Francisco: “Paulo VI amou a Igreja e se gastou por ela sem reservas”

IHU – Cerca de 5 mil peregrinos da diocese de Bréscia chegaram ontem a Roma para celebrar o 50º aniversário da eleição do venerável servo de Deus o Papa Paulo VI. Nesta manhã, às 11 horas, recordando aquele evento, Mons. Luciano Monari, bispo de Bréscia, celebrou a Santa Missa no altar da Confissão da Basílica de São Pedro.

A reportagem é de Jesús Bastante e publicada por Religión Digital, 22-06-2013. A tradução é de Benno Dischinger.

Junto a ele concelebraram outros 3 bispos e uma centena de sacerdotes. Também estava presente o cardeal Giovanni Battista Re. Passado o meio-dia, o Santo Padre Francisco, calorosamente recebido, entrou na Basílica para saudar os peregrinos e dirigir-lhes um discurso.

O Bispo de Roma agradeceu a oportunidade de poder compartilhar a memória do Venerável Servo de Deus Paulo VI com a diocese de Bréscia, da qual era oriundo o Papa Montini, diocese que peregrina a Roma no Ano da Fé. “Teria tantas coisas que dizer e recordar deste grande Pontífice”, disse o Papa Francisco. E limitou-se a destacar três aspectos fundamentais que nos deixou o testemunho petrino de Paulo VI: o amor a Cristo, o amor à Igreja e seu amor à pessoa humana.

Paulo VI soube dar testemunho, em anos difíceis, da fé em Jesus Cristo. Ainda ressoa, mais viva que nunca, sua invocação: “Tu és necessário, ó Cristo!” Sim, Jesus é mais necessário que nunca ao homem de hoje, ao mundo de hoje, porque nos “desertos” da cidade secular Ele nos fala de Deus, nos revela sua face. O amor total a Cristo emerge durante toda a vida de Montini, inclusive na eleição do nome como Papa, que ele justificava com estas palavras: Paulo é o Apóstolo “que amou a Cristo de maneira suprema, quem acima de tudo quis e tratou de levar o Evangelho de Cristo a todas as gentes, quem por amor de Cristo ofereceu sua vida”.

Paulo VI, sublinhou o Papa Francisco, tinha “um profundo amor a Cristo, não para possuí-lo, senão para anunciá-lo”.

“Cristo! Sim, eu sinto a necessidade de anunciá-lo, não posso guardar silêncio!… Ele é o revelador do Deus invisível, é o patrimônio de toda criatura, é o fundamento de todas as coisas. Ele é o Mestre da humanidade, é o Redentor… Ele é o centro da história e do mundo. Ele é quem nos conhece e nos ama, e Ele é o companheiro e amigo de nossa vida. Ele é o homem da dor e da esperança, é ele que há de vir, e que deve ser algum dia o juiz e, nós o esperamos, a plenitude eterna de nossa existência, nossa felicidade.”

Também foi apaixonado o amor do Papa Montini pela Igreja: “um amor de toda uma vida: alegre e doloroso”, recordou o Santo Padre. “Um amor que expressou desde sua primeira encíclica Ecclesiam suam”. Paulo VI viveu de cheio as vicissitudes da Igreja depois do Concílio Vaticano II, “suas luzes, suas esperanças, suas tensões”. Ele amou a Igreja e se gastou por ela sem reservas.

“Um verdadeiro pastor cristão que tinha uma visão muito clara de que a Igreja é uma mãe que leva dentro de si a Cristo e conduz a Cristo”. Porque, como o próprio Papa Montini dizia: “A Igreja está verdadeiramente nos corações do mundo, porém ao mesmo tempo é suficientemente livre e independente para interpelar o mundo”.

