Demolição. Literalmente.

Antes:

Depois:

Fevereiro de 2013 – Igreja de Saint Jacques é demolida em Abbeville, França. As imagens ressoam o brado do Apóstolo, “Desperta, tu que dormes” (Ef, 5, 14), àqueles católicos mornos que não reconhecem a gravidade da hora atual. Na Europa, depois de igrejas cedidas a ortodoxos e muçulmanos, vendidas a redes de hóteis e bares… elas agora são demolidas!

O atualíssimo artigo de Gustavo Corção que abaixo reproduzimos (créditos: Permanência) nos remete a uma das causas de tal demolição: a “auto-demolição” da Igreja perpetrada por seus membros, em particular os que ocupam altos postos.

* * *

Há ou não há demolição?

A transcrição de um semanário paulista, publicada no JB, veio chamar-me a atenção para uma faceta da controvérsia católica esquecida pelas pessoas de bom senso, e posta em relevo, quase digo em indecente relevo, pelo referido semanário paulista. A primeira vista pode parecer que o jornalista que escreve no O Estado de São Paulo, O Globo, Correio do Povo, na Gazeta do Povo em Curitiba, e na A Tarde, de Salvador, não deveria perder seu tempo com as publicações inexpressivas que só servem para proporcionar aos próprios redatores o deleite semanal de ver suas frases em letras de forma. 

Mas o exercício do magistério há mais de sessenta anos habituou-me a ver na tolice um dos fenômenos mais sérios do mundo, porque é sempre ela — e o seu somatório planetário — que opõe resistência à sabedoria e à ascensão espiritual do homem. Remeto o leitor à Suma Teológica IIa., IIae. q. 46. 

Vejamos a faceta revelada pela semanal tolice escondida no E. S. Paulo. Como o leitor pôde ver nos últimos dias, houve certa celeuma levantada em torno de um artigo meu onde, a propósito das “comunidades de base” e do desmantelamento geral que se observa no orbe católico, disse eu que a crise era provocada e alimentada pelos próprios membros da hierarquia. Eu não disse que essa era a causa única e principal. Sei que os inimigos da Igreja são o Demônio, as correntes históricas do mundo organizadas como anti-Igreja, que o Concílio de Trento chama “mundo”, e a divisão do eu ou amor-próprio, que na linguagem paulina adotada no tridentino chama-se “carne”. Quando os que destroem (ou querem destruir) a Igreja são católicos, leigos, padres ou bispos, antes de começarem tal tarefa (que jamais poderia germinar in sino Ecclesiae), é sempre pelo eu exterior do amor próprio que são tentados pelo Demônio e pelo “mundo”. 

Hoje a Igreja está cheia de apóstatas que já aderiram ao “mundo” mas não têm a última lealdade de afastarem-se da Igreja. Ficam aglomerados em torno d’Ela, nos cargos, ou a fruir lucros dos escândalos que o mundo saboreia. 

As quatro ou cinco linhas que causaram manifestações de equivocada autoridade, podem ser tranqüilamente reafirmadas e desenvolvidas. Numa sociedade perfeita, fortemente hierárquica, a causa interna de sua ruína tem, evidentemente, mais força nos superiores, nos dirigentes, do que nos leigos, nas mulheres do Apostolado da Oração, ou nas criancinhas. A responsabilidade dos “superiores” no descalabro que se observa, podia ser prevista antes da observação do fato. 

Já falei da parte que têm os senhores bispos e cardeais, mais facilmente observável quando se re’nem nas famosas conferências cuja patológica adiposidade (em relação ao que o Concílio quis) está a pedir um especialista e um regime. 

Hoje, para ser justo, completarei o quadro de responsabilidade dos dirigentes com os senhores provinciais, gerais, superiores e superioras. São esses superiores das ordens religiosas os mais terrivelmente responsáveis pela vertiginosa decadência das casas em que tantos moços entraram em busca da perfeição e da união com o Amado. Não sei avaliar qual dos dois superioratos aflige mais a Esposa de Cristo, mas certa inclinação me leva a pensar que a parte dos “religiosos” é ainda mais grave do que a da hierarquia, porque atinge mais profundamente a santidade da Igreja. É assustador, é apavorante o estado a que chegaram tantas casas religiosas. E quando acaso alguma congregação permanece nos moldes verdadeiros e santos, tem-se visto muitas vezes a boa Superiora receber pressões do Bispo ou da Superiora Geral em Roma. E, então, em poucos meses se acelera o processo de expulsão da boa Superiora e sua substituição por uma progressista mais ou menos idiota que parece receber ordens dos centros de comando da revolução mundial. Em São Paulo, recentemente, ocorreu este fenômeno. No Rio, há anos, observamos o desmonte de várias congregações. 

