Os nomes dos bois.

Por Padre Marcelo Gabert Masi

Em meus comentários na internet vários leitores vão encontrar a crítica ao que se relaciona com a recente e ainda vigente crise pós-conciliar. Alguns leitores escandalizam-se, confundindo a crítica a erros e pecados de eclesiásticos com uma crítica à Igreja, ou com uma difamação de seus membros, sobretudo quando se trata de sacerdotes. Situação similar tem passado o Revmo. Pe. Paulo Ricardo, mas confesso que em certos casos parece-me um dever alertar os fieis de que certos clérigos, sobretudo os mais visibilizados na mídia, não apresentam algo aceitável ao católico de bom senso religioso.

Primeiramente gostaria que o leitor assistisse, caso ainda não o tenha feito, a esse vídeo do Revmo. Pe. Paulo Ricardo.

Interessante notar a reserva que esse sacerdote tão notadamente amante da Igreja tem ao evitar a nominação de quem incorre nos vícios condenados pela Igreja e por ele, num nobre serviço ao Reino de Deus, vigorosamente denunciados. Mas entendo que, em alguns casos, seja importante, como coloquei no título deste artigo, dar nome aos bois. Sobretudo por haver bois que não se deixam domar, que não se ajustam à canga, ou jugo, se preferirem, que é o jugo de Cristo na doutrina de fé e moral da Igreja. Claro que tal tarefa é sobretudo dos bispos. Mas aqui vem um comentário comum quando nominamos os criticados: “mas o bispo ou superior dele não o corrige”, “quem somos nós para fazermos o que o superior dele não faz”, ou, pior ainda, quando se diz que “o bispo dele o apoia”. Ora, não é possível crer que não tenham chegado às instâncias mais superiores da Igreja, por exemplo, os abusos litúrgicos, a infiltração da doutrina comunista, dentre outros problemas tornados da ordem do dia.

Em nossa cultura ainda com elementos de catolicismo, a figura do sacerdote é vista como a de um homem de Deus. “Homem de Deus” é algo ontológico para um sacerdote, mas não necessariamente há uma internalização e consequente agir conforme tal identidade. Lutero era presbítero, Ário era bispo e o próprio Santo Agostinho, filho de Santa Mônica, fez retratações relativas ao que ensinou. Se alguém de grande fama e com a confiança de muitos ou de lideres sociais ou eclesiásticos ensina o que é errado ou dá exemplo público em contradição com a são doutrina de fé e costumes, caso não se faça pública a correção, mantém-se a divulgação do erro. Ora, se o erro foi divulgado, com mais força deve ser divulgada a correção. Ou dever-se-ia, no contemporaneidade destes, condenar as heresias sem mencionar os nomes de Calvino e de Lutero?

No meu artigo anterior adicionei um link para que se visse o abuso litúrgico no qual incorreram sacerdotes e fieis na Comunidade Canção Nova. Dentre os sacerdotes estava o famoso Pe. Fábio de Melo. Não obstante as críticas, inclusa uma de Dom Rifan, permanece o sobredito muito contente consigo mesmo. Afinal, com dispensa de votos, a vendagem é boa! Se os leigos começam a achar que o modelo sacerdotal adequado à modernidade é o desse presbítero e os bispos se deixam influenciar pela opinião dos leigos, tornando-se ovelhas das ovelhas, ao invés de pastores do Povo de Deus, então a crise difunde-se na Igreja mais e mais, com os fieis sorrindo de alegria produzida pela imagem midiática. Então um padre bonitão canta, vive de hotel em hotel, escreve livros na linha da ilusória autoajuda, faz contratos milionários, relativiza a moral, relativiza e esvazia a compreensão católica acerca da Eucaristia, critica os “conservadores”, os “tradicionalistas” e diz um monte de novidades modernistas e isso vai substituindo na mente das pessoas a identidade do sacerdote católico romano como homem de Deus a partir da Missa cotidiana, do rosário. E o padre tradicional, ou seja, católico, é desprezado, com uma Santa Missa que não atrai multidões, oferecendo uma vida de desprezo com Cristo na Cruz, passa a ser questionado, a ser acusado de não ter se adequado à modernidade! Penso aqui no prêmio de Evangelizador recebido pelo sacerdote meu homônimo que faz aeróbica antes, durante e depois da Missa presidida pelo seu bispo e na falta de um prêmio para aqueles que a duras penas mantiveram a celebração no rito tridentino, que continua a ser referencial seguro para manter-se o sentido da Missa católica, sobretudo o sentido de Sacrifício, dimensão fundamental que tem sido substituída por sessões de cura sob sugestão.

