“Isso pensa Müller, isso é o que ele pensa”. “Ouso dizer: a Igreja nunca esteve tão bem como hoje”.

Por Sandro Magister | Tradução: Fratres in Unum.com - Durou mais de duas horas o encontro entre o Papa Francisco e os padres da sua diocese de Roma, na Basílica de São João de Latrão, na manhã de segunda, 16 de setembro.

O encontro foi realizada à portas fechadas. E um relato parcial do que o Papa disse foi fornecido algumas horas mais tarde por “L’Osservatore Romano” e pela Rádio Vaticano.

Mas em nenhum dos dois relatos apareceram duas piadas ditas pelo Papa sobre dois altos eclesiásticos.

A primeira foi grave e cortante. A segunda irônica.

Ao formular uma das cinco perguntas direcionadas ao Papa e para falar da centralidade dos pobres na pastoral, um padre se referiu positivamente à teologia da libertação e às posições simpáticas, em relação a esta teologia, do arcebispo Gerhard Ludwig Müller.

Mas ao ouvir o nome do prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o Papa Francisco não permitiu concluir a pergunta e disse: “Isso pensa Müller, isso é o que ele pensa”.

A segunda era uma flechada contra o Cardeal Secretário de Estado que está de saída, Tarcisio Bertone.

O Papa Francesco sorriu quando um padre brincou sobre aqueles que colocam na sua cabeça que a Igreja é “una, santa, católica e salesiana”. E adicionou: “Una, Santa, Católica e Salesiana, como diz Cardeal Bertone”.

* * *

Papa Francisco encontra o clero de Roma: “Ouso dizer: a Igreja nunca esteve tão bem como hoje”

E se vocês virem que eu perdi isto, por favor, me digam e se não puderem me dizer privadamente, digam publicamente, mas digam: ‘Olha, converta-te!’

Cidade do Vaticano (RV) – “Mesmo agora que sou Papa me sinto ainda um sacerdote”. Esta é uma das passagens chaves do diálogo que o Papa Francisco teve, na manhã desta segunda-feira, com os sacerdotes da Diocese de Roma, a sua Diocese, reunidos na Basílica São João de Latrão. A acolher o Papa, 20 minutos antes do previsto, foi o Cardeal Vigário Agostino Vallini, que na sua saudação comentou que este encontro foi programado pelo novo Bispo de Roma, logo após ter sido eleito.

“O que é o cansaço para um Sacerdote, para um Bispo e mesmo para o Bispo de Roma?” O Papa Francisco desenvolveu o seu pronunciamento introdutivo, detendo-se neste questionamento. E confiou que a inspiração lhe veio após ler a carta enviada por um sacerdote idoso, que justamente lhe falava sobre este cansaço, um “cansaço no coração”. “Existe – disse o Papa – um cansaço do trabalho e isto todos conhecemos. Chegamos de noite, cansados de trabalhar e passamos diante do Tabernáculo para saudar o Senhor. Sempre – advertiu – é necessário passar pelo Tabernáculo”:

Quando um sacerdote está em contato com o seu povo, se cansa. Quando um padre não está em contato com o seu povo, se cansa, mas mal e para dormir deve tomar um comprimido, não? Ao invés disso, aquele que está em contato com o povo – que de fato o povo tem tantas exigências, tantas exigências! Mas são as exigências de Deus, não? – este cansa realmente e não tem necessidade de tomar comprimidos”.

Existe, porém, um “cansaço final” – prosseguiu Francisco – que se vê antes do “crespúsculo da vida” onde “existe a luz escura e o escuro um pouco luminoso”. É “um cansaço que vem no momento em que deveria existir o triunfo”, mas ao invés disto “vem este cansaço”. Isto – afirmou – acontece quando “o sacerdote se questiona sobre sua existência, olha para trás, ao caminho percorrido e pensa nas renúncias, aos filhos que não teve e se pergunta se não errou, se a sua vida “falhou”. É justamente sobre o “cansaço do coração” de que o sacerdote escrevia na carta.

