Di Noia envia carta a padres da FSSPX – via Menzingen.

Por Rorate-Caeli | Tradução: Fratres in Unum.com – Esta é a principal parte da informação divulgada por Riposte Catholique (em Francês):

Cada padre da Fraternidade São Pio X recebeu uma carta muito extensa do Arcebispo Di Noia, vice-presidente da Comissão Ecclesia Dei. O delegado do Papa atenta para a divergência entre a Santa Sé e a FSSPX: a Santa Sé acredita ser necessário interpretar os textos à luz da Tradição; a FSSPX considera que certos textos do Vaticano II são errôneos. Toda a questão, em si inalterada, [resume-se então] a tornar esta divergência suportável.

Com o auxílio de textos de São Paulo, Santo Agostinho e Santo Tomás, Dom Di Noia, então, propõe uma abordagem nova e espiritual. Ele solicita a ambas as partes a proceder, cada qual em sua parte, a um exame de consciência focado na humildade, docilidade, paciência e caridade. A FSSPX considera que isso não pode excluir, considerando as questões doutrinais em jogo, uma estrita confissão da fé. Tendo em conta, especialmente, que o desmantelamento da fé, catequese e práticas sacramentais acrescentam peso às suas considerações. No sentido oposto, é verdade, pode-se dizer que a contínua degradação da situação da Fé Católica é um convite premente [à FSSPX] para deixar o seu grandioso isolamento, e se unir às equipes de salvamento no próprio lugar do acidente.

Um esboço da solução concreta é deixado, obviamente de propósito, de alguma forma incerto por Dom Di Noia. Ele recorda de passagem que Roma espera de Dom Fellay uma resposta ao documento que lhe foi entregue no último dia 14 de junho. Porém, além disso, propõe à FSSPX um processo que poderia ser qualificado de transição:

- Por um lado, a FSSPX encontraria novamente o carisma positivo dos primeiros anos em Friburgo e Écône (ela tentaria reformar o que pode ser [reformado], primeiro através da formação de padres tradicionais e ao prepará-los para um ensinamento em conformidade com a sua formação).

- Por outro, a FSSPX, ainda considerando que certas passagens do ensinamento do Vaticano II não podem ser reconciliadas com a Magistério precedente, poderia discuti-las, contanto que:

- se abstenha, por uma questão de princípio, de fazê-lo nos meios de comunicação de massa;

- sempre apresente as objeções de maneira positiva e construtiva;

- fundamente todas as suas análises em bases teológicas profundas e amplas.

… Uma referência é feita à instrução Donum Veritatis, sobre a vocação eclesial do teólogo (24 de maio de 1990).

Rorate  pode acrescentar os seguintes avisos: nós podemos confirmar que a carta não foi enviada diretamente pela Pontifícia Comissão Ecclesia Dei a cada padre da FSSPX, mas sim à Casa Geral, em Menzingen, Suíça, que [por sua vez] a encaminhou [aos padres]. Não podemos confirmar que ela tenha sido encaminhada a cada um dos padres ou priorado da FSSPX. Podemos acrescentar que não se trata exatamente de uma carta nova/urgente, mas que foi enviada no começo de dezembro de 2012. E nós não podemos confirmar todo o conteúdo apresentado por Riposte Catholique, uma vez que ele parece estar mesclado com algumas interpretações de seu significado (isto é, o conteúdo não é apresentado literalmente).

11 Comentários to “Di Noia envia carta a padres da FSSPX – via Menzingen.”

  1. Se isto se confirmar, trata-se de uma proposta extraordinária.

  2. É uma proposta bastante positiva, mas porque a FSSPX não pode também combater o modernismo do Concílio Vaticano II nos meios de comunicação de massa? É como se as autoridades não quisessem que o Vaticano II fosse desacreditado perante o mundo.

  3. sem dúvida… extraordinária proposta.

  4. Torço pela regularização e difusão da FSSPX, desde que mantida sua disciplina e seu direito a refletir criticamente sobre o recente Magistério Ordinário, mesmo que em meios mais reservados, numa tarefa sobretudo de peritos.

  5. Se devidamente interpretada a proposta é boa, entretanto há exigências que são subjetivas , o que uma pessoa considera uma critica construtiva outra pode achar o oposto. A FSSPX deveria perguntar a Di Noia se as Criticas de Marcel Lefrev são construtivas ou não, se elas são construtivas então ótimo.
    Outro problema é se abster de criticas em meios de divulgação em massa, isso é ruim, mas infelizmente também creio que a FSSPX não disponha de nenhum meio de comunicação em massa a não ser algumas revistas, entretanto isso é fácil de burlar, basta fomentar publicações amigas que não estejam diretamente ligadas a FSSPX.

  6. Um chamado à crítica é, certamente, um novo canal de diálogo entre a Santa Sé e a FSSPX. Só não entendi muito bem esse chamado à discrição. Tudo bem que é de bom grado que questões delicadas como as que envolvem o magistério ordinário e o CVII não sejam “espetacularizadas”. Mas sabemos muito das barbaridades teológicas, propaladas aos quatro ventos, de uma série de setores em “plena comunhão” com a Igreja sobre as quais a Santa Sé nada fala: por todos, basta citar a Teologia da Libertação.

