Nada novo debaixo do sol.

Se há 36 anos a postura da CNBB é a mesma, todavia, em Campos havia quem falasse.

Mas a CNBB não quis…

Por Plinio Corrêa de Oliveira – Folha de São Paulo, 16 de maio de 1977

Quanto se enganam os que pensam que as divergências no episcopado nacional versam sobre questões nas nuvens.

É bem o contrário. Trata-se de profundas questões religiosas, das quais decorrem para a vida da Igreja, e portanto também para a do País, as mais graves conseqüências.

Um exemplo disso veio à luz quando do recente pronunciamento da CNBB acerca do divórcio.

DIVÓRCIO, NÃO -- Em defesa da moral, 20.000 católicos, na maioria mulheres, fizeram da procissão de Corpus Christi, no Rio, em 1977, um grito contra a decisão do Congresso (Foto: Walter Firmo)

DIVÓRCIO, NÃO — Em defesa da moral, 20.000 católicos, na maioria mulheres, fizeram da procissão de Corpus Christi, no Rio, em 1977, um grito contra a decisão do Congresso (Foto: Walter Firmo)

A Presidência da CNBB e a Comissão Episcopal de Pastoral representam uma tendência. Alta expressão da tendência diversa é o sr. bispo de Campos, D. Antônio de Castro Mayer.

No dia 28 de abril p.p., este prelado enviou um telegrama ao presidente da CNBB com sugestões sobre o projeto de divórcio em curso na Câmara. No dia seguinte, a imprensa divulgou uma nota da Presidência e da C.E. de Pastoral da CNBB.

Um confronto entre as aspirações do prelado de Campos e o pronunciamento da CNBB mostra bem quanto divergem as vias e as cogitações.

É possível que, no torvelinho da vida diária, tenha passado despercebida a nota oficial da CNBB. Transcrevo-lhe o parágrafo final, saltando os dois grossos parágrafos iniciais que tratam de tudo menos do divórcio. Diz a Nota:

“A Assembléia de Itaici publicou especial mensagem sobre a família, condenando, mais uma vez, a tentativa de introdução do divórcio civil entre nós. Infelizmente, numa atitude que um dos nossos grandes jornais acertadamente apelidou de “pressa indecorosa”, movimentam-se setores do Congresso Nacional para articulações, que a consciência dos eleitores bem orientados e a história não lhes perdoarão. Escutem os parlamentares dos dois partidos a voz e a advertência da Igreja, que não visa defender interesses institucionais seus, mas sim o verdadeiro bem do povo brasileiro através da defesa decidida da família e das leis morais.”

A Assembléia de Itaici, de fevereiro deste ano, se referiu de modo sumário e incolor a uma nota publicada em 1975, algum tanto mais dinâmica. De sorte que, para receber os salutares eflúvios desse dinamismo, o leitor de 1977 tem que ir buscar nos jornais de 1975 o que disse a CNBB. Quantos leitores, imaginam os dirigentes dessa entidade, se entregarão a essa complicada pesquisa?

- Com a devida vênia, digo que sobre o assunto não se poderia dizer menos nem pior.

Sem entrar ainda no mérito da questão para censurar a “pressa indecorosa” de setores do Congresso Nacional no sentido de fazer andar o assunto, a nota procura apoio em “um dos nossos grandes Jornais”.

Em seguida, acena para os deputados propugnadores do divórcio com uma perspectiva, a punição de Deus? Não. A dos homens: eles não serão perdoados pela “consciência dos eleitores bem orientados e a história”.

Por fim, faz um apelo para que os parlamentares ouçam “a voz e a advertência da Igreja”. E dá para isto dois argumentos: 1.º) a Igreja é insuspeita porque não visa a defender seus interesses institucionais. Circunlóquio estranho, que dá a impressão de que à Igreja não causam grave prejuízo os que votarem pelo divórcio; 2.º) ela age por uma razão patriótica, a saber, “o verdadeiro bem do povo brasileiro”. Ou seja, não é acima de tudo por amor à Lei de Nosso Senhor Jesus Cristo e para a salvação eterna das almas que a CNBB intervém no assunto. E com isto ela omite seu mais alto fim, no momento mesmo em que lança seu apelo que deverá ser dramático contra o divórcio.

Na nota não aparece uma só citação do Antigo nem do Novo Testamento. Nem de padres ou doutores da Igreja, nem de papas ou de santos. Apenas a de “um dos nossos grandes jornais”.

A grande indecisão que se nota até entre os deputados divorcistas resulta do desagrado que o divórcio pode produzir na opinião católica. Cabe pois à CNBB avivar este santo e legítimo desagrado. E para isto ela não encontrou senão este laico e minguado arrazoado! E na cauda da “Nota”!

Com líderes espirituais que falem ao nosso povo fiel alegando preocupações temporais, não creio que a CNBB mobilize contra o divórcio a oposição católica fervente de fé e de pugnacidade, que lhe caberia despertar.

Vejamos agora a outra voz que se levanta no campo católico. Que diferença de cogitações e de vias!

Transcrevo da “Folha da Tarde” de 30 de abril p.p. o telegrama de D. Antônio de Castro Mayer à CNBB. O telegrama cujos sábios conselhos o alto órgão episcopal deixou de lado, para fazer precisamente o contrário.