O Papa citou então, o cansaço em tantas figuras bíblicas, de Elias a Moisés, de Jeremias até João Batista. Este último, afirmou, na “escuridão da prisão” vive o “escuro de sua alma” e manda os seus discípulos perguntarem a Jesus se Ele é realmente aquele que estão esperando. O que pode fazer então um sacerdote que vive a experiência de João Batista? Rezar, “até dormir diante do Tabernáculo, mas estar ali”. E depois “procurar a proximidade com os outros padres, e sobretudo, com os bispos”:

Nós, Bispos, devemos ser próximos aos sacerdotes, devemos ser caridosos com o próximo e os mais próximos são os sacerdotes. Os mais próximos do Bispo são os sacerdotes. (aplausos). Vale também o contrário, eh! (risos e aplausos): o mais próximo dos padres deve ser o bispo, o mais próximo. A caridade para com o próximo, o mais próximo é o meu bispo. O Bispo diz: os mais próximos são os meus padres. É bonita esta troca, não? Isto, acredito, é o momento mais importante da proximidade, entre o bispo e os sacerdotes: este momento sem palavras, porque não existem palavras para este cansaço”.

A partir deste ponto, iniciou-se o diálogo do Papa Francisco com os sacerdotes, aos quais pediu para sentirem-se livres para perguntar qualquer coisa. Respondendo à primeira pergunta, o Papa Francisco disse que no serviço pastoral, não deve se “confundir a criatividade com fazer alguma coisa nova”. A criatividade – afirmou – “é buscar o caminho para que o Evangelho seja anunciado” e isto “não é fácil”. Criatividade “não é somente mudar as coisas”. É uma outra coisa, vem do Espírito e se faz com a oração e se faz falando com os fiéis, com as pessoas. O Papa, então, recordou uma experiência vivida quando era Arcebispo de Buenos Aires. Com um sacerdote, disse, procurava entender como tornar a sua igreja mais acolhedora:

Ah, se passa tanta gente aqui, talvez seria bonito que a igreja ficasse aberta durante todo o dia…Boa idéia! Também seria bonito que tivesse sempre um confessor à disposição, alí…Boa idéia! E assim foi”.

Esta – acrescentou – é uma ‘corajosa criatividade’. Também em relação aos cursos em preparação ao Batismo “é necessário superar o obstáculo dos pais e das mães que trabalham toda a semana e no domingo gostariam de repousar”. Então, é necessário “buscar novos caminhos”, como uma “missão no bairro” promovida pelos leigos. E esta é a “conversão pastoral”. A Igreja, “também o Código de Direito canônico nos dá tantas, tantas possibilidades, tanta liberdade para buscarmos estas coisas”. É necessário – destacou – procurar os momentos de acolhida, quando os fiéis devem ir à paróquia por um motivo ou outro. E criticou severamente quem, numa paróquia, está mais preocupado em pedir dinheiro por um certificado que pelo Sacramento e assim “afastam as pessoas”. É necessário, ao invés disto, “a acolhida cordial”: “que aquele que venha à igreja se sinta como na sua casa. Se sinta bem. Que não se sinta explorado”:

“Um sacerdote, uma vez – não da minha Diocese, de uma outra -, me dizia: ‘Mas, eu não faço pagar nada, nem mesmo as intenções da Missa. Tenho alí uma caixa e eles deixam aquilo que querem. Mas Padre: tenho quase o dobro do que tinha anteriormente. Porque as pessoas são generosas, e Deus abençoa estas coisas’.

