir a fé, de transmitir a graça, os sacramentos. E se nós os oferecemos — estes sacramentos e esta fé — é através desta Igreja, é em nome desta Igreja, é como instrumentos e membros da Igreja Católica que o fazemos.

Possam os Santos no Céu, possam os anjos vir em nosso socorro e nos ajudar! Obviamente, não é fácil, obviamente estamos temerosos. É o que diz o Gradual de hoje. É necessário temer a Deus. Àqueles que O temem, o bom Deus dá tudo. Não receemos temer ao Senhor. O temor de Deus é o começo da sabedoria. Possa ele nos conduzir pelos labirintos da vida aqui embaixo em direção ao Céu, onde a Santíssima Virgem Maria, Rainha de todos os Santos, Rainha dos Anjos, é verdadeiramente a nossa protetora, verdadeiramente nossa Mãe. Se dizemos que Nosso Senhor quer ser tudo em todos, devemos dizer quase o mesmo sobre a Santíssima Virgem. Temos uma Mãe no Céu que recebeu de Deus um poder extraordinário, o poder de esmagar a cabeça de Satanás, de esmagar todas as heresias. Portanto, nós também podemos dizer que ela é a Mãe da Fé, a Mãe da Graça. Vamos a Ela. Consagremo-nos a Ela nossas vidas, nossas famílias, nossas alegrias, nossos sofrimentos, nossos projetos, nossos desejos. Possa Ela nos conduzir àquele porto eterno, para que possamos sempre gozar da felicidade eterna com todos os santos, aquela visão de Deus que é a visão beatífica. Assim seja. Amém.

A fim de preservar seu caráter próprio, o estilo oral deste sermão foi mantido.

20 Comentários to “Em que posição nos encontramos junto a Roma?”

  1. Quanta clareza e convicção contém neste escrito. Tenho rezado muito pela comunhão na Igreja, a comunhão dos filhos de Deus. Mas de fato, há muitas incertezas e incoerências em algumas situações. É percebivel que o santo padre o papa Bento XVI busca a unidade da Igreja e isto nos motiva,ele tem sido testemunha viva dessa unidade. Agora não podemos ignorar que existe uma ala dentro da Igreja que absorveu o neoliberalismo atual isto é verdade. Tem muita coisa a ser concertada.

    Lembro-me no inicio de meu ministério eu sofri preconceitos quando expressei meu zelo pela Igreja, pela liturgia, fui rotulado de burguezinho romano e tradicionalista. Claro que a critica veio de uma comunidade de presbiteros que tiveram uma infeliz formação da teologia da libertação e o bispo, com todo respeito a sua consagração, mas a sua mentalidade e a sua insegurança diante deste contexto foi horrivel. Um bispo que não nos trouxe a Igreja, nos trouxe a politica da conveniência.

    Ele começou logo a excluir o reitor do seminario, que sem bajulação, levantou não só o seminário que havia sido fechado a tempos, mas também a diocese. Rotulou o reitor como uma pessoa não grata, dizendo que ele estava formando padres que não era para a sua Igreja. Oprimiu o quanto pode os que se opuseram a esta forma pastoral. Elevou a cargos pessoas que não deviam, mas por uma questão de politica ‘suja’ fez bobagem, O que ele conseguiu foi abrir uma ferida na nessa diocese, desmoralizou quem sempre deu a vida pelo bem da diocese e revestiu de poder e majestade algumas figuras que não é prudente ficar comentando.

    Os de seu partido começou a inflamar situações contra os padres que queriam propor uma seria Igreja baseada na legitima tradição, os de seus partido inflamva divisão no povo contra estes padre que estavam atuando nas paróquias. Ah, quem não recorda da velha história de Nabucodonosor contra Israel. Todos lembramos da deportação. Nesta diocese o bispo fez quase igual ao rei da Babilonia ou pior.

    Alguns fieis diziam:”Deus tome de conte desse bispo! Porque o bem que ele fez não superou o mal que semeou.”. Ele foi embora para uma arquidiocese, mas o jóio esta vivo nesta diocese.

    Agora chegou-nos um novo bispo, o que ele traz? Disse que vinha para dialogar e que por ser franciscano era simples e humilde (ja fez uma imagem de si para nos), mas o tempo é quem diz. Ah, para não esquecer, o bispo já confirmou os mesmos cargos para ajuda-lo na administração. Humm, será que a história se repete. Realmente, nem tudo que é novo é certo.

    Sem desmerecer a autoridade de um bispo, que são sucessores dos apóstolos,acho que ta na hora de um mudança, mas de mentalidade, pois a Igreja esta sofrendo.

