Ecclesia Dei, a arte de responder e nada dizer.

Dança das cadeiras: Comissão Ecclesia Dei e mais uma nebulosa variação sobre o mesmo tema.

Desde o fim da década de 90, sobretudo na presidência do Cardeal Darío Castrillon Hoyos, a Pontifícia Comissão Ecclesia Dei (PCED) vinha declarando que a assistência às missas da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, embora não recomendadas por ela, serviam para o cumprimento do preceito dominical [como em 2003 e em 2008].

Todavia, nos últimos anos, a Comissão vem se destacando pela arte de responder (quando o faz, o que é raro), mas nada dizer. Após uma resposta a em março deste ano, agora, vem a público uma nova carta, datada do último dia 6.

Como bem observa o blog Secretum Meum Mihi: “O curioso da carta original da resposta é que não vem assinada por ninguém, embora a saudação esteja redigida em primeira pessoa e apareça atribuída a “O Secretariado”. Que carta curiosa! O curioso desta carta é que ela não podia ter sido assinada pelo secretário anterior desta comissão, Monsenhor Guido Pozzo, porque em 3 de novembro (três dias antes da data da carta em questão), o Papa o havia designado como Esmoleiro de Sua Santidade. Então, que personagem de representatividade é o que, em nome de “O Secretariado” da Pontifícia Comissão “Ecclesia Dei”, assina a carta?”

* * *

Carta da PCED sobre o cumprimento do preceito dominical indo a uma Missa da FSSPX e seminaristas diocesanos atuando como subdiáconos

Por Rorate-Caeli | Tradução: Fratres in Unum.com

Em 6 de novembro de 2012 o blog Católico Tradicionalista Polonês Nowy Ruch Liturgiczny publicou a resposta da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei a duas indagações (que o blog reproduziu no original inglês):

1. É possível cumprir o preceito [de missa] dominical participando de uma Missa celebrada por um sacerdote da Fraternidade de São Pio X, se o participante não for “contra a validade ou legitimidade da Santa Missa ou dos Sacramentos celebrados na forma ordinária ou contra o Romano Pontífice como Pastor Supremo da Igreja Universal” e esta for a única oportunidade na área local de participar da Missa na forma extraordinária (a qual o participante é altamente devoto)?

2. O decreto da Sagrada Congregação de Ritos (nº 4184) e a decisão da Pontifícia Comissão ‘Ecclesia Dei’ (nº 24/92), relativamente à possibilidade de servir como subdiácono durante a Missa na forma extraordinária, se aplica também a seminaristas diocesanos (que não sejam seminaristas dos institutos erigidos pela Pontifícia Comissão ‘Ecclesia Dei’) que usam vestes clericais?

A resposta:

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Prot. 39/2011L

Cidade do Vaticano, 6 de novembro de 2012

Prezado Pe.

Esta Comissão Pontifícia lhe agradece por sua amável carta de 1º de outubro de 2012.

Em resposta a sua primeira pergunta este Dicastério se limitaria a remetê-lo à carta de 10 de março de 2009, escrita pelo Papa Bento XVI a seus irmãos Bispos na qual ele declarou:

Enquanto a Fraternidade não tiver uma posição canônica na Igreja, também os seus ministros não exercem ministérios legítimos na Igreja. Por conseguinte, é necessário distinguir o nível disciplinar, que diz respeito às pessoas enquanto tais, do nível doutrinal em que estão em questão o ministério e a instituição. Especificando uma vez mais: enquanto as questões relativas à doutrina não forem esclarecidas, a Fraternidade não possui qualquer estado canônico na Igreja, e os seus ministros – embora tenham sido libertos da punição eclesiástica – não exercem de modo legítimo qualquer ministério na Igreja. (Papa Bento XVI, Carta aos Bispos da Igreja Católica referente à remissão das excomunhões dos quatro aos quatro bispo consagrados pelo arcebispo Lefebvre, 10 de março de 2009).

Em resposta a sua segunda pergunta a resposta é afirmativa.

Atenciosamente,

O Secretariado

21 Comentários to “Ecclesia Dei, a arte de responder e nada dizer.”

  1. Quem tem que esclarecer questões de doutrina agora é a FSSPX , são eles os inovadores ? Desde quando ecumenismo , liberdade religiosa , etc, são doutrinas católicas ? Se são então Leão XIII , PIO IX , PIO X , PIO XI , PIO XII não eram católicos !