“Se, ao invés disto, a pessoa vê que existe um interesse econômico, então se afasta”, observou Francisco. O Papa então, respondeu a quem lhe perguntava como ele se define agora, visto que, como Arcebispo de Buenos Aires, gostava definir-se simplesmente como ‘sacerdote’:

“Mas, eu me sinto padre, é sério. Eu me sinto padre, sacerdote, é verdade, bispo…Me sinto assim, não? E agradeço ao Senhor por isto. (aplausos) Teria medo de sentir-me um pouco mais importante, não? Isto sim, tenho medo disto, pois o diabo é esperto, eh!, é esperto e te faz sentir que agora tu tem poder, que tu pode fazer isto, que tu podes fazer quilo…mas sempre girando, girando em volta, como um leão – assim diz São Pedro, não! Mas graças a Deus, isto não perdi, ainda, não? E se vocês virem que eu perdi isto, por favor, me digam e se não puderem me dizer privadamente, digam publicamente, mas digam: ‘Olha, converta-te!’, porque está claro, não?” (aplausos)|

Após, o Santo Padre falou sobre os sacerdotes misericordiosos. Um padre enamorado – disse – deve sempre recordar-se do primeiro amor, de Jesus, “retornar àquela fidelidade que permanece sempre e nos espera”. Para mim, isto é “o ponto-chave de um sacerdote enamorado: que tenha a capacidade de voltar à recordação do primeiro amor”. E acrescentou: “uma Igreja que perde a memória, é uma Igreja eletrônica: não tem vida”. Assim, é necessário guardar-se dos padres rigorosos e negligentes. O sacerdote misericordioso – afirmou – é aquele que diz a verdade mas acrescenta: “Não te apavores, o Deus bom te espera, Caminhemos juntos”. A isto acrescentou: “devemos tê-lo sempre sob os olhos: acompanhar. Ser companheiros de caminho”. “A conversão sempre se faz assim – disse – a caminho e não no laboratório”.

“A verdade de Deus é esta verdade, digamos assim dogmática, para dizer uma palavra, ou moral, mas acompanhada do amor e da paciência de Deus, sempre assim”.

“Na Igreja – acrescentou – existem certos escândalos mas também tanta santidade e esta é maior. E existe também esta “santidade cotidiana”, escondida, “aquela santidade de tantas mães e de tantas mulheres, de tantos homens que trabalham todo o dia pela família”. Palavras estas acompanhadas de um encorajadora convicção:

“Eu ouso dizer que a Igreja nunca esteve tão bem como hoje. A Igreja não cai: estou seguro disto, estou seguro!”

O Papa então, voltou ao tema das periferias existenciais, retomando as suas palavra sobre “conventos vazios” e a generosidade para com os mais necessitados. Por fim, refletiu sobre o tema da família, e em particular, sobre a delicada questão da nulidade dos matrimônios e sobre as segundas uniões. “Um problema – recordou – que Bento XVI tinha no seu coração”. “O problema não pode ser reduzido à questão do fazer a comunhão ou não – afirmou – porque quem coloca o problema somente nestes termos não entende qual é o verdadeiro problema”.

“É um problema grave – observou – de responsabilidade da Igreja em relação às famílias que vivem esta situação”. A Igreja – afirmou ainda – neste momento deve fazer alguma coisa para resolver os problemas das nulidades matrimoniais. Um tema sobre o qual falará com o grupo dos 8 Cardeais que se reunirão nos primeiros dias de outubro, no Vaticano. E será tratado também no próximo Sínodo dos Bispos, pois é uma verdadeira “periferia existencial”.

Por fim, o Papa Francisco recordou que no próximo 21 de setembro recorre o 60º aniversário de sua vocação ao sacerdócio. (JE)