Finalmente, o Papa Francisco aludiu ao último aspecto do amor de Paulo VI:

O terceiro elemento: foi o amor pela pessoa humana. Também isto está relacionado com Cristo: é a paixão de Deus que nos impele a encontrar o homem, a respeitá-lo, a reconhecê-lo, a servi-lo. Na última sessão do Concílio Vaticano II, o Papa Paulo VI pronunciou um discurso que surpreende cada vez que o relemos. Em particular, quando se fala da atenção do Concílio pelo homem contemporâneo. Disse assim: “O humanismo secular profano apareceu finalmente em sua terrível estatura e, num certo sentido, desafiou o Concílio. A religião do Deus que se fez homem se encontrou com a religião do homem que se faz Deus. O que sucedeu? Uma luta, uma batalha, uma condenação? Podia ter sido assim, mas não sucedeu. A antiga história do samaritano foi o paradigma da espiritualidade do Concílio. Um sentimento de simpatia sem limites impregnou tudo. A descoberta das necessidades humanas… dêem crédito a isto, ao menos vocês, humanistas modernos, renunciatórios à transcendência das coisas supremas, e reconheçam nosso novo humanismo: também nós, nós, sobretudo, amamos o homem”.

E, com uma visão integral do labor do Vaticano II, observou o Papa Francisco sobre seu predecessor, Paulo VI dizia que toda a “riqueza doutrinal do Concílio se dirige em uma direção: servir a pessoa humana. A pessoa humana, em todas as condições, em cada uma de suas enfermidades e necessidades. A Igreja quase se declarou servidora da humanidade”.

13 Comentários to “Francisco: “Paulo VI amou a Igreja e se gastou por ela sem reservas””

  1. Na verdade paulo VI colocou a Igreja de joelhos. O que ele disse está no site do Vaticano:

    http://www.vatican.va/holy_father/paul_vi/speeches/1965/documents/hf_p-vi_spe_19651207_epilogo-concilio_po.html

  2. Se o papa, seja ele quem for, quiser soldado, eu me alistarei pela Igreja.
    Se quiser escravo que sirva a humanidade, que procure por analfabeto doutrinal!

  3. Celebrou no altar da Confissão? Está correta essa informação? Esse altar (o altar-mor de São Pedro) não é reservado ao Papa?

  4. Só e somente Deus, nosso Pai amado e justo Juiz, pode julgar o futuro Beato Paulo VI. Que Deus o tenha em profunda e infinita misericórdia! Não duvido em nada do amor dele por Cristo e pela Igreja. É dele a belíssima frase que acaba com o ecumênismo que ele mesmo defendeu: “Quem não ama a Igreja, não ama a Cristo!”.

    Contudo, do meu ponto de vista pessoal, dos cinco ultimos Papas, ele foi o pior. Justamente porque estava no olho do furacão da crise, no centro do problema. O humanismo de Paulo VI é suspeitissimo sem contar a suposta ligação dele com a maçonaria. E a covardia dele em ter parado de escrever encíclicas durante 10 anos por “critica do clero”, mostra que ele foi sim enganado e boicotado, mas não reagiu à altura.

    No juizo final saberemos a verdade!

  5. “No juizo final saberemos a verdade!”??? Basta ler os livros fidedignos…

  6. Claro, a demolição da Igreja foi algo que tomou zelo, tempo, energia incansável…

    Só mesmo um analfabeto catequético-doutrinal acha que ele melhorou a Igreja…

  7. Lembremos que São Pedro amava Nosso Senhor mais que os demais, mesmo assim o traiu e foi covarde. E a covardia dele causou escândalo, sem dúvida, nos outros apóstolos da época. Cristo precisou dizer “Converta-se! E confirme os seus irmãos!”Sim: Papas também precisam se converter! E só e somente assim eles podem nos confirmar na fé! Não aceitar isso é criar uma Igreja da sua cabeça.

    É preciso mesmo ser “analfabeto doutrinal” para achar que Paulo VI melhorou a Igreja. Desejo de coração que ele esteja no céu, mas não desejo em absoluto, a beatificação nem canonização dele. Agora com o Beato João Paulo II declarado Santo e a possível beatificação de Paulo VI, isso irá considerar a “canonização” por tabela do Concílio Vaticano II.

    Tristes tempos os que vivemos em que a santificação de um Papa causa tristeza e indignação!

