Dom Di Noia: retomar o carisma de Dom Lefebvre para superar impasse atual.

O colunista do Le Figaro, Jean-Marie Guénois, traz mais detalhes sobre a carta enviada por Dom Joseph Augustine Di Noia, vice-presidente da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, aos sacerdotes da Fraternidade São Pio X. Apresentamos nossa tradução do trecho mais importante do artigo:

Dom Di Noia e o Papa Bento XVI.

O que diz este documento de oito páginas traduzido do inglês para o francês? Três elementos essenciais: o estado atual das relações, o espírito dessas relações e o método para retomar o diálogo.

A questão do Concílio

O estado atual das relações entre Roma e Ecône é descrito sem retoques por Dom Di Noia. Estas relações permanecem “abertas” e “cheias de esperança”, mesmo se declarações recentes em diferentes níveis da Fraternidade, nos últimos meses, possam colocar isso em dúvida [ndr: é inacreditável, a quem pede um exame de consciência mútuo, a falta de referência às mais desastrosas palavras para esta conturbada relação, que são simplesmente as do novo Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé].

Quanto aos esforços realizados desde o início do pontificado de Bento XVI para uma reconciliação, eles não mudaram nada, avalia Dom Di Noia por causa do desacordo fundamental que permanece sobre a questão do Concílio. Este americano, um diplomata fino, mas realista, estabelece pela primeira vez a este nível a constatação de um “impasse”, no sentido de que o desacordo fundamental não evoluiu um milímetro.

A segunda parte do documento trata do espírito das relações. Para o autor da carta, é importante transformá-lo, caso contrário, o intercâmbio “amigável” entre as duas entidades pode ser “sem saída”. Como? Inspirado pelos sábios conselhos de Santo Tomás de Aquino, quando se trata de preservar a unidade da Igreja. Evitando o “orgulho, a cólera, a impaciência”. O “desacordo sobre questões fundamentais” não deve excluir o falar das questões disputadas, portanto, com um “espírito de abertura”.

A última parte da carta propõe duas linhas para sair do impasse atual, pois a FSSPX não tem futuro na “autonomia”. Reconhecer, em primeiro lugar – e aqui Roma o faz como nunca havia feito – o “carisma” próprio de Dom Lefebvre e da obra que ele fundou, que é a “formação sacerdotal” e não a “retórica áspera e contraproducente” ou “a de se arrogar a missão de julgar e corrigir a teologia”, ou ainda “de corrigir publicamente os outros na Igreja”. E, a segunda linha — completamente nova, pois recorre a um documento, Donum Veritatis, publicado em 1990 para enquadrar a dissidência de teólogos progressistas!: considerar que é legítimo, na Igreja Católica, ter “divergências” teológicas, mas que essas “objeções” teológicas devem ser expressas internamente, e não em praça pública, para “estimular o magistério” a formular melhor o seu ensino. E não sob a forma de um “magistério paralelo”.

3 Comentários to “Dom Di Noia: retomar o carisma de Dom Lefebvre para superar impasse atual.”

  1. A última parte da carta: Uma Mordaça.

  2. Essa carta está cheia de falácias.

    “o “carisma” próprio de Dom Lefebvre e da obra que ele fundou, que é a “formação sacerdotal” e não a “retórica áspera e contraproducente”…………..Defesa da fé agora virou retórica áspera e sem frutos????? Quem realmente não dá frutos é a missa nova defendida com unhas e dentes , e as novas orientações tomadas desde 1962………………..“a de se arrogar a missão de julgar e corrigir a teologia”, ou ainda “de corrigir publicamente os outros na Igreja”………Isso só acontece por que as autoridade não tomam as devidas providências para solucionar a crise de fé.Como diz a escritura : se vcs se calarem as pedras falarão.

    As objeções teológicas devem ser expressas externamente já que os erros são externos e poem em risco a salvação das almas.Pretender que se calem diante do espetáculo circense e diabólico de destruição da fé e da liturgia da Igreja é dar ao Diabo plena liberdade.E magistério paralelo quem o faz mesmo são os que defendem novidades condenadas por PIO X , Leão XIII , PIO IX , PIO XII.

  3. “considerar que é legítimo, na Igreja Católica, ter “divergências” teológicas, mas que essas “objeções” teológicas devem ser expressas internamente, e não em praça pública, para “estimular o magistério” a formular melhor o seu ensino. E não sob a forma de um “magistério paralelo”.

    Assino embaixo!!! É por isso que nesses blogs e pela internet inteira temos visto pessoas que mal sairam das fraldas em termos de teologia e história da Igreja se arvorando em novos Tomás de Aquino! São capazes de decorar trechos da Summa Teológica, mas são incapazes de recitar de cór os 10 Mandamentos da lei de Deus. Principalmente aqueles concernentes à Justiça. Esses “teólogos de internet” parecem desconhecer completamente que é a virtude da justiça que forma a base do 8° mandamento da Lei de Deus segundo os quais não temos o direito de levantar falso testemunho, caluniar ou espalhar mentiras sobre o próximo, pois todos esses atos ferem a virtude da justiça.
    Essa posição de Dom de Nóia sempre foi tradição na Igreja pois diferenças e desacordos entre membros de uma Comunidade religiosa não é algo novo na história da Igreja.
    A tensão entre religiosos que escolhem uma vida apostólica fora da autoridade de um Bispo ou Congregação também não é fácil. Sempre existiu e sempre vai existir, mas o modo como essas crises são endereçadas fala alto sobre o caráter destrutivo das pessoas que transformam sua raiva ou frustração em calunia e difamação.
    Nessa “lavagem de roupa publica” em meio eletrônico tenho visto pecados que bradam ao céu e pedem a Justiça de Deus pra quem os comete:
    Falso testemunho e perjúrio: declarações feitas publicamente condenando os inocentes ou inocentando culpados.
    Juízo temerário ou precipitado: divulgação de trechos fora de seu contexto que são admitidos como verdadeiros, sem provas suficientes, em declarações que acusam os outros de defeitos morais.
    Maledicência: a divulgação dos “defeitos de outrem a pessoas que os ignoram”, sem uma razão objectivamente válida.
    Calúnia: mentir para prejudicar a reputação de uma pessoa, proporcionando oportunidades para que outras pessoas façam julgamentos falsos acerca da pessoa caluniada.
    Lisonja, adulação ou complacência: “estimula e confirma outrem na malícia dos seus actos e na perversidade da sua conduta”, podendo ser, entre outras coisas, um “discurso para enganar os outros em benefício próprio.”
    Jactância, vanglória, gabar, ostentar ou zombar: discurso que honra apenas a si próprio e desonra os outros.
    Mentira: é “dizer o que é falso com a intenção de enganar”, sendo por isso a “ofensa mais directa à verdade” porque a contraria.
    Santa Teresa de Avila em sua obra Castelo Interior ja advertia suas freiras contra esse tipo de comportamento: “Cuidado irmãs com cuidados e zelos que não tem nada a ver com vocês. Lembrem-se que ha poucas moradas nesse castelo ( alma) em que vocês estão livres de ter que lutar contra o demônio”. E continuava: ” Vamos nos refrear de zelos indiscretos que podem nos causar grande dano. Que cada uma se examine a si própria. Como eu ja falei disso não quero me estender mais. Essa caridade mútua é tão importante que jamais deveriamos esquece-la. Pois se uma alma fica obsecada em caçar faltas nos outros ela não só perde sua paz interior como disturba os outros. Isso se aplica a cada uma de vocês…e para nos prevenir do engano do demonio, eu enfatizo a necessidade de se discutir qualquer problema apenas com a pessoa envolvida.”