Entrevista de Dom Bernard Fellay, superior da FSSPX, sobre o Papa Francisco.

Mons. Fellay sobre Francisco: «Este não é um homem de doutrina»

Traduzido do original francês por Carlos Wolkartt – Blog Renitência

Esta entrevista foi realizada em vídeo pelo site dici.org, no qual também está disponível a gravação em áudio. Apresentamos a seguir a transcrição completa, onde o estilo oral foi mantido.
A chegada de um novo Papa
Mons. Fellay, Superior da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, em entrevista ao portal DICI (novembro de 2013).

Mons. Fellay, Superior da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, em entrevista ao portal DICI (novembro de 2013).

A chegada de um novo Papa é como recomeçar a contar do zero. Especialmente com um Papa que se distingue de seus predecessores por sua forma de atuar, falar e intervir, com grande contraste. Isso pode fazer com que esqueçamos o pontificado anterior, e é basicamente isso que está acontecendo. Pelo menos em relação a certas linhas conservadoras ou reformistas marcadas pelo Papa Bento XVI. É certo que as primeiras intervenções do Papa causaram muita confusão e inclusive quase contradição, em todo caso, uma oposição em relação a essas linhas reformistas.

Um exemplo: os Franciscanos da Imaculada
Em sua espiritualidade, eles seguem as indicações do padre Maximiliano Kolbe. Isso é muito interessante porque Maximiliano Kolbe desejava um combate para a Imaculada, um combate pela Imaculada, a vitória de Deus sobre os inimigos de Deus – podemos realmente usar esse termo – isto é, contra os franco-maçons. Essa observação é muito interessante. O combate contra o mundo, contra o espírito do mundo, tornou-os próximos a nós, quase por natureza, pode-se dizer; porque para iniciar um combate contra o mundo, a Cruz deve estar envolvida em alguma parte. Isso implica os princípios eternos da Igreja: o chamado “espírito cristão”. Esse espírito cristão se manifesta magnificamente na antiga missa, na missa tridentina. Assim, quando Bento XVI publicou seu Motu Proprio, que deu mais espaço à missa [antiga], essa congregação decidiu em seu capítulo (isto é, toda a congregação) voltar à antiga missa de um modo geral, em plena consciência de que iam ter um monte de problemas devido às suas paróquias – mas, no entanto, esses problemas não eram insuperáveis.
Um ou outro [membro da congregação] também começou a plantear certas perguntas sobre o Concílio. Com isso, alguns infelizes (um pequeno número, tendo em conta que a congregação é composta por cerca de 300 padres e irmãos), aproximadamente uma dezena foi queixar-se com Roma, dizendo: “Estão querendo nos impor a antiga missa, estão atacando o Concílio”. Isso provocou uma reação muito forte por parte de Roma, já sob o pontificado de Bento XVI – é necessário que isto fique claro; no entanto as conclusões, as medidas disciplinares foram tomadas sob o pontificado de Francisco. Estas medidas incluem, entre outras, a proibição da celebração da missa antiga para todos os membros da congregação, com poucas exceções, algumas eventuais permissões, aqui e acolá… Isto é um atentado direto ao Motu Proprio, que falou de um direito que os sacerdotes têm de celebrar a missa antiga, e portanto não havia necessidade de permissões, nem do ordinário, nem mesmo da Santa Sé. Isso é muito importante; obviamente, isto é um sinal.
Uma nova abordagem da Igreja
“Estamos fechando o parêntese”. Este é o termo utilizado por vários progressistas após o advento do Papa Francisco. Creio que, em todo caso, para os que são chamados progressistas, era exatamente isso o que queriam. Em outras palavras, queriam pôr em esquecimento o pontificado de Bento XVI e as iniciativas direcionadas a restabelecer de algum modo a situação com algumas correções (podemos dizer “restauração”?); em todo caso, havia pelo menos um desejo de tirar a Igreja da catástrofe em que se encontra.
O novo Papa chega com diversas posições, atacando um pouco de tudo. Todo mundo sabe disto: Bento XVI foi esquecido! Seria bom poder dizer: “Mas não! Este é o mesmo combate; Bento e Francisco, o mesmo combate!”. Obviamente, a atitude não é a mesma em ambos [os pontificados]. A abordagem, a definição dos problemas que afetam a Igreja, não é a mesma! Essa ideia de introduzir reformas que são ainda mais amplas que tudo o que foi feito até agora… Em todo caso, não temos a impressão de que serão somente mudanças cosméticas, essas reformas do Papa Francisco!
Então, como isso afetará a Igreja? Isto é muito difícil de dizer.
Um clima de confusão
A chegada de um novo papa faz com que a gente se esqueça (de seu predecessor), como se recomeçássemos do zero, com um monte de surpresas, uma grande quantidade de erros – pois com suas palavras ele irritou a quase todo o mundo, não só a nós, mas a todos os conservadores em geral. Em questões morais, tomou posições surpreendentes; por exemplo, a pergunta sobre os homossexuais: “Quem sou eu para julgá-los?”. Bom, o Papa é o juiz supremo aqui embaixo! Portanto, se há alguém que pode julgá-los, esse alguém é ele! É ele quem deve julgar e estabelecer a lei de Deus no mundo. Não nos interessa o que o Papa pensa pessoalmente, o que esperamos dele é que seja a voz de Cristo e, portanto, a voz de Deus, que nos diga o que Deus disse! E Deus não disse: “Quem sou eu para julgar?”. Na realidade, Ele disse outra coisa: as condenações que encontramos nos escritos de São Paulo, não somente as do Antigo Testamento – podemos pensar em Sodoma e Gomorra – são muito explícitas. São Paulo e o Apocalipse são muito enérgicos em condenar esse mundo [de pecados] contra a natureza. Assim, expressões como essas, mesmo que tenham sido “recuperadas”, dão a impressão de que em muitos casos se diz o contrário de tudo o que foi dito. Isto cria um clima de confusão, as pessoas ficam desestabilizadas: esperam necessariamente mais clareza sobre a moral, e ainda mais sobre a fé, pois essas duas coisas estão intrinsecamente conectadas. A fé e a moral são dois pontos sobre os quais a Igreja ensina e onde a infalibilidade pode ser invocada, e de repente vemos um Papa fazer declarações confusas…
A situação vai mais além: em uma entrevista com os jesuítas, o Papa ataca aqueles que querem clareza. É incrível!… Ele não usa a palavra clareza; ele usa a palavra certeza, aqueles que querem a segurança doutrinal. É óbvio que queremos isso! Com as palavras do próprio Deus, Nosso Senhor, que diz que nem sequer um jota deve ser mudado [nota da tradução: o jota é a menor letra do alfabeto hebraico], é melhor ser preciso!
Um Papa menos crível
É difícil chegar a um juízo sobre suas palavras, porque pouco depois, quase ao mesmo tempo, encontramos outras palavras suas sobre a fé, sobre pontos de fé, sobre a moral, que são muito claras e condenam o pecado, o diabo; declarações que explicam com muita força e muito claramente que ninguém pode ir ao céu sem verdadeira contrição dos pecados, e que ninguém pode esperar a misericórdia do Bom Deus a menos que se arrependa verdadeiramente de seus pecados. Tudo isso são recordações das quais estamos muito contentes, recordações muito necessárias! Mas, infelizmente, já perderam grande parte de sua força devido às declarações contrárias.
Creio que uma das coisas mais lamentáveis sobre essas declarações é que elas tiram a credibilidade, tiram grande parte da credibilidade do Sumo Pontífice, de modo que quando for necessário falar de coisas importantes, agora ou no futuro, essas declarações se colocarão no mesmo nível das demais. Nós diremos: “Ele está tentando agradar a todo o mundo: um pouco para a esquerda, um pouco para a direita”. Espero estar equivocado, mas tenho a impressão de que esta será uma das características deste pontificado.
Quanto mais alta é a posição de autoridade à qual alguém se eleva, maior é o cuidado que se deve ter sobre o que se diz, e isto é especialmente válido para as palavras do Papa. Creio que ele fala demais. Consequentemente, suas palavras se tornam confusas, vulgares, talvez no sentido mais profundo do termo. Non decet: não é apropriado, e não é como um Papa deve atuar.
Já não se sabe o que é uma opinião pessoal e o que é a doutrina… As confusões são imediatas. “Mas quem fala é o Papa!”. Mas o Papa não é uma pessoa privada. É claro que ele pode falar como teólogo privado, mas de qualquer maneira é o Papa! E os jornais não vão dizer: “Isto é uma opinião particular do Papa”, mas “este é o Papa, é a voz da Igreja, que pensa desta maneira”.
O Papa, um homem de ação
Não sei se poderia ousar dizer que já posso fazer uma síntese. Vejo muitos elementos díspares, vejo um homem de ação – é a primazia da ação, sem dúvida; este não é um homem de doutrina. Um argentino me disse: “Vocês europeus terão muita dificuldade para entender sua personalidade, porque o Papa Francisco não é um homem de doutrina, é um homem de ação, de práxis. Ele é um homem muito pragmático, muito próximo à terra”. É visível em seus sermões que ele está perto da gente, e isso é talvez o que o faz muito popular, porque o que ele diz afeta a todos. Também irrita um pouco a todos, mas ele está muito próximo do chão. Não há muita teoria. Vemos isso claramente: trata-se de ação, pura e simples.
Isto é o que se vê. Mas, como isto afetará a Igreja? Quais serão as consequências para a vida da Igreja em seu conjunto? É simplesmente uma voz que clama no deserto, que não terá nenhum efeito em absoluto, ou pelo contrário, será uma parte da Igreja, a parte progressista, que se beneficiará dela? Pode-se dizer que eles gostariam muito de tirar vantagem disso.
O que é interessante, inclusive agora, nesta análise da situação da Igreja, é ver que das torpes palavras que são pronunciadas [pelo papa Francisco], alguns tiram certas conclusões e depois disso surge um “esclarecimento”, uma tentativa de restabelecer a doutrina. Já houve um ou dois esclarecimentos ou intervenções notáveis por parte do Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, que reafirma, com toda clareza e firmeza, os pontos abalados pelo Papa. É como se o Prefeito da Fé tivesse que censurá-lo ou corrigi-lo… É um tanto embaraçoso! Finalmente os progressistas, em determinado instante, vão se decepcionar e dirão que não é o que esperavam. Enquanto isso, o Papa lhes dá uma esperança, uma falsa esperança…
Um Papa modernista?
Eu utilizei a palavra “modernista” [veja aqui]; creio que não fui compreendido por todos. Talvez devesse ter dito “um modernista em suas ações”. Mais uma vez, [Francisco] não é um modernista no sentido absoluto, teórico, um homem que desenvolve todo um sistema coerente; não existe esta coerência. Há linhas – por exemplo, a linha evolutiva – que estão precisamente relacionadas à ação. Quando o Papa diz que quer uma nebulosidade na doutrina, se introduz a dúvida, não só a nebulosidade, mas a dúvida, indo tão longe a ponto de dizer que até mesmo os grandes líderes da fé, como Moisés, deram margem a dúvidas… Só conheço uma dúvida em Moisés: quando duvidou em ferir a rocha! Por causa disso, o Bom Deus o castigou e ele não pôde entrar na Terra Prometida. Pois bem, não creio que esta dúvida seja em favor de Moisés, que em outros momentos era bastante contundente em suas afirmações… sem dar margem a dúvidas.
É realmente surpreendente esta ideia de que deve haver dúvidas sobre tudo. É muito bizarro! Não vou dizer que isto é uma reminiscência de Descartes, mas… isto cria um ambiente. E o que é atualmente perigoso é que se insista sobre isso nos jornais, nos meios de comunicação…
Ele é, de certa forma, o queridinho da mídia; é bem visto, é elogiado, é posto em destaque, mas não chega ao fundo da questão.
Uma situação imutável
Trata-se de um ambiente que passa próximo da situação real da Igreja, mas a situação em si não mudou. Temos passado de um pontificado a outro, e a situação da Igreja permanece a mesma. As linhas básicas continuam sendo as mesmas. Na superfície, há variações: pode-se dizer que se trata de variações sobre um tema muito conhecido! As afirmações básicas são feitas, por exemplo, sobre o Concílio. O Concílio é uma reinterpretação do Evangelho à luz da civilização contemporânea ou moderna – o papa usou ambos os termos.
Creio que deveríamos começar pedindo uma definição muito séria do que é a civilização contemporânea, moderna. Para nós e para os homens comuns, é simplesmente a rejeição de Deus, é a morte de Deus. É Nietzsche, é a Escola de Frankfurt, é uma rebelião quase generalizada contra Deus. Isto se vê em quase todas as partes. Vemos na União Europeia, que em sua Constituição se nega em reconhecer suas raízes cristãs. Vemos em tudo que é propagado pela mídia, na literatura, na filosofia, na arte: tudo tende ao niilismo, à afirmação do homem sem Deus, e até mesmo em rebelião contra Deus.
Então, como podemos reler o Evangelho à luz dessa civilização moderna? Simplesmente não é possível, é um círculo quadrado! Estamos de acordo com a definição que acabamos de dar e dela extraímos consequências que são radicalmente diferentes das do Papa Francisco, que vai tão longe a ponto de expor seu pensamento dizendo: “Olhem para os belos frutos, os maravilhosos frutos do Concílio: olhem a reforma litúrgica!”. Obviamente, isso nos causa um arrepio na espinha! Tendo em conta que a reforma litúrgica foi descrita por seu último predecessor como a causa da crise da Igreja, é difícil ver e entender como, de repente, deve ser qualificada como um dos melhores frutos do Concílio!
Certamente, isto é um fruto do Concílio, mas se este é um belo fruto, então o belo é bom ou mau? Ficamos perdidos!
Por enquanto, nada se faz para curar a Igreja
Até agora, nada foi feito para remediar a situação de desvio, de decadência da Igreja, absolutamente nada, nenhuma medida que afete toda a Igreja. Poderíamos falar da encíclica sobre a fé, mas eu não acho que podemos considerá-la como sendo uma medida eficaz. Certamente que não. Isso não afeta, não cura os enfermos do Corpo Místico, enfermos a ponto de morrer – a Igreja moribunda. O que estão fazendo para sair desta situação? Nada, até agora nada. São só palavras, palavras que entram por um ouvido e saem pelo outro. Alguém poderia dizer que estou sendo muito duro, não sei, mas na prática, onde estão sendo tomadas as medidas anunciadas para acabar com a confusão? Em lugar nenhum. Simples assim.
A Igreja, no entanto, tem as promessas da vida eterna
Nosso Senhor disse muito claramente: “as portas do inferno não prevalecerão contra Ela” (Mt. 16,18). Com base nestas palavras, gostaríamos de dizer a Nosso Senhor: “Mas, o que estais fazendo? Veja, vós estais deixando que as coisas aconteçam, que pareçam ir de encontro à vossa promessa!”. Em outras palavras, nós estamos um pouco surpresos com o que está acontecendo. Estou falando aqui da história da Igreja. Essas palavras [do Evangelho segundo Mateus] – estou convencido disso – foram para a maioria dos teólogos a fonte de declarações sobre a impossibilidade de ver na Igreja justamente o que estamos vendo agora. Consideramos que é absolutamente impossível, por causa da promessa de Nosso Senhor. Bom, então, não vamos negar as promessas de Nosso Senhor, vamos tratar de dizer como essas promessas, que são infalíveis, são no entanto possíveis em uma situação que pareça contrária a elas. Parece que, desta vez, as portas do inferno fizeram uma entrada de primeira classe na Igreja. Creio que devemos ter cuidado, não devemos equivocar-nos. Sobretudo com esses tipos de declarações, declarações proféticas de Nosso Senhor, é preciso manter o significado básico. Essas analogias são muito fortes, há uma realidade que se afirma aqui e que é inegável: as portas do inferno não prevalecerão. E isso é tudo. Mas isso não significa que a Igreja não vai sofrer. Bom, então, até que ponto pode ir este sofrimento? E aqui não há espaço para a interpretação: somos obrigados a ir um pouco mais além do que pensávamos.
Quando pensamos em São Paulo, que fala do Filho da perdição, que será adorado como Deus, vemos que não se trata de um anticristo militar ou, por assim dizer, civil; trata-se de uma pessoa religiosa, uma pessoa que será adorada, que afirma os atos da religião por si mesmo. E a “abominação da desolação” se encaixa nisto? Creio que sim. Portanto, isto significa que há, junto com este anúncio das promessas de indefectibilidade da Igreja, os anúncios de uma época terrível para a Igreja, onde as pessoas farão perguntas, especificamente esta pergunta: mas então, o que aconteceu com esta indefectibilidade, estas promessas de Nosso Senhor? A Santíssima Virgem… As famosas palavras de La Salette, que são repetidas quase literalmente por Leão XIII, não são revelações; é a Igreja, e poderíamos dizer, a própria Igreja em um ato: Leão XIII escreve um exorcismo, esse famoso exorcismo de Leão XIII, porém mais tarde as expressões mais solenes desse exorcismo são eliminadas, [expressões] anunciando que Satanás reinará e estabelecerá seu trono em Roma. Simples assim. Dessa forma, a sede da Igreja de repente se converterá na sede do Anticristo. Essas são as mesmas palavras da Santíssima Virgem: “Roma se converterá na sede do Anticristo”. Estas são as palavras de La Salette. Palavras como “Roma perderá a fé”, “o eclipse da Igreja” são muito fortes e vão de encontro à promessa. Isto não quer dizer que a promessa é nula, é evidente que permanece; mas não descarta um momento de grande sofrimento para a Igreja, que poderia ser considerado como uma aparente morte.
Paixão de Cristo, Paixão da Igreja
Creio que chegamos a esse ponto. A questão permanece: em que medida o Bom Deus pedirá a seu Corpo Místico acompanhar e imitar o que Seu corpo físico teve de suportar, que foi até a morte. Será que chegaremos a esse ponto, ou vamos parar antes? Todos nós esperamos que pare o quanto antes. Creio – não seria a primeira vez – que o Bom Deus vai intervir para restabelecer as coisas, no momento em que todo o mundo estiver pensando: “desta vez acabou”. Creio que esta será uma das provas da origem divina da Igreja. No momento em que todos os esforços humanos se esgotarem, exaustos, em outras palavras, quando tudo estiver terminado, esse será justamente o momento em que Ele atuará. Eu creio. E então será uma manifestação extraordinária de que esta Igreja é a única que é verdadeiramente divina.
A atitude dos fiéis
Em primeiro lugar, devem manter a fé. Pode-se dizer que esta é a principal mensagem de São Paulo, e também foi a mensagem dos tempos de perseguição: ser firme, state [em latim], seguro, permanecer de pé, firmes na fé. Manter a fé não pode ser meramente teórico. O que eu chamo de fé “teórica” existe: é a fé de alguém que é capaz de recitar o Credo, que aprendeu seu catecismo, que é capaz de repeti-lo, e isto é o começo. Mas esta fé não leva ao céu. Isto é o que se tem que aprender. A fé descrita nas Escrituras é a fé que – de acordo com o termo técnico – é informada pela caridade. São Paulo estava falando desta relação entre a fé e a caridade quando disse aos coríntios: “Se eu tivesse toda a fé, até ao ponto de transportar montanhas,” (que não é pouca coisa, já que uma fé que pode mover montanhas não é algo que se vê todos os dias!) “se não tiver caridade, não sou nada… Não sou mais que um bronze que soa, ou um címbalo que tine” (Cf. 1 Cor. 13, 1-2).
Não é suficiente fazer grandes profissões de fé, não é suficiente atacar ou condenar os erros; muitos pensam que cumprem com seu dever como cristãos quando fazem isto, mas é um erro. Não estou dizendo que não se deve fazer isso: deve-se fazer isso, faz parte. Mas a fé que São Paulo e a Sagrada Escritura falam é impregnada de caridade. A caridade é o que dá forma à fé. A caridade é o amor de Deus e, consequentemente, o amor ao próximo. Portanto, trata-se de uma fé que se volta para o próximo, que está, sem dúvida, em erro, e lhe recorda a verdade, mas de tal maneira que, graças a essas recordações, o cristão pode semear a fé, restabelecer alguém na verdade, levar esta alma à verdade. Portanto, não é um zelo amargo, pelo contrário, trata-se de uma fé aquecida pela caridade.
O dever de estado
O que os fiéis devem fazer é o seu dever de estado de vida. Manter a fé, uma fé imbuída de caridade, profundamente ancorada na caridade, que lhes permita evitar o desalento, o zelo amargo e o pesar, e em vez disso, experimentar a alegria, a alegria cristã, que consiste em saber que Deus nos ama tanto que Ele está disposto a viver conosco, viver em nós pela graça. Ele ilumina tudo o que está acontecendo, e dá uma alegria que nos faz esquecer os problemas, remetendo-lhes ao seu lugar – problemas que certamente são muito sérios. Mas, o que são [esses problemas] em comparação com o Céu que se ganha justamente por meio destes sofrimentos? Esses sofrimentos são preparados, organizados pelo Bom Deus, não com o intuito de fazer-nos cair, mas com o propósito de fazer-nos vencer. Como disse São Paulo: “E vivo, já não eu, mas é Cristo que vive em mim”. Isto é tão belo! O cristão é um tabernáculo da Santíssima Trindade, um templo de Deus, um templo vivo!
O papel da Fraternidade São Pio X
Sua principal preocupação é com aquilo que de fato mantém a Igreja viva: a Missa, o Santo Sacrifício da Missa, que é a aplicação concreta, quotidiana dos méritos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Tudo foi merecido na Cruz, que é verdadeiramente a totalidade das graças para todos os homens, desde os primeiros pais, Adão e Eva, até os que estão no fim do mundo. Todas as graças que recebemos nos foram merecidas por Nosso Senhor na Cruz. A Missa é a perpetuação, a renovação, a representação deste sacrifício; no altar há um sacrifício idêntico ao da Cruz, que em cada um e em todos os lugares estão à disposição dos cristãos (por extensão, pode-se dizer à disposição da humanidade) os méritos de Nosso Senhor, sua satisfação, sua reparação, a fim de obter o perdão de todos os pecados, desse oceano de pecados cometidos todos os dias, e também para obter as graças que necessitamos. A missa é realmente a bomba que distribui em todo o Corpo Místico as graças merecidas na Cruz. É por isso que podemos dizer: é o coração que distribui através do sangue tudo o que as células do corpo necessitam. Assim podemos dizer da missa: é o coração. Ao cuidar deste coração, nos encarregamos de toda a vida da Igreja.
Restaurar a Igreja através da Missa
Se queremos uma restauração da Igreja, e certamente queremos, devemos ir a este lugar: à fonte, e a fonte é a Missa. Não qualquer liturgia, mas uma liturgia extremamente santa. Santa a um grau inimaginável. Uma liturgia que tem uma santidade extraordinária, que foi verdadeiramente forjada pelo Espírito Santo através dos séculos, redigida pelos papas santos e, portanto, com uma profundidade extraordinária. Não há absolutamente nenhuma comparação entre a missa nova e esta missa antiga. Na realidade, são dois mundos diferentes e, estava a ponto de dizer, os cristãos ao menos um pouco sensíveis à graça se dão conta disso rapidamente. Muito rapidamente. Infelizmente, hoje em dia observamos que muitas pessoas nem sequer a conhecem. Mas pra mim é evidente que a restauração da Igreja tem que começar por aí. Portanto, é por isso que sou profundamente grato ao Papa Bento XVI por haver restabelecido a Missa. Isto foi de uma importância capital. É de uma importância capital.
Formação dos sacerdotes
A Fraternidade preserva a Missa, quer esta Missa, e também preserva quem a diz, e não há outro que possa fazê-lo senão o sacerdote, somente o sacerdote. Portanto, este é propriamente o verdadeiro propósito da Fraternidade: o sacerdócio, o sacerdote, formar sacerdotes, ajudar os sacerdotes, sem nenhuma limitação, sem restrições, nada deve ser descartado, nada! É o sacerdote como Nosso Senhor quer. Lembrando-lhe justamente dos tesouros que muitos ignoram hoje, o que é uma tragédia.
Redescobrir o espírito cristão
A missa é ainda mais importante. A missa é o que transmitirá a fé, é o que alimentará a fé. Obviamente, se alguém celebra a Missa sem fé, é um grande problema. Porém não é uma questão de provocar antagonismos, mas uma questão de unir o que se supõe que deve estar unido. Mas creio que com esses dois elementos [sacerdócio e missa] já temos grandes recursos para a sobrevivência da Igreja. Todo mundo sabe que a Igreja foi atacada em vários níveis; no entanto, o problema mais profundo – estou convencido disso – é a perda do espírito cristão. Os cristãos chegaram a ser como o mundo. Disseram a todo instante que era o objetivo do Concílio para acomodar-se ao mundo moderno. Bem, não, isso não é possível! Vivemos neste mundo, por isso utilizamos um monte de coisas que são da ordem de circunstâncias históricas concretas, que passam. No fundo, o que permanece é o apego ao Bom Deus, o serviço prestado ao Bom Deus, que inclui, é claro, a fé, a graça e este espírito cristão. Queremos ir para o céu, temos que ir para o céu, e para isso devemos evitar o pecado e fazer o bem. As duas coisas. Enquanto não nos voltarmos a esses fundamentos, a Igreja vai continuar, por assim dizer, a ser maltratada por um vírus letal, que é o vírus do mundo moderno, especificamente da civilização moderna.
O triunfo do Imaculado Coração de Maria
“Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará”. Esta é uma declaração absoluta, que não está condicionada pelo que se passou antes. E é de fato uma declaração que fixa e estabelece a esperança, como uma rocha. Obviamente, como este triunfo parece estar relacionado com a consagração (da Rússia), estamos pedindo a consagração – isso é completamente normal. Quanto tempo teremos que esperar para ver cumprir-se o que foi solicitado? Ou será que o Bom Deus, mais uma vez, terá que contentar-se com o de menos? Não sabemos. O que sabemos é que no final este triunfo chegará. E, portanto, isto é uma certeza. Não vamos falar de uma certeza de fé, porque isto não é uma questão de fé, mas uma palavra dada pela Santíssima Virgem, e sabemos muito bem o quanto vale a sua palavra! Isso é tudo.
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Fonte
DICI. Entretien avec Mgr Bernard Fellay, Menzingen, novembre 2013. Em:

76 Comentários to “Entrevista de Dom Bernard Fellay, superior da FSSPX, sobre o Papa Francisco.”

  1. A fraternidade tem os seus méritos,mas querer que todos voltem a celebrar a missa tridentina é de uma utopia inacreditável. A missa tridentina terá o seu espaço assegurado, mas a “nova” missa, quer queiram ou não, continuará a ser muito mais celebrada em todo o mundo, entre outras razões porque cada vez menos pessoas sabem o Latim, e a situação só tenderá a pior, pois as futuras gerações pouco ou nada se interessarão em aprender Latim. Além disso a nova forma de celebração da missa tem o mérito, aqui no Brasil, de evitar que muitos aderissem ao Evangélicos da Teoria da Prosperidade. Fico imaginando os fiéis do Padre Marcelo Rossi, em uma missa tridentina. Creio que,pelo menos, 99% sairia correndo para o templo da Igreja evangélica mais próximo. Portanto, meus caros como o Papa Francisco bem disse o Catolicismo é formado por muitos “rostos” ; a missa tridentina é um desses ” rostos”, mas a nova missa também é um rosto católico. Sendo assim, o melhor que nós Católicos temos a fazer é unir forças e não lutarmos entre nós, pois com tal divisão apenas os neo pentecostais evangélicos é que sairão ganhando.

    • Carlos Henrique,
      Não é necessário saber latim para participar da Missa, é necessário saber a Missa. De qualquer forma, todos os missais tem duas colunas, uma em latim e outra na língua do país onde foi feita a impressão. O verdadeiro católico, assiste à Missa todos os domingos e acaba por apreender todas as partes da liturgia quando esta se mantém constante. Ademais, no Rito Tridentino, a leitura do evangelho e a homilia são sempre feitos na língua pátria. Talvez você não conheça a Missa Tridentina, a beleza e piedade do rito, a força do canto gregoriano, o ambiente de profundo respeito ao Sacrifício do Nosso Senhor. Não deixe de assistir um vídeo no youtube chamado “A Missa do Futuro”. Ali estão várias informações que merecem ser pesquisadas, principalmente a fala de Lutero: “destrua a Missa e todo o papado será destruído”. Voltando ao Latim, não subestime o valor desta língua, e procure saber da sua importância para a nossa formação cristã.

    • Caro Carlos, tenho duas objeções com relação às suas afirmações:

      Primeiro, afirmar ser “uma utopia inacreditável” que todos voltassem a celebrar a Santa Missa Tradicional. Ora, mas se de TODA a Igreja (exceto os católicos orientais) celebrava o mesmo rito milenar e, “do dia para a noite” foi imposto um novo rito tirado praticamente “do nada”, por que seria impossível fazer tal mudança uma vez que esse novo rito possui apenas 50 anos?

      Segundo, afirmar que a impossibilidade de se retornar ao rito de sempre se daria devido à ignorância dos fiéis quanto ao latim. Basta vermos o exemplo mostrado em uma das últimas postagens do Fratres (a resistência dos católicos ingleses) para vermos que saber ou não o latim não é condição (exceto para o sacerdote) para se oferecer a Santa Missa Tradicional. Ademais, como foi dito no comentário do A. Carlos, antes de qualquer coisa devemos lembrar que a Missa é para Deus e não para nós. É essa diferença a que vemos justamente nas showmissas de padre Marcelo Rossi e Cia… Pessoas que lá estão porque “é a missa do pe. Marcelo, aquele da tv” ou porque nessas missas “me sinto bem” ou nessa missa “me sinto em um show” ou essa missa é “mais animada” etc. Eu mesmo tenho algumas tias que passam meses sem passar perto de uma Igreja.. Mas 1 vez ao ano se organizam e cruzam a cidade para ir à missa do pe. marcelo. E o que é mais triste… comungam!

      Diante disso tudo, não é difícil chegar a uma conclusão diante da seguinte pergunta: será que as milhares de pessoas presentes na missa do pe. Marcelo Rossi sabem exatamente o que é uma missa, o que fazem ali ou o porquê de se ir à missa?

      Concordo contigo quando diz que em uma Missa Tridentina 99% dos fiéis do pe. marcelo sairia correndo. Mas a culpa seria da Missa? Ou dos próprios “fiéis” e do próprio pe. Marcelo (juntamente com Dom Fernando, CNBB e a “nova forma de ser igreja”)? E o que fazer diante disso? Reapresentar a genuína fé católica com sua história, doutrina e sacramentos aos fiéis (mesmo que dentre esses só alguns se disponham a vivê-la) ou deixar que milhões continuem iludidos em meio a celebrações sacrílegas (showmissas) ou a um rito que não expressa de forma plena a Fé verdadeira (Missa Nova) acreditando viver a Religião Católica?

      Creio, assim como mencionado na entrevista de Dom Fellay, que a solução virá quando acreditarmos estar tudo acabado. Então, de forma inesperada ou até mesmo sobrenatural veremos a intervenção de Deus em sua Igreja. Embora o momento atual não pareça ser o mais propício para que isso venha a acontecer, quem sabe não aconteça ainda sob o pontificado do papa Francisco.

      Para Deus, nada é impossível.

    • Senhor Carlos Henrique,

      A missão precípua da Igreja é salvar as almas do inferno e não dos PROTESTANTES.

      A Igreja, pelos meios de santificação, nos faz soldados e revesti-nos das armas necessárias para o combate contra os nossos principais inimigos(que nos atrai ao pecado): a carne, o mundo e de seu assecla; o demonio.

      Quando o senhor alega que “Catolicismo é formado por muitos “rostos”; a missa tridentina é um desses ” rostos”, mas a nova missa também é um rosto católico…” me parece(espero está errado), caso houvesse mesmo uma restauração a partir da Santa Missa, que o senhor já aventa ser um desses que irá correr aos hereges protestantes, ou ainda, permanecer entre os outros: do animador de missas, padre Marcelo.

    • Carlos, é mais fácil acabar com a RCC e o avanço protestante ensinando aos católicos a devoção católica tradicional e seu catecismo antigo (o Segundo Catecismo, da Ed. Vozes, ou o Terceiro Catecismo – S. Pio X, à venda na internet) do que ficar no marasmo da Missa Nova e do blá-blá-blá humanista (liberal maçônico, protestante carismático neopentecostal ou marxista da TL).

      Adere à teologia da prosperidade quem não foi instruído na fé católica ou nunca a aceitou por gostar mais dos bens deste mundo do que dos do outro (é sempre o problema de ignorância ou má-fé). RCC não previne evasões – é só uma ante-câmara ao protestantismo, seja ele dentro da Igreja ou fora dela, nos templos protestantes mesmo.

      Papo de RCC: “…unir forças e não lutarmos entre nós…” Claro, desde que nos rendamos ao protestantismo e nos unamos aos seus amigos da RCC, não é?, e não o contrário.

      RCC: essa coisa é do diabo mesmo!

      D. Fellay falou melhor do que o Papa Francisco e fez um diagnóstico preciso de mais uma covardia doutrinal de Roma.

    • Engano seu, meus três filhos de 5, 4 e 3 anos já sabem rezar tanto a Ave Maria (ou, como diz meu filho do meio a ‘Rave Maria’), quanto o Pai Nosso em português e em latim. Conhecem também Ave Verum Corpus e eu estou ensinando agora o Salve Regina.

      Em todos os escritos da irmã Lúcia, uma criança ignorante e analfabeta do interior uma província de Portugal, não se vê uma reclamação quanto ao fato da Missa ser em latim. Ora, se uma criança como ela santificou-se nesta missa, muito mais proveito tiraremos nós na “era da informação”. Não há desculpa.

    • Duvido sinceramente que, expostos à Missa perene, os católicos desavisados “saíssem correndo” para o templo protestante mais próximo. A bem dizer, temo que a protestantização de nossa liturgia tenha sido justamente a condição de possibilidade para que tantos católicos nominais atravessassem a rua para os cultos protestantes: tornaram-se, na prática, indistintos. O sentimento é o de quem trocasse o seis por meia dúzia.

      Meu ceticismo em relação ao exposto por Carlos Henrique, contudo, deve-se sobremaneira ao fato reiteradamente atestado de que a alma humana, por mais vilanizada que se encontre, diante do verdadeiramente belo e bom, reconhece-o e prostra-se admirada. Mesmo o mais selvagem, o mais bárbaro, o mais aculturado é tomado de encanto ao ouvir, de relance, uma sinfonia barroca. Como disse alguém dos missionários jesuítas, “dessem-lhes uma orquestra e conquistariam para Deus todo o Novo Mundo”. A orquestra, obviamente, não se limitava a imitar os sons já conhecidos aos nativos.

      Esses que buscam as showmissas marcelinas, como reagiriam se, uma vez na vida, fossem expostos à liturgia imemorial da Igreja? É fato que escolhem conscientemente a aeróbica ecumênica, ou esta é, na verdade, a única opção que se lhes apresentou em toda sua existência? Pode alguém realmente não amar a Deus após vislumbrar Sua face?

  2. Só faltou o principal, Carlos Henrique: a missa é para Deus. Ela não é um ritual mundano, ela é um ofício sagrado. E a missa nova desagrada a Deus. Pode ser até que a missa nova nos ajude a converter neopentecostais (duvido muito, acho que você não sabe do que está falando), mas de que adianta ganhar o mundo e perder a alma? Se não voltarmos rápido à Missa Tradicional, a situação do mundo só vai piorar. Todo o dia vemos como catástrofes tais como desastres naturais e outras tragédias aumentam cada vez mais em número. É o castigo. Logo o céu vai chover fogo para limpar o mundo da sodomia, a não ser que a ira divina seja aplacada..

  3. O Papa Bento XVI era um homem de doutrina, mas jogou a toalha e não resolveu a crise. Precisamos de um Papa igual a São Pedro: vacilante, fraco mas por confiar em Deus, torna-se corajoso, audaz e ama a Cristo mais do que os outros.

    Rezo para que o Papa Francisco ame a Cristo mais do que os outros e nisso faça a diferença. E então o próprio Cristo será a rocha que o sustentará.

    • Já o temos: vacilante entre a ortodoxia e o humanismo liberal ou marxista, audaz para entrevistas, fraco na doutrina e daquela humildade de Pedro no lava-pés…

  4. Acho que o sr. Carlos Henrique não compreendeu ainda realmente a luta pela restauração da Liturgia Romana. O fato de a Liturgia ter o Latim como língua litúrgica nunca foi um empecilho para que os fiéis compreendessem o seu significado e que aderissem a ela com devoção. O mais importante na Liturgia Romana são suas orações e as disposições do rito, elas são a manifestação perfeita da fé católica. A língua latina é um fator importante, porque ela reflete a unidade da fé da Igreja e realça a sacralidade do culto.
    Desde antes do Concílio os modernistas sabiam que mudança do culto católico era um fator determinante para a modificação da fé católica e para a consequente derrubada de seus dogmas. A Igreja só voltará a se reerguer quando os fiéis clérigos e católicos se voltarem para a Liturgia Romana tradicional.