16 Comentários to ““Isso pensa Müller, isso é o que ele pensa”. “Ouso dizer: a Igreja nunca esteve tão bem como hoje”.”

  1. Desde que surgiu a Teologia da Libertação dentro da Igreja, para os tradicionalistas todo aquele que diz mais claramente, abertamente ou mais radicalmente ter preferência a pobreza é acuso de amigo do diabo. Com o papa Francisco não é diferente.
    Eu não vejo o Sumo Pontífice muito afeito à teologia da libertação. Suas homilias não destacam apenas o mundano, não ressalta a política e diplomacia e muito menos tira Jesus do centro evangélico e coloca o homem no lugar, algo muito bem visto em discursos e homilias regadas a essa teologia. Pelo contrário, o papa sempre exorta a Deus e não esconde sua devoção a Virgem Maria. É um católico, bispo de Roma e Pontífice de toda a Igreja, é um católico simples, que escolheu viver assim, no meio do povo desde que foi eleito Bispo. É apenas alguém com um carisma um pouco diferente do que estamos acostumados. Enquanto Bento XVI foi um papa catedrático que ensina com maestria e inspiração do Espírito Santo, Francisco é um típico bispo de diocese pequena, aquele bispo que gosta do contado direto, que não gosta de gabinetes e não se sente bem isolado. A liturgia de Francisco excetuando os paramentos por ele usados é a mesma dos demais papas, afinal, todos usavam latim e italiano desde a Reforma advinda do Vaticano II. O que fez Bento XVI foi utilizar paramentos que foram deixados de lado após a reforma e que podem ser muito bem usados ainda hoje. E isso foi bom, realmente muito bom. Francisco é mais austero, simples, mas nunca houve falta de dignidade em seus paramentos, nunca.
    Há de se convir que o papa Francisco viu e viveu junto com as periferias de Buenos Aires, que dizem, são bem piores que as de São Paulo por exemplo. Ele é um papa da América Latina, onde a austeridade sempre esteve do lado de bons bispos e sacerdotes. Ele além de tudo tem espiritualidade Jesuíta, uma ordem que sempre levou o contado com o homem, com o pobre e com os oprimidos muito a sério, afinal foram os grandes responsáveis pelas conversões durante a era de descobrimentos. Este é um papa religioso, que leva os votos de pobreza radicalmente a sério.
    Eu não vi, em nenhum discurso do papa algo que fuja da doutrina e teologia da Tradição e Escritura, nunca vi nenhuma assim. Vi apenas um papa que fala pouco, mas o suficiente, de forma muito simples, às vezes até demais, mas só isso.
    Ele não é Bento XVI, João Paulo II, Paulo VI, João XXIII ou Pio XII. Cada papa trouxe algo de diferente. Pio XII era rígido e amável. João Paulo II era dado as multidões e ao diálogo. Bento XVI era professor, catedrático. E Francisco é pobre e pastoral. Contudo, são todos católicos e papas.
    Quanto a Teologia da Libertação, desde quando eles são honestos? Eles sempre se aproveitaram de discursos as vezes não bem formulados para fundamentar suas loucuras marxistas e materialistas. E qualquer coisa que o papa faça no sentido de humildade e pobreza será motivo para eles inventarem mais e mais. Mas o papa estará errado e ajudando a TL? Bem, não. Definitivamente não. Ele é rígido quando deve ser e fala demasiadamente no diabo pra ser um padre da TL. O pessoas da TL não, eles sequer creem no diabo.
    Não creiamos que o papa aceita tudo de seus cardeais, Müller que ainda é bispo foi nomeado por Bento XVI, e se ele foi nomeado por Bento XVI, bem, algum motivo ele teve. Bento XVI não é burro. Se assim fosse, o próprio Bento XVI talvez estivesse reavaliando a TL, afinal, não era segredo que Müller tinha amigos lá.
    Rezemos pelo papa, peçamos que o Espírito Santo nunca o abandone. Ele foi eleito pelo Espírito, e se Deus não erra, quem sou eu pra julgar?

  2. “Isso pensa Müller, isso é o que ele pensa”!? Falou o Papa. Mas se o Papa não pensa igual, num assunto tão sensível para a Igreja, porque o ecolheria, justamente para o cargo de prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé? Sinceramente, tenho muitas dúvidas.

    • Luiz, talvez porque não tenha sido ele que escolheu, mas seu antecessor. Não esqueçamos que a reforma na Cúria não foi concluída. Foi, isso sim, mal iniciada.

