A beleza segundo o Cardeal Ravasi.

Nova fanfarrice do frustrado Paulo VII, que já havia inclusive apresentado a Bento XVI o famoso “Espírito do Concílio”: uma narcisista exibição mundana. 

Primeiro a notícia de Zenit (destaques nossos). Enquanto Pe. Beto tem a síndrome da reflexão, Ravasi e sua trupe tem a síndrome do diálogo. Ao todo, foram gastos sóbrios 750 mil euros  – que poderiam ser direcionados a um “gesto de caridade para com os mais necessitados“:

Santa Sé estará presente pela primeira vez na Bienal de Arte Veneza

A Santa Sé participa este ano pela primeira vez da Bienal de Veneza (1 de Junho a 24 de novembro) com um pavilhão inspirado no Gênesis. No princípio é o título escolhido pelo cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do Pontifício Conselho para a Cultura, que, na linha de trabalho deste Departamento que busca incentivar o diálogo com a cultura contemporânea, criou e promoveu esta novidade.

O anúncio foi feito numa conferência de imprensa esta manhã, na Sala de Imprensa do Vaticano. Estiveram presentes o cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do Pontifício Conselho para a Cultura, Antonio Paolucci, diretor dos Museus do Vaticano, Paolo Baratta, presidente da Bienal de Veneza, Micol Forti e monsenhor Pasquale Iacobone, ambos do Pontifício Conselho para a Cultura.

Cardeal Ravasi afirmou que este projeto “não é apenas uma novidade extraordinária, mas responde a um dos objetivos do dicastério: estabelecer e promover oportunidades de diálogo num contexto cada vez mais amplo e diversificado“. O tema escolhido para esta exposição foi o primeiro livro da Bíblia: Gênesis, em particular, os primeiros onze capítulos, dedicados ao mistério das origens, a entrada do mal na história, a esperança e os projetos dos homens após a devastação simbolicamente representado no diluvio. O trabalho foi desenvolvido, explicou o cardeal, em três núcleos temáticos: Criação, De-Criação, Nova Humanidade ou Re-criação. Sobre a importante relação entre fé e arte, o cardeal afirmou que são “irmãs entre elas no caminho da cultura”.

Em seguida, o presidente da Bienal de Veneza apontou a importância da presença da Santa Sé como um sinal “do importante papel que a Bienal desenvolve: um lugar de encontro e de diálogo“. Também afirmou que nesta exposição de arte “cada um traz a sua própria contribuição, cada um é impulsionado essencialmente pelo desejo de ser reconhecido como parte do grande diálogo que tem lugar atualmente na criação artística, imprescindível expressão vital, hoje como ontem, da cultura e da civilização”.

A 55° Exposição Internacional de Arte organizada pela Bienal de Veneza, abre ao público no sábado, 1 de junho, e estará aberta até domingo, 24 de novembro. A exposição contará com 88 participantes nacionais. E 10 países representados pela primeira vez: Angola, Bahamas, Bahrain, Costa do Marfim, República do Kosovo, Kuwait, Maldivas, Paraguai, Tuvalu e a Santa Sé.

Embora a participação nesta amostra de Veneza seja uma novidade, o Vaticano sempre esteve intimamente ligado a estas exposições de arte internacionais. A primeira vez que esteve presente foi em 1851, em Londres, e desde então foram 22 exposições, incluindo cidades como Chicago, Paris, Nova York e Bruxelas. A última vez foi em 2008, na exposição organizada em Zaragoza em “Água e o desenvolvimento sustentável”.

Sobre os custos envolvidos na exposição, monsenhor Iacobone explicou que a elaboração e a gestão econômica do Pavilhão da Santa Sé na Bienal de Veneza foi confiada à Fundação do Patrimônio Artístico e Atividades da Igreja, que desenvolveu a iniciativa com critérios de sobriedade. O custo foi de $ 750.000, integralmente assumidos pelos patrocinadores e doações.