  5. Enquanto os católicos não considerarmos que a reforma litúrgica promovida pelo Concílio Vaticano II é legítima e que existe uma diferença abissal entre a Missa Nova e as mudanças ilegítimas e os abusos daí decorrentes, bem como que a Missa Tridentina permanece, igualmente, como forma legítima de celebração do mesmo rito, não será possível um convívio pacífico entre tradicionalistas e progressistas, sem disputas e acusações mútuas. Com efeito, será difícil mostrar ao mundo a beleza do Evangelho enquanto, internamente, continuamos divididos. Nesse ínterim, o diabo tripudia, do mundo e de nós…

    • Parabéns pela sua sensata colocação, Lister Leão.

    • Enquanto isso Deus Nosso Senhor vai separando os seus do joio….

    • No dia 5 de maio de 1964, Bugnini é nomeado por Paulo VI como Secretário da Comissão responsável pela elaboração do Novo Ordo. Em março de 1965, o Osservatore Romano divulgou declarações desse monsenhor:
      “Desejo eliminar [do futuro Rito em elaboração] cada pedra que pudesse se tornar ainda que só uma sombra de possibilidade de obstáculo ou de desagrado aos irmãos separados” (L’Osservatore Romano, de 11 de março de 1965; Doc. Cath. Nº 1445, de 4/4/1965, coll. 603-6040).

  6. Oremos muito! a situação realmente é confusa…contraditoria…vacilante!!!
    DEUS e MARIA nos acudam!

  7. Lister, a sua opção é pela “paz litúrgica”. Nos dias de hoje essa posição já é de se adimirar, porém, se quisermos ser honestos e claros é preciso que respondamos algumas perguntas: A Missa Nova reflete a mesma lex credendi da missa tradicional? Se sim, tudo bem. Caso contrário, não podemos colocar as duas em mesmo pé de igualdade e teremos que ser suficientemente corajosos para dizer isso. Porém, só seremos capazes de reconhecer essa diferença abissal entre uma e outra se nos dermos o trabalho de estudar as orações da Missa Tradicional cuidadosamente e o espírito que anima e uma e outra. Veja que nas discussões durante o Concílio as reações conservadoras contrárias à Missa Nova foram justamente contra o rito da Missa Nova e não a missa nova abusada.

    Não há como existir um convívio pacífico entre progressistas e tradicionalistas.

    • Maria [1],

      1.º Minha opção não é pela “paz litúrgica”, mas pela interpretação que a Igreja dá acerca das duas formas legítimas de celebrar o mesmo rito romano.

      2.º Se a Missa Nova reflete a mesma lex credendi da Missa Tradicional? creio que sim, com base no que ensina a Igreja.

      3.º Não estou habilitado para colocar as duas formas de celebração em pé de igualdade. Quem as coloca assim é a própria Igreja, quando as propõe como formas legítimas e seguras de celebração e, por isso, sem mais questionamentos, acato.

      4.º Concordar com a Igreja não significa covardia, mas certeza de não se enganar.

      5.º Juntamente com a Igreja, acredito que o Espírito que anima ambas as formas de celebração é o mesmo: o Espírito de Deus.

      6.º Embora os tradicionalistas tenham se manifestado contra a Missa Nova durante o Concílio, a Igreja a referendou, e, no fim das contas, é isso que importa para o católico comum, não os pormenores dos bastidores.

      7.º Portanto, assim como a Igreja, não vejo diferença de valor, assim como Bento XVI disse, entre as duas formas de celebração. Elas se enriquecem mutuamente.

      7.º Agora, se queremos falar de riqueza no simbolismo e na beleza dos paramentos, considero óbvio que o ambiente mais propício seja a Missa Tridentina, embora o simbolismo e a beleza possam ser mais cultivadas na Missa Nova. Por isso penso que seja necessário fazer um intercâmbio entre as duas formas.

    • Lister Leão, entenderei que o certo é o contrário do que escreveu em sua resposta a Maria[1].

  8. Acabei de ler o texto agora. Excelente!!!! Gostei sobre tudo dos últimos parágrafos (“Dever de Estado” e seguintes). Dom Fellay fala de maneira equilibrada e com clareza. Creio que houve uma evolução em sua maneira de se expressar.

  9. «A missa tridentina terá o seu espaço assegurado, mas a “nova” missa, quer queiram ou não, continuará a ser muito mais celebrada em todo o mundo, entre outras razões porque cada vez menos pessoas sabem o Latim, e a situação só tenderá a piorar, pois as futuras gerações pouco ou nada se interessarão em aprender Latim». (…)

    Este é o típico comentário daqueles que ainda não sabem o que é a Santa Missa.
    (Eu próprio, antes de conhecer a FSSPX, também ignorava o que é a Santa Missa quando frequentava a Missa Nova).

    Muitos vão à Missa Nova para si próprios, para ver os amigos, ou para serem visto pelos outros. E muitos se esquecem de Deus logo quando entram na Igreja, não olham se há uma lamparina acesa e assim se “esquecem” de saudar o Dono da Casa em primeiro lugar.
    Depois aguardam pelo início da Missa com a cabeça levantada para ver quem vem e como vem vestido.
    Não se preparam para a Missa porque a Missa Nova os “ensina” a ser assim mesmo.
    (Não digo todos, mas alguns).

    Cabe aqui lembrar as palavras, creio que de António Aleixo, um poeta português:
    « Tu não vais a Fátima para orar à Virgem Mãe. Tu vais a Fátima para que os outros vejam que tu vais também ».

    A Missa Nova:
    É uma Missa para o sacerdote que se esforça para tapar o Sacrário com a sua presença.
    É uma Missa para o povo que se esforça para “participar numa festa”.
    Deus Pai, para quem a “Missa” foi oferecida no Calvário é esquecido.
    Deus Filho, Sacerdote e vítima, na Comunhão é muitas vezes “olhado” de cima para baixo, nem sequer uma genuflexão merece e é muitas vezes recebido na mão, como se fosse uma “coisa qualquer “.
    E Deus Espírito Santo, veículo das Graças de Deus, o que faz?…

    A tudo isto eles chamam “frutos do CVII”, e refugiam-se na ignorância do Latim para falar contra a Missa Tridentina.

    O Latim foi a língua oficial do CVII. E é desde à muitos séculos a língua oficial da Igreja, Santa, Católica e Apostólica.
    Quem tem que saber o significa das palavras em Latim é o Sacerdote. O povo participa na Santa Missa unido às intenções do Sacerdote.
    O povo está presente na Santa Missa não por si nem para si mas em união com o Sacerdote. E aquele Sacerdote, com semelhanças físicas com alguém que conhecemos, não tem nome. Ali, ele é Jesus Cristo.

    O povo não precisa de saber o significado das palavras em Latim, assim como o Sacerdote não necessita de povo para oferecer os méritos do mesmo Sacrifício do Calvário que Jesus Cristo ofereceu.

    Jesus Cristo nos deixou um Tesouro que não se consome, Ele Próprio, “escondido” nesse pedaço de pão.

    «… offérimus praeclarae Majestáti tuae de tuis donis ac datis, HÓSTIAM PURAM, HÓSTIAM SANCTAM, HÓSTIAM IMMACULÁTAM, Panem Sanctum, vitae aetérnae, et Cálicem salútis perpétuae.»

    (… oferecemos à Vossa preclara Magestade, dos dons de que Vós próprio nos fizestes mercê, a Hóstia Pura, Hóstia Santa, Hóstia Imaculada, o Pão Santo da Vida Eterna e o Cálix da Eterna Salvação).

  10. Caro Lister, com todo o respeito, creio que seria interessante o amigo se aprofundar no assunto. O que menos importa nessa discussão é a questão da legitimidade. Se a Missa Nova foi “canetada” pelo papa e ratificada ela é juridicamente legítima. Dom Fellay não questiona a validade da missa. A questão é bem outra.

    Sugiro empreender um pouquinho de esforço e ler TODAS as orações e rubricas da missa tradicional. Depois faça a si a pergunta: Cadê o Ofertório que estava aqui? Onde estão as genuflexões, os sinais da cruz e etc? O gato comeu?

    Separe um tempinho para ler análises como as do Sr. Arnaldo Xavier da Silveria e de outros autores como o Michael Davis. Acho que o Fratres publicou.

    Estude também o que se perdeu na Missa Nova em relação à missa tradicional. Evidentemente que quando se quer defender a Missa Nova, se diz, com toda razão, que ela poderia ser assim ou assado (versus deum, em latim, com comunhão só na boca e de joelhos e etc.) Na prática, os padres que assim argumentam só fazem isso para inglês ver, ou seja, em ocasiões especiais, para exemplificar aos fiéis, sobretudo, os tradicionais (e não a seus paroquianos habituais cotidianamente) como é a verdadeira Missa Nova sem abusos.

    Quanto ao item 7, parece-me que você faz uma leitura equivocada da reivindicação dos tradicionalistas. Não estamos atrás de simbolismo e beleza dos paramentos. Queremos o essencial – que é o próprio rito com a riqueza de suas orações e rubricas, que expressa de maneira clara, bela e sublime os mistérios da fé. Os paramentos e vasos sagrados apenas refletem a sacralidade e beleza de toda a celebração.

    • Maria [1],

      Acredito piamente que esses santos e piedosos elementos da forma extraordinária podem ser resgatados na missa da forma ordinária, mas isso não será possível atacando-a, mas promovendo mudanças e adequações gradualmente. É assim que acho que a coisa pode funcionar. Quanto mais os tradicionalistas rejeitarem o diálogo com os progressistas, mais os progressistas se agarrarão às suas práticas nem tão ortodoxas. Aí não haverá progresso.

      Não se trata aqui de evitar travar um diálogo com o “demônio”, afinal, a forma ordinária não é coisa dele, embora ele tenha se utilizado dela para desvirtuar as almas, mas de aplicar “bandagens sobre feridas”, atenuar e até neutralizar bloqueios psicológicos, resistências racionalistas, como é próprio de quem vê suas convicções ameaçadas. É assim que vejo a ação da Igreja nesse campo delicado.

      Sim, você tem razão, precisamos nos aprofundar nas minúcias da razão de ser do eterno evento salvífico que celebramos…. se soubéssemos todos o que acontece diante de nós… se soubéssemos a realidade que se esconde por trás do véu da nossa cegueira e ignorância espiritual, em cada celebração, tremeríamos e choraríamos diante do escândalo que é a “agonia e morte amorosas do Poderoso e Soberano Deus Altíssimo”. Contudo, é necessário que os tradicionalistas, sem deixar seus guetos virtuais, encampem os apostolados catequéticos nas paróquias. Mudanças de mentalidade são feitas gradualmente com exemplo e formação, não com acusações.

      Infelizmente, em vez de “botarem a mão na massa”, sem medo de encarar as fétidas e putrefatas feridas da heresia nos meandros da catequese de suas paróquias, alguns tradicionalistas limitam-se apenas a multiplicar e compartilhar criticas facebookeanas, isolando-se num mundo litúrgico ideal, na sua capela pessoal cor de rosa.

      O professor Olavo de Carvalho (sim, eu sou olavete assumido) costuma dizer que, se não assumirmos os postos que os revolucionários conquistam há décadas, a coisa nunca mudará.

      Quanto ao “essencial” penso que seja equivocado dizer que ele não esteja preservado na Missa Nova, pois, do contrário ela nem seria válida. Com efeito, a essência da Missa é o Sagrado Cânon. É ele elemento dogmático na Celebração Eucarística. Todo o resto é acessório (não estou diminuindo o valor do que seja acessório na Missa, mas dando o devido valor ao essencial que é o Sagrado e Excelso Cânon, com efeito, o que é acessório ou secundário não quer dizer que seja dispensável).

      Vai aqui o meu e-mail pessoal: listercomshalom@gmail.com. Gostaria, se puder, que me enviasse material de instrução acerca da liturgia tridentina, animei-me com suas argumentações. Como pesquisador independente que sou, agradeceria poder me instruir com a sua preciosa ajuda.

  11. Mons Klaus Gamber, especialista em liturgia, no livro de sua autoria, A Reforma da Ligurgia Romana, chamou a Missa Nova de câncer na Igreja, e o Cardeal Ratzinter, prefaciando este livro chamou de liturgia fabricada. O Papa Bento XVI disse que os católicos devem se preparar para um futuro em que o número de católicos se reduzirar a um pequeno número e tambem para o martírio. Uma profecia? Todo país ou reino tem a sua língua própria. Por que a Igreja, que é tambem um Reino, não ter a sua língua própria. Não se pode dizer: a Missa não deve ser em latim porque o povo não entende latim. No caso do Brasil a Missa é em portugues. O povo entende a Missa? Não. O que nós devemos pedir a Deus é que nos mantenha na Igreja Dele, a Igreja de Sempre. Quem preferir oba-oba, saia. Como disse São Paulo. É preferível que saiam para que se saiba que nem todos são dos nossos. Mas, o pior é que não saem, porque o que eles querem mesmo é ficar para de dentro destruirem a Igreja.

  12. Lister Leão,
    Só faltou você dizer que aqueles que defendem o Rito Tridentino estão fora da Igreja. O comentário do item 7 denota certa superficialidade quanto ao entendimento da questão e a sugestão de um intercâmbio é quase absurda; o que poderia ser isto, a criação de um terceiro rito?

    • Cristina,

      Não sugiro a criação de um “terceiro rito”, afinal, não passo de um leigo comedor de rapadura. O que disse é apenas o cotejo do que disse Bento XVI que, no seu livro-entrevista, afirmou que ambas as formas de celebração podem enriquecer-se mutuamente.

      Ainda bem que eu não disse que o “rito tridentino” (a rigor, forma tridentina), está “fora da Igreja”, assim, eu mesmo estaria me colocando, de certa forma, também fora da Igreja.

      Não, não penso assim. Aliás, porque sou meio-progressista, meio-tradicionalista (não no sentido pejorativo dos termos), não sou obrigado a ser herege lato sensu, no que distingue cada grupo quando ousam discordar da Igreja.

      A minha segurança está em seguir os passos da Igreja, aonde ela for, eu vou, pois não recebi a autoridade de dizer a Verdade, mas foi ela, em que pese, às vezes, não compreender bem suas diretrizes. Com efeito, não sei a razão pela qual o médico me receita um remédio, às vezes, amargo, intragável, mas confio na sua autoridade, antes de confiar na arrogante e inepta racionalização condicionada dos meus julgamentos.

      Desculpe-me a aparente superficialidade ao falar da forma tridentina, não foi minha intenção. Mas explico: o ínterim do palavreado foi exemplificativo, não pretendi esgotar todas as virtudes da honorável forma extraordinária.

    • Caro Lister,

      Também sou uma simples comedora de rapadura e parafraseando Gustavo Corção posso dizer que ‘cheguei atrasada em tudo …’ e demorei para entender a situação da Igreja, mas consegui me situar a partir da Missa celebrada no Rito Extraordinário. Não me considero uma tradicionalista e sei que não sou progressista, essas formas imprecisas que encontramos para identificar os diversos tipos de católicos que existem hoje. Reconheço nos tradicionalistas um valor inestimável, desde a precisão com a qual buscam explicar a doutrina até a capacidade de resistir, quase que ilhados, ao que poderíamos chamar de ‘ataques’ de todos os outros grupos. Encontrar uma missa celebrada no Rito Extraordinário na minha cidade foi uma graça que recebi de Nosso Senhor realizada por meio do esforço destes ‘resistentes’.

      Gostaria de explicar que tenho muita dificuldade em aceitar o que você chama de ‘intercâmbio’ e já li sugestões parecidas em postagens feitas por ocasião de uma aula do Padre Paulo Ricardo sobre o assunto. Propor alterações nos dois ritos para que os mesmos se aproximem, significa a destruição do Rito de Sempre e isto jamais será aceito por quem conhece as excelências deste e define o Rito Ordinário como protestantizante.

      Não tenho nenhuma solução e nem proposta, só não gostaria de voltar a assistir missas celebradas por comunistas teólogos da libertação ou por padres corretos, mas que necessitam da ajuda dos alegres ministros da eucaristia, vestidos de túnicas como se fossem pastores(as) protestantes. Quando não estão saltitantes na Igreja, com ares de muita importância e dedicação na distribuição da Eucaristia, se prestam a catequizar nossas crianças sabe-se lá com qual tipo de formação. Não estou exagerando. Há alguns anos não frequento minha antiga paróquia, mas levei minha filha mais nova e minha sobrinha para a catequese de lá. Na páscoa deste ano colocaram as crianças para queimar papéis em uma bacia de barro, só faltaram os incensos indianos. Nestes papéis elas foram orientadas para escrever os seus ‘defeitos’, afinal, o pecado não existe mesmo, não e? Claro que as retirei de lá e esta foi minha última tentativa de participar desta paróquia modernista. Agora é só em caso de necessidade.
      Obrigada pela atenção e que Deus o abençoe.

  13. N é só o papa que n é chegado em Doutrina. Os bispos, os padres e PRINCIPALMENTE os fiéis tb n são e babem o quanto quiser: a grande maioria dos tradicionalistas tb n!
    Tive que escolher entre a Doutrina e o que tinha. Fiquei com a Doutrina!

  14. Pelos frutos se conhece a árvore. Esta frase é bem conhecida, portanto ninguém irá estranhar seu significado.

    Digamos que a Missa nova, tal como ela é celebrada na prática da Igreja, é uma árvore; agora peguemos seus frutos: honestamente, quantos são bons e quantos sãos maus?

    O mesmo pergunto sobre a Missa Tradicional.

    Se a Missa nova for rezada como Bento XVI rezava, menos mal, talvez até faça bem apesar de nunca substituir a Missa Verdadeira, resultado de uma Tradição que só se valorizou ao longo dos séculos. Mas se for como é na maioria dos lugares, sem disciplina ou unidade, os frutos podres só crescerão ainda mais em número e a consequência é umas pessoas que ficam se pegando em modinhas como as missas do padre Marcelo Rossi, que um dia perderão a graça, como todo show, e o que vai acontecer com essas pessoas? Só Deus sabe ao certo, porém podemos imaginar.

    O fato, divino, histórico e lógico, é que a Missa Tradicional oferecia a realização da boa catequese de antigamente a que os católicos eram orientados para chegar até Cristo na hóstia consagrada dignamente, e o lucro foi uma Igreja grande, a maior, sempre crescente e gloriosa, não porque este era o objetivo mundano mas porque esta foi a consequência do trabalho dos santos em construir, desde a terra, o Reino de Jesus Cristo.

  15. Lister Leão,

    Ótimas considerações.

    Acredito que para uma ótica da continuidade a Forma Ordinária piedosamente celebrada pode ainda ser enriquecida pela Extraordinária em elementos que nem foram formalmente abolidos, antes, recomendados, mas praticamente abandonados, como por exemplo, o uso do latim.