  3. Maria Santíssima, ajuda o Papa!

  4. A Igreja nunca esteve tão MAL como hoje.

    Declínio nas vocações sacerdotais e religiosas; leigos usurpando funções clericais; crise doutrinal; desobediência; desterro, maus-tratos e perseguição aos católicos vinculados à sã doutrina e à liturgia tradicional; fiéis e sacerdotes mal instruídos; teologia liberal e homossexualismo grassando entre seminaristas e formadores; pastores protestantes e ”teólogos” heréticos ministrando aula em seminários ditos católicos; engenharia da crise em todos os âmbitos e instâncias; crise litúrgica; apostasia disseminando-se; decadência do clero; ecumenismo permissivo e pernicioso cariando a Igreja, a linguagem, os documentos, as pastorais, a fé de prelados e fiéis, e até a liturgia. Isso só pra elencar alguns sintomas.

    Mas, para a o papa a Igreja nunca esteve tão bem, e isso é o que pensa muitos de nossos padres, bispos, religiosos e leigos. Claro! Afinal o ”pogresso” e as conquistas do Vaticano II, bem como do tal do ”espírito do concílio”, foram, enfim, realizadas. Se a santidade, que não é outra coisa senão a finalidade tanto da criação, quanto da economia de salvação, isto é, da Igreja, da liturgia, dos sacramentos, não está sendo alcançada pelos católicos, pouco importa. O relevante para nossos católicos pós-conciliares, é que, agora, a Igreja tem movimento de leigos, um papa ”simpático e querido” pela mídia e pelo Mundo, ecumenismo, maior ”participação” de leigos na liturgia, entre outros triunfos prodigiosos dos novos tempos!

    Me entristece bastante constatar que nosso papa – e não somente ele! – seja tão fora da realidade, tão insensível à crise terrível que assola a Igreja. Só não sei se é maior ou menor que as gnóstica e ariana dos primeiros séculos. Olhando para a natureza, o grau e a complexidade do crise hodierna, tudo me faz crer que esta é a pior de todas. Há também dois outros motivos que me levam a pensar assim. Um é a sutileza do veneno inoculado no seio eclesial pelas engenharias de transformação, que nos proporcionaram aberrações como a nova liturgia, que tanto facilita os abusos litúrgicos (como se a própria reforma litúrgica de Paulo VI já não fosse de per si um abuso litúrgico) e na qual a fé católica está tão ”borrada” , e cânceres como os textos e as mudanças do Concílio Vaticano II, responsáveis pelo desmantelamento do majestoso edifício católico, no qual brilhavam a riqueza da tradição e a ação do Espírito Santo. É sabido: um veneno quanto mais disfarçado de alimento (ou, conforme supracitado, sutil), tanto mais é perigoso. As crises gnóstica e ariana perdem para atual em complexidade, disfarce e no emprego de refinados truques e técnicas de promoção de heresias. O segundo motivo é porque Nossa Senhora em diversas aparições e desde tempos longínquos (pelo menos desde a aparição de Nossa Senhora do Bom Sucesso, no final do século XVI) se pôs a alertar sobre a terrível crise que solaparia a Igreja. Crise que, sem dificuldade alguma, verificamos no tempo presente. Qualquer um pode verificar, exceto o papa Francisco, para o qual a Igreja nunca esteve tão bem.

    E, nessas horas, sempre me aparece um católico tranquilo e sereno para me lembrar que Nosso Senhor Jesus Cristo prometeu que as portas do inferno não prevalecerão e que o diabo já perdeu. Bom, que o diabo já perdeu, sabemos, até mesmo ele já sabe disso. A questão para o diabo não é saber quem ganhou ou perdeu no desfecho apocalíptico, mas, sim, quantos ele carregará consigo para o lado perdedor (o dele mesmo). Que satanás não é capaz de destruir a Igreja por completo, isso é trivial. Mas ele consegue, e com muito sucesso, fazer uns bons estragos. A própria profecia contida em Mateus 16; 18 alude para o fato de que as portas do inferno não PREVALECERÃO, isso não quer dizer que não a fustigará. E se o diabo é incansável em seu trabalho de perder almas, podemos inferir que ele fustigará o máximo e sempre que puder. Esse tipo de inferência qualquer um pode deduzir, exceto o papa Francisco, para o qual a Igreja nunca esteve tão bem.

