Um Santo e Feliz Natal!

É o que deseja o Fratres in Unum a seus leitores!

Publicamos a seguir nossa tradução da mensagem de Natal de Dom Samir Nassar, arcebispo de Damasco. Rezemos nesta Santa Noite por nossos irmãos sírios, por suas famílias e crianças.

Os refugiados diante da manjedoura

Reflexão de natal do Arcebispo Maronita de Damasco

A Síria, neste tempo de Natal, assemelha-se muitíssimo com a manjedoura: um estábulo aberto, sem portas, frio, desprovido e extremamente pobre…

Ao Menino Jesus não faltam companheiros na Síria… Milhares de crianças que perderam seus lares estão vivendo em barracas tão pobres quanto a manjedoura de Belém.

Jesus não está sozinho em sua extrema pobreza. As crianças sírias abandonadas e marcadas pelas cenas de violência querem estar no lugar de Jesus, que tem pais ao seu redor e que o acariciam.

Freira mostra presépio de Natal para sírios cristãos na igreja de São Paulo em Damasco (23/12)

Freira mostra presépio de Natal para sírios cristãos na igreja de São Paulo em Damasco (23/12)

Essa prova de amargura é muito visível nos olhos dessas crianças sírias, em suas lágrimas e em seu silêncio…

Algumas delas invejam o Divino Menino porque ele encontrou uma manjedoura para nascer e se proteger, enquanto algumas desafortunadas crianças sírias nascem sob bombas ou a caminho do exílio.

Maria não está mais sozinha em suas dificuldades; mães infelizes, menos auspiciosas, vivem em extrema pobreza e lidam com responsabilidades familiares sozinhas, sem seus maridos.

A insegurança (precariedade) da gruta de Belém traz uma consolação a essas mães esgamadas por problemas intratáveis e pela falta de esperança.

A tranquilizadora presença de José ao lado da Sagrada Família é fonte de inveja para milhares de famílias desprovidas de um pai, carência que traz medo, angústia e insegurança. Nossos desempregados invejam José, o carpinteiro, que protege sua família de passar necessidade.

Os pastores e seu rebanho, próximos à manjedoura, falam demais para muitos lavradores que perderam 70% de sua criação nessa guerra…

A vida nômade nesta terra bíblica que data até a Abrãao e até antes, brutalmente desaparece com seus antigos costumes de hospitalidade e sua tradicional cultura.

Amman, Jordânia, Natal de 2012: crianças rezam pela Paz.

Amman, Jordânia, Natal de 2012: crianças rezam pela Paz.

Os cães dos pastores do Natal têm compaixão pelo fato dos animais domésticos na Síria serem marcados pela violência mortal; perambulando entre ruínas e se alimentando com cadáveres.

O som infernal da guerra sufoca o “Gloria” dos Anjos… Esta sinfonia pela paz dá lugar ao ódio, à divisão e à atrocidades cruéis.

Possam os três Magos trazer à manjedoura da Síria os mais preciosos dons do Natal: Paz, Perdão e Reconciliação, a fim de que a Estrela do Natal possa brilhar novamente em nossas noites escuras.

Rezemos ao Divino Infante.

Senhor, graciosamente ouvi-nos.

Natal de 2013.

 + Samir NASSAR

Arcebispo Maronita de Damasco.

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4 Comentários to “”

  1. Caro Ferretti,

    Deus lhe multiplique em graça por esta caridade feita: por fazer justiça a um povo sofrido, por relembrar e reforçar a universalidade da Santa Igreja.

    Roguemos à Sagrada Família, em especial ao Menino Jesus, que pisou aquela terra, que dê consolo, conforto e alento aos Seus filhos que por Ele sofrem.

    Um Santo e Feliz Natal para você e toada a família.

    Jairo.

  2. Um Santo e Abençoado Natal aos administradores do Fratres e todos os amigos leitores!

  3. Ó Santo Menino, Jesus Cristo, fazei com que a lembrança do vosso nascimento faça os homens se abrirem a vossa luz, luz que ilumina cada homem que vem ao mundo. Ó Santa Mãe de Deus, Bem Aventurada, Sempre Virgem Maria, rogai ao Menino-Deus pelos nossos irmãos sírios que sofrem por tanta guerra…..Ó São José patriarca da família de Nazaré protegei os nossos irmãos sírios…
    Que a luz de Nosso Senhor Jesus Cristo, luz que ilumina o mundo, traga a paz, o perdão e a reconciliação para a Síria e toda a Terra. Amém.