    Eis algumas dicas de sadia criatividade litúrgica para o nosso tempo:
    1: celebração versus Deum
    2: uso de véu
    3: casula romana
    4: somente rapazes no acolitato
    5: arranjo beneditino
    6: Missa estacional versus Deum
    7: Comunhão de joelhos, na boca
    8: canto gregoriano
    9: dedos unidos após a consagração
    10: uso do latim

    Fonte: http://internautasmissionarios.blogspot.com.br/2012/09/dicas-para-criatividades-na-liturgia.html

    • Pe. Francisco, sua bênção.

      De fato, acredito que a melhor coisa a ser feita é partir para o intercâmbio, de forma diplomática, sem acusações mútuas. É preciso paciência com as limitações e os equívocos alheios.

      Tradicionalistas e progressistas (não no sentido pejorativo dos termos), podem aprender mutuamente na partilha de suas autênticas experiências litúrgicas.

      A piedade popular se ressente da ausência ou minimização do simbolismo, da reverência, da beleza e do zelo litúrgicos; por outro lado, a mesma piedade popular moderna (no sentido de atual), anseia por uma liturgia que lhe permita participar mais ampla e ativamente do culto divino.

      Rezo também para que esse intercâmbio se projete sobre as celebrações do rito oriental, cuja liturgia são de uma sublimidade singular. As celebrações do rito maronita, por exemplo, onde o Sagrado Cânon é rezado em aramaico, têm um significado intrinsecamente histórico-bíblico incontestável e que pode ser explorado como elemento que nutrirá também a piedade do povo.

      É claro que erram os modernistas ao refutarem o uso do latim, erram ainda, os modernistas-históricos que refutam o latim sob o argumento de que esse não foi o dialeto da primeira missa rezada por Jesus.

      É claro que o latim não é a língua própria da primeira liturgia celebrada pelo Cristo, mas é a língua que o próprio Espírito Santo deu à Igreja. É a língua do Espírito Santo. É uma língua dita “morta” porque morreu, de fato, para o mundo, mas foi providencialmente ressuscitada como o Cristo, eternizada e reservada com exclusividade para a Igreja, assim como o que lhe é próprio como o único e eterno sacerdócio, onde se reserva a alma sacerdotal para o exclusivo serviço do povo de Deus.

      Por isso é incompreensível e até impiedoso querer abandoná-la. Mas se a liturgia se abrisse também ao rito oriental, obedecidas as normas canônicas atinentes, acredito que poderíamos beber das múltiplas manifestações litúrgicas da origem, daquela liturgia inaugurada por Jesus, juntamente com o uso do latim que sempre e sempre será o modus loquitur da nossa Mãe Igreja.

  16. Realmente alguns comentários me surpreenderam pelo fanatismo exacerbado. Falar que a missa nova é a responsável pelas catástrofes climáticas que ocorreram nas últimas 5 décadas é de uma loucura total. Por acaso não ocorreu nenhum desastre natural, ou inúmeras guerras antes da instituição da missa nova? Quanto aos que creem que o Papa Francisco irá acabar com a missa nova estão completamente enganados. Basta reler atentamente a Exortação Apostólica Evangelli Gaudium para ver em um dos parágrafos que o Santo Padre “ironiza” aos que se preocupam apenas com a posição dos cálices ou certos paramentos. A missa nova veio para ficar. O Papa Francisco ao mencionar a RCC disse que antes considerava tal movimento como uma espécie de escola de samba, mas agora percebe a importância para o Catolicismo. Ele ( o Santo Padre) ,assim como muitos, já percebeu que a RCC é fundamental para o Catolicismo da América Latina, pois caso contrário, como já mencionei, o número de Católicos hoje seria muito menor. Sem querer ofender, mas os que acham que acabando com a missa nova e voltando apenas com a missa tridentina o Catolicismo cresceria, estão completamente equivocados.

    • Nas blasfemas palavras de Lutero podemos visualizar o sentimento protestante relativo ao Rito Romano em sua versão antiga:
      “Quando a missa for revirada, acho que nós teremos revirado o papado! Porque é sobre a missa, como sobre uma rocha, que o papado se apoia totalmente, com seus mosteiros, seus bispados, seus colégios, seus altares, seus ministérios e sua doutrina […] Tudo isto desabará quando desabar sua missa sacrílega e abominável” (Lutero apud Daniel Raffard de Brinne. Lex Orandi: La Nouvelle Messe et la Foi, 1983).

    • Ninguém acredita que o Papa Francisco irá acabar com a missa nova, aliás, muito pelo contrário.

    • Caro Carlos Henrique,

      Mas você é católico ou participa de algum clube?

      O Catolicismo não é um clube, não estamos preocupado com números. Nunca e em nenhuma parte do Antigo Testamento nem do Novo você verá Deus se preocupando com falsos números de fiéis… O que você verá muito relativo as massas é Fidelidade e salvação das almas. Você acha que quando somente sobrou Elias como profeta em Israel e todo povo voltou seu culto a Baal Deus pensou “não Vamos escandalizar o povo”? Não foi isso que ocorreu quando tombaram mais de 400 sacerdotes de Baal… E Deus puniu o povo prometendo a Elias que somente 7.000 do povo restariam, pois somente estes não tinham traído a Deus.

      O que você pensa do projeto de Deus para sua Igreja? Você acha que é um clube que tem mais sucesso quando mais inscritos? Você está muito enganado o projeto de Deus para sua Igreja é proclamar a Fé Santa e Imaculada capaz de transformar homens em Filhos de Deus. As escrituras são claras e muitas vezes repetidas em afirmar que nem sempre os homens aceitarão a Santa Doutrina. O que faz com que nosso Divino Salvador questione a todos “Mas, o Filho do Homem, quando vier, será que vai encontrar a fé sobre a terra?”

      Então você pensa que os nossos pastores devem administrar a Vinha do Senhor com sabedoria de homens? Loucura!! A sabedoria dos homens é loucura para Deus.

      Os mandamentos do Senhor não estão nesta ordem: Amar ao próximo como a ti mesmo e a Deus sobre todas as coisas. Mas ao contrario: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo. Portanto devemos buscar ser perfeitos diante de Deus e depois podemos verdadeiramente amar ao próximo.

      Para amarmos a Deus é necessário que O conheçamos, pois não se ama aquilo que não se conhece. Deus é Deus da Verdade e não se contradiz. Deus deixou sua Igreja o Papa e seus Santos. Portanto tudo que foi ensinado e confirmado durante os séculos deve ser crido como fundamento seguro da Fé.

      Há muito que falar mas é uma pena hoje que vivamos como ovelhas sem pastores. O que pode ser dito sobre a Missa Tridentina somente um exemplo é o seguinte:

      Sessão XXII (17-9-1562) – Concílio de Trento
      Doutrina sobre o santíssimo Sacrifício da Missa
      953. Cân. 6. Se alguém disser que o Cânon da Missa contém erros e por isso se deve ab-rogar – seja excomungado [cfr. n° 942].
      956. Cân. 9. Se alguém disser que o rito da Igreja Romana que prescreve que parte do Cânon e as palavras da consagração se profiram em voz submissa, se deve condenar, ou que a Missa se deve celebrar somente em língua vulgar, ou que não se deve lançar água no cálice ao oferecê-lo, por ser contra a instituição de Cristo — seja excomungado [cfr. n° 943, 945 s].

      Portanto a Missa tridentina é isenta de erros e isso foi definido como Dogma.

      Enquanto a Missa nova conforme a Pontificia Comissio Ecclesia Dei afirmou NÃO pode ser entendida como: “de acordo tanto com a lei eclesiástica e a lei divina (ius dividum), isto é, nem doutrinalmente heterodoxa nem desagradável a Deus;” mas somente como: “devidamente promulgada pelos procedimentos apropriados da lei eclesiástica (ius ecclesiasticum);” conforme: http://fratresinunum.com/2012/08/27/comissao-ecclesia-dei-responde-sobre-sentido-de-universae-eclesiae-no-19/

      Portanto a Missa Nova pode ser heterodoxa e desagradável a Deus.

      Teria muito mais que lhe falar.

  17. A Santa Missa (Tridentina) é a verdadeira Missa Católica. O Novus Ordo não é mais que a missa anglicana antes do CVII. Claro que Paulo VI teve os seus guias protestantes para o novo missal.
    Na Santa Missa não é preciso saber latim, excepto o ajudante. As leituras serão explicadas pelo sacerdote. Ninguém pode participar na transubstanciação do pão e do vinho. Isso é dado somente ao sacerdote. Abraao ofereceu o seu unico filho Isaque a Deus (Genesis 22, 2).
    “Enquanto comiam (a Ultima Ceia), JESUS tomou um pão e, tendo abençoado, partiu e, distribuindo aos discípulos, disse: Tomai e comei, isto é o Meu Corpo . Depois, tomou um cálice e, dando graças, deu-lhes dizendo: dele Bebei todos, pois isto é o Meu Sangue, o Sangue da Aliança, (nova Aliança) que é derramado por muitos para remissão dos pecados”. (Mt 26,26-28)
    Os Apóstolos participaram no banquete. Jesus é e será sempre o Sumo Sacerdote.
    Recomendo verem ou ouvirem “Como assistir à Santa Missa” do beato Fulton Sheen. Claro que o novus Ordo está, infelizmente, enraizado que nunca mais acabará mas, de cada vez ficará pior porque a tradição católica acabou e daqui a poucos anos será alterado para os dias de então. Jesus criou a Sua Igreja para nós e os modernistas criaram uma igreja para o mundo e não para Deus. Os desígnios de Deus não são os nossos.

  18. Dom Fellay disse tudo o que penso sobre a Igreja. Só esqueceu talvez de mencionar que além da Igreja Militante existe a Igreja Padecente e a Igreja Triunfante. E o aparente triunfo do anticristo sobre a Igreja Militante não afeta a Igreja Padecente nem a Igreja Triunfante. Talvez faça a Igreja Militante similar a Igreja Padecente nos sofrimentos. Nas escrituras os profetas são considerados como estrelas que guiam o povo. E no livro do apocalipse São João escreveu que as estrelas perderiam o brilho no final dos tempos. Descreveu a Babilônia e a prostituta assentada sobre a cidade das sete montanhas (Roma). Ora sabemos que a Igreja verdadeira é a esposa de Cristo. E também sabemos que a Igreja falsa assentada sobre Roma é a prostituta. A doutrina da Igreja que está de acordo com os dois mil anos de tradição e ensinamentos dos santos apóstolos e Papas que estavam em união com Cristo faz parte da verdadeira Igreja. As doutrinas modernas que afrontam os ensinamentos da Igreja milenar fazem parte da Igreja prostituta que não é a verdadeira Igreja. Como explicar isso a um cristão? Talvez a mesma explicação, por mais confusa que possa ser, revelaria os motivos da infiltração de seitas, pedófilos e pessoas de má vida dentro da Igreja. Pessoas que fazem parte da Seita Prostituta. Já os santos fazem parte da Igreja esposa de Cristo. Acredito que os Franciscanos da Imaculada e os membros da FSSPX quase todos fazem parte da Igreja Esposa de Cristo. Também há pessoas santas em outras congregações e no Vaticano que fazem parte da Igreja Esposa de Cristo. Mas há muitos padres e cardeais que fazem parte da Seita Prostituta. Mas quem sou eu para julgar? Mas ai de mim se obedecer a ordens de adeptos da prostituta conhecendo os preceitos e ensinamentos da Igreja Esposa de Cristo!

  19. O famoso teólogo modernista Schillebeeckx — um dos mais importantes peritos oficiais do Vaticano II — declarou literalmente: “Nós nos exprimimos numa maneira diplomática, mas após o Concílio nós tiraremos do texto as conclusões que aí estão implícitas” (Padre Schillebeeckx, na revista De Bazuin, n* 16, 1965, apud Romano Amerio, Iota Unum,Ricardo Ricciardi, Milão, 1985, p. 93, e in Ralph Wiltgen, Le Rhin se jette dans le Tibre, p. 238).

    “Por outro lado, por exemplo, nós sabemos da influência da maçonaria no último Concílio não foi pouca, porque o próprio Monsenhor encarregado da liturgia – Bugnini – tinha escrito uma carta ao chefe da maçonaria italiana, dizendo que pela liturgia havia feito tudo que era possível; tudo aquilo, segundo recebeu instruções, mais não poderia ser feito. […] Um padre polonês que encontrou este ofício o levou imediatamente a Paulo VI, que o mandou para fora de Roma, na nunciatura no Irã. Até Monsenhor Benelli, que era o braço direito do Papa, também foi retirado de Roma e estranhamente ambos morreram pouco depois em circunstâncias misteriosas. Dizíamos que era uma queima de arquivo. Entendem, não?”

    (Roma: discurso de Dom Manoel Pestana Filho, bispo emérito de Anápolis, em conferência sobre Fátima. 07 de Maio de 2010, em http://fratresinunum.com/2010/05/24/roma-discurso-de-dom-manoel-pestana-filho-bispo-emerito-de-anapolis-em-conferencia-sobre-fatima/)

    E finalmente, depois destas declarações, o que dizem os protestantes – hereges que NEGAM o dogma da Transubstanciação, hereges que negam a Presença Real de Nosso Senhor Jesus Cristo em Corpo, Sangue, Alma e Divindade sob as aparências de pão e vinho, hereges que NEGAM que a Missa seja a Renovação do Sacrifício do Calvário.
    Vejam o que esses hereges disseram da Missa Nova:

    Max Thurian

    “As comunidades não católicas poderão celebrar a Santa Ceia com as mesmas orações que a Igreja católica [da Nova Missa de Paulo VI] : teologicamente, isto é possível”.”
    (Max Thurian, pastor protestante de Taizé. Citado no jornal “La Croix” du 30 mai 1969)

    Roger Schutz

    “As novas orações eucarísticas [da Missa Nova de Paulo VI] apresentam uma estrutura que está conforme a missa luterana..”
    (Roger Schutz, pastor protestante de Taizé. Citado na Revista “Itinéraires” n°305, p.162)

    Pasteur Viot

    “O que nós consideramos, e bem acima, é um ponto sobre o qual todos os protestantes concordam — e não há divergência sobre este ponto — é que a missa possa ser uma repetição do sacrifício de Jesus Cristo, que o padre possa oferecer o Corpo e o Sangue uma vez mais. Isto nos parece, e eu vos digo muito francamente, abominável que se possa repetir algo que é único e perfeito, isto não pode ser repetido, e o grande mérito do Ordo de Paulo VI [a Missa Nova de Paulo VI] é que ele abriu um caminho exatamente neste sentido, e que é assim que a Igreja conciliar agia.
    O que era intolerável na Missa de Pio V, eu escrevi no jornal Le Monde, e eu me refiro a isso frequentemente, é que muitos dos nossos antepassados na fé preferiram subir no cadafalso antes que assistir aquela missa. E eles tinham uma certa coragem, teologicamente tinham razão, porque aquela missa não é possível aos nossos olhos, no campo evangélico.”
    (Pastor Viot, presidente do Consistório Luterano de Paris. Citado in “Una Voce” de Julho de1985)

    Pastor Jordahn

    “Assim, na minha paróquia de Hamburgo, por exemplo, nós usamos normalmente a oração eucarística II [da Missa Nova de Paulo VI], com a forma luterana das palavras da instituição, e omitindo a oração para o Papa.”
    (Pastor Ottfried Jordahn, conferência no instituto Dom Herwegen da abadia de Maria Laach, no dia 15 junho de 1975. Citado na Revista “Itinéraires” n°218, p.116)

    Revista protestante

    “As novas orações litúrgicas [da Missa Nova de Paulo VI] deixaram cair a falsa perspectiva de um sacrifício oferecido a Deus.”
    (“uma das mais importantes revista dos protestantes”, citada por Jean Guitton no jornal “la Croix” de 10 de dezembre de 1969)

    Universidade protestante

    “Nada na missa agora renovada [por Paulo VI] pode realmente desgostar o cristão evangélico.”
    (M. Siegvalt, professor de dogmática na Faculdade Protestante de Strasbourg. Carta ao Bispo de Strasbourg, citada no jornal “Le Monde” de 22 novembre de 1969)


    Peço perdão aos que estudam o assunto há anos, e conhecem essas citações de có e salteado. Mas numa altura destas é evidente que muitos aqui (e estou considerando que sejam intelectualmente honestos) ainda estão nos primeiros passos, e não entenderam bem a gravidade da situação.

    A Missa Nova é um rito abominável, criado por um maçom e com a ajuda de pastores protestantes, com o propósito de fazer a vontade da maçonaria. Eu não posso colocar a foto da comissão dos construtores da missa, mas vocês podem se reportar à declaração de D. Pestana que coloquei acima. Bugnini era tão comprometido, que Paulo VI o deportou para o Irã, onde o mesmo morreu em tempo recorde, sob circunstâncias misteriosas.
    A ficha de vocês ainda não caiu. Não estamos afirmando que a missa nova é inválida nem ilegítima. Ela é um rito deformado e que conduz à gradual perda de fé. Ela foi construida com o propósito deliberado de extinguir um rito CA-NO-NI-ZA-DO de maneira INFALÍVEL pelo papa São Pio V.
    Não estou inventando isso. Procurem na Internet a Bula Quo Primum Tempore, e leiam vocês mesmos que o Missal Tridentino, depois de sistematizado, foi IMPOSTO de maneira obrigatória para todo o ocidente latino de maneira definitiva, a ponto do próprio papa ter ameaçado qualquer pessoa PARA TODO O SEMPRE com a Justiça Divina, caso tivesse a ousadia de relativizar ou pior, proibir que se rezasse a Missa de Sempre.
    Paulo VI não ousou abolir a Missa, pois seria um desmentido frontal ao seu antecessor. Então ele deu ordens para fabricar este rito amado pelos hereges que negam a Eucaristia, e em seguida o impôs a todo o orbe, com o objetivo de matar a Missa Verdadeira através do ESQUECIMENTO.
    E para isso, esmagou a todos os resistentes, do mesmo modo que Henrique VIII dizimou os católicos ingleses ao impor o Prayer Book.