  2. “Especificando uma vez mais: enquanto as questões relativas à doutrina não forem esclarecidas, a Fraternidade não possui qualquer estado canônico na Igreja, e os seus ministros – embora tenham sido libertos da punição eclesiástica – não exercem de modo legítimo qualquer ministério na Igreja” = Não?

  3. Existe também a arte de ler e nada entender. E também a arte de fingir não entender.

  4. Essas respostas evasivas desacreditam a função esclarecedora dessa Comissão. O fiel fez uma pergunta clara e detalhada e recebeu a citação de um texto do papa. Haja!

    Há alguns anos antes do Motu Proprio um amigo meu estrangeiro contou-me que escreveu uma carta enorme à Ecclesia Dei, contando seu drama na diocese e perguntando a mesma coisa em relação ele, seus familiares e entes queridos, dizendo que reconhecia o Santo Padre como sucessor de Pedro, que não queria estar afastado da Igreja e etc, mas queria simplesmente frequentar a Missa Tradicional e o único lugar era uma capela da FSSPX. Pois bem, a resposta que recebeu à novela mexicana que ele narrou foi curtíssima e mais ou menos assim: “O Santo Padre alegra-se com a sua carta e manda-lhe suas bençãos”. Daí ele concluiu que se o Santo Padre se alegrava e mandava bençãos com a carta, além das saudações da própria Comissão, então isso só podia significar que ele podia assistir missa lá sem pecar, pois caso contrário, se a alma dele estivesse em perigo, a resposta seria mais uma negativa mais precisa e fundamentada.

  5. LAMENTÁVEL. Eu estava planejando nos próximos dias ir em uma missa celebrada por eles, mas rezemos pela FSSPX, que diga-se de passagem anda mais em comunhão com o Papa do que muitos bispos que andam removendo imagens e expulsando ordens de sua diocese. Apesar de todo os questionamentos que eles leventam, questionamentos que devem ser feitos e esclarecidos. Essa comunhão se revela não tanto pela regularização canônica, mas em todos os outros níveis de vida que envolve a fé católica, apesar de obviamente ainda existirem algumas divergências entre eles e o pensamento papal como um todo.

  6. Pq que assistir missa com ortodoxos pode?

  7. A “Comichão” deve estar de gozação…não é possível tanta desfaçatez numa resposta que carecia de uma simples e objetiva explicação.

  8. Não se poderia dizer, que se chocaram duas hermenêutica na Ecclesia Dei?

  9. Tirando o foco da primeira pergunta, eu procuro estar tão “inteirado” nas questões da Forma Extraordinária, mas não estava sabendo (ou ao menos lembrando) dessas duas citações quanto à função do subdiácono. Interessante. Alguém tem mais fontes ou documentos nesse sentido?

  10. Caríssimos!

    A velha arte de “dourar a pílula”, A comissão Eclésia Dei está sendo simpática ao citar tal trecho da carta, o restante é mais contundente como essa parte aqui:

    “É certo que, desde há muito tempo e novamente nesta ocasião concreta, ouvimos da boca de representantes daquela comunidade muitas coisas dissonantes: sobranceria e presunção, fixação em pontos unilaterais, etc. Em abono da verdade, devo acrescentar que também recebi uma série de comoventes testemunhos de gratidão, nos quais se vislumbrava uma abertura dos corações. Mas não deveria a grande Igreja permitir-se também de ser generosa, ciente da concepção ampla e fecunda que possui, ciente da promessa que lhe foi feita? Não deveremos nós, como bons educadores, ser capazes também de não reparar em diversas coisas não boas e diligenciar por arrastar para fora de mesquinhices? E não deveremos porventura admitir que, em ambientes da Igreja, também surgiu qualquer dissonância? Às vezes fica-se com a impressão de que a nossa sociedade tenha necessidade pelo menos de um grupo ao qual não conceda qualquer tolerância, contra o qual seja possível tranquilamente arremeter-se com aversão. E se alguém ousa aproximar-se do mesmo – do Papa, neste caso – perde também o direito à tolerância e pode de igual modo ser tratado com aversão sem temor nem decência.”

    Precisa se explicar tal trecho, não parece um sonoro NÃO de sua Santidade!

  11. Engraçado, por que tanto perguntam. Quem mt. pergunta ouve o que não quer, não é mesmo?
    Falta coragem a certas pessoas. Se sentem-se em harmonia com Deus na missa da Fraternidade, quem são os homens para impedir isso. Infelizmente , penso ser um saudosismo estúpido esse excesso de reverência com as atuais autoridades da Igreja, quando o assunto é formalidade.