  8. Do original: “Vós, humanistas do nosso tempo, que negais as verdades transcendentes, dai ao Concílio ao menos este louvor e reconhecei este nosso humanismo novo: também nós — e nós mais do que ninguém somos cultores do homem.” http://www.vatican.va/holy_father/paul_vi/speeches/1965/documents/hf_p-vi_spe_19651207_epilogo-concilio_po.html

    Ou ainda, “Hanc saltem laudem Concilio tribuite, vos, nostra hac aetate cultores humanitatis, qui veritates rerum naturam transcendentes renuitis, iidemque novum nostrum humanitatis studium agnoscite: nam nos etiam, immo nos prae ceteris, hominis sumus cultores. “ http://www.vatican.va/holy_father/paul_vi/speeches/1965/documents/hf_p-vi_spe_19651207_epilogo-concilio_lt.html

    Em todos, a ênfase é “culto” ao homem, não amor ao homem. Suponho que amor ao homem teria outra redação.

  9. Se me permitem, trago-vos um texto do site abaixo e pergunto: onde estava com o coração e com a cabeça o Papa Paulo VI?

    No debate “Lumière 101” da Rádio Courtoise (19/12/1993), Jean Guitton voltou a falar da intenção do Papa Paulo VI ao promover a reforma da Missa:

    “… a intenção de Paulo VI em relação à liturgia, ou à vulgarização da Missa, era reformar a liturgia católica para aproximá-la da liturgia protestante… da Ceia protestante. […] repito que Paulo VI fez tudo o que estava em seu poder para aproximar a Missa católica — apesar do Concílio de Trento — da Ceia protestante” (idem, ibidem).

    http://www.defesacatolica.org/index.php?option=com_content&task=view&id=370&Itemid=1

  10. Nenhum comentário sobre Paulo VI foi mais certeiro e contundente do que o de Monsenhor Lefèbvre: “Ele foi o Papa da dupla face, que derrubou o altar, aboliu o Sacrifício, e profanou o santuário”. Isso resume tudo; depois da demolição não adiantava queixar-se de que o mal tinha penetrado “in ipsis venis et visceribus Ecclesiae”.

  11. Paulo VI no fim do concílio assinou os documentos que dele foram criados, mas junto da assinatura deixou um aviso: a Igreja Mãe que antes condenava o erro com anátema era escutada e obedecida pelos seus filhos e respeitada pelos “outros”, mas agora vamos adotar um método diferente para tentar chamar os “outros” porque o anátema já não é uma solução eficaz para o Homem moderno.
    E bem se pode dizer que isto é uma profecia cumprida nos nossos tempos. Não tenho duvidas da melhor intenção por parte dos padres conciliares, da sua boa Fé. Havia uma enorme expectativa que o Homem moderno ia responder positivamente a esta atitude de “lava pés” da Igreja. Mas não foi como todos tinham sonhado, e cerca de 10 anos mais tarde Paulo VI reconhece que a situação não melhorou mas ainda piorou porque a fumaça de satanás penetrou no Templo de Deus e a dúvida e o relativismo atingiu até mesmo o Clero Sagrado que devia ser firme como a rocha.
    O grande desafio para o nosso tempo é saber se voltamos ao velho e bom remédio do anátema ou se prosseguimos neste caminho autodestrutivo de rebaixamento ao Homem em prol da doutrina de Cristo. Pergunto-me se o velho e bom remédio do anátema ainda fará efeito no Homem de hoje, que já está em fase terminal da sua doença. Só Deus sabe a resposta a esta questão, e o Papa Francisco será o Seu porta voz.

  12. Há muitos livros escritos sobre a questão do CVII e seus bastidores. Basta ler um desses livros para saber que a verdade. Agora, duas questões: 1- se uma alma nunca leu nada sobre a questão, por favor, cale a boca. 2 – se leu e ainda assim acha tudo de bom, por favor, se joga de uma ponte, melhor morrer assim que pecar ao defender o erro como certo.

  13. Basta ler um desses livros para saber QUAL é a verdade.