    A Missa Nova é tão absurda, que foi atacada antes de tudo pelo próprio cardeal do Santo Ofício, junto com o cardeal Bacci, que mostraram aos olhos da doutrina católica porque a Missa Nova – a do missal – não poderia ser admitida.
    Mesmo assim ela foi imposta goela abaixo de todos.
    É o Sacrifício de Caim, essa missa é fruto do trabalho humano LITERALMENTE, porque a Missa Tradicional não foi construida por São Pio V: ela já existia há muitos séculos, e só recebeu acréscimos secundários. O essencial remonta aos primeiros séculos da era cristã, fruto da inspiração do Espírito Santo. A Missa Tradicional é o que há de melhor para oferecer a Deus enquanto humanos, é uma missa totalmente concentrada no Altar e constitui até mesmo do ponto de vista visual uma cerimônia de sacrifício a Deus.
    A missa nova é uma missa que nasceu não para estabelecer a primazia de Deus, mas em primeiro lugar para a satisfação dos maçons e dos protestantes, que não suportavam o culto católico, mas agora o consideram como algo aceitável. Só isso constitui uma CATÁSTROFE!!!
    Ou seja, primeiro o bel prazer humano, e Deus depois!!!
    E é assim em toda parte, a missa nova inaugurou um período de trevas espessas, não falo de paróquias, mas de países inteiros praticando o culto ao homem domingo após domingo. O homem-deus vaqueiro na missa do vaqueiro, os orixás na missa-afro, o homem-deus palhaço na missa clown, O rito é tão elástico que ele permite todos os caprichos possíveis e imagináveis, mas isso não se dá apenas por maldade do celebrante, mas porque está na CONSTITUIÇÃO DO RITO, está no DNA, ele foi feito de propósito para se adaptar AO AMBIENTE.
    Deus??? Quem é Deus no rito novo? É o nome de alguém que está ali misturado? Quem conta nas missas desse rito são os egos. É a BANDA, o MINISTRO DA EUCARISTIA, o LEITOR, o ANIMADOR, o COREÓGRAFO, o encarregado da dinâmica, enfim, é cacique demais para um índio só.
    Espero que vocês estudem, estudem, estudem. E sobretudo rezem para que Deus lhes dê força e lhes dê RETIDÃO para não chamarem o mal de bem e nem o bem de mal.

    A única paz entre os dois missais se chama a supressão imediata do rito de Paulo VI; é uma luta de morte, são bandeiras opostas, são intenções opostas!

    Releiam as citações que coloquei acima, e tenham-nas como ponto de partida. E por caridade, estudem, a proposta neoconservadora de unir a Tradição com a Revolução já está pior que vitrola enguiçada. Alguns já chegaram a admitir que todo esse sistema moderno foi um erro, mas ainda não realizaram que não se pode servir a dois senhores, e dizem por aí que devemos admitir a realidade dos fatos e aceitar a legitimidade do Vaticano II e de suas consequências. PREFIRO MORRER. O erro NÃO TEM DIREITOS, exceto o de ser DESTRUIDO.

    • Mas o fato de ter havido uma conspiração protestante e maçonica pra forjar um rito novo, o fato de muitos protestantes terem gostado dele… prova que o Espírito ficou ausente das decisões do Papa e do Concilio? acreditamos que Deus guia a Igreja quando nós permitimos ou acreditamos que Ele guia a Igreja e ponto? Não é melhor crer que Ele guia APESAR de nós?
      Achar que essa missa nova que se implantou e tomou conta de tudo é, além de simbolicamente fraca e tristemente permissiva, também abominável e má… não é um pouco demais? afinal pra mais de 99% do mundo, é o que existe. Permitiria Deus que um rito tão mal se implantasse assim? Isso não é negar a assistência do Espírito Santo?

    • Foi desse INTERCAMBIO de Paulo VI que o homem inventou a missa moderna. E dela se iniciou a apostasia geral.

      Do terrorismo da assertiva “ela nunca vai acabar” respondo que Deus vai se encarrecar disso. Permitirá que ela fique tão díspar da realidade do Mistério do Calvário que se vai perder a validade do Sacramento Eucarístico.

      Ocorrerá que fique como sismaticos hereges da nova ordem tal como oconteceu com os protestantes. Desse cisma haverá tantas seitas quanto suas formas sacrílegas de hoje. Porém sem a validade do Sacramento da Eucaristia.

      Embora isso seja fato hoje. Mas tal como hospedeiros, do caule exaurido da Videira, ainda se pode obter algum bem verdadeiro dessa missa sacrílega. Como a comunhão para aqueles que tenham, no mínimo, uma formação primária.

  20. Logo após a Segunda Guerra Mundial, quando Eugenio Zolli , o ex- rabino chefe de Roma se converteu à Fé Católica, ele fez um pedido ao Papa Pio XII pra que fosse eliminada da liturgia da Sexta-feira Santa o adjetivo ” perfidis Judaeis ” em relação aos judeus . O Papa respondeu com uma declaração pública esclarecendo que o termo em latim ” Perfidus ” significa ” descrente “, aquele que não possui a Fé, aquele desprovido de fé” e não ” traiçoeiro ” ou pérfido .
    Mais do que isso ele não poderia fazer. Foi apenas quinze anos depois que tais mudanças foram feitas pelo Papa João XXIII.
    Infelizmente, tanto naquela época como agora muitos falham em compreender que tal oração estava impregnada de caridade. Uma caridade cuja fonte é Deus, Aquele que deseja que todos se salvem ao chegarem ao conhecimento da verdade.
    Atualmente podemos dizer que a situação da maioria dos Católicos não é muito diferente da situação dos judeus!
    “Oremus et pro perfídia Catholicum” : aqueles que perderam completamente a Fé, aqueles que não possuem a Fé dos nossos pais, aqueles cuja cegueira os impede de conhecer a verdadeira Fé Católica.
    Parece que Deus encerrou a todos debaixo da mesma desobediência, para com todos usar de misericórdia.(Romanos 11:32), pois toda essa cacofonia dentro da Igreja, esse conflito de opiniões díspares sobre o que deveria ser uma só Fé e um só Batismo é o mistério da iniquidade em ação.
    Dom Fellay, como sempre, foi preciso. Perfeito diagnóstico da crise pós-conciliar que só se aprofunda com o atual Pontífice.

  21. “A participação do povo

    30. Para fomentar a participação activa, promovam-se as aclamações dos fiéis, as respostas, a salmodia, as antífonas, os cânticos, bem como as acções, gestos e atitudes corporais. Não deve deixar de observar-se, a seu tempo, um silêncio sagrado. (Sacrosanctum Concilium)”

    Em outras palavras, que os leigos façam bastante barulho na missa, pulem, cantem, dancem, it’s show time! Mas depois de cada santa bagunça, reservem um momento para calar-se.

  22. “38. Mantendo-se substancialmente a unidade do rito romano, dê-se possibilidade às legítimas diversidades e adaptações aos vários grupos étnicos, regiões e povos, sobretudo nas Missões, de se afirmarem, até na revisão dos livros litúrgicos; tenha-se isto oportunamente diante dos olhos ao estruturar os ritos e ao preparar as rubricas”

    Ou seja, dê possibilidades à missa afro, missa vaquejada ou cowboy, missa gaúcha e etc. E este só foi um trecho. Para aqueles que ainda acreditam que o Concílio Vaticano II não deu brechas para inovações litúrgicas, recomendo toda a leitura da Sacrosactum Concilium.

  23. Um texto muito bom, com certeza restaura o ânimo e as esperanças. Obrigado Dom Fellay e ao pessoal do fratres pela tradução.

  24. A fala do bispo é claríssima, objetiva, sem possibilidade de múltiplas interpretações, sem discursos evasivos. Lendo o texto é possível saber o que ele quer dizer. Quanta falta isso faz hoje em dia na Igreja.

  25. Obrigado, Senhor; Obrigado D. Fellay: Obrigado Fratres in Unum. Começo pelo fim da entrevista: “Uma palavra dada pela Santíssima Virgem. Sabemos muito bem o quanto vale a sua palavra. Isso é tudo.” Sim, suas palavras, nas aparições de La Salette e em Fátima foram (como só poderiam ser) aprovadas pela Igreja. Mas, e daí? Nós católicos (a partir do Magistério da Igreja) as colocamos em prática? As aparições de Garabandal, de 1961 a 1965, exatamente confirmando as supracitadas continuam, ainda, a ser perseguidas? Ou são apenas esquecidas, não obstante o Papa Paulo VI ter recomendado enfaticamente a sua divulgação e ser também reconhecida, em várias oportunidades, por São Pio de Pietrelcina, como autênticas? Em resumo: Monsenhor Fellay foi muito feliz nas suas análises do que, realmente, está acontecendo na Igreja, hoje invadida e praticamente tomada pelos inimigos de Jesus. Creio que, com base nas revelações de Nossa Senhora, não demorará para que, como já afastaram o Vigário de Cristo, por incrível que pareça, logo afastarão Jesus, suprimindo o Sacrifício Perpétuo (Daniel 12,11). Será, pois, esse o epílogo?

  26. Uma perguntinha. O estabelecimento do novo ordo para a missa, conforme realizou Paulo VI, é matéria de fé?

    • Na missa, seja ela da forma ordinária ou extraordinária apenas o sagrado cânon é matéria de fé, ou seja, dogmático. Nesse passo, nem a Missa Tridentina seria matéria de fé, excluído aí o seu Cânon, que é o mesmo da Missa Nova. Ou seja, o que nos obriga quanto à Missa nova é o mesmo elemento que nos obriga quanto à Missa Tridentina.

  27. “Certamente, a Igreja é um organismo vivo e, por isso, ainda no que diz respeito à sagrada liturgia, firme a integridade de seu ensinamento, cresce e se desenvolve, adaptando-se e conformando-se às circunstâncias e às exigências que se verificam no correr dos tempos; deve-se, todavia, reprovar severamente a temerária audácia daqueles que introduzem de propósito novos costumes litúrgicos ou fazem reviver ritos já caídos em desuso e que não concordam com as leis e as rubricas vigentes.”

    Quem disse isso foi o grande Papa Pio XII, no parágrafo 52 da Encíclica Mediator Dei. Como se vê, os papas tradicionais também julgavam a Liturgia como algo que se adapta aos tempos e às circunstâncias, portanto é absurdo pensar que só a Missa Tradicional como São Pio V a sancionou é a única legítima. Porque nos tempos primitivos do Cristianismo, a Missa era mais simples e isso não alterava o valor dela. Porém vale ressaltar com firmeza: a aparente simplicidade da Missa dos primeiros anos da Igreja era em razão da perseguição aos cristãos, que não permitia grande posse de meios para melhor render culto a Deus do que os disponíveis naquele tempo. Com o crescimento do Cristianismo no Império Romano depois de Constantino permitir a Fé em Cristo, a Igreja pôde fomentar formas mais ricas do mesmo e legítimo culto de ação de graças a Deus, assim enriquecendo a Liturgia por base nela mesmo. Nas Igrejas orientais, inclusive nas cismáticas, a Liturgia também é legítima e rica.

    Por isso é um grave erro achar que deve haver intercâmbio entre a Missa Tradicional, desenvolvimento original da Missa ensinada por Cristo na Igreja Romana, com a missa inventada depois do Concílio Vaticano II. A Missa Tradicional é a única da Santa Igreja Romana, enriquecida pelos séculos e sem alterar nada daquilo que o Senhor deixou aos Apóstolos pois foram os Fiéis Sucessores dos Apóstolos que a enriqueceram. A missa nova é aquilo que o Papa Pacelli condena quando diz que se deve “reprovar severamente a temerária audácia daqueles que introduzem de propósito novos costumes litúrgicos ou fazem reviver ritos já caídos em desuso e que não concordam com as leis e as rubricas vigentes” na Missa Tradicional. Também seria uma aberração intercambiar a Liturgia Romana com a Liturgia Oriental. Ora, se a Liturgia cresce e se desenvolve se adaptando e conformando-se às exigências de cada tempo e lugar, a mesma Missa que Jesus Cristo ensinou aos Apóstolos se enriqueceu no Ocidente na medida em que atendia às necessidades dos latinos e no Oriente aos diferentes povos. Até hoje há mais semelhança e beleza entre a Liturgia Romana e suas autênticas derivações (como o Rito Bracarense) e as Orientias, desenvolvidas na Tradição Apostólica, que entre elas e a nova liturgia do Concílio mais recente.

    E engana-se quem pensa que a missa nova atende às exigências de hoje, porque, como a missa nova, o pensamento das populações ocidentais não se desenvolveu “organicamente” mas foi inventado, criado a partir de falácias dos modernistas. Eu não sei quais são as necessidades reais do sadio pensamento ocidental, só sei que tal pensamento foi interrompido, como a Missa Tradicional, e substituído por um inventado e que só satisfaz o modernismo, perniciosíssima síntese das heresias.

    A missa nova só serve hoje, se seguida na hermenêutica da continuidade como Bento XVI propôs, para trazer, aos poucos, as pessoas de volta à Sã Doutrina como a mesma interpretação de continuidade do Concílio Vaticano II, até que seja restaurada a Tradição.

  28. É reconfortante esta entrevista. Por este dias ainda estava pensando na promessa de Nosso Senhor quanto a assistência a Igreja e a indiscutível crise que A afeta. É o drama mais dolorido para um católico.
    Me alegrou também os comentários sobre a Caridade.
    Sérgio

  29. A missa nova ela é ruim, não por ser toda anti-católica. Caso à fossem seria muito melhor. Porque todos mundo logo diria: Esta missa não fala em Deus, diz que Nosso Senhor não estar presente na hóstia Consagrada, o demônio é um anjo muito bonzinho, todos nós deveríamos seguir com tranquilidade…As heresia, são sempre misturadas de verdades, as notas falsas, quanto mais parecidas com as verdadeiras são as mais perigosas. Estas velhas mentiras, de dizer que a missa em latim, ninguém entende. ué! Agora que os modernistas foram descobrir a “pólvora”? O estudo da Santa Missa, desde a nossa infância vamos tomando gosto pelas coisas de Deus, com um pouco de tempo vamos passar a gostar deste ato tão sublime. A Missa, é um mistério. Nós não somos capazes de entender que é verdadeiramente uma Santa Missa. Por acaso, alguém sabe me dizer o que os passarinhos dizem nos seus cânticos? Só sabemos que são belos e elevados. Quem de mente sadia, não gosta de ouvi-los? Como vamos querer entender os mistérios que passa numa Santa Missa?
    Joelson Ribeiro Ramos.

  30. Caro Lister,

    Não se pode dizer que os tradicionalistas estão fechados ao diálogo. Afinal, é exatamente o que estamos fazendo aqui.

    Tente fazer exatamente o que eu sugiri. Pegue o Ordinário da Missa Tridentina, imprima-o e leia-o. Depois, lei o da Missa Nova.

    Tente estudar como a Missa Tridentina foi se desenvolvendo gradualmente ao longo dos séculos, desde de São Gregorio (século VII) com alterações pequenas e acréscimos até 1570, quando São Pio V codificou (não criou) o rito de Roma como o rito por excelência da Igreja latina.

    A reforma dos anos 70 não foi um desenvolvimento gradual, foi uma revolução. Tiraram o Ofertório, suprimiram vários sinais de cruz e genuflexões. O rito foi revirado do avesso. Logicamente que o Sacrifício permanece, por isso, é válida. Mas tente se aprofundar na parte Histórica.

    Se apresentar a verdade – histórica, litúrgica e doutrinal – da Missa Tradicional e da Missa Nova é faltar com o diálogo, então, talvez o conceito de diálogo é que esteja errado.

    Com relação a sua frase: “Contudo, é necessário que os tradicionalistas, sem deixar seus guetos virtuais, encampem os apostolados catequéticos nas paróquias. Mudanças de mentalidade são feitas gradualmente com exemplo e formação, não com acusações.” é preciso acrescentar que muito dificilmente temos um “ambiente” onde possamos desenvolver trabalhos minimamente católicos em nossas paróquias. Como vamos ensinar o que aprendemos e ao mesmo tempo conciliar com o que se ensina de contrário nesses mesmos ambientes? De imediato já somos olhados com desconfiança só por afirmarmos nosso amor e adesão à Missa Tradicional, mesmo que, esporadicamente, não escapemos de uma Missa Nova. Na função de catequistas, por exemplo, essa inserção é praticamente impossível na maioria das paróquias. Como vamos ensinar que o correto é a Comunhão na boca e de joelhos, que as moças devem se vestir com modéstia, que há um abuso por parte do excesso de ministros extraordinários da Comunhão e etc etc.? Qualquer coisa que falarmos, mesmo que levemos material escrito, já será motivo para uma acusação de “farisaísmo, legalismo, pedantismo e soberba”.

    Em suma, fica muito difícil uma inserção real nos ambientes diocesanos. Há exceções, certamente, mas não são muitas. Nada impede que frequentemos nossas “paróquias oficiais para rezarmos diante do Sacrário, rezarmos o Terço ou fazermos Adoração com outros paroquianos, mas uma inserção verdadeira em atividades paroquias, é extremamente complicado.

    Não se assuste como eu me assustei quando ouvi essa expressão pela primeira vez, mas em muitas paróquias, a impressão que se tem é que “são duas religiões”.

    Finalmente, Lister, tente realmente estudar tudo o que aconteceu. Como bibliografia, vez o material do Arnaldo Xavier da Silveira, do prof. Roberto de Mattei e, se souber inglês, a trilogia do Michael Davis sobre o desenvolvimento da Missa ao longo dos séculos.

    Rezar e estudar, creio que essas são as duas atitudes iniciais na crise. O trabalho + oração é a terceira, mas depois de oração e estudo.

    • Muito bem, Maria, gostei do que falou e do jeito que falou. Gostei dos conselhos práticos, até vou segui-los pra conhecer melhor a missa tridentina. A princípio concordo com Bento XVI e que a missa nova é boa mas deve e pode melhorar, recebendo influência do rito tradicional. Contudo vou estudar mais sobre isso. Quanto ao que Lister falou e vc transcreveu é bem isso mesmo. Eu deixei de tentar remar contra maré dentro de ambientes paroquiais exatamente por isso. A gente consegue algumas vitórias, consegue fazer algum bem, mas não sem assimilar e praticar também algumas coisas com que não concordamos. Pois se não fizermos isso somos excluídos. Minha ultima tentativa foi atuar na preparação de um grupo de crisma (no qual estava meu filho). Tive que fazer primeiro um curso com uma teóloga. Neste curso discordei dela em tudo, questionei todo seu relativismo e sua noção de verdade, de “coisas importantes”, de sacramentos, de missão. Mas cumpri a exigência, fiz o curso, ouvi todos os absurdos que ela ensinou aos novos preparadores de crisma. Mas não ouvi calada, e ela soube das minhas posições. Só que na hora que fui assumir o trabalho junto aos crismandos, recebi um subsídio (livreco) ao qual deveria me ater, e uma acessora, devidamente adestrada pra me controlar, podar e desdizer, pra me obrigar a ser fiel ao tal subsídio sob pena de ser afastada da função. Conclusão: não aceitei assumir o trabalho. O grupo se dispersou e ficou sem Crisma (inclusive meu filho). Fica difícil, né?