Uma outra confusão é a que se faz em relação a quem foi beatificado ou mesmo canonizado. Será que por serem beatos não podemos fazer uma crítica histórica e biográfica a João Paulo II e a João XXIII? Paulo VI não poderia ser criticado? Se tal é impossível, impossibilita-se a reforma da reforma litúrgica, que bebe em fontes que os antecedem! Ora, penso que esses amaram a Igreja, muito mais do que provavelmente eu consiga amar algum dia, mas não significa que tudo tenham feito, falado e pensado de modo infalível. Creio, desculpem-me a ingenuidade, na reta intençao dos mesmos. Neste Ano da Fé, quero ainda seguir o Vaticano II somente na hermenêutica da reforma e da continuidade e na intenção não dogmática daqueles que o realizaram conjuntamente e sob a autoridade de dois papas. E se posso fazer uma crítica a papas, posso fazê-lo, por amor à Igreja, a bispos. Como aprovar o comunismo explícito de Dom Hélder, de Dom Casaldáliga, dentre outros? Como não propagar um pedido público de excomunhão formal para o Frei Betto? Como pode ser que um fiel, sacerdote ou leigo, não tenha o direito e mesmo o dever de, depois de tantos anos de omissão das autoridades, fazer ressoar a doutrina de sempre?

Mas, assim como há bois que atacam os donos, também há os que puxam bem a carreta! E os nomes desses também e com maior razão devem ser conhecidos. Afinal, se o que é conhecido é só heresia e, em nosso tempo, a aceitação passiva do modernismo, ou mesmo o elogio deste, então como é que as mentes vão ser libertas do erro, da inverdade? É preciso novamente entender que mesmo Santo Tomás de Aquino não foi isento de erro e limites científicos. Aqueles que se elogia, sejam elogiados pelas boas obras e palavras, mencionando-se os nomes, para que sejam os referenciais para tantos que tomem conhecimento. Elogiei e continuarei elogiando o Pe. Paulo Ricardo por zelar pela santidade visível da Igreja em seus pastores, numa autêntica e profunda fraternidade com os sacerdotes de tantas dioceses, e entendo que sejam condenáveis aqueles sacerdotes que foram identificados como seus difamadores, estes sim, inimigos da Igreja e promotores de intrigas. Elogio Dom Rogelio Lliveres, bispo diocesano de Ciudad del Este, por acolher o Frei Tiago de São José e sua comunidade, de modo que não posso elogiá-lo sem entender como condenável a condenação que se lhe infligiu, por “canonicamente correta” que tenha sido!

Evidentemente que não se fará crítica pública a caso de conhecimento muito restrito. Mas aquilo que se divulga como o “novo católico” e conta com seus “profetas da mentira”, seus “teólogos da corte”, que arrebata multidões para a ilusão, precisa ser corrigido, caso não queiramos que multidões de católicos não saibam mais como sê-lo. Nem se diga que é difamação a crítica pública da má fama que alguém faz de si mesmo ensinando o erro. A correção privada é, sobretudo, “se o irmão pecar contra ti (Mt 18,15)” (apesar de algumas versões omitirem o “contra ti”), coisa que não se aplica ao caso de uma doutrina heterodoxa dita para o mundo inteiro assistir em canal de grande audiência. No caso do que é público, a correção pública está facilitada pela internet.  Nem todos têm a condição intelectual para fazer uma crítica à luz da sã doutrina, em boa parte por ensinar-se o erro televisivamente sem correção de autoridades maiores. Mas vejo que aquilo que quem pastoreia não fez, fizeram-no e fazem muitos leigos que não querem mais o modernismo na Igreja! A estes seja dada a firme esperança de terem seus nomes inscritos no céu, pois fazem o que grandes santos, canonizados ou não, fizeram no passado, desde a correção pública de Paulo a Pedro, passando mais recentemente pela crítica do finado e santo Dom Bergonzini a Dom Demétrio Valentini.

Ora, o caminho da santidade não mudou, inclusive no uso das palavras, pois não só de silêncio viveram os santos!

Atenção: Blog em recesso até a segunda semana de janeiro.

6 Comentários to “Os nomes dos bois.”

  1. Parabéns, padre Masi. Ótimas ponderações. Hoje em dia fazer críticas com nome e sobrenome, mesmo sendo de casos públicos e duradouros, tornou-se sinônimo de “falta de amor à Igreja” ou “falta de caridade”.

    Por outro lado, como bons sacerdotes poderiam falar mal de seus colegas de emissora, dando “nomes aos bois”? Participando ativamente de sua programação eles estão amarrados. Às vezes até falam veladamente, pensando que as pessoas tirarão suas conclusões, o que nem sempre ocorre.