    Senhores bispos, certas politicas não expressão nossa caridade cristã. Tem padres sofrendo o martirio dentro de suas dioceses. Estão calados, sofrendo por uma opressão horrivel. A politica eclesiasticas não esta acima da caridade.

    Quem semeia entre lagrimas seifarão com alegria

    Campina Grande, PB

  2. …peço que analisem e se acharem repeitoso pode deixar, mas se isso vier expressar problemas não publiquem!

  3. Eles querem que todos aceitem o concílio por ser legítimo, mas não aceitam que todos digam que é um FRACASSO.Desse jeito não há acordo à vista e eles acham que a FSSPX tá vendo pelo em ovo. Só DEUS para resolver esta questão. E se o que está aí é ser católico, TÔ FORA!!

  4. Dom Fellay transmite muita pureza e verdade, muita serenidade, humildade e fé. Mas tá tudo muito confuso. Confuso da parte de Roma e confuso também da parte da FSSPX.
    Quando d. Fellay fala que a “a Igreja ainda é santa e capaz de santificar… que recebemos os sacramentos, a graça, a fé, através desta Igreja Catolica Romana…” e ao mesmo tempo aceita permanecer separado dela… não entendo. Quando diz que a Missa nova não é boa, parece uma contradição com o que foi dito antes.
    Quando, no entanto, Roma diz que o Concilio é do Espírito Santo, que apenas não foi corretamente interpretado, mas não consegue apontar nada de realmente bom nele, também não entendo. Se o Concilio é Santo como diz Roma, mas na prática se afasta da santidade, que a gente faz? se afasta da prática? E o que seria isso? não se vai em missa nenhuma? não se recebe sacramento nenhum?
    Por outro lado, se tivesse em todo lugar uma igreja da FSSPX a gente teria alternativa mesmo sem entender essa confusão. Mas se não se tem, que se faz? que aconselharia d. Fellay? a mesma pergunta se repete: não ir em missa nenhuma? não receber sacramento nenhum?
    É difícil, é muito difícil!
    Alguem com uma raiz bem profunda pode permanecer aguardando a situação melhorar, rezando e fazendo penitência. Mas como se educa os filhos nessa babel? como se coopera na conversão do próximo, nessa babel? que Igreja se mostra pra eles? uma perfeita (lá na França ou na Suiça) ou uma imperfeita aqui na praça. Ou uma apenas abstrata desenhada pra eles por nossas palavras? fundada numa Tradição que eles não podem ver, e em sacramentos que não devem receber.
    Quem souber as respostas que me diga.

  5. Teresa, faço minhas as suas palavras, realmente está muito complicado a gente fica sem saber o que fazer.

  6. “Alguem com uma raiz bem profunda pode permanecer aguardando a situação melhorar, rezando e fazendo penitência. Mas como se educa os filhos nessa babel? como se coopera na conversão do próximo, nessa babel? que Igreja se mostra pra eles? uma perfeita (lá na França ou na Suiça) ou uma imperfeita aqui na praça. Ou uma apenas abstrata desenhada pra eles por nossas palavras? fundada numa Tradição que eles não podem ver, e em sacramentos que não devem receber.”

    Exprimiu parte de minha angustia perfeitamente. Em relação aos Sacramentos não me aflijo, eu os recebo normalmente, pois não tenho responsabilidade sobre o “andar da carruagem” e não vou deixar de recebê-los. Mas em relação à vivência em família e em cooperar na conversão dos outros, é complicadíssimo mesmo. Às vezes penso que o problema é comigo porque até os protestantes (com todas as suas bizarrices) conseguem levar gente para os grupos deles. Mas também sei que simplesmente dizer pra alguém “aceitar Jesus” não é favorecer a conversões.

    É muito complicado, há pessoas que gostariam apenas de serem leigos normais em um mundo normal. Infelizmente esse mundo normal e seguro (em termos religiosos) não existe mais. Você tem que ler demais, rezar demais (todos tem que rezar, mas nesses tempos difíceis é necessário para se manter firme uma rotina de orações praticamente de monge), sair do mundo (sempre foi assim, mas antes a identidade católica existia e era visível; e hoje?). Admiro a vivência de nossos bisavós, onde o normal era ser descente, onde o leigo cria em Deus, ia à Igreja e podia confiar no que aprendia (não estou fantasiando sobre o passado; sei que existiam problemas e erros, mas em média era mais ou menos assim nos lugares católicos). Talvez esta seja uma provação que Deus tem para nosso tempo, ou tudo ou nada.