    • Veja, Maria,

      Eu não disse que os tradicionalistas estão fechados ao diálogo… disse que ALGUNS tradicionalistas permanecem num mundo imaginário… tal postura é prejudicial, inclusive para esses indivíduos, pois, a exemplo da Trindade, somos uma COMUNIDADE de fé e amor… ou ao menos deveríamos ser.

      O espírito de diálogo não é uma “coisa” que entra pela janela, me contagia e me faz uma pessoa mais aberta e feliz, e subitamente, quando olho para fora, todos estão se abraçando e trocando presentes, não. Antes, o espírito de diálogo é como uma “planta” rara de difícil cultivo e desenvolvimento lento, que requer esforço, conhecimento, paciência, dedicação e, sobretudo, renúncias, mormente às convicções pessoais.

      Um tradicionalista que seja professor de catecismo dizer que a comunhão na mão “não pode”, está ensinando algo que a Igreja não ensina… ou também dizer que menina não pode acolitar… O certo seria dizer e argumentar, com fundamento, que a comunhão na boca e de joelhos é mais apropriada e que o acolitato de meninas prejudica o surgimento de futuras vocações sacerdotais, ou coisas do tipo… assim estaria de acordo com o ensinamento da Igreja.

      O problema de ALGUNS tradicionalistas é que já chegam “armados” com suas ideias pré-concebidas e, por falta de estratégia (que é o que a esquerda sabe muito bem manejar), querem radicalizar as coisas… infelizmente ou felizmente, as coisas não funcionam assim. A não ser lá no Islã…

      Considero muito positiva as iniciativas das santas missas tridentinas. Embora eu não tenha preferência pela forma extraordinária, mas em razão do que diz a Igreja, abro-me ao “antigo” que pra mim é novo, considero-a como aquilo que é: algo que a minha mãe Igreja me propõe como opção de celebrar os sagrados mistérios, sem me deixar levar por meus bloqueios culturais e racionais.

      Pessoalmente, considero a missa tridentina excelente fonte de zelo litúrgico, austeridade perante o sagrado e formação catequética tradicional, etc (a lista de virtudes da forma extraordinária é longa), mas acho-a, ainda, me permita e perdoe a sinceridade e a má-comparação, muito parecida com um longo procedimento cirúrgico, onde ficamos apenas “curiando”, por cima dos ombros do cirurgião, sem saber muito bem o que está acontecendo ali… “o que foi que ele disse?”… “e agora, o que vai acontecer?”… “já terminou?”…

      Em que pese a minha obtusa impressão pessoal sobre o que a Igreja considera bom para mim, desejaria que essas celebrações se multiplicassem em todas as Paróquias, bem como a atuação dos tradicionalistas nesses meios. Infelizmente, nesse front permanecem apenas os radicais revolucionários da “esquerda católica” que são como “cegos guiando cegos”.

      Sinceramente, suspeito de qualquer tipo de “padronização” exacerbada dentro da Igreja, como acontece nos regimes socialistas. Claro, antes que me interpretem mal, explico: padronização naquilo que não precisa ser padronizado, como a forma de celebrar a mesma Missa, sem abusos, de cada grupo, movimento, comunidade paroquial ou religiosa, cultura, cidade, país, região, etc. Com efeito, não podemos esperar que uma comunidade tradicional monástica celebre ipsis litteris, da mesma forma que os missionários das novas comunidades, em suas casas de missão e vice-versa.

      Quanto aos livros, obrigado pela dica, vou salvar e ver se já não os tenho… minha biblioteca pessoal, no que diz respeito à liturgia, ainda tem volumes que ainda nem abri…

      Abraços

      Lister Leão

  31. Pe. Francisco Ferreira,

    Sua benção,

    Sua lista para melhorar a Nova Nova já é louvável em razão da realidade atual. Espero que o senhor já a tenha implementado e que não seja apenas uma aspiração. Muitos bons sacerdotes quando ouvem falar sobre a Missa Tradicional falam dessas sugestões, mas não necessariamente as implementam em suas paróquias ou a implementam em ocasiões especiais. Muitos até gostariam, mas não conseguem cortar as asas das ‘equipes de liturgia’. Outros, logo se apressam em suspirar e dizer “Ah, seria bom se a Missa Tradicional tivesse novos prefácios”, como se os novos prefácios de santos canonizados posteriormente fosse um empecilho para começarem a celebrá-la regularmente.

    Tenho para mim, e isso é uma opinião pessoal, que muitos bons sacerdotes têm receios de se indispor com os seus bispos. Ou ainda medo de se indispor com a comunidade de fiéis, pois certamente muitos torcem o nariz para a Tradição. Então apresentam razões para ficar com a Missa Nova bem celebrada.

    Os mais liberais, e de novo uma opinião pessoal, podem recear o trabalho adicional da missa tridentina, pois, afinal ela requer algum conhecimento do latim, uma quantidade de tempo maior para paramentação, treinamento de coroinhas e etc. Isso tudo pode assustar a muitos padres, especialmente aos mais idosos. Uma das coisas mais bonitas que vejo na Missa Tradicional é como os padres realmente se preparam antes da Missa, com orações para cada paramento. Igualmente depois. Na Missa Nova, os padres rapidamente vestem suas casulas e estolas e já estão no altar. Igualmente ao final, terminam o Santo Sacrifício e logo na sacristia já são abordados por paroquianos sem a menor cerimônia.

    Mas a questão que não quer calar é uma só: o RITO tradicional e o RITO reformado refletem a mesma lex credendi, com a mesma clareza? Deixemos de lado a simples questão da validade e debrucemo-nos na análise de um e outro. Deixemos de lado o medo dos bispos e o receio de ‘perder fiéis’ e respondamos a essa pergunta crucial.

    E que Deus nos ajude porque cada um de nós vive um drama. Queremos apenas a Maior Glória de Deus e que ele nos ajude e conduza a Sua Igreja.

    • Maria[1]
      O Senhor lhe abençoe e lhe guarde!
      Ótimas colocações que refletem muito da nossa realidade.
      Acho que o temor das reações dos bispos e do clero seja muito maior que o do povo. Este se alegra quando vê uma liturgia piedosamente celebrada. As equipes de liturgia refletem o estilo do padre… se ele nao puder orientá-las, nao pode ser pastor.
      Outro grande desafio, mas nao obstáculo, é aprender o rito e melhorar o latim.
      Eu ja rezo as orações de paramentação e de preparação para a missa e vou começar a rezar também a de São Miguel arcanjo no final.
      Acredito que as “melhorias” que se possa fazer à forma ordinária possa despertar o desejo nos próprios sacerdotes e também nos fiéis pela forma extraordinária. Acredito numa reforma da reforma gradual. Façamos o que está ao nosso alcance e Deus cuidará de tudo.

  32. Sabem qual o problema da Missa Versus Populum? O POVO. É isso aí: a “demonocracia” dentro da Igreja. Uma missa do povo, pelo povo e para o povo.
    Numa Missa Ad Orientem ou Versus Deum, o sacerdote está lá como um professor diante da lousa passando as instruções. A lousa coloca alunos e professores olhando na mesma direção. Sem olhar seus alunos o professor diante da lousa se vê concentrado no conteúdo, na matéria a ser repassada enquanto o povo como o bom aluno ouve, copia e aprende.
    Na Missa Versus Populum é como se o professor resolvesse trocar de lugar com os alunos e de repente a classe inteira se metesse a ensinar.
    De fato, tirar microfone da mão de “animador de missa” é mais complicado que tirar pirulito da mão de criança: vai ter choro, vai ter protesto, vai ter cara feia, pirraça e ameaças.
    Quando morava no Brasil já vi revolta aberta contra o padre quando ele resolveu eliminar alguns “ministros extraordinários da Eucaristia”, e olhe que nem era padre conservador! O mesmo se deu com um certo “Ministério de Música” que insistia em cantar músicas protestantes ( gospel) durante a Missa enquanto o padre insistia naqueles hinos ideológicos da Campanha da Fraternidade.
    Hoje quando me lembro daqueles famigerados encontros das equipes de liturgia é que vejo como se aplica aquele ditado: “Em casa que falta pão todos brigam e ninguém tem razão”. E como falta o pão da doutrina, o pão da Palavra de Deus, o pão da verdadeira formação litúrgica!!
    São Luis de Montfort disse com muita propriedade: “Somos, naturalmente, mais orgulhosos que os pavões, mais apegados à Terra que os sapos, piores que os bodes, mais invejosos que as serpentes, mais gulosos que os porcos, mais coléricos que os tigres e mais preguiçosos que as tartarugas, mais fracos que caniços e mais inconstantes que os cata-ventos”.
    Somos os doentes que precisam de médico e de remédio, pois ” o pecado dos nossos primeiros pais arruinou-nos a todos quase por completo, azedou-nos, corrompeu-nos, fez-nos inchar como o fermento
    faz à massa em que é lançado. Os pecados atuais que cometemos, quer mortais, quer veniais, embora tenham sido perdoados, aumentaram-nos a concupiscência, a fraqueza, a inconstância e corrupção, deixando maus vestígios na nossa alma”.
    Infelizmente, parece que os doentes tomaram a direção do hospital porque os próprios médicos lhes disseram que eles mesmos podiam se auto-medicar!
    Agora vai ser realmente complicado dizer a essa turminha que a brincadeira de mau-gosto acabou, que o experimento conciliar fracassou porque o lema da geração hippie conciliar sempre foi : “Power to the People” e essa turminha ainda não experimentou o gostinho do poder em sua plenitude.
    Conseguiram chegar até o “Diaconato Permanente dos homens casados”….mas falta ainda a Ordenação dos mesmos ao sacerdócio ou a completa eliminação do celibato. Conseguiram jogar as mulheres para cima do altar como leitoras e ministras, mas falta ainda o Diaconato e quem sabe até o sacerdócio feminino!! Quando se trata do poder temporal o povo é como um saco sem fundo! Quanto mais dá, mais quer!
    Diante desse quadro é preciso ter calma e saber esperar com paciência o tempo de Deus. Satanás transportou o Senhor a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles.
    E disse-lhe: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares.
    Então disse-lhe Jesus: Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás. (Mateus 4:8-11).
    Se ele fez isso com o Filho do Homem, imagine o que não é capaz de fazer com homens corrompidos pela vaidade, orgulho e sede de poder!
    Na Missa Versum Deum somos obrigados a esquecer o microfone e as posições de destaque para abraçar aquele sentimento de humildade, que havia em João Baptista, CONVÉM QUE ELE CRESÇA E EU DIMINUA .

  33. Caríssimo FRATER Bruno Luiz Santana:
    Impressionante seu comentário!
    Perfeito!
    Um grande defensor da Fé ante esses malditos e emsimesmados bom-mocistas que pululam por ái!
    Abraços e Guardemos nossa Fé!
    Viva Cristo Rei!

    • Agradeço as palavras, Felipe, mas depois de um certo momento, e por mais que se respeite o tempo de cada um em assimilar a situação, às vezes é necessário recordar que os direitos de Deus não são alvo de negociação em nenhuma escala.
      O meu último comentário acima foi uma síntese baseada em três citações mostrando muito por alto, mas sem superficialidade que o Concílio foi manipulado de maneira propositadamente ambígua pelos modernistas, para propagarem suas heresias de maneira oficial, através dos próprios documentos – que Bento XVI NÃO CORRIGIU – e para isso contaram com o apoio direto de João XXIII que tem um passado altamente comprometedor desde seus tempos de seminarista, até papa. João XXIII antes de abrir o concílio teve o cuidado de readmitir os teólogos modernistas condenados por Pio XII, os mesmos que foram as estrelas do concílio.
      Se isso não é cumplicidade, eu não sei o que é cumplicidade.
      Paulo VI – de passado em nada melhor que João XXIII – foi o grande responsável por, dentre as outras coisas, ter permitido a revolução litúrgica de Bugnini, que já havia se infiltrado na Santa Sé desde os tempos de Pio XII, mas que agiu como um autocrata na fabricação daquela encomenda maçônica que se usa hoje em dia.
      E finalmente, os protestantes có-criadores do rito deixam seu testemunho de quão confortáveis estão com um rito que humilha a fé Apostólica.
      Diante desses elementos, eu me pergunto sobre o que falta para convencer tantos católicos tradicionais a entender que essas coisas NÃO PRESTAM?
      A Igreja não foi abandonada por Deus, e o Espírito Santo continua agindo mais do que nunca em todos os que se propõem a procurar as coisas de Deus com retidão, buscando a Igreja e levando uma vida sem pecado, mas também o Espírito Santo não retira a liberdade das pessoas de fazerem o mal, e o mal foi feito e foi aceito com uma rapidez tão acachapante, que só demonstra o nível moral e doutrinal em que estavam os católicos, a ponto de verem ser confiscada a sua Igreja, e na maioria dos casos se jogarem alegremente no oba-oba.
      Se prestarmos atenção hoje em dia, as pessoas mais resistentes à restauração não são as que nasceram depois do concílio, mas as que nasceram nos tempos da Igreja “tridentina”. E não me refiro só aos sacerdotes ou religiosos. Quantos vezes já ouvi dessas velhas moderninhas frases malcriadas da Igreja “como era no passado?”. Elas refletem bem a mentalidade decadente da Igreja atual, porque são idosas HOJE, mas viveram nos tempos em que a verdade era ensinada, só que preferem gingar e se meter nas missas do que voltar aos antigos costumes de oração, catecismo, mortificação, penitência e dignidade dentro e fora da Igreja.
      Deus não é mendigo, e penso que muitos agem mal ao tentar conciliar qualquer jota que seja da obra ímpia que os modernistas fizeram com as coisas de Deus.
      Dai a Deus o que é de Deus.
      Ninguém pense que conseguirá coisa que preste se misturando aos ambientes modernistas, porque são realmente duas religiões. Ou a pessoa vai virar liberal sem se dar conta, ou terá que usar de meios vergonhosos para dissimular uma fé que não acredita.
      Um católico que pretenda instruir as pessoas no catolicismo, ao falar sobre a Igreja, precisará confessar que a mesma é a única verdadeira, fora da qual não há salvação, e que as demais religiões são falsas e ao católico é vedado qualquer contato ecumênico. Nenhuma paróquia modernista no mundo permitirá tal ensinamento. E este é UM exemplo das muitas verdades que não são mais admitidas.
      O que farão, então? Vão dissimular? Vão omitir? Cristo sempre falou publicamente e às claras. Ele também foi prudente e soube quando dizer as verdades, mas nunca disse meias-verdades ou tergiversou.
      Meditem sobre a situação dos cristãos japoneses que foram martirizados aos milhares e levaram SÉCULOS sem missa e sem sacerdote, mas não deixaram de ser católicos por isso.
      Meditem sobre a lição dos católicos sob o regime de Henrique VIII que morreram pela Missa, sem admitir nenhuma alteração.
      Meditem sobre a erupção da Montanha Pelada, em que Deus permitiu a destruição da Martinica, e anos depois revelou à vidente Melanie que permitiu a ruina de todos por causa da omissão dos CATÓLICOS diante das profanações.
      Princípios não se barganham, e vocês já viram à exaustão que desde o Vaticano II não houve uma degeneração posterior, mas uma adulteração proposital para a construção de um novo princípio. Eles construiram novos princípios sobre os documentos (a letra), pregaram-no através do tal “Espírito”, e fabricaram uma missa totalmente fake que constitui dar a Deus o que há de menos nobre, assim como fez Caim…

  34. Acho que se deve ter cuidado com a FSSPX.

    Admiro seu tradicionalismo, seu zelo pela catolicidade, mas temos um papa eleito legitmamante, e deve ser respeitado, e se você quiser ser católico, também deve ser obedecido em fé e moral.

    Fazendo ressalva do que admiro na FSSPX, também receio que essa entidade possa se situar no fio da navalha, no meio-fio, no limite de ser considerada dentro da Igreja.
    E acho isso lamentável, tanto pra FSSPX como também (em menor grau, é verdade), para a Igreja, que pode ter fora de seus quadros, pessoas qualificadas.
    Mas, se renegam o Papa e as regras da Igreja, não podem ser consideradas mais católicas, no sentido estrito da palavra.
    Abraço a todos.

  35. Porque amo a minha Igreja, não posso deixar de me pronunciar (não é defender, pois a Igreja é Cristo e ela não necessita de defesa) sobre os insistentes ataques à Igreja e ao Romano Pontífice que veio “quase do fim do mundo”. 1) Se, de fato, cremos que a Igreja é sempre preservada do erro e guiada pelo Espírito Santo para a plenitude da verdade, então tudo o que se fez pós Concílio Vaticano II é um logro? 2) Só Sua Santidade o Papa Francisco tem-se equivocado nesse seu pontificado através de suas palavras e/ou pregações? Por acaso não sabemos que o Papa Clemente XI, em 8 de setembro de 1713, condenou “como falsa, capciosa, malsonante, ofensiva aos ouvidos piedosos, escandalosa, perniciosa, temerária […]” a proposição de Pascásio Quesnel que dizia “a leitura das Sagradas Escrituras é para todos”? E isto foi antes do Vaticano II! 3) Onde se encontra o nosso amor pela Igreja? Ou, nós amamos mesmo são os nossos pensamentos? Onde está o respeito, o amor mútuo, a vontade de dialogar, de perceber que o que nos une é mais forte do que tudo o que separa? É preciso conversão e oração para que o Senhor faça de todos um só rebanho sob um único pastor. Devemos pedir que não tenhamos de esperar o último dia para então saber que não trabalhamos verdadeiramente para a unidade. Há uma oração de Cristo que ainda não foi atendida: “Pai, que eles sejam um como nós somos um, a fim de que o mundo creia”. Esta oração somos nós, que estamos dentro da Igreja, que nos opomos à sua realização! Uma oração de Cristo é infrutuosa por nossa causa! A grande razão é que não temos humildade, somos apegados aos nossos próprios conceitos, não reconhecemos que somos grandes pecadores, e é exatamente essa a razão pela qual nossa fé é tão superficial, nossas orações sem fervor, nossas pregações sem unção… 4) E as ordenações realizdas depois do Concílio, por acaso são todas inválidas? Onde estava o Espírito Santo? Coloquemo-nos em oração diante do Sacrário e peçamos perdão a Deus!

    • Diácono Everaldo,
      Muito ponderado.