Temos então diante dos olhos o evidente e indiscutível espetáculo de desmoralização, desordem e dispersão. Podemos discutir as causas internas e externas, suas proporções e suas origens. O que não se entende é que alguém fique zangado quando um observador católico cansado de estudar o fenômeno diz que as causas de tão dilatados e desastrosos efeitos só se explicam pela má atuação dos superiores. 

Agora vejamos a faceta que nos oferece o semanário paulistano. 

É muito simples: em vez de negar as causas, como a Nota da Cúria Metropolitana da Arquidiocese do Rio de Janeiro, o Semanário mais audaciosamente nega o fenômeno. Ou nega suas dimensões admitindo que aqui ou acolá exista um prevaricador e paralelamente nos fala em notáveis sinais de esperança nestes tempos pós-conciliares, sem todavia dar um só exemplo. 

Estamos agora diante de um fenômeno que merece estudo. Como se explica a tranqüila segurança com que tanta gente nega a tempestade, ou se comporta como se ela não existisse? Alguns desses casos se explicam pela apatia ou pelo comodismo; outros pela covardia; outros porque estão efetivamente mais à vontade nos escombros da Igreja de que estavam na sua ordem. Conheci um cônego severo, hirto, feio, que se transformou numa borboleta e tornou-se irreconhecível. Dizem que trocou a coroa de espinhos pela coroa de rosas. Em outros casos a negação do descalabro é expressa em termos de afirmação de progresso. Escrevem-se livros para caricaturar a Igreja dos santos e engrandecer a Igreja dos revolucionários e dos idiotas! 

Em outros casos a razão do otimismo é elementar. Tomemos por exemplo o caso de Dom Evaristo Arns: como poderia ele achar desgovernada e semi-demolida a Igreja que o fez Cardeal? Nunca jamais foi tão glorioso o Papado e tão majestosa a Igreja!

(O Globo, 17/02/73)

22 Comentários to “Demolição. Literalmente.”

  1. Estes que aquiescem a tão dolorosa ignomínia, antes de permitirem a demolição de um templo materialmente erguido, o fazem justamente por terem permitido primeiro, ter sido posta a baixo, já há muito tempo, a morada interior de sua fé. Por sinal, a própria “mornidão” vem a ser, em si mesma, já um sombrio indício de susceptibilidade a tal sanha demolidora, que tanto alegra o inferno. Cumpre que todos aqueles que se achem, infelizmente, assim categorizados, saiam o quanto antes de tal estado.

    AS ALMAS TÍBIAS TORNAR-SE-ÃO FERVOROSAS !
    ( Sétima promessa do Sagrado Coração de Jesus aos que cultivarem Amor e Devoção por Ele, como revelado a Santa Margarida Maria Alacoque, em 1673 )

  2. Em outros casos o pessimismo é elementar. Tomo por exemplo a mim mesmo que muitas vezes acho que a Igreja é uma instituição humana, desgovernada e semi-demolida. Esqueço que apesar da barca ser de Pedro, o Senhor da barca, dos ventos, dos mares é Jesus.

    Eu estou errado. O próprio Senhor se entregou por mim. Porque, ou melhor, para que me permite presenciar tudo isso ?

    Para que eu repita todos os dia :

    Non praevalebunt

  3. Tem hora que d’a a impressão de que esta tudo acabado. Nem sei porque acredito ainda nisso. Imagino que devemos engolir o que tem e ficarmos em silencio. Eu nao sei o que fazer

  4. As palavras de Gustavo Corção soam mais atuais que nunca ! Que Deus nos ajude ! – Gostaria de receber os endereços atualizados das autoridades eclesiásticas para poder denunciar o padre herege da PUC-RjJ, Luis Correa Lima. O que esse padre faz no meio universitário é um verdadeiro massacre do evangelho

  5. Parte em que destaco:

    “Escrevem-se livros para caricaturar a Igreja dos santos e engrandecer a Igreja dos revolucionários e dos idiotas!”

