Nova tradução do Missal Romano “deve demorar”.

Palavras de Dom Armando Bucciol, presidente da Comissão Episcopal para Tradução dos Textos Litúrgicos (Cetel) — aquela que reúne os “sábios levitas que zelam por nossa liturgia” — na coletiva de imprensa de ontem, na Assembléia Geral da CNBB em Aparecida, sobre a nova tradução do Missal Romano:

“É um trabalho demorado – disse o bispo – as comunidades perguntam: quando é que vai sair a nova tradução? E eu respondo: vai demorar bastante, porque passar de uma língua para outra, é sempre uma interpretação, é uma adaptação, não se trata apenas de traduzir ao ‘pé da letra’”, comentou dom Armando.

O bispo explicou que a Congregação Romana pediu “certa fidelidade” ao texto original em latim, ao mesmo tempo, que contenha uma “linguagem bela e acessível” e com isso, a demora na entrega do documento será recompensada por uma tradução mais próxima da realidade brasileira, ou seja, mais adequada a cultura e a linguagem do povo brasileiro.

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Uma tradução “mais adequada a cultura e a linguagem do povo brasileiro”… Perguntamo-nos se, em Brasília, por exemplo, “O Senhor esteja convosco” será traduzido por “O homem lá de cima está com ocês” (em homenagem à nossa “presidenta”)?; ou se em Minas a resposta será “Ele está no meio de nóis, uai”? Talvez na periferia de São Paulo o presbítero, ao convidar a assembléia ao famoso abraço da paz, substitua o “Irmãos e irmãs, saudai-vos em Cristo Jesus” por um “Manos e minas, dêem um salve em Cristo”…

Sugestão aos que esperam a nova tradução?

Missale_romanum1962

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Segundo Silvonei José, da Rádio Vaticano, ontem “a Comissão Episcopal para os Textos Litúrgicos apresentou uma nova tradução para o Missal Romano. Cada trecho do Missal traduzido já foi analisado pelos membros da Comissão e mandado para os bispos de todo o Brasil, para que fizessem emendas. Após a aprovação das emendas, o texto foi traduzido e agora deve ser aprovado na Assembleia em Aparecida. Depois de aprovado será enviado a Roma para que seja reconhecido pela Santa Sé […] Dentro dos trabalhos da Assembleia Geral está sendo apresentando aos bispos a nova proposta de revisão do Missal Romano. Dom Armando Bucciol, que é o Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia e da Comissão Episcopal para os Textos Litúrgicos explicou que as Conferências estão encarregadas de revisar os textos. A primeira versão do Missal foi publicada em 1969, em latim e depois traduzida para outros idiomas. O trabalho desta comissão da CNBB tem sido intenso e vem sendo realizado com cautela. “Não se trata apenas de traduzir, mas manter uma fidelidade ao texto original em latim. Para que seja acessível ao povo em uma linguagem litúrgica bela”, destacou dom Armando. O bispo aponta que a revisão não terá mudanças nos ritos. São correções simples, como, por exemplo, a unificação das respostas na celebração eucarística. A mudança será mais na linguagem e conteúdo e não propriamente no formato da celebração.

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21 Comentários to “Nova tradução do Missal Romano “deve demorar”.”

  1. “A realidade é que estão ordenando bispos que não entendem nem o básico do latim. E os liturgistas brasileiros, durante longa data empenhados em apoiar “dança litúrgica”, “símbolos da caminhada”, dentre outras aberrações, não sabem o significado “de sempre” das milenares expressões em latim. Estão com dificuldade em traduzir “pro multis”, não obstante o Papa Bento XVI ter deixado bem claro que é pra traduzir como “por muitos” (se eu não contasse ninguém adivinhava!). Tempo de dura crise, onde os leigos mais atuantes devem tomar consciência do problema e exigir dos pastores nada menos do que o catolicismo seguro de sempre.” (comentário que coloquei junto ao compartilhamento do artigo acima no Google Plus).