    • Neste domingo fui padrinho de crisma de meu cunhado. Haviam 80 crismandos com seus respectivos 80 padrinhos. No momento da consagração eucarística, na transubstanciação do corpo e do sangue do Senhor, apenas eu me ajoelhei e pedi ao meu afiliado que também fizesse a genuflexão enquanto o Bispo repetia as palavras de Jesus levantando Hóstia consagrada. Pergunto o que estas 80 pessoas que receberam o sacramento da confirmação estavam fazendo lá? O que elas aprenderam sobre a nossa fé católica? O que elas sabem da santa missa? Na verdade as críticas aos maçons e comunistas infiltrados na Igreja não são críticas a Igreja de Cristo. Mas são críticas em defesa da Igreja de Cristo contra heresias e profanações. Utilizo a mesma frase do estimado irmão em Cristo para finalizar o meu comentário. Coloquemo-nos em oração diante do Sacrário e peçamos perdão a Deus! Principalmente perdão diante de tanto sacrilégio e omissão! Amém!

  36. Reblogged this on Allan L. Dos Santos and commented:
    A entrevista traduzida para o Português.

  37. Eu vejo comentários contra e a favor da Fraternidade , e contra ou a favor do atual Papa. Penso que não deveria ser assim. Quando entramos em uma conversa, seria ideal que conhecêssemos profundamente os temas aos quais estamos nos propondo a debater, e os temas que a outra parte também conhece. Creio que a Fraternidade de São Pio X não quer atacar um Papa. Quer, simplesmente, defender a Igreja de Cristo. E, infelizmente, hoje estão em ação forças de sociedades secretas em concretização de uma etapa final de destruição da Igreja Católica visível. Há uma infinidade de livros que tratam sobre isso, em sintonia com as profecias bíblicas e com as aparições marianas aprovadas oficialmente pela Igreja. Então, se não se enfrentam essas questões a fundo, e se faz uma análise superficial da presença do Papa Francisco na Igreja, a discussão não encontra seu verdadeiro sentido, que é atender ao chamado mais do que atual de Jesus Cristo Nosso Senhor quanto ao vigiai e orai. E, na minha opinião de quem se debruça sobre esse tema há mais de vinte e cinco anos, apesar das imperfeições humanas que podem ocorrer com todos nós, a Fraternidade não está fazendo nenhum juízo precipitado sobre o Papa, que logo no início do Pontificado afirmou que “se uma pessoa é gay e procura a Deus, quem sou eu para julgá-lo?”, uma afirmação que, para além de ter saído de um coração paternal e amoroso, foi extremamente imprudente ao ser proferido no exato momento em que as hordas do inferno batalham diariamente para destruir a família cristã por meio da ideologia gay e de gênero. Oremos pelo Papa, que Jesus abençoe ele e Maria o cubra com seu Manto Protetor, e, simultaneamente, fiquemos de olho nele, porque podemos amar um Papa, mas ele sempre estará a serviço da Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica, com sua Tradição, Magistério e Palavra de Deus, e Jesus Cristo mesmo é a cabeça dessa Igreja. Não procuremos justificar os erros graves de nenhum Papa, para tentar “compreendê-lo”; antes, busquemos a integralidade do depositum fidei. E rezemos o Rosário, frequentemos os Sacramentos e busquemos o desapego às coisas deste mundo. Oremos, porque Cristo está às portas, e quem não está conseguindo discernir os tempos em que vivemos que comece a estudar e investigar e a orar mais, para não ser confundido entre os inimigos de Deus quando Sua Ira se abater sobre a humanidade hoje carregada de pecados e ofensas diretas a Deus. Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós.

  38. As únicas coisas de “sadia criatividade” que o prezado Pe. Francisco Pereira citou na lista são os itens 3 (preferência pela casula romana, já que a casula gótica também é um paramento regular) e 5 (referente ao Novus Ordo), já que os demais itens não são criatividade, mas sadia tradição.

    Agora só falta a Missa de São Pio V propriamente.

  39. É, Bruno Santana, captei a mensagem.
    Mas vou dizer, eu li o ordinário da missa tridentina e comparei com o da missa nova. Sei que vou chocar mas a verdade deve ser dita: não achei a missa nova diferente da antiga. Sou ignorante, talvez?
    Achei a missa nova um resumo pobre da antiga. Um resumo pobre mas que manteve o essencial. Só o essencial talvez não baste, nisso eu concordo, e concordo também que os inimigos por voce citados abriram nela espaços para desvios, como tambem mostrou os Cardeais Otaviani e Bacci. Mas analisando a letra e não o espírito, realmente não vi coisas diferentes, e talvez esteja aí a prova de que toda maldade humana não superou a ação do Espírito Santo.
    Por isso, de sã consciência não posso rejeitar a missa nova como má. Preferiria a tradicional se houvesse opção, é mais completa, mais profunda, mais divina. Ainda que achando que ela podia ser um pouco mais simplificada e menos repetitiva sem ser pobre e nua como a nova. Embora achando a nobreza do latim mais bela do que util. Embora achando que padres bem formados podem celebrar versus Populum e ler as orações eucarísticas em voz alta de forma teocêntrica e mais marcante para as almas dos fiéis. Mas como não há um meio termo, eu preferiria a missa tridentina.
    Mas não há opção, não há opção pra mim e pra muita gente também não há opção. Não creio que seja o momento (pelo menos não ainda) de como os japoneses ou como os ingleses no tempo de Henrique VIII, suportar a total ausência da Missa e da Eucaristia. Por enquanto eu vou atras dela onde ela tiver (como te disse, até na Ortodoxa se for preciso, se não houver nada melhor). Só fico sem ela se Deus me obrigar, e por enquanto Ele não obrigou. Não creio que alguem se torne melhor, reze melhor, ame mais com o coração divino, sem receber o Pão do Céu, sem adorar o Mistério do Calvário renovado em cada missa, com palavras mais ou menos bonitas, com padres mais ou menos santos. Não creio que sem Cristo e Cristo Eucarístico eu serviria pra alguma coisa de bom, ou sequer me manteria na fé e no caminho certo.

    A inteligência e fidelidade sem a misericórdia de Deus pode nos tornar secos e duros demais a ponto de não aceitar que o Espírito Santo aja de um jeito que nos pareça absurdo, como conduzir a Igreja em meio aos erros humanos, no meio deles, sem extirpá-los por completo. Na historia sagrada o jeito de Deus agir muitas vezes é estranho e absurdo, é chocante e inimaginável. Veja os anjos caídos como resistiram por não aceitarem a lógica de Deus se humilhar e se fazer homem.
    Li em certo site neo-conservador (tradição em foco) um artigo muito interessante sobre o sedevacantismo. Tambem há pouco tempo li um artigo de d. Estevão Bittencourt sobre a FSSPX (que eu admiro) mas sua crítica era bem respeitável. As vezes há muitas faces de uma mesma situação. Como disse Bento XVI “a verdade marginalizada se independentiza e a sua volta pode surgir um cisma.”
    Tudo que vc fala tá certo (e gosto muito do que voce fala) mas essas verdades não se podem desgarrar do todo sem cair na mentira ( quando digo “todo” me refiro não a Tradição, mas a situação atual da Igreja). E seria uma grande perda pois são estas verdades que precisam vencer e restaurar a Igreja em crise. São os fortes como os tradicionalistas (neo ou rad) que precisam dar seu sangue pra reparar os males que nos afligem, mas não farão isso brigando entre si ou rasgando as vestes e renegando tudo que está imperfeito como se nele Deus não estivesse presente.

    • Teresa, escrevi de modo geral, não foi exatamente focado apenas a você, mas em parte, quando li sobre sua experiência como catequista.
      Eu também já pensei na possibilidade de ser catequista. Eu também já me somei aos que corriam atrás da arquidiocese para conseguir missa tradicional rezada por padres que aceitavam o Concílio. Eu também já “endureci” na posição tradicionalista desejando entretanto um acordo prático entre Roma e a FSSPX. Eu também já tive muita impaciência em relação aos que viam contaminação em qualquer contato com a Santa Sé. Mas posso estar até enganado, mas se estou errado, não percebo onde me perdi nas consequências lógicas da situação que se põe à vista minha e de todos.
      Infelizmente, sua percepção em relação aos dois missais, a ponto de enxergar a missa nova como uma versão enxuta e reduzida da Missa de Sempre, de alguma maneira justifica sua posição, porque não é por maldade, mas por ignorar o real alcance da situação.
      A Missa Nova insere-se em um contexto de arqueologismo litúrgico que havia sido condenado por Pio XII, pois naqueles tempos os ambientes modernistas (especialmente os países germânicos e anglo-saxões, mas não apenas eles) já tinham desespero por transportar a liturgia ao tempo dos apóstolos, porque, na mentalidade moderna – que não é a mentalidade católica, mas uma mentalidade embriagada de anti-valores revolucionários e politicamente corretos – o passar dos séculos teria sido marcado pela ausência do Espírito Santo, e o que nós chamamos desenvolvimento orgânico da liturgia (assim como a Fé progride em conhecimento), eles concebiam como mera interferência terrena na pretensa desfiguração do verdadeiro rito cristão.
      Trocando em miúdos: eles concebiam que a Igreja se corrompeu nos tempos de Constantino, e seu rito simplista deu lugar a acréscimos estranhos ao cristianismo primitivo. Ou seja: repetem a tese protestante de que a Igreja teria se corrompido.
      E a mentalidade pauperista-comunista veio exatamente de encontro a estes anseios. Como eles têm mentalidade igualitária, então toda forma de hierarquia, riqueza ou verticalidade deveriam ser abolidas.
      Este tipo de pensamento não pode ser admitido por um católico, Teresa.
      Antes de tudo, porque a crítica de que os tradicionalistas estão congelados no tempo se voltam contra os próprios críticos. Eles desejam uma igreja ideal, porque concebem que apenas o início da igreja foi bom, porque vai de encontro à mentalidade mesquinha deles, de uma pequena seita que reparte os bens materiais e basta-se por si mesma.
      Só que este mundo ideal não resiste a algo chamado REALIDADE.
      A própria Bíblia demonstra que as coisas nunca foram assim. Desde o Gênesis.
      Deus preferiu o Sacrifício de Abel ao de Caim, porque Abel reservou a Deus o que tinha de melhor, e esse desapego levou o seu sacrifício a uma perfeição maior do que o sacrifício de Caim, que não era um sacrifício, mas algo superfluo que foi deixado para Deus.
      Deus aceitou os dois sacrifícios, mas preferiu o de Abel por razões óbvias, pois Abel deu algo que lhe era caro, ao passo que Caim oferecera algo qualquer somente para cumprir o preceito, e longe de admitir a sua falha, transferiu sua frustração para o irmão que não tinha culpa. É mais fácil culpar os outros do que examinar as próprias culpas, não?
      Quando Deus estabeleceu ao povo hebreu a religião provisória, o próprio Antigo Testamento é próspero em detalhar tudo o que era utilizado no culto divino (e prescrito pelo próprio Deus): a lista é longa: os paramentos dos sacerdócios, o OURO e demais metais nobres, os tecidos, os detalhes e as imagens que deveriam decorar a Arca da Aliança e o Templo… Ora, o Deus que ordenou semelhantes coisas É o mesmo! Deus não muda! Os mundanos, os hereges e os ignorantes acham que Deus é uma entidade esquizofrênica, volúvel, que é mal-humorado no Antigo Testamento, e vira um bonachão no Novo, mas Ele é sempre o mesmo!
      Para Deus sempre se oferece o melhor. Não só as melhores disposições do Espírito, mas dentro das nossas possibilidades, o melhor em termos MATERIAIS. Porque Ele MERECE, porque Ele têm esse direito, e porque não é apenas digno e justo, mas é causa de alegria e felicidade estar disposto a dar a Deus o melhor, porque tudo o que Ele sempre nos deu (e nos dá) é sempre infinitamente maior do que merecemos.
      Lembremo-nos do zêlo que tinha Nosso Senhor com o Templo, a ponto de chicotear os cambistas, que profanavam aquele lugar SUNTUOSO e consagrado a Deus para atividades alheias. Aquele Templo era material, e é verdade que Deus não depende de templos materiais, mas a sacralidade daquele lugar onde se ofereciam sacrifícios com “s” minúsculos não poderia ser profanada de maneira alguma.
      E o sacrifício é mais perfeito quanto mais sincera é a intenção de quem o oferece de ofertá-lo a Deus. O sacrifício de Abraão foi aceito por Deus de tal forma, que O mesmo se contentou com a sinceridade de seu coração, que, se não fosse pela intervenção direta do anjo, daria o próprio filho em holocausto, mostrando que era um verdadeiro justo, pois não deu uma coisinha qualquer, mas o que tinha mais precioso na vida: o filho legítimo e amado, que valia mais que todas as propriedades e tudo o mais que possuia, EXCETO o próprio Deus a quem o mesmo servia.
      Lembremo-nos da lição que Nosso Senhor nos ensinou a respeito da pobre viúva, que ofertou a Deus uma determinada importância que para uma pessoa qualquer não passava de uma merreca, mas para aquela mulher mergulhada na pobreza, consistia em um sério prejuízo material, porque a medida de Deus não é numérica, mas é a da intenção reta.
      Então, quando se passou a considerar que basta o que chamam falsamente “essencial”, “básico”, “abreviado”, “simples” para que tudo esteja bem, há que se considerar que Deus não é um mendigo, que antes de tudo, que a Deus se oferece o MELHOR.
      Deixe-me voltar àquela máxima que volta e meia repito: deve-se servir a Deus como Ele quer ser servido, e não como nos convêm.
      E em toda a Sagrada Escritura não se encontra nenhuma preferência pela mentalidade pauperista, mas ao contrário: há muito testemunho de suntuosidade, de hierarquia, de simbolismo, só que tudo isso num contexto de SACRIFÍCIO, num contexto de tirar algo que realmente faz falta para reservar a Deus, ou a pompa seria um fim em si mesma. Assim como a mentalidade hodierna se debruça sobre uma falsa humildade e uma pobreza farisaica, bastando-se a si mesma e orgulhando-se de ser “básica”.
      A Missa Nova é o protestantismo entrando pela porta da frente da Igreja. E não no papel de convertido, mas como agente atuante. Vou tentar pela última vez explicar do que se trata a questão da Missa, pois já não tenho mais argumentos.
      Quando Nosso Senhor Jesus Cristo esteve andando entre os homens, tudo o que Ele ensinou foi verdadeiro, assim como toda a Santa Bíblia é verdadeira. Mas as próprias Escrituras atestam que não encerraram a totalidade dos gestos, atos e palavras de Nosso Senhor .
      ” Muitas outras coisas, porém, há ainda, que fez Jesus, as quais se se escrevessem uma por uma, creio que nem no mundo todo poderiam caber os livros que delas se houvessem de escrever” (Jo XXI, 25).
      E Nosso Senhor Jesus Cristo avisa aos Apóstolos que todas as Verdades que ele ensinou seriam completadas posteriormente.
      “Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas vós não as podeis compreender agora. Quando vier, porém, o Espírito de verdade, ele vos guiará no caminho da verdade integral, porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e anunciar-vos-á as coisas que estão para vir” (Jo. XVI, 12-113).
      Portanto, a Revelação oficial se encerrou com a morte do último apóstolo, mas a Igreja sempre observou que, de acordo com o que disse o próprio Senhor, o Espírito Santo a guiaria no caminho da verdade integral, ou seja, não apenas para os Apóstolos a quem Nosso Senhor falou diretamente, mas no correr dos séculos, determinadas realidades seriam melhor compreendidas quando os tempos estivessem maduros para tanto.
      Ou seja: o progresso do Dogma: a realidade que antes era obscura passou a ser melhor enxergada em sua totalidade.
      Disse progresso e não evolução do dogma. Evolução leva ao entendimento de mudança de substância, como se algo deixasse de ser o que é para tornar-se outra coisa.
      Na Fé, existem Verdades que sempre existiram (perenes), mas melhor compreendidas com o passar dos séculos. Não se inventam novas “verdades” ou se desmentem coisas sempre tidas como verdadeiras, porque toda a Verdade vem de Deus, que é a Verdade, e assim como Deus não muda, a verdade não muda.
      O mesmo princípio pode ser aplicado à Liturgia. O Espírito Santo guiou a Igreja no desenvolvimento litúrgico, e este progresso não constituiu uma evolução ou contradição da liturgia primitiva dos apóstolos, tal como é vista em documentos antiquissimos da Patrística, mas ao contrário: O Espírito Santo, servindo-se do que havia de bom nas culturas onde o cristianismo se disseminou, levou a liturgia a um aperfeiçoamento em todos os sentidos: no sentido estético, na precisão dos dogmas da Fé, na simbologia, e especialmente na dignidade reservada a Deus. Obviamente que Deus é muito mais elevado do que qualquer tentativa humana de cultuá-lo, mas com o Espírito Santo e as circunstâncias favoráveis, a Igreja elevou o nível da adoração suprema a Deus, unindo o que havia de saudável entre os costumes dos batizados e o que a inspiração divina Lhe ditava.
      Por isso a Missa Latina era cercada de genuflexões, pois a genuflexão era o modo de reverência familiar dos povos ocidentais, assim como a forma de se rezar com as mãos abertas e com as palmas encostadas umas nas outras eram a característica feudal de colocar as mãos entre as do susserano, que simbolizava colocar-se sobre o poder alheio. Por outro lado, a Igreja latina tem uma ênfase eminentemente sacrifical e acentua fortemente a Paixão e Morte de Nosso Senhor, ao passo que outras liturgias igualmente dignas enfatizam outros aspectos da Verdade Cristã, não se opondo á Igreja Latina e nem podendo ser comparadas entre si, já que o princípio é o mesmo, mas as ênfases são diversas. Em qualquer rito católico, seja ele latino, bizantino ou qualquer outro, a missa essencialmente será a Renovação do Sacrifício do Calvário.
      No século XVI, com a rebelião protestante, diante das demandas urgiu que o papa São Pio V codificasse o missal, limitando-se a suprimir detalhes muito pequenos e claramente desnecessários, apresentando o Missal Romano em todo o seu esplendor e com uma precisão dogmática tão perfeita, que o mesmo papa, para garantir a proteção do orbe católico, impôs o Missal a todo o Ocidente, decretando extintas todas as formas litúrgicas novas, exceto as que tivessem antiguidade comprovada.
      Tudo isso num contexto de oferecer a Deus o culto mais perfeito. O melhor na arquitetura, o melhor na escultura, na pintura, na tapeçaria, na música, no material, nos paramentos, o melhor idioma ( o latim é um idioma que se destaca por sua precisão tão benéfica à expressar exatamente o dogma; além disso tem uma ótima sonoridade, é uma língua morta, onde as palavras não podem mais mudar de sentido, além de ser gramaticalmente rica. Além do mais, por ter deixado de ser falada, deixou de ser vulgar e foi assumida como língua não apenas oficial, mas também hierática, sagrada).
      Este monumento digno de Deus, assim como a Igreja, longe de ser uma sequência de repetições monolíticas, é fruto de um desenvolvimento contínuo, e sempre foi vigiado pelos Santos Padres, que vez por outra reformavam algum aspecto ou mesmo suprimiam acréscimos desnecessários que de alguma maneira ofuscassem o Santo Sacrifício, pois o mesmo tinham em si a herança dos povos cristianizados, mas sobretudo era o retrato da Tradição Cristã conservado pela Igreja desde sua fundação, como inspiradamente ensinou São Paulo ao dizer: guardai as tradições.
      Porém, com a descristianização da sociedade iniciada por Lutero e pelo Humanismo renascentista, e aprofundada através dos séculos com o Iluminismo, a Revolução Francesa, a Revolução Bolchevique de 1917 e todos os seus desdobramentos, a influência cristã que a princípio diminuiu, no século XIX passou a sentir os primeiros assaltos graves à sua mentalidade, e a mentalidade moderna começou a conquistar muitos batizados de uma maneira sempre constante, até chegarmos hoje onde estamos.
      O sínodo de Pistóia foi a primeira grande manifestação desta mudança de mentalidade. Em Pistóia se preconizou exatamente a simplificação dos ritos e uma série de reformas idênticas às aprovadas no Concílio Vaticano II. Mas o sínodo de Pistóia, sínodo ilegal e condenado pela Santa Sé, tinha em sua gênese uma mentalidade emprestada não da fé católica, mas do Iluminismo francês.
      No século XIX surgiu o liberalismo católico. No século XIX surgiu o socialismo cristão. Ambas condenadas enfaticamente, e ambas grudadas na Igreja como carrapatos. No século XIX, mesmo os movimentos sadios foram contaminados por católicos com o vírus liberal, por exemplo, como os primórdios do Movimento Litúrgico que trouxe uma valorização do rito romano e a restauração do Canto Gregoriano, até sua degeneração posterior, onde os erros do Sínodo de Pistóia forçariam mais uma vez as portas da Igreja, pressionando uma mudança litúrgica que não tinha eco na mentalidade teocêntrica da Primazia dos direitos de Deus, mas nos anseios do século.
      Os primeiros restauradores da liturgia, seguindo os passos de D. Gueranger, trouxeram uma valorização sadia do rito romano, e com a influência incontestável de Pio IX, “romanizaram” a Igreja em todo o mundo, através da liturgia romana em toda a sua pureza, e também pela devoção ao Vigário de Cristo.
      Mas não tardou para que os inovadores, devagar e sempre, aos poucos se acercassem do movimento e em seguida mudassem discretamente o seu foco. O desenvolvimento do movimento litúrgico transformou-se em desvio. Do desenvolvimento católico de Solesmes, passou-se ao desvio modernista do mosteiro de Maria Laach. De D. Gueranger a D. Lambert Beauduin, isso em princípios do século XX.
      A revolução litúrgica foi tão ousada, que muito antes do Concílio Vaticano II, já promovia alterações à revelia de Roma. Aqui no Brasil, por exemplo, em 1933 houve o primeiro caso de um beneditino rezando missa dialogada e de frente para os fiéis, gesto que o mesmo passou a repetir posteriormente a cada semana, contra todo o direito.
      Parecem detalhes mínimos? Pois de grão em grão a galinha enche o papo. O diabo estava exatamente nos detalhes, e a porta foi forçada a tal ponto que influenciou o próprio Pio XII a reformar os ritos da Semana Santa, só que a Encíclica Mediator Dei recordou a preciosidade deste incalculável tesouro que é a Liturgia Latina, e combateu a mentalidade revolucionária refletida em todos esses desvios e arqueologismos que, a pretexto de aproximar o culto católico ao que se rezava nos tempos dos Apóstolos, não levava em conta o desenvolvimento orgânico e inteiramente cristão da liturgia, e no fundo era uma rebelião metafísica com teor profundamente mundano e protestante. O pai do movimento litúrgico (D. Beauduin) não era apenas um homem que se debruçava sobre a liturgia, mas também era devotado ao ecumenismo – muito antes da convocação do Concílio Vaticano II.
      A Mediator Dei foi o último esforço romano que foi realmente considerado como última barreira da mentalidade moderna. Depois disso, a Sacrossantum Concilium de João XXIII, diante da invasão liberal, foi um texto totalmente desconsiderado.
      Depois disto, o cartão de visitas do Concílio foi o desmantelamento total da Liturgia Católica e a construção de um novo sistema antropocêntrico, horizontal, artificial e ecumênico, para alterar a Lex Credendi e por conseguinte proceder à alteração da fé tradicional pela fé conciliar, que objetivamente assumiu tudo o que a Igreja sempre combateu desde Lutero, passando pelo sínodo jansenista de Pistóia até o pontificado de Pio XII. O que era pecado passou a ser incentivado,
      O Novus Ordo é o símbolo da Nova Fé.
      Jean Guitton, amigo íntimo de Paulo VI, certa vez confessou a seguinte situação:
      “Quando leio os documentos concernentes ao Modernismo, tal como ele foi definido por São Pio X, e quando os comparo com os documentos do Concílio Vaticano II, não posso deixar de ficar desconcertado. Porque, o que foi condenado como uma heresia em 1906, foi proclamado como sendo e devendo ser doravante a doutrina e o método da Igreja. Dito de outro modo, os modernistas em 1906 me aparecem como precursores. Meus mestres faziam parte deles [os modernistas]. Meus pais me ensinavam o Modernismo. Como São Pio X pode repelir os que agora me aparecem como precursores?” (Jean Guitton, Portrait du Père Lagrange, Éditions Robert Laffont, Paris, 1992, p.55-56).