Mais uma vez, transcrevo:

“Sendo os ilustres componentes do Senado e da Câmara Federal cônscios de que pela natureza de seu mandato, devem exprimir no Poder Legislativo os desejos e aspirações do eleitorado, estou persuadido de que não aprovarão o divórcio caso sintam que a maioria do povo brasileiro não o deseja.

“A repulsa dessa notória maioria se avivará e se tornará patente caso o órgão supremo da CNBB publique largamente, e com toda a urgência, um documento mostrando que a aprovação do divórcio viola gravemente a Lei de Deus, perturba a ordem natural, prejudica a fundo a moralidade pública e privada, abala a família e arruina a nação.

“Exprimo, portanto, a V. Emcia, meu desejo seja tal pronunciamento publicado pela CNBB em comunicado especial, consagrado só a essa matéria e desvinculado de considerações sobre quaisquer outros temas.”

Se a CNBB tivesse atendido ao pedido, teria sido para ela um dia de glória, e para o divorcismo um dia de derrota na longa batalha.

Pois é com pensamentos e atitudes assim que se atraem as bênçãos do Céu, e na terra o aplauso dos fiéis.

Mas a CNBB não quis…

Créditos ao leitor G. Moreno

6 Comentários to “Nada novo debaixo do sol.”

  1. Minhas calorosas e agradecidas felicitaes pela maestria com que o Fratres vem contribuindo para a defesa de nossa santa Religio Catlica e dos valores morais de nossas instituies ptrias atravs de uma argumentao e metodologia to inteligente e veraz.! Viva Santo Elias profeta cuja festa hoje celebramos!

    Date: Sat, 20 Jul 2013 17:25:53 +0000 To: mrrfiuza@hotmail.com

  2. As conferências Episcopais existem somente para afirmar o poder do “colegiado dos Bispos, sem o papa”, por isso mesmo, em grande parte dessas conferências, existem visões progressistas e disformes em relação à Santa Sé. A CNBB mesmo já boicotou abertamente o Beato João Paulo II, (Bento XVI nem se fala…) e por enquanto, elogiam o Papa Francisco. Por enquanto…

    É só você buscar os fundadores, criadores, pensadores, etc. de cada uma dessas conferências nos Países próprios. Aqui no Brasil, quem pensou a CNBB? Quem? Quem??

    Ninguém menos que Dom Hélder Câmara, só isso!

  3. FRATRES;
    Em relação à cãoferrância e seu posicionamento “diplo-pilético”, há uma bela expressão, usadas nas orações que podemos sintetizar o “pilatismo juramentado” da cãoferrância:
    “SICUT ERAT IN PRINCIPIO, ET NUNC ET IN SEMPER, ET IN SAECULA SAECULORUM.”
    Sem mais.

  4. É sempre bom lembrar, que a covardia dos bons faz com que os maus progridem. A covardia da CMBB em relação aos seus deveres para com Deus. É da gente tremer de medo. Como fica a responsabilidade perante Deus. De um bem que poderíamos conseguir para toda a nossa nação. No entanto, a hora da graça, lá se foi.
    Bispos covardes, estão com medo de que? Perder o seus cargos? ficar bem com todos? Quantas desgraças estamos passando devido a infidelidade deste sucessores dos apóstolos. Que tem esta missão árdua e brilhante ao mesmo tempo. Defender os santos direitos de Deus. A nossa nação esta atravessando esta enxurrada de castigos diante dos nossos olhos: Crimes bárbaros, pecados contra a natureza, assalto em todo lugar, baderna nas ruas, infidelidade conjugal proliferada de uma maneira assustadora, lares destruídos… Tudo isso poderíamos ter numa escala muito pequena. Caso estes bispos cumprissem os seus deveres. São cães mudos que não ladram. Como diz o profeta.
    Quando que nós vamos ter bispos destemidos, de têmpera, de coragem para lutar para cumprir os seus sagrados deveres? Quando que vamos ter uma CMBB católica? Não sabemos! Um dia, teremos homens desprovidos de todo egoísmo, para defender a causa das causas que são os direitos de Deus.
    A Santa Igreja vai triunfar. Ela é Divina! Deus tem infinitos meios de eleva-La aos apogeu. Cabe a cada um de nós cumprir com exatidão, os nossos deveres de católicos.
    Joelson Ribeiro Ramos.

  5. Em defesa da moral, 20.000 católicos, na maioria mulheres
    Como fico irritada quando leio essa frase. Que vergonha a ‘catiguria’ feminina hoje – entendo o pq tenho vários amigos solteiros -, basta ver as que aparecem aqui no Fratres n juntam tico com teco, depois levam turíbulo na ideia e fazem biquinho.

  6. Na contramão do declínio de católicos da linha “moderna” o número de católicos conservadores ligados a missa em latim vem crescendo no Brasil e no mundo. Pouco a pouco a imprensa vai tomando consciência do que está acontecendo. Só falta a CNBB acordar.
    ARTIGO DA REVISTA OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA:
    ” Apesar da perda de “popularidade” da Igreja Católica como um todo, há um notável crescimento de adeptos das suas alas mais conservadoras. Por exemplo, o número de missas semanais regulares rezadas em Latim e na liturgia pré-Concílio Vaticano 2º subiu de 26 em 2007 para 157 atualmente no Reino Unido e de 60 em 1991 para 420 em 2012 nos EUA. ”
    link: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed727_jornalismo_e_igreja_catolica_de_volta_as_origens