No final da conferência ZENIT encontrou Paolo Baratta. Quando perguntado sobre a importância da presença do “microcosmo” da Santa Sé no grande universo da Bienal, o presidente respondeu: “Eu considero um ato que tem a grandeza da humildade, que não assume um posicionamento que quer ditar as regras, mas quer participar de um diálogo. E a Bienal é um espaço de diálogo, em torno da criação artística como um fator fundamental, que ultrapassa a utilização e a finalidade das obras”.

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Eis algumas das obras selecionadas para o “stand” da Santa Sé na bienal (imagens da CNN):

"Obra" do "artista" australiano Lawrence Carroll representa a "Re-criação".

“Obra” do “artista” australiano Lawrence Carroll representa a “Re-criação”.

 

O fotógrafo francês Josef Koudelka combinou uma série de seus trabalhos como uma meditação sobre a "De-criação".

O fotógrafo francês Josef Koudelka combinou uma série de seus trabalhos como uma meditação sobre a “De-criação”.

 

A criação segundo a companhia de arte italiana Studio Azzurro.

A Criação segundo a companhia de arte italiana Studio Azzurro.

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Não poderia ser mais oportuna a entrevista do Reverendíssimo Padre Anthony Brankin à edição de fevereiro de 2013 da Revista Catolicismo.

13 Comentários to “A beleza segundo o Cardeal Ravasi.”

  1. Temos visto cada coisa que chamam de arte….O pior é gastar dinheiro financiando este tipo de exposição. Se tivessem me contratado, eu teria produzido obras mais bonitas!!! :)

  2. Não sabia o que era “De-Criação” e “Re-Criação” (essa até dá pra fazer um esforço e imaginar alguma coisa). Depois que vi as fotos das obras simbolizando as ditas cujas, continuei sem saber.

  3. As mãos do Studio Azurro parecem terem sido outra expressão de “O Grito”, de E. Munch.

  4. Francamente. É cada coisa que a gente vê. Ainda chamam de arte.
    Deus colocou ordem na criação, re-criação e etc. Não foi e nunca será essa desordem grotesca. Esse conceito de beleza do cardeal é vazio e nada transcendente. A arte sacra deve nos inspirar ás realidades espirituais e não dar sono, como essas acima.
    …ZZZZZZZZZZZZ…

  5. Devo ser muito ignorante, não consigo chamar isso de arte.

  6. Toda “Re-criação” que não venha de nosso Senhor, é uma desordem.
    Toda “arte” moderna é “Re-arte”, feia igual ao pecado.

  7. Tá a beleza sumiu até na memória das pessoas? Vamos procurá-la nas obras da mão do Criador! Veja o por do sol! Veja as flores brotando… Contemple tudo o que sai de Suas mãos para recuperar a visão: “Compre de Mim… colírio para ungir os seus olhos e poder enxergar” (Apocalipse 3:18).

  8. Ele estava economizando grana para fazer caridade aos viciados em drogas e deficientes mentais, os artistas modernos.

    Maranatha! Vinde , Senhor, estamos afundando!

  9. Misericórdia, tenha misericórdia de nós Senhor. Eu sou muito ignorante ou lunático, mas minha prima de 5 anos parece fazer algo bem melhor que isso e, sem dúvida, muito mais ordenado que essas “coisas” que chamam de arte. Sinceramente, esse tipo de arte não leva ninguém à contemplação, como é esperado de alguma peça artística. Pelo contrário, leva ao vômito, ao delírio, ao desgosto e ao caos. Sentimentos humanos preponderantes nessa cultura doentia da contemporaneidade.

  10. Recomendo aos amigos o filme do filósofo anglicano Roger Scruton sobre a beleza e sua influência cultural, principalmente da arquitetura.

  11. Isso não é arte! É moda preguiçosa.
    Muito diferente da antiga e verdadeira arte que a Igreja apoiava. Mas não me surpreende, pois eu só vejo desse tipo de arte fácil, inclusive nas Igrejas.
    O Papa deveria intervir neste âmbito, pois uma Igreja deve refletir sua história e seu espírito em suas construções. Mas o que se vê hoje são igrejas ocas, que não refletem nada, parecem prédios de escritórios por fora e teatros modernos por dentro, como as igrejas protestantes.
    Isso não me desce de jeito nenhum!
    Dinheiro jogado fora. Estou com quem diz que podiam dar esse dinheiro às obras de caridade, que seria o melhor destino.