  2. Postado no blog do Padre Marcelo:

    Rev.mo Pe. Marcelo Masi,
    Salve Maria

    Suplicando por vossas bençãos sacerdotais; ainda sem terminar de ler o presente artigo, gostaria de externar a Vossa Rev.ma a grande satisfação de saber que existem Sacerdotes que honram o múnus recebido de Nosso Senhor Jesus Cristo, Sumo Sacerdote, ao defender a Santa Igreja.
    Ler o seu artigo, é o mesmo que estar na guerra e ver e vibrar com os disparos feito por nossos comandantes contra os verdadeiros inimigos de Cristo e sua Igreja.
    Quão vibrantes ficam os soldados ao ver a iniciativa de seus comandantes na batalha.

    Que Nossa Senhora interceda por Vossa Rev.ma e que sua atitude enconrage outros sacerdotes a fazer o mesmo.

  3. Eis um padre de batina, que usa calças de homem!

  4. Assino em baixo no que escreveu, Pe Gabert!
    Se comunista PT está no poder e o Brasil chegou ao ponto atual de comunização foi graças a fundamental apoio da esquerdo-comunista Teologia da Libertação, com alentos provindo desde D Hélder, D Casaldáliga, os ex freis Boff e Betto dentre muitos mais e leigos e (ou) integrantes do FORO DE SÃO PAULO, órgão do Lula, Fidel Castro e Chávez para espalhar o marxismo ateísta nas Américas.
    É bom saber que desde a década de 30 Stálin e sucessores pessoalmente cuidam de infiltrar a Igreja de falsos sacerdotes no intuito de a implodir.
    Os participantes do congresso recente da TL na Unisinos-RS foram a continuação das dissidencias e varios outros relativistas sacerdotes e até uns poucos bispos.
    Pergunte a D José Cardoso, se vivo, sobre os problemas após D Hélder deixar a arquidiocese de Olinda e Recife, que teve de enfrentar para reconstruir a estrutura católica, os embates com os socialistas sacerdotes e leigos que lá se instalaram…
    Pe Fabio de Melo? Campeão nacional do relativismo; a direção espiritual na CN, já assisti a varias, eivadas de mais relativismos e psicoterapia leiga que tudo, ouvi até aconselhamentos dietéticos; vejam na net: “Resposta à carta aberta ao Pe Fabio de Melo” e “Natal 2011″ na Globo. E concluam-nos; a resposta dele então, além de extensa em heresias, é de cair duro…
    Mesmo Pe Marcelo Rossi com celebrações ruidosas, baldes de agua benta nas S Missas, práticas muito condenadas em varias ocasiões pelo S Padre Bento XVI, comentando a “Domenica Coena” do beato João Paulo II, servindo a vários outros sacerdotes promotores de shows-missas.
    Já questionei a CN o porque de mantenimento de Pe Fabio nos quadro de evangelização da Emissora, assim como certos procedimentos de pentecostalismo protestante, certos grupos “auês” RCCs, até dançando em frente ao SS Sacramento!…
    Afirmo que D Luiz Bergonzini – de saudosa memoria – e Pe Paulo Ricardo, Pe Gabert e mais sacerdotes e alguns bispos, em geral ligados ao blog do mesmo D Luiz Bergonzini sempre foram um baluarte da fé católica tradicional frente às ideologias niilistas, assim como ao “politicamente correto” do PT, ateus militantes e propagadores e instigadores da religião “IRRELIGIÃO”.
    Todos foram e se mantêem enfrentadores da “ditadura do relativismo” que se instalou no país graças ao incontestável apoio de sacerdotes apostasiados à fé, redundando no crescimento da decadencia geral que se encontra o país, ético-moral, educacional e financeiro devido às corrupções recorrentes.
    Imaginem a incoerencia: supostos católicos desejando salvarem-se por Cristo, porém elegendo seus inimigos para os governar e instituirem leis anti Cristo…

  5. Então os valentes padres ricardo e masi condenam a crise, mas aceitam a hermenêtuica da continuidade?

  6. Se fossemos dar nome aos bois enumerando todos os sacerdotes que divulgam a doutrina marxista, seria deveras extenso, por isso a boiada que irá estar no dia do julgamento final, do lado esquerdo será maior que a que estará do lado direito.

    O que me deixa pirado, é saber qual a porcentagem dos que se salvarão. Se entre os anjos um terço caiu, quanto dos homens de salvarão. Se 30% dos homens se perderem não seria muito? E nas mensagens de fatima há cem anos a porcetagem dos que se salvavam eram poucos, o que dizer de hoje?

    Santa Faustina disse que a maioria dos que tinha visto no inferno eram dos que acreditavam que ele não existia. E hoje todo católico ri quando se fala do inferno que até os protestantes e espiritas acreditam piamente existir.

    O que não falta a essa boiada do progressismo católico são chifres e enxofre.