  7. Teresa, ao meu entendimento, devemos agir como Sao Francisco agiu.. “reformou” a Igreja sem sair dela. Ao contrário do herético Lutero, que vendo o pecado de alguns na Igreja,optou por separar dela. Os membros são falhos? Certamente. Mas a Igreja nunca foi nem será abandonada por Cristo, os sacramentos continuam sendo válidos, mesmo com o pecado dos seus ministros. Se afastar dos sacramentos e da Santa Missa é uma loucura. Muitos estão indo por um caminho de suicídio. Com os sacramentos já é difícil lutar e vencer as batalhas, sem eles então.. cabe a nós rezar neste momento sombrio de crise que a Igreja passa, mas nunca abandoná-la. A promessa de Jesus é que Ele sempre estaria com Sua Igreja..sempre é sempre.. Ele continua agindo nos sacramentos da Igreja.

  8. “O Vigário do meu Filho terá muito que sofrer, porque por um tempo a Igreja será entregue a grandes perseguições – será o tempo das trevas. A Igreja terá uma crise medonha.

    “Esquecida a santa fé de Deus, cada indivíduo quererá governar-se por si mesmo e ser superior aos seus semelhantes. Serão abolidos os poderes civis e eclesiásticos, toda a ordem e justiça serão calcadas aos pés. Só se verão homicídios, ódios, inveja, mentira e discórdia, sem amor pela pátria e pela família.”
    Nossa Senhora de La Salette

  9. Prezada Teresa, coloquei essa mensagem de Nossa Senhora apenas para servir de alerta para aqueles que tentam responder as questões que levantaste, sem terem autoridade para tal. Todo poder vem do alto, ou seja, de Deus, mas há quem pretenda usurpar o poder para si. Esses são os que recomendam que não se vá à Missa, não frequente os sacramentos, não faça isso nem aquilo, baseados na sua própria leitura de fatos, documentos, e por vezes até de profecias de santos e santas.
    Não me refiro a Dom Fellay, claro, mas sim aos pseudopapas que por vezes gostam de promulgar seus decretos em blogs e websites, confundindo as nossas simples almas, como se já não houvesse bastante confusão no mundo e na Igreja hoje.
    Vigiemos!

  10. Teresa,

    Pela árvore conhecereis o fruto! Árvores boas dão frutos bons, logo, árvores ruins não podem dar bons frutos.

    Então, se o CVII é bom (inspirado pelo Espirito Santo) como os frutos não são bons? O Espirito Santo só esteve no concilio e depois o abandonou?

    Observe na história dos concílios, como se procedeu os concílios e quais foram seus frutos.

    O Espirito Santo não abandonou a Igreja, foram os homens da Igreja que se afastaram Dele.

  11. Israel tl a culpa da confusão que temos hoje na Igreja é do clero.Os blogs e sites são apenas frutos dessa crise criada por um clero que em muitos casos já não tem mais fé.Muitos desses blogueiros aterrorizados com o que as paróquias e missas viraram querem uma resposta como todos queremos ; que fazer diante disso ?

    Fica dificil não se aterrorizar quando vemos papas em mesquitas , beijando alcorão , etc.

  12. Agradeço a todos que procuraram me responder. Mesmo aos que apenas partilharam o sentimento de angústia e confusão. Que Deus nos abençoe e ilumine. Dê a cada um de nós e a toda Sua Igreja conforme sua Sabedoria e Bondade, a luz, a esperança e a paz nessa idade das trevas. Que N.Senhora nos revigore de novo pois nunca precisamos tanto.

  13. acho que essa história esta apenas começando….

  14. Rafael, concordo com você. Mas acusar os erros, buscar respostas, exigir que se faça o correto, tudo isso é muito louvável. Mas não penso o mesmo dos que decretam que não se deve frequentar os sacramentos, que acusam o Papa de ser herege, ou usam suas próprias interpretações de documentos, encíclicas, bulas, para justificar uma vida isolada da Santa Igreja.

  15. Fraternidade, a Igreja já sofreu muitas divisões durante toda a sua existência. Divisões duras e que deixaram feridas na Santa Igreja.
    Vocês já tentaram imaginar como o Santo Padre se sentiu quando foram ordenados os 4 bispos sem sua autorização? Não foi fácil não gente! Deixem para o passado os erros e se unam ao trono de Pedro. A Igreja é grande, seria impossível que todo mundo pensasse igual. Na Igreja há lugar para todos, há lugar para o carismático e para o que prefere a missa tridentina. A aprovação da Administração Apostólica é uma prova disso.
    Então vamos caminhar juntos e tirar esse peso das costas do Sumo Pontífice. Com humilde tudo pode ser resolvido e poderemos caminhar na unidade como desejou Cristo Jesus quis na última ceia.