    Para concluir, vale recordar a máxima que diz que quando a cabeça vai mal, todo o resto é comprometido. Uma pessoa com transtorno mental prova a veracidade da máxima. Não importa o quanto goze de boa saúde fisiológica, se a cabeça não vai bem, toda a pessoa é seriamente afetada a nível profissional, social, familiar, escolar, etc. Da mesma maneira, num exército em guerra, um mau soldado, dois ou muitos, virtualmente prejudicarão, deveras, o desempenho da tropa, mas se o comandante é hábil, a habilidade deste pode compensar ou atenuar a debilidade de seus soldados. Mas o contrário não é verdade: se o comandante falha, carrega todo o resto consigo, por mais adestrada e impecável que a tropa seja. De modo análogo, se para o próprio papa, que é cabeça visível ou o comandante, a Igreja nunca esteve tão bem, conforme palavras suas, fica difícil esperar por algum avanço ou progresso no contorno à crise medonha atual. Isso também qualquer um pode constatar, exceto o papa Francisco, para o qual a Igreja nunca esteve tão bem.

    • Eliel,
      Não perca a esperança. Estude as profecias marianas e as de São João Bosco. Mais cedo ou mais tarde, a Rússia será consagrada e será instituído o dogma da Virgem Maria como Co-Redentora. Este será o grande triunfo do Imaculado Conceição de Nossa Senhora. Eva foi enganada pela serpente, mas a Virgem Maria esmagou a cabeça da dita-cuja ao aceitar ser Nossa Mãe.
      Não sou vidente nem profeta, mas sei que o Papa Bento XVI preparou o cardeal Angelo Scola para ser Papa. Bento XVI saiu derrotado do último conclave, mas Scola ainda tem idade para ser eleito pontífice. O brasão de Scola é um barco que é guiado por um Sol que nasce no Ocidente.

  5. Dá para saber, agora, por que o clero foge dos leigos: nós os esgotamos. Que aproveitem seus momentos de oração e leitura para repousarem, como Cristo fazia, ao invés de se acabarem com ativismos e reuniões que nada resolvem.

    A Igreja nunca esteve tão bem como agora? Então ela não existia antes do Vaticano II…De cristocêntrico para antropocêntrico (pobre como centro das atividades pastorais): eis a prova de que o clero nunca esteve tão mal quanto hoje…a religião humanista e maçônica mundial.

    Segundas uniões? Que os separados sosseguem o facho e “fiquem na sua” para não arrumarem sarna para se coçarem.

  6. É preciso ter calma e evitar todo juízo temerário. Percebamos que há pelo menos um aspecto na notícia que é tremendamente auspicioso: o Papa não parece disposto a operar qualquer tipo de “reabilitação” da TL. Lembremos que Müller, que parece aqui o principal responsável por transmitir essa impressão, foi apontado por Bento XVI (sabe-se lá por que razões). Não me consta sequer que seja certa a sua permanência no cargo. Quanto a ter dito o Papa que a Igreja nunca esteve tão bem, talvez não saibamos o que realmente o motivou a dizê-lo. É possível que enxergue, mesmo no meio da crise e através da fumaça de Satanás que seguramente nela se instalou, sinais que prognostiquem realmente algo de bom. Aguardemos. Vejam que ele mencionou que seria bom para as igrejas ficarem abertas durante o dia, com a presença de um confessor. E o digno resgate do sacramento da Penitência é uma matéria urgentíssima. Quanto à questão das segundas uniões, percebam que, outra vez, remete-se a Bento XVI. É simplesmente um fato que a coisa se tornou um problema pastoral gigantesco, com a atual crise da família e do matrimônio. E o Papa em nenhum momento parece insinuar que deva haver qualquer revisão quanto à situação canônica dessas pessoas (nem me parece que isso seja, a rigor, sequer possível). Não quero sugerir que não há problemas no pontificado de Francisco, nem que temos a certeza de que tudo caminhará suavemente de melhora em melhora. É possível mesmo que muita coisa piore (embora eu espere e reze para que assim não suceda). Mas às vezes se quer creditar a Francisco problemas herdados dos governos dos pontífices anteriores, ou falar em rupturas quando (para o bem ou para o mal) acham-se indícios maiores de continuidade. Seja como for, é o Papa e, como tal, merece nosso respeito, nossa obediência e nossas orações.