  4. O Divino Dilema e sua solução: A Encarnação.
    ( Santo Atanásio- Sobre a Encarnação)

    …Porque a morte e a corrupção cobriam a terra e iam se espalhando rapidamente, a raça humana estava em processo de destruição. O homem que foi criado à imagem e semelhança de Deus e possuidor de uma razão que refletia o próprio Verbo de Deus estava desaparecendo e com ele a própria obra de Deus ameaçava ser desfeita. A lei da morte como resultado da transgressão prevalecia sobre nós e dela ninguém escapava.
    O que estava acontecendo era monstruoso e indesejado. Seria portanto inimaginável que Deus voltasse atrás em sua ordem e que o homem, tendo transgredido, continuassse a viver eternamente. Mas seria igualmente monstruoso que seres que uma vez haviam compartilhado da natureza do Verbo devessem perecer e voltar ao estado de não-existencia através da corrupção.
    Seria indigno da bondade de Deus que criaturas feitas por Ele fossem reduzidas ao nada através do engano engendrado pelo Maligno. E seria supremamente inadequado que a obra de Deus na humanidade desaparecesse seja por causa de sua própria negligência ou seja por causa da artimanha engendrada por espíritos malignos.
    Como o ser racional criado por Ele estava de fato perecendo e tal nobre obra estava a caminho da perdição, o que Deus que é a Suprema Bondade poderia fazer? Deixaria a morte e a corrupção dar cabo de tudo? Nesse caso, qual teria sido o propósito de criá-lo inicialmente? Certamente teria sido melhor que jamais o tivesse criado do que criá-lo pra em seguida negligenciá-lo e deixar perecer.
    Por outro lado, tal indiferença diante da ruina de Sua própria obra seria prova não da bondade de Deus mas de sua própria limitação. Desse modo seria melhor que o homem jamais tivesse sido criado.
    Seria portanto impossível que Deus deixasse o homem abandonado à sua própria corrupção porque isso seria incompatível com a natureza divina.
    Como já vimos, seria impensável pra Deus voltar atrás no seu decreto concernente à morte de modo a assegurar nossa existência. Ele não poderia se falsificar a Si mesmo. O que Deus faria então? Exigir arrependimento do homem por sua transgressão? Poderíamos argumentar que se pela transgressão o homem se tornou sujeito à corrupção, o arrependimento seria o suficiente para torná-lo incorrupto novamente.
    Mas arrependimento não é suficiente pra preserver a Divina consistencia, pois se a morte não tivesse o dominio sobre o homem ainda assim Deus não teria permanecido consistente. Por outro lado o arrependimento não traz o homem de volta ao que ele era de acordo com sua natureza. Tudo que o arrependimento produz é fazer com que o homem pare de pecar.
    Se tivesse sido apenas a queda e não a subsequente corrupção que adveio dessa, o arrependimento teria sido suficiente, mas a transgressao colocou o homem sob o poder da corrupção própria de sua natureza e privado da graça própria da criatura feita à imagem de Deus.
    Não! Arrependimento não seria suficiente. Quem seria necessário para restabelecer a graça perdida? Quem senão o próprio Verbo de Deus pelo qual todas as coisas foram criadas e sem Ele nada poderia ter sido criado?
    Seu papel seria trazer de volta o corruptível ao seu estado de incorrupção ao mesmo tempo mantendo a consistência de caráter do Pai. Pois apenas Ele sendo a Palavra de Deus seria capaz de recriar tudo, digno de sofrer em nome de todos e ser o intercessor para todos diante do Pai.
    Pra esse propósito, o incorpóreo, incorruptível e imaterial Verbo de Deus entrou em nosso mundo. De fato, Ele nunca esteve longe do mundo pois tudo foi criado por Ele e para Ele que vivendo em união com o Pai permeia todas as coisas que existem.
    Mas agora Ele entra no mundo de um novo modo, se auto-revelando a nós.
    Ele viu a corrupção e a morte reinando sobre a humanidade. Ele viu como seria impensável que a lei fosse repelida mesmo antes de ser cumprida. Tudo isso Ele viu e movido de compaixão por nossas limitações, Ele tomou pra si o corpo humano como o seu próprio.
    Ele poderia ter revelado sua divina majestade de outro modo, mas escolheu tomar a nossa forma humana diretamente de uma virgem imaculada, um corpo puro jamais tocado por intercurso com homem. Ele o Todo Poderoso, o Artífice de tudo, Ele mesmo preparou o corpo dessa virgem como templo pra Si próprio.
    E tomando um corpo como o nosso, porque todos os nossos corpos estão sujeitos à corrupção e a morte, Ele o rendeu à morte no lugar de todos nós, oferecendo-o como sacrifício perfeito ao Pai. Tudo isso Ele fez por amor a cada um de nós, para que a lei da morte fosse abolida . Tudo isso Ele fez para que o homem voltasse de seu estado de corrupção ao estado de incorrupção.
    O Verbo percebeu que a corrupção não poderia ser eliminada senão através da morte. No entanto, sendo imortal e o Filho Unigênito do Pai, como tal Ele não poderia morrer.
    Por essa razão, Ele assumiu a nossa natureza, assumiu um corpo sujeito à morte para por um fim à corrupção humana mediante a graça da Ressurreição. Essa é portanto a primeira razão, a primeira causa pela qual nosso Salvador se fez homem e essa deveria nossa razão principal pra celebrar o seu nascimento.
    ET VERBUM CARO FACTUM EST, et habitavit in nobis et vidimus gloriam ejus, gloriam quasi unigeniti a Patre, plenum gratiae et veritatis.