  2. Que medo! Espero que dessa vez não enganem a Santa Sé como na última vez…

  3. Eu comecei a fugir dessas “missas” desde que me dei por conta que estavam dirigindo a Deus com a mesma linguagem e reverencia que eu uso pra me dirigir ao meu cachorro.

  4. Tradução? Interpretação?
    Nunca vi tanto absurdo junto!

  5. É um tenebroso inverno que assola a Igreja há pelo menos 50 anos… Tudo está completamente fora dos eixos… Até quando suportaremos tanta loucura…

  6. Se for para ser fiel à situação brasileira na atualidade, algumas palavras deverão ser suprimidas do Missal como Deus, Jesus, Virgem Maria, Céu (afinal, quantos bispos e padres ainda crêem nessas realidades?)… E para não ferir à sensibilidade politicamente correta, com certeza não entrarão nele: pecado, inferno, castigo, sacrifício…

  7. Levando-se em conta que a Edição típica foi publicada em 2002 e já se vão mais de dez anos, como entender esse “vai demorar”? Por que a tradução em inglês já saiu? Os bispos de língua inglesa serão mais competentes em latim? Pelo visto, sem sombra de dúvida. Daqui a pouco, vai sair uma quarta Edição típica e nós ainda estaremos às voltas com a tradução da terceira.
    Eu penso que seria uma excelente oportunidade para unificar todas as traduções em língua portuguesa num único texto. Assim, todos os povos de língua portuguesa teriam um só Missal. Quem sabe assim, com auxílio de bispos de outras regiões, mormente portugueses, os textos saíssem melhores e mais fiéis ao original. Pensei nisso recentemente quando me deparei, na página do Pe. Paulo Ricardo, com o texto do Precônio pascal segundo a tradução portuguesa, muito mais bela e mais fiel que a brasileira e o que é melhor, com a melodia bem próxima à gregoriana original, coisa que no Brasil se perdeu há muito tempo. É um singelo exemplo do que digo.

  8. No Rio o Padre diz: O Senhor esteja com tu.
    O povo responde: Eai.

  9. Tradução do latim para uma língua latina demora tanto assim…se fosse chinês até entenderia!

    Lembramos-nos da super tradução usada no momento: “Et cum spiritu tuo” para ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS, super bem traduzida, fiel ao original.

    Estamos perdidos, isso sim

  10. Caríssimo Reverendo Padre Marcelo, sua bênção.
    Observe que este problema não é exclusividade tupininquim. A última Santa Missa que assisti de SS Francisco teve as palavras “per tutti” pronunciadas quando da consagração. Problemas com o Missal Italiano? Quem teria autoridade para fazer frente às Conferências se não o Pontífice? Que lhe falta, convicção ou coragem?
    Oremus pro Pontifice nostro.

  11. Tenso mesmo vai ser quando o povo responder: é nóis, mano.

  12. Mas de que adianta o missal ser fiel e maravilhoso se os padres não são obrigados a usá-los, e muitos (não todos, claro), empurram ele de lado e falam o que querem?
    Outra coisa que nunca vi ninguem reclamar e que eu acho terrível é o fato de se estar abolindo em muitas dioceses não só o missal para o povo (isso aliás não existe mais em lugar nenhum) mas até o folheto litúrgico com as leituras e as orações canônicas. O povo fica perdido, pessoas idosas e/ou com deficiência auditiva entram e saem da missa sem ter ouvido direito nada, nem leituras nem orações. Outros alguns momentos as leituras são tão mal feitas que mesmo quem ouve não entende. Em outros, a acústica impede a audição e a compreensão a todo mundo. Além do mais a concentração requerida a quem ouve é muito maior do que seria necessário se houvesse um texto a ler e acompanhar. Sem nada na mão é muito difícil se perder (sem falar que a Palavra escrita podia ser meditada durante uma homilia ruim).
    Claro que quem defende a ausência do missal e do folheto argumenta que é pro povo prestar mais atenção ao que é lido no altar. Até parece, né? Pelo contrário quando não se ouve ou não se entende direito aí que a atenção fica mais difusa e consequentemente a gente se desconcentra.
    Mas parece que no fundo é o verdadeiro objetivo.
    Precisaríamos lutar contra isso.