    Perfeito… é isso mesmo … Francisco dizia, há pouco tempo, que os anos pré-conciliares eram desfavoráveis à Igreja… por culpa da própria Igreja… pasmem… uma Igreja que excluia e que criava muros… com os socialistas e ateus… pasmem… uma Igreja que não evangelizava… pasmem novamente… mas se limitava a fazer proselitismo…

    Veio o CV II e bingo; Os muros com os comuna e ateus foram derrubados e ao invés deles se converterem, ao contrário, inavadiram a Igreja e a mundanizaram, provocando toda essa auto-demolição com a cumplicidade e o silêncio desses católicos mornos, que se recusam a enxergar a causa da crise – o CV II… A Igreja pós – concílio, nas palavras do próprio Papa, deve escutar a todos… e a ‘exclusão’ de outrora não existe mais, graças a ação de Deus. Fico a imaginar a quem se atribuia então o comportamento da Igreja pré-concilio…

    Não acreditam… vejam:

    http://fratresinunum.com/2013/05/08/um-tempo-favoravel-na-vida-da-igreja/#comments

    Um segundo exemplo eu achei pesquisando alguns livros no google. Acabei me deparando com o seguinte livro: El don de Dios: la Trinidad en nuestra vida de Nereo Silanes.

    O autor diz, na pág. 63, que após o CV II (evidentemente) estamos recuperando o VERDADEIRO rosto de Deus, do Deus que se nos revelou em Cristo. Ele atribui o fato, secundariamente, aos movimentos de renovação biblico, liturgico e pastoral ocorridos na Igreja. Primeiramente, ele atribui à ação do Espírito Santo, que antes do CV II devia estar numa folguinha e permitia que os católicos ignorassem o rosto do verdadeiro Deus, a ponto de precisar existir diversos movimentos de renovação, para que esse verdadeiro rosto fosse recuperado.

    O autor ainda joga confete no magistério trinitário do beato a jato JP II.

    Veja:

    http://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&id=dRtylPvRnMMC&q=conc%C3%ADlio#v=onepage&q&f=false

  6. Trata-se de uma situação comum em toda a Europa,
    por exemplo em Portugal fizeram de uma capela livraria:
    http://www.publico.pt/multimedia/video/novas-livrarias-obidos-20130421-172636

  7. Já o Bem Aventurado Paulo VI constatava a auto demolição da Igreja, a começar pelo cume, após o “espírito do concílio” ter envenenado muitos elementos da Hierarquia. Agora observamos uma demolição literal, uma dessacralização alarmante, uma Europa descristianizada e caminhando para o paganismo. Mas é o desígnio de Deus que tudo isto aconteça, porque quando estiver tudo em ruínas maior será o esplendor da vitória do Bem e maior será a Glória de Deus!

    Não nos esqueçamos da promessa de Nossa Senhora de Fátima: “Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará”!

  8. Igreja penitente rasgando suas vestes!!!

  9. ESSE TAL DE DOM ARNS…
    Como no artigo, D Arns mesmo foi um dos que deu imensa contribuição à ascensão e sedimentação dos comunistas no Brasil, para o PT e mais alguns de comportamentos farisaicos, como D Hélder e asseclas bispos e centenas de sacerdotes alinhados com as ideias bolcheviques.
    Quem se alinha com comunistas está por detrás das demolições, não só dos templos mas da fé!

  10. Um monumento demolido!

    Com a demolição da Igreja pelo próprio clero, outras cairão, transformar-se-ão em museus, livrarias, teatros, etc. Para a alegria dos muçulmanos, ateus, hereges e outros pagãos.

    A profecia se cumpre: a apostasia já chegou.

  11. O que a FSSPX, ou até uma comunidade Ecclesia Dei, poderia fazer com esta Igreja. Devolvê-la à vida certamente e muito mais. Quem manda, porém, preferiu a demolição… literal. Triste, muito triste.

  12. Os Católicos só vão acreditar quando demolirem o Vaticano!

  13. Enquanto destroem essas preciosidades, no Brasil se constroem verdadeiros caixotes e chamam de Igreja.

  14. O problema na França é que, depois da Revolução Francesa, muitas igrejas passaram ao controle dos municípios. Se por um lado quando há interesse da municipalidade, os templos são mantidos e restaurados com dinheiro público, quando não há as comunidades católicas ficam diretamente sob o risco de serem despejadas.