      E Paulo VI, por sua vez complementou o raciocínio de Jean Guitton em uma outra ocasião:
      “Reconheço que a diferença entre a liturgia de São Pio V, e a liturgia do Concílio (chamada freqüentemente, não sei por que, de liturgia de Paulo VI) é muito pequena. Na aparência,a diversidade [no ofertório das duas Missas] repousa numa sutileza. Mas essa missa dita de São Pio V, como se a vê em Ecône, se torna o símbolo da condenação do Concílio. Ora, jamais aceitaremos, em nenhuma circunstância, que se condene o Concílio por meio de um símbolo”.
      “Se fosse acolhida essa exceção, o Concílio inteiro arriscaria de vacilar. E conseqüentemente a autoridade apostólica do Concílio”.(Jean Guitton, Paulo VI Secreto, editora San Paolo, Milano, 4 a edição, 2.002)

      E para finalizar, João Paulo II:

      ”A renovação litúrgica é o fruto mais visível de toda a obra conciliar ‘ (Synodi Extr. Episc. 1985 «Relatio finalis», II, B, b. 1). Para muitos, a mensagem do Concílio Vaticano II foi percebida antes de tudo por meio da reforma litúrgica .” (João Paulo II, Carta Apostólica Vicesimus Quintus Annus, sobre o vigésimo-quinto aniversário da promulgação da constituição conciliar Sacrosanctum Concilium, 4 de dezembro de 1988, n. 12

      Jean Guitton afirmou que as heresias condenadas por São Pio X passaram a ser proclamadas no Concílio Vaticano II como as novas normas que a Igreja adotaria doravante;
      Paulo VI garantiu que permitir a Missa de Sempre de maneira inalterada (tal como se rezava na FSSPX) seria inadimissível pois condenaria o Concílio (que segundo Jean Guitton admitiu as heresias condenadas por São Pio X) através de um SÍMBOLO.
      E João Paulo II reitera que a renovação litúrgica é o fruto mais visível de todo o Concílio, antes de qualquer outra coisa.

      Teresa, não vejo mais como argumentar, pois você ao mesmo tempo em que concorda com o que digo discorda exatamente do que penso. O propósito da Missa Nova é igual ao do papa Novo. O escândalo consiste em exatamente a Missa Nova ser válida, assim como o papa novo é veradeiro papa! Antes fosse um rito totalmente protestante, e antes o papa declarasse que deixou de ser católico e por isso devolvesse o cargo para a Igreja. Mas temos que engolir todo este remédio amargo, e suportar tudo isso desde que não ofereça perigo às nossas almas. Só acentuo finalmente que Deus não faz nem ordena absurdos. Creio que você não pode admitir certas coisas por razões mais psicológicas do que intelectuais, mas não quero forçar ainda mais seu entendimento, porque temo que você não suporte e caia em desespero. Mas não acho que você esteja errada em tudo, só que não vai dar pra assobiar chupar cana ao mesmo tempo…

  40. Teresa. Ao meu ver a missa nova é um morrete na presença da montanha que é a missa tridentina. Ela veio na esteira da descida da ladeira impulsionada pelo Concílio Vaticano II. Porém, que eu saiba não há nenhum teólogo sério que taxativamente tenha-a considerada heresia. Contudo, a missa perdeu em sacralidade e identidade. Além do mais foi facilmente assaltada por abusos que surgiram no seu cerimonial, tais como o absurdo da celebração com motivos de circo que o Frates aqui já apresentou.

  41. Bruno,

    Resumindo, tratá-se de um plano de secularização da Igreja. E o Papa Francisco já aponta para esse sentido. Busca um colegiado sob a forma de sistema de representatividade dos tais “rostos da igreja”.

    Quantas facetas terá o demonio.

    Que Deus nos acuda!

  42. Bruno Luis Santana,

    Parabéns por sua longa resposta à minha xará. De fato, fica difícil dizer que a Missa Nova é apenas menos profunda que a Missa Tradicional, ainda que sendo uma afirmação verdadeira em si, há muito mais que se falar sobre os dois ritos. Só um estudo aprofundado das circunstâncias que deram origem à missa nova e a toda a crise na Igreja nos ajudam a descobrir as diferenças e aderir à Missa Tradicional. E quando não se tem a oportunidade de frequentar a Missa Tradicional regularmente o mecanismo psicológico natural é a tentativa de se ajustar e buscar argumentos para sobreviver. Penso que eu faria isso se estivesse no lugar dela. E ainda a dúvida sobre o preceito dominical. É melhor um alimento ralo do que morrer à mingua.

    Infelizmente a crise é tão grande que muitas vezes os fiéis são expostos à Missa Tradicional com mentalidade conciliadora, como se fosse possível “assobiar e chupar cana”, mas “é o que temos para hoje” como se diz atualmente.

    Não se pode cair em desespero. Somos a Igreja Militante e não a Igreja Reclamante. Por isso é preciso divulga-la ao máximo e lutar para que ela seja disponibilizada junto com a doutrina perene. Enquanto isso rezar incessantemente, não perder a fé e sermos realistas, analisando a História como um todo.

    • Senhora Teresa(2),

      Bem compreensiva a senhora. Sabemos do envolvimento psicológico dos fies a missa de Paulo VI. Percebe-se bem que o clero atual aproveita muito deste fato para implantação de uma pseudodoutrina, quero reclamar a doutrina dada aos apóstolos. Dessa quero ser instruído. Será que faço parte de uma Igreja preguiçante?

  43. O debate me parece inócuo. Recomendo leitura atenta do Sermão da Sexagésima do Padre António Vieira, pregado na Capela Real, no ano de 1655, mas tão atual que parece ter sido pregado hoje.

  44. Caro Bruno Santana, ia deixar sua fala como a ultima. Primeiro por ser mais uma vez brilhante, e segundo porque acho que nós dois defendemos pontos contrários e esgotamos nossos argumentos, embora provamos um ao outro e a todos que lerem, nossa reta intenção e sincera busca pela vontade de Deus. Agora quem ler reflita e tire proveito.

    Mas resolvi escrever de novo, só pra dizer: obrigada por suas explicações, parabéns por sua capacidade de estudar, pesquisar e aprofundar, de mostrar como se deve “saber dar as razões de nossa fé” e pelo dom de fazê-lo com maestria. A voce acho que só um Bento XVI poderia contestar. Eu gostaria de tocar em alguns pontos mas não me atrevo mais (graças a Deus, né?)

    A Teresa 2 foi perfeita quando disse: “quando não se tem a oportunidade de frequentar a Missa Tradicional regularmente o mecanismo psicológico natural é a tentativa de se ajustar e buscar argumentos para sobreviver. Penso que eu faria isso se estivesse no lugar dela. E ainda a dúvida sobre o preceito dominical. É melhor um alimento ralo do que morrer à mingua.”
    Talvez seja isso mesmo que ocorre comigo.

    Mas diante de todos os erros maquiavélicos do poder religioso de sua época, Jesus falou aos pequenos e simples (entre os quais suponho me incluir): “os fariseus sentaram-se na cadeira de Moisés… façam o que dizem, mas não imitem seus atos, pois dizem e não fazem.”

    Assim, eu vou continuar fazendo o que eles dizem (assobiando humilde e obedientemente a música da missa nova), mas não imitarei o que eles fazem (continuarei chupando a cana amarga de estar no meio deles sem abraçar sua causa).
    E apesar de tudo, gostaria de te pedir que tentasse fazer o mesmo, não tanto em relação a missa, mas em relação a posturas de ruptura mais radical.

    • Minha cara Teresa, eu sou apenas um leigo, e na verdade nem sequer me considero um estudioso propriamente dito. Eu me acho mais um repetidor do que um teórico, aliás eu nem sequer tenho mandato para falar nada em nome da Igreja, não sou teólogo nem historiador nem coisa que o valha, mas as coisas que escrevo são antes reflexões ou pensamentos que nem sequer são fixos. Só que, para a defesa da Fé e para ajudar as pessoas que às vezes me parecem estar à deriva diante da situação em que vivemos, às vezes comento as coisas com alguma veemência, porque creio ser papel de todo batizado amar a Igreja e trabalhar para sua exaltação,
      E faço isso de maneira muito imperfeita, Deus bem sabe que não exagero, e que talvez esteja sendo até muito benevolente comigo mesmo.
      Mas quero dizer também que estou atento ao fato de cair em uma ruptura mais radical. Eu sempre temi o radicalismo, mas temo igualmente a desonestidade intelectual.
      Não quero dizer com isso que tenho inerrância, ou que formo o juízo mais perfeito. Só que alguns princípios de meu pensamento me parecem muito claros, e eu entendo-os como corretos, e digo as coisas enfatizando-os a todo o momento.
      Como por exemplo, quando eu repito incansavelmente o que aprendi “devemos servir a Deus como Ele quer ser servido, e não como nos convém”. Diante de uma afirmação teocêntrica destas, eu não posso, não devo, não quero relativizar em circunstância alguma o fato que as coisas têm uma maneira correta de serem feitas – a maneira que corresponda à vontade de Deus – e eu não vou admitir meio-termos num assunto destes.
      Um segundo princípio que eu não abro mão é o de que o gesto de dar a Deus algo menos nobre seja admitido como algo válido e corriqueiro. Eu estou a bilhões de anos-luz de dar o melhor de mim a Deus, mas minha contradição pessoal não pode se acostumar com minha mediocridade. Eu por minha fraqueza e minha culpa posso não ser um cristão digno de ser designado como tal, mas eu sei que estou errado, e não posso permitir o pensamento de que assim está tudo bem, e que Deus deve se contentar com o que sou. Não é justo que assim seja, a consciência de que para Deus se deve reservar o melhor (e com isso a resolução de assim fazê-lo) não pode ser ofuscada pela tentação do conformismo. É por isso que digo que Deus não é mendigo.
      Agora que disse isso me recordo de uma vez que ouvi o padre Jahir (FBMV) comentar certa vez que, frequentemente ao final da Santa Missa (tridentina,que ele mesmo chama a missa VERDADEIRA), o mesmo lamenta de que poderia ter rezado missa e celebrado de maneira melhor. E vocês não têm noção da maestria e da concentração do padre, sobretudo no serviço do Altar…
      Quanto ao clero, que para sofrimento de todos os que amam a Igreja, está infelizmente convertido a uma fé irreconhecível, não posso enxergá-los e muito menos incitar as pessoas a tratá-los como impostores ou criminosos, mas visto que a adesão aos princípios revolucionários os tornou o que agora são, a ponto de torná-los irreconhecíveis, recomendo que se reze e se façam sacrifícios por eles, porque são um clero corrupto, porém legítimo. Que se reze por eles, mas lembrando que o contato com doentes contagiosos não raras vezes torna o enfermo quem está saudável.
      Não estou falando do ponto de vista moral, mas do ponto de vista doutrinal e intelectual. Há muitos padres que não negam os dogmas, mas são liberais e têm concepções modernistas da Fé e dos costumes. E quantos se julgam imunes e terminam assim! O conservador de hoje é o liberal de amanhã, o copo de água pura, caso se coloque nele um dedinho, por mais transparente que se apresente a água, já não é mais a mesma água pura.
      Se vocês querem fazer algo de bom pelo pobre clero, rezem e se sacrifiquem por eles. É o mandamento de amar ao próximo. Porém, obedeçam o mandamento até o fim e passem a amar também a si mesmos, se afastando do convívio deles, pois está escrito que quem ama o perigo, nele perecerá. E também está escrito que, quem está de pé, cuide para que não caia. E sobretudo: não tentarás o Senhor teu Deus.
      Nosso Senhor disse “Eu sou o Bom Pastor, e as ovelhas reconhecem a minha voz”. E seus sucessores repetiam a voz da Verdade, e as ovelhas eram capazes de reconhecê-la. Então agora eles falam em ecumenismo, em democratização do papado, em bondade nas religiões falsas, e eu não reconheço a voz destes pastores.
      São pastores, ao que tudo indica, sim. Mas porque nos induzem ao céu DA BOCA DO LOBO? Estão desafinados, estão roucos, e às vezes a omissão os faz afônicos. Quando falarem como falava o Bom Pastor, espero em Deus que não caia antes, que esteja de pé, porque seria uma desgraça chegar ao ponto de chamar o bem de mal e o mal de bem.
      Lembro-me agora dos cristãos no coliseu. Morreram intransigentes, duros, secos, irredutíveis, teimosos, mas não aceitaram meio termo. Era tudo ou nada, eles foram radicais e perderam a vida mas não se dobraram.
      Lembro-me de Santo Atanásio que morreu excomungado, irredutível, inabalável até mesmo com a excomunhão do papa. A linha tênue que separa a santidade da obstinação é neste caso não apenas a causa verdadeira, mas a retidão em fazer tudo por Deus, e não para satisfação pessoal.
      E acho que este último ponto é o mais urgente em toda a questão. A todo momento, quem peleja, poderia por alguns instantes parar e se perguntar se está nesta disputa por orgulho intelectual, por vanglória, para demonstrar talento e perícia diante dos outros, ou se está mergulhado nesta situação por realmente crer que faz o certo, e se faz isso realmente por Deus? Penso que tirar os olhos da cruz leva à perda do foco, e a degeneração começa.