  7. Lembremos que quem indicou o arcebispo Muller, para a CDF foi Bento XVI, pois em alguns momentos parece que algumas pessoas esquecem e culpam apenas o atual Papa pela indicação de Muller, e que Francisco pode muito bem retirá-lo, e acredito que após essa declaração, isso possa acontecer, porque não, já que ele não representa o pensamento oficial dele , não há motivos para mante-lo na CDF. Tomemos cuidado também com certas interpretações das falas de Francisco na mídia, pois claramente há uma manipulação tendenciosa nas falas do Santo Padre, para dar a impressão de que o novo Papa é um modernista, quando no máximo Francisco é um moderado, á lá Beato João Paulo II, bem distante de Paulo VI e do Beato João XXIII.

  8. Campanha pelo Monsenhor Williamson na CDF!

  9. “Ao invés disso, aquele que está em contato com o povo – que de fato o povo tem tantas exigências, tantas exigências! Mas são as exigências de Deus, não? – este cansa realmente e não tem necessidade de tomar comprimidos”.

    Quais santidade? Será ministrar os sacramentos sempre? Ouvir as confissões sempre? Rezar o oferecimento do Santo Sacrifício da Missa? Ensinar a catequese sem delegar a leigos? Cumprir com verdadeira piedade as funções sacerdotais? Ter sempre seminários em suas paróquias abordando e repisando a verdadeira doutrina?

    Não é povo que tem exigências, santidade, mas sim Deus que enviou seu único Filho para morrer de morte de Cruz por nós? Vossa Santidade indaga: “Mas são as exigências de Deus, não?” Penso que não, santidade, na maioria; não quer saber de cumprir as exigências de Deus, mas sim suprimi-las e, quando não, contraditá-las, e exigem ativismo para alivio material sem amor e temor de Deus. Famílias endividadas, cunhados chatos, falta de remédios… Ocorre, que isso é da vida, não estamos num vale de lagrimas? Não seria isso o triunfo da Cruz, com se disse antes aqui :

    [Então, meu amigo teve que dizer isso:

    “Não conheço ninguém que celebra o rito antigo hoje em dia que consiga experimentar algum triunfo, exceto o da cruz.”

    Amém.

    http://fratresinunum.com/2013/09/15/triunfalismo-da-cruz/#comments%5D

    Sofrer um pouco na carne a paixão de Nosso Senhor? E isso só possível se os sacerdotes cumprirem santamente suas funções essenciais e precípuas, santidade?

    São as minhas perguntas publicas, espere o que tenho a dizer em particular.

    Vossas Santíssimas Bênçãos.

  10. Papa Francisco ao clero de Roma (16/9/2013): “Ouso dizer: a Igreja nunca esteve tão bem como hoje”.

    Papa Francisco na homilia da festa da Santa Cruz (14/9/2013): “cristãos triunfalistas” que “não acreditam profundamente no Ressuscitado”, com “suas atitudes triunfalistas, em suas vidas, em seus discursos, em sua teologia pastoral, liturgia, tantas coisas…”

    O que é ser triunfalista para Sua Santidade o Papa Francisco? Devemos ver nessa contradição notòria o produto de discursos para efeitos imediatos sem nexo uns com os outros como fazem os polìticos demagogos ?

  11. tenho que admitir isso está ficando melhor o tempo todo…

  12. O leigo cansa o sacerdote sim. Imagine ficar horas no confessionário ouvindo abobrinhas e imundícies dos leigos?

  13. “Ah, se passa tanta gente aqui, talvez seria bonito que a igreja ficasse aberta durante todo o dia…Boa idéia! Também seria bonito que tivesse sempre um confessor à disposição, alí…Boa idéia! E assim foi”.

    Isso é fundamental! Restaurar o sacramento da Confissão.

    Fiquem com Deus.