    O prefeito de Abbeville, pelo o que eu descobri, é, obviamente, socialista. E dizia que a igreja de St. Jacques estava dando prejuízos ao erário da cidade, que há décadas sofre com o esvaziamento econômico e populacional. Até aí lamentável, é verdade, mas não surpreendente.

    O que me entristece e me assusta é TOTAL ausência do clero da cidade e dos fieis no momento em que a igreja estava sendo demolida, bem como o desinteresse de retirar de seu interior algumas imagens e até mesmo os bancos da igreja! Isto sim é desolador. Ou seja, mesmo aqueles, que, aparentemente, foram muitos os que se opuseram à medida torpe do ateu que comanda a cidade, no momento derradeiro se esconderam dentre de suas casas.

    Ademais, os bispos franceses, que nos últimos tempos têm se mostrado tão hábeis na mobilização do país contra o casamento gay, deveriam organizar algum tipo de sistema de melhor distribuição das igrejas entre as comunidades, congregações e ordens no país. Hoje 25% de todas as vocações na França estão vinculadas à institutos ou seminários tradicionais. E a tendência é que esse percentual continue a aumentar. Isto sem contar as vocações da FSSPX, que também crescem. Por outro lado, esses seminaristas não contam nem com um décimo da estrutura da Igreja da França para desempenhar regularmente suas atividades.

    Ora, repito a indagação feita pelo colega acima: por que não ceder essa igreja a qualquer comunidade Ecclesia Dei ou a FSSPX? É preferível que ela vá ao chão, mesmo sabendo que ainda existe uma pequena demanda, mas cada vez mais visível, por igrejas para essas comunidades?

    São perguntas que o prefeito ateu não pode responder. Mas o alto clero francês deveria responder!

  15. Corção era gênio : ele disse tudo “Escrevem-se livros para caricaturar a Igreja dos santos e engrandecer a Igreja dos revolucionários e dos idiotas! ”

    Até os papas o fazem ao aderir ao mundo moderno !!

  16. “Tem hora que d’a a impressão de que esta tudo acabado. Nem sei porque acredito ainda nisso. Imagino que devemos engolir o que tem e ficarmos em silencio. Eu nao sei o que fazer”

    Heitor, nos resta o terço e a ajuda valiosa da Santa Mãe de Cristo!
    Também fico muito preocupado e quando falamos aos outros parece que estamos falando tolices! Mas lí hoje uma edição da Chiesa Viva sobre João Paulo II que, se estiver correta, corresponde bem com a demolição da Igreja literalmente.

    Esperando confiante a Vitória do Imaculado Coração de Maria!

  17. Quando Bento XVI falou que a Europa precisava ser recristianizada os babões da América latina torceram o nariz (mesmo babões que comemoraram absurdamente um papa latino americano) … o motivo era esse … estão matando o cristianismo na Europa … e sob as bênçãos dos modernistas…
    Ou seja , na américa latina a igreja é uma piada (vide a CNBB e seu circo) e na Europa é assassinada… Assim satã marcha e avança …

  18. Uma tristeza ver a Igreja sendo destruída.

  19. Jerusalém mais uma vez foi destruída, o jeito é esperar A Consolação Divina, o Salvador de Israel.

  20. Se fossem demolir as horríveis igrejas progressistas do CVII que não possuem Campanário ou sequer altares, um monte de católico-comunista se levantaria para proteger sua herética construção. Mas em se tratando de uma igreja medieval, da época das trevas como dizem os historiadores (pseudo-historiadores é claro), ninguém dá a minima.

    Quando começarem os castigos de Fátima e a velhacaria do CVII como minha avó para quem o catolicismo gira em torno do pobre e do abana braço na “missa”, ou dos maçons com meu pai para os quais só as suas propriedades é que importam, haverá gente que como eu se sentirá feliz em ver Deus demolir este mundo pagão e aí baubau conta numérica no Banco ou supermercado ou igreja progressista sem altar nem campanário.

  21. “Bem Aventurado Paulo VI” ??? Deus nos acuda!!!

    Bem, quanto a esta cena triste da demolição, parece que na Europa agora a moda é demolir igrejas e edificar mesquitas. Os mulos agradecem.

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    Ah, eu li Complô contra a Igreja, os quatro tomos e penso que nessa obra se pode vislumbrar os bastidores do que estamos vendo hoje. Recomendo.