  13. Teresa, às vezes é melhor não ter nada para ler durante a missa, que ter ” O Domingo”.
    Quanto ao fato de certos “padres” deixarem o Missal de lado e dizerem o que quererem, não há nem o que se comentar! Na minha paróquia o padre até inverte a sequência ou simplesmente ” corta” pedaços da missa a seu gosto… e inventa textos. O desesperador é que esse não é um fato isolado.
    Até quando? Temos denunciado`esses fatos às autoridades eclesiásticas, mas a demora para que se faça algo… …

  14. Mudando de assunto…
    Já que não temos opção, pelo menos a maioria, como se COMPORTAR na missa-de-hoje?
    Depois que conheci a Missa Tridentina não sei mais nem me comportar na missa.
    Tem sido um sofrimento…
    O meu, e o de Cristo!

  15. Vai demorar porque em Roma há quem entende muito bom o Português e não vai deixar acontecer o que aconteceu na época de D. Isnard, que pegou a tradução francesa, que havia sido rejeitada por Roma e a traduziu para o Português, e foi aprovada por Roma…

    D. Rifan já saiu fora dessa comissão que faz a tradução por causa da traição que querem fazer, traição a lá D. Isnard…

    Um padre, que faz parte do Dicastério responsável pelas traduções lá em Roma, afirmou com todas as letras: “a tradução do “por multis” por “por todos”, por exemplo, NÃO SERÁ APROVADA…Agora durma com um barulho desse…A maioria dos Bispos são a favor da traição “por todos”…E agora????? Como e quando haverá um consenso entre os Bispos???

    Não é que os padres não usam o Missal, grande parte NÃO SABE USAR O MISSAL… NUNCA APRENDERAM ISSO NO SEMINÁRIO…

    ““A realidade é que estão ordenando bispos que não entendem nem o básico do latim. E os liturgistas brasileiros, durante longa data empenhados em apoiar “dança litúrgica”, “símbolos da caminhada”, dentre outras aberrações, não sabem o significado “de sempre” das milenares expressões em latim…

    Conclusão mais do que acertada do Pe. Marcelo…

    As expressões, “mas”, “porém”, “de acordo com a realidade”, “segundo a Conferência Episcopal”, “segundo o ordinário local”, colocadas nos documentos litúrgicos, nos demais documentos da Santa Sé, e até nos documentos do Vaticano II, os tornam uma babel, onde cada um lê, e tira a conclusão que quer.

    Não é a toa que Bento XVI denunciava a DITADURA DO RELATIVISMO… E, para tristeza de muitos, o Papa atual também se mostrou na mesma linha, nesse ponto, no último encontro que teve com a Comissão Bíblica.

    Rezemos, rezemos que Deus é quem governa a Igreja!!!

  16. Rafael,
    Deus lhe abençoe.
    Realmente urge rezar pelo Papa. Mas não só. Devemos respeitosa e claramente ajudá-lo, lembrando-lhe de sua grave responsabilidade perante a Liturgia, seja diretamente, seja com a exposição indireta da reta doutrina, em comentários e artigos da internet, bem como conversando com os padres (sobretudo os mais pecadores e imperfeitos, como eu) e bispos, que podem manifestar a preocupação dos católicos a Sua Santidade.

  17. Será a “tradução popular pastoral” no estilo Bíblia Pastoral da Paulus? Sem vós, sem tu…

    A CNBB pensa sempre que o povo é imbecil.

    O clero não instrui e depois o católico “descobre” Jesus nalguma garagem pentecostal.