  12. A iconografia cristã não se compatibiliza com o desconstrutivismo das artes contemporâneas. Isto porque a iconografia cristã é, por excelência, um instrumento de comunicação, uma expressão orientada à cognição daquele a quem Santo Agostinho viria a chamar de o mais espiritual dos sentidos, a visão. O sentido das expressões artísticas genuinamente cristãs reportam-se simbolicamente às formas e expressões oriundas do mundo natural.

    A arte moderna é, em geral, sintática. Sintática porque o seu objeto de criação impõe uma reflexão sobre as condições da própria criação artística; uma arte que tem por objeto a própria arte, e não a substancialidade do mundo natural. Daí essa sensação de frieza que a arte moderna costuma transmitir aos olhos de quem não domina a linguagem a que ela se refere imediatamente. Trata-se de um domínio artístico metalinguístico, fechado na sua próprio autorreferencialidade.

    Por essa razão que inexiste possibilidade de uma iconografia cristã desconstrutivista. Evidentemente que isto não exclui leituras neoclássicas da pintura ou da escultura, com a introdução de novas técnicas de confecção ou materiais novos. Mas a iconografia exige este senso telúrico, que a atrai para a Criação e todas as suas expressões sensíveis e concretas. Os olhos das Dores de Maria sempre serão os olhos de uma mãe que chora a morte de seu filho, o sangue derramado do Senhor na cruz só poderá tingir-se do mesmo vermelho do sangue dos que até hoje morrem por sua fé, a glória e a luz do triunfo da Ressurreição espelhará o brilho de uma alvorada em céu sem nuvens.

    Isto não quer dizer que a expressão mais perfeita da iconografia cristã é a que reproduz a imagem à fidelidade dos olhos. Não, de forma alguma. A forma natural é o anteparo indeclinável para a expressão iconográfica cristã. Contudo, pacífico este pressuposto, a expressividade da iconografia não reside na correta apreensão do mundo tal qual visto pelo nosso globo ocular, mas sim a visão espiritual do mundo natural. Com efeito, não se almeja na nossa tradição iconográfica a mera reprodução de uma percepção natural, porquanto ela intenta expressar uma visão mística sobre o mundo natural.

    Ou seja, a iconografia cristã não é nem naturalística, tampouco anti-natural, mas essencialmente sobrenatural. Logo, ela retrata o mundo natural pré-compreendido pelo Espírito Santo, é o mundo natural a partir de um ponto de vista espiritualmente cristão. O barroco, por exemplo, influenciado pelo rigor da Contrarreforma, intensificou modelos expressivos rigorosos, consentâneos à nova espiritualidade que queria se infundir diante do horror da Reforma. Já o gótico, na sua primeira fase, tinha na verticalidade o modelo expressivo adequado para indicar aos nossos olhos que a fé cristã apontava sempre para o Céu. A forma é natural, mas a interpretação da forma é sobrenatural.

    Esta exposição que o cardeal Ravasi está organizando pode ser muito interessante do ponto de vista estritamente artístico, mas não diz NADA sobre a verdadeira iconografia cristã. Pelo contrário, é quase um berro de um mudo, tamanha a incognoscibilidade das obras arroladas. Nenhum cristão “normal” (e nem precisa ser católico quanto a isso) reconheceria a sua espiritualidade, se sentiria tocado por essas obras. Uma pena que o dito intelectual não se afeiçoe às lições mais elementares de arte litúrgica e iconografia, vide esse cosmopolitismo insosso e inócuo que parece imbuir a maioria de suas iniciativa a frente do Dicastério da Cultura.

    Xô cardeal Ravasi!

  13. E esses gestos com a mão hein? Nem vou comentar o que veio a minha cabeça! Lembram muitas coisas menos criação!