  16. “não iremos negar a realidade em nome da fé!”

    A apreensão da realidade é relativa. Muitas vezes achamos que estamos certos, mas estamos errados. Não existe realidade mais segura e garantida que a Palavra de Deus. Nossa investigação humana vem em segundo lugar. Quando existe a Aparente Contradição, a postura do católico é, sem dúvida, ficar com a Palavra de Deus legitimamente interpretada pela Igreja Dele. Aonde ainda sobraria lugar para o “crer primeiro para depois entender”?

  17. Quem tem EFICÁCIA para interpretar correta e legitimamente a Palavra de Deus? Não é o Magistério do Papa? E o que Bento XVI e João Paulo II têm feito de forma magisterial? Não têm exigido e insistido com a Hermenêutica da Continuidade, inclusive para a pertença da FSSPX à Igreja?

    Sinceramente, não acho que a Hermenêutica da Continuidade seja mera teoria de determinada escola teológica, pois se fosse, esses Papas não estariam empreendendo toda essa exigência e insistência com a FSSPX, uma vez que gostariam de se reconciliarem com ela, e sabem que não conseguiriam isso com uma postura arrogante e unilateral. Se o Papa exige a Hermenêutica da Continuidade dessa forma como estamos vendo, é porque a adesão à tal Hermenêutica é exigida pela adesão à Palavra de Deus, e o Papa sabe disso.

  18. Vitor José, João Paulo II não exigiu hermenêutica alguma. No máximo, defendeu vez ou outra sobre o CVII lido à luz da tradição (fórmula que certo bispo “tradicionalista” hoje considera inadequada…), embora seus atos falem muito mais do que mil palavras.

    Agora, Bento XVI tem insistido, mas ainda está longe de exigir, a hermenêutica da REFORMA. Não se esqueça que nem só a FSSPX a contesta; há teólogos de peso, como Mons. Gherardini, e bispos, como Dom Mario Oliveri, em pleníssima comunhão, que também estão esperando esta hermenêutica ser provada, e não só declamada. Atenção: hermêutica da REFORMA! Sim, na “continuidade do mesmo sujeito Igreja”, mas ainda assim, hermenêutica da REFORMA, e não da mera continuidade, como bem recordou um Padre do Opus Dei (http://fratresinunum.com/2011/04/29/liberdade-religiosa-o-debate/).

  19. “progride a percepção tanto das coisas como das palavras transmitidas”. Veja que as Palavras já foram transmitidas, mas ainda não compreendidas ou são compreendidas com o tempo. Dessa forma, a novidade não deixa de ser Tradição. Continuidade sim, mesmo que seja novo!!!

  20. No comentário anterior que fiz, mostrei que, pelo Magistério de João Paulo II, o Concílio Vaticano II é uma CONTINUIDADE da Tradição da Igreja, mesmo se possui elementos de doutrina que possam ser considerados novos.

    Agora, quero citar mais uma vez João Paulo II:

    “O êxito a que chegou o movimento promovido por Mons. Lefebvre, pode e deve ser motivo, para todos os fiéis católicos, de uma sincera reflexão sobre a propria fidelidada à Tradição da Igreja, autenticamente interpretada pelo Magistério eclesiástico, ordinário o extraordinário, de modo especial nos Concilios Ecuménicos desde o de Niceia ao Vaticano II. Desta reflexão, todos devem haurir uma renovada e efectiva convincão da necessidade de ainda melhorar e aumentar essa fidelidade, refutando interpretações erróneas e aplicações abusivas, em matéria doutrinal, litúrgica e disciplinar.”(Motu Proprio Ecclesia Dei, n.5, a).

    “Quereria, alem disso, chamar a atenção dos teólogos e dos outros peritos nas ciéncias eclesiásticas, para que tambem eles se sintam interpelados pelas circunstáncias presentes. Com efeito, a amplitude e a profundidade dos ensinamentos do Concilio Vaticano II requerem um renovado empenho de aprofundamento, no qual se ponha em relevo a continuidade do Concilio com a Tradição, do modo especial nos pontos de doutrina que, talvez pela sua novidade, ainda não foram bem compreendidos por alguns sectores da Igreja.”(Motu Proprio Ecclesia Dei, n.5, b).

    Se o Vaticano II traz a Tradição em si, logo ele deve ser interpretado segundo a Hermenêutica da Continuidade. Há a relação de continuidade entre Vaticano II e Tradição.
    Qualquer reforma não pode ser encarada como algo estranho à Tradição, mas deve-se empenhar para compreender que essas reformas são efeitos de compreensão maior da Tradição. São como que lados da Tradição que estavam esquecidos, mas também não de todo esquecidos.