    A mesma pedagogia imbecilizante do baixo nível de educação de nossas escolas = nivelamento por baixo.

    Firmeza? Firme na rocha, meu!

  18. Breviário? Missal?

    Para evangelizar basta dançar como os franciscanos italianos:

    http://it.gloria.tv/?media=428043

    Pra texto escrito ou palavras, ou oração? Basta mexer o quadril.

  19. Pedro Melo,
    “O Domingo” pode ser um folheto de má qualidade sobretudo pelos seus comentários, mas tem as leituras bíblicas. Voce já viu como é quando não temos nada pra acompanhar as leituras? Eu conheço uma senhora quase surda de quase 80 anos que não vai mais a missa e diz: “eu já não posso comungar pois meu marido nunca aceitou casar na Igreja. Ia pra cantar, ouvir as leituras e o sermão do padre. Agora minha surdez piorou e não ouço mais o sermão do padre. As musicas só canta quem sabe de cor mas como não ouço as melodias e não tem livro de canto também, não consigo mais acompanhar as musicas. Restava apenas as leituras que eu acompanhava no folheto e ficava meditando enquanto o padre falava. Mas não tem mais folheto e aí me perguntei: pra quê vou a missa? leio em casa, rezo em casa. ”
    Claro que essa senhora tinha pouca formação e lhe faltava saber algumas coisas a mais, mas se ela mesmo sem saber continuasse a ir a missa certamente agradaria mais a Deus, não é? Até porque agora ela vai é num grupo kardecista onde tudo é claro e compreensível.
    Se esse exemplo não serve, eu dou outro. Meu filho é deficiente auditivo (ouve, mas ouve mal). Sem folheto ele não sabe o que é dito nem ouve leituras, nem acompanha oração eucarística nem sabe o que responder. Eu passei a comprar a liturgia diária e ele então passou a gostar e entender. Pena que nunca dá pra acompanhar a oração eucarística porque os padres sempre mudam tudo e ele fica virando as páginas tentando encontrar o que está sendo dito pra melhor saborear as verdades eternas.
    Mas ele não é único, ele é jovem, os idosos são mais numerosos e sofrem igual. Daqui a pouco vão querer botar aquela moça fazendo língua de sinais em todas as missas, que sinaliza até as palavras da consagração, como tem nas missas televisivas. Simplesmente ridículo! Os surdos sabem ler e seria tão simples…Além do mais havendo um texto de boa tradução na mão do povo a possibilidade de sismarem de fazer leitura de uma biblia pastoral, por exemplo, se reduz. Mas se ninguem tem nada pra ler eles fazem o que querem.

  20. Acostumado a missa tradicional, levei um susto quando tive que conviver com a nova liturgia. Ha muito boa vontade de nossos fiéis, diga-se de passagem, mas os padres não colaboram. Não instruem, não corrigem, se ha respostas erradas durante as celebrações. Tão nem aí. Pra que tradução, se eles não são a favor duma celebração litúrgica fiel. iSTO É REINVENTAR. Que trágico!

  21. O Sacrifício Perpétuo já foi abolido em algumas paróquias, já que, por certo, há Padres que celebram sem possuir a intenção de fazer o que a Igreja quer fazer, a saber: sacrificar Jesus e oferecer o Santo Sacrifício a Deus Pai.

    Com essa mudança agora que se anuncia, acredito que poderemos ter uma abolição geral do Santo Sacrifício, caso seja comprometida a forma do Sacramento, adulterando-se as palavras usadas por Cristo.

    Para a validade de um Sacramento (ou seja, ocorrer a transubstanciação), é preciso haver a intenção, ao lado de matéria válida e forma correta.

    Como predito nas Escrituras e mesmo por parte de alguns Santos, no final dos tempos Deus permitiria, como forma de castigo, que o Sacrifício Perpétuo fosse “tocado”.