  12. “Essa comunhão se revela não tanto pela regularização canônica, mas em todos os outros níveis de vida que envolve a fé católica”

    Quem disse?

    Aboliram a necessidade de regularização canônica?

  13. É, tá complicado!
    Imagine uma pessoa que respeita os argumentos da FSSPX.
    A FSSPX diz que diz não ser legítima a missa nova e que não devemos assistí-la. Diz também que o Papa é o chefe da Igreja e deve ser obedecido e que os ortodoxos que não o aceitam estão em cisma e por isso sua missa não é lícita. Assim não se pode assistir a missa nova nem a dos ortodoxos. Sobra a da FSSPX, mas o Papa – que deve ser obedecido – não legitima que se assista às missas da FSSPX. Moral da história: não se deve mais ir a missa?
    Não sou contra a FSSPX, gosto e estou ainda me inteirando de suas opiniões, apenas não estou compreendendo essa história da missa. Será que não estão todos sendo muito inflexíveis, não? afinal lícita ou não lícita é válida. Assistir e até comungar numa missa válida não devia ser proibido por ninguém. Ainda que se fizesse observações e alertas necessários. Numa missa cheia de ofensas e sacrilégios ou numa missa celebrada por desobedientes ao Papa… se Jesus está alí presente nas santas espécies como esteve na cruz, nossa presença dolorida e solidária não o ofenderá. Quando estava lá na cruz do calvário também estava cercado de ofensas e deboches e Nossa e Senhora e S. João ali permaneceram. Imagina se em protesto fossem embora e o deixassem lá com os inimigos? Na minha modesta opinião Papa e FSSPX deviam discutir sem excluir e sem proibir. Proibir sim, os sacrilégios, as desobediências, mas não os fiéis de assistir a missa e comungar.

  14. Eu gostaria de perguntar se tá tudo bem em ir a uma Missa da RCC, mostrada recentemente aqui no Fratres, com direito à entrada triunfal dos padres guiados por bois…ou na “Missa Toblerone” – me parece que eles tem a carteirinha da plena comunhão…

  15. não minha cara irmã, o que eu quero lhe dizer é que mesmo eles não sendo reconhecidos em nível canônico, vivem bem mais de acordo com a moral, a liturgia, e a fé de sempre, moral- liturgia e fé que o Santo Padre defende- do que muitos bispos e sacerdotes e congregações religiosas que detem regularização (lembremos da Canção Nova, que tem reconhecimento e faz procissão de entrada na Santa Missa com bois). Basta ver a CNBB,como outro exemplo, os bispos de lá tem regularização, mas vendo as bandeiras que eles levantam e as posturas que em certos casos tomam, percebemos que essa comunhão entre eles (os bispos da CNBB) e o Papa não existe. O papel é de comunhão e legalidade canônica, mas a postura não. A FSSPX apesar de não ter o reconhecimento, vive de acordo com a Igreja de sempre, pelo menos ao meu ver. Tente interpretar com mais calma as coisas, mas perdoai-me se não fui claro, contudo, eu não diminui o valor da regularização, mas ser católico não se limita somente a essa mesma regularização.

  16. Fashion de melo, rossi e afins têm regularização canônica, mas: eles são Católicos?????

  17. Hummmm…será que eles são alunos do Sr. Rolando Lero? Ele era imbatível nessa arte.

  18. “A FSSPX apesar de não ter o reconhecimento, vive de acordo com a Igreja de sempre, pelo menos ao meu ver.”

    De acordo com a Igreja de sempre, mas não com a de Roma? Qual é a de sempre, então? Não é mais a Igreja Católica?

  19. A comissao Ecclesia Dei permite que os seminaristas que receberão o ministério de acolito exerçam tal função mesmo se não são clérigos. Em caso de necessidade, eles podem então exercer o subdiaconato “com as especificidades de um falso subdiácono”: sem manipulo, não colocam a água no cálice e não purificam o cálice depois das abluções.

    Um clérigo brasileiro de um Instituto tradicional me passou esta informação.

  20. Isso tudo já foi respondido muitos anos atrás num caso vindo do Havaí. Não sei o motivo desse povo ficar repetindo perguntas para um monte de burocratas atarefados que podem vir a complicar mais as coisas. Sinceramente, é muita falta do que fazer.