    Então eu acho que se existe o convite à crítica construtiva, e assim todos nós acreditamos que o apostolado da FSSPX deseja, esse tipo de condicionamento quanto ao espaço em que deve ser precedida a crítica é um tanto temerário. Certas questões devem ser postas à luz da comunidade, para que o povo também tome consciência do real estado em que se encontra a Igreja.

    Enfim, parece uma luz no fim do túnel… Acredito firmemente que antes do fim do pontificado de Bento XVI já se terá chegado à termos razoáveis para a reconciliação da FSSPX com a Igreja.

  7. Estamos caindo numa situação de meios diferentes para um mesmo fim, pelo menos aparente. Desde pequeno ouvia que a Lei máxima da Igreja é a Salvação das Almas. O que não se leva em conta nos embates teológicos, doutrinários e hierárquicos que desviam o verdadeiro ideal da Santa Igreja. Infelizmente não se pergunta a quem de direito interessa qual o meio certo para a Salvação. Só nos resta rezar ao Senhor da Messe, para que os seus não se percam.

  8. Pelo menos, já se sabe o que o Vaticano quer: críticas só em privado. Mas, como nós, fieis, ficamos: a Igreja é a única verdadeira ou não? religiões não-cristãs levam a Deus? o Reinado Social de Nosso Senhor continua valendo? Maria Santíssima era virgem (dom Müller parece ter dúvidas)??
    Enfim, são questões fundamentais e, se a Hierarquia tem dúvida ou admite proposições contrárias mutuamente, vai ensinar o quê a nós?????

  9. A discrição tem uma razão fundamental: evitar escândalo aos que vêm para a Fé.
    Por quê? Comecei a tomar certa bronca com tradicionalistas em geral porque, ao começarem a conversar com gente se convertendo do calvinismo, ateísmo, luteranismo, pentecostalismo etc., vinham com livros e discussões sobre os erros do Vaticano II. Isso me deixou sobremaneira perturbado, pois uma pessoa dessa, que não tem a Fé iluminada tão fortemente pela caridade, mas que apenas age elicitamente por si, poderá facilmente se escandalizar e achar no catolicismo uma falsidade.

    Não sou nenhum criador de artificialismos em torno do Vaticano II (colocá-lo no âmbito do infalível ou do indiscutível), mas eu creio que essa foi a razão principal de eu não admirar tanto o carisma da FSSPX. Se a FSSPX vier a fazer essas críticas academicamente, e a quem estiver preparado (a sabe que a Igreja não falha), daí nada terei para reclamar.

    Mas por favor, não tirem a pouca esperança desses recém convertidos em Nosso Senhor Jesus Cristo! Não escandalizem os pequeninos na Fé!

  10. Prezado Pedro H.

    O que o senhor coloca é interessante e muito preocupante, visto que, como sempre digo para os mais próximos, vivemos uma situação muito incômoda e estranha. Veja um exemplo, como ensinar as pessoas que estão se convertendo que devemos ser modestos, que há inferno, que vamos para lá se não deixarmos o pecado, se, quando elas forem na “missa”, quando elas forem conversar com os padres, eles dirão: “não, o que vale é o coração, Deus é misericordioso, Deus é bom, todos se salvam”.

    Escandalizadas, estas pessoas se perguntam: “Mas como?”; “Isto não está de acordo com o que o senhor nos disse!”. “Isto não está nem de acordo com o que praticávamos em nossa seita!”.

    Aí fica a pergunta: Como contornar tudo isso? Como dizer para elas que, de fato, hoje eles mandam a gente levar como quiser, viver da melhor forma possível, como me disse um padre dias atrás?

    Como não escandalizar mais uma pessoa que, apesar de virem do erro, ainda viviam certos preceitos que sempre fizeram parte de uma “igreja velha e empoeirada” que, na linguagem de muitos, precisa de uma ar fresco?

    Como diz um amigo de Salvador, do que adianta apresentar a maravilha da fé católica, se quando a pessoa for até a primeira paróquia perto da casa dela, ela não verá nada disso?! Por isso, sempre a verdade, doa a quem doer, pois a Verdade nos libertará.

    Que Deus tenha piedade de nós.

  11. Não existe impasse, que possa impedir que a Fraternidade seja legalizada pelas autoridades de Roma.
    Basta, tirar os obtáculos que está impedindo esta união. Ou seja: Roma reconhecer os erros do Concílio Vaticano II, a liberação total da Missa de sempre…Verificar que não existe na Fraternidade nada que estar em contradição com a doutrina que a Santa Igreja sempre ensinou. Bém… Para isso… É necessário remover muitas coisas nestes caminho. Será que o Papa atual; ou as autoridades de Roma estão dispostos a remover?…
    Só um milagre da graça, é capaz de tamanho evento. Um dia, temos certeza, não sabemos quando. Roma irá de reconhecer, que só a Tradição tem direito a verdade.
    Vamos fazer a nossa parte. Rezar mais, confiar no triunfo da Santa Igreja. Para Deus existem infinitos meios para faze-La triunfar. Não vamos “traçar” normas para Deus. Como Ele deveria salvar à Igreja. Ele é a sabedoria Incriada.
    Joelson